domingo, 21 de agosto de 2022

A mãe


 "A mãe", de Cristiano Burlan (2022)

É curioso como o filme de terror "A corrente do mal", de 2014, inspirou a linguagem de 2 filmes brasileiros autorais recentes: "Vento seco", de Daniel Nolasco, e "A mãe", de Cristiano Burlan, um vigoroso e potente drama. são s travelling em zoom, longos, que começam em planos gerais e vão se aproximando assustadoramente e lentamente de seu objeto de foco. "A mãe" é a homenagem do roteirista e cineasta Sristiano Burlan às mães de maio: Um movimento social formado por mães de jovens assassinados e desaparecidos em São Paulo no período de 12 a 20 de maio de 2006, quando pelo menos 584 pessoas foram mortas no Estado. Marcélia Cartaxo é Maria, uma camelô moradora da periferia, e mãe do jovem Valdo (Dunstin Farias) que sonha em ser jogador de futebol. Quando MAria sai para trabalhar, ela pede para que seu filho arrume a casa antes de ir para a escola. Mas um amigo de Valdo, Jonas, o chama para ir à seleção de jovens talentos do time, e ele acaba indo. No dia seguinte, Valdo não aparece, e aí começa a peregrinação de Mara em busca de seu filho. Com um elenco de apoio muito bom, composto por Helena Ignez, Tuna Dwek, Carlos Meceni, entre outros o filme foi premiado no Festival de Gramado 2022 com melhor direção, atriz e desenho de som. Nesse épico intimista de uma mãe coragem, não tem como não falar do trabalho excepcional de Marcélia, forte, potente, emotiva, feroz. E também do jovem Dustin Farias, um ótimo trabalho em cenas poderosas. Um retrato nu e cru sobre uma sociedade decadente, uma policia corrupta e assassina e instituições falidas.

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