sábado, 19 de agosto de 2017

Eu Vivi, Mas... Uma Biografia De Yasujiro Ozu

"Ikite wa mita keredo - Ozu Yasujirô den", de Kazuo Inoue (1983) Eu sou um grande admirador do Cinema de Yasujiro Ozu, considerado o mais japonês dos Cineastas do Japão. Como poucos, ele captou a essência do modo de vida do Pais, com seus costumes e tradições, aliado a valores de sua sociedade. Segundo Ozu, "O fim de um filme é o seu começo". Ozu faleceu no dia 12 de dezembro de 1963, no dia de seu aniversário, aos 60 anos. Seu último filme, "A rotina tem sue encanto", foi rodado 1 ano atrás, em 1962. Ozu faleceu de câncer. Seu cinema tem fases temáticas: Ozu foi professor em uma escola, depois serviu a 2a Guerra. Mas seu sonho sempre foi fazer Cinema, para tristeza de seu pai. Ser Cineasta na época não era visto com bons olhos. Ozu foi trabalhar em um Estúdio de cinema como assistente de câmera, e anos depois, foi convidado para dirigir filmes. Seus primeiros filmes tinham como tema os estudantes e a sua rotina na escola e família. Depois, Ozu se apegou ao tema dos trabalhadores e o desemprego. Finalmente, a sua fase mais famosa, ele se apegou a relações familiares, mostrando como pais e filhos possuem um enorme abismo entre eles. O mais curioso do filme, realizado de forma burocrática, com depoimentos de atores, técnicos e cineastas que trabalharam com ele, são os depoimentos do elenco. Eu não fazia ideia de que Ozu era super perfeccionista, obrigando os atores a repetirem até 60 takes, para chegar a um nível que ele considerasse bom. Ele era rígido e não permitia que o ator mudasse absolutamente nada, muito menos improvisos. Tinha tudo que ser como ele queria que fosse. Apesar dessa mão de ferro, os atores e técnicos o elogiam bastante. O filme é obrigatório para estudantes de cinema e cinéfilos. Outra curiosidade é saber que em seu túmulo, existe uma lapide com o ideograma que significa "Nada". O filme é uma ótima pedida para fazer rever grandes clássicos , como "Pai e filha", "Era uma vez em Tokyo", "Filho único", entre outros.

Willow creek

"Willow creek", de Bobcat Goldthwait (2013) Quando o Poster de um filme é melhor que o filme em si, você ja sabe o que te espera. Escrito e dirigido pelo ator e diretor Bobcat Goldthwait, "Willow creek" copia descaradamente "A bruxa de Blair" em todos os quesitos: Found footage, narrativa, roteiro. Basta trocar a Bruxa de Blair pelo Bigfoot, ou Pé grande. O mais estranho de tudo, é que o filme tem aceitacao de 86% dos críticos no Site "Rotten tomatoes". Ou eu estou ficando louco, os esses críticos estão. Infelizmente, eu que amo terror, nada se salva em "Willow Creek". O filme parte da premissa de um casal que resolve ir at´a floresta de Willow Creek, na California, para fazer um registro do mito do Pé Grande. O namorado, Jim, acredita que existe, apesar das evidencias de que é só uma lenda (Alo "Bruxa de Blair!). Eles irão entrevistar moradores da região, guia, todo mundo, até que claro, se embrenham na floresta escondidos de todos. O filme , de 1:20 minutos, reserva suspense nos últimos 2 minutos do filme, e mesmo assim, um suspense zero tensão. Uma pena. Já vi muitos found footages realmente assustadores, mas aqui, ficou na vontade.

Following

"Following", de Christopher Nolan (1998) Primeiro longa dirigido por Christopher Nolan, em 1998. Nolan, que nunca frequentou uma Faculdade de cinema, realizou esse filme com 6 mil dólares, convidando conhecidos para o elenco e equipe. Como todos estavam trabalhando, Nolan levou 1 ano filmando, pois só podia filmar finais de semana, que eram as datas que as pessoas podiam se comprometer com as filmagens. Nolan também escreveu o roteiro. Brilhante, é uma homenagem aos filmes noir dos anos 40, com direito a todos os clichês do gênero: a mulher fatal, o homem errado, uma pessoa na multidão, a fotografia em preto e branco. E' incrível assistir a esse filme depois de conhecer toda a filmografia e de Nolan e constatar que todos os seus artifícios de linguagem e narrativa já se encontravam aqui: a trilha sonora onipresente e pulsante ( que lembra bastante a de "Dunkirk"), a narrativa em vários tempos distintos, a figura do duplo ( usada em "O grande golpe"), o anti-herói perdido em sua própria historia. Um jovem desempregado resolve seguir pessoas anônimas na rua e dessa forma, servir de inspiração para um livro que ele quer escrever. O jovem cria regras para essa perseguição, mas ele mesmo quebra a regra principal: seguir a mesma pessoa 2 pessoas. Por conta disso, uma das pessoas que ele persegue, Cobb, o procura e pergunta porque ele o segue. Apos explicações, o jovem descobre que Cobb é um ladrão, apesar de sua aparência elegante. Cobb acaba convidando o jovem para junto dele, roubar as residências. Até que o jovem quebra sua 2a regra: se envolver com um dos assaltados, no caso, uma mulher, amante de um mafioso. Com apenas 69 minutos, é um filme conciso, dinâmico, repleto de atmosfera e com ótimos atores. O próprio Nolan fotografou o filme, para baratear os custos, e filmou em película, sua marca registrada. O filme foi lançado em 2012 pelo selo Criterion, dedicado a filmes clássicos de grandes autores. Imperdível a obrigatório. Curiosidade: O filme, realizado em 98, já traz uma fantástica premonição: na porta do protagonista, existe um adesivo do Batman.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Apenas Jim

"Just Jim", de Craig Roberts (2015) Escrito, dirigido e protagonizado por Craig Roberts, na época do filme com apenas 24 anos. Para quem não lembra, Craig Roberts ficou famoso quando surgiu no cult inglês "Submarino", em 2010, e trabalhou até com Tim Burton em um clip dirigido por ele. Craig tem aquele look esquisito próprio de personagens Freaks. Recentemente ele fez um belo filme pela Netflix, "Fundamentals of caring". Jim (Craig Roberts) é o looser da vez: Sofre bullying na escola, seus pais dão preferencia para a outra filha, a menina por quem ele é apaixonado não dá a mínima para ele. Até que um vizinho se muda para a casa do lado. E' Dean (Emille Hirsch), um jovem americano rebelde com pinta de James Dean que ensina Jim a se comportar como alguém que se defende. No inicio as coisas vão indo bem, mas de repente, tudo parece sair do seu lugar. O filme é estranho, não se define um gênero. Não é comedia, não é romance, e ele ainda flerta com o suspense e com o psicológico de filmes de David Lynch. Craig quiz fazer um filme cult, botando referencia de diretores que ele provavelmente curte: Além de Lynch, uma pitada de Wes Anderson, de Paul Thomas Anderson e afins. Mas o filme não tem carisma, muito menos os personagens, frios. Dá para assistir, mas fica a impressão de que o filme poderia ter rendido mais.

Lady Macbeth

"Lady Macbeth", de William Oldroyd (2016) Baseado no livro " Lady Macbeth of Mtsensk", de Nikolai Leskov, que por sua vez se inspira na tragédia de Shakespeare, "Lady Macbeth" ganhou muitos prêmios em Festivais Internacionais. Filme de estreia do Diretor teatral inglês William Oldroyd, o filme é um drama de época poderoso, com um roteiro e performances memoráveis, que deixam o espectador atónito ao fim da sessão. A virada da historia pega a todos de surpresa. Não dá para falar muito sobre o roteiro e os personagens, pois corre o risco de se fornecer spoilers. Usando aquela máxima "Ninguém é o que aparenta ser", o roteiro brinca com o espectador. Ardilosamente construídos, os personagens são muito bem defendidos por todo um elenco de atores desconhecidos, mas sendo atores ingleses, a gente tira o chapéu e os reverencia. Ambientado em 1865, na Inglaterra rural, o filme tem uma atmosfera de drama psicológico gótico que muito o aproxima de filmes como o terror "A bruxa". A fotografia escura, a ausência de trilha sonora, a frieza da narrativa ( e por conseguinte, dos personagens). Katherine (Florence Pugh, fenomenal) é vendida para um casamento. Na mansão, habitam o sogro e o marido, frios e arrogantes. Ali também habita a empregada negra Anna, que a tudo testemunha, e vario empregados, entre eles, o peão Sebastian, com quem Katherine irá ter um tórrido romance. Um filme absolutamente imperdível e obrigatório.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Annabelle 2 : A criação do Mal

"Annabelle 2: criation", de David F. Sandberg (2017) Prólogo do primeiro filme de Anabelle, aqui ficamos sabendo da origem da boneca demoniaca. Ao final do filme, fica difícil não pensar em "Chucky", e sinceramente, ainda espero um dia ver um filme que junte os 2 bonecos ( assim como fizeram com Jason e Freddy Krueger). Mas aqui, David F. Sandberg uniu referencias de clássicos do terror e fez uma puta montanha russa de sustos: "O exorcista", "Invocação do mal", " O orfanato", "O grito", tudo se mistura para dar unidade a um terror que somente quer divertir a platéia. Não existe sangue no filme. O que temos aqui são os sustos e atmosfera de terror. No roteiro, endiabrado, são inseridos vários artifícios para criar medo: espantalho, elevador interno, cadeira de rodas, cadeira motorizada, cabaninha infantil, poço... Ambientado nos anos 60, o filme apresenta um grupo de meninas de um orfanato que vão morar na fazenda da família Mullin, junto de uma freira. Isso ocorre para evitar que as meninas sejam doadas para outros orfanatos e assim, se separem. Porém, aos poucos, as meninas irão perceber que algo estranho está acontecendo na casa, e envolve uma boneca antiga. O elenco infantil é todo muito bom, mas o destaque vai para Talitha Bateman, que interpreta a paraplégica Janice. Que menina incrível! A direção de David F. Sandberg, inteligente e criativa, consegue fazer milagres com os clichês. Muito da atmosfera se deve `a excelente fotografia do belga Maxime Alexandre, um expert em filmes de terror, conferindo escuridão `as cenas tensas. Algumas cenas ja ficaram clássicas: a do espantalho no celeiro, a da cadeira de rodas elétrica na parede, a do poço. Bom pra ver e ficar dias sem dormir.

Corpo elétrico

"Corpo elétrico", de Marcelo Caetano (2016) Longa de estréia do Cineasta mineiro Marcelo Caetano, do premiado curta "Na sua companhia" e co-escrito com Hilton Lacerda, de "Tatuagem", "Corpo elétrico" fala sobre sexualidade e proletariado, numa mistura explosiva. No bairro de Bom Retiro, o paraibano Elias (Kelner Macedo, excelente) , trabalha como assistente da estilista de uma confecção. Jovem talentoso, Elias tem a sexualidade aflorada: gay assumido, ele tem vários amantes, sai para as ruas para fazer pegação e ainda dando em cima de um novo funcionário, o africano Fernando. O patrão de Elias fica incomodado por ele não ter medida de hierarquia com os subalternos: trata todos por igual. Discutindo a camaradagem entre colegas de trabalho e também a liberdade sexual, Marcelo Caetano quer falar sobre uma geração que quer ser livre de conceitos e pre-conceitos. O elenco, todo atuando de forma naturalista, está excelente. Uma pena que a maravilhosa Nash Laila apareça tão pouco. As cenas com as transformistas são hilárias, e as cenas de sexo, desglamurizadas, bem sacanas. Vale assistir ao filme, totalmente adulto e para Cinéfilos sem frescura, que terá tesão sem vulgaridade para o Cinema.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

The cop cam

"The cop cam", de Isaac Rodriguez (2016) Dirigido pelo jovem Cineasta americano Isaac Rodriguez, realizador de diversos curtas de terror de baixo orçamento, "The cop cam" tem apenas 2 minutos, e a sua idéia nem é original. O que chama atenção é justamente a junção dos clichês do found footage, do espirito da garota assassina ( estilo Samara) e uma direção criativa e concisa, que realiza um filme somente para dar um susto no espectador. Adorei a imagem suja, a fotografia granulada toda pelo POV de uma câmera acoplada ao corpo do policial. O estilo narrativo lembra bastante a franquia de terror espanhol "Rec". Assista e durma depois, se for capaz. https://www.youtube.com/watch?v=OvSlUgSKEuc

O efeito aquático

"L'effet aquatique", de Sólveig Anspach (2016) Co-escrito e dirigido pela Cineasta islandesa Sólveig Anspach, "O efeito aquatico" é uma comédia romântica ( comédia no sentido islandês da coisa). O mais incrível é o filme ter ganho os prêmios de roteiro em Cannes, na Mostra Quinzena dos realizadores, e no Cezar, Oscar do cinema francês. Digo incrível pois foi no roteiro aonde eu vi mais problemas. Samir é um homem solitário, na faixa dos 40 anos, que trabalha operando guindaste em construções em Paris. Ele testemunha em um bar um casal discutindo, e imediatamente se apaixona por Agathe, que ele descobre ser instrutora de uma Escola de natação. Samir se inscreve na escola, somente para poder se aproximar de Agathe. Mas o destino fará com que eles sigam até uma Conferencia na Islândia. O filme é bem dirigido, tem ótimos atores, um olhar exótico sobre os moradores da Islândia, mas segue em um ritmo lento e sem muito humor ( eu somente ri em uma cena que acontece em um chuveiro coletivo feminino). Faltou carisma aos personagens, para que o espectador torcesse pelo amor do casal. O que vale de fato, sao as belíssimas paisagens na Islândia, captadas com maestria pelas lentes da fotografa Isabelle Razavet.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

The bad kids

"The bad kids", de Keith Fulton e Louis Pepe (2017) Premiado em Sundance 2017 como Melhor documentário, "The bad kids" é um emocionante retrato sobre a juventude desajustada e sem perspectiva de futuro, `as voltas com drogas, gravidez indesejada, falta de apoio familiar, desemprego e outros entraves. O filme acompanha o dia a dia de estudantes do ginásio na Escola "Black rock", localizada no deserto do Mojave, na Califórnia. O Colégio é famoso por ser a última ponte entre os alunos e os estudos. Para lá, são mandados estudantes sem perspectiva, que abandonaram os estudos ou que não conseguem estudar. Através de um método de educação de inclusão social e visando fazer com que os alunos entendam a importância de se sentirem importantes para si e para a sociedade, a diretora Vonda Viland e os professores fazem o possível e o impossível para que os alunos permaneçam nas salas de aula e não deixem de atender as classes. E' impressionante o vigor e a forca da diretora, que trata a todos praticamente como se fossem seus filhos. E' um filme muito importante para ser visto e discutido em grupos de estudos. Deveria ser obrigatória a exibição em todas as escolas. E' muito duro acompanhar as historias dos alunos, sabendo da vida de merda que eles levam e a falta de apoio de familiares. Um dos depoimentos mais tristes é de uma jovem, que se recusa a se formar e a crescer, pois ela não quer se tornar adulta e se espelhar na vida horrível que seus pais levam.

Valerian e a Cidade dos mil planetas

"Valerian and the city of thousand planets", de Luc Besson (2017) Adaptação cinematográfica dos famosos quadrinhos franco-belgas, criado por Pierre Christin, "Valérian e Laureline", e publicado a partir de 1967. O estilo narrativo e os desenhos criados por Jean-Claude Mézières influenciaram vários filmes de ficção científica, entre eles, "Guerra nas estrelas" e " O quinto elemento", do próprio Besson. O filme se tornou o maior orçamento para um filme francês de todos os tempos, chegando a quase 200 milhões de euros, Para ampliar a exibição no mundo todo, Besson escalou atores de língua inglesa e até um chinês famoso, Kris Wu, para facilitar a entrada na China. Para quem assistiu a "O quinto elemento", o filme tem bastante dos exageros visuais do filme. " Valerian" parece uma grande viagem de ácido, tal o seu colorido e situações bizarras, que somente uma mente criativa totalmente livre de amarras poderia criar. A historia é bem minuciosa: Valerian e Lauredine (Dane DeHaan, de "A cura", e Cara Delevingne, de "Cidade de papel") são agentes temporais que trabalham para o Governo e assim, preservam a paz no Universo. Eles podem viajar no tempo em qualquer circunstancia. Ambos são acionados para resolver uma questão: precisam recuperar um aparelho chamado "Conversor". Com isso, os 2 heróis se deparam com a obscura historia de um planeta e uma civilização que desapareceram há cerca de 30 anos atrás, um povo chamado "Pearls". Vão descobrir também que alguém do Governo está por trás de uma conspiração que pode botar o mundo em risco. O filme é repleto de efeitos visuais, e talvez o mais impressionante deles envolva o personagem da cantora Rihanna, "Bubble". As cenas dela são as melhores no filme, que envolve também o ator Ethan Hawke, no papel de um cafetão. Impossível não se lembrar de "Star Wars" assistindo ao filme: Hans Solo, Millenium Falcon, os alienígenas, Jabba The Hut, etc. A trilha sonora ficou por conta do Mestre Alexandre Desplat, e a fotografia, do parceiro habitual de Besson, Thierry Arbogast. O filme é bem longo, quase 140 minutos, e eu diria que poderiam ter cortado pelo menos meia hora do filme. Mas vale ser visto, apesar de tudo aparentar ter sido feito para crianças e não para adultos.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um filme de Cinema

"Um filme de cinema", de Walter Carvalho (2016) Documentário para Cinéfilos, profissionais de Cinema e para estudantes do audiovisual, que entendem a paixão proferida pelos vários Cineastas entrevistados pelo Cineasta e fotografo Walter Carvalho. E' importante ressaltar que o Cinema pelo qual todos são apaixonados, aqui no filme, é o Cinema de Autor, e não o Cinema comercial. O nome de Jean Luc Godard é citado inúmeras vezes por vários Cineastas, deixando claro a importância de um dos pilares da Nouvelle Vague, que desconstruiu com os seus filmes a ordem vigente no cinema acadêmico e tradicional. Karin Ainouz, Hector Babenco, José Padilha, Julio Bressane, Ruy Guerra defendem o lado do Brasil, e no exterior, temos Lucrecia Martel, Bela Taar, Jia Zhenke, Andrej Wajda, Asghar Farhadi, Ken Loach, entre outros. Walter Carvalho pergunta as mesmas questões para todos: o tempo dos planos, a montagem, a escolha da posição de câmera, o que é fazer um filme, o Filme é do Diretor?, etc.... As respostas são dadas de uma forma geral em com muita paixão intelectualizada. Muito claro o quanto todos os depoimentos saem de profissionais que não poderiam fazer outras cosias em suas vidas, senão fazer Cinema. As vezes nos divertimos, `as vezes refletimos, podemos discordar de uma ou outra opinião ( Quando Ken Loach fala sobre o Storyboard, é bem polemico). Mas o que importa no documentário é isso: a democracia de poder falar o que quer, e depois essa mesma discussão virar roda de estudantes ou cinéfilos dando apoio ou indo contra. Assistam, vale super a pena.

Perfect Blue

"Perfect blue", de Satoshi Kon (1997) Clássica animação japonesa na lista dos melhores animes de todos os tempos. "Perfect blue" foi baseado em um livro, e desde seu lançamento, em 1997, até os dias de hoje, várias teorias foram criadas para tentar explicar a complexidade desse filme. Como todos sabem, o cineasta Darren Aranofsky comprou os direitos de uma cena do filme, a da banheira, e a refilmou em "Réquiem para um sonho". Porém, assistindo ao anime, fica impossível dizer que "Cisne negro" não tenha influência do filme. Os temas da múltipla personalidade, da ansiedade e obsessão pela fama, o isolamento e a esquizofrenia caminham juntos com os personagens de Mina e de Nina Sawyers, interpretada por Nathalie Portman. Mina é uma jovem que faz parte de um trio de cantoras adolescentes denominado CHAM, e que faz sucesso. No entanto, Mina recebe convite para ser atriz e decide abandonar o grupo. Nessa nova empreitada profissional, Mina sofre com a pressão da profissão e a expectativa do publico e da mídia. Aos poucos, pessoas que estão em seu entorno vão sendo assassinadas, e a suspeita recai sobre um fa de Mina quando era do grupo musical, que não aceitou ela ter abandonado a carreira de cantora. O filme trabalha em varias dimensões, e portanto, tentar interpretar o filme acaba sendo uma tarefa muito pessoal. O que é real, o que é ilusão, acaba sendo a metáfora do mundo da televisão. O filme é construído em cima dos gêneros do suspense e do terror, da atmosfera claustrofóbica, bem ao gosto de Arranofsky. Cenas de extrema violência e de sensualidade, proibido para menores. A cena do estupro é bastante forte.

A transfiguração

"The Transfiguration", de Michael O'Shea (2016) Raro filme de terror a concorrer no Festival de Cannes ( na Mostra paralela "Un certain regard", em 2016), "A transfiguração" é um filme de vampiro realista, como o próprio personagem faz questão de demonstrar. Michael O'Shea homenageia principalmente 2 filmes de vampiros: "Martin", de George Romero, e "Deixa ela entrar", cult sueco. Do primeiro filme, "Martin", O'Shea traz um protagonista aficcionado por vampiros e que acredita ser um. De "Deixa ela entrar", o protagonista e apaixona por sua vizinha e sofre com o bullying na escola e vizinhança. O que diferencia "A transfiguração" de todos os outros filmes, e dai vem a sua grande polemica, é a questão racial e social: O protagonista, o garoto Milo, seus vizinhos e os que pratica Bullying na escola são todos negros. Sua vizinha e paixão platónica, Sophie, e todas as vitimas de Milo, são brancas. Impossível não ficar alheio a essa questão do embate entre negros e brancos, principalmente quando em duas cenas impactantes, as vitimas são os brancos, assassinados de forma brutal por negros. Se conseguirem assistir ao filme ignorando o teor racial, assistirão a um belo filme de estreia, com ritmo lento mas contemplativo , mais artístico do que um filme comercial, e que mostra uma Nova York totalmente desglamourizada e aterradora. Os atores estão ótimos, a atmosfera do filme torna a metáfora da violência em terror, e a fotografia ajuda a dar esse clima de tensão. Milo ( o ótimo Eric Ruffin), é um menino que mora com o seu irmão mais velho, Lewis, que não sai de frente da tv. A mãe deles se suicidou há pouco tempo atras e isso transformou a vida de Milo para sempre. Um dia, uma adolescente, Sophie, se muda para o prédio, a perturbada Sophie, e Milo se apaixona por ela. Mas não sabemos se ele quer que ela seja sua próxima vitima, ou se ele de fato a protege. O filme recebeu vários Prêmios em Festivais internacionais.

domingo, 13 de agosto de 2017

O que te faz feliz

te faz feliz
"Ça Rend heureux", de Joaquim Lafosse (2006) Cineasta canadense, realizador do drama "A economia do amor", Joaquim Lafosse faz aqui uma comédia dramática sobre um Cineasta desempregado que junta uma equipe de desempregados para realizar um filme. O roteiro usa os próprios nomes dos atores para os seus personagens, dando assim um caráter mais espontâneo e autentico `a narrativa. Fabrizio (Fabrizio Rongione, ator fetiche dos irmãos Dardenne) interpreta um Cineasta que esta ha anos desempregado. Ele vive `as custas do seguro desemprego, e acaba encontrando pelo cainho outros desempregados que o ajudam na sua empreitada de realizar um filme. Porém, o filme acaba contando a sua própria historia: seu relacionamento com sua ex-namorada, e a paixão por uma garçonete de um bar. Com um elenco bem selecionado, que confere naturalidade `a produção, "O que te faz feliz" fala sobre sonhos, desejos e frustrações de uma geração que ousou, mas não cumpriu o que almejava em sua vida. Melancólico, desesperançado, o filme faz acreditar que para todos ainda existe sempre uma possibilidade. As cenas de filmagem dando tudo errado são bem divertidas.

O presidente

"The president", de Mohsen Makhmalbaf (2014) Co-escrito e Dirigido por um dos mais prestigiados Cineastas iranianos contemporâneos, autor de "Salve o cinema", " O Silencio" e "Gabbeh", "O presidente" é uma fabula aterrorizante sobre o Destino de um ditador tirano e seu neto, quando o Pais que ele governa é tomado pelos revolucionários. Ambientado em um Pais incerto ( o filme foi todo rodado na Georgia, Pais que faz limite entre a Russia e Turquia), a metáfora sobre o Ditador deposto e imediatamente sendo substituído por outro Governo cruel tem nos 2 atores, Mikheil Gomiashvili ( Ditador) e Dachi Orvelashvili ( seu neto de 8 anos) a grande forca que sustenta o filme. O menino impressiona pela espontaneidade e pelo olhar ingênuo e aterrorizado. Outro momento brilhante de atuação é quando um ex-preso retorna para rever a sua esposa e descobre que ela se casou e tem um filho. A cena toda acontece no rosto do homem, e o trabalho do ator, que alterna as emoções no mesmo plano, são impressionantes. Como sempre, Mohsen Makhmalbaf trabalha com o poético e o lúdico. O filme é todo conduzido pelo olhar do menino, que não entende todas as situações cruéis que acontecem em sua volta. Seu avo, o Ditador, conta histórias brandas sobre tudo o que acontece ( e assim, o filme se aproxima de "A vida é bela"). Um filme que retrata e nos faz pensar sobre todo os Governos déspotas que conduziram e continuam conduzindo muitos países pelo Mundo e o quanto essa falta de liberdade destrói a cultura e a história de um Povo. O filme tem um teor polemico, que é o fato de humanizar o Ditador. `A medida que o filme avança, ele faz com que sintamos pena pelo crápula. E' um bom filme para ser visto e discutido por grupos de estudantes e cinéfilos, e assim, tirar conclusões acerca do seu conteúdo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Como se tornar um Conquistador

"How to be a latin lover", de Ken Marino (2017) Longa dirigido pelo Ator Ken Marino, é um veiculo para a maior estrela do Cinema mexicano, Eugenio Derbez, desfilar o seu humor escrachado e debochado, repleto de piadas sujas e escatológicas. Eugenio foi o responsável pelo maior sucesso de um Filme estrangeiro nos Estados Unidos, a comedia dramática "Não aceitamos devoluções", que ele dirigiu e protagonizou. Em "Como se tornar um Conquistador", repetiu-se muitos elementos da trama de "Não aceitamos devoluções", o que confirma a tese de que "em time que se está ganhando, não se mexe". A relação Homem mais velho e criança reprimida; homem conquistador que depois se humaniza; uma criança que escreve carta para um dos pais ausente; a narração em off de Derbez concluindo tudo como uma grande lição de moral; choque cultural Estados Unidos/México. Mesmo com essa sensação de Deja vu, o filme tem piadas muito engraçadas, daquelas bem bizarras, sem meio termo: ou se acha engraçado, ou vai se achar grotesco. O elenco tem participações bastante divertidas de Salma Hayek, Rob Lowe ( ele tem uma das cenas mais engraçadas do filme, no desfecho, vestido de policial), Michael Cera ( aquele menino já não existe mais, ele agora é um homem!) e pasmem, Raquel Welch, no alto de seus quase 80 anos, toda recauchutada e fazendo graça de si mesma. Mas talvez um dos personagens mais engraçados do filme, com direito a cenas verdadeiramente hilárias, seja o de Cindy (Kristen Bell, antológica) , atendente de uma sorveteria musical e que é apaixonada por gatos e sempre aparece toda arranhada. O clip de Eugenio ( como ele se sujeita a situações toscas e se diverte!!) na clinica de beleza é arrasadora!

O outro lado da esperança

"Toivon tuolla puolen", de Aki Kaurismaki (2017) Excepcional comédia dramática do cineasta finlandês Aki Kaurismaki, premiado em Berlin 2017 com o troféu de Melhor Diretor. Também autor do roteiro, Kaurismaki faz uma fábula divertida e melancólica sobre o encontro inesperado entre um senhor finlandês, Wikström ( o ator fetiche de Kaurismaki, Sakari Kuosmanen), que resolve abrir um restaurante e um imigrante fugitivo sírio, Khaled (Sherwan Haji). Wikstron começa o filme abandonando sua esposa e resolve abrir um restaurante para reinventar a sua vida repleta de rotina. Khaled tenta um pedido de asilo no Pais, que é negado. Ele foge, e vai se esconder nos fundos do restaurante de Wikstron. Decidido a ajudar o refugiado, Wikstron muda sua vida a partir desse incidente. Aki Kaurismaki se utiliza da linguagem de Robert Bresson, de quem ele é fã confesso, e trabalha seus enquadramentos, ritmo e atores em cima da narrativa do Mestre francês. Atores "interpretando" sem emoção ( os famosos "atores-modelos") , planos fixos, humor patético e absurdo. Com cenas antológicas e um humor feroz, Kaurismaki cativa o espectador com personagens apaixonantes. O filme discute temas como refugiados sírios, desemprego, crise económica, caos social, xenofobia, terceira idade, embalados com uma trilha sonora deliciosa e uma direção de arte e fotografia vintages. O visual é de filme anos 80, apesar de se passar nos dias de hoje.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O estranho que nós amamos

"The beguiled", de Sofia Coppola (2017) Vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes 2017, Sofia Coppola fez a adaptação do livro de Thomas Cullinan, escrito em 1966 e adaptado em 1971 por Don Siegel, com Clint Eastwood no auge da beleza protagonizando o filme. Nessa versão atual, Colin Farrel interpreta o único personagem masculino do filme. Ele é John MAcburney, um cabo da União que, ferido na Guerra da secessão no Estado de Virginia, é resgatado por um grupo de 7 mulheres de idades variadas que o levam para o Internato delas, esperando ele se recuperar dos ferimentos e daí, partir. Porém, a presença dele nessa casa habitado exclusivamente por mulheres, criará um clima de tensão sexual e de angustia que transformará a vida de todos para sempre. Coppola disse que o filme não tinha nada a ver com o filme original. Sim e não. A historia está toda ali, exatamente igual. O que, infelizmente, Sofia não trouxe, e que se perdeu totalmente em seu filme, foi a sexualidade e o erotismo, que explodia no filme de 1971 em cenas de grande teor sexual, e que aqui, desapareceram. Ficou um filem casto, assexuado. Esses novos tempos de politicamente correto acabaram fazendo do filme algo que ele não merecia, que é deixar de ser ousado. De qualquer forma, é um belo filme, reforçado pela tríade: Direção, fotografia e atuação. Cada fotograma do filme parece uma pintura, graças ao talento do fotografo Philippe Le Sourd. A direção de Sofia esbanja sofisticação e delicadeza nos detalhes. E as performances de todo o elenco é algo fabuloso, com destaque para Kirsten Durnst, em um desempenho fisico que corrobora a grande atriz que é. O filme tem um ritmo bastante lento, que pode irritar boa parte da platéia.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Scary Prairie

"Scary prairie", de Eric Winkowski (2017) Insano curta-metragem de animação de exatos 1:17 minutos de duração, dirigido pelo animador americano Eric Winkowski, é uma brincadeira lisérgica que une mangá, Elvis Presley, Marilyn Monroe, Godzilla e alienígenas. elvis quer salvar Marilyn desses ataques, mas no final.... Assistam, vale a pena, o povo deve ter tomado um ácido daqueles bem danados hahaa

Tudo e todas as cosias

"Everything, everything", de Stella Meghie (2017) Adaptação do best seller de Nicola Yoon , parece ter sido escrito pelo mega escritor Nicholas Sparks, autor de grandes sucessos da literatura, adaptados para o cinema: "Diário de uma paixão", "Um amor para recordar", entre outros. E' um filme voltado para o publico adolescente, que não se arrependerá de ver o filme: ele promete romance e é isso o que o espectador terá. E para trazer mais elementos que deixe tudo com um sabor de amor proibido, a protagonista, tem um problema de saúde serio: ela tem uma rara doença que a proíbe de sair de casa, podendo os vírus e bactérias destruírem seu sistema imunológico e ela morrer em seguida. Claro que ela se apaixonará pelo menino bonitinho que se muda pra casa da frente, e claro que ele também se apaixonará por ela desde o primeiro olhar. Mas além da doença, outro impeditivo: a mãe de Maddy, que se opõe ao relacionamento da filha e proíbe ela de ver o menino. O filme é dirigido por uma mulher, Stella Meghie, que faz o filme ser o mais asséptico possível em relação ao sexo: não se mostra nada, e é tudo muito florido e colorido, como um filme da Disney. O filme apresenta curiosamente uma relação inter racial entre uma jovem negra e um menino branco e isso não é uma questão no filme. Ponto positivo para o filme. Inclusive Maddy é de uma família rica, sua mãe é uma médica bem sucedida e moram em uma casa de alto requinte. Esse com certeza irá virar um clássico do Sessão da tarde. A jovem Amandla Stenberg, que interpreta Maddy, era a menininha de "Jogos vorazes" que disputa os jogos e famosa por ser a mais jovem de todas.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Joao, o Maestro

"João, o Maestro", de Mauro Lima (2017) A cinebiografia do pianista e Maestro João Carlos Martins ganha corpo nas mãos do cineasta e roteirista Mauro Lima, autor já de diversas adaptações biográficas para o Cinema, como "Tim Maia", "Meu nome não é Johnny" e em breve, "Eike Batista". A vida de João Carlos Martins, repleta de tragédias e reviravoltas mirabolantes, é interpretada por vários atores: criança, adolescente e na fase adulta, por Rodrigo Pandolfo e depois, Alexandre Nero. O adolescente é quem aparece menos. No filme também aparecem os 2 grandes amores da vida desse Maestro que, pelo filme, parece ser um grande galanteador: elas são interpretadas na primeira fase por Fernanda Nobre, e depois, por Alinne Moraes. O elenco todo está muito bem, assim como a parte técnica do filme, irrepreensível: A fotografia, a trilha sonora, a edição de som, a direção de arte, figurino e maquiagem. O roteiro segue o mesmo formato de "Tim Maia": seguindo cronologicamente a vida do músico, sendo que vez ou outra algum flashback toma corpo para explicar melhor alguma passagem. Joao Carlos nasceu em Sao Paulo, filho de imigrante português, que trabalha numa gráfica. Seu pai sempre quiz ser pianista, mas na impossibilidade, depositou no filho essa vocação. A vocação se torna uma obsessão e Joao praticamente ocupa toda a sua infância e adolescência estudando piano. O que vem a acontecer com o protagonista, nem vou contar, pois eu mesmo não estava acreditando. Se algum roteirista tivesse escrito do zero, teriam dito que ele tinha exagerado na dose do melodrama e das tragédias. A produção filmou em Sao Paulo, Uruguay e Nova York, algo raro hoje em dia. E' um filme requintado, luxuoso e glamouroso, que vale ser visto por quem acha que aqui no Brasil, não se faz filme com qualidade de dar gosto para o resto do mundo. Assim como Joao Carlos Martins.

We once were tide

"We once were tide", de Jason Bradbury (2011) Belo curta inglês, vencedor de alguns prêmios Internacionais, narra a relação de 3 personagens moradores da Ilha de Wight, na Inglaterra. Anthony mora com a sua mãe doente e suicida, e namora Kyle. O filme se passa no último dia da relação de Anthony e Kyle. Kyle ganhou uma bolsa para estuar fora e precisa abandonar Anthony, mas não consegue falar sobre isso. O filme fala sobre memórias, silencio, momentos. Com linda fotografia que realça a melancolia da trama, bela e sensível direção de Jason Bradbury e bom trabalho dos 3 atores, "We once were tide" reafirma a força de curtas que trabalham com poucos diálogos e favorecem a relação entre olhares e a poesia do momento. https://www.youtube.com/watch?v=ibD5H-Hg4Nw

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Wilson

"Wilson", de Craig Johnson (2017) Adaptação da Graphic novel de Daniel Clowes, "Wilson" foi exibido em Sundance 2017, e foi dirigido por Daniel Clowes, que nos trouxe o maravilhoso "Os irmãos Desastre". "Wilson" tem um elenco maravilhoso, capitaneado por um Woody Harrelson e uma Laura Dern totalmente endiabrados. Woody interpreta Wilson, um homem solitário, cujo pai acaba de falecer. Falador, carente e sem noção de que é um chato, Wilson possui apenas um cachorro. Sem amigos nem parentes, ele decide procurar sua ex-exposa, Pippi (Laura Dern), que fugiu há 17 anos depois de uma crise nervosa e abortou o filho que esperavam. Wilson descobre que Pippi trabalha como garçonete em um restaurante, e mais: que ela não abortou, e sim, doou a filha para um casal milionário. Agora, Wilson quer rever a filha. Com um humor mau humorado, "Wilson" provavelmente não encontrara facilmente seu público. Os personagens são quase todo antipáticos, loosers, sem carisma. Wilson passa o filme todo se contorcendo, xingando palavrão, falando sem parar, enchendo o saco das pessoas, tudo por conta de uma carência afetiva incurável. Fico imaginando numa situação real, se daríamos atenção a Wilson, ou se o consideraríamos um mala sem alça total. Woody Harrelson tem a ingrata tarefa de dar vida a esse personagem chato, e consegue, apesar de irritar diversas vezes. Não curti esse filme tanto quanto amei "Os irmãos desastre", mas vale a pena dar uma chance para o filme. Ele tem uma pegada parecida com aquele filme do Noah Baumbach, "Greemberg", com um Ben Stiller interpretando um personagem semelhante.

O reencontro

"Sage femme", de Martin Provost (2017) Que belo filme, esse drama escrito e dirigido pelo ator e cineasta francês Martin Provost. Ele brinda a plateia com performances irresistíveis de 2 Catherines: Deneuve e Frost, emocionantes em seus personagens trágicos. O filme narra a historia da parteira Claire, que trabalha em um Hospital maternidade que está prestes a ser fechado. Claire mora em uma cidade distante de Paris, Mantes-la-Jolie, junto de seu filho Simon, estudante de medicina. Um dia, Claire recebe uma ligação: é Beatrice (Deneuve), ex-amante de seu pai, jogadora compulsiva e responsável pelo suicídio de seu pai. Beatrice pede ajuda: descobriu estar com câncer no cérebro, e é solitária. Ela quer reativar a forte ligação que um dia teve com Claire. Apesar do tema tão dramático, o filme lida bastante com humor, principalmente pelos deliciosos diálogos travados entre Frost e Deneuve. Conduzindo com muita competência o talento das duas atrizes, Martin Provost realiza um filme decente, correto, um pouco longo, mas que emociona o espectador que busca um drama sobre almas femininas, quase um Almodovar. Bem adaptado, daria uma excelente peça de teatro sobre o embate de duas mulheres. Atenção para o trabalho do ótimo ator francês Olivier Gourmet, o tipo de ator que esta em quase todo filme francês mas a gente não sabe o nome.

domingo, 6 de agosto de 2017

Tonight it's me

"Tonight it's me", de Dominic Haxton (2014) Dirigido e co-escrito por Dominic Haxton, "Tonight it's me" é um delicado curta Lgbts que mostra romanticamente, a relação entre o garoto de programa Cj e um cliente especial, a trans Ash. Ambientado em Los Angeles, o filme começa com Cj e a sua rotina com clientes pervertidos e frios. Ao terminar seu último cliente da noite, Cj recebe uma chamada: um cliente pergunta se ele está disponível. Cj segue até a casa do cliente e para sua surpresa, o cliente é uma Trans. Esse encontro irá modificar o pensamento de Cj sobre a sua profissão e seu pensamento sobre a vida. Filmado com muito bom gosto e com uma sensualidade clean, "Tonight it's me" encanta pela sofisticação, simplicidade e pelo bom trabalho dos 2 jovens atores, Jake Robbins (Cj) e Caleb James (Ash). Bela fotografia , rodado em janela 2:35, valorizando as locações de Los Angeles.

I am Heath Ledger

"I am Heath Ledger", de Adrian Buitenhuis e Derik Murray (2017) Heath Ledger faleceu no dia 22 de janeiro de 2008, aos 28 anos de idade. Em sua curta carreira, iniciada em 1997 na Austrália, aonde nasceu, até o seu primeiro longa nos Estados Unidos, "10 coisas que eu odeio em você", Heath trabalhou em 19 filmes como ator. Ele era um apaixonado por música, e dirigiu vários video-clips, entre eles, de músicos consagrados como Ben Harper. Em seus projetos futuros, estava a de dirigir o seu primeiro longa, sobre uma xadrezista viciada em drogas. O filme, que teve a sua premiére no Festival de Tribeca em 2017, apresenta Heath Ledger em todas as suas dimensões: nascido na Australia, e desde cedo, apaixonado pelo oficio do Ator. O filme apresenta depoimentos de seus pais, irmãs, amigos da vida, amigos do trabalho, atores (Naomi Watts, entre eles), cineastas (Ang Lee, entre outros), professores de atuação e de seu agente. Todos unanimes em afirmar o quanto Heath era dedicado em tudo o que fazia na vida. O filme tem de mais primoroso e rico, as imagens realizadas pelo próprio Heath, apaixonado pela sua filmadora, ele gravou cenas dele em situações variadas, em seu dia a dia, no processo artístico, em pensamentos, etc. E' maravilhoso o depoimento de um dos amigos dele que, ao saber que ele iria interpretar o Coringa, disse que seria impossível ele atingir um grau superior ao de Jack Nicholson. Heath disse uma frase como Coringa e o amigo dele ficou chocado. Heath era bastante famoso pelas suas composições, ele era um Ator de caracterização. Para o Coringa, ele próprio se gravou trancado em um quarto por semanas, buscando a forma de andar, de falar, de olhar do Coringa,até achar a voz certa, que segundo Heath, era o mais importante para um Ator. Ang Lee comenta também sobre a paixão que aconteceu entre Heath e Michelle Willians no set de "Brokeback Mountain", e diz que somente aceitou que Heath fizesse o papel depois de vê-lo atuar em " A última ceia". O filme tem imagens raras, e para qualquer fã, um filme obrigatório.

O estudante

"Muchenik", de Kirill Serebrennikov (2016) Adaptado do livro "O mártir", de Marius von Mayenburg, "O estudante" ganhou inúmeros prêmios internacionais, entre eles, um Premio no Festival de Cannes 2016, dentro da Mostra "Un certain regard". Primoroso, o filme é um doloroso e complexo estudo sobre o fanatismo religioso na Russia nos dias de hoje. O Adolescente Veniamin ( o extraordinário Pyotr Skvortsov) sofre de timidez e se sente deslocado nas aulas de natação de sua escola. Incomodado com o excesso de sexualidade e erotismo das aulas, Veniamim decide usar as palavras da bíblia para atingir a Instituição. Aos poucos, a sua mãe, os professores, a diretora da escola e os alunos vão sofrendo as consequências das palavras retiradas da Bíblia por Veniamin. Percebendo que através das palavras de Deus ele vai conseguindo o que quer, Veniamim vai se tornando cada vez mais autoritário e intransigente. Porem, duas pessoas se colocam em seu caminho: a professora de biologia Elena, que contesta as afirmações da Bíblia, e o estudante Grigoriy, que se torna seu primeiro discípulo, mas na verdade tem paixão platónica por Venianim. Com atuações brilhantes de todo o elenco, o filme tem direção rigorosa e meticulosa , organizada através de planos sequências criativos. Repleto de nudez, o filme prima pela sua visceralidade. O filme tem curiosas inserções na tela toda vez que Veniamim profere trechos da Bíblia. Discutindo temas como religião, sexo, homossexualismo, intransigência e falta de comunicação entre pais e professores, o filme dá uma profunda cutucada na política conservadora da Russia dos dias de hoje.

sábado, 5 de agosto de 2017

Os meninos que enganavam nazistas

"Un sac de bille", de Christian Duguay (2017) O que mais me chamou atenção nessa adaptação do best-seller autobiográfico de Josepf Jojo, judeu que narra suas fugas com o seu irmão, ainda crianças, na França ocupada pelos alemães e já adaptada em 1975 por Jacque Doillon, é o currículo de seu diretor. Christian Duguay, canadense, dirigiu mais de 20 longas, alguns talvez considerados os piores filmes do mundo: as continuações de "Scanners", de Cronemberg, "Assassinos cibernéticos", e também vários seriados beirando o trash. Eclético, ele acabou realizando uma decente adaptação do livro, com bela reconstituição de época e bons atores, entre eles, Patrick Bruel, que interpreta o pai dos meninos Joseph e Maurice. Esse tema criança judia e 2a guerra já trouxe filmes memoráveis:"Adeus meninos" e " Lacombe Lucien", de Louis Malle, e " Filhos da guerra", de Agniezka Holland. Desse último é aonde o filme mais se aproxima. Ambos baseados em história real e com uma trama tão incrível e mirabolante que parece mentira. Se algum roteirista tivesse escrito, teria sido criticado pelo excesso de reviravoltas e de personagens que surge do nada para ajudar os personagem. Pois assim é " Os meninos que enganavam nazistas": quando você acha que nada nos fará jeito, alguém surge para salvá-los. Até ao de toda a história é real ou se entrou algo ficcional, ninguém jamais saberá. O que faz o filme prender a atenção do espectador é o trabalho impecável do pequeno ator Dorian Lê Clech, excelente como Joseph. A trama romântica que surge no ato final ficou bastante forçada.

O planeta dos macacos-Guerra

"War of the planet of the apes", de Matt Reeves (2017) Matt Reeves, diretor do filme anterior dessa trilogia do Planeta dos macacos, e também dos excelentes"Deixa ela entrar" e "Cloverfield", realiza um de seus melhores filmes, com perfeição técnica em todos os quesitos: Direção, efeitos, fotografia, trilha sonora, roteiro e atuação, tanto dos humanos quanto dos atores que deram vida aos macacos. O filme é emocionante do inicio ao fim, e tem personagens inesquecíveis: Além de Cesar, Nova ( a menina muda), Maurice, Bad monkey, Cornelius e o Coronel de um ensandecido Woody Harrelson. A essa altura do campeonato, todo mundo já leu em algum lugar a influencia do filme "Apocalipse now" tanto nas cenas de batalha quanto na composição do personagem de Harrelson. Cesar dessa vez tenta salvar seu povo da fúria do Coronel, que quer dizimar seu grupo. Para isso, ele tenta levá-los para uma Terra prometida, mas no caminho sofrem emboscada e são presos. Vale dizer que o filme também tem influencia de 2 filmes de Kubrick" "Spartacus" e " 2001". Fico aqui na torcida para que o filme não ganhe mais nenhuma sequencia, o desfecho desse aqui já ficou maravilhoso. Um detalhe: que tecnologia impressionante essa dos macacos. Fiquei chapado com a precisão dos movimentos, dos olhares, do rosto.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Desonra

"Bashing", de Masahiro Kobayashi (2005) Ficção baseada em fatos reais, "Desonra" concorreu no Festival de Cannes em 2005. Dirigido pelo pouco conhecido aqui no Brasil Masahiro Kobayashi, que também escreveu o roteiro, o filme narra a história de Yoko, uma jovem japonesa que foi voluntaria no Iraque. Em 2004, ela e um grupo de japoneses foram feitos reféns e logo depois, libertados. Retornando ao Japão, todos eles e seus familiares sofreram represálias, pelo o que os japoneses chamam de "Desonra". Desonra por irem defender um País estrangeiro e não o seu, desonra por não terem se suicidado quando feito reféns e desonra por fazerem o Japão aparentar ser um Pai frágil. Yoko mora na periferia pobre de Tokyo, junto de seu pai e sua madrasta. Ela logo é demitida do Hotel, onde trabalhava como camareira. Em casa, eles recebem ligações anônimas os ameaçando. Seu pai também é demitido, e mesmo assim, Yoko quer retornar para o Iraque e continuar a sua missão de paz. A trajetória de Yoko é curiosa, pois `as vezes ficamos em dúvidas se simpatizamos ou não com a sua personagem, por conta das pequenas tragédias que vão acontecendo com as pessoas que as amam e ela faz questão de não enxergar. Assim como a Madre Teresa ( em uma cena, ela folheia um livro dela em uma livraria) , Yoko está obstinada em querer ajudar ao próximo, e por isso ela é acusada pelo seu namorado de ser egoísta, pois ajuda a estranhos mas ignora as pessoas que a amam. E' um filme cruel, duro, com ótimas interpretações do elenco. Mas o ritmo é bastante lento e pode irritar a plateia comum. A narrativa de câmera na mão acompanhando personagem e aquela atmosfera de filme de baixo orçamento lembram bastante os filmes dos irmãos Dardenne.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Que Deus nos perdoe

"Que Dios nos perdone", de Rodrigo Sorogoyen (2016) Caralho, que filme foda! Obra-prima! Dirigido pelo mesmo Cineasta espanhol de "Stockolm", e ambos co-escritos com Isabel Pena, "Que Deus nos perdoe" é um suspense de serial killer praticamente no mesmo nível de "O silencio dos inocentes". Ambientado em Madri de 2011, durante a Jornada da Juventude Mundial, quando milhares de peregrinos católicos vindos do mundo inteiro aportaram na cidade `a espera do Papa, um serial killer assassina e estupra idosas violentamente. 2 investigadores, Luis (Antonio de La Torre) e Javier (Roberto Alamo) tentam localizar o assassino, ao mesmo tempo que descobrimos que em suas vidas pessoais, os 2 policiais são tão violentos quanto o assassino. Tudo no filme é superlativo: a direção inteligente, criativa; a montagem tensa e dinâmica; a trilha sonora aterradora; a fotografia recriando o verão quente da época e trazendo atmosfera soturna e de terror para o filme; e principalmente, a interpretação muito foda do trio de atores: Antonio de la Torre fazendo um gago introspectivo mas explosivo, Roberto Alamo como o violento detetive e...enfim, não posso falar. Tem um plano em especial que me fez cair o queixo, quando um determinado personagem foge pela varanda e pula pro chão e a câmera acompanha tudo em plano sequencia. Imperdível e obrigatório para fãs de suspense policial. O filme ganhou vários prêmios em Festivais mundo afora, entre eles, Goya e San Sebastian.

In a heartbeat

"In a heartbeat", de Estevan Bravo e Beth David (2017) Curta de animação de 4 minutos, realizado através de campanha do Kickstarter por 2 alunos de animação de uma Faculdade de animação dos Estados Unidos, viralizou no YouTube em mais de 10 milhões de visualizações em menos de 3 dias. O motivo? Uma animação com traços infantis e trilha sonora típica de filmes da Disney, mas com uma temática inédita para o público de infantes: o amor entre dois meninos. Incialmente a história giraria em torno de um casal hetero, mas os realizadores resolveram apostar no amor de dois garotos. E aí o projeto tomou outro rumo. Um menino tímido é apaixonado por seu colega de escola mas não consegue revelar o seu amor. Até que seu coração sai de seu corpo e decide tomar uma atitude. O filme fala sobre sair do armário, bullying e amor platônico em poucos minutos e funciona. Tudo é bem simples, parece até um grande comercial desses bem românticos. Nos comentários do YouTube, é curioso constatar com o filme provocou reações diversas, e como muita gente odiou que uma animação fosse voltada para crianças com tema lgbt. Link para assistir: https://youtu.be/2REkk9SCRn0

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Too late

"Too late", de Dennis Hauck (2015) Longa de estréia de Dennis Hauck, que também escreveu o roteiro, é um trillher de suspense que usa a linguagem narrativa de "Pulp fiction" para contar a história de um assassinato de uma stripper. Dividido em 5 longos planos-sequencia, de mais de 20 minutos cada um, e rodado em pelicula 35 mm, "Too late" é um grande exercício de estilo cinematográfico. Fazendo homenagem ao gênero "Noir", o filme vai e vem no tempo. As 5 cenas não estão em ordem cronológica, e assim como "Pulp fiction", um personagem que morre logo no inicio surge logo na sequencia. O filme flerta com varias referencias cinematográficas, uma delas, "Boogie nights", de Paul Thomas Anderson: a atriz Vail Bloom passa toda a sua cena inteiramente nua da cintura para baixo, assim como Juliette Moore no filme. A historia gira em torno de um detetive particular de Los Angeles, que precisa descobrir o porque do assassinato de uma jovem stripper de uma boite. O grande barato do filme, mais do que o roteiro, é acompanhar a sua virtuosa câmera, que vai e vem em zooms e teleobjetivas. Tem momentos que lembra o cinema de Brian de Palma e a sua famosa tela dividida. Um filme curioso, não perfeito, mas valido para cinéfilos.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Monsieur e Madame Adelman

"Monsieur et Madame Adelman", de Nicolas Bedos (2017) Voce já pensou em assistir uma versão romantizada e cómica de "Amor", de Michael Haneke, com tintas Woody Alleanas? Pois "Monsieur e Madame Adelman" é esse filme. Mais de 40 anos da relação de um casal, que vai do inicio dos anos 70 até os dias de hoje. Todo narrado em flashbacks, através da entrevista da viúva Adelman para um jornalista, narrando como ela conheceu o seu futuro marido, o brilhante escritor Victor. Entre vais e vens, discussões, paixões e traições, o brilhante roteiro vai revelando aos poucos segredos que deixam o espectador cada vez mais comovo e apaixonado. Nicolas Bedos, que escreveu o roteiro junto da atriz Doria Tiller, dirigiu e protagonizou essa linda historia de amor. O casal está sensacional, apaixonante. As piadas envolvendo a cultura judaica são hilárias, impossível não lembra de Woody Allen. Direção segura, dinâmica, conduzindo a plateia para um espiral de emoções como ha muito não se via em uma comedia romântica. A cena com o psicólogo no hospital é um primor. Imperdível.

domingo, 30 de julho de 2017

Hot seat

"Hot seat", de Anna Kerrigan (2017) Excelente curta metragem americano, que concorreu em Sundance 2017. Ousado, o filme mostra um grupo de meninas na faixa dos 17 anos que resolvem contratar um Stripper para o aniversario de 18 anos da mais popular, Daphne. Andrea é muito tímida e não tem o respeito de nenhuma das meninas, e para provar que ela merece entrar nesse grupo, ela topa fazer o "Hot seat" com o Stripper, uma situação que nenhuma outra garota topou fazer. Bem dirigido, com ótimas atrizes espontâneas e um ator sensacional que faz o Stripper, o filme encanta pelo teor adulto, apesar de ser um filme aparentemente para adolescentes. O tema do despertar para a sexualidade vem de uma forma fria e inesperada. Muito bom! E com apenas 12 minutos!

sábado, 29 de julho de 2017

As crônicas do mal

"Ak-ui yeon-dae-gi", de Baek Woon-hak (2015) Excelente suspense policial, escrito e dirigido pelo sul coreano Baek Woon-hak. A trama é repleta de reviravoltas e muitas pegadinhas, e por isso mesmo, muito bom para tentar descobrir o que está acontecendo. O Policial Choi é promovido. Ele sai com amigos para beber e comemorar, mas quando vai embora para casa, ele pega um táxi cujo motorista tenta matá-lo. Mas Choi consegue matar o taxista. Com medo de que o caso venha `a tona e ele perca a promoção, ele esconde o corpo, No dia seguinte, porém, o corpo aparece pendurado em um guindaste, `a vista de todos. Um homem liga para Choi e passa a chantageá-lo para não contar que foi Choi quem matou o homem. Com ótimos atores, uma trama mirabolante e que prende a atenção o tempo todo , "As crónicas do mal" é uma ótima opção de filme para quem busca um passatempo inteligente e que faz raciocinar. O Desfecho é de cair o queixo. A curiosidade é confirmar o quanto os sul-coreanos amam tramas de vingança.

Marfa Girl

"Marfa girl", de Larry Clark (2002) Um dos mais polêmicos cineastas de todos os tempos, Larry Clark, que também é fotografo, faz do cinema a janela para o seu olhar extremamente pervertido sobre a juventude. Sexo, drogas e rock'n roll nunca vem em doses homeopáticas. Escandalizou o mundo todo quando lançou "Kids" e "Ken Park", repletos de sexo explicito envolvendo adolescentes e uso de drogas. O olhar sobre os jovens sempre foi desencantado, desesperador, um grito de socorro de uma geração perdida e alienada. Em "Marfa girl", nada muda. ambientado na cidade Texana, o filme acompanha vários personagens, todos jovens, e a sua rotina, que envolve skate, drogas, sexo livre, religião, migração. Nomeio desses jovens, existe um policial fetichista, que dá carona para mulheres e depois as estupra, e se utiliza da violência para poder se excitar. O filme tem a estética naturalista que celebrizou seus filmes: não atores que dão o texto como na vida rela, falas longas, muitas vezes sem muito interesse para o espectador. A nudez e cenas de sexo são constantes, mas dessa vez sem o teor explicito de seus outros filmes. Rodado em 2002, e vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Roma na época, o filme ainda teve uma continuação em 2007, com os mesmos personagens. Praticamente, um "A ultima sessão de cinema", de Peter Bogdanovich, que também fala sobre geração desencantada e teve uma continuação depois. Dos filmes de Clark, esse ´´o menos interessante.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

The bad batch

"The bad batch", de Ana Lily Amirpour (2016) Segundo longa da cineasta americana de descendência iraniana Ana Lily Amirpour, que realizou o cult de vampiros "Uma garota anda sozinha de noite", "The bad batch" tem como maior mérito ( ou não), reunir um elenco bizarro em uma trama para lá de estranha. Já imaginaram Keanu Reeves, Jim Carrey, Diego Luna e Giovana Ribisi, em uma trama distópica repleta de canibais e adoradores de raves, mesclados a Jason Mamoa (O novo Aquaman) e Suki Waterhouse ( de "Orgulho e preconceito e zumbis")? Pois o filme consegue ainda ser mais ousado: trilha sonora com pops dos anos 80 e musica eletrônica recente, e cenas de extrema violência ( ou você acha que arrancar braços, pernas e raspar uma coluna humana são cenas corriqueiras?) A trama se passa no futuro, e todos os delinquentes, hispanos e criminosos são expulsos dos Estados Unidos e jogados para o deserto que faz limite com o Mexico. Ali, virou uma terra de ninguém, povoado de canibais. E' ali que nossa protagonista Arlen (Suki) é jogada e tem seu braço e pernas devorados. Mesmo assim ela consegue fugir, e salva por um andarilho (Jim Carrey, irreconhecível) ela vai parar em uma comunidade que adora musica eletrônica e ecstasy, governada por The Dream (Keanu Reeves). Arlen ganha então uma perna de prótese, e ai, a personagem se assemelha bastante com a protagonista de "Planeta terror", de Robert Rodriguez. Tudo no filme é exagerado, e a estética moderninha da diretora acaba esvaziando a forca da trama, que já é um pouco tosca. Longo, o filme acaba não conquistando muito a simpatia do espectador, pela falta de carisma dos personagens. Eu adoraria ter gostado desse caldeirão de referencias de Filme B. Mas fiquei na vontade.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O mar de árvores

"The sea of trees", de Gus Van Sant (2015) Ninguém tem dúvidas do talento de Gus Van Sant, que nos trouxe filmes primorosos como "Elefante", "Paranoid Park" , "Garotos de programa" e " Milk". Em 2015, ele lançou "O mar de árvores" em estréia mundial na competição do Festival de Cannes. Talvez a carreira do filme tivesse sido outra, caso não tivesse concorrido no prestigiado Festival. Ali, o filme recebeu vaias homéricas e teve as piores criticas possíveis. E' compreensível. Não pelas qualidades do filme, mas porque não era o filme para um Festival desse porte. Ou alguém consegue imaginar o recente drama espirita "A cabana" concorrendo em Cannes? Pois é exatamente isso o que o filme é: um drama de auto-ajuda, sobre um homem, Arthur, um cientista (Matthew McConaughey) que enfrenta a dor da morte de sua esposa, Joan (Naomi Watts). Claro, como todo filme espirita, existe aquele embate entre fé e a razão, por isso Arthur é um cientista. Sentindo-se culpado por não ter dado a devida atenção a sua esposa quando ela era viva, ele resolve se matar na famosa floresta de Aokigahara, no Japão (essa floresta ja foi tema de vários filmes de terror). Ali, visitantes se perdem para morrer. No entanto, em sua caminhada, Arthur se depara com um japonesa, um executivo que se arrependeu de se matar e quer encontrar a saída (Ken Watanabe). O filme então vai e volta no tempo, mostrando lição de moral do japonês, e a vida pregressa de Arthur convivendo com sua esposa. "O mar de arvores" se deu mal porque foi divulgado de forma errada. Se os produtores tivessem sido espertos que nem a galera do filme "A cabana", teriam se dado muito melhor. O filme nem sequer foi lançado nos cinemas aqui no Brasil. Com muitos diálogos repletos de frases de efeito e edificantes, o filme so ira agradar quem busca palavras de apoio. Caso contrario, se sentirá traído. Nem a grande virada da história no final o fará se redimir com o filme. Parabéns ao roteirista Chris Sparling, que espertamente, pegou o mote da série de terror "Premonição" e a desenvolveu nesse drama. Os atores estão bem, mas por conta das cenas tão melodramáticas, acabaram virando motivo de chacota da imprensa. Uma pena. E Gus Van Sant acabou meio que ficando no limbo. Vamos aguardar seu próximo filme.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O filme da minha vida

"O filme da minha vida", de Selton Mello (2017) Adaptação do livro do escritor chileno Antonio Skármeta ( que faz uma participação no filme como um dos clientes do bordel da cidade de Fronteira), "O filme da minha vida" é um filme de um realizador cinéfilo. Além dos óbvios Fellini e Ettore Scola ("Amarcord", " A família"), bases chave para o tom de melancolia familiar e muita anarquia, pode-se ver desde Terrence Malick ( narração em off em cima de imagens poéticas), Nicholas Ray("Juventude transviada", e a comparação entre o personagem de Jonnhy Massaro e James Dean) , Ingmar Bergman ("Morangos silvestres" e a reminiscência da memória familiar), Sergio Leone ("Era uma vez na América" na representação dos meninos virgens), Pasolini ("Pocilga" e as divagações sobre a relação homem e porcos) , Godard, Agnes Varda e toda uma leva de cineastas românticos da Nouvelle Vague francesa. O filme é de uma beleza incomum, graças `a fotografia do mestre Walter Carvalho, mais uma vez, pincelando com tintas espantosas esse universo de lembranças. A história, ambientada dos anos 50 a 60, acompanha Tony ( Jonnhy Massaro na fase adulta), um jovem professor de francês, que vive com a sua mãe, Sofia (Ondina Clais, uma maravilha de atriz) no sitio. Ela é telefonista, e ambos aguardam pro anos o retorno do pai de Tony, Nicolas Vilanova (Vincent Cassel), que sumiu sem deixar vestígios. Enquanto isso, Tony vive aventuras amorosas com Luna (Bruna Lizmeyer) e com uma prostituta do bordel, além de ser motivo de chacota de seus alunos na escola. Filmado em locações deslumbrantes, é um filme que certamente irá fazer o espectador romântico se apaixonar, pois essa é a matéria prima da historia, o amor. As cenas na sala de cinema sao lindas e claro, presente para qualquer cinéfilo. Em seu terceiro longa, Selton Mello ( que vive o personagem Paco), mostra mais uma vez talento para a direção, com atores em momentos mágicos e nos enquadramentos e planos estudados com maestria. A trilha sonora é um show `a parte, com clássicos da época, entre elas, "Coração de papel", de Sergio Reis, e "Comme d'ahabitude", de Claude Francois.

Como você é

"As you are", de Miles Joris-Peyrafitte (2016) Escrito e dirigido por Miles Joris-Peyrafitte, esse é seu filme de estréia e venceu o Premio do juri de melhor drama em Sundance 2016. O filme é um poderoso drama sobre adolescência conturbada. Em meados dos anos 90, no auge do Grunge e seus roqueiros raivosos, 3 adolescentes se conhecem e se tornam amigos em uma cidade do interior repleta de conservadorismo: Jack, filho de Karen (Mary Stuart Masterson, tava com saudades), mãe solteira; Mark , um adolescente problemático, filho de um ex-militar violento e que começa a namorar Karen; e Sarah, uma adolescente negra adotada por um casal branco e que se afeiçoa por Mark e Jack. Tudo começa bem, mas vai se desenvolvendo em dramas violentos a partir do momento que Jack responde psicoticamente a um beijo dado por Mark, e tudo desaba. O filme, uma produção independente, tem linda fotografia, uma trilha sonora envolvente e uma melancolia que perpassa todo o filme. Excelente atuação de todo o elenco, e uma densidade dramática poucas vezes vista em filmes sobre adolescentes. realizada com muita competência e seriedade. A estrutura narrativa do filme lembra a do seriado "Big little liars", começando por depoimentos na policia, que vão costurando a narrativa do filme até a sua revelação final. Recomendado.

domingo, 23 de julho de 2017

De canção em canção

"Song to song", de Terrence Malick. Malick, outrora cineasta que filmava de dez em dez anos, agora tomou gosto pela coisa de vez e resolveu fazer quase que um filme por ano. Recuperando o tempo perdido, ele quase que filmou 2 longas simultaneamente : "Cavaleiro de copas" e " De canção em canção". A verdade nua e crua é que, depois do grande sucesso de "A árvore da vida" que lhe rendeu Palma de ouro em Cannes em 2011 e mais de 100 prêmios Internacionais, Malick resolveu se repetir na formula. Com o seu habitual parceiro Fotografo Emmanuel Lubezky, mais uma vez acompanhamos dramas e romances burgueses envoltos em traições, sofrimentos, crises existencialistas, planos rodados em grande angular trilha sonora pomposa, locações deslumbrantes, embrulhados para dormir em vozes Off declamados pelo elenco como se estivessem entoando canções de ninar. Quase não ha diálogos, tudo é apresentado em tons épicos, Rooney Mara, Michael Fassbender, Cate Blanchett. Ryan Gosling e em menores participações, Holly Hunter e Val Kilmer, doam corações e mentes para seus personagens errantes, envoltos em triângulos amorosos. Rooney Mara tem a personagem que costura todas as historias: uma compositora, dividida entre o amor de um produtor musical,(Fassbender) e um compositor (Gosling), que por sua vez, se envolvem com outras mulheres. Nesse mundo musical, onde tudo é permitido, vive-se num ambiente idílico regado a sexo e drogas. Bonito de ver, mas bastante cansativo para acompanhar.

A fuga

"A blast", de Syllas Tzoumerkas(2014) Escrito e dirigido pelo cineasta grego Syllas Tzoumerkas. "A fuga" é mais um drama que se aproveita do tema da recessão económica e do caos que se instaurou na Grécia por conta das dividas do Governo com os seus credores. Syllas Tzoumerkas conta essa mesma historia, através do drama de Maria: casada, com 3 filhos, filha de pais donos de uma loja, com uma irmã casada com um fascista...porém, com todos endividados. Sem saber como dar conta das dividas, a família se desestabiliza: o marido, um marinheiro, transa com outro marinheiro no seu trabalho marítimo..a mãe está paralítica..o pai provoca um acidente trágico..a irmã apanha do marido...resta `a Maria, a fuga desse ambiente opressivo. Com excelente trabalho da atriz principal, Angeliki Papoulia, o filme tem boa direção, mas a edição confusa ( talvez querendo provocando uma sensação caótica para o espectador), com vai e vem de presente e passado, deixa o espectador sem norte. O filme é repleto de cenas de sexo, fortes mas não explícitas. que trazem a dualidade dessa protagonista tão complexa. Para quem gosta de filmes gregos, é uma boa opção. O filme participou de mais de 70 Festivais, entre eles, Locarno.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

O holofote não é para todos

"Don't think twice", de Mike Birbiglia (2016) Brilhante dramédia, obrigatório para qualquer Ator que queira refletir sobre a sua carreira. Escrito, dirigido, produzido e protagonizado por Mike Birbiglia, esse baixo orçamento rodado em Nova York, narra a história de uma trupe de teatro de improvisação. Conhecidos como "Comuna", o grupo se formou há anos e tem 6 integrantes. Eles se apresentam em um teatro off Broadway que foi vendido e portanto, eles possuem mais 2 semanas de apresentação. Cada um dos integrantes tem um sonho: ser escalado para um programa de tv chamado "Weekend live", uma espécie de "Saturday night live". E essa oportunidade surge quando 2 produtores de casting do programa surgem na platéia. Porém, apenas um dos integrantes do grupo é escalado, provocando ciúmes, discórdia e frustração no restante do grupo, outrora unidos. O filme começa com um pequeno relato sobre o teatro da improvisação: que surgiu nos Estados Unidos nos ano 50, e que possuem 3 regras básicas: 1) Diga sim ( concorde com o mundo que seu parceiro esta criando, se permita) 2) Saiba trabalhar em grupo, não existe o indivíduo, tudo é pelo grupo 3) Não pense, aja. O subtítulo do filme resume bem o filme: " Os holofotes não são para todos". E é isso o que acontece, e é a mais pura verdade. Tem gente que tem talento, mas não tem sorte. Tem talento, mas não tem "savoir faire". Tem talento, mas não tem carisma. Sao poucas as chances de acontecer nesse mundo artístico, e o anonimato sorri para todos. O filme é triste, melancólico, cruel, e fala também sobre envelhecer e não ter os seus sonhos conquistados. Tudo no filme é brilhante: O roteiro, os diálogos, o elenco ( Ben Stiller faz uma participação), a direção. Amei ter visto, e amaria que todos vissem e refletissem sobre suas vidas. Bônus: O filme tem cenas extraordinárias de exercícios de improvisação!!!!

quinta-feira, 20 de julho de 2017

7 desejos

"Wish upon", de John R. Leonetti (2017) Dirigido pelo mesmo Cineasta do blockbuster "Annabelle", "7 desejos" pega emprestado os motes de "Hellraiser" (sem os Cenobitas) e de "Premonição" e sacode tudo num mesmo saco sem sal. Vendido como terror, o filme não assusta, e pior, as cenas de morte que deveriam ser fortes, acabam não sendo mostradas. Provavelmente, os produtores, visando um publico maior, evitaram mostrar sangue e violência. E' um filme para adolescentes, mostrando todo aquele universo que já estamos batidos de assistir: bullying, filha deprimida, o garotão da escola, a bitchie da escola, os nerds, etc Claire (Joey King), é uma adolescente atormentada pelo suicídio de sua mãe. Seu pai, Jonathan (Ryan Phillippe, irreconhecível) virou catador de lixo. Um dia, ele encontra uma caixa chinesa e o presenteia a sua filha. Ela descobre, aos poucos, que a caixa garante 7 desejos a quem o possuir. Entre cobiça, vingança e ambição, Claire descobre que os desejos podem se tornar mortais. Queria muito ter gostado do filme, mas a história é fraca, o elenco sem carisma algum ( queria que a protagonista morresse em determinado momento) e os sustos inexistentes. Quanto ao roteiro, ele é tão ridículo que irrita algumas passagens ( a cena da vizinha querendo mexer no triturador de lixo é patética). Porém, nada me deixou mais triste do que testemunhar a derrocada de outrora uma grande promessa de ator, que nos anos 90 se destacou como um ídolo adolescente: Ryan Phillippe. Ele chegou a se casar com Reese Witerspoon, que esperta, se reinventou e saiu dos filmes medianos. Ryan se perdeu no caminho. Torço para que ele também se reinvente.

A reencarnacao do sexo

"A reencarnação do sexo", de Luiz Castellini (1982) Raro filme erótico de terror nacional, baseado em um conto do "Decameron", de Bocaccio, "A reencarnação do sexo" é um gore com muito sangue e mutilações bem ao gosto de fãs de filmes B de terror. A diferença aqui é que o filme tem recheio de cenas de sexo, algumas explicitas, mas que não chegam a ser consideradas pornochanchadas por não ter humor. Em uma fazenda, o pai de uma jovem resolve matar o seu empregado, Arthur, que está tendo um caso com a sua filha. Ele enterra o corpo, mas a filha encontra o cadáver, corta a cabeça e o enterra no vaso de plantas da sala. O pai fica louco e é internado em um hospício, e a filha se mata, tornado-se, assim como o seu amado, dois espíritos que vagam na fazenda. Todos os novos inquilinos acabam morrendo de forma trágica daí em diante. Para quem tiver mente aberta, irá se divertir bastante com esse filme, repleto de cenas trash, divertidas, inclusive as cenas de sexo são bem bizarras. Em uma das mortes, uma mulher morre sufocada por um vibrador que ela estava praticando sexo oral. E pensar que os filmes nacionais dos anos 80 eram tão ousados e vanguardas, e hoje em dia, tudo encaretou. Curiosidade: o filme coloca em sua trilha sonora, descaradamente, uma música de Vangelis.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Coração e alma

"Réparer les vivants", de Katell Quillévéré (2016) Puta que o pariu, que filme lindo! Chorei cem litros, o filme é um verdadeiro épico de dramas emocionantes, que remete as filmes de Inarritu que entrecruzam historias, como "21 gramas" e " Amores brutos". Baseado no livro de Maylis De Kerangal, a cineasta Katell Quillévéré fez a adaptação para o cinema e brinda o espectador com performances extraordinárias em um drama arrebatador, que não tem medo de se assumir como dramalhão e o faz com extrema competência. 3 historias são narradas a partir de uma tragédia: 1) O jovem Simon sofre um acidente de carro após surfar com seus amigos. Declarado com morte cerebral, seus pais (Emmanuele Seignier, arrasadora) precisam decidir se doam seus órgãos ou não. 2) Uma mãe divorciada (Anne Dorval, de "Mommy", de Xavier Dolan) e com 2 filhos, tem problema de coração e pode morrer a qualquer momento. Ela resolve se despedir visitando sua ex-companheira, uma pianista. 3) Médicos (entre eles, o pop star Frances Tahar Rahim) de um hospital que socorrem vitimas necessitados de transplantes urgente. O elenco é um verdadeiro caso `a parte nesse filme: sem apelar para pieguices, o trabalho dos atores comove pela forte dramaticidade. Todos, sem exceção, possuem momentos solo de brilhantismo. A cena do jovem casal em seu primeiro amor, quando Simon vai atrás da menina de bicicleta pela cidade, é um primor de romantismo. A trilha sonora é do Mestre Alexandre Desplat, e a fotografia, de Tom Harari, enaltecendo momentos de melancolia e ternura, e captando cenas exuberantes no surf dos meninos. Um filme obrigatório para quem gosta de um bom drama, se comover, chorar e testemunhar atores dando o melhor de si.