quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Mudo

"Mute", de Duncan Jones (2018) Duncan Jones, Cineasta inglês, filho de David Bowie, realizou em sua filmografia 2 cults da ficção cientifica: "Lunar" e "Contra o tempo". Logo depois, realizou "Warcraft", que foi muito mal sucedido em todos os sentidos. Com "Mudo", seu 4o longa, Duncan Jones retorna ao universo da ficção cientifica, mas infelizmente, sem o brilho de seus primeiros filmes. Em primeiro lugar, E' inconcebível que um filme com um roteiro tão simplório tenha 130 minutos. Parece que nunca vai acabar, ainda mais que muito pouco acontece na trama, em situações reiterativas.. A história gira em torna de Leo (Alexandre Skaagard), um barman que trabalha em um bar futurista na Berlin de 2029. Leo é mudo: quando criança, ele sofreu um acidente, mas sua mãe, de religião Amish, proibiu que ele fizesse uma cirurgia que pudesse resolver seu problema de mudez. Leo namora Naadira, uma garçonete no bar onde ele trabalha. Naadirah tem um passado sombrio, mas Leo prefere não saber de nada da história dela. Até que ela some. em sua busca desenfreada, Leo esbarra seu caminho com o cirurgião Bill (Paul Rudd), que trabalha como médico para uma máfia russa. Com um visual sem muita criatividade e um roteiro que não seduz muito o espectador, sobra muito pouco para tornar esse filme um projeto que mereça valer seus 130 minutos. Os atores estão razoáveis, e os efeitos e a concepção visual são praticamente chupados de "Blade Runner". Talvez seja melhor pular logo pros 25 minutos finais, quando existe alguma mudança de dinâmica e quem sabe, fazer o espectador querer ver todo o início na sequencia.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Cuidado com o Slenderman

"Beware the Slenderman", de Irene Taylor Brodsky (2016) Premiado documentário retratando a história real ocorrida em 31 de maio de 2014, na cidade de Waukesha, Wisconsin. Duas meninas de 12 anos, Anissa Weier e Morgan Geyser, esfaquearam com 19 facadas Payton Leutner, também de 12 anos, que conseguiu ser salva por um ciclista. As duas meninas alegaram que foram induzidas por Slenderman a matar a menina, senão ele mataria os pais delas. Elas foram julgadas em 2017 como adultas, e pegaram mais de 40 anos de prisão. O filme busca várias teorias que teriam levado as meninas a cometerem os crimes: influencia da Internet, mídia que traz material violento para crianças, bullying, ausência dos pais, etc. Slenderman é uma criatura sem rosto, gerada através de histórias macabras da Internet, que seduz e mata as crianças caso elas não cumpram uma tarefa. Uma possível origem seria o Flaustista de Hamlin. O filem mostra em imagens de arquivo, a infância das duas crianças, sua relação com os pais, depoimentos de amigos e professores. E' um filme contundente, ainda mais que a gente sabe que essas crianças somente sairão da cadeia quando estiverem já quase na terceira idade. Sao vidas que se esvaíram, pela falta de cuidado dos pais e pela influencia maligna da mídia que age como educadora dessas crianças. Um filme obrigatório para ser visto e discutido por pais e educadores.

Fidelidade sem limites

"Le fidele", de Michaël R. Roskam (2017) Filme com a mesma dupla do sucesso "Bullhead", drama Belga indicado ao Oscar ( "Fidelidade sem limites" também foi o representante da Bélgica para uma vaga ao Oscar), o Cineasta Michaël R. Roskam e o Ator Matthias Schoenaerts tentam `a todos custo seduzir o espectador com cenas de romance desenfreado, perseguição, policial e muito melodrama. As doses, principalmente do drama, ficaram muito exagerados. Adèle Exarchopoulos está ótima e interpreta Bibi, uma piloto de corrida. Ela se apaixona por Gigi ( Matthias Schoenaerts), que se diz ser um vendedor de carros importados, mas logo depois ela descobre que ele faz parte de uma gangue de assaltantes perigosos. Mas Gigi é apaixonado por Bibi, e fará de tudo para largar essa vida de crime. O filme é dividido em 3 partes: a primeira, Gigi, vemos o filme pelo ponto de vista dele. A segunda parte, Bibi, e a terceira parte, intitulada "Sem flores", carregada em todas as tragédias que você possa imaginar. Adele e Mathias estão bem, mas prejudicados pelos personagens totalmente sem rumo. Ambos possuem uma bela química em cena. A parte policial está bem orquestrada com cenas de ação pauleiras. Mas a longa duração do filme, aliado a uma terceira parte que estraga totalmente o projeto, fazem desse filme um projeto que não chega a um lugar determinado, ficando perdido em qual gênero ele deve pertencer.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

24 X 36: Um filme em cartazes

"24x36: A Movie About Movie Posters", de Kevin Burke (2016) Documentário obrigatório para Diretores de Arte, Ilustradores, Produtores e Distribuidores, tem como tema central a paixão por Posters de Cinema em Hollywood. O filme relata os Anos de Ouro desses Posters nos anos 30 a 80, através de dramas épicos, filmes de terror, ficção cientifica e comédia. Ficamos conhecendo os grande ilustradores de Hollywood, cujos Posters originais hoje em dia valem uma verdadeira fortuna: Richard Amsel (Caçadores arca perdida, Mad Max, Hello Dolly); John Alvim (Et e Blade Runner); Reynold Brown; Norman Rockwell (Soberba); Bob Peak (Apocalipse now) Roger Kastel (Tubarão, e a curiosidade de que se baseou em “E o vento levou” para criar o Poster de “ Império contra ataca”); e o grande Mestre Saul Bass, que criou “Um corpo que cai” e “Anatomia de um crime”. Geralmente os Artistas que pintavam os Posters não tinham os seus nomes creditados, eles tinham que ser desprovidos de ego pois os estúdios não queriam que eles levassem a fama pelo sucesso do filme. O filme apresenta também a falta de criatividade que assolou a produção dos Posters dos anos 90: A era da Ilustração entrou em decadência, e se endeusava as grandes celebridades: Os posters apenas continham um Close do Astro do filme, sem nem sequer fazer qualquer menção ao conteúdo do filme. Tinham também os Posters com os rostos de todos os Atores famosos do filme. E mais: Os posters passaram a ter a mesma idéia, quase boa parte da produção parecia um a cópia do outro. Esses posters tiveram o seu auge nas vídeo locadoras, pois os clientes entravam nas lojas e apenas queriam saber quem eram os atores que estavam nos filmes. Tem um depoimento revelador de uma produtora dizendo que hoje em dia ninguém presta atenção em Cartaz, pois veem em smartphone, e precisa ter imagens que digam o que irão ver em poucos segundos, senão não irão se interessar. O filme tem na sua última parte um grande alento: o grande interesse nos Estúdios em fazerem releituras de seus posters clássicos voltando a usar a Ilustração: esses posters acabam virando objeto de culto de colecionadores, acabando em poucos segundos assim que colocados `a venda.

A renovação

"The revival", de Jennifer Gerber (2017) Adaptação da peça teatral escrita por Samuel Brett Williams, é uma trágica história de amor entre um Pastor e um jovem andarilho. Eli é um jovem Pastor, casado com June, que está grávida. Um dia, Daniel, um jovem andarilho, surge durante o almoço que a Igreja oferece aos pobres. Eli de imediato se apaixona pro Daniel, mas entra em um terrível estado de conflito pessoal e espiritual. Eli aloja Daniel na casa de sua mãe, e acabam transando. Até que June descobre a traição. O filme é um melodrama repleto de intrigas, paixões avassaladoras e homofobia. Dirigido por Jennifer Greber, que faz um trabalho correto, apesar da falta de ritmo de boa parte do filme, mas no quesito interpretação ela comanda bem as performances. Atenção ao trabalho de Zachary Booth, no papel de Daniel, que está bastante sedutor e carismático. Um filme que vale ser visto e discutido, pois trata de temas polêmicos, como homofobia e conservadorismo da Igreja.

A história de Freddie Mercury:Who wants to live forever?

"The Freddie Mercury Story: Who Wants to Live Forever" (2016) Documentário dramatizando os últimos anos de vida de um dos maiores astros pop da história do Rock inglês. Utilizando atores para reconstituir ficcionalmente cenas, o filme mescla com imagens de Freddie Mercury em eventos, shows e vida pessoal. Impressiona a semelhança do ator John Blunt e o real Freddie Mercury, algo incrível. O filme começa em 1985, durante a apresentação do Queen no Live Aid. A expectativa era enorme, afinal o Queen não se apresentava há muito tempo e Freddie tinha acabado de lançar um álbum solo, "Me bad guy", que foi um enorme fracasso. Com o sucesso da apresentação, o grupo resolveu retornar ara fazer Concertos mundo afora. Freddie, em uma visita em Nova York, conheceu umas pessoas que o incentivaram a entrar em um mundo de sexo, drogas e rock'n roll sem limites. A Aids estava surgindo, e acabou que em 1987, Freddie foi diagnosticado com o vírus, negando até `as vésperas de sua morte que tivesse doente. O documentário tem depoimento de pessoas próximas, mas tudo no filme tem um tom apocalíptico, aterrador, fatalista. Absolutamente sensacionalista, o filme procura associar a promiscuidade da época com o universo Lgbts. Os atores que interpretam Freddie e integrantes do Queen, além de seus amantes e amigos, atuam sem muita expressão. Uma pena, o filem tinha tudo para acontecer. Vale pelas imagens que são registros reais de época, algumas bastante raras. O filme foi produzido pela Channel Five Channel.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Pele fria

"Cold skin", de Xavier Gens (2017) Co-produção Espanha/França, dirigida pelo francês Xavier Gens, "Pele fria" é baseado em novela best seller de Albert Sánchez Piñol. A história gira em torno de um irlandês (David Oakes), que descontente com os rumos da humanidade durante a 1a Guerra mundial, aceita o trabalho para trabalhar em uma ilha remota na Irlanda, tendo como companheiro Gruner, o faroleiro do local. Somente daqui há 1 ano um barco virá buscar o homem. O que ele não imaginava, é que na ilha habitam estranhas criaturas marinhas, que ameaçam a ele e a Gruner. O filme é uma metáfora sobre a ameaça que nos rodeia intermitentemente, e mesmo que os supostos inimigos sejam pacíficos, o Homem não consegue enxergar essa bondade, por conta de sua natureza violenta. Bem dirigido e com boa maquiagem e caracterização dos seres marinhos, o filme tem uma história curiosa e bons atores. Tecnicamente (fotografia, trilha sonora) seguram a atenção do espectador, mesmo achando que o filme tenha uns 15 minutos a mais.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Academia de Platão

"Akadimia Platonos", de Filippos Tsitos (2009) Divertida comédia dramática, dirigida pelo Grego Filippos Tsitos. Premiado em vários Festivais, incluindo o prestigiado Festival de Locarno, de onde saiu com o Premio de juri e de Melhor Ator, "Academia de Platão" se assemelha muito ao cinema do finlandês Aki Kaurismaki, apostando em um humor corrosivo e patético. Stavros é um homem de meia idade, que cuida de sua mãe doente. Ele é dono de um pequeno mercado em um bairro classe média de Atenas. ele passa todos os dias de conversa fiada com 3 amigos desocupados, e também tenta reaver o amor de sua ex-esposa. Um dia, um trabalhador albanês surge na região, e os 4 amigos o destratam ( os gregos tratam mal os albaneses, acusando-os de roubarem seus empregos) e se serem uma sub-raça.). Um dia, Stavros chega em casa e descobre que o albanês é seu irmão, e pior, que ele também nasceu na Albania. Com um ótimo roteiro e performances bem semelhantes ao cinema de Kaurismaki (Bressoniano, sem emoção), o filme toca em importantes temas, como os refugiados na Grécia, a crise económica, o desemprego e o descaso com os idosos.

Burro de carga

"Beast of burden", de Jesper Ganslandt (2018) Dirigido pelo Sueco Jesper Ganslandt, "Burro de carga" é uma produção americana, misto de drama e filme de ação, estrelada por Daniel Radcliffe. Um aparte: Daniel Radcliffe precisa urgente mudar de agente. Seus últimos filmes são bem ruins, e Radcliffe interpretou personagens bem estranhos, a maioria querendo provar que ele pode ser um Ator visceral e deixar para trás o Harry Potter. Foi assim com "Swiss army man", "Selva", "Horns" e por aí vai. Ele é um bom Ator, mas tem seus limites. Em "Burro de carga", Radcliffe interpreta um piloto de avião, que faz entrega para traficantes, carregando drogas através da fronteira com o México. O filem lembra bastante "Feitos na América", drama com Tom Cruise. Só que aqui, 90% do filme acontece dentro da cabine do avião pilotado por Radcliffe. No restante do filme, são cenas rápidas de flashback, e um desfecho fora do avião. Ele interpreta Sean, um funcionário da DEA (Divisão anti-drogas), mas que, por conta da dioença de sua esposa, precisa fazer uma entrega de drogas para um cartel. Mas as cosias dão errado, e sua esposa é sequestrada pelos traficantes. Logo nos primeiros minutos, já dá vontade de desistir do filme. São mais de 10 minutos dentro da cabine, com um azul do lado de fora da cabine muito falso, evidente que usaram croma. O filme poderia ser um curta, mas fizeram um longa com um fiapo de história, e fica difícil querer assistir até o final. Não funciona nem como drama, nem como filme de ação.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O paradoxo Cloverfield

"The Cloverfield Paradox", de Julius Onah (2018) Terceira parte da franquia de sucesso criada pelo Mago J.J. Abrams, o file ficará eternamente reconhecido como o projeto que a Paramount desisti de lançar nos cinemas e acabou vendendo seus direitos de exibição para a Netflix pelo valor de 50 milhões de dólares (o dobro de seu orçamento, de 26 milhões). E isso porque os analistas da Paramount entenderam que se fosse lançado comercialmente, o filme seria um fracasso, devido `as suas qualidades duvidosas. De fato, o filme é bastante ruim. Um arremedo de "Alien" e "Gravidade", o filme abusa do clichê de uma tripulação que é tomada de assalto por seres alienígenas e precisam lutar pelas suas vidas. No ano de 2028, o projeto Cloverfield lança ao espaço uma nave com tripulantes de várias nacionalidades, para que busquem uma solução para a falta de energia que assola o planeta terra. Porém, ao darem início ao projeto, eles acabam parando em outra dimensão e soltando monstros em universos paralelos. O elenco é formado por grandes atores estrangeiros, entre eles, Daniel Bruhl e a chinesa Zhang Yiyi, estrela de vários filmes de Zhang Yumou. E' muito estranho ver atores do quilate deles fazerem parte de um filme tão B, tão sem qualidades. Os efeitos são razoáveis, o roteiro tosco e as atuações, infelizmente estão bem além da capacidade de todos. O filme procura linkar os 2 filmes anteriores, mas de verdade, é um filme desnecessário. deixar em aberto as questões dos filmes anteriores, teria sido muito mais inteligente do que tentar explicar tim tim por tim tim.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Vicious

"Vicious", de Oliver Park (2015) Premiado curta de terror inglês, exibido em dezenas de Festivais. Partindo de uma premissa muito simples, o filme tem alguns bons momentos de suspense. Uma jovem, Lydia, está de luto pela morte de sua irmã, Katie. Ao retornar para casa, Lydia percebe que a porta de casa está aberta. Ela entra, e munida de faca, ela tenta descobrir quem foi que entrou. Com boa performance de Rachel Winters no papel de Lydia, o filme quase não tem diálogos, apenas atmosfera. Barato e com alguma criatividade (a apesar de clichês do gênero), "Viicious" entretém, ainda mais que são apenas 12 minutos de filme. https://vimeo.com/143537386

Perfeita para você

"Irreplaceable You", de Stephanie Laing (2018) Drama romântico, "Perfeita para você" vai na esteira de clássicos lacrimogéneos sobre parceiros que contraem doenças terminais e no final todo mundo cai em prantos, como Love story" e " Tudo por amor", ou "A culpa é das estrelas". O problema de "Perfeita para você" é que faltou injetar mais emoção e fazer a gente chorar, o que é o propósito desse filme. ele aposta em momentos graciosos, com humor, e acaba que fica tudo elas por elas. O filme já começa apresentando o túmulo de Abbie (Gugu Mbatha-Raw). De cara já entendemos que ela morreu. O espírito dela narra o filme, e retrocedemos no tempo. O filme começa quando Abbie e Sam (Michiel Huisman, de "Game of thrones") se conhecem na escola, aos 8 anos de idade. Dali em diante, foi amor `a primeira vista. Já adultos, morando juntos, o casal aguarda a ultrassonografia para avaliar a gravidez de Abbie. e descobrem a terrível verdade: Abbie está com câncer terminal. Temerosa de deixar Sam sozinho, Abbie procura uma parceria ideal para ele. Sem ritmo, o filme se arrasta em momentos que tentam buscar a simpatia do espectador, repleto de personagens fofos. Christopher Walken, como um dos pacientes que fazem amizade com Abbie, e tantos outros ajudam a trazer o espectador para a história, mas infelizmente ela é muito óbvia e sem surpresas. O casal principal até tem uma química, mas a construção dos personagens não foi de todo satisfatória. Faltou um carisma maior. Faltou alma, em um filme de narrativa flat.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A ciambra

"La ciambra", de Jonas Carpignano (2017) Candidato oficial da Itália `a uma vaga ao Oscar 2018, essa Co-produção, que tem entre seus produtores, o brasileiro Rodrigo Teixeira e o americano Martin Scorsese, é um retrato cruel da infância em terras italianas. A Ciambra é uma pequena comunidade cigana que se encontra situada na Calábria. Acompanhamos a família Amato: uma família numerosa, tentando sobreviver através da marginalidade. roubos, venda de drogas, suborno, assim como as famílias ciganas vizinhas. Pio, o adolescente de 14 anos, quer ser visto como um adulto, mas ele precisa passar por uma espécie de batismo: acompanha seu irmão mais velho nos atos criminosos, para aprender. Pio fuma, bebe, não estuda, não sabe ler. Um dia, o irmão mais velho e o pai de Pio são presos pela policia. Pio precisa então se tornar o homem da família, e para isso, se junta ao seu amigo Ayiva, um refugiado africano. Com uma linguagem quase documental que o aproxima bastante do Cinema dos irmãos Dardenne, "A ciambra" tem todo os elementos que o aproximam do cinema neorealista: não-Atores, filmagem em locações, roteiro que narra a rotina dos marginalizados. Toda a família de Pio, a família Amato, foi usada no filme, e impressionam nas suas performances, talvez ate porque interpretem a si mesmos. Gosto do filme, que tem lindas cenas bem fotografadas e orquestradas. Mas mesmo assim, senti que ele poderia ter tido uns 20 minutos a menos. Deu uma canseira lá pelo terço final, quando se torna repetitivo. A performance do menino Pio Amato impressiona bastante, e tem uma forte cena onde ele transa com uma prostituta. No inicio do filme, fiquei chocado também com uma cena de crianças com cerca de 5 anos fumando. Mundo cão.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Frangipani

"Frangipani", de Visakesa Chandrasekaram (2017) Escrito e dirigido pelo Cineasta Visakesa Chandrasekaram, "Frangipani" é o primeiro filme Lgbts do Sri Lanka, e por isso mesmo, um marco histórico na filmografia do País. No Sri Lanka, os homossexuais podem ser presos por até 8 anos caso sejam pegos em atitude suspeita. O filme narra a história de um triângulo amoroso: Sarasi é uma jovem rica e bela, que estuda em um Curso de figurino especializado em vestidos de noiva. Chamath é seu colega de curso, por quem Sarasi é apaixonada. Com a chegada na cidade de Nalin, as coisas se complicam: Chamath se apaixona por ele. Sarasi percebe o pouco caso de Chamath com ela e ela resolve seduzir Nalin. Como filme, "Frangipani" é bem fraco: atores quase amadores, direção sem criatividade, edição falha, com cortes e rupturas de tempo confusas e mal delineadas e um excesso de trilha sonora. O filme não tem ritmo, os personagens não tem carisma. Com tanta falta de qualidade, o filme ainda assim vale por ter sido o primeiro grito do movimento Gay em seu país. Torcer agora que outros filmes do gênero venham, mas com qualidade melhor. Frangipani é o nome de um flor local do País.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

"Pihalla", de Nils-Erik Ekblom (2017) Drama adolescente lgbts finlandês, lembra bastante o famoso filme alemão "Tempestade de verão", de 2004. Durante o verão, os pais de Miku estão fora de casa. Seu irmão mais velho, o rebelde Sebu, resolve promover uma grande festa em casa, convidando a todos. No dia seguinte, a casa está destruída. Os pais de Miku retornam e ficam chocados com o estado da casa. Irritados, resolvem brigar com Miku e o levam para passar um tempo em um chalé afastado da cidade. Lá, Miku conhece Elias, um adolescente assumido. Miku e Elias começam a namorar, e Miku tenta esconder de seus pais que ele é gay. Sem ritmo, roteiro fraco, "A época do verão" vale pela curiosidade de se ver um filme de gênero Lgbts adolescente na Finlândia, e que ainda tenta tirar uma casquinha em comédias tipo "American pie". A receita não dá muito certo, muito por conta da falta de carisma dos atores principais e pela longa duração do filme. Mikko Kauppila, que interpreta Miku, lembra bastante Daniel Bruhl adolescente.

Pantera negra

"Black Panther", de Ryan Coogler (2018) O cineasta Ryan Coogler, que começou com o pé direito em dramas mega independentes, angariou tantos prêmios e prestigio que acabou sendo convidado para dirigir um mega Blockbuster. Depois de "Fruitvalley Staion" e "Creed", em "pantera negra" Ryan Coogler desenvolve um dos filmes de ação e aventura mais críticos e políticos dos últimos tempos. Escalando o seu ator fetiche Michael B. Jordan como o vilão Erik Killmonger, Coogler acerta ao contar em seu elenco com alguns dos melhores Atores negros do momento: Chadwick Boseman, Angela Basset ( que bom esse lindo retorno), Lupita Nyong'o e as duas grandes surpresas: Danai Gurira, como a guerreira Okoye, e Letitia Wright, como Shuri, a irma mais jovem e mega nerd do Rei T'Challa, o Black Panther. Do elenco branco, destaque absoluto para Martin Freeman, o eterno Bilbo de "Senhor dos anéis", como o agente da Cia Ross, e Andy Serkis, mostrando que é muito talentoso também sem fazer CGI. A história todos já conhecem. O filme tem muito humor, ação, personagens carismáticos, efeitos excelentes e o que o diferencia de todos: a sua imersão nos novos tempos de feminismo, conflitos sociais e raciais. O filme é rodado como se fosse um filme realista na parte dramática, discutindo todos esses temas de forma séria. O desfecho de Erik e Black Panther `a beira de um lindo por do sol, é brilhante e emocionante.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Sebastian

"Sebastian", de James Fanizza (2017) Drama indie canadense Lbts, "Sebastian" foi escrito, produzido, protagonizado e dirigido por James Fanizza. Tantas funções para quem estréia em um longa-metragem talvez não fosse a melhor das idéias. Com todas as boas intenções, James Fanizza realiza uma história de amor que remete ao cult inglês "Weekend". Alex é um jovem desenhista desempregado. Ele namora um descendente de argentinos, que apresenta ao namorado o seu primo Sebastian, que veio passar uma semana na cidade. O namorado de Alex precisa viajar e pede para que Alex fique de cicerone de Sebastian durante uma semana. Claro que isso não vai dar certo, e os dois pombinhos irão se apaixonar. Pegando também a ideia de "Antes do amanhecer", porém sem o tempo real de um dia na vida dos personagens, "Sebastian" não funciona por conta de seu amadorismo, tanto técnico, quanto artístico. Os atores são fracos, os diálogos, fracos. O romance entre Alex e Sebastian está baixa voltagem, falta uma química e uma tensão sexual prejudicada pela pouca experiência dos envolvidos. Falta timing, uma edição melhor. Vale apenas por algumas cenas ambientadas em baladas underground onde as pessoas se apresentam dançando Vogue.

Happy end

"Happy end", de Michael Haneke (2017) Concorrendo em Cannes 2017, "Happy end" condensa todo o Universo temático de Michael Haneke: Família desestruturada, angústia, desesperança, rancor, humilhação, fetiche, imigração e muita violência psicológica. A poderosa família Laurent, que tem como patriarca Georges (Jean-Louis Trintignant), segue a linhagem empresarial através da mão de ferro de Anne (Isabelle Huppert), mãe do médico Thomas ( Mathieu Kassovitz) e do complexado Pierre. O filme começa com um grave acidente de trabalho na empresa, onde um empregado fica entre a vida e a morte. Acompanhamos cada integrante da família em suas várias sub-tramas, encabeçadas pela menina Eve (Fantine Harduin, excelente), filha de Thomas, cuja mãe é depressiva. Eve registra com seu celular,a rotina da família, e descobre que atrás da aparência da família feliz, existem segredos que irão destruir a todos. Com um excelente elenco, Michael Haneke faz o que quer. Não é dos seus melhores trabalhos, mas ainda assim vale acompanhar esse drama psicológico que no desfecho beira a uma angustiante cena de redenção.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O insulto

"L' insulte", de Ziad Doueiri (2017) Representante do Líbano no Oscar de filme estrangeiro 2018, o libanês "O insulto", co-escrito e Dirigido por Ziad Doueiri, é um Cinema humanista, na tradição de "Promessas de um novo mundo", documentário que marcou época em 2001, que apresentava depoimentos de crianças israelenses e palestinas acerca do conflito entre as duas populações. "O insulto" parte de uma premissa muito interessante: como uma simples ofensa entre 2 homens, pode tomar dimensões épicas e movimentar um País inteiro? O Líbano é um país que sofreu imigração de refugiados da Palestina, e a maioria se encontra em situação irregular. Os libaneses não encaram com bons olhos essa invasão palestina, pro motivos culturais, sociais e religiosos. Tony Hanna ( ,Adel Karam intenso, excelente) é dono de uma oficina mecânica e casado com Shirine, grávida de 8 meses. Um dia, uma equipe da prefeitura, liderado pelo palestino Yasser (Kamel El Basha, brilhante e Vencedor do Premio de Melhor ator em Veneza 2017) está fazendo obras na rua onde mora Tony, quando são molhados pela calha de Tony, que estava aguando suas plantas na varanda. Aí começa um estopim: Tony agride verbalmente Yasser, que o insulta. Tony resolve processar Yasser porque ele nao aceita pedir desculpas. E daí em diante, tudo vai se tornando numa enorme bola de neve. Esse filme tem tudo a ver com o momento que estamos vivendo no Brasil e no mundo: polarização, ofensas gratuitas, preconceito em todos os níveis. Com um roteiro inquietante, o filme tem atuações excepcionais de todo o elenco, e também, uma edição dinâmica, que mantém o interesse do espectador, mesmo em inúmeras cenas de tribunais. A cena onde os dois personagens saem do tribunal e pegam seus carros, é de doer o coração.

A princesa e o plebeu

"Roman holiday", de Willian Wyller (1953) Uma das mais clássicas comédias românticas da história do Cinema, "A princesa e o plebeu" marca a estréia de Audrey Hepbun no Cinema, em 1953. Gregory Peck, seu parceiro de cena, ficou tão encantado com essa jovem atriz, que pediu para os produtores colocarem o seu nome nos créditos inicias, pois estava certo de que ela ganharia o Oscar de melhor atriz. o que acabou acontecendo. O filme, co-escrito por Dalton Trumbo, na época perseguido pelo Macartismo, acusado de comunista, foi inteiramente rodado em Roma, Itália, tendo os seus interiores construídos nos estúdios da Cinecittá. O filme também levou os Oscar de Roteiro e de figurino, da lendária Edith Head. Audrey está absolutamente encantadora no papel da princesa Ann. Durante uma visita em Roma, seguindo uma turnê européia, ela entra em colapso nervoso, devido `a sua rotina estressante de entrevistas e visitas burocráticas. Numa noite, ela foge, e vai parar no centro de Roma. Sedada pelo médico, ela acaba sendo encontrada pelo jornalista Joe Bradley (Gregory Peck), que a acolhe em casa, sem saber quem ela é. No dia seguinte, Joe acaba descobrindo a identidade da princesa, e chama seu amigo fotógrafo Irving para tirar fotos escondidos dela e venderem por uma grande soma. Mas Joe se apaixona por Ann, e durante um passeio turístico pela cidade, eles se apaixonam. Willian Wyler é um dos grandes cineastaa americanos que primaram pelo seu ecletismo: Diretor de grandes épicos, como "Ben Hur", Wyler era também excelente diretor de atores. "A princesa e o plebeu"' é daqueles filmes que a gente adora rever vez ou outra, e constatar a primazia na direção e nas atuações, principalmente na brilhante cena final da entrevista com a imprensa, nas trocas de olhares entre Audrey e Gregory Peck. Maravilhoso.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Em busca de Fellini

]\\\ "In search of Fellini", de Taron Lexton (2017) Nancy Cartwright é mais conhecida por ser a voz de Bart Simpson na sua versão original americana. Mas pouca gente conhece a sua história. Criada por uma mãe protetora, que inventava histórias para que ela idealizasse um mundo de conto de fadas, Nancy encontrou nos filmes de Federico Fellini o seu refúgio ideal. A sua paixão pro Fellini foi tanta, que ela foi para a Itália em busca dele, no ano de 1993, quando ele faleceu. No filme, Nancy tem o pseudónimo de Lucy (,Ksenia Solo em um registro muito semelhante a de Audrey Taoutou em "Amelie Poulain"). Aliás, com certeza que o Cineasta sul africano Taron Lexton se baseou em Amelie Poulain" para contar a sua historia. Usando o lúdico e a fantasia o tempo todo, o filme tem na fotografia o seu ponto alto, com imagens belíssimas em Verona, Veneza e Roma. O filme comeca em Ohio, onde conhecemos Lucy e sua mãe, Claire (Maria Bello) e sua tia, Kerri (Mary Lynn Rajskub). entre uma cena e outra, o filme edita cenas de filmes famosos de Fellini, e fico imaginando o quanto de orçamento não foi convertido somente para os direitos de uso de imagem dos filmes. O filme, infelizmente, não alça grandes voos. Com altos e baixos, o filme só acontece mesmo quando Lucy vai pra Itália, mas isso somente acontece na metade do filme e aí já perdeu a simpatia e a paciência do público. Vislumbre as belas locações, pois é isso que vale a pena ver, e claro, a homenagem ao Cinema de Fellini.

Mundo louco

"Yat nim mou ming", de Wong Chun (2016) Que filme triste! Essa premiado drama de Hong Kong trata de um tema muito atual: a depressão. Tung é um jovem corretor da bolsa de valores, prestes a se casar com Jenny. Mas a depressão de sua mãe o corrói. Seu pai a abandona, seu irmão vai morar nos Estados Unidos, e apenas ele pode cuidar dela, apesar da agressividade de sua mãe, que não quer ninguém por perto. Tung acaba contraindo a bipolaridade, e perde tudo o que construiu na vida, indo parar em uma clinica psiquiátrica. Um ano depois, ele tenta reconstruir tudo de novo. Com uma comovente e realista performance dos 4 atores principais, o filem mostra a classe média baixa em Hong Kong, os casos de suicídio por conta da crise econômica e o crescimento da Igreja evangélica. Dirigido com elegância e muita firmeza, o filme apresenta ótimos atores no elenco de apoio e um olhar pouco glamuroso de Hong Kong.

Paddington

"Paddington", de Paul King (2014) Primeiro filme da franquia do famoso personagem criado em 1958. Paddington mora com seus tios Lucy e Pastoso nas florestas do Peru. Quando um terremoto devasta a região, o Tio Pastoso morre, e Tia Lucy vai morar em um asilo para ursos. Ela aconselha Paddington de ir para Londres procurar um cientista que se tornou amigo deles. Chegando em Londres, Padidngton conhece a família Brown, que o hospeda por um tempo, até ele arranjar um lar. Mas a filha do cientista, Millicent (Nicole Kidman, maravilhosa como a vilã), tem planos para sequestrá-lo e empalhar o urso. Divertido e deliciosa aventura cómica para toda a família, tem um elenco maravilhoso (Sally Hawkins), um roteiro gracioso e uma fotografia e trilha sonora que parecem saídos de um livro de conto de fadas de tão colorido. O filme tem ótimas gagas, e uma cena antológica: quando o Sr Brown se veste de mulher para entrar na Biblioteca. Animação de primeiríssima qualidade.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Sem nome

"Sin nombre", de Cary Fukunaga (2009) Excelente drama dirigido pelo Cineasta e roteirista Cary Fukugana, que dirigiu recentemente o elogiado "Beast of no nation" e a série "true detective". Lançado em 2009, o filme ganhou inúmeros prêmios, entre eles, o de Melhor direção e fotografia em Sundance, do fotógrafo brasileiro Adriano Goldman. Casper é um jovem marginal, que integra uma gang de bandidos que assaltam imigrantes latinos que querem atravessar a fronteira do México para os Estados Unidos. Casper salva a jovem Sayra de ser estuprada pelo líder da gang, matando-o. Jurado de morte, Casper precisa fugir para os Estados Unidos, junto de Sayra. Muito bem dirigido por Cary Fukunaga, que aqui estréia em longas, o filme brilha pela fotografia, crua e realista, e pelo formidável trabalho de todo o elenco. Uma espécie de road movie, o filme é bastante tenso, bem montado, e o tempo todo, um soco no estômago. E' difícil assistir ao filme, devido `a sua crueza, característica que ja vimos em "Beast of no nation".

Bela adormecida

"Belle dormant", de Adolfo Arrieta (2016) Versão totalmente subversiva do clássico conto de fadas dos irmãos Grimm. No ano de 2000, no Reino da Letónia, o Rei governa seu País com muita burocracia. Seu filho Egon ( Niels Schneider, de "Amores imaginários", de Xavier Dolan) tem um único desejo: encontrar a Bela adormecida e tirá-la de sua maldição. O Rei nao acredita nessa historia dizendo ser um conto de fadas. Egon pede ajuda para Gerard (Mathieu Amalric), piloto de helicóptero do Rei, para levá-lo até o Reino de Kentz, onde ele acredita estar a Bela adormecida. Versão adulta da história, o filme lembra "Pele de asno", de Jacques Demy, onde ele misturava conto de fadas com modernidades, sem ter a parte musical. Divertido pela sua ingenuidade, e com uma proposta naturalista na interpretação, se aproximando do cinema de Robert Bresson, "Bela adormecida" só ressente de uma atmosfera mais lúdica e mágica. Vale pela curiosidade, mas esqueça qualquer versão da história, principalmente do clássico da Disney.

Felicité

"Felicité", de Alain Gomis (2017) Vencedor de vários Prêmios Internacionais, entre eles, o Grande Premio do Juri do Festival de Berlin 2017, "Felicité" é o típico filme independente que se consolidou na Europa e na Africa advinda da globalização e de várias Co-produçoes: Franca, Senegal, Alemanha, Líbano e Bélgica. Felicité é uma cantora que se apresenta em bares de quinta categoria em um bairro pobre do Congo. Ela encontra a felicidade nos palcos, lugar onde ela expressa os seus sentimentos. Quando o seu filho se acidenta e está prestes a perder a perna, Felicité precisa arrecadar um montante enorme de dinheiro para poder pagar a cirurgia. Começa um processo doloroso e humilhante para pedir dinheiro a amigos, familiares e desafetos. Com uma atuação extraordinária de Véro Tshanda Beya Mputu no papel principal, alternando momentos de alegria com dor, sofrimento e tristeza, o filme tem um olhar documental sobre o Congo e as suas ruas de terceiro mundo, abandonada pelo Governo e pelo assistencialismo social. Nesse verdadeiro Mundo cão, a lente do Diretor Alain Gomis procura apontar para a fantasia e para o lúdico, recurso utilizado por Feicité para fugir de sua vida desencantada. Um filme forte, sofrido, mas que graças a Deus, em seu desfecho, aponta para uma luz no fim do túnel. Haja sofrimento!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Trama fantasma

"Phantom thread", de Paul Thomas Anderson (2017) O Cineasta Paul Thomas Anderson é provavelmente, um dos realizadores mais aguardados e cultuados pelos Cinéfilos no mundo inteiro. Cada filme de sua autoria é aguardado com muito burburinho, e também é sinónimo de premiações. Seu filme anterior, "Vício inerente", talvez seja dos menos intensamente aclamados em sua filmografia. Por isso, 4 anos depois, "Trama fantasma" vem cercado de expectativas. Ainda mais com a parceria vitoriosa de Daniel Day Lewis, cujo filme que trabalharam juntos, "Sangue negro", rendeu os Oscars de Fotografia e Ator em 2008. Daniel Day Lewis divulgou recentemente que esse seria seu último filme. A pergunta é: Valeu a pena? E a resposta é:Sim. Dirigindo, escrevendo, produzindo e pela primeira vez, fotografando, Paul Thomas Anderson, narra uma história sobre Poder, assim como em "Sangue negro". Reynolds Woodcock (Day Lewis) é um renomado estilista de alta sociedade na Londres dos anos 50. Perfeccionista e meticuloso, ele é repleto de tiques, além de ser uma figura desprezível e insuportável. Sua irmã, Cyrrill ( Lesley Manville, indicada ao Oscar de coadjuvante) é quem, friamente, administra toda a Mansão de alta costura. Um dia, ao almoçar, Reynolds conhece a garçonete Alma ( Vicky Krieps). Atrapalhada, mas forte e decidida, Alma acaba sendo convidada por Reynolds para ser uma de suas modelos. Alma fica encantada com tudo, mas ao perceber a forte personalidade de Reynolds, ela vira o jogo: ela também é de forte temperamento. Belissimamente dirigido, com atores em plenos pulmões dando o melhor de si ( todos, até os coadjuvantes) , "Trama fantasma" fa;a sobre o mundo obssessivo da moda, mas também fala sobre relações humanas e temperamentos destruidores. Com muita pompa, Luxo e Glamour, o filme concorre em 6 categorias, inclusive, a de ator e de figurino. Vicky Krieps , nascida em Luxemburgo, está ótima, pena que não tenha levado indicação. Linda trilha elegante de Jonny Greenwood, parceiro habitual de Thomas Anderson. O filme evoca momentos de "Rebecca", de ALfred Hitchcock.

Paddington 2

"Paddington 2", de Paul King (2017) Estou totalmente apaixonado por esse filme. Que filme delicioso! Um presente para os Cinéfilos. Uma homenagem carinhosa ao Cinema de Wes Anderson, Jacques Tati, Charles Chaplin, com gags visuais impecáveis. Continuação do grande sucesso de 2014, agora acompanhamos o urso Paddington, adotado pela família Brown, Mary (Sally Hawkins), Henry ( Hugh Bonneville) e seu dois filhos adolescentes, além da avó Judy. Eles vivem felizes, até um dia que Paddington vai em um antiquário em busca de um presente para sua tia Lucy. ele se encanta por um livro de Londres em 3D. Quando visitam o circo local, eles conhecem Phoenix Buchanan (Hugh Grant, sensacional), um ator charlatão que deseja ter o livro em mãos. que ele acredita ter o mapa de um tesouro. Direção de arte, fotografia, trilha sonora, roteiro, tudo é de um primor, de um requinte, parecendo um grande conto de fadas. Os personagens são todos carismáticos, e o grupo de prisioneiros, entre eles o cozinheiro Montanha, são antológicos. Todos atores de primeira linha, e o filme possui gags em turbilhão, ri tanto que doeu a barriga. E' um filme para se assistir muitas vezes, de tao emocionante e divertido que ele é. Hawkins tem um momento que lembra bastante sua personagem de "A forma da água".

Cinquenta tons de liberdade

"Fifty Shades Freed", de James Foley (2018) O Cineasta James Foley já dirigiu alguns filmes cults: "Caminhos violentos" e " O sucesso a qualquer preço". Também dirigiu alguns episódios de "House of cards". Mas para o grande público, talvez o seu nome seja associado `a franquia milionária de "50 tons de cinza". ele dirigiu o segundo capítulo, e agora, o episódio final, intitulado "Cinquenta tons de liberdade". O filme começa com o casamento de Anastacia (Dakota Johnson, insossa) e Christian Grey (Jamie Dorman, que vale pela sua aparência hercúlea). Logo depois, eles saem de lua de mel. A seguir, descobrem uma trama para sequestrar Anastacia. E aclaro, entre uma coisa e outra, muitas cenas de sexo, ciúmes e sacanagem. Mas para quem viu os filmes anteriores, a sacanagem é toda estilizada, publicitária. Tesão zero. Confesso que ri bastante, pela tosquice do roteiro e do diálogos, desse que é com certeza o pior filme da franquia. Mas me diverti. Anastacia nunca pegou um carro esporte, e de repente, ela pilota como um campeão de fórmula um. Nunca deu tiro, e quando dá, acerta de primeira. E por aí vai. Vale pelo requinte das locações, pelo luxo e glamour. A sacanagem mesmo, vai ficar devendo e muito.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Iboy

"Iboy", de Adam Randall (2017) Primo pobre dos filmes de super-heróis, "Iboy" tem ótimas atrizes no elenco: as inglesas Maisie Willians ( Arya de "Game of thrones") e Miranda Richardson. Se for bem analisado, o filme poderia ter sido uma espécie de "Spider man". Após salvar uma amiga de um ato de violência, Tom, um jovem nerd que sofre bullying na escola, leva um tiro. Estilhaços do celular ficam impregnados em seu cérebro, e por conta disso, ele adquire poderes. Sua avó (Miranda Richardson), ´´quase uma Tia May de "Spider man": doce, dedicada e prestativa. Infelizmente, o roteiro é ruim, o filme tem efeitos fracos e o mais importante, o vilão não oferece perigos dignos de um grande rival, mesmo porque, ele nao tem nenhum poder. Maisie Willians faz o que pode, mas o filme não tem ritmo e nem oferece grandes atrativos. Uma pena.

Sem nome

"Without name", de Lorcan Finnegan (2016) Drama de terror psicológico irlandês, o filme teve seu debut no prestigiado Festival de Toronto em 2016. O que era para ser um bom exercício de gênero, infelizmente se torna um enfadonho exercício de estilo, cujo roteiro simplório não traz qualquer tipo de tensão. Eric é um topógrafo que é contratado por um homem misterioso para demarcar suas terras em uma floresta de Dublin. Com problemas familiares com sua esposa e filho, Eric aceita o trabalho e vai parar em uma floresta misteriosa, se hospedando em uma cabana isolada. Olivia é sua amante e vai até lá trabalhar com ele. Mas estranhos fatos começam a acontecer. envolvendo livros que ele acha escondido na casa. O filme aposta numa história onde pouco acontece e muito se tenta fazer na atmosfera. Mas o filme em momento algum surpreende ou procura prender o espectador. Até determinado momento a gente fica curioso em saber o que está acontecendo, mas depois a gente meio que deixa rolar e quer praticamente seguir ao último minuto do filme para ver se tem algo de fato interessante. E acreditem, nada demais. O filme evoca todos aqueles filmes de terror que acontecem numa floresta isolada. Mas aqui, nada, absolutamente nada. acontece. O desfecho é bastante frustrante. O que valeu a pena foram a fotografia e um trecho no final, que dura menos de 1 minuto, repleto de luzes estroboscóbica e edição frenética, que justifica a cartela inicial do filme, dizendo que quem tem problemas com estrobo devem evitar ver o filme.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Encarando o prato

"Ne gledaj mi u pijat", de Hana Jusic (2016) Escrito e dirigido pela Cineasta Hana Jusic, "encarando o prato" é um drama da Croácia vencedor de dezenas de prêmios mundo afora. O filme, no entanto, é de uma monotonia quase insuportável, provavelmente querendo trazer ao espectador a mesma sensação de vida passiva dos personagens retratados. Marijana ( em bela performance visceral de Mia Petricevic) é uma jovem mulher, que mora com seus pais e seu irmão demente. Pobres, eles moram em um cortiço. Marijana é quem sustenta a todos. O pai está desempregado e a mãe é dona de casa. Marijana é enfermeira. Para conseguir suportar a vida de merda, ela sai `as noites caçando homens e transando deliberadamente sem culpa. Frio, seco e sem qualquer emoção, o filme retrata vidas cinzentas, e a roteirista não tem qualquer piedade com nenhum personagem. Tem uma cena cruel do pai batendo na filha com tolha, e em outra, a mãe e o irmão dando uma surra nela. O desfecho pode irritar muita gente, mas enfim, tem quem goste de sofrer. Ritmo extremamente arrastado.

O ritual

"The ritual", de David Bruckner (2017) Adaptação do livro homônimo escrito por Adam Nevill, "O ritual" é um filme de terror inglês, dirigido por um jovem cineasta expoente do gênero, que já rodou episódios de filmes famosos, como "VHS". O filme tem elementos que lembram " A bruxa de Blair", "Amargo pesadelo" e até mesmo "King Kong". 5 amigos se encontram em um pub e decidem em que lugar cada um quer passar com a turma nas férias. Ao comprarem bebidas em uma loja, Luke e Robert presenciam um assalto. Luke se acovarda e se esconde, e Robert acaba sendo morto. Meses se passam, e os 4 amigos remanescentes estão nas montanhas isoladas da Suécia, lugar onde Robert gostaria d elevar os amigos. Ao retornarem para casa, um dos amigos se machuca, O grupo decide abrir atalho e entrar numa floresta. Porém, um ser estranho surge e passa a eliminar um por um. Bem dirigido e com excelente fotografia, "O ritual' é o típico filme de sobrevivência. Ele só não é melhor porque sue miolo ficou entediante. Mas a atmosfera de suspense que permeia o fllme é muito interessante, e os efeitos estão bem resolvidos. Passatempo recomendado para quem curte filme de terror psicológico.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Saturday church

"Saturday Church", de Damon Cardasis (2017) Negro, pobre e gay. Assim é Ulysses, em interpretação comovente de Luka Kain. "Saturday Church" ganhou diversos prêmios em festivais mundo afora, e foi escrito e dirigido por Damon Cardasis. Em formato de drama e de musical repleto de glitter, o filme apresenta o submundo dos Clubes de Vogue, famoso estilo de dança celebrizado por Madonna e frequentado por negros e latinos pobres. Sao nesses clubes aonde Ulysses se esconde e procura ser feliz, fazendo amizade com outras Drags. em casa e na escola, Ulysses vive um mundo de homofobia e de bullying. Com um excelente elenco de drags, "Saturday Church" é um libelo contra os maus tratos e a discriminação contra jovens gays. Belos diálogos, números musicais que parecem ter saído de um clip de Beyoncé. Tudo visto por um olhar carinhoso com esse universo underground. Fotografia inspirada de Hillary Spera e uma trilha sonora repleta de Música eletrônica.

Lady Bird- A hora de voar

“Lady bird”, de Greta Gerwig (2017) Famoso por ser o filme que por um bom tempo se manteve no ranking da Rotten Tomatoes como a produção que ganhou 100% de aprovação dos críticos ( logo depois suplantada por “Toy Story 2”), “Lady Bird” é o filme de estréia da atriz Greta Gerwig, que também escreveu o roteiro. Impossível assistir ao filme e não pensar que ele é um prequel de “Frances Ha”, filme de Noah Baumbach que tornou Greta famosa no circuito indie cinematográfico. Cristine (Saorsie Rosnan) é uma adolescente de 17 anos que mora com sua família na cidade de sacramento, lugar que ela odeia por estar fora do circuito cultural efervescente do País. Seus pais, a enfermeira Marion (Laurie Metcalf, brilhante e comovente) e Larry (Tracy Letts, ótimo), desempregado e seus 2 irmãos adotivos moram confinados em uma casa na periferia da cidade. Christine, que se auto-denomina “Lady Bird”, vive `as turras com sua mãe, com o colégio católico que ela odeia e quer passar para uma faculdade em Nova York, mas além dela não ser uma boa estudante, seus pais não tem como bancar os estudos. Christine passa a experimentar tudo que uma menina de sua idade deseja: primeiro namorado, primeiro sexo, fumar maconha, ser atriz na escola, ter os melhores amigos. Totalmente amparado no talento da atriz Saorsie Rosnan, no papel principal, que está absolutamente adorável, o filme tem todas as qualidades que a gente espera de uma produção indie: bons atores, bom roteiro e diálogos, trilha sonora envolvente, e principalmente, uma direção que valoriza o material humano e não queira inserir a técnica acima do material humano. E; um filme muito simples na decupagem, na execução, e aí está o grande acerto de Greta Gerwig. Ela sabe o ouro que tem no seu roteiro com diálogos vibrantes, com seu elenco impecável.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Meu amigo Dahmer

"My friend Dahmer", de Marc Meyers (2017) Adaptação da Graphic novel de Derf Backderf, onde ele relata a sua amizade com o então adolescente Jeff Darher, que logo depois, se tornaria um dos maiores Serial Killers dos Estados Unidos, assassinando e estuprando 17 rapazes. Em 1978, aos 18 anos, Jeff Darher (Ross Lynch, um ex-astro do Disney Channel, assustador como o jovem serial killer) mora com sua família em Milwaukee, Wisconsin. Seus pais vivem brigando. Na escola, Jeff sofre bullying por conta de seu jeito estranho. Jeff passa quase o dia todo em seu laboratório, dissecando e dissolvendo animais em ácido. Um dia, um grupo de rapazes liderado por Derf Backderf ( autor da Graphic novel e interpretado por Alex Wolff, de "Jumanji") convida Jeff para fazer parte de sua turma. Jeff por sua vez, tem uma obsessão pelo sedutor medico da cidade, Dr Matthews. Bem dirigido e com um bom time de jovens atores, o filme mostra a génese do que seria um futuro serial killer. De ritmo lento, o filme pode desagradar quem busca um filme violento e repleto de sangue. Pelo contrario, o filme nao tem nada de violento, e no meaximo, uns poucos momentos de suspense. Narrado e apresentado com muita frieza narrativa, para trazer ao espectador um desconforto pertinente `a história contada. O roteiro procura trazer muitas informações que justifiquem o comportamento assassino de Jeff. O filme ganhou alguns prêmios internacionais em festivais de filmes de gênero.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Sonho em outro idioma

"Sueño en otro idioma", de Ernesto Contreras (2017) Ganhador de diversos prêmios internacionais, entre eles, o Sundance de Melhor filme popular em 2017, esse filme mexicano encanta pela mistura de drama, fábula e romance. 2 homens idosos, Evaristo e Isauro, são os últimos remanescentes de uma comunidade indígena que fala a língua Zikril. O linguista Martin quer entrevistá-los, ma descobre que os 2 não se falam, por conta de um incidente que ocorreu há 50 anos a vida dos 2. Em flashback, descobrimos que os 2 eram amantes, mas por medo de se assumir gay, Evaristo se casa com uma jovem, Maria, e passou a vida toda renegando seu amor por Isauro. Bem dirigido, com ótimas interpretações, o filme tem uma atmosfera mágica que procura dar um tom mais lúdico a uma trama bastante cruel: um amor rompido pelo preconceito de uma sociedade conservadora. O filme trabalha bem os momentos de silencio, e as expressões dos 2 atores, já idosos, trazem um olhar duro e comovente.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Crazy all these years

"Crazy all these years", de Jeff Swafford (2016) O roteirista e cineasta Jeff Swafford adaptou a sua peça teatral homônima. Producao independente, "Crazy all these years" acompanha 4 personagens durante o filme todo: Ben, um jovem gay que vem de Nova York para Tennesse cuidar de sua mãe doente, após a morte de sua irmã, que cuidava dela. Ao chegar, ele reencontra Lori, sua vizinha, que sempre foi apaixonada por Ben. Mas Ben era apaixonado pelo irmão de Lori, Joe, e por causa dele, ele resolveu sair da cidade. Joe nunca assumiu a sua homossexualidade. A mãe de Ben, Martha, é tirana e agressiva, e passa o filme todo maltratando Ben pelo fato dele ser gay. Dito assim, parece que o filme é um drama vibrante sobre pessoas que precisam se aceitar e a aprender a assumir as suas escolhas de vida. Infelizmente, o ritmo do filme é arrastado, os diálogos, fracos e as interpretações, frágeis. A parte técnica é correta, mas o filme não alça voos maiores.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Adeus, Christopher Robin

"Goodbye, Christopher Robin", de Simon Curtis (2017) Meu Deus, chorei mil litros vendo esse filme. Cinebiografia de Alan Milne (Domhnall Gleeson, extraordinário), jornalista e escritor inglês, criador do Ursinho Pooh (Winnie, the Pooh), se baseando na imaginação de seu filho Christopher Robin ( um trabalho fantástico do jovem Will Tilston. a cara de Geena Davis). Alan lutou na 1a Grande Guerra e por conta disso, ficou traumatizado. Sua esposa Daphne (Margot Robbie) resolve engravidar, na esperança de que um filho trouxesse a alegria de volta para Alan. Mas a criança nasce, e Alan continua depressivo. Aos 8 anos de idade, tendo a família se mudado para uma casa de campo, junto da babá Olive (Kelly Macdonald, ótima). Christopher brinca com seus bonecos de pelúcia. A imaginação fértil de Christopher inspira Alan a criar o Ursinho Pooh e seus amigos, que logo, se tornaram um fenômeno mundial ( num mundo onde todos estavam tristes por causa da Guerra, a alegria de Pooh e seus amigos foram um antídoto). O que Alan não poderia prever, é que Christopher ficasse irritado, pois com o sucesso, ele entendeu que aquele mundo que ele criou apenas para ele e seu pai, acabou sendo dividido para outras pessoas. Christopher cresceu problemático e sofrendo bullying aonde quer que fosse. Simon Curtis foi o realizador do comovente :Sete dias com Marylin". Com uma linda trilha de Carter Burwell ( Compositor de vários filmes dos irmãos Coen e de "Carol") bela fotografia, o filme , de uma forma correta, conta uma história de sucesso e suas consequências desastrosas. E todo mundo sabe que os atores ingleses são os melhores! Apelando pro melodrama e para o encantamento, típico do universo de Walt Disney ( que décadas depois, se apropriou dos direitos do Ursinho), é um filme para toda a família, apesar do seu desfecho melancólico e que com certeza, fara muita gente chorar.

Roman J. Israel, Esq.

"Roman J. Israel, Esq.", de Dan Gilroy (2017) Escrito e dirigido pelo mesmo realizador do excelente "O abutre", com Jake Gyllenhaal, filme pelo qual ele foi indicado ao Oscar de Melhor ator. Dan Gilroy repete a sua parceria com o fantástico fotógrafo Robert Elswit (Oscar de fotografia por "Sangue negro"). Assim como Jake Gyllenhaal, Denzel Washington também foi indicado ao Oscar para melhor ator. Ele interpreta o advogado Roman J.Israel, esq (Esq é uma contração de "esquire", um titulo honorário). Roman é excêntrico e extremamente idealista. ele acredita na humanidade e em seus princípios. Ele se veste com roupas de décadas atrás, além de não atualizar seu aparelho de celular e seu computador, todos bastante antigos. Trabalhando há 36 anos em uma empresa de advocacia, ele descobre que a empresa vai fechar: seu dono teve um enfarte, e a empresa está falida financeiramente. Desempregado, ele vai trabalhar para a empresa de advocacia de George (Colin Farrel, excelente). Roman também se envolve com Maya, uma professora que trabalha em uma Ong. Cansado de apanhar na vida, além de descobrir que a empresa que trabalhou há décadas estava repleta de falcatruas, Roman decide se corromper e toma uma atitude que lhe trará sérias consequências. Bom drama, prejudicado pela longa duração (mais de 2 horas), o que o filme tem de mais interessante, além da fotografia e do bom trabalho de Denzel Washington ( nada que justifique uma indicação ao Oscar) , é o ótimo trabalho de Colin Farrell, um Ator muito subestimado pela crítica e pala Academia, e a trilha sonora muito foda, repleta de hinos pop soul dos anos 70, como "I'll be there', do The Spinners. O tema da corrupção moral, ja vista em "O abutre", dá o tom de repeteco no filme do mesmo diretor e roteirista. Mas vale assistir pela dignidade do projeto.

Braven

"Braven", de Lin Oeding (2018) Depois do grande sucesso de "Liga da justiça", o ator havaiano Jason Mamoa, que interpretou o personagem Aquaman, começa a protagonizar vários filmes de ação. Mas é melhor o seu agente escolher melhor os seus projetos, pois se forem como esse "Braven", logo ele sucumbirá ao descaso com os críticos. Usando um plot mega batido, Mamoa interpreta o pacato pai de família Joe Braven. Ele mora nas montanhas geladas de uma região do Canadá com sua filha, esposa e o seu pai que sofre do Mal de Alzheimer. Perigosos traficantes escondem cocaína na cabana de Joe, e ele acaba acuado, confrontando os bandidos e tendo que proteger sua família. O filme é a primeira direção de Lin Oeding, famoso Coordenador de cenas de ação de muitos sucessos de Hollywood. Mas ao contrário de outro famoso Coordenador, Chad Stahelski, que estreou com grande impacto na franquia "John Wick", Lin Oeding não tem noção de ritmo e de direção de atores. As cenas de ação não tem dinâmica, os atores estão bastante canastrões e a trilha sonora tenta dar o que a imagem não traz: porradaria, sangue e violência, que é o que o publico quer ver. Jason Mamoa é carismático, mas aqui ele não encontrou um bom roteiro para mostrar o seu potencial. Confesso que ri bastante em vários momentos, principalmente nas cenas de ação e nas decisões malucas dos personagens.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Crepúsculo

"Rökkur", de Erlingur Thoroddsen (2017) Escrito e dirigido pelo Cineasta islandês Erlingur Thoroddsen, "Crepúspulo" ganhou alguns prêmios internacionais em Festivais Lgbts e de Filmes fantásticos. Explica-se: é um filme gay, e também um filme de terror psicológico. Gunnar e Einar formam um casal gay. Logo no início do filme, sabemos que eles se separaram. Gunnar está em nova relação, mas recebe uma ligação estranha de Einar e ele se preocupa com o seu estado mental. Gunnar resolve visitar Einar na caba afastada da cidade, isolada do mundo. Ele encontra Einar, mas fatos estranhos parecem rondar a casa. Alguns problemas do filme: o clichê já batido de acharem que alguém ronda a casa; a longa duração do filme; a falta de ritmo da narrativa, quase um sonífero em se tratando de um filme de suspense; e a falta de carisma dos atores principais. A história também não ajuda muito. Não sei como esse filme ganhou prêmios, pois o único e verdadeiro atrativo do filme, são as lindas locações da Islândia, proporcionando uma fotografia deslumbrante, incluindo uma aurora boreal.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Hi, It’s Your Mother

"Hi, It’s Your Mother", de Daniel Sterlin-Altman (2016) Premiadíssimo curta Lgbts todo feito em técnica Stop motion. Uma mulher, Lisa, está na cozinha cortando cenouras, enquanto seu filho transa com seu namorado gay no quarto. Quando a mãe de Lisa liga, ela se irrita, e acaba cortando o seu dedo. Delicioso, divertido, picante surreal, bem no clima de um David Lynch, "Hi, It's your Mother" tem menos de 5 minutos, mas tempo o suficiente para entreter e provocar algumas boas discussões acerca de pais com excesso de proteção e bipolaridade. A concepção visual é uma graça. Um filme ousado e criativo. https://vimeo.com/164426467

Homens de coragem

“Only the brave”, de Joseph Kosinski (2017) Dirigido pelo mesmo Cineasta “Tron, o legado” e “Oblivion”, “ Homens de coragem” é a reconstituição da segunda maior tragédia com bombeiros depois do 11 de setembro: em 2013, 19 bombeiros do grupamento Hotshot ( elite dos bombeiros) morreram no maior incêndio florestal do Arizona. O filme, em 134 longos minutos, dramatiza a história dos principais bombeiros e mostra o conflito familiar e profissional deles. Com bons efeitos especiais, o filme conta com um elenco estelar: Josh Brolin, Jeniffer Connely, Miles Teller, Jeff Bridges, Andie Macdowell. Além da longa duração, o filme tem um inevitável ufanismo patriótico, além de um excesso de melodrama e estilização de por do sol típico de Michael Bay. Vale pela homenagem feita aos bombeiros, digna e emocionante.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Todo o dinheiro do mundo

"All the money in the world", de Ridley Scott (2017) Baseado em uma história real acontecida em 1973 em Roma, o filme relata o sequestro de John Paul Getty III , o neto do homem mais rico da época, Paul Getty (Christopher Plummer, maravilhoso), um magnata do petróleo. O menino, de 16 anos, foi sequestrado pela máfia italiana, mas a fama do caso foi que Paul se recusou a pagar o resgate. Frio, calculista e mesquinho, Paul ignorou os pedidos de sua nora, Gail (Michelle Willians), vinda de um casamento frustrado e falido com o filho de Paul. O filme, de 134 minutos, poderia ser resumido em duas frases, afinal, tudo se trata sobre o não pagamento do resgate. Porém Rdley Scott transformou essa história que mais parece uma parábola do Tio Patinhas em cinema de entretenimento, aliando drama e suspense. E' um bom filme, mas aquém do que poderíamos esperar desse grande cineasta. Longo, se desdobrando em sub-tramas desnecessárias e pior, com um prólogo confuso. Sao tantos personagens, que muitos deles simplesmente desaparecem da trama, como por ex, o pai do menino, que em momento algum do filme é questionado sobre o sequestro do menino. Mark Whalberg está sub aproveitado e Michelle Willians está correta. Pontos altos: a direção de arte, a fotografia e as locações na Itália. Inexplicável é escalar o ótimo ator francês Roman Duris em um personagem italiano. Para a história do Cinema, esse filme ficará conhecido como o que substituiu o Ator Kevin Spacey a poucos dias da filmagem, e em seu lugar, entrou Plummer, por conta dos casos de assédio sexual.