domingo, 30 de abril de 2017

A bailarina

\\ “Ballerina”, de Eric Summers (2016) Dirigido e escrito por Eric Summers, essa co-produção França/Canadá se ambienta no final do Sec XIX na França. Em Paris, a Torre Eiffel está sendo erguida, e a Estátua da Liberdade, confeccionada. Acompanhamos a história de Felicia, uma órfã que mora em um orfanato afastado de Paris, e que sonha em ser bailarina. Um dia, seu amigo, também órfão, Victor, lhe mostra a foto do prédio do Balet real de Paris, onde existe curso de ballet mais famoso a Franca. Victor, com sua invenção de asas, foge do orfanato com Felicia. Chegando em Paris, Felicia vai trabalhar com Odette, uma ex-bailarina que ficou manca e trabalha como faxineira no Balet real. Odette a ajuda a realizar seu sonho de bailarina, mas em seu caminho, terá que enfrentar a fúria a dona do local, que quer que sua filha seja a escolhida para protagonizar o Balet Quebra-nozes. Simpático, esse desenho realizado em 3D lembra aquelas animações feitas para a tv, com um roteiro simples e traços de animação sem grande criatividade. Mas como a história gira em torno de sonhos e realizações, acaba atingindo o sue objetivo. A maldade da Madame é bem fora do tom, mesmo porque é bastante exagerado, diferente do contexto do restante do filme ( até mesmo o funcionário do orfanato, interpretado pela voz de Mel Brooks, está mais comedido). A protagonista Felicia é carismática, apesar do erro que ela cometeu de mentir e se fazer passar por outra menina. Mas é um filme que fala sobre perdão, sobre se reinventar. Logo, aa crianças que forem assistir ao filme terão boa inspiração. O desenho é repleto de canções pop, e as imagens de Paris da época são bem fiéis.

sábado, 29 de abril de 2017

Lazy eye

"Lazy eye", de Tim Kirkman (2016) Hoje em dia todo Cineasta independente que quer fazer um filme barato, quer dar uma de Richard Linklater quando botam personagens discutindo relação. O problema é que são poucos, mas muito poucos, que tem a capacidade de escrever diálogos que sustentem o filme inteiro, sem cair na verborragia monótona. Tim Kirkman escreveu e dirigiu um drama sobre uma verdadeira lavação de roupa suja entre um ex-casal de amantes gays. Dean (Lucas Near-Verbrugghe) e Alex (Aaron Costa Ganis) se conheceram há 15 anos atrás em Nova York. Eles formavam um jovem casal feliz, até que Alex simplesmente desapareceu. Passados os 15 anos, Dean mora em Los Angeles, e trabalha como graphic designer. Ele recebe um email de Alex, e ao mesmo tempo que fica irritado, sente um impulso em querer encontrá-lo. O problema é que Dean está casado. Mesmo assim, ele resolve passar um final de semana com Alex, e ai, revelações de um passado são postos `a prova, regados a muito sexo e um lindo visual no deserto do Mojave. De baixo orçamento e poucas locações, “Lazy eyes” poderia ter sido um ótimo curta sobre a possibilidade de reconexão, mas como longo, o mote não se sustenta. O filme é arrastado, longo, os personagens não são cativantes e fica difícil acompanhar a trajetória de uma relação totalmente sem carisma. Pior: quando o filme avança em flashbacks de 15 anos atrás, quando supostamente os personagens teriam por volta de 20 e tantos anos, o Diretor resolveu colocar os mesmos atores. E’ gritante a idade desconectada entre Ator e personagem, ficou horrível. Vale pela bela fotografia e planos bonitos do sexo.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Elon não acredita na morte

"Elon não acredita na Morte", de Ricardo Alves Jr (2016) Eu adoro ver cenas de sexo bem filmadas nos filmes, e aqui, existe uma cena de sexo explicito, onde os atores Romulo Braga e Clara Choveaux fazem sexo oral, de forma crua e visceral. Uma cena intensa e dolorosa. Só por essa cena, o filme já merecia a atenção do espectador. Mas o filme é bem mais do que isso. Totalmente focado na estética dos cineastas belgas irmãos Dardenne, que se utilizam da câmera documental que fica o tempo todo grudado nas costas do personagem, seguindo-o para todos os lugares, "Elon não acredita na Morte" é um híbrido de drama psicológico e filme de suspense. Elon ( Romulo Braga) é um vigia noturno. Sua esposa, Madalena (Clara Choveaux) não retorna para casa, e ele passa a noite toda em busca de seu paradeiro. Para isso, ele vai atras de uma amiga, da Irma dela ( a mesma Clara Choveaux) e de pessoas próximas, sem sucesso. Ao mesmo tempo, imagens desconexas vem a sua mente. O que teria acontecido `a Madalena? Me lembrei bastante de um filme de Gustavo Rosa de Moura, chamado " Canção da volta". Nele, um casal em crise, vividos por Joao Miguel e Marina Person, vivem `as turras. Um dia, ela desaparece, e o personagem de Joao vaga pelos hospitais, delegacias, Iml, ruas, em busca dela. O que diferencia os dois filmes, é justamente a estética. Ricardo Alves Jr, cineasta mineiro, adaptou o seu premiado curta "Tremor" , de 2013, e o esticou, criando o longa " Elon não acredita na morte". Ele substituiu o ator Elon Rabin, que dá nome ao personagem , pelo ator Romulo Braga, que está extraordinário. E' um filme que mistura atores e não atores, em narrativa totalmente documental. Um filme adulto, trágico, cult e um belo presente para cinéfilos. Trilha sonora e fotografia fodas, ajudando no clima claustrofóbico.

Moca

"Moka", de Frédéric Mermoud (2016) Drama psicológico, beirando o suspense, sobre uma mãe que deseja vingança pela morte de seu filho. Luc é um adolescente que foi atropelado. Quem o atropelou não prestou assistência e ele acabou morrendo no local. Diane (Emanuelle Darvos) tenta a todo custo descobrir quem são os responsáveis pelo crime. A sua obsessão torna-se tão doentia, que ela é internada em um sanatório. Ela acaba fugindo e dali, parte com pistas sobre o paradeiro do dono do carro que atropelou seu filho. Ela descobre então Marlene (Nathalie Baye, atriz fetiche de Xavier Dolan( ), dona de um salão de beleza, que ela acredita ser a assassina. Fico imaginando essa trama nas mãos de Park Chon Woo, realizador da trilogia de vingança, entre eles "Oldboy". Ele faria com certeza um filme pulsante e violento. Mas o Cineasta Frédéric Mermoud resolveu investir o filme no trabalho das 2 atrizes fenomenais, Emanuelle Darvos e Nathalie Baye, em um duelo de performance irretocável. O filme segue lento,revelando segredos aos poucos, em um desfecho digno de plot twist de Shayamalan. Vale assistir, um filme noir com muitos talentos envolvidos.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Inseparável

"Indivisíbli", de Edoardo De Angelis (2016) Excelente drama italiano, que me remeteu bastante aos filmes neo-realistas, por ser filmado em locações pobres de Nápoles e com um tema social tão profundo. No entanto, existe um elemento quase de Tim Burton nesse estranho filme, um grande pesadelo embalado como se fosse um sonho. 2 irmãs siamesas ( as excelentes Angela e Marianna Fontana, em tour de force emocionante) vivem com seus pais em uma comunidade pobre na beira da praia de Nápoles, em um bairro de miseráveis. O pai é um jogador viciado, e compõe músicas para que suas filhas cantem em festas decadentes. A mãe é viciada em drogas. As irmãs, que atingiram 18 anos, cantam e são apresentadas como atração freak nos eventos. Um dia, ao conhecer um cafetão, uma das irmãs, Dayse, revela o desejo de se separar de sua outra irmã. Para piorar a situação, surge um cirurgião, dizendo que é capaz de separar as duas irmãs, sem prejuízo para nenhuma delas. Porem, tanto os pais das gêmeas, quanto a igreja, repudiam essa cirurgia, pois percebem que deixarão de explorar o dinheiro que elas lhes proporciona. Intenso, comovente, bizarro, lúdico...esse filme trouxe sensações bem estranhas enquanto eu o assistia. A extraordinária fotografia de Ferran Paredes, aliado as locações estonteantes, dão uma atmosfera muito próxima a pinturas expressionistas. Trágico, o destino dessas irmãs e' bastante cruel. Um filme que fala sobre a exploração em todos os níveis: social, sexual, económico e bullying. Um filme arrebatador, que provoca revolta, pela extrema vilania de alguns personagens ( bem ao gosto de novelas melodramáticas) , mas que faz o espectador torcer bastante pelas heroínas. Algumas cenas são antológicas, como por ex, quando elas se apresentam para um conjunto habitacional frequentado por traficantes e prostitutas decadentes. Com ótima direção, o filme conquistou inúmeros prêmios em Festivais de cinema, entre eles, o de Veneza em 2016.

Guardiões da Galáxia Vol 2

"Guardians of the Galaxy Vol 2 2", de James Gunn (2017) Dirigido e escrito por James Gunn, essa parte 2 do filme de grande sucesso descobriu a formula deliciosa de incorporar uma trilha sonora repleta de hits esquecidos dos anos 80 `as cenas de ação e de dramaticidade. Sim, tem drama nesse filme, aliás, muito drama. No fundo, o tema "familia" aparece em todos os núcleos de personagens. E' impressionante como James Gunn criou uma ciranda de discussões acerca de parentes ( pais, filhos, irmãos) que emociona o espectador, principalmente na cena final. Eu amo personagens bidimensionais, que mostram humanidade, e aqui no filme, está repleto deles. Não há muito o que falar do filme, pois todo mundo já o disse: elenco foda, direção foda, trilha foda, cenas de ação foda...e sim, a estética anos 80., desde os letreiros iniciais, homenageando todas aquelas series e filmes B de uma época onde a gente era realmente feliz. Participações especiais de Sylvester Stallone, Michelle Yeoh, entre outros. Mas a grande cereja do bolo, além de Kurt Russel, é a presença de Michael Rooker, um ator excepcional, que quase sempre fez escada para todo mundo, e na maioria das vezes no papel do vilão, fazendo um personagem digno, emocionante. Antológico.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Quando estou amando

"Quand j'étais chanteur", de Xavier Giannoli (2006) Drama dirigido pelo mesmo Cineasta de "Marguerite", versão francesa de "Florence:Quem é essa mulher?", Xavier Giannoli. "Quando estou amando" conseguiu o grande feito de ter sido selecionado para a Competição Oficial em Cannes 2006. E' um filme simples, sobre personagens simples, mas que fala ao coração. O filme não levou nenhum prêmio em Cannes, apesar da soberba atuação de Gerard Depardieu, mas levou o de melhor Trilha sonora no Cesar. A historia não poderia ser mais corriqueira em um romance melancólico: Um homem de meia idade e decadente canta em Bailes para terceira idade em Clermont Ferrand. em um desses bailes, Alain Moreau (Depardieu) conhece Marion (Cecile de France), uma corretora de imóveis que trabalha para Bruno (Mathieu Amalric). Os dois passam uma noite juntos, apesar da grande diferença de idade. No dia seguinte, Marion vai embora ao acordar. Alain está apaixonado, mas Marion não quer nada com ele. Para se aproximar dela, Alain diz que quer comprar um apartamento novo. Marion aos poucos vai cedendo aos encantos desse homem tão diferente de tudo o que ela queria. A grande forca desse filme, alem do trabalho dos 2 atores principais, é o charme vintage dos bailes de terceira idade, com músicas extremamente românticas, fora de moda ( algo meio Manolo Otero). Os diálogos são bons e no geral, fala sobre a solidão de personagens sem muita esperança em um futuro melhor. Nesse encontro de corações vazios, o filme explora bem a melancolia. Para ser melhor, o filme tinha que ter meia hora a menos. Um filme desses ter quase 2 horas, é demais. Ficou cansativo e o ritmo é bastante arrastado.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Joaquim

"Joaquim", de Marcelo Gomes (2017) Todo mundo sabe que "Joaquim" foi o filme brasileiro que competiu no Festival de Berlin 2017. Todo mundo também sabe que o filme narra a trajetória de Joaquim José da Silva Xavier, dentista e alferes, a serviço do Governo de Portugal, tudo antes de ter se rebelado e se unido aos Inconfidentes em Minas Gerais. A história acontece no final do Sec XVIII, e já começa com a narração de José da Silva Xavier, Tiradentes, morto, dizendo que ele foi o único sacrificado, decapitado e esquartejado do grupo. Com esse grande lamento, e o peso de ter se tornado mártir, o filme começa. Mostra um homem comum, que é amante de uma escrava, cobiça o ouro dos garimpos e de certa forma, mau caráter. Mas tudo muda quando ele é sequestrado por escravos fugitivos de um quilombo e toma a dimensão da importância do engajamento contra a corrupção e a ladroagem. Não, o filme não se passa em pleno Sex XXI. Como falei, acontece no fim do Sec XVIII. Mas é justamente essa a proposta de Marcelo Gomes. Mostrar que o Brasil continua o mesmo, e é preciso que as minorias (negras, indígenas, o povo) se rebelem contra o sistemas corrupto que se instalou no Pais. Dando voz e corpo a Tiradentes, Julio Machado tem uma performance monstruosa, visceral. O roteiro tem um vocabulário adaptado aos dias de hoje, para não provocar estranhamento no espectador. Caralho, filho da puta, todos os palavrões modernos são ditos ad infinitum pelos personagens. A fotografia de Pierre de Kerchove é linda, valorizando as paisagens deslumbrantes. O único senão é o ritmo extremamente lento do filme, que dificulta um melhor acompanhamento da história.

O Silêncio

"Sokout", de Mohsen Makhmalbaf (1998) Dirigido e escrito pelo famoso Cineasta iraniano Mohsen Makhmalbaf, o filme foi rodado durante o seu exílio politico fora do Irã, no Tadjiquistão. Nesse exótico Pais, que faz limite com China, Afeganistão e Uzbequistão, as convenções sociais da mulher são menos rigorosas que no Irã, e as roupas são muito coloridas. "O Silencio" foi concebido por Makhmalbaf através de lembranças de sua infância, quando ele morava com sua avó. Ela o proibia de escutar musicas na rua, e pedia para que ele colocasse os dedos nos ouvidos para não ser tentado pela beleza da música, que segundo a avó dele, era o caminho para o inferno. Com essa premissa, ele criou a história de Khorshid, um menino de 10 anos, cego, mas apaixonado pela música. Ele aprimorou a sua audição e por isso, trabalha em uma loja que afina instrumentos musicais. O proprietário da casa onde Khorshid mora com sua mas está querendo expulsá-los caso eles não paguem o aluguel em 5 dias ( o pai de Khorshid foi para a Russia e nunca mais voltou). A mãe de Khorshid pede para que o filho consiga dinheiro através do seu trabalho. No entanto, todos os dias, Khorshid chega atrasado no trabalho, pois ele acaba se distraindo com o som vindo de um instrumento tocado por um músico na rua, o que acaba provocando a sua demissão. Com imagens extremamente poéticas e belas, "O Silencio" é uma obra-prima, com um extraordinário trabalho de edição de som. Makhmalbaph dirige seus não-atores de forma naturalista, prática comum em filmes iranianos, onde boa parte dos atores não expressa emoção alguma nas falas. Os enquadramentos estilizados e publicitários suscitaram vaias quando exibido em Veneza ( de onde saiu com 3 prêmios). Makhmalbaph foi acusado de se vender a uma estética em prol de conteúdo. Um absurdo essa acusação, e passados quase 20 anos da realização do filme, ele continua poderoso em suas imagens e registro sonoro. Obrigatório para estudantes de cinema. O pequeno Tahmineh Normatova, que interpreta Korshid, e Nadereh Abdelahyeva, no papel de sua amiga Nadareh, tem uma beleza incomum e são extremamente carismáticos. A cena de Nadareh usando pétalas de flores para criar unhas coloridas em suas mãos é um primor.

domingo, 23 de abril de 2017

Uma noite

"One night", de Minhal Baig (2016) Dirigido e escrito pela cineasta Minhal Baig, "Uma noite" é um drama romântico independente totalmente rodado em Los Angeles, e se passa todo em uma noite. Dois casais, um Pós adolescente e outro na faixa dos 30, procuram se reconectar/conectar diante da dificuldade de lidar com a verdade do relacionamento. Os diálogos são ótimos e recomendo aos atores que querem fazer cenas de casais que peguem trechos do filme. Não tem nada de novelesco nem falam de aborto ou gravidez, aquelas chatices que todo ator usa em vídeobook. O filme é uma espécie de homenagem a trilogia de Richard Linklater, "Antes do entardecer", com uma proposta maravilhosa: imaginem se Jesse e Celine pudessem se ver no outro casal mais jovem, e pudessem rever tudo o que fizeram de errado para poder seguir sua vida baseada apenas na compreensão e na felicidade? Melancólico, lírico, tem bela atuação dos quatro atores desconhecidos. Um pequeno belo filme, que eleva nossa alma e na crença no ser humano. Direção sensível de Minhal Baig.

sábado, 22 de abril de 2017

Evolução

"Evolution",de Lucile Hadzihalilovic (2015) Curiosa fábula de ficção cientifica, muito semelhante ao filme fantástico de Gore Verbisnky, " A cura". Cm visual estonteante, todo ambientado em uma Ilha mágica, o filme, dirigido e escrito por Lucile Hadzihalilovic, foi livremente inspirado em "A ilha de Dr Moureau", obra clássica da literatura de horror, que tem como tema, experiências genéticas com a finalidade de criar figuras mutantes. Nessa ilha, habitam apenas mulheres adultas e meninos na faixa dos 10 anos de idade. Nicolas, durante um mergulho, cisma que viu um menino de sua idade afogado. Ao reportar `a sua mãe, encontra nela indiferença, achando que foi uma alucinação dele. Ao tentar descobrir a verdade, Nicolas se revela uma ameaça para a paz do local, e é levado até um hospital. Lá, ele encontra outro meninos como ele, e entende que eles fazem parte de experiências genéticas que envolve as estranhas mulheres do lugar. Vencedor de mais de 5 prêmios em Festivais de Cinema Fantástico, o filme surpreende pelo visual, fotografia e o trabalho dos meninos, além da caracterização assustadora das mulheres, e belas imagens subaquáticas. A narrativa, em ritmo lento, seduz, mas não é um filme fácil para o grande público, mesmo porque a sua historia é bem complexa. Confesso que fiquei um pouco perdido no final. Curiosidade: Lucile Hadzihalilovic vem a ser esposa do Cineasta Gaspar Noe, de "Love" e " Irreversível".

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Vida

"Life", de Daniel Espinosa (2017) Os roteiristas mesclaram "Alien" e "Gravidade" e criaram esse híbrido chamado "Vida", um péssimo título que não vende o potencial do filme. Escalando ótimos atores como Jake Gylenhaal e Ryan Gosling, o cineasta sueco Daniel Spinosa não soube aproveitar o talento deles. Podia ser qualquer ator ali no papel dos dois que não faria a mínima diferença, eles estão totalmente no automático, o que é uma pena. Eu queria muito ter gostado do filme, mas o roteiro não ajuda, fazendo com que todos os personagens tomem atitudes ridículas quando em perigo. Rebecca Ferguson, atriz sueca que começou com filmes autorais e foi adentrando o universo dos blockbusters, também tenta imprimir a personalidade da Tenente Ripley de Sigourney Weaver na sua personagem, infelizmente sem sucesso. Resta abstrair a lógica e curtir os efeitos especiais e um final a la Shayamalan. Todo mundo diz que esse filme seria um prequel do vilão "Venom" da Marvel, antagonista do Homem Aranha. Será?

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Sam esteve aqui

"Sam was here", de Christopher Deroo (2016) Co- produção França/Estados Unidos, "Sam esteve aqui" é um thriller psicológico de horror. Imaginem uma mistura de David Lynch e Wes Craven? Pois foi essa a sensação que eu tive ao assistir ao filme. Muita bizarrice, surrealismo mesclado a uma trama muito comum nos anos 70, a de filmes de quadrilha de sádicos. Sam é um vendedor que percorre a região do Deserto de Mojave, na California, para bater de porta em porta e vender seus produtos. Para a sua surpresa, não tem ninguém em nenhuma das casas. Sam liga para sua casa e sua esposa e filha não atendem. De repente, ele avista no horizonte uma estranha luz avermelhada. A partir daí, fatos estranhos acontecem: Pessoas mascaradas surgem querendo matá-lo, enquanto um radialista o acusa de seu um serial killer que mata crianças da região. Eu poderia citar 2 filmes clássicos dos anos 70 que provavelmente foram usados como referencia para esse filme: " O homem de palha" e "Encurralado". Sao filmes de um anti-herói, que não entende o que está acontecendo. O problema, é que nem o espectador entende. O diretor e roteirista Christopher Deroo deixou todas as pistas para uma possível resolução em aberto. O espectador que entenda o que quiser. Por conta disso, o filme torna-se muito insatisfatório. Nada contra finais em aberto, mas aqui, deixou-se muito a desejar. O filme tem uma atmosfera anos 80, com a clássica trilha repleta de sintetizadores. O ator Rusty Joiner faz o que pode no papel principal, e até faz bem, levando-se em consideração que ele passa praticamente o filme todo sozinho.

Peles

"Pieles", de Eduardo Casanova (2016) O jovem cineasta Eduardo Casanova, mal comparando, é o Xavier Dolan espanhol. Começou cedo na direção, é ator, escreve seus roteiros e realiza filmes totalmente estilizados, com estética publicitária e super pop, e utilizando em sua trilha sonora clássicos vintage. A diferença? Ele usa o universo do grotesco e dos filmes B, além da referencias Lgbts, em seus filmes. "Peles" é uma versão para longa do sue premiado e controverso curta "Eat my shit", sobre uma jovem que nasceu com os orifícios do anus e da boca invertidos. Em "Peles", ele recupera a mesma personagem, mas além dela, ele reúne mais uns 6 personagens de pessoas deformadas e que tentam dar vazão aos fetiches Sexuais provocados por outras pessoas. O centro da historia é um bordel, onde uma menina, Laura, que nasceu sem olhos, é a grande atração para os clientes. Além dela, temos uma anã, um rapaz que quer serrar suas pernas porque acredita ser uma sereia, um casal de rosto deformado e por ai vai. O filme só poderá ser assistido por pessoas com mente aberta, caso contrario, será um escândalo atrás do outro. Pedofilia, fetiches sexuais, escatologia, coprofagia...o cineasta Eduardo Casanova não economizou em cenas de sexo, nudez , obtendo de seu elenco o máximo de realismo em momentos de visceralidade. Sim, o filme tem o propósito de chocar, e por conta disso, acaba perdendo muito de seu foco, que e' apresentar um universo que o diretor Todd Browning havia trazido na sua obra-prima "Freaks". Casanova expõe pessoas com problemas físico como se fossem objetos de escárnio publico. Entre atores maquiados com próteses e anões e gordos de verdade, fica a duvida sobre o que ele realmente quiz falar em seu filme e para quem. Mas como sou um cinéfilo que ama filmes bizarros, gostei bastante. Excelentes fotografia, Direção de arte e trilha sonora.

Eat my shit

"Eat my shit", de Eduardo Casanova (2015) Aos 24 anos, o cineasta espanhol Eduardo Casanova realizou um dos curtas mais ousados que assisti na vida. A breve história (o curta tem 3 minutos) narra o bizarro drama de Samantha, uma jovem que nasceu com uma terrível condição física: os orifícios do anus e da boca foram invertidos quando ela nasceu. Ela come pelo anus, e dejeta pela boca. Quando Samantha resolve postar uma foto de seu rosto no Instagram, e vetado pela politica de censura do mesmo. Samantha resolve almoçar em uma lanchonete, e a garçonete desdenha de seu rosto. Samantha resolve se vingar. Inventivo, original, mas também grotesco e tosco, "Eat my shit" não é para qualquer espectador. Me lembrei muito do brasileiro Edgar Navarro, que realizou um curta chamado "O rei do cagaço", clássico do cinema marginal, onde o próprio surge defecando. "Eat my shit" recentemente originou um longa, dirigido pelo mesmo Casanova, intitulado "Peles". https://vimeo.com/136592330

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Os intrusos

"Os intrusos", de Joao Gabriel Villar (2016) Que maravilha que é esse curta, exibido na Mostra de Tiradentes. Provavelmente inspirado no cult de Xavier Dolan, "Amores imaginários", narra uma relação entre 3 adolescentes: 2 rapazes e uma menina, em sintonia que vai além de pudores e gêneros. Naomi Nero, protagonista de "Mae só há uma", de Ana Muyalaert, circula em cena totalmente nu, em closes nos genitais, e esse despudor merece grande aplauso. Bela fotografia, deliciosa trilha sonora, uma narrativa fluida, gostosa, sem apelações, e livre, como todo filme deve ser.

domingo, 16 de abril de 2017

Melhores amigos

"Little men", de Ira Sachs (2016) O Cineasta americano Ira Sachs tem se destacado na cena indie com filmes que chamam a atenção pelo excelente trabalho de direção de atores e também pelos roteiros comoventes, humanos, que insistir em falar sobre relacionamentos verdadeiros em um mundo cada vez mais tecnológico e egocêntrico. E' dele o filme "O amor é estranho", com John Lighthow e Alfred Molina interpretando um casal gay casados há décadas. O que mais me chamou atenção aqui no filme, é o trabalho brilhante de todo o elenco: Greg Kinnear, os garotos Theo Taplitz e Michael Barbieri e principalmente, essa grande atriz chilena Paulina Garcia, vencedora do Urso de Ouro em Berlin por "Gloria", o extraordinário tour de force dirigido por Sebastian Lelio. "Melhores amigos" é um drama triste. Brian (Kinnear), um ator de teatro independente, se muda com esposa e filho para a casa herdada pelo seu pai no bairro do Brooklyn. Em principio arredio, seu filho Jake aceita morar nesse novo lugar muito por conta da amizade que ele cria com Tony, filho de Leonor, costureira que aluga o andar de baixo da casa do pai de Brian. Com o dinheiro apertado, Brian decide aumentar o aluguel da loja. Impossibilitada de pagar, os adolescentes entram numa espécie de greve, decidindo não mais falar com os seus pais, como uma forma de protesto. O mais interessante no filme, é discutir o papel da arte e do trabalho do ator. Os dois adolescentes desejam se tornar atores, e fazem ensaios em uma escola de artes dramáticas. As cenas de ensaio e exercícios são primorosas, comandadas por Mauricio Bustamente, que na vida real é ator e dá aula na Actor's Studio. A cena de Jake exercitando o método de Meisner com Mauricio é uma obra-prima. Todo Ator deveria ver para entender o que é e o que significa esse método da repetição. O filme foi co-produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira, da RT filmes, que também produziu, entre outros, "Frances Ha".

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Meu nome é Ray

"Three generations", de Gaby Delall (2016) Impressionante a quantidade de filmes que hoje em dia, são produzidos se aproveitando da temática do gênero, assunto mais do que na ordem do dia. Impossível abrir um jornal e um site e não se deparar com discussões acerca da homofobia, cultura trans, jovens em busca de sua sexualidade. "Meu nome é Ray" faz parte dessa leva de filmes. Independente até a medula, a cineasta e roteirista Gaby Delall narra o drama de Ramona (Ellen Fanning), uma jovem de 16 anos que quer se declarar como Ray. Ela diz para sua estupefata mãe (Naomi Watts) e avó lésbica (Susan Sarandon) que nasceu em um corpo errado, e que deseja tomar hormônios para se tornar um homem. Para piorar a situação de sua confusa mãe, ela ainda precisa da autorização por escrito do pai de Ramona, que abandonou a família antes dela nascer, que ela nem sabe aonde se encontra. Uma mistura de "Minhas mães e meu pai" e " Tudo sobre minha mãe", esse drama melancólico se apoia totalmente em cima do talento do trio de atrizes , as tais "3 gerações" do titulo original. O filme com certeza não é o melhor do trabalho delas, mas o fato de ve-las trabalhando juntas confere dignidade ao projeto, que se não enche os olhos, pelo menos serve como pano de fundo para discussões acerca da responsabilidade dos pais em relação a independência de seus filhos. O ritmo do filme é bastante lento, e ele nem sequer chega a comover, como naqueles "feel good movies". Gaby Delall evitou o sentimentalismo, e talvez por conta disso o filme pareça tão frio. Uma pena, tinha um grande potencial para um publico mais amplo, mas pelo visto, ficou restrito a uma parte bem pequena de audiência.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Gostosas, lindas e sexies

"Gostosas, lindas e sexies", de Ernani Nunes. Não fossem as referencias de sexo e os palavrões, "Gostosas, lindas e sexies" poderia perfeitamente ser exibido no Sessão da tarde como uma Comédia romântica daquelas onde as meninas suspiram por seu príncipe encantado. Afinal, o principal ingrediente está ali: Cinderelas em busca de seu par perfeito, sonhando dormindo ou acordadas, mas sempre acesas para a presença de qualquer ser humano do sexo masculino: garçons, motoristas, fotógrafos, atores, maridos, ex-maridos, a metralhadora libidinosa aponta para todos os lados. Pudera: o roteiro não esconde a sua principal e grande referencia: o seriado americano mais famoso das últimas décadas, e responsável por mudança no habito de muitas mulheres: "Sex and the city". Beatriz, Tania, Ivone e Marilu, encarnam cada uma delas, a persona de Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda: tem a fogosa, a romântica, a sedutora, a sonhadora. Para dar vida a essas meninas emponderadas e donas de si, foram escaladas Mariana Xavier, Cacau Protasio, Lyv Sieze e Carolinie Figueiredo. Em maior ou menor grau, o talento das meninas desponta para cenas românticas, safadas ou malucas. Sao muitos os sub-plots, mas invariavelmente fala sobre os dilemas da mulher moderna: criou-se independência financeira e profissional, mas ao custo de isolamento e distanciamento nas relações. Elas choram, elas se deprimem, elas vão `as festas chorar mágoas, elas enchem a cara, elas se divertem, elas namoram e elas traem. O roteiro se baseia nessas premissas. Para quem quer um filme que fala sobre ter auto-estima sendo fora do padrão de beleza inflingido pela mídia ( no caso, 4 meninas "gordinhas") vai se identificar bastante. Afinal, desaforos não são trazidos para casa. Faltou ao roteiro situações mais divertidas e inteligentes que tratassem do tema da obesidade sem cair nos chavões do bullying de tipos vilanescos que agridem sem qualquer tipo de constrangimento. Mas isso talvez fique para a continuação. O que vale aqui, é se deixar levar pelo carisma das meninas e sucumbir a um passatempo simpático e sem pretensões. O que já está bom demais. O elenco de apoio conta com um elenco enorme: Marcia Cabrita, Marcos Pasquim, Paulo Silvino, Sabrina Korgut, André Bankoff, Eliane Giardini, Rita Batata, entre outros.

1:54

"1:54", de Yan England (2016) Em tempos de bullying juvenil e do mega sucesso do seriado da Netflix "13 reasons why", a França com com um belo drama sobre o mesmo tema: o bullying nas escolas, e a falta de visão dos pais, educadores, amigos para evitar grandes tragédias que culminam em suicídio. O filme é protagonizado por Antoine-Olivier Pilon, o astro de "Mommie", o excelente filme de Xavier Dolan. Em um registro totalmente diferente e mais discreto, ele interpreta Tim, o melhor amigo de Francis. Quando Francis tem sua homossexualidade revelada pelos outros alunos, Tim se afasta ( Tim é gay reprimido e não saiu do armário) de Francis, o que acaba culminando no suicídio desse. Sentindo-se culpado e abalado, Tim passa a ser agredido pelos mesmos agressores, que o acusam de também ser gay. Na verdade, o agressor, Jeff, deseja competir nos jogos olímpicos estudantis, e Tim é um forte concorrente. Tim tenta ser forte, mas acaba que a vingança falará mais alto. Interessante como os roteiristas veem na vingança a única forma de solucionar a questão do bulying. Todo mundo sabe que ela acontece nas escolas, mas ninguém faz nada, nadinha. Com certeza não é a melhor das soluções para ninguém, mas como é um filme de ficção e ai, os roteiristas partem para grandes reviravoltas, acaba se tornando um elemento de clímax e suspense. Um pouco que corrobora com aquela visão de que todos que sofrem rejeição, se tornam pequenos psicopatas. Polemico ou não, a performance do elenco é um ponto forte nesse filme, além da bela rilha sonora. Yan England soube trabalhar bem o seu elenco, e conduzir com boa dinâmica o ritmo do filme. O final me pareceu bastante abrupto, e confesso, merecia algo mais instigante. Curiosamente, anos atrás teve um filme australiano também sobre bullying nas escolas chamado "2:37". Lá, era a hora do suicídio da menina. Aqui, é o tempo que os corredores pretendem para quebrar o record de corrida na pista.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Simples mortais

"Simples mortais", de Mauro Giuntini (2011) Drama brasiliense, vencedor de 2 prêmios no Cine PE em 2008: melhor ator (Chico Santanna) e melhor ator coadjuvante, para Eduardo Moraes, que interpretam pai e filho. Dividido em 3 episódios que se entrelaçam, apesar da independência de cada um, o filme apresenta personagens desiludidos, frustrados e sem perspectiva, que moram no mesmo prédio em Brasilia, uma metáfora da solidão e do "deserto humano". Amadeu (Chico Santanna) é um funcionário público que abandonou seu sonho de ser músico e ser um burocrata. Por conta disso, ele não consegue administrar o sonho de seu filho de querer ser músico. Uma ancora de um telejornal quer engravidar, e por conta disso, ela controle obsessivamente a vida pessoal, profissional e sexual do seu parceiro, um ator teatral. Leonardo Medeiros interpreta Jonas, um poeta e escritor que dá aula em uma faculdade e se relaciona com uma aluna. Casado, ele não mantém relações com sua esposa,a preferindo o sexo virtual e programas com travestis e prostitutas. Numa metrópole onde todos buscam o inferno e a decadência moral, não existe espaço para o amor. Nesse mundo tão frio e pessimista, Mauro Giuntini e Di Moretti parecem querer dizer que o ser humano não deu certo. Para quem estiver a fim de ver um filme depressivo e não se incomoda com isso, pode até achar o filme interessante, apesar de lhe faltar ritmo e histórias mais instigantes. No final das contas, o filme ficou famoso por uma cena escatológica de Amadeu defecando uma chave que ele engoliu e enfia a mão na privada para pegá-la. Pelo menos essa e a lembrança de quase todas as pessoas que viram o filme.

"87"

"Ochentaisiete", de Daniel Andrade, Anahí Hoeneisen (2015) Escrito e dirigido pela dupla de cineastas Daniel Andrade e Anahí Hoeneisen, "87" é um comovente drama sobre culpa, perda e amizade, ambientada no Equador de 1987 e nos dias atuais. Um raro filme vindo desse País, em co-produção com a Argentina, "87" lembra bastante em seu tema e no tom melancólico, o clássico "Conta comigo", aqui devidamente adaptado para um contexto de ditadura militar existente no Equador dos anos 80. Andres, Juan e Pablo são adolescentes e melhores amigos no ano de 87. Cada um com um drama familiar pessoal, eles são unha e carne. Um dia, Carolina, uma jovem adolescente rebelde, cria laços de amizade com eles, mas sua presença estabelece conflitos no grupo. Corta para os dias de hoje. Pablo (Michel Noher), retorna da Argentina para Quito, a convite de seu amigo Andres. Esse retorno vem repleto de remorsos e culpa. O filme vai em flashbacks para entendermos o que aconteceu em uma certa noite do ano de 1987. Com uma linda atuação dos jovens, e boa performance dos adultos, o filme vem sempre em tom de melancolia e o famoso "coming of age", aquele termo americano que fala sobre filmes onde os adolescentes crescem mediante traumas em sua vida. Boa direção, fotografia e trilha sonora nostálgica. Recomendado.

The void

"The void", de Jeremy Gillespie e Steven Kostanski (2016) Um filme que já nasceu cult, "The void" é uma produção canadense de terror, que pegou carona na onda nostálgica da serie "Stranger things" e reavivou verdadeiros clássicos dos anos 80, embalados para presentear os fãs do gênero em um filme totalmente insano. Já pensaram em David Lynch filmando um longa de terror? Pois essa foi a sensação ao assistir a essa colcha de retalhos que homenageia de uma só vez, "Alien", " O enigma de outro mundo", "Hellraiser", "Do além", "Fantasma" (Noite macabra), "A noite dos mortos vivos". A gente nunca sabe aonde a história bizarra vai se encaminhar. E' muita loucura, e das boas. Em uma estrada do interior dos Estados Unidos, um policial, Daniel, encontra um homem ensanguentado. Ele o leva até a um hospital decadente, aonde sua ex-esposa trabalha. Lá, um médico e sua equipe atende alguns pacientes. Súbito, uma das enfermeiras sofre um surto e se transforma em um monstro. Depois, uma quadrilha de encapuzados armados faz uma barricada no hospital. Impedidos de sair, os reféns são obrigados a enfrentar assassinos e monstros que querem matar a todos eles. Os efeitos do filme são totalmente oitentistas, sem computação gráfica. Muito sangue, gosma, personagens alucinados, e para os fãs do terror antigos, vai ser uma verdadeira catarse assistir ao filme. Me diverti bastante, e mesmo com alguns problemas de roteiro, o filme vale super a pena. Elenco sensacional, totalmente dentro dos estereótipos dos personagens.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Nojoon, 10 anos e divorciada

"Ana Nojoom bent alasherah wamotalagah", de Kadhija Al Salami (2016) Drama escrito e dirigido pela cineasta Kadhija Al Salami, baseado no livro escrito por Nujood Ali. No Iêmen, é hábito dos aldeões casarem suas filhas menores de idade em troca de favores ou dinheiro. Nojoon é uma dessas meninas. Aos 10 anos, ela é vendida para um aldeão analfabeto e Brito que a estoura e maltrata. O pai de Nojoon ignora seu pedido de ajuda e a mãe Dela igualmente, pois aceita o destino imposto as mulheres na sociedade machista em que vivem. Nojoon resolve fugir e procurar o tribunal. Ao se confrontar com um juiz, ela pede o divórcio. Uma história tão trágica e cruel só poderia ter chamado a atenção de Sundance e de vários festivais que o premiaram. A própria cineasta foi vendida aos 11 anos de idade e portanto, ela sabe com propriedade do tema que tem em mãos. Para quem assistir ao filme, deve procurar abstrair os defeitos técnicos da producao( fotografia, edição, atores amadores, roteiro, etc) e se ater ao conteúdo contundente. O olhar da cineasta é naturalista é totalmente documental. Não é um filme perfeito, mas vale ser visto e discutido. A pequena Reham Nohammed dá conta do difícil papel de Nojoon, ainda mais sabendo que ela não tinha nenhuma experiência prévia de atuação. A metáfora da boneca é bastante ingênua, mas com certeza atingirá uma parcela grande da plateia com a sua simplicidade narrativa.

A Família Dionti

"A família Dionti", de Alan Minas (2015) Escrito e dirigido por Alan Minas, estreando em longas, esse romance juvenil com tintas fabulescas passeia pelo universo do realismo fantástico, como se Gabriel Garcia Marques tivesse aportado na cidade mineira de Muriaé. eu chamei esse filme de "Michel Gondry mineirim" ao final da projeção, pois foi exatamente essa a sensação que tive. Corajoso, ainda mais em se tratando de um filme onde os efeitos visuais são importantíssimos ( e dentro de uma produção de baixo orçamento), " A família Dionti" pode sensibilizar espectadores nostálgicos, que buscam a sua infância perdida nos filmes. Se vai fazer sucesso junto do publico infantil, isso é uma grande questão. Assim como o Frances "O pequeno Nicolau", o filme fala melhor aos adultos, que cresceram assistindo a filmes de Mazzaropi, Os trapalhões, ao clássico "A dança dos bonecos" de Helvecio Ratton e as aventuras do Menino Maluquinho. Com muita imaginação, mas sem que os personagens se utilizem de tecnologia, o filme faz acreditar que basta sonhar que seremos mais felizes, podendo fazer o lado negro da vida menos triste. A família Dionti ( de ontem, e daí vem o caráter nostálgico da trama, apesar do filme se passar nos dias de hoje) é formado por pai e 2 filhos. Um de 15, e outro de 13 anos. A mãe, dizem, se "evaporou". Um dia, uma menina surge na escola: ela é filha de uma família de circo. A presença dela faz o menino de 13 anos se apaixonar, e portanto, vai literalmente " se derretendo". A direção de Alan Minas aposta na simplicidade, mesmo nos efeitos, para deixar tudo com um tom de infância, sem grande epopéia tecnológica. O ritmo do filme é lento, e os planos bem longos, comprometendo a dinâmica, o que pode afastar a criançada e tornando o filme com um olhar mais autoral. O filme teria ganho bem mais se tivesse apostado mais no lúdico e no fantástico desde o inicio, o que demora a acontecer na trama. Mas alguns momentos são de verdade bem poéticos e bonitos, como por ex, a menina narrando os personagens bizarros de sua família circense. Ao final do filme, fiquei pensando: cade o circo que nunca aparece? Prefiro pensar que era tudo imaginação. O filme ganhou o Premio de melhor filme do juri popular no Festival de Brasilia em 2015.

domingo, 9 de abril de 2017

Código de família

"Trespass against us", de Adam Smith (2016) Longa de estréia do inglês Adam Smith, é um drama sobre uma família de criminosos, liderados por um pai possessivo e cruel, Colby (Brendan Gleeson). Morando em trailers abandonados na periferia de uma área rural da Inglaterra, essa família irlandesa vive de roubos. Entre os filhos, está Chad (Michael Fassbender), casado e pai de 2 filhos pequenos. Chad, diferente dos outros familiares, se preocupa com o futuro de seus filhos e pensa em largar a vida bandida, mas a pressão de seu pai em querer que eles continuem roubando se torna um grande conflito para ele. Filmes com temas sobre famílias bandidas e bem comum, e sempre tem um integrante que quer se redimir. Aqui não é diferente. Por isso mesmo, o roteiro do filme não oferece grandes atrativos. Alternando entre drama familiar e filme de ação ( através das ações de roubo e perseguição policial, aliás bem filmadas, mas mostrando os policiais como despreparados), "Código de família" acaba valendo a pena ser visto apenas pelo bom trabalho do trio de atores principais: Além de Fassbender e Gleeson, a excelente Lyndsey Marshal no papel da esposa de Chad. Uma pena que o filme não tenha fôlego o suficiente para sustentar a atenção do espectador durante toda a duração, tornado-se repetitivo antes mesmo de chegar em sua metade. Atenção para a excelente fotografia, um dos pontos altos do filme, a cargo de "Enterrado vivo" e " O direito de amar".

Os girassóis da Russia

"I girasoli", de Vittorio de Sica (1970) Clássico romântico de um dos maiores nomes do cinema italiano, um dos precursores do neo-realismo e autor de obras-primas como "Ladroes de bicicleta", "Umberto D", " O jardim dos Finzi-Contini" entre outros. Desde criança eu sempre havia ouvido falar de "Os girassóis da Russia", e sabia que havia sido um enorme sucesso comercial. Mas nunca tive a oportunidade de assistir. A primeira impressão que tive era em relação a grandiosidade desse filme. Um épico romântico, no nível de " Dr Jivago" e outros clássicos de David Lean. Como era comum na época, essas historias de amor terminavam sempre com final triste e melancólico, para desespero dos espectadores. Não foi diferente com essa terceira parceria do trio de Sica/Sophia Loren e Marcello Mastroianni, com quem o cineasta havia trabalhado antes nas com´dias " Matrimonio `a italiana" e " Ontem, hoje e amanha". "Os girassóis da Russia" foi um filme que marcou toda uma geração, muito por conta da historia de amor impossível, da trilha sonora inesquecível de Henry Mancini, da fotografia de Giuseppe Rotundo e das magnificas locações na Russia. Esse foi o primeiro filme ocidental rodado em terras soviéticas, tendo tido apoio da estatal Moscow Films. Sophia interpreta Giovana, uma italiana bela que se apaixona por um soldado, Antonio (Mastroianni). Eles tem 12 dias juntos, pois Antonio terá que voltar aos campos russos para a batalha. Eles se casam, e para evitar que ele volte `a batalha, Antonio simula estar louco e é internado em uma clinica psiquiátrica. Porém, ao visitá-lo, Giovana não resiste e ambos namoram. Descoberta a farsa, ele é enviado para a Russia. Anos se passam, e terminada a guerra, Giovana não recebe noticias de Antonio. Dado como morto pelas autoridades, mesmo sem a presença de um corpo, Giovana não acredita na hipótese da morte do amado e decide ir até a Russia para procurá-lo. O recente filme de Jean Pierre Jeunet, "Eterno amor", tem um tema semelhante, com Audrey Tautou tentando encontrar o seu amado nas ruínas da 2a guerra mundial. No filme de de Sica, ele não economiza no melodrama, e por isso mesmo, o filme foi mal recebido pela crítica, apesar do grande sucesso de público. Os filmes italianos da época tinham forte teor politico e social, e quando de Sica veio com um novelão, foi massacrado. Visto hoje em dia, é inegável que o filme está datado, porém vale ser visto para relembrar um tempo onde os filmes eram grandiosos para contar uma história simples, no caso até inverossímil, mas talvez por isso mesmo, emocionante. Assistir a Sophia Loren e Marcello Mastroianni em cena é um presente para qualquer cinéfilo. A câmera é totalmente apaixonado pelos dois, como eles crescem na tela! A atruz russa Lyudmila Saveleva no papel de Mascia, também é magnifica, e imprime apenas com o seu olhar, a sua tragédia pessoal. E de Sica filma tudo com extrema elegância. Um Mestre! A imagem dos campos floridos de girassóis é antológica, ainda mais com a informação de que cada flor representa um soldado morto e enterrado no campo.

Blow up- Depois daquele beijo

"Blow up", de Michelangelo Antonioni (1966) Existem filmes que a cada revisão, se tornam cada vez mais instigantes. Nos dias atuais, de politicamente correto, fico imaginando se um personagem como Thomas sobreviveria: ele é manipulador, pratica bullying nas modelos como se elas fossem mero objetos de prazer e de escárnio. "Blow up" é um filme que é cercado de tantos simbolismos, que parecem co-existir nele pelo menos 3 filmes diferentes. O filme teve uma influencia tão grande nos Cineastas que o assistiram, que Brian de Palma e Francis Ford Coppola o homenagearam em " Blow out" e "A conversação", respectivamente. Lançado em 1966, e vencedor de vários prêmios Internacionais, entre eles, a Palma de Ouro em Cannes em 1967, "Blow up" pode ser visto como um filme que fala sobre as aparências, aquilo que vemos, o que achamos que vemos e o que poderia ter sido visto. Thomas (David Hemmings) é um fotógrafo de moda famoso e requisitado pela modelos. Jovem, ele também é manipulador e abusa moral e sexualmente de suas modelos. Para sair de sua rotina, ele se faz passar durante a noite como um operário em uma fabrica para poder fotografar os empregados, com a finalidade de publicar um livro estilo "Sebastião Salgado", em preto e branco.Um dia, ao passear em um parque com a sua câmera apenas para espairecer, ele vê um casal namorando e resolve fotografa-los. Ao ser vista, a mulher (Vanessa Redgrave) obriga Thomas a lhe entregar o filme, o que ele nega. Mais tarde, ela descobre o seu paradeiro e ele acaba entregando um outro rolo de filme. Ao revelar as fotos, e posteriormente ampliá-las, Thomas acredita ter testemunhado um assassinato. Baseado em um conto do escritor argentino Julio Cortazar, " As babas do diabo", que tem um fotografo morto e vivo que narra em primeira pessoa o que ele viu ao tirar fotos em um parque. Li em uma matéria que o ator que interpreta ' Assassinado", Ronan O'Casey, teria dado uma entrevista aonde ele explica o filme que deixou muita gente instigada pelo seu final em aberto. Segundo ele, Antonioni estourou o orçamento do filme, e por isso, a trama policialesca não se desenvolve. Verdade ou não, o filme que nos foi apresentado por Antonioni tem um dos desfechos mais intrigantes da historia do cinema. Uma trupe de mímicos joga tênis em uma quadra, mas sem bola e sem raquetes! Thomas observa a tudo curioso, até que ele é solicitado a pegar a bola invisível para que o jogo continue. Brincando com o tema da ilusão, Antonioni nos deixa perplexos sobre o protagonista: teria ele de fato visto um assassinato? Ao ampliar as fotos, ele não teria visto cosias demais? Seria ele um esquizofrênico pelo seu comportamento? Ele estaria sob o efeito de drogas? Tirando a trama policial, temos também um filme sobre moda e comportamento. Londres nessa época, era a capital da moda: artistas, escritores, poetas, todos estavam ali, no que se chamou de "Swinging London". Uma capital colorida, vanguarda, onde as drogas, o sexo livre e o rock reinavam em todos os lugares. O hedonismo dava o tom, e tudo era permitido. os mesmos mímicos surgem no inicio do filme dando o ar da provocação e dizendo a todos:"Libertem-se de suas amarras e permitam sonhar". Talvez seja essa a deixa para que Thomas de asas `a sua imaginação fértil. Com uma fotografia magistral de Carlo di Palma e uma trilha de Herbie Hancock, os figurinos e a maquiagem são um registro impecável de uma época. No elenco, além do novato David Hemmings (Sean Connery era a primeira opção, mas deu pra trás porque disse que não havia entendido nada do roteiro), temos Vanessa Redgrave, Sarah Miles , a iniciante Jane Birkin e a super modelo Veruschka. As cenas de sessão fotográficas são antológicas.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Las tetas de mi madre

"Las tetas de mi madre", de Carlos Zapata (2015) Em um bairro pobre de Bogotá, um menino de 12 anos, Martin, trabalha entregando pizzas. Em uma de suas entregas regulares, ele vai até um bordel. Escondido, toda noite ele vai para a cabine de peep show. Martin se surpreende ao ver a sua mãe, Mara, fazendo show erótico para os clientes na cabine. A partir daí, Martin desenvolve uma estranha fixação erótica por sua mãe, um complexo de Édipo obsessivo, o que o faz repelir todos os homens que se aproximam dela. Belo drama colombiano, com tema bastante ousado e cenas fortes envolvendo o ator mirim ( interpretado pelos gêmeos Billy e Santiago Heins). Em uma cena, ele aproveita que sua mãe está dormindo, desnuda o seio dela e mama. Em outras cenas, o menino observa homens se masturbando vendo sua mãe se apresentando. O filme apresenta o verdadeiro mundo cão em Bogotá, e como tal, seria impossível não falar de tráfico de drogas. Essa sub-trama do envolvimento de Martin com um colega traficante da escola acaba tornando o filme mais longo do que deveria ser. De qualquer forma, a trilha sonora, composta por hip hop, o trabalho do elenco e a força da direção de Carlos Zapata, de apenas 29 anos, fazem esse filme valer a pena ser visto e discutido.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Por trás do céu

"Por trás do céu", de Caio Sóh (2016) Nos anos 80 e 90, um cineasta holandês, Jos Sterlling, se transformou em um dos grandes nomes cults internacional. Seus filmes lidavam com o realismo fantástico, o lúdico, personagens ingénuos que observavam a violência do mundo de forma inocente e condescendente. O roteiro tinha poucos diálogos, eram personagens quase silenciosos. Os figurinos eram estilizados, a fotografia saturada, a trilha sonora em tom de melancolia. "O ilusionista" e " O holandês voador" ganharam muitos prêmios, merecidamente. Durante todo o tempo que eu assistia ao filme "Por trás do céu", eu só conseguia pensar nos filmes de Sterling. Me reportei imediatamente aos anos 90, a um tempo aonde o cinema comovia pela estética. Mas os tempos eram outros, e hoje em dia, o politicamente correto varreu o mundo. Não tem como não pensar em um elenco onde são todos brancos morando em uma caatinga que castiga quem mora ali. Sotaques? Vários, e o único legitimo me pareceu ser o do pernambucano Renato Goes. Mas eu não sou ligado no politicamente correto. Mas uma espectadora do meu lado só falava nisso. Que na caatinga não existiam casas assim. Que a pele da atriz estava mais suave do que modelo de comercial. Que a atriz que interpretava a prostituta tinha botox. Tentei ignorar tudo o que era dito e foquei no filme. Na sua beleza, na sua estética, na sua proposta narrativa. O roteiro ficou confuso. Os vai e vens na trama, me desnorteou. O dono da fazenda ficou mal construído, unidimensional, só estava ali para fazer o papel do malvado. Humanismo? hum...faltou. Em algum momento também me lembrei de " Minha vida de cachorro", de Lasse Hallstrom, por conta do desejo da protagonista querer montar um foguete e ir embora daquela vidinha mais ou menos. A melhor cena do filme, de uma beleza impar, ´no final, com o "lançamento" do foguete. poesia pura. A trama: 4 personagens se encontram no deserto da Paraíba, entre sonhos e frustrações de um passado violento. Nathalia Dill, Emilio Orciollo Netto, Paula Burlamaqui e Renato Goes alternam momentos de drama e humor. Mas o que mais se destaca mesmo no filme, é o visual, que em muitas vezes, suplanta a dramaturgia. Renato Góes é uma ótima revelação, lembrando um pouco o tipo de humor do Edmilson Filho, de "O Shaolin do sertão". Trilha sonora sensacional de Plinio Profeta, que traz uma carga magica `a trama.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Capture kill release

"Capture kill release", de Nick McAnulty e Brian Allan Stewart (2016) Filme de terror canadense, vencedor de vários prêmios em Festivais de cinema de gênero. Fazendo uso da linguagem ( ainda??) do found footage, " Capture kill release" frustra pelo roteiro ruim, que usa o mote de "Festim diabólico", de Hitchcock: um jovem casal quer provar que eles são superiores e para isso, resolvem matar pessoas desconhecidas. Munidos de serras elétricas e martelos, eles sequestram e matam estranhos. Mas não se deixem enganar: o filme é ruim, chato, interminável e sem qualquer tensão. Eu nao suporto esses filmes found footage onde os personagens se gravam durante 24 horas por dia, sem razão alguma para isso. As cenas de gore são toscas, e os diálogos, pobres. Os 2 atores protagonistas sao irritantes e não ha qualquer possibilidade de simpatizar com as vitimas. O filme, de longos 96 minutos, teria sido muito melhor aproveitado se os realizadores tivessem feito um curta de 15 minutos. Faltou aquela frieza e a inteligência de um cult realmente assustador, como "Henry, retrato de um serial killer". Aqui, o que vemos são caricatura de serial killers. Passe adiante.

Rules don't apply

"Rules don't apply", de Warren Beatty (2016) Quase 20 anos depois de seu último filme ( "Politicamente incorreto", de 98). Warren Beatty dirige, escreve, produz e protagoniza "Rules don't apply", um romance ambientado na Hollywood dos anos 50, com o magnata e excêntrico Howard Hughes como personagem principal (interpretado por Beatty). O filme foi um grande fracasso, tendo custado 27 milhões de dólares e faturado menos de 4 milhões. O Oscar o ignorou por completo, mesmo como uma ficha técnica excelente (fotografia, direção de arte e figurino de altíssimo nível). O filme narra uma historia de amor impossível entre uma jovem atriz em busca de um lugar ao sol, Marla (Lilly Collin), que chega em Hollywood acompanhada de sua mãe (Annete Bening). Elas são religiosas da Igreja batista e procuram evitar ao máximo os excessos da vida mundana do cinema. Marla foi convidada por Howard Hughes para uma audição, e mora em uma mansão, com direito a um motorista particular, Frank ( Alden Ehrenreich). Logo Marla descobre que existem outras 30 atrizes bancadas por Hughes disputando o mesmo papel. Hughes proíbe qualquer envolvimento amoroso entre os seus funcionários, mas mesmo assim, Marla e Frank se apaixonam, mas seguem esse amor de forma platônica. Após o grande sucesso de "O aviador", de Scorsese, com Leonardo di Caprio interpretando com maestria Howard Hughes, fica difícil enxergar Warren Beatty interpretando o mesmo personagem. Sem carisma, o seu Hughes torna-se uma figura extremamente antipática. Mesmo problema tem Lilly Collins, atriz desprovida de charme e encantamento para um papel tão romântico. Mesmo com um super elenco, que inclui Mathew Broderick, Martin Sheen, Ed Harris, Paul Sorvino, Alec Baldwin, todos parecem estar no automático. Só quem se sobressai é Alden Ehrenreich, um jovem talento que provou seu ótimo ator e bastante versátil em "Ave, Cear", dos irmãos Coen. Ele confere dignidade e carisma ao seu personagem, mas o roteiro, extremamente burocrático, torna tudo bastante enfadonho. Uma pena, pois o tema de Hollywood sempre me interessa. Longo e sem sal.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pitanga

"Pitanga", de Camila Pitanga e Beto Brandt (2016) Parceiros no filme "Eu receberia as piores noticias de seus lindos lábios", dirigido por Beto Brandt e protagonizado por Camila Pitanga, ambos idealizaram esse comovente e divertido documentário "Pitanga", que narra a trajetória pessoal e artística desse grande Ator que representa toda uma historia da Cultura brasileira dos anos 60 aos dias de hoje. Apaixonado por contar historias, Antonio Pitanga recebe convidados mais do que ilustres, de todas as áreas: Cinema, música, literatura. Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethania, Jard Macalé, Ney Latorraca, Tamara Taxman, Angela Lea, Tonico Pereira, Ruth de Souza, Zezé Motta, Lea Garcia, Joel Zito Araujo, Lazaro Ramos, Sergio Ricardo, Cacá Diegues, Walter Lima Jr, Ze Celso, e tantas outras personalidades, que relembram causos sensacionais, arrancando gargalhadas da platéia. Impressionante a memória de Pitanga, que como poucos atores, passaram pelo Cinema Novo, pelo Teatro Oficina, trabalhando com os mais polêmicos e contestadores artistas do País. Camila Pitanga não esconde que o filme é um grande testamento sobre quem é seu pai e quem é esse Ator. Para gerações futuras, uma obra reveladora da alegria e da inteligência de um homem que soube ser feliz, amar e ser amado. Impossível não se divertir quando as entrevistadas comentam sobre a fama de namorador, principalmente Bethania. Para quem vive o presente e tem a sorte de conviver e conhecer com Pitanga, fica a maravilha de poder se contaminar com um astral e uma vontade de viver infindável.

Um beijo

"Un bacio", de Ivan Cotroneo (2016) Dirigido e escrito pelo italiano Ivan Cotroneo ( um dos roteiristas do cult "Um sonho de amor", com Tilda Swinton), "Um beijo" parece uma refilmagem do cleassico adolescente "As vantagens de ser inviísivel", com uma pitada de "Glee" e "500 dias com ela". Misturando drama, romance, comédia melancólica, musical e lirismo, "Um beijo" comove e diverte, apesar do seu final bastante trágico. Lorenzo é um adolescente assumidamente gay que é adotado por um casal de mente aberta. Ao chegar no colégio, ele sofre bullying, mas a sua forte personalidade o faz enfrentar as adversidades. Logo, ele fica amigo de Blu, uma menina rebelde, que também sofre bullying porque um video em que ela faz sexo foi viralizado. Antonio é um esportista que sofre pela morte de seu irmão e acha que seus pais preferiam que ele tivesse morrido no lugar do irmão. Bonito, ele vira paixão platónica de Lorenzo. Os 3 ficam amigos e se unem em suas fraquezas, ao som de muita musica pop. Os 3 atores lembram bastante os atores de "As vantagens de ser invisível", e como lá, são bastante talentosos. O roteiro trabalha em cima de cliches do tema adolescente, mas a direção inteligente de Ivam Controneo consegue equilibrar a obviedade com o frescor de um filme repleto de referencias. A primeira parte é mais solar, e a segunda vai se tornando bastante dramática. Um bom exemplo de filme adolescente que respeita a inteligencia da garotada. Vale assistir e depois discutir com os amigos sobre os temas propostos no filme. Ótima trilha sonora que vai de Lady gaga, New Order, Mika, Blondie e outros.

domingo, 2 de abril de 2017

Uma casa na Rua Willow

"One house on Willow street", de Alastair Orr (2016) Um filme de terror sul africano? Sim, na terra do Cineasta Neill Blomkamp (Elysium, Distrito 9) se produz muitos filmes de gênero. Em "Uma casa na Rua Wilow", as referencias foram tantas, que o filme acabou virando uma grande colcha de retalhos. Pior: como o espectador pode torcer pelos protagonistas, se todos eles são vilões? Uma quadrilha sequestra a filha de um casal milionário. Ao traze-las pro cativeiro, eles a prendem, fazem um video e entram em contato com os parentes. No entanto, ninguém atende os telefones. Quando um dos integrantes vai ate a casa dos pais saber o que aconteceu, os encontra assassinados. Descobrem, aterrorizados, que a jovem inocente que sequestraram, não é quem eles pensavam. Com um ou outro momento de suspense, o filme como o todo afunda em clichês do gênero terror, tornando tudo extremamente óbvio. O elenco principal faz o que pode, os efeitos são meio toscos anos 90, tipo "Hellraiser" das antigas. Para quem não tem nada melhor para assistir, pode ser um passatempo. Caso contrário, assista outro filme. Vai sair no lucro.