quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Você eu amo

"Ya lyublyu tebya ", de Olga Stolpovskaja e Dmitriy Troitskiy (2004) Drama romanceado russo, realizado em 2004 e que trata de um tema polemico até mesmo para os padrões da cinematografia russa: a descoberta do homossexualismo, e mais, a formação de um triângulo amoroso. Conservadores e rígidos na educação de uma família patriarcal e machista, o filme provocou polemica. Para quem está acostumado com filmes de temática Lgbts, esse aqui é bastante singelo, nem mesmo tem cenas de nudez ou sexo. Mas a provocação do trema já foi o suficiente para tornea-lo de certa forma um representante da filmografia gay em seu Pais, sendo considerado até o filme gay mais erótico do ano na Russia (imaginenm!!!) Tim ´´um bem sucedido publicitário. Ele conhece por um acaso Vera, uma bela ancora de um telejornal. Os dois se apaixonam, e possuem uma forma inusitada e bizarra de expressarem amor um ao outro, através de comida e jogos eróticos. Um dia, por acidente, Tim atropela sem querer Uloomji, um jovem mongol que veio para Moscou tentar a sorte. Como Uloomji não tem aonde ficar, Tim o traz para casa. O inevitável acontece: os 2 se apaixonam. Vera ao descobrir o caso se deprime, mas depois tenta entender o amor dos 2, e acaba interagindo como em um menagem. O filme, simbolicamente, pode ser visto como uma metáfora do capitalismo seduzindo a população pobre: Tim e Vera representam o supra sumo do capitalismo, e Uloomji, representa o povo, que se sente atraído por esse mundo rico e poderoso, chique, requintado. Mas o contrario acaba acontecendo: Tim percebe que poder não é tudo, e sim , o amor, e vai se desfazendo das coisas materiais em sua vida. O filme em si é repleto de problemas; de edição, de ritmo, de roteiro ( cheio de sub-plots, incluindo os pais de Uloomji que querem fazer ele desistir de ser gay). A direção também peca em efeitos bobos e toscos, mas no final, o trabalho dos 3 atores é o que prevalece, alem da ousadia der abordar um tema tão difícil de lidar na Russia como esse.

Atômica

"Atomic blonde", de David Leitch (2017) O que mais me chamou a atenção nesse filme de ação e aventura protagonizado por Charlize Theron, foi a participação de Barbara Sukowa no filme. Pouca gente deve lembrar, e ela aqui ainda faz uma pequena participação, muito aquém de seu gigantesco potencial. Mas como o dinheiro é quem manda, ela interpreta uma médica da perícia em Berlim. Para quem não sabe, Barbara Sukowa foi uma das grandes musas de Fassbinder, estrela de "Lola" e "Berlin Alexanderplatz", alem de ter trabalhado com Lars Von Triers em "Europa", depois fez também o premiado "Hannah Arendt". "Atômica" se passa logo antes da derrubada do muro de Berlim, novembro de 1989. Charlize interpreta Lorraine, uma agente do MI6 inglês, que vai até Berlim descobrir quem matou um agente do grupo, e aonde está uma poderia lista com nomes de espiões. O mundo estava sob o efeito da Guerra fria, e não se pode confiar em ninguém. Para ajuda-la, estão os agentes David Percival (James McAvoy) e a francesa Delphine (Sophia Boutella), de "KIngsman"). Com um super elenco, que inclui ainda John Goodman, Eddie Marsan e Toby Jones, "Atômica" é um filme totalmente estilizado, bem ao gosto de Nicholas Windfren Refn, de "Drive", repleto de cores fortes e acidas e com uma maravilhosa trilha sonora repleto de hits dos anos 80. Não tem também como não mencionar o brilhante plano-sequencia de mais de 10 minutos, com Charlize distribuindo porrada para tudo quanto é lado. "Atômica" ´´a resposta para os filmes de brucutus doa anos 80 e 90, e depois de "Mulher Maravilha" e as princesas modernas da Disney, parece que elas vieram pro ataque mesmo. O Cineasta David Leitch foi stunt por quase toda a sua carreira, e seu próximo projeto será a Direção de "Deadpool 2".

Dupla explosiva

"Hiyman's bodyguard", de Patrick Hugues (2017) O filme resgata o mote da franquia " Máquina mortífera" com Mel Gibson e Danny Glover às turras o tempo todo. A diferença aqui é o perfil profissional dos personagens: Michael (Ryan Reynolds, sensacional no melhor estilo "Deadpool") é um agente de segurança de alto nível. Kinkaid ( Samuel L Jackson" é um assassino profissional com uma questão: ele não mata inocentes. Kinkaid precisa aparecer no tribunal para o julgamento do político Vladislav (Gary Oldman) e provar que ele dizimou um vilarejo inteiro na Bielorussia. Perseguido por assassinos, só resta a ele confiar a sua segurança nas mãos de Michael, um antigo desafeto. O filme tem metade localizado em Armsterda, que sai totalmente destruída. Repleto de humor e de muita ação, é um filme vigoroso, divertido e cheio de personagens carismáticos em suas loucuras. Além dessa dupla, Salma Haeyk brilha como a namorada de Kinkaid, presa em uma cela. As tiradas Dela são de rolar de rir. O flashback que mostra como Kinkaid e Salma se conheceram em um bar pé sujo lembra " Catadores da arca perdida", quando Harrison Ford conhece Karen Allen em um bar super violento. Samuel L Jackson repete aquele tipo de sempre que o eternizou e seu famoso bordão " Mother Fucker!". Já tá meio gasto, mas tudo bem, ele já virou lenda. A trilha sonora é toda de hits dos anos 70 e 80, só lamento não ter tocado " O Will always love You", da Whitney Houston, que é executado no trailer do filme. Passatempo da melhor qualidade.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Memórias de ontem

"Omohide poro poro", de Isao Takahata (1991) Que obra-prima produzido pelos Studios Ghibli! Isao Takahata é o mesmo diretor de outras obras-primas, "O túmulo dos vagalumes" e " O conto da Princesa Kaguya", mas aqui ele pega emprestado o mote de "Morangos silvestres", de Bergman, e traça o relato de uma mulher adulta que se vê `as voltas com memórias e reminiscências de sua infância, quando tinha 10 anos de idade. O filme se passa em 2 épocas: Taeko aos 10 anos na década de 60, e no final dos anos 80, já com 27 anos de idade. Taeko trabalha em uma grande empresa no Centro de Tokyo, mas desde criança ela era apaixonada pelo campo. Enquanto se prepara para viajar de trem e passar suas ferias como voluntária de uma fazenda que pertence a uma família humilde, Taeko se lembra de sua infância: sua relação com o seu pai rígido, a sua mãe carinhosa e suas irmãs ciumentas Tem também sua avó, sempre repleta de sabedoria. Na escola, Taeko se lembra de sua primeira menstruação!!!!!, e de seus primeiros amores. O filme, longo, tem 2 horas, mas tem aquela narrativa lenta e suave que nos conduz a um mundo tão romântico e ingênuo, que fica impossível não ficar seduzido pela protagonista. A trilha sonora ( que inclui uma versão japonesa de "The Rose", cantada por Bette Midler no filme homônimo) emoldura esse filme com bastante poesia e melancolia. Fico imaginando uma versão desse filme com atores, que maravilha que não deve ser. Isao Takahata realizou um filme com extrema delicadeza, com um olhar feminino tão poderoso, fazendo com que o espectador sinta as angústias da personagem que vive desde criança em um a sociedade patriarcal e regida pelos homens. Os créditos finais são dos mais emocionantes que ja vi no cinema, a gente fica torcendo enquanto os créditos sobem! Idéia genial! Chorei!

Você não está sozinho

"Du er ikke alene", de Ernst Johansen e Lasse Nielsen (1978) Drama obscuro realizado na Dinamarca em 1978, é considerado um cult por retratar de forma ousada o tema do amor entre 2 meninos pré-adolescentes. Bo, de 14 anos, e Kim, de 11 anos, estudam em um colégio interno para meninos, e aos poucos vão descobrindo que entre eles, surge uma atração que nem eles conseguem explicar o que é. Guiados pelos mais puros e ingénuo sentimento, eles se deixam flertar, tocar e se amar. Mas essa é uma das histórias apresentadas em "Você não esta sozinho". Assim como em "If..", obra-prima de Lindsay Anderson que discute a tirania das escolas, o filme apresenta professores polarizados entre liberais e os que são carrascos. Da mesma forma, entre os alunos, existem os que lutam por um ideal de um mundo melhor e mais cooperativo, e os que são individualistas. Em uma das cenas, um grupo de rapazes maltrata Bo, por considerá-lo um comunista. A ousadia maior do filme, além de colocar crianças discutindo política, é mostrar os meninos nus tomando banho e em cenas de insinuação sexual, como masturbaçao. Fosse lançado hoje em dia, certamente esse filme teria sido taxado de incitar a pedofilia. Mas naqueles "inocentes" anos 70, essa discussão nem era questionada. O filme é comparado a alguns críticos ao cinema de Truffaut, que era um Mestre reconhecido pelo seu trabalho com crianças não -atores. De fato, todas as crianças aqui no filme esbanjam espontaneidade, como se não soubesse que estavam sendo filmadas. Um filme curioso, que vale ser assistido por Cinéfilos de mente aberta.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Como nossos pais

"Como nossos pais", de Laís Bodanzky (2017) Durante boa parte do filme, me veio em mente um clássico drama familiar americano de 1983: "Laços de ternura", com Shirley Maclaine, Debra Winger, Jack Nicholson e Jeff Daniels. "Como nossos pais" tem uma paralelo bem próximo: relações familiares que vão de Esposa X Marido e Mãe X Filha, até uma reviravolta surpreendente na historia. O filme venceu 5 Oscar. "Como nossos pais" ganhou 6 Kikitos em Gramado 2017 e pode vir a ser um dos selecionados pela Comissão Brasileira para competir a uma vaga no Oscar. Tudo isso indica a alta qualidade do filme, principalmente no quesito Elenco: Maria Ribeiro, Clarisse Abujamra, Paulo Vilhena e Jorge Mautner estão fabulosos em seus personagens cheios de erros e poucos acertos. As participações especiais também colaboram bastante, como os excelentes atores Gilda Nomacce e Felipe Rocha. A fotografia do espanhol Pedro J. Márquez traz lindas tintas melancólicas, e especialmente na cena da praia no anoitecer é muito poética. O roteiro, de Lais e de Luis Bolognese, é o retrato de todas as famílias do mundo inteiro: traições, rusgas mal resolvidas, conflitos pais e filhos, amantes e como não poderia deixar de existir, o terapeuta que discute a relação de casal. O vigor e disponibilidade do elenco, principalmente Maria Ribeiro e Clarisse Abujamra conferem ao filme várias cenas antológicas: mas a que mais me marcou, foi o passeio da mãe e filha comprando sapatos pra mãe. A mãe chega e pede a opinião da filha sobre qual sapato comprar: vermelho ou marrom. A filha escolhe um, a mãe outro, e ai começam uma discussão interminável. Essa cena para mim resume o filme: cada um é e deve ser dono de si e de suas opiniões. Sejam elas acertadas ou não. Um belo filme que merece ser visto.

Tokyo Godfathers

"Tokyo Goddofazazu", de Satoshi Kon (2003) Para quem conhece os clássicos do animador Satoshi Kon, "Perfect blue" e "Paprika", vai estranhar bastante esse "Tokyo Godfathers". Diferente do tom sombrio e assustador dos outros filmes, "Tokyo Godfathers" é uma fábula de Natal, que tem como temas o humanismo e a redenção. Três sem teto de Tokyo encontram na noite de Natal, um bebe jogado no lixo. Eles decidem ir atrás dos pais da criança e nessa cruzada eles repensam as suas vidas e o porque de estarem naquela condição de mendigos. Gin se tornou bêbado por conta de uma tragédia familiar. Myiuki abandonou sua casa, depois de ter esfaqueado sue pai, um policial. E Hana é uma drag queen, que ficou deprimida após seu marido ter morrido em um acidente. As histórias de todos os protagonistas e os coadjuvantes que surgem no filme giram em torno do conflito familiar, e como a presença do bebe e do espirito de Natal irá alterar o rumo de tudo e da vida de todos. Com uma bela reconstituição de Tokyo, o filme seduz pelo carisma dos 3 personagens principais. A bebe irrita um pouco pelo excesso de choro, e curiosamente, o filme faz lembrar bastante do primeiro filme de "A era do gelo", que tem a mesma trajetória dos heróis. Vale assistir≤ além de ser uma bela história ( prejudicada um pouco pelo excesso de coincidências na trama) , faz um retrato cruel a condição dos sem tem teto no Japão.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Um contratempo

"Contratiempoo", de Oriol Paulo (2016) Excelente suspense escrito e dirigido pelo espanhol Oriol Paulo. Uma trama diabólica, uma mistura de Hitchcock e Brian de Palma, com aquele maravilhoso desfecho em flashback onde tudo se revela. O brilhantismo do roteiro de Oriol Paulo impressiona, com requintes em mínimos detalhes, e com constantes reviravoltas na trama. Adrián Doria (Mario Casas) ´´um jovem e talentoso empresário. Casado e pai de uma filha, ele tem uma amante, Laura (Bárbara Lennie), fotografa. Em um encontro em um hotel, ela é assassinada e a culpa recai sobre Arrian. A promotora Virginia ( Ana Wagener) é contrata pelo advogado de Adrian para tentar resolver o seu caso. Para isso, ele precisa contar toda a historia por trás da relação de infidelidade do casal. Produção espanhola exibida pela Netflix, é um filme repleto de qualidades: no elenco, ótimo, na fotografia, na trilha sonora, e principalmente, no roteiro e na edição, que ajuda a construir uma trama repleta de quebra cabeça e que faz total sentido no final. A direção de Oriol Paulo brinca com o espectador. Vale assistir e se divertir por 2 horas, e com certeza, no final, você vai ficar com uma cara de idiota e pensar: "Caramba, estava bem diante de meus olhos"! E estava mesmo! Preste atenção em todos os detalhes. E sinceramente, vale rever o filme pela 2a vez, e observar como tudo foi pensado e estudado.

David Lynch- A vida de um artista

"David Lynch- The Art life", Jon Nguyen, Rick Barnes,Olivia Neergaard-Holm (2016) Documentário experimental focando o artista plástico David Lynch, que narra o filme com memórias e reminiscências de sua infância, adolescência e inicio da fase adulta. Passando pela rebeldia em tempos de colégio, até se encontrar na pintura e posteriormente, no Cinema, o filme termina quando ele inicia o seu processo em "Eraserhead", seu primeiro longa, de 1977. Para quem for assistir ao filme, tenha em mente que o documentário não fala sobre o processo de David Lynch Cineasta, passa muito longe disso e nem conta qualquer tipo de informação a respeito de seus filmes. O que o documentário propõe, é apresentar ao espectador quem é esse artista e essa pessoa, que guarda em suas lembranças momentos marcantes como quando criança, avistou uma mulher nua com a boca ensanguentada, ou quando se mudou para Filadelfia e ficou em contato com moradores racistas e loucos. A curiosidade em relação ao filme é que seus diretores trouxeram ao documentário,a atmosfera de seus filmes, com trilha sonora, fotografia e edição de som fantasmagóricas.

domingo, 27 de agosto de 2017

Harmonium

"Fuchi ni tatsu”,de Kôji Fukada (2016) Que filme porrada! Caminhando em uma lenta mas progressiva tensão, esse drama sufocante e angustiante lembra muito o universo de Michael Haneke e Takeshi Kitano. O filme venceu vários prêmios internacionais, entre eles o Grande Premio do Júri na Mostra “Um certain regard” em Cannes 2016 e melhor Filme em Miami. O drama, de 120 minutos, é divido em 2 atos, separados por um hiato de 8 anos. Uma família mora feliz em sua casa. O marido, Toshio, tem uma pequena metalúrgica na garagem de sua casa. A esposa, Akie (Mariko Tsutsui, extraordinária) dedicada `a sua filha de 10 anos, Hotaru, é protestante e muito devota `a religião e aos estudos de piano da filha. Um dia, um homem estranho, Yasaka (Tadanobu Asano, assustador) surge na casa pedindo emprego e moradia `a Toshio, que sem protestar, aceita. A esposa estranha, mas aos poucos vai cedendo aos encantos do estranho, que ensina piano para Hotaru. No entanto, segredos aterrorizantes do passado de Toshio e Yasaka virão `a tona, mostrando quem eles realmente são. De ritmo lento, mas com um andamento que vai deixando o espectador atônito, o filme tem um roteiro minimalista, mas genial, que tem a vingança como tema principal. Mas não uma vingança como os filmes de Tarantino ou Park Chow Woo. A violência aqui é naquilo que a gente não vê, ou o que acha que irá acontecer. O elenco do filme é incrível, alternando momentos de alegria com tensão. O 1o ato começa com planos fixos, bem ao estilo de Michael Haneke, para depois ir incorporando câmera na mão e steadicam. Um filme para quem gosta de historias fortes mas que não se deixa abater pela crueldade das situações impostas aos seus personagens. Quem não curtir um filme com soco no estomago, fique bem distante. A cena que antecede o 2o ato é brutal. Um dado fantástico é o fato do personagem de Yasaka apenas usar camisas sociais brancas bem alvejadas e passadas. A fotografia de Ken'ichi Negishi ajuda a dar essa atmosfera de filme de terror.

Death note

“Death Note”, de Adam Wingard (2017) Adaptação americana de famoso mangá que rendeu uma franquia com 3 filmes e uma serie de animação no Japão, “Death note” ganha refilmagem do Netflix pelas mãos do Diretor Adam Wingard, do excelente filme de terror “A visita”. O filme foi destruído pela critica e pelo publico, mas como eu não assisti aos originais japoneses, até que me diverti. Corrigindo: o filme de fato não é bom, é repleto de problemas ( roteiro, efeitos toscos, atuação) , mas como ele tem um charme de Filme B ( o que inclui trilha com sintetizadores), achei digno. E mais: um diretor que inclui 2 músicas para lá de bregas e que não tem nada a ver com as cenas em dois momentos chaves, merece meu respeito. E’ como se ele dissesse: “Foda-se o público, faço o que eu quero!”. Ou alguém com mente sã poderia imaginar que em uma cena do desfecho, poderia tocar impunemente “Como uma deusa”, da Rosana, em versão americana? O filme me lembrou bastante a premissa de “7 desejos” com “Premonição”: um jovem nerd, que sofre bullying na escola, Light Turner (Nat Wolff, de “Cidade de papel” e “ A culpa é das estrelas”) encontra misteriosamente um caderno com a capa escrito “Death note”. Ele descobre que o caderno é administrado por um entidade chamada Ryuk ( voz de Willen Dafoe) e que permite que o dono do caderno mate quem ele quiser. Basta que escreva o nome da pessoa e pense em seu rosto. Eu adorei as cenas toscas das mortes, bem ao estilo “Premonição’: decapitação, etc, tudo com bastante sangue. Chegam a ser bizarras algumas mortes. As performances prejudicam também o filme: Nat Wolff, bom ator, inexplicavelmente fica com cara de tábua em muitas cenas. Mas os piores são os atores que interpretam o pai de Light, o policial James, e o Detetive “L”, interpretado por Lakeith Stanfield, de “Corra!”. Esse último compõe um tipo esquisito, que combina mais com um filme e a cultura japonesa, mas não em um filme americano: ou alguém acha normal uma pessoa sentar de cócoras ( típico da sociedade japonesa, mas não da ocidental). Se não tiver nada para assistir, “Death note” pode ser um passatempo. Se vai irritar ou não, vai depender do seu astral do dia. Pelo menos dá para se divertir com a voz de Willen Dafoe, maravilhosa e sarcástica.

sábado, 26 de agosto de 2017

Tom of Finland

"Tom of Finland", de Dome Karukoski (2017) Cinebiografia do polemico e controverso ilustrador finlandês Touko Laaksonen, conhecido mundialmente como Tom of Finland. Suas ilustrações são talvez os maiores ícones da Arte gay existente no mundo. Nos anos 40, Touko serviu `a 2a Guerra, e durante as batalhas, observava os soldados usando botas e uniformes. Depois, de volta `a Finlandia, continuou com o seu fetiche pelo universo Gay e pelo couro e uniforme. Sua irmã o indicou para trabalhar em uma agencia de publicidade, mas foi com a ilustração de Homens musculosos em uniformes e praticando sexo explicito que Tom ganhou notoriedade nos Estados Unidos e depois, no mundo todo. Durante o advento da Aids nos anos 80, suas gravuras foram acusadas de ajudar a disseminar o vírus por conta do que chamavam de propaganda favorável ao sexo livre. Provavelmente, não existe uma pessoa que não tenha visto uma ilustração sua, goste-se ou não, sabendo de seu nome ou não. O filme, infelizmente, não faz jus `a ousadia que tom teve em vida ( ele faleceu em 1991 de enfisema). De certa forma, o filme é cáretissímo, tanto na forma, quanto no conteúdo. Parece que fizeram o filme para o grande público. Esse foi o mesmo problema de outro filme sobre o universo da pornografia, "Linda Lovelace", que narrava a vida da maior estrela porno americana. Amanda Seyfreed interpretou a personagem, e o filme parecia que tinha sido produzido para passar em horário nobre da tv, aberta, sem qualquer erotismo ou transgressão. E é exatamente isso, transgressão, o que faltou ao filme. Uma pena. Talvez um documentário sobre a sua vida e obra seja mais ousado.
"The dark tower", de Nikolaj Arcel (2017) O cineasta e roteirista dinamarquês Nikolaj Arcel tem uma filmografia bem eclética. Além de ter adaptado para o cinema o livro best seller "Millenium- O homem que não amava as mulheres", ele dirigiu Dramas ("O amante da Rainha", Fantasia " A ilha das almas perdidas" e a comédia dramática "A verdade sobre os homens". Eu não pesquisei para saber de que forma ele foi convidado para dirigir esse Blockbuster Filme B, adaptado de uma obra de Stephen King. Como são raros os bons filmes adaptados da literatura de King, infelizmente esse aqui também ficou no meio do caminho. O filme prometia bastante: Um elenco com 2 giga stars (Idris Elba, como o mocinho Pistoleiro Roland, e Matthew McConaughey, como o vilão Walter. O universo está unido pela Torre negra, que mantém a harmonia entre os planetas habitados. Walter, no entanto, quer dominar o Universo, e para isso, precisa destruir essa Torre. Acontece que a Torre somente poderá ser destruída com a energia emanada de uma criança especial. Walter sequestra várias crianças na terra, até que descobre a existência de Jake (Tom Taylor, ótimo e das melhores coisas do filme). Roland ajuda então Jake a desafiarem o poder de Walter. O filme termina com mostrando um letreiro de Cinema aonde está passando um Filme de western spaghetii. E' aí que o Diretor Nikolaj Arcel. mostra a sua verdadeira referencia para esse filme de ação , aventura e fantasia: os filmes de Sergio Leone. Ele faz de Roland a figura mítica do cavaleiro solitário, que chega para trazer a paz e a justiça. Matthew McConaughey faz um vilão mau, mas muito mau mesmo! Chega a ser curioso ver o ganhador do Oscar fazer uma caricatura de malvadão, com um figurino `a La Matrix. E mais: ele é chamado de "O homem de preto", isso mesmo, Man in Black. Homenagem, será? Idris Elba faz o tipo caladão, que em priscas eras, teria sido interpretado por Clint Eastwood. E como o filme está conectado com os tempos de politicamente correto, o vilarejo onde se encontram pessoas do bem que ajudam Jake e Roland é formado por idosos, mulheres, negros, latinos, orientais, índios. Mas o que mais me incomodou mesmo foi a falta de ritmo do filme, principalmente na primeira parte. Na segunda parte, quando fica concentrada a pancadaria e tiros, até tem mais dinâmica. Adoraria ter gostado mais do filme. Dá para assistir como passatempo. Mas a promessa de uma continuação, infelizmente, vai depender muito se o roteiro for bem melhor.

Eu te matarei, querida

"My cousin Rachel", de Roger Michell (2017) O cineasta inglês ficou mundialmente conhecido quando em 1999 lançou a comedia romântica "Um lugar chamado Nothing Hill", com os astros Julia Roberts e Hugh Grant. Muitos filmes depois, ele retorna com uma refilmagem de um clássico do suspense romântico de 1952, estrelado por Richard Burton e Olivia de Havilland. Adaptado da obra de Daphne du Maurier ( que já havia escrito "Rebecca" e "Os pássaros" ambos adaptados por Alfred Hitchcock, e a obra-prima de terror "Inverno de sangue em Veneza", de Nicholas Ray), "Eu te matarei querida" é ambientado na Inglaterra de 1830. O filme faz uma crítica `a sociedade machista, que não aceita que uma mulher tenha livre escolha com os seus parceiros e que seja independente. Cliff (Sam Claflin, do sucesso " Como eu era antes de você") é um órfão criado pelo seu primo Ambrose. De família rica e aristocrata, Cliff é o único herdeiro da fortuna, e somente tomará posse quando completar 25 anos. No entanto, Ambrose, doente, é indicado por seu médico para passar um tempo em Florença, na Itália, para se curar. Cliff descobre que Ambrose, subitamente, se casa com a prima, Rachel (Rachel Weiz), e logo depois, vem a morrer. Cliff suspeita que Rachel possa ter algo a ver com a sua morte, mas ao conhece-la, fica apaixonado por ela. Mas aos poucos, ficar®a em dúvida se Rachel se aproximou dele por conta da herança ou se realmente o ama. Feministas podem não gostar do desfecho do filme, contraditório. Mas é inegável o charme desse grande dramalhão, cuja trama seduz justamente pela sua ingênua narrativa de suspense, típico dos grandes clássicos de Hollywood da era de ouro, como os filmes "Notorius" e " `A Meia Luz". A fotografia do filme é um grande deslumbre, a cargo de Mike Eley. Tudo no filme é bem classicão, desde o ritmo, totalmente inglês, lento,com aquela pinta de produção da BBC, quanto a ambientação. Rachel Weiz está perfeita como a mulher fatal e sedutoramente dúbia. Sam Claffin lembra bastante Hugh Grant quando jovem, e tem toda a classe de um ator inglês. Ian Glein, o Sir Jorah de "Game pf Thrones", faz uma participação como o tutor de Sam.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

He took his skin off for me

"He took his skin off for me", de Ben Aston (2014) Premiadíssimo curta inglês, realizado por um aluno em final de graduação na Escola de cinema de Londres. O filme é uma historia de amor, repleta de efeitos de maquiagem impressionantes. A ideia do filme é simples, mas muito bem realizada: metaforicamente, o filme discute uma relação de um jovem casal desde o seu inicio ate o período de rotina. Para provar o seu amor `a sua esposa, o marido retira toda a sua pele. A mulher adora o sacrifício, tudo fica lindo, ela ama limpar os vestígios de sangue na roupa de cama, pelo chão da casa, como se fosse uma empregada. Ate que isso, no passar do tempo, não fica mais divertido. Impressionante a qualidade técnica não somente da maquiagem ( os efeitos foram todos realistas), como da fotografia, da direção e da trilha sonora. Além de tudo, um filme conciso, contando sua historia em apenas 11 enxutos minutos. https://vimeo.com/116498390

O bar

"El bar", de Alex de la Iglesia (2017) O que mais me chamou atenção nessa fantasia de humor negro do cult Alex de la Iglesia, é o quanto ele lembra o filme que dirigi, "Ninguém entra ninguém sai". Guardadas as devidas proporções do tipo de humor empregado, o filme fala sobre um grupo confinado em um espaço, e que descobrem que um vírus está agindo entre eles, e começam a surtar. Alex de la Iglesia adora os temas da violência explicita, da paranóia e da neurose urbana. Em "O bar", pessoas anônimas e que não se conhecem, descobrem que não podem sair de um bar, depois que um cliente saiu e levou um tiro na cabeça. Não se pode falar demais pois corro risco de contar spoilers, mas o sangue jorra aos borbotões. Para quem curte o estilo de filme de Alex de la Iglesia ( "O dia da besta", " Ação mutante") sabe o que irá encontrar aqui. Confesso que não gostei do final. O que faz a gente ficar grudado no filme é o elenco variado e bastante talentoso, que vai de Mario Casas, o grande galã espanhol, Blanca Suarez, de "A pele que habito" e Carmen Machi, de "Fale cm ela". Para rir com os amigos.

A pipa

"Dragen", de Lassie Nielsen (2016) O Cineasta dinamarquês Lassie Nielsen é conhecido pela sua filmografia voltada ao cinema Lgbt, mais especificamente, para o amor adolescente. Em 1978, ele dirigiu o longa " Você não está sozinho" que fez sucesso no circuito mundial narrando o amor entre 2 meninos colegas de escola. Agora, em seu novo curta, " A pipa", ele retoma o mesmo tema, mas de forma mais explicita, e de certa forma, chocante e ousada. O filme se passa em 2 épocas: anos 80 e hoje em dia. Bo e Ole são 2 meninos de 10 anos que se conheceram em uma praia de pegaçao gay. No meio de casais gays transando, os 2 meninos brincam de pia, se apaixonam e transam. Mas o pai de Ole surge e o leva embora. Bo guarda a cueca ( isso mesmo, a cueca!!) de Ole e 20 anos depois, eles marcam encontro na mesma praia. Ousado, por mostrar cenas de pegação e sugestão de sexo entre 2 meninos menores de idade, o filme tem uma visão bastante realista e nada lúdica sobre o universo gay. Afinal, já no primeiro encontro, os 2 meninos já transam! Gostei d a proposta, apesar do roteiro singelo. Os atores estão confortáveis em seus papéis, tanto os adultos quanto as crianças. O que irrita mesmo é a música onipresente, over. Curiosamente, o flashback ambientado nos anos 80 tem uma atmosfera bem de filme de época, com iluminação e movimentos de câmera comuns ao período.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Os últimos dias em Havana

“Últimos días en La Habana”, de Fernando Perez (2016) Co-escrito e dirigido por Fernando Perez, “Os últimos dias em Havana” é daqueles filmes que emocionam até o ultimo pelo do corpo. Impossível não terminar de ver ao filme e não ficar com ele durante horas em seu pensamento. Mostrando uma Cuba miserável, fruto de uma Revolução questionável, Fernando Perez ousa em apresentar o seu Pais dividido em 2 polos: os que são favoráveis `a Revolução e viram melhorias ali, e os que querem fugir. Esse é o grande ponto do filme, que de certa forma, se aproxima de outro clássico cubano, “Morango e chocolate”. O personagem de Diego (Jorge Martinez, espetacular) é um homossexual portador do HIV, confinando em um quarto de um cortiço. Miguel (Patricio Wood, primoroso em seu minimalismo) é um lavador de louças que cuida de Diego. Miguel quer se mudar para os Estados Unidos e espera uma resposta da Embaixada dos Eua. Diego, moribundo, quer aproveitar seus últimos dias na capital de Cuba, querendo rir, transar com garotos de programa e fazer Miguel mudar a sua postura carrancuda perante a vida. Na grande metáfora do filme, que é Diego confinado nesse quarto, escondido de todos, o filme quer discutir o papel do regime, que persegue o que eles consideram criminosos da Revolução: a juventude rebelde ( na figura da sobrinha de Diego, Yusisleidy (Gabriela Ramos, sensacional) , que não segue `a risca o padrão de vida cubano, e os homossexuais, ou pervertidos, como uma policial o chama, aliás, uma cena maravilhosa. Com uma Direção sensível, fotografia, trilha sonora e principalmente, roteiro e atuação brilhantes, “Os último dias em Havana” se torna um filme obrigatório para quem quer assistir a um filme inteligente, que faz chorar, rir, emocionar em doses cavalares. Um filme ousado, e fiquei pensando o tempo todo como que Cuba permitiu que esse filme fosse realizado. O monólogo final de Yusislaydi é foda! No Festival do Ceará 2017, o filme levou os premios de Direção e fotografia.

Saint Amour - na rota do vinho

"Saint Amour", de Benoît Delépine e Gustave Kervern (2016) Emocionante comédia dramática francesa, escrita e dirigida pela dupla Benoît Delépine e Gustave Kervern. Curioso é que nesse ano de 2017, 3 filmes franceses tiveram o tema do road movie como narrativa para a mudança da trajetória de seus protagonistas: "Paris pode esperar", "Tour de France" (também com Depardieu, e também falando sobre paternidade) e agora, "Saint amour". Em "Saint Amour", o criador de gados Jean (Gérard Depardieu), está em uma exposição agropecuária. Seu filho, Bruno (Benoît Poelvoorde), odeia o trabalho com seu pai e tem péssima relação com ele. Por conta disso, ele bebe até ficar bêbado. ambos resolvem fazer a rota do vinho, atravessando a Franca, e contratam o taxista Mike (Vincent Lacoste) para levá-los até Paris, última parada da rota. No caminho, entre desilusões amorosas, revelações e mulheres, os 3 tem a vida transformada. Emocionante, com excelente diálogos e um trabalho formidável de todo o elenco, "Saint amour" é um filme que exala espontaneidade, humor, emoção na dose certa. Impossível não ficar contagiado pelo carisma dos 3 personagens, desiludidos com os rumos que a vida lhes propôs. A cena de Bruno narrando os 10 estágios do bêbado é uma obra-prima, uma aula de atuação e que deveria ser usada como exercícios em aulas de interpretaçao. Imperdível, além de ser belíssimo de se ver, com locações extraordinárias. Depardieu revisita os seus tempos de amor livre, um dos temas trazidos pelo filme, de forma ousada. O filme de certa forma homenageia "Corações loucos", de Bertrand Blier, onde toda forma de amor é válida. Pode ser que o filme não agrade o publico feminino, por mostra-las como depressivas, melancólicas, neuróticas e ninfomaníacas. Mas é um filme sob o ponto de vista masculino, e a brincadeira é essa. Os últimos machões que sucumbem ao Amor.

O Cinema pelo Olho da Magnum

"Le Cinéma Dans L'oeil De Magnum", de Sophie Bassaler (2017) Documentário obrigatório para todos os apaixonados por Cinema, por Fotografia e pelo mundo icônico das celebridades e bastidores do Cinema. O filme narra a criação da Agencia Magnun, criada em 1947 por um time de fotógrafos renomados, entre eles o húngaro Robert Capa ( na época, amante de Ingrid Bergman), Henri Cartier Bresson e outros, que se reuniram no Museu de Arte Moderna de Nova York e deram o nome de Magnum por causa da champagne que estavam tomando. A Magnum por muito tempo cobria os bastidores dos filmes de Hollywood dos anos 40 e 50, e depois, continuou sua empreitada de gloria com o cinema de autor europeu. O filme é repleto de situações curiosas, depoimentos esclarecedores sobre mitos como Marylin Monroe, Tarkovsky, James Dean, Humphrey Bogart, Godard, entre outros. Com a aparição dos paparazzis a partir dos anos 70, a Magnum perdeu bastante do seu trabalho, mas estava ciente de que o olhar de seus fotógrafos e dos paparazzis era totalmente diferente. Um momento emocionante do filme, é quando relata os bastidores do filme "Os desajustados", de John Houston, falando sobre as loucuras de Marylin, sobre a homofobia de John Houston contra Montgomery Clift, a decadência física de Clark Gable. Essencial para discutir o papel do fotografo diante de uma criação, e a sua diferenciação com o Olhar do Cineasta para quem ele está trabalhando. Para se ver e rever.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Killer

"KIller", de Matt Kazman (2016) Excelente curta de humor negro, exibido em Sundance 2016 e vencedor de inúmeros prêmios internacionais. O filme narra uma história fantasiosa e absurda, oriunda do universo das crianças: Duty é um garoto e tem um grupo de amigos. Um deles pergunta se alguém do grupo já se masturbou. Silêncio total. Um outro menino, cara de nerd, diz que sua mãe falou que toda a vez que alguém se masturba, uma pessoa morre. Dusty resolve se masturbar pela 1a vez, e para sua infelicidade, sua mãe morre. A partir dai, sentimento de culpa e desejo de eliminar outras pessoas vão povoando a mente de Dusty. Criativo, muito bem dirigido, repleto de maneirismos de linguagem e com um elenco sensacional, esse curta de 20 minutos vale ser visto pela sua inteligência, humor e sarcasmo, lembrando um pouco o universo de Paul Thomas Anderson e Wes Anderson. https://vimeo.com/180827075

Arrival

"Arrival", de Alex Myung (2016) Escrito, animado e dirigido por Alex Myung, "Arrival" é um encantador conto sobre ' Coming out", ou saída do armário de um jovem que se descobre gay. Mãe e filho crescem juntos em uma casa na zona rural, e tem como hábito tirarem fotos de Polaroid. O menino cresce e vai estudar em Nova York. Mesmo na cidade grande, ele e sua mãe continuam mandando fotos de Polaroid de momentos felizes. Um dia, porém, o rapaz conhece um outro garoto e começam a namorar. Quando ele fica de posse de uma foto polaroid junto de seu namorado, ele trava e para de mandar fotos para a sua mãe, com medo que ela vá recrimina-lo. Exibido em inúmeros Festivais, o filme é um conto de fadas que parece ter sido produzido por alguma Ong que defende a saída de armário de jovens gays. Terno, alegre, sentimental, o filme é muito bonito visualmente e lembra traços orientais. Assistam o filme, vale a pena e vai fazer seu dia mais feliz. https://vimeo.com/212685063

Afterimage

"Afterimage", de Andrzej Wajda (2016) Um dos mais famosos cineastas poloneses, Wajda realizou as obras-primas "Cinzas e diamantes", "O homem de márnore", O Homem de ferro", entre outras. "Afterimage" foi seu ultimo filme, lançado em 2016. Wajda morreu em outubro de 2016 aos 90 anos de idade. "Afterimage" foi indicado pela Polônia para concorrer a uma vaga no Oscar, mas não foi selecionado. Narra a história do pintor polonês Wladyslaw Strzeminski (interpretado por Boguslaw Linda, brilhante). Hoje considerado talvez o maior pintor de vanguarda da Polonia, Wladyslaw sofreu perseguição política durante a 2a guerra mundial em seu Pais, por não concordar com o regime comunista que reprimia a arte que não fosse socialista. Wladyslaw dava aula de Artes em uma Escola na Polonia, e ensinava a arte de vanguarda. Com vários alunos seguidores, que logo depois foram induzidos pelo regime a irem contra a Arte que veneravam, Wladyslaw decidiu não se sujeitar `a Ordem do novo Governo e por conta disso todos os lugares fecharam as portas para ele, até sucumbir na miséria. Paralelo, o filme narra a história de sua filha, deixada em segundo plano por Wladyslaw , apresentado como mau pai e dando preferencia ao seu oficio. Belamente fotografado por Pawel Edelman, fotógrafo preferido de Roman Polanky, o filme tem excelente reconstituição de época, com direcao de arte e figurinos altamente convincentes. A cena do Baner com a figura de Stalin subindo no prédio de Waldyslaw é antológica. Um belo filme, importante para se discutir a importância da Arte diante da repressão e de regimes que relegam a cultura para um segundo plano. Significado do termo "Afterimage": Uma imagem visual que persiste após o estímulo visual, fazendo com que ele tenha deixado de agir.

Minutos depois da meia noite

"Minutes past midnight", de Robert Boocheck, Lee Cronin, Francisco Sonic Kim, Ryan Lightbourn, Marc Martínez Jordán , Kevin McTurk, James Moran, Christian Rivers e Sid Zanforlin (2016) Antologia canadense com 9 contos de terror. Boa parte trabalha com o humor negro, e envolve produções inglesas, espanholas e canadenses. De uma forma geral, é uma serie muito interessante e vale ser vista, tem pelos 4 curtas muito bons. 1) Nunca nos separe – 2 amigos vão visitar os avos de um deles, no meio da floresta, e se deparam com canibais. Divertido e com uma cena bem violenta de decapitação. 2) Acordado – Um casal jovem mora em uma casa isolada com o filho deles, que tem uma doença que o impede de dormir. A criança vai cada vez surtando mais e os pais não conseguem controlá-lo. Confuso, joga um tema mas não o desenvolve direito. Vale pelo trabalho do menino, bem aterrador 3) Louco por você – Um serial killer tem aversão a estampas com bolinhas e sai matando quem veste algo com essa estampa. Até que ele se apaixona por uma garota...que tem todo seu apto decorado com bolinhas! Esse é sensacional, recheado com o típico humor negro inglês, e os 2 atores são ótimos. O final é muito bom. 4) O moinho de Calders’s end – Animação inglesa com bonecos, é excelente e lembra bastante a atmosfera de Edgar Allan Poe. Um homem recebe uma carta pedindo para retornar a Calder’s end. Lá, o pai desapareceu, e ele descobre uma terrível maldição que se abate sobre os homens da sua família. Vale assistir tanto pela técnica quanto pela narrativa vintage da história. Muito bom. 5) Rod rage – Esse aqui é insano, e dos filmes mais toscos, grotescos e divertidos que vi recentemente. Um serial killer atua próximo a uma usina nuclear no deserto do Texas. Um funcionário que trabalha no local tem problema de hemorróidas e dai descobrimos que em seu anus, existe um monstro que devora as suas vitimas. Surreal, tem todo o clima dos antigos filmes da produtora Troma. Os efeitos são péssimos mas hilários, e o monstro é sensacional. Um clássico instantâneo, e que sacaneia os grindhouse de Robert Rodrigues. 6) Alimentador – Um músico se muda para um apartamento para poder se inspirar nas musicas que precisa criar. Ele descobre que o piso do apartamento tem um estranho poder: a medida que ele oferece sacrifícios para o piso canibal, ele vai ficando mais criativo em suas musicas. Uma ideia curiosa que ficou apenas nisso: sem tensão, sem sustos, bem flat. O desfecho é um libelo femninista. 7) Timothy – Um dos melhores do filmes, é um filme espanhol e se passa durante uma noite na casa de um menino. Seus pais saíram e ele fica sob os cuidados da babá. Ela o proíbe de assistir ao programa de Timothy, um coelho, e desliga a tv. Logo, o Timothy surge ao vivo e vem com sede de matar. Genial, criativo, e com um boneco assassino muito bom. 8) Trem fantasma – Muito bom. Filme inglês, acontece em 2 tempos: 3 crianças, melhores amigos, visitam um trem fantasma abandonado, até que um deles é engolido pelo trem e não retorna. Passam-se décadas, os 2 amigos remanescentes retornam, dessa vez, tentando descobrir com o paradeiro do outro amigo. Com uma atmosfera “Stranger things”, tem uma bela fotografia e um roteiro criativo e bons efeitos. O desfecho é meio obvio, mas funciona. 9) Horrível- Humor negro parodiando filmes mexicanos, fala sobre um chupa cabra que ataca um mexicano em sua casa. Tenta seu engraçado, mas ficou bobo.

Spoor

"Spoor", de Agniezka Holland (2017) Premiado em Berlin com o prêmio especial Alfred Bauer de Melhor Direção, "Spoor" é um filme 100% com olhar feminino: além de Agniezka, que é a Cineasta polonesa mais famosa do mundo, tem a co-direcao de sua filha, Kasia Adamik, e foi escrito por Olga Tokarczuk, baseado em seu livro "Drive Your Plough Over the Bones of the Dead. A fotografa é Jolanta Dylewska. O filme pode ser visto como um filme de drama e suspense ecológico. A protagonista, Janina (Agnieszka Mandat-Grabka), e uma professora de inglês para crianças, que mora em região montanhosa entre a Polônia e Tchekoslovaquia. Ela é vegetariana e luta contra os caçadores que matam os animais da floresta. O filme é dividido em capítulos, cada um se passando em diferente estação do ano, quando são permitidas a caça de determinados animais. Súbito, alguns caçadores vão surgindo mortos, e a investigação encontra vestígios de animais. Janina alerta os moradores e a policia de que existe uma revanche dos animais contra os humanos, e logo ela é rechaçada. Mas os crimes continuam. Bom drama, prejudicado por excessiva duração (130 minutos). Mas a boa direção de Agniezka, premiada, e a competente fotografia, ajudam a dar uma atmosfera de filme de suspense, apesar de em alguns momentos o filme avançar por um tipo de humor europeu. A performance de Agnieszka Mandat-Grabka também ajuda bastante o espectador a manter interesse no projeto, apesar de sus personagem irritar em alguns momentos.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Bingo, o Rei das manhas

"Bingo, o Rei das manhas", de Daniel Rezende (2017) Esse filme é um golpe baixo para o meu coracao: eu simplesmente, sou apaixonado por trilha sonora dos anos 80. Tanto os do Ploc 80 quanto trilha de sintetizadores meio "Stranger things". Fora isso, em determinado momento, o filme me fez lembrar de "Crepúsculo dos deuses", clássico de Billy Wilder. E' na linda cena de mãe e filho, Ana Lucia Torre e Vladimir Brichta, desabafando sob a crueldade do mundo artístico e do estar obsoleto, se sentir inútil, se sentir desprezado e no ostracismo. O grande tema do filme é a busca por um lugar ao sol, mas que esse sol venha com reconhecimento, e ao lado dele, o seu nome. E' estranho a gente falar de anonimato em tempos onde isso é praticamente impossivel por conta das redes sociais, mas naquela época, nos anos 80, o filho de Arlindo Barreto se incomodou, e muito, de nao poder dizer ao mundo que o seu pai interpretava o palhacø mais famoso do Mundo, aqui no Brasil. Aliás, é esse personagem do filho de Bingo que mais me irritou. Nao o jovem ator, que é ótimo, mas a construção do personagem, Mas deixemos isso de lado, e vamos ao filme em si: muito bem dirigida, essa bela estréia de Daniel Rezende, famoso no mundo inteiro por ter montado "Cidade de Deus" e "Tropa de elite", ganha cores fortes e saturadas oitentistas nas lentes de Lula Carvalho. O filme não é sobre Bingo (Bozo, mas não cederam os direitos), mas sobre Arlindo Barreto: ex-ator de pornochanchadas, que por anos interpretou o Palhaço Bozo no Sbt, tirando inclusive a Globo do 1o lugar diversas vezes. Envolvido com drogas, bebidas, mulheres e toda sorte de loucuras que o estrelato pode permitir, o grande conflito de Arlindo era não ser reconhecido publicamente, pois por contrato, ele não podia falar sua identidade para ninguém. Bela reconstituição de época, atores muito bem escalados: Além de Vladimir e Ana Lucia, temos Leandra Leal, Augusto Madeira, Tainá Muller... O desfecho, por razoes contratuais, deixou muita gente incomodada. Mas vida real muitas vezes é maior do que a ficção..

domingo, 20 de agosto de 2017

Dearest

"Qin ai de", de Peter Chan (2014) Concorrendo no Festival de Veneza em 2014 na Seleção Oficial, "O mais querido" é um drama baseado em incrível história real. Vencedor de vários Prêmios Internacionais, o filme foi exibido também em Toronto e em Londres, 2 importantes Festivais. Em 2009, na cidade de Shenzen, na CHina, o pequeno Pengpeng, de 3 anos, filho de pais divorciados, é sequestrado. Os pais se deprimem, e tem suas vidas destruídas emocionalmente, mas nunca desistiram de procurar pelo filho. Com a ajuda de uma Associação de pais cujos filhos também foram sequestrados, eles encontram o filho 3 anos depois. Ele estava sob a guarda de uma fazendeira, na zona rural, chamada Li Hongqin. Sob a sua guarda, também está outra criança, uma menina, que é retirada e levada para um Orfanato. Surpreendentemente o filme dá uma guinada na história, e dessa vez, acompanhamos o drama da fazendeira para recuperar a guarda da menina. O filme tem plots e sub=plots excessivos, todos com arco dramáticos bem pesados. O filme é uma imensa choradeira de todos os lados, defendido com garra pelo elenco forte e poderoso. Longo, com 130 minutos de duração, o filme poderia ter meia hora a menos. Mas a história e a performance do elenco seguram a onda, garantindo ao espectador bom entretenimento. Esse é um filme que vale ser visto e discutido, pois ele apresenta vários temas morais que podem acirrar discussões acaloradas. Atenção para a performance das crianças, todas espontâneas e vibrantes.

Paprika

"Paprika", de Satoshi Kon (2006) Fantasia baseada na novela de Yasutaka Tsutsui e dirigida pelo incrível realizador de 'Tokyo Godfathers" e "Perfect blue", "Paprika" é um filme que definitivamente, inspirou Christopher Nolan para realizar o seu cult "A origem". Impossível não assistir a essa animação realizada em 2006 e não se lembrar do filme que Nolan dirigiu em 2010. Ambos os filmes falam sobre invasão dos sonhos, e criam universos paralelos baseados no que as pessoas sonham. Uma máquina inventada por um grupo de psicoterapeutas é furtada. O Dc mini permite que os policiais e psicólogos gravem os sonhos das pessoas e a analisem. O terrorista que a roubou consegue inserir qualquer pessoa no sonho de outros, e dessa forma, manipular a vida de qualquer pessoa, inclusive induzindo ela ao suicídio. Para evitar uma catástrofe, a equipe liderada pela Dra Chiba e o criador da maquina, Tokita, se unem ao detetive Togawa. A eles, se junta também Paprika, uma avatar que consegue entrar nos sonhos . Inventivo, com ótima Arte e com incríveis efeitos, "Paprika" infelizmente nunca foi lançado comercialmente aqui no Brasil. E' um cult de primeira linha, tao criativo que a gente fica toda hora pensando no que o autor e os roteiristas tomaram para conceber tantas situações bizarras e geniais. A trilha sonora também é muito boa, e é preciso dizer que não é uma animação para crianças, por conta de cenas de violência e de erotismo. SatoShi Kon ainda homenageia o Cinema, com imagens de filmes clássicos, como "A princesa e o plebeu", "O iluminado", "Tarzan", entre outros, além do seu próprio filme, "Tokyo Godfathers". Imperdível. Vale lembrar que outro cineasta famoso, Darren Aranofsky, também se inspirou em um filme de Satoshi, "Perfect Blue", para 2 de seus filmes: "Cisne negro" e "Réquiem para um sonho.

sábado, 19 de agosto de 2017

Eu Vivi, Mas... Uma Biografia De Yasujiro Ozu

"Ikite wa mita keredo - Ozu Yasujirô den", de Kazuo Inoue (1983) Eu sou um grande admirador do Cinema de Yasujiro Ozu, considerado o mais japonês dos Cineastas do Japão. Como poucos, ele captou a essência do modo de vida do Pais, com seus costumes e tradições, aliado a valores de sua sociedade. Segundo Ozu, "O fim de um filme é o seu começo". Ozu faleceu no dia 12 de dezembro de 1963, no dia de seu aniversário, aos 60 anos. Seu último filme, "A rotina tem sue encanto", foi rodado 1 ano atrás, em 1962. Ozu faleceu de câncer. Seu cinema tem fases temáticas: Ozu foi professor em uma escola, depois serviu a 2a Guerra. Mas seu sonho sempre foi fazer Cinema, para tristeza de seu pai. Ser Cineasta na época não era visto com bons olhos. Ozu foi trabalhar em um Estúdio de cinema como assistente de câmera, e anos depois, foi convidado para dirigir filmes. Seus primeiros filmes tinham como tema os estudantes e a sua rotina na escola e família. Depois, Ozu se apegou ao tema dos trabalhadores e o desemprego. Finalmente, a sua fase mais famosa, ele se apegou a relações familiares, mostrando como pais e filhos possuem um enorme abismo entre eles. O mais curioso do filme, realizado de forma burocrática, com depoimentos de atores, técnicos e cineastas que trabalharam com ele, são os depoimentos do elenco. Eu não fazia ideia de que Ozu era super perfeccionista, obrigando os atores a repetirem até 60 takes, para chegar a um nível que ele considerasse bom. Ele era rígido e não permitia que o ator mudasse absolutamente nada, muito menos improvisos. Tinha tudo que ser como ele queria que fosse. Apesar dessa mão de ferro, os atores e técnicos o elogiam bastante. O filme é obrigatório para estudantes de cinema e cinéfilos. Outra curiosidade é saber que em seu túmulo, existe uma lapide com o ideograma que significa "Nada". O filme é uma ótima pedida para fazer rever grandes clássicos , como "Pai e filha", "Era uma vez em Tokyo", "Filho único", entre outros.

Willow creek

"Willow creek", de Bobcat Goldthwait (2013) Quando o Poster de um filme é melhor que o filme em si, você ja sabe o que te espera. Escrito e dirigido pelo ator e diretor Bobcat Goldthwait, "Willow creek" copia descaradamente "A bruxa de Blair" em todos os quesitos: Found footage, narrativa, roteiro. Basta trocar a Bruxa de Blair pelo Bigfoot, ou Pé grande. O mais estranho de tudo, é que o filme tem aceitacao de 86% dos críticos no Site "Rotten tomatoes". Ou eu estou ficando louco, os esses críticos estão. Infelizmente, eu que amo terror, nada se salva em "Willow Creek". O filme parte da premissa de um casal que resolve ir at´a floresta de Willow Creek, na California, para fazer um registro do mito do Pé Grande. O namorado, Jim, acredita que existe, apesar das evidencias de que é só uma lenda (Alo "Bruxa de Blair!). Eles irão entrevistar moradores da região, guia, todo mundo, até que claro, se embrenham na floresta escondidos de todos. O filme , de 1:20 minutos, reserva suspense nos últimos 2 minutos do filme, e mesmo assim, um suspense zero tensão. Uma pena. Já vi muitos found footages realmente assustadores, mas aqui, ficou na vontade.

Following

"Following", de Christopher Nolan (1998) Primeiro longa dirigido por Christopher Nolan, em 1998. Nolan, que nunca frequentou uma Faculdade de cinema, realizou esse filme com 6 mil dólares, convidando conhecidos para o elenco e equipe. Como todos estavam trabalhando, Nolan levou 1 ano filmando, pois só podia filmar finais de semana, que eram as datas que as pessoas podiam se comprometer com as filmagens. Nolan também escreveu o roteiro. Brilhante, é uma homenagem aos filmes noir dos anos 40, com direito a todos os clichês do gênero: a mulher fatal, o homem errado, uma pessoa na multidão, a fotografia em preto e branco. E' incrível assistir a esse filme depois de conhecer toda a filmografia e de Nolan e constatar que todos os seus artifícios de linguagem e narrativa já se encontravam aqui: a trilha sonora onipresente e pulsante ( que lembra bastante a de "Dunkirk"), a narrativa em vários tempos distintos, a figura do duplo ( usada em "O grande golpe"), o anti-herói perdido em sua própria historia. Um jovem desempregado resolve seguir pessoas anônimas na rua e dessa forma, servir de inspiração para um livro que ele quer escrever. O jovem cria regras para essa perseguição, mas ele mesmo quebra a regra principal: seguir a mesma pessoa 2 pessoas. Por conta disso, uma das pessoas que ele persegue, Cobb, o procura e pergunta porque ele o segue. Apos explicações, o jovem descobre que Cobb é um ladrão, apesar de sua aparência elegante. Cobb acaba convidando o jovem para junto dele, roubar as residências. Até que o jovem quebra sua 2a regra: se envolver com um dos assaltados, no caso, uma mulher, amante de um mafioso. Com apenas 69 minutos, é um filme conciso, dinâmico, repleto de atmosfera e com ótimos atores. O próprio Nolan fotografou o filme, para baratear os custos, e filmou em película, sua marca registrada. O filme foi lançado em 2012 pelo selo Criterion, dedicado a filmes clássicos de grandes autores. Imperdível a obrigatório. Curiosidade: O filme, realizado em 98, já traz uma fantástica premonição: na porta do protagonista, existe um adesivo do Batman.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Apenas Jim

"Just Jim", de Craig Roberts (2015) Escrito, dirigido e protagonizado por Craig Roberts, na época do filme com apenas 24 anos. Para quem não lembra, Craig Roberts ficou famoso quando surgiu no cult inglês "Submarino", em 2010, e trabalhou até com Tim Burton em um clip dirigido por ele. Craig tem aquele look esquisito próprio de personagens Freaks. Recentemente ele fez um belo filme pela Netflix, "Fundamentals of caring". Jim (Craig Roberts) é o looser da vez: Sofre bullying na escola, seus pais dão preferencia para a outra filha, a menina por quem ele é apaixonado não dá a mínima para ele. Até que um vizinho se muda para a casa do lado. E' Dean (Emille Hirsch), um jovem americano rebelde com pinta de James Dean que ensina Jim a se comportar como alguém que se defende. No inicio as coisas vão indo bem, mas de repente, tudo parece sair do seu lugar. O filme é estranho, não se define um gênero. Não é comedia, não é romance, e ele ainda flerta com o suspense e com o psicológico de filmes de David Lynch. Craig quiz fazer um filme cult, botando referencia de diretores que ele provavelmente curte: Além de Lynch, uma pitada de Wes Anderson, de Paul Thomas Anderson e afins. Mas o filme não tem carisma, muito menos os personagens, frios. Dá para assistir, mas fica a impressão de que o filme poderia ter rendido mais.

Lady Macbeth

"Lady Macbeth", de William Oldroyd (2016) Baseado no livro " Lady Macbeth of Mtsensk", de Nikolai Leskov, que por sua vez se inspira na tragédia de Shakespeare, "Lady Macbeth" ganhou muitos prêmios em Festivais Internacionais. Filme de estreia do Diretor teatral inglês William Oldroyd, o filme é um drama de época poderoso, com um roteiro e performances memoráveis, que deixam o espectador atónito ao fim da sessão. A virada da historia pega a todos de surpresa. Não dá para falar muito sobre o roteiro e os personagens, pois corre o risco de se fornecer spoilers. Usando aquela máxima "Ninguém é o que aparenta ser", o roteiro brinca com o espectador. Ardilosamente construídos, os personagens são muito bem defendidos por todo um elenco de atores desconhecidos, mas sendo atores ingleses, a gente tira o chapéu e os reverencia. Ambientado em 1865, na Inglaterra rural, o filme tem uma atmosfera de drama psicológico gótico que muito o aproxima de filmes como o terror "A bruxa". A fotografia escura, a ausência de trilha sonora, a frieza da narrativa ( e por conseguinte, dos personagens). Katherine (Florence Pugh, fenomenal) é vendida para um casamento. Na mansão, habitam o sogro e o marido, frios e arrogantes. Ali também habita a empregada negra Anna, que a tudo testemunha, e vario empregados, entre eles, o peão Sebastian, com quem Katherine irá ter um tórrido romance. Um filme absolutamente imperdível e obrigatório.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Annabelle 2 : A criação do Mal

"Annabelle 2: criation", de David F. Sandberg (2017) Prólogo do primeiro filme de Anabelle, aqui ficamos sabendo da origem da boneca demoniaca. Ao final do filme, fica difícil não pensar em "Chucky", e sinceramente, ainda espero um dia ver um filme que junte os 2 bonecos ( assim como fizeram com Jason e Freddy Krueger). Mas aqui, David F. Sandberg uniu referencias de clássicos do terror e fez uma puta montanha russa de sustos: "O exorcista", "Invocação do mal", " O orfanato", "O grito", tudo se mistura para dar unidade a um terror que somente quer divertir a platéia. Não existe sangue no filme. O que temos aqui são os sustos e atmosfera de terror. No roteiro, endiabrado, são inseridos vários artifícios para criar medo: espantalho, elevador interno, cadeira de rodas, cadeira motorizada, cabaninha infantil, poço... Ambientado nos anos 60, o filme apresenta um grupo de meninas de um orfanato que vão morar na fazenda da família Mullin, junto de uma freira. Isso ocorre para evitar que as meninas sejam doadas para outros orfanatos e assim, se separem. Porém, aos poucos, as meninas irão perceber que algo estranho está acontecendo na casa, e envolve uma boneca antiga. O elenco infantil é todo muito bom, mas o destaque vai para Talitha Bateman, que interpreta a paraplégica Janice. Que menina incrível! A direção de David F. Sandberg, inteligente e criativa, consegue fazer milagres com os clichês. Muito da atmosfera se deve `a excelente fotografia do belga Maxime Alexandre, um expert em filmes de terror, conferindo escuridão `as cenas tensas. Algumas cenas ja ficaram clássicas: a do espantalho no celeiro, a da cadeira de rodas elétrica na parede, a do poço. Bom pra ver e ficar dias sem dormir.

Corpo elétrico

"Corpo elétrico", de Marcelo Caetano (2016) Longa de estréia do Cineasta mineiro Marcelo Caetano, do premiado curta "Na sua companhia" e co-escrito com Hilton Lacerda, de "Tatuagem", "Corpo elétrico" fala sobre sexualidade e proletariado, numa mistura explosiva. No bairro de Bom Retiro, o paraibano Elias (Kelner Macedo, excelente) , trabalha como assistente da estilista de uma confecção. Jovem talentoso, Elias tem a sexualidade aflorada: gay assumido, ele tem vários amantes, sai para as ruas para fazer pegação e ainda dando em cima de um novo funcionário, o africano Fernando. O patrão de Elias fica incomodado por ele não ter medida de hierarquia com os subalternos: trata todos por igual. Discutindo a camaradagem entre colegas de trabalho e também a liberdade sexual, Marcelo Caetano quer falar sobre uma geração que quer ser livre de conceitos e pre-conceitos. O elenco, todo atuando de forma naturalista, está excelente. Uma pena que a maravilhosa Nash Laila apareça tão pouco. As cenas com as transformistas são hilárias, e as cenas de sexo, desglamurizadas, bem sacanas. Vale assistir ao filme, totalmente adulto e para Cinéfilos sem frescura, que terá tesão sem vulgaridade para o Cinema.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

The cop cam

"The cop cam", de Isaac Rodriguez (2016) Dirigido pelo jovem Cineasta americano Isaac Rodriguez, realizador de diversos curtas de terror de baixo orçamento, "The cop cam" tem apenas 2 minutos, e a sua idéia nem é original. O que chama atenção é justamente a junção dos clichês do found footage, do espirito da garota assassina ( estilo Samara) e uma direção criativa e concisa, que realiza um filme somente para dar um susto no espectador. Adorei a imagem suja, a fotografia granulada toda pelo POV de uma câmera acoplada ao corpo do policial. O estilo narrativo lembra bastante a franquia de terror espanhol "Rec". Assista e durma depois, se for capaz. https://www.youtube.com/watch?v=OvSlUgSKEuc

O efeito aquático

"L'effet aquatique", de Sólveig Anspach (2016) Co-escrito e dirigido pela Cineasta islandesa Sólveig Anspach, "O efeito aquatico" é uma comédia romântica ( comédia no sentido islandês da coisa). O mais incrível é o filme ter ganho os prêmios de roteiro em Cannes, na Mostra Quinzena dos realizadores, e no Cezar, Oscar do cinema francês. Digo incrível pois foi no roteiro aonde eu vi mais problemas. Samir é um homem solitário, na faixa dos 40 anos, que trabalha operando guindaste em construções em Paris. Ele testemunha em um bar um casal discutindo, e imediatamente se apaixona por Agathe, que ele descobre ser instrutora de uma Escola de natação. Samir se inscreve na escola, somente para poder se aproximar de Agathe. Mas o destino fará com que eles sigam até uma Conferencia na Islândia. O filme é bem dirigido, tem ótimos atores, um olhar exótico sobre os moradores da Islândia, mas segue em um ritmo lento e sem muito humor ( eu somente ri em uma cena que acontece em um chuveiro coletivo feminino). Faltou carisma aos personagens, para que o espectador torcesse pelo amor do casal. O que vale de fato, sao as belíssimas paisagens na Islândia, captadas com maestria pelas lentes da fotografa Isabelle Razavet.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

The bad kids

"The bad kids", de Keith Fulton e Louis Pepe (2017) Premiado em Sundance 2017 como Melhor documentário, "The bad kids" é um emocionante retrato sobre a juventude desajustada e sem perspectiva de futuro, `as voltas com drogas, gravidez indesejada, falta de apoio familiar, desemprego e outros entraves. O filme acompanha o dia a dia de estudantes do ginásio na Escola "Black rock", localizada no deserto do Mojave, na Califórnia. O Colégio é famoso por ser a última ponte entre os alunos e os estudos. Para lá, são mandados estudantes sem perspectiva, que abandonaram os estudos ou que não conseguem estudar. Através de um método de educação de inclusão social e visando fazer com que os alunos entendam a importância de se sentirem importantes para si e para a sociedade, a diretora Vonda Viland e os professores fazem o possível e o impossível para que os alunos permaneçam nas salas de aula e não deixem de atender as classes. E' impressionante o vigor e a forca da diretora, que trata a todos praticamente como se fossem seus filhos. E' um filme muito importante para ser visto e discutido em grupos de estudos. Deveria ser obrigatória a exibição em todas as escolas. E' muito duro acompanhar as historias dos alunos, sabendo da vida de merda que eles levam e a falta de apoio de familiares. Um dos depoimentos mais tristes é de uma jovem, que se recusa a se formar e a crescer, pois ela não quer se tornar adulta e se espelhar na vida horrível que seus pais levam.

Valerian e a Cidade dos mil planetas

"Valerian and the city of thousand planets", de Luc Besson (2017) Adaptação cinematográfica dos famosos quadrinhos franco-belgas, criado por Pierre Christin, "Valérian e Laureline", e publicado a partir de 1967. O estilo narrativo e os desenhos criados por Jean-Claude Mézières influenciaram vários filmes de ficção científica, entre eles, "Guerra nas estrelas" e " O quinto elemento", do próprio Besson. O filme se tornou o maior orçamento para um filme francês de todos os tempos, chegando a quase 200 milhões de euros, Para ampliar a exibição no mundo todo, Besson escalou atores de língua inglesa e até um chinês famoso, Kris Wu, para facilitar a entrada na China. Para quem assistiu a "O quinto elemento", o filme tem bastante dos exageros visuais do filme. " Valerian" parece uma grande viagem de ácido, tal o seu colorido e situações bizarras, que somente uma mente criativa totalmente livre de amarras poderia criar. A historia é bem minuciosa: Valerian e Lauredine (Dane DeHaan, de "A cura", e Cara Delevingne, de "Cidade de papel") são agentes temporais que trabalham para o Governo e assim, preservam a paz no Universo. Eles podem viajar no tempo em qualquer circunstancia. Ambos são acionados para resolver uma questão: precisam recuperar um aparelho chamado "Conversor". Com isso, os 2 heróis se deparam com a obscura historia de um planeta e uma civilização que desapareceram há cerca de 30 anos atrás, um povo chamado "Pearls". Vão descobrir também que alguém do Governo está por trás de uma conspiração que pode botar o mundo em risco. O filme é repleto de efeitos visuais, e talvez o mais impressionante deles envolva o personagem da cantora Rihanna, "Bubble". As cenas dela são as melhores no filme, que envolve também o ator Ethan Hawke, no papel de um cafetão. Impossível não se lembrar de "Star Wars" assistindo ao filme: Hans Solo, Millenium Falcon, os alienígenas, Jabba The Hut, etc. A trilha sonora ficou por conta do Mestre Alexandre Desplat, e a fotografia, do parceiro habitual de Besson, Thierry Arbogast. O filme é bem longo, quase 140 minutos, e eu diria que poderiam ter cortado pelo menos meia hora do filme. Mas vale ser visto, apesar de tudo aparentar ter sido feito para crianças e não para adultos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um filme de Cinema

"Um filme de cinema", de Walter Carvalho (2016) Documentário para Cinéfilos, profissionais de Cinema e para estudantes do audiovisual, que entendem a paixão proferida pelos vários Cineastas entrevistados pelo Cineasta e fotografo Walter Carvalho. E' importante ressaltar que o Cinema pelo qual todos são apaixonados, aqui no filme, é o Cinema de Autor, e não o Cinema comercial. O nome de Jean Luc Godard é citado inúmeras vezes por vários Cineastas, deixando claro a importância de um dos pilares da Nouvelle Vague, que desconstruiu com os seus filmes a ordem vigente no cinema acadêmico e tradicional. Karin Ainouz, Hector Babenco, José Padilha, Julio Bressane, Ruy Guerra defendem o lado do Brasil, e no exterior, temos Lucrecia Martel, Bela Taar, Jia Zhenke, Andrej Wajda, Asghar Farhadi, Ken Loach, entre outros. Walter Carvalho pergunta as mesmas questões para todos: o tempo dos planos, a montagem, a escolha da posição de câmera, o que é fazer um filme, o Filme é do Diretor?, etc.... As respostas são dadas de uma forma geral em com muita paixão intelectualizada. Muito claro o quanto todos os depoimentos saem de profissionais que não poderiam fazer outras cosias em suas vidas, senão fazer Cinema. As vezes nos divertimos, `as vezes refletimos, podemos discordar de uma ou outra opinião ( Quando Ken Loach fala sobre o Storyboard, é bem polemico). Mas o que importa no documentário é isso: a democracia de poder falar o que quer, e depois essa mesma discussão virar roda de estudantes ou cinéfilos dando apoio ou indo contra. Assistam, vale super a pena.

Perfect Blue

"Perfect blue", de Satoshi Kon (1997) Clássica animação japonesa na lista dos melhores animes de todos os tempos. "Perfect blue" foi baseado em um livro, e desde seu lançamento, em 1997, até os dias de hoje, várias teorias foram criadas para tentar explicar a complexidade desse filme. Como todos sabem, o cineasta Darren Aranofsky comprou os direitos de uma cena do filme, a da banheira, e a refilmou em "Réquiem para um sonho". Porém, assistindo ao anime, fica impossível dizer que "Cisne negro" não tenha influência do filme. Os temas da múltipla personalidade, da ansiedade e obsessão pela fama, o isolamento e a esquizofrenia caminham juntos com os personagens de Mina e de Nina Sawyers, interpretada por Nathalie Portman. Mina é uma jovem que faz parte de um trio de cantoras adolescentes denominado CHAM, e que faz sucesso. No entanto, Mina recebe convite para ser atriz e decide abandonar o grupo. Nessa nova empreitada profissional, Mina sofre com a pressão da profissão e a expectativa do publico e da mídia. Aos poucos, pessoas que estão em seu entorno vão sendo assassinadas, e a suspeita recai sobre um fa de Mina quando era do grupo musical, que não aceitou ela ter abandonado a carreira de cantora. O filme trabalha em varias dimensões, e portanto, tentar interpretar o filme acaba sendo uma tarefa muito pessoal. O que é real, o que é ilusão, acaba sendo a metáfora do mundo da televisão. O filme é construído em cima dos gêneros do suspense e do terror, da atmosfera claustrofóbica, bem ao gosto de Arranofsky. Cenas de extrema violência e de sensualidade, proibido para menores. A cena do estupro é bastante forte.

A transfiguração

"The Transfiguration", de Michael O'Shea (2016) Raro filme de terror a concorrer no Festival de Cannes ( na Mostra paralela "Un certain regard", em 2016), "A transfiguração" é um filme de vampiro realista, como o próprio personagem faz questão de demonstrar. Michael O'Shea homenageia principalmente 2 filmes de vampiros: "Martin", de George Romero, e "Deixa ela entrar", cult sueco. Do primeiro filme, "Martin", O'Shea traz um protagonista aficcionado por vampiros e que acredita ser um. De "Deixa ela entrar", o protagonista e apaixona por sua vizinha e sofre com o bullying na escola e vizinhança. O que diferencia "A transfiguração" de todos os outros filmes, e dai vem a sua grande polemica, é a questão racial e social: O protagonista, o garoto Milo, seus vizinhos e os que pratica Bullying na escola são todos negros. Sua vizinha e paixão platónica, Sophie, e todas as vitimas de Milo, são brancas. Impossível não ficar alheio a essa questão do embate entre negros e brancos, principalmente quando em duas cenas impactantes, as vitimas são os brancos, assassinados de forma brutal por negros. Se conseguirem assistir ao filme ignorando o teor racial, assistirão a um belo filme de estreia, com ritmo lento mas contemplativo , mais artístico do que um filme comercial, e que mostra uma Nova York totalmente desglamourizada e aterradora. Os atores estão ótimos, a atmosfera do filme torna a metáfora da violência em terror, e a fotografia ajuda a dar esse clima de tensão. Milo ( o ótimo Eric Ruffin), é um menino que mora com o seu irmão mais velho, Lewis, que não sai de frente da tv. A mãe deles se suicidou há pouco tempo atras e isso transformou a vida de Milo para sempre. Um dia, uma adolescente, Sophie, se muda para o prédio, a perturbada Sophie, e Milo se apaixona por ela. Mas não sabemos se ele quer que ela seja sua próxima vitima, ou se ele de fato a protege. O filme recebeu vários Prêmios em Festivais internacionais.

domingo, 13 de agosto de 2017

O que te faz feliz

te faz feliz
"Ça Rend heureux", de Joaquim Lafosse (2006) Cineasta canadense, realizador do drama "A economia do amor", Joaquim Lafosse faz aqui uma comédia dramática sobre um Cineasta desempregado que junta uma equipe de desempregados para realizar um filme. O roteiro usa os próprios nomes dos atores para os seus personagens, dando assim um caráter mais espontâneo e autentico `a narrativa. Fabrizio (Fabrizio Rongione, ator fetiche dos irmãos Dardenne) interpreta um Cineasta que esta ha anos desempregado. Ele vive `as custas do seguro desemprego, e acaba encontrando pelo cainho outros desempregados que o ajudam na sua empreitada de realizar um filme. Porém, o filme acaba contando a sua própria historia: seu relacionamento com sua ex-namorada, e a paixão por uma garçonete de um bar. Com um elenco bem selecionado, que confere naturalidade `a produção, "O que te faz feliz" fala sobre sonhos, desejos e frustrações de uma geração que ousou, mas não cumpriu o que almejava em sua vida. Melancólico, desesperançado, o filme faz acreditar que para todos ainda existe sempre uma possibilidade. As cenas de filmagem dando tudo errado são bem divertidas.

O presidente

"The president", de Mohsen Makhmalbaf (2014) Co-escrito e Dirigido por um dos mais prestigiados Cineastas iranianos contemporâneos, autor de "Salve o cinema", " O Silencio" e "Gabbeh", "O presidente" é uma fabula aterrorizante sobre o Destino de um ditador tirano e seu neto, quando o Pais que ele governa é tomado pelos revolucionários. Ambientado em um Pais incerto ( o filme foi todo rodado na Georgia, Pais que faz limite entre a Russia e Turquia), a metáfora sobre o Ditador deposto e imediatamente sendo substituído por outro Governo cruel tem nos 2 atores, Mikheil Gomiashvili ( Ditador) e Dachi Orvelashvili ( seu neto de 8 anos) a grande forca que sustenta o filme. O menino impressiona pela espontaneidade e pelo olhar ingênuo e aterrorizado. Outro momento brilhante de atuação é quando um ex-preso retorna para rever a sua esposa e descobre que ela se casou e tem um filho. A cena toda acontece no rosto do homem, e o trabalho do ator, que alterna as emoções no mesmo plano, são impressionantes. Como sempre, Mohsen Makhmalbaf trabalha com o poético e o lúdico. O filme é todo conduzido pelo olhar do menino, que não entende todas as situações cruéis que acontecem em sua volta. Seu avo, o Ditador, conta histórias brandas sobre tudo o que acontece ( e assim, o filme se aproxima de "A vida é bela"). Um filme que retrata e nos faz pensar sobre todo os Governos déspotas que conduziram e continuam conduzindo muitos países pelo Mundo e o quanto essa falta de liberdade destrói a cultura e a história de um Povo. O filme tem um teor polemico, que é o fato de humanizar o Ditador. `A medida que o filme avança, ele faz com que sintamos pena pelo crápula. E' um bom filme para ser visto e discutido por grupos de estudantes e cinéfilos, e assim, tirar conclusões acerca do seu conteúdo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Como se tornar um Conquistador

"How to be a latin lover", de Ken Marino (2017) Longa dirigido pelo Ator Ken Marino, é um veiculo para a maior estrela do Cinema mexicano, Eugenio Derbez, desfilar o seu humor escrachado e debochado, repleto de piadas sujas e escatológicas. Eugenio foi o responsável pelo maior sucesso de um Filme estrangeiro nos Estados Unidos, a comedia dramática "Não aceitamos devoluções", que ele dirigiu e protagonizou. Em "Como se tornar um Conquistador", repetiu-se muitos elementos da trama de "Não aceitamos devoluções", o que confirma a tese de que "em time que se está ganhando, não se mexe". A relação Homem mais velho e criança reprimida; homem conquistador que depois se humaniza; uma criança que escreve carta para um dos pais ausente; a narração em off de Derbez concluindo tudo como uma grande lição de moral; choque cultural Estados Unidos/México. Mesmo com essa sensação de Deja vu, o filme tem piadas muito engraçadas, daquelas bem bizarras, sem meio termo: ou se acha engraçado, ou vai se achar grotesco. O elenco tem participações bastante divertidas de Salma Hayek, Rob Lowe ( ele tem uma das cenas mais engraçadas do filme, no desfecho, vestido de policial), Michael Cera ( aquele menino já não existe mais, ele agora é um homem!) e pasmem, Raquel Welch, no alto de seus quase 80 anos, toda recauchutada e fazendo graça de si mesma. Mas talvez um dos personagens mais engraçados do filme, com direito a cenas verdadeiramente hilárias, seja o de Cindy (Kristen Bell, antológica) , atendente de uma sorveteria musical e que é apaixonada por gatos e sempre aparece toda arranhada. O clip de Eugenio ( como ele se sujeita a situações toscas e se diverte!!) na clinica de beleza é arrasadora!