quinta-feira, 27 de abril de 2017

Inseparável

"Indivisíbli", de Edoardo De Angelis (2016) Excelente drama italiano, que me remeteu bastante aos filmes neo-realistas, por ser filmado em locações pobres de Nápoles e com um tema social tão profundo. No entanto, existe um elemento quase de Tim Burton nesse estranho filme, um grande pesadelo embalado como se fosse um sonho. 2 irmãs siamesas ( as excelentes Angela e Marianna Fontana, em tour de force emocionante) vivem com seus pais em uma comunidade pobre na beira da praia de Nápoles, em um bairro de miseráveis. O pai é um jogador viciado, e compõe músicas para que suas filhas cantem em festas decadentes. A mãe é viciada em drogas. As irmãs, que atingiram 18 anos, cantam e são apresentadas como atração freak nos eventos. Um dia, ao conhecer um cafetão, uma das irmãs, Dayse, revela o desejo de se separar de sua outra irmã. Para piorar a situação, surge um cirurgião, dizendo que é capaz de separar as duas irmãs, sem prejuízo para nenhuma delas. Porem, tanto os pais das gêmeas, quanto a igreja, repudiam essa cirurgia, pois percebem que deixarão de explorar o dinheiro que elas lhes proporciona. Intenso, comovente, bizarro, lúdico...esse filme trouxe sensações bem estranhas enquanto eu o assistia. A extraordinária fotografia de Ferran Paredes, aliado as locações estonteantes, dão uma atmosfera muito próxima a pinturas expressionistas. Trágico, o destino dessas irmãs e' bastante cruel. Um filme que fala sobre a exploração em todos os níveis: social, sexual, económico e bullying. Um filme arrebatador, que provoca revolta, pela extrema vilania de alguns personagens ( bem ao gosto de novelas melodramáticas) , mas que faz o espectador torcer bastante pelas heroínas. Algumas cenas são antológicas, como por ex, quando elas se apresentam para um conjunto habitacional frequentado por traficantes e prostitutas decadentes. Com ótima direção, o filme conquistou inúmeros prêmios em Festivais de cinema, entre eles, o de Veneza em 2016.

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