sábado, 18 de janeiro de 2020

Pacientes de um Santo

"Pacients of a saint", de Russell Owen (2019) Drama de horror inglês, ambientado na Ilha de São Leonardo, no Norte do Atlântico. No presídio, moram os prisioneiros mais perigosos do mundo, vindo de diversos países. Na ala feminina, se encontra Chloe (Meg Alexandra), que é traumatizada pela imagem de sua mãe se suicidando na praia, diante de seus olhos. Chloe precisa aprender a sobreviver no presídio, por conta da alta periculosidade das outras detentas. Misteriosamente, alguns pacientes surgem com um surto de raiva, que mais adiante, vamos descobrir ser experimento que cientistas fazem nos presos para tentarem achar a cura de diversas doenças. Os efeitos das vacinas transformam os pacientes em zumbis sedentos de sangue. O filme não traz nada de novo para quem está acostumado ao Gênero. A curiosidade fica por conta de um elenco de protagonistas femininas, e uma atmosfera que lembra os zumbis de "Extermínio", de Danny Boyle. Mesmo com baixo orçamento, os efeitos são interessantes. Não fosse o filme tão longo, quase 2 horas de duração, teria sido mais interessante. Perde-se muito tempo com dramas pessoais e o investimento nas cenas de ação acabam sendo bem poucas.

Enquanto vivemos

"Mens vi lever ", de Mehdi Avaz (2017) Contundente drama dinamarquês, dirigido pelo cineasta iraniano Mehdi Avaz com roteiro escrito por seu irmão Miladi Avaz. Quem assistiu "Crash"e "Manchester à beira mar"vai gostar bastante de "Enquanto vivemos": ele tem aquele tom de melancolia e tragédia eminente, e a edição vai trazendo novas informações ao espectador. O filme fala sobre perdas, tanto emocionais quanto físicas. O filme, baseado em fatos reais, acompanha a trajetória de diversos personagens, todos interligados por kristian (Sebastian Jessen), Pescador, ele mora com sua noiva no norte da Dinamarca. Kristian é um homem silencioso e guarda para si um trauma do passado do qual não consegue se recuperar. Um dia, um homem bate em sua porta dizendo que um conhecido dele está hospitalizado, à beira da morte. Esse fato deflagra em Kristian o desejo de querer reparar os traumas do passado, e de reconectar com pessoas com quem ele perdeu contato. Com um excelente trabalho de atores, o filme apresenta também lindas locações , uma trilha sonora que compõe bem com as imagens e uma fotografia em tons dramáticos. É impossível não se lembrar dos 2 filmes citados, mas isso não faz desmerecer "Enquanto vivemos". Para quem gosta de um drama carregado em tintas emocionais, é um filme imperdível.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

1917

"1917", de Sam Mendes (2019) "O tempo é o inimigo". Com essa frase, Sam Mendes elabora um dos filmes tecnicamente mais extraordinários da história do cinema. O roteiro, escrito pelo próprio Sam Mendes com a roteirista Krysty Wilson-Cairns, é elaborado através das histórias que o pai de Sam Mendes, Alfred Mendes, narrou e que ficou registrado em sua biografia, contando histórias acontecidas durante a 1a guerra mundial quando ele fazia parte do 19o batalhão. Sam Mendes uniu boa parte das histórias e as transformou na figura heróica do soldado Schofield (George Mackay), que junto do soldado Blake (Dean-Charles Chapman), têm a missão de entregar uma mensagem até um batalhão. A mensagem pede para que o ataque previsto contra os alemães seja cancelado, evitando a morte de 1600 soldados, pois foi descoberto que se trata de uma armadilha. A mensagem tem que chegar no máximo um pouco antes do amanhecer, hora marcada para a ofensiva. Com um trabalho absolutamente irrepreensível da câmera e fotografia de Roger Deakins, que aqui faz mágica, colocando a sua câmera em lugares que simplesmente, não sei como foi feito. É como se a câmera não existisse, e pudesse flutuar, entrar na água, se arrastar nas trincheiras, entrar em cavernas, etc. Para tornar tudo mais complexo, Sam Mendes e Roger Deakins conceberam tudo para ser um único plano sequência de 2 horas de duração, com emendas feitas para passarem de forma despercebida, semelhante ao filme "Birdman". Aliás, é de "Birdman"que vem a referência de seu cineasta: "1917"é como a junção do desafio de "Birdman"com a epopéia de um homem só de "O regresso". Pense nesses dois filme se você terá "1917". Esse filme só existe por conta do plano-sequência, que torna tudo mais tenso e desafiador, afinal, existe um tempo preciso para que a ação ocorra. George Maccay , que interpretou o filho mais velho de Viggo Mortensen em "Capitão Fantástico", está esplêndido, e é uma pena que não tenha sido indicado ao Oscar de melhor ator. Ele carrega o filme literalmente nas costas em momentos viscerais e brilhantes. Colin Firth, Benedict Cumbarbach e Richard Madden fazem participações especiais em um filme com um excelente de atores ingleses desconhecidos. O mais curioso, é que o filme faz um marketing errado: na verdade, a idéia não é que o filme seja visto com de um plano único: existe um momento óbvio de passagem de tempo, com clara indicação de corte. Eu diria que é um filme de 2 planos, mesmo que as emendas passem imperceptíveis. (Qualquer fotógrafo e técnico de cinema vai perceber os cortes). Até há pouco tempo, ninguém falava de "1917". Mas bastou ele ganhar os Globos de Ouro de Melhor filme e melhor diretor, roubado todas as atenções de Tarantino e Scorsese, que eram os favoritos com "O irlandês"e "Era uma vez em ...Hollywood", para que o filme ampliasse seus horizontes e fosse visto por quase todo mundo.

Amor de cabelo

"Hair love", de Matthew A. Cherry, Everett Downing Jr. e Bruce W. Smith (2019) Um dos cinco finalistas ao Oscar de curta animação 2020, "Amor de cabelo"é uma adaptação do livro de Matthew A. Cherry, que devido ao grande sucesso da obra literária, foi imediatamente comprada pela Sony para ser exibida antes da animação"Angry birds 2" nos cinemas. A história é sobre uma família afro-americana: uma menina acorda com o cabelo cheio, e pede para que seu pai a penteie de acordo com uma foto de referência que ela mostra em sue Ipad. Diante da dificuldade do pai em fazer o penteado, ela mostra um vídeo no celular de sua mãe mostrando como fazer o penteado, passo a passo. A surpresa do filme fica por conta do paradeiro da mãe. Alternando humor e drama, esse filme é de uma beleza incomum: simples mas direto ao assunto, um projeto que se orgulha de ser representativo da cultura negra americana. O desfecho é emocionante.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Harriet

"Harriet", de Kasi Lemmons (2019) Não fosse pela indicação da protagonista Cynthia Erivo entre as finalistas do Oscar de melhor atriz 2020, muito provavelmente esse filme teria sido jogado no limbo das distribuidoras e colocado em alguma plataforma de streaming para ficar ali mofando. Dirigido e escrito pela cineasta Kasi Lemmons, "Harriet" é uma cinebiografia correta da abolicionista e ex-escrava Harriet Tubman, que durante a Guerra civil americana , na escravagista cidade de Maryland. Em 19849, ela conseguiu fugir, após ter uma visão divina e seguiu para Pensilvânia.Lá, ela conhece negros abolicionistas e a partir daí, Harriet comanda missões para salvar escravos e fugir com eles para estados onde não existem escravidão. Harriet é conhecida por ter fugido com mais de 750 escravos, e ainda ter sido espiã como aliada da União. Durante vários momentos do filme, Harriet é vista tendo visões. O filme foi bastante criticado por estudiosos e historiadores que acusaram a produção do filme de terem mentido fatos e tornado a figura de Harriet como quase uma super heroína. A direção de Kasi Lemmons é correta, mas conduz tudo de forma burocrática e sem emoção. De qualquer forma, é um filme importante pelo tema, e por ser um projeto conduzido por mulheres, valorizando o trabalho artistico de profissionais mulheres na frente e atrás das câmeras.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Perdi meu corpo

"J'ai perdu mon corps ", de Jérémy Clapin (2019) Super premiada animação francesa, baseada no livro de Guillaume Laurent, "Happy hand", e surpreendentemente, tendo entrado na seleta lista de indicados do Oscar para longas de animação, tirando do páreo super Blockbusters como "Frozen 2"e "o rei Leão". Dirigido pelo francês Jeremy Clapin, o filme tem uma narrativa muito estranha, quase surreal, acompanhando duas histórias paralelas: Naoufel e sua mão decepada. Naoufel é um entregador de pizzas que fica apaixonado por uma cliente e faz de tudo para se aproximar dela, inclusive indo trabalhar com o tio dela na carpintaria só para ficar perto dela. Acompanhamos também a história da mão decepada de Naoufel, que foge da geladeira aonde ela se encontrava e segue pelas ruas de Paris, fugindo de toda sorte de perigos, para se reimplantar novamente ao corpo de seu dono. O plot do filme é bastante estranho mesmo, tem que se assistir ao filme com uma mente bem aberta e sabendo que vai lidar com elementos lúdicos e poéticos. No fundo, é uma história de amor, carência e de perdas que refletem na vida de uma pessoa atormentada por traumas do passado. Não sei se curti o filme, mas inegavelmente, é instigante e aberta a várias metáforas.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Adoráveis mulheres

"Little women", de Greta Gerwig (2019) Sétima adaptação cinematográfica do romance clássico "Little women", escrito por Louisa May Alcott em 1868. Greta Gerwig adaptou o livro e dirigiu essa bela história familiar que envolve um núcleo de 4 irmãs unidas pela determinação de darem suas vozes em uma sociedade paternalista e extremamente machista, ambientada nos Estados Unidos de 1868, durante a Guerra Civil americana. A família March consiste na carinhosa matriarca Marmee (Laura Dern), que cuida com afinco suas 4 filhas enquanto o marido está no front: Jo ( Saoirse Ronan), a mais velha; Amy (Emma Watson), Meg (Florence Pugh) e Beth ()Eliza Scanlen), além da mau humorada e conservadora Tia March (Meryl Streep). Cada uma das irmãs tem um desejo de ser independente e construir uma carreira. Jo escreve um livro, ainda sem final, e o oferece a um editor, que quer que ela escreva um final onde a protagonista se case, segundo ele, o que faz vender um livro. Jo é contra essa idéia, dizendo que sua personagem é independente. Além desse formidável time de atrizes femininas, o filme tem o apoio de um grupo de atores de primeiríssimo nível: Timothée Chalamet. Louis Garrel, Chris Cooper e e James Norton. Greta Gerwig dirige o filme com muita delicadeza e criatividade, evitando o clichê dos melodramas de época e apostando em mensagens feministas e de inclusão em uma sociedade que quer arrocha a mulher, naquele chavão de casamento e cuidar dos filhos. A trilha sonora, de Alexandre Desplat, é de uma beleza impressionante, e também a fotografia do francês Yorick Le Saux, apostando na cartela de cores padrão dos filmes românticos clássicos de Hollywood. "Adoráveis mulheres"é o oposto do que seu título parece ser: é uma história de protagonistas femininas fortes, que segundo Greta Gerwig, foram suas heroínas de infância ( Jo e a autora do livro). Merecidamente, o filme tem arrebatado muitos prêmios, e trazendo de volta ao grande público uma narrativa mais acadêmica, mas nem por isso, menos eficiente e prazeirosa. Curioso saber que Florence Pugh começou a filmar dias depois de se despir da protagonista de "Midsommar", um filme radicalmente oposto em proposta e tom para a atriz. A coincidência é vê-la em ambos os filmes com um arranjo de flores em sua cabeça. A famosa versão de 1994 também tinha um elenco all star: Winona Ryder, Susan Sarandon, Kirsten Durnst, Claite DAnes, Christian Bale, Gabriel Byrne e Eric Stoltz.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Ameaça profunda

"Underwater", de William Eubank (2019) Um híbrido de "Alien, o 8o passageiro" e "Gravidade", com uma protagonista feminina. Ok, "Ameaça profunda" não traz nenhuma novidade para ninguém. O filme é óbvio em todos os seus momentos, e de verdade, nem sequer busca ser algo original. Mesmo assim, dá para assistir como passatempo. Afinal, não é toda hora que se assiste à Kirsten Stewart fazendo uma heroína à la Ripley de Sigourney Weaver., com direito a muita porradaria , tiros e monstros que os criadores nem tentaram fazer diferentes dos bichanos de Aliens. O filme troca o espaço sideral pelas profundezas do oceano pacífico ( Outra referência: "Pacific rim", de Guillhermo del Toro, um mar repleto de monstros escondidos no subsolo e que surgem por conta de um terremoto). O filme é muito escuro e mal dá para ver os bichanos às vezes, mas vale dar um crédito à produção, que ainda traz Vincent Cassel para dar mais credibilidade. Kirsten Stewart parece estar em uma maré de azar, pois no único ano, ela lançou dois mega fracassos: "As panteras"e agora esse 'Ameaça profunda".

O escândalo

“Bombshell”, de Jay Roach (2019) O drama “O escândalo” vem sendo aclamado pelos críticos pela performance arrebatadora do trio feminino principal: Charlize Theron, Nicole Kidamn e Margot Robbie. Também está sendo comentado fortemente pelo trabalho irrepreensível da equipe de maquiagem, que transformou Charlize Theron e John Lightgow em pessoas com fisionomias totalmente diferentes dos atores. Mais: muita gente anda detonando o filme por ele querer defender as mulheres e o abuso do assédio sexual no trabalho, e no entanto, o filme ter sido dirigido e escrito por homens, e acusando do filme ser narrado pelo ponto de vista de autores masculinos. Ou seja, “O escândalo” do filme permeia também os bastidores do projeto, que mesmo com tantas críticas favoráveis ou contra, desperta atenção do espectador justamente pelo trabalho do elenco, mesmo os coadjuvantes de luxo, como Allison Janney e Malcom Macdowell, interpretando Robert Murdoch, o Presidente da News Corporation, que engloba a Fox News, The Times e Wall street jornal. O filme narra os bastidores que levaram à demissão do todo Poderoso CEO da Fox News, Roger Ailes (John Lightgow), por um time de funcionárias da empresa que o acusaram de assédio. Entre elas, as âncoras Megyn Kelly (Theron) e Gretchen Carlson (Kidman). A personagem de Robbie, Kayla Pospisil, é a única fictícia, criada justamente para ser um amálgama de todas as mulheres que sofreram assédio e tiveram que ficar caladas por um bom tempo por conta do ambiente masculinizado e tóxico da empresa. O cineasta Jay Roach é famoso por ter dirigido a franquia “Austin Powers” e o roteirista Charles Randolph é o responsável por “A grande virada”, filme de Adam McKay que criou aquela linguagem que une documentário, sátira política e muito deboche e humor negro. Muito dessa narrativa está presente aqui no filme, que tem uma edição bem próxima ao filme de Mackay. O filme é excelente para se entender os bastidores de uma rede de noticias, com todas as suas malandragens e perfídia. E isso tudo durante a campanha de Trump à Presidência, em 2016. Bem dirigido e com ótimo elenco, o filme cansa às vezes, mas no final fica-se a sensação d éter assistido a um filme que importa e muito.

domingo, 12 de janeiro de 2020

O milagre de Anne Sullivan

“The miracle worker”, de Arthur Penn (1962) Vencedor dos Oscars de Melhor Atriz para Anne Bancroft e de atriz coadjuvante para Patty Duke, aos 16 anos de idade, em 1963, até então a atriz mais jovem a receber o prêmio, o filme é uma biografia de Hellen Keller, que aos 7 anos de idade, em 1888, contraiu uma febre e ficou surda, muda e cega. Arthur Penn dirigiu a peça teatral ‘A miracle worker” em 1959, escrita por Willian Gibson, com as mesmas Bancroft e Patty Duke nos papéis principais. Ao comprar os direitos, a United Artists queria Elisabeth Taylor ou Audrey Hepburn no papel da professora Anne Sullivan, que acabou ficando com a própria Bancroft, por insistência de Penn. Para quem não conhece o cineasta, em 1967 ele iria dirigir a obra-prima “Bonnye e Clyde”. Bancroft interpreta Anne Sullivan, uma jovem professora que já foi cega e que tem métodos pouco ortodoxos para tentar fazer com que Hellen, aos 7 anos de idade, se comporte como uma pessoa civilizada. Por excessos de mimos da mãe, Hellen se tornou quase que uma criança primitiva e rebelde. Com extrema dificuldade, Sullivan procura ensinar a linguagem de sinais e boas maneiras à Helen, que sempre se rebela. Com muita determinação, Sullivan aos poucos vai fazendo a menina entender que o amor é o mais importante na vida. Helen viria a se tornar uma famosa escritora, professora e ativista política nos Estados Unidos. Em 1920, ela escrever a biografia “Essa é a minha vida”, retratando a sua relação com Anne Sullivan. O que mais impressiona no filme, são as performances irrepreensíveis de Anne Bancroft e Patty Duke nesse verdadeiro clássico esquecido dos anos 60. Totalmente entregues aos papéis, em cenas de tirar o fôlego, vide a antológica cena de quase 10 minutos da sala de jantar, com Sullivan tentando ensinar Hellen a segurar uma colher. Uma cena totalmente sem diálogos, só nas performances de corpos e intenções. Uma verdadeira aula de cinema e decupagem. A fotografia também é um item à parte: em preto e branco expressionista, Ernesto Caparrós traz sombras que remetem a filmes de terror para um drama Bergmaniano, com direito a flashbacks surrealistas. Laurence Rosenthal traz uma trilha sonora imponente e arrebatadora. O elenco de apoio também é primoroso, principalmente os atores que interpretam os pais de Hellen. Imperdível.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A hora de sua Morte

"Countdown", de Justin Dec (2019) Escrito e dirigido por Justin Dec, o terror juvenil "A hora de sua morte" é uma versão tecnológica da franquia "Premonição": após baixarem um aplicativo chamado 'Countdown", os donos dos celulares descobrem quanto tempo ainda tem antes da hora de sua morte. Alguns têm décadas, outros como a enfermeira Quinn, só tem 3 dias de vida. Desesperada, Qunn tenta de todas as formas ludibriar a hora de sua morte, sem sucesso. O aplicativo não consegue ser deletado e nem o hacker consegue mudar o seu sistema operacional. Ou seja, quando chegar a hora da Morte, nada conseguirá mudar o seu destino. Pelo menos, é o que Quinn tentará fazer. O filme utiliza todos os recursos dos clichês existentes em filmes de terror, até trazendo humor no personagem de um padre exorcista. O elenco é ok, o roteiro é fraco mas para um passatempo, o filme quebra o galho.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Link perdido

"Missing link", de Chris Butler (2019) A animação de bonecos de massinha "Link perdido" foi o grande azarão no Globo de Ouro 2020, ao vencer pesos pesados e francos favoritos como "o Rei Leão", "Frozen 2", "Toy story 4" e "Como treinar o seu dragão 3". Só há uma explicação para tal feito: os votantes resolveram votar em algo original , fazendo uma severa crítica a filmes de franquias (O Rei Leão é uma refilmagem) De todos os 5 filmes, "Link perdido" é o mais fraco e com menos encantamento. A história já nem é tão original: como assim, mais um filme sobre o personagem do Pé Grande? Depois de "Abominável" e "Pés pequenos"??? O que confere charme ao filme é o time de atores que dublam nas vozes originais: Hugh Jackman, Emma Thompson, Zoe Saldana, Zach Galifianakis e Stephen Fry. No início do Séc XX, em Londres, Sir Lionel Frost (Jackman) passa seus dias indo atrás de monstros míticos, como Loch Ness. Frost deseja fazer parte do seleto grupo dos exploradores de Londres, mas os integrantes não lhe dão valor, pois Frost não tem nenhuma prova viva de nenhum dos monstros que diz ter visto. Para isso, resolve ir atrás do pé Grande nos Estados Unidos. Chegando lá, ele encontra Mr Link (Zach Galifianakis), um descendente dos Pé Frios mas com uma diferença: ele é alfabetizado e fala inglês. Frost simpatiza com Link, cujo sonho é reencontrar sua família em Shangri-lá. Frist decide levar Link at;e lá, e pede ajuda à sua ex-namorada, Adelina (Zoe Saldana). O que ele não sabe é que um assassino está em seu encalço. O filme tem uma história que mistura "Horizonte perdido" com um pouco de "Indiana Jones". É um filme simpático, mas os traços dos bonecos achei feios e sem graça. Achei que faltou mais encantamento, e um ritmo mais dinâmico para contar a história. O diretor Chris Butler é o mesmo do interessante "Paranorman".

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Um milhão de pedacinhos

"A million little pieces", de Sam Taylor-Johnson (2019) Adaptação do best seller autobiográfico de James Frey, um escritor que ficou mundialmente conhecido quando a apresentadora Oprah Winfrey indicou o seu livro "Um milhão de pedacinhos" para os espectadores. O livro, lançado em 2003, seriam memórias de Frey quando ele foi internado em uma instituição para viciados em drogas, e as histórias de superação e de relacionamento com outros pacientes. Anos mais tarde, descobriu-se que quase tudo no livro foi inventado e que nunca havia acontecido com Frey. Mesmo com a farsa descoberta, Frey continua sendo um escritor de grande sucesso e é dono de uma ONG. A cineasta inglesa Sam Taylor-Johnson, mais conhecida pelo drama "Nowhere boy", sobre a adolescência de John Lennon, ficou famosa na época por, aos 42 anos, ter se casado com o protagonista de seu filme, Aaron Taylor Johnson, que tinha 18 anos na ocasião. Sam dirige seu marido Aaron, que co-adaptou o livro, nessa cinebiografia, que traz a rotina de James dentro da instituição. Para quem está acostumado a ver filmes com tema semelhante, como "Um estranho no ninho" e tantos outros de recuperação, não encontrará nada de novo aqui. Todos os clichês do tema estão aqui no filme, incluindo o suicídio de um dos pacientes. O que chama atenção é o elenco de apoio composto de atores famosos, como Juliette Lewis, Billy Bob Thorton, Charlie Hunnan e Giovanni Ribisi. Aaron não me pareceu a escolha mais adequada pro papel. Sim, ele está bem, é um bom ator. Mas quando ele está sem roupa ou nú, ele está com o corpo totalmente definido de músculos, o que fica incoerente com o perfil de um drogado que, segundo o médico, tem todos os órgãos internos fudidos e que ele não sabe como James continua de pé.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Zombie child

"Zombie child", de Bertrand Bonello (2019) O cineasta francês Bertrand Bonello faz parte de uma geração de realizadores provocadores que levantam temas como colonialismo, atos terroristas pregados pela juventude em cults como "Nocturama" e agora, "Zombie child", que concorreu na Mostra dos realizadores de Cannes 2019. Bertrand Bonello também dirigiu os polêmicos "Saint Laurent"e "L'apollonide", filmes que retratavam questões de subserviência sexual. "Zombie child" é livremente inspirado na história de Clairvius Narcisse, um homem que morreu de doença em 1962 no Haiti que vivia uma ditadura política, presidida por Papa Doc, um tirano que assassinou milhares de civis. O Haiti foi uma colônia francesa por muito tempo antes de Papa Doc. Clairvius Narcisse foi ressuscitado por feiticeiros vodu e ao renascer como zumbi, foi obrigado a trabalhar como escravo na plantação de cana. Em 1980, ele se libertou de sua condição de escravo, se casou e "renasceu"como ser humano, até morrer em 1994. Essa história é contada paralela à de Melissa, a neta de Clairvius que vive na França dos dias atuais. Ele estuda em uma escola de elite somente de mulheres, destinado à filhas de condecorados pela Legião Francesa. Melissa conta à suas amigas a história de seu avô. Somente Fanny acredita na história, e contrata a tia de Melissa, conhecida como feiticeira vodu, para jogar uma magia no ex-namorado de Fanny que a abandonou. "Zombie child", apesar de ter participado de importantes Festivais, foi duramente criticado pela imprensa no que o acusaram de ser "Eurocentrico", um filme com um olhar europeu e branco sobre uma história de cultura africana. Sob alegação de grava apropriação cultural e de também apresentar uma visão estereotipada e fantástica sobre o Vodu, Bertrand Bonello, ainda assim, faz um filme instigante e bizarro, que mescla drama, filme de terror e romance. Talvez a inspiração de Bonello tenha sido os filmes de terror dos anos 80 que abusavam de misticismo e apropriação da magia negra, ma sé inegável a sua capacidade de provocação. Não é o seu melhor filme, mas vale assistir por curiosidade. O filme pode ser visto também pela ótica da metáfora sobre a colonização e de como o Governo do Haiti transformou sua população em 'Zumbis", décadas depois ficando livres da maldição com o fim da ditadura.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Monos

"Monos", de Alejandro Landes (2019) Vencedor de mais de 20 Prêmios internacionais, entre eles Sundance e San Sebastian, "Monos" é um impressionante drama co-escrito e dirigido pelo Cineasta brasileiro Alejandro Landes, nascido em São Paulo mas de cidadania Colombiana e equatoriana. O filme foi indicado pela Colômbia para tentar uma vaga entre as finalistas do Oscar de filme estrangeiro 2020. Livremente inspirado no clássico livro 'O senhor das moscas", de William Golding, o filme é uma alegoria política e social que tem como protagonistas um grupo de 8 adolescentes revolucionários, que vivem nas montanhas da Colômbia com a finalidade de vigiarem a refém americana que eles chamam de 'Doutora", uma engenheira sequestrada pelo grupo intitulado "A organização". Durante uma bebedeira, um dos rapazes atira sem querer em uma vaca cedida por revolucionários. O grupo acaba sendo atacado e precisam fugir pela selva. A doutora consegue escapar, mas o grupo vai atrás dela. Cinematograficamente, o filme é uma mistura insana e bizarra de : Apocalipse now", "O abraço da serpente" e "Amargo pesadelo". A primeira metade do filme tem uma vocação mais experimental, e a segunda, vira um filme de aventura e perseguição. É um filme com uma espetacular fotografia de Jasper Wolf. tomada por enquadramentos e planos tecnicamente magistrais, e a trilha sonora é da inglesa Mica Levi, responsável pelas trilhas de "Jackie", de Pablo Larain, e "Sob a pele", com Scarlett Johanson. "Monos"não é um filme fácil de se assistir: o início é lento, sem um fluxo narrativo coeso que consiga prender a atenção do espectador comum. Para quem se deixar levar pela cinematografia excitante e arrasadora, vai se vislumbrar com o talento incomum dessa garotada, todos amadores e que nunca atuaram antes. A americana Julianne Nicholson, no papel da Doutora, impressiona com sua garra e visceralidade, fazendo todas as cenas de perigo, não querendo usar stunts. Um trabalho formidável do cineasta Alejandor Landes, certamente alguém para se olhar no futuro. O filme foi uma grande sensação no Festival de Berlin, onde competiu na Mostra Teddy, dedicada a filmes com temáticas LGBTQI+: os adolescentes descobrem sua sexualidade durante o treinamento e até mesmo com a Doutora. Certamente, um filme bastante rico e complexo em sua dramaturgia.

domingo, 5 de janeiro de 2020

The Juniper tree

"The Juniper tree", de Nietzchka Keene (1990) Um filme mágico e ao mesmo tempo assustador como um pesadelo gótico, "The juniper tree" é adaptação do conto de mesmo nome dos irmãos Grimm, "A amoreira". O filme foi adaptado pela roteirista e cineasta islandesa Nietzchka Keene, que filmou o longa em 1986, com pouquíssimos recursos e que somente veio a lança-lo em 1990, quando concorreu ao Grande pRe6mio em Sundance. O filme se tornou um objeto de culto tão imenso, muito por conta da presença da atriz e cantora Bjork no elenco, aos 21 anos de idade, que foi restaurado em 2018 pelo Center for Film & Theatre Research, Wisconsin em qualidade 4K e relançado nos cinemas. Rodado em 35MM e em preto e branco em Seljalandsfoss, Islândia, o filme apresenta 2 irmãs, Katka (Bryndis Petra Bragadóttir), a mais velha, e Margit (Bjork), durante a Idade média. A mãe delas, acusada de bruxaria, foi morta pelos moradores da região. Ambas seguem em peregrinação, e Katla diz à Margit que assim que ela encontrar um homem, irá jogar um feitiço para que ele se apaixone por ela e que elas morem com ele. Elas encontram Johan, jovem viúvo, pai do pequeno Jonas. Johan casa com Katla e engravida ela. O pequeno Jonas acredita que Katla é uma bruxa, mas seu pai não acredita. Margit se afeiçoa ao menino, mas Katla fará de tudo para tirá-lo do caminho. Com um visual estonteante, que lembra trabalhos de Bergman e Bela Taar, "The juniper tree" impressiona pelo visual, sofisticado. A direção de Nietzcka é precisa, minimalista e trabalhando bem com a narração e com os efeitos. O elenco está bem, mas claro que Bjork é a detentora de todos os holofotes, mostrando que j;a jovem, trazia uma estranheza em seu olhar e no jeito de ser, parecendo estar flutuando em cena tal a sua delicadeza. Foi a sua estréia no cinema, coroada depois em 200 com a Palma de ouro em Cannes por "Dançando no escuro", de Lars Von Triers.

O fim do meu mundo

"Mój koniec swiata", de Kamil Krawczycki (2017) Filme de estréia do roteirista e diretor polonês Kamil Krawczycki, é um raro representante do Cinema LGBTQI+ da Polônia, que apesar de ter banido a criminalização aos homossexuais em 1932, sempre apresentou de forma bastante discreta a presença da comunidade Queer em sua filmografia, "O fim do meu mundo" apresenta Filip, um jovem diretor de 25 aos ( referências autobiográficas do próprio Kamil Krawczycki que namora o ator Eryk há alguns anos. Eryk é o primeiro relacionamento e o primeiro amor de Filip. Quando Eryk decide romper com o namoro, Filip se desestrutura emocionalmente, entrando em severa depressão. Eryk desaparece por 3 semanas e sem poder contactar seu ex, Filip perde seu rumo, mesmo diante de insistência de amigos e familiares para que ele siga sua vida. Um dia, durante um temporal Filip esbarra na rua com Janek, um rapaz de 23 anos de Cracóvia em busca de trabalho. Filip sugere que e;e faça um teste para um comercial. Janek demonstra interesse em Filip, que não consegue se aproximar do rapaz. O filme é um drama melancólico mas que aborda também o romance, e graças a Deus, não termina em morte nem suicídio. Com um time de belos atores que desempenham bem os seus personagens, o filem tem uma montagem muito interessante que me enganou direitinho em determinando momento da trama. Kamil Krawczycki estréia bem na direção, trazendo delicadeza e um tratamento adequado à questão da depressão.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Convite

“Invitation”, de Lee Jae Soo (2013) Curioso suspense sul coreano LGBTQI+, escrito e dirigido por Lee Jae Soo. O filme busca referência nos clássicos “Janela indiscreta” e “O silêncio dos inocentes”. Um rapaz desempregado que mora sozinho busca diariamente oportunidades de emprego nos jornais, sem sucesso. Ele passa o restante do dia em seu apartamento, entediado. Um dia, ele encontra um binóculo na lixeira. Ele o pega e ao se dirigir à sua janela, ele observa o vizinho da frente: um rapaz sedutor que sempre que sai de casa, deixa a chave de seu apartamento debaixo de um vaso de plantas. Instigado a querer roubar algo, o jovem espera o dono do apartamento sair e vai até lá, pegando a chave e entrando no apartamento. O filme é claramente uma homenagem à “O silêncio dos inocentes”, porquê o antagonista se veste igualzinho ao vilão do filme de Jonathan Demme. É um filme instigante, que ao mesmo tempo, faz uma crítica ao desemprego crescente entre os jovens na Coréia do Sul.

A Família Addams

"The Addams familly", de Greg Tiernan e Conrad Vernon (2019) Animação adaptada dos famosos quadrinhos criados pelo cartunista Americano Charles Addams em 1933. A excêntrica Família já foi adaptada para uma série de tv nos anos 60, para quadrinhos, desenho animado e depois, em 1991 e 1993, por dois famosos filmes dirigidos por Barry Sonnenfeld protagonizados por Raul Julia, Angelica Houston , Christopher Lloyd e Cristina Ricci. Os dois longas foram um enorme sucesso, catapultando a carreira de Sonnenfeld, até então, um diretor de fotografia, e que assumiu a direção após a desistência de Tim Burton. Greg Tiernan e Conrad Vernon são dois diretores que lançaram em 2016 um dos mais polêmicos e controversos desenhos animados de todos os tempos, “A festa da salsicha”, desenho para adultos repleto de palavrões e pornografia. O mais curioso é que agora, eles seguraram a mão para “A Família Addams” tornando o filme um entretenimento para crianças. O roteiro do filme é muito semelhante à Parte 2 do longa de 1993: uma mulher decide destruir o Castelo da Família Addams e para isso, ela espalha fake News sobre as bizarrices da família para todo um grupo de whastapp que inclui os moradores da cidade. Referência à “Frankestein” e ao clássico “A festa do monstro maluco” surgem o tempo todo. Mais uma vez, o filme tem como protagonismo as crianças da família e a forma como eles observam as excentricidades de seus familiares diante da caretice e normalidade das pessoas da cidade e da escola. O grande trunfo do filme, é o seu elenco estelar dando voz aos personagens fúnebres: Oscar Isaac dubla Gomez, Charlize Theron dubla Morticia, Chloë Grace Moretz dubla Wednesday (Wandinha), Finn Wolfhard dubla Feioso (Pugsley), Bette Midler dubla a Vovó, Martin Short dubla Tio Funesto, Snoopy Doggy Dog dubla A Coisa, Allison Janney, que ganhou o Oscar de atriz coadjuvante por “Eu, Tonya”, interpreta Margaux, a vilã da história. O roteiro é ingênuo e deixa de investir no humor negro característico dos quadrinhos e dos filmes para deixa-lo mais palatável para a criançada. De qualquer forma, é um passatempo que pode suscitar curiosidade da criançada para discutirem a prática de bullying e o que significa o conceito de ser DIFERENTE.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Valentino: O ídolo, o Homem

“Valentino", de Ken Russell (1977) Cinebiografia de um dos maiores astros do Cinema mudo americano, Rodolfo Valentino, morto prematuramente aos 31 anos de idade, em 1926, no auge de sua carreira, de úlcera. Valentino, nascido na Itália, se mudou para Nova York, onde chegou a trabalhar como gigolô para mulheres mais velhas, para poder se sustentar. Em vida, Valentino conheceu várias mulheres, e uma delas a levou para o cinema, onde estrelou clássicos do cinema mudo como Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, The Sheik, Sangue e Areia, The Eagle e O Filho do Sheik, que o alçaram ao estrelato. O filme de Ken Russell começa já no dia do velório de Valentino, em Nova York. Foi uma histeria coletiva do público de fãs, que destruíam tudo o que vima pela frente, havendo até relatos de suicídios. Durante o seu velório, várias mulheres vêem visitar seu caixão, e daí descobrimos que são ex-mulheres e ex-amantes. Através da história de cada uma delas, um fato da vida de Valentino é revelado. O inglês Ken Russell foi um dos cineastas mais polêmicos da história do cinema. Seus filmes eram ousados, exagerados e repletos de erotismo. Direção de arte, figurino, maquiagem, atuação, efeitos, tudo é demasiadamente over e Kitsch, e assim ele ganhou fama em seus filmes, que incluem clássicos como “Os demônios” , “Viagens alucinantes”, “Tommy- A ópera Rock”e “Liztomania”. Russell também ousou ao escalar para protagonizar Valentino, o bailarino Rudolf Nureyev. No auge de sua carreira artística, Nureyev queria também investir na carreira de ator. Considerado um ícone sexual dos anos 70, Nureyev acabou sendo uma ótima escolha para representar o símbolo sexual de outro período. O filme é repleto de cenas de sexo e nudez, e Nureyev exibe seu corpo escultural diversas vezes. O ritmo do filme é lento e parece durar mais do que suas 2 horas e 10 minutos de duração. Existem cenas bem barrocas, bem ao gosto de Russell, e para quem aprecia o seu cinema, vai ser um grande deleite visual. No elenco, grandes nomes como Leslie Caron e Peter Vaughan procuram chamar a atenção do público. Infelizmente, o filme se tornou o maior fracasso da carreira de Russell, que logo depois se arrependeu d éter realizado o filme.

O caso Richard Jewell

“Richard Jewell”, de Clint Eastwood (2019) Novamente retratando uma história real, e assim como “Sully”, sobre um homem anônimo que subitamente vira herói e logo em seguida, um grande pária para a sociedade. ‘Sully” e “O caso Richard Jewell” são dois filmes que se complementam, protagonizados por grandes atores. Em ‘Sully” era Tom Hanks, e aqui é Paul Walter Hauser, que interpretou um racista em ‘Infiltrados no Klan” e agora é um pacato e infantilizado segurança que sonha em ser um policial. No dia 26 de julho de 1996, durante as Olimpíadas de Atlanta, um evento musical acontecia no Parque Centennial. O segurança Richard Jewell avistou uma mochila debaixo de um banco e imediatamente avisou aos outros policiais e seguranças que evacuassem o local. A bomba explodiu, 2 pessoas morreram e centenas ficaram feridas, mas o ato de Richard evitou mais mortes. Richard, um homem pacato, infantilizado e que mora com sua mãe, a discreta Bobi (Kathy Bathes, maravilhosa) em uma casa simples na Georgia, vivem 4 dias de alegria com o ato heroico do rapaz, largamente anunciado na mídia. Mas a mesma mídia, representado pela repórter Kathy Scruggs (Olivia Wilde), que obteve informações confidenciais do agente do Fbi Tom Shaw (Jon Hamm) , transando com ele, publica no jornal que o FBI suspeita que Richard é o terrorista e quis se promover com o ato. Imediatamente a vida de Richard e de sua mãe viram de pernas pro ar: repórteres na cola deles por 24 horas, FBI. Richard pede ajuda para o advogado Watson (Sam Rockwell, que ele conheceu em um trabalho há 10 anos atrás) e juntos precisam provar a sua inocência. O filme faz uma crítica cruel ao Fake News que destrói a vida de um cidadão comum, sem provas. Todos os grandes poderes americanos, FBI e mídia, são retratados de forma estereotipada por Eastwood, justamente para chamar atenção para os exageros desses agentes. A cena de Olivia Wilde chorando no discurso da mãe ficou muito falso, mas enfim, é um filme de expiação de Clint Eastwood, que resolveu em seus últimos filmes levantar a bandeira de heróis anônimos americanos. É um filme ufanista, que de certa forma protege o armamento e Clint ainda dá um tom homofóbico para Richard, que tenta a todo instante provar que não é gay. Clint continua conservador, mas mesmo assim, um grande cineasta aos 89 anos de idade. Curiosidade: Leonardo diCaprio foi um dos produtores do longa, que infelizmente, foi das piores bilheterias da carreira de Eastwood. Um filme que merecia ser visto por um circuito mais amplo de espectadores.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Vício maldito

"Days of wine and rose", de Blake Edwards (1962) Quando “Vício maldito” estreou nos cinemas em 1962, muitos espectadores saíram do cinema revoltados. A culpa caiu no departamento de marketing, que esqueceu de colocar nos anúncios que o filme não era uma comédia. Afinal, tanto Jack Lemmon quanto o diretor Blake Edwards já tinham em seu currículo clássicos da comédia, e “Vício maldito”acabou sendo praticamente o filme de estréia deles em tema tão soturno. Jack lemmon e Lee Remick foram ambos indicados so Oscar de ator e atriz em 1963, mas perderam para Anne Bancroft para ‘O milagre de Anne Sullivan” e Gregory Peck por “o Sol é para todos”. Um ano difícil, pois as performances eram todas brilhantes. Mas assistindo ao filme, e vendo o verdadeiro pesadelo que ele é, com performances tão arrebatadoras, dá tristeza ambos não terem ganho o Oscar. De qualquer forma, foram agraciados com os respectivos prêmios no prestigiado San Sebastian. O filme venceu o Oscar de melhor canção para Henry Mancini, que compôs a clássica ‘Days of wine and rose”. O filme é um retrato doloroso e destruidor, sem final feliz, do alcoolismo. Ambientado em San Francisco, acompanhamos Jack (Lemmon), um relações públicas que fornece garotas de programa para os clientes da empresa. Jack conhece Kirsten ( Remick) e a confunde com uma garota de programa, mas vem a descobrir que ela é secretária do patrão. Educada pelo pai para ser uma mulher sem vícios, Kirten e Jack começam a namorar, até que se casam. Jack oferece a primeira bebida alcóolica para ela: um licor à base de chocolate. A partir daí, Kisrten passa a beber até se tornar tão ou mais alcóolatra que Jack. O caso é tão grave que a filha do casal acaba sofrendo consequ6encias da bebedeira dos pais. Jack passa a frequentar o AA, sem muitos resultados. Com uma fotografia em preto e branco que acentua o drama pungente, ‘Vício maldito” vai se tornando mais e mais angustiante à medida que o filme avança. As clássicas cenas de Jack destruindo as plantas em busca de garrafa de bebida, e a do Motel, com Kirsten tentando obrigar Jack a voltar a beber, são primorosas atuações. Sempre achei difícil interpretar alcóolatra, mas os dois atores estão impecáveis e muito críveis, sem caricaturas. A cena final é dos momentos mais pungentes do cinema. Incrível que logo depois desse filme, Jack Lemmon viria a filmara comédia “Irma la douce”, e Blake Edwards, ”A pantera cor de rosa”. Versatilidade é isso aí.

Yuli

“Yuli”, de Icíar Bollaín (2018) Cinebiografia do bailarino Cubano Carlos Acosta, adaptado de sua biografia, que ele escreveu como forma de expiar a sua conturbada relação com o seu pai, o caminhoneiro Pedro Acosta. Carlos Acosta foi o primeiro bailarino negro do Royal Ballet de Londres, além de ter integrado os prestigiados English National Ballet, National Ballet of Cuba, Houston Ballet e American Ballet Theatre. Foi um dos pioneiros em protagonizar ballets como bailarino negro. Carlos nasceu em Havana em 1973, .e seu sonho era ser jogador de futebol e dançarino de break dance. Sua mãe estava ausente pela doença, e seu pai, para fazer com que Carlos saísse das ruas e das más companhias, o obrigou a entrar e uma escola de dança para ser bailarino, pois acreditava que a disciplina da dança o faria entrar nos eixos. Aluno relapso na escola, Carlos não gostava das aulas de dança e de ballet: seus colegas faziam bullying, dizendo que era coisa de maricas. Com o passar dos anos e com a insistência de seu pai, Carlos conseguiu o diploma e foi selecionado para dançar em Londres. O filme, obviamente, é um filme com mensagem edificante de realização profissional através de uma história de amor, sacrifício e luta. A direção é da atriz e diretora espanhola Iciar Bollain, e quem adaptou o livro de memórias foi o premiado roteirista inglês Paul Laverty, que escreve os roteiros de Ken Loach ( ‘Eu, Daniel Blake”). O filme recebei vários pr6emios internacionais, além de melhor roteiro em San Sebastian. Linda fotografia registrando as diferenças de luz entre a ensolarada Havana e a friorenta Londres. O filme mescla momentos de memórias com flashbacks de Carlos na infância e adolescência, trechos reais de dança e o próprio Carlos Acosta interpretando ele mesmo adulto.

Sasha

‘Sasha”, de Dennis Todorovic (2010) Escrito e dirigido pelo cineaste aelmão e de descendência turca Dennis Todorovic, “Sasha” é um premiado drama LGBTQI+ que fala sobre preconceitos culturais e sociais dentro de duas famílias: uma de refugiados macedônios e outra de família chinêsa, ambos morando em Colônia, na Alemanha. Sasha é um adolescente cujos pais são imigrantes da Macedônia. O pai, homofóbico e machista, é dono de um pub. Sua mãe trabalha como diarista. O irmão sonha em ser remador profissional. Sasha quer ser um pianista profissional, e seus pais exigem dele o máximo de estudos. Jiao é uma adolescente chinêsa, melhor amiga de Sasha. O pai dela é dono de restaurante chinês. Jiao estuda violoncelo e seu pai a obriga a estudar direto. Sasha e Jiao são melhores amigos. Ela nutre por ele uma paixão platônica, a ponto dos pais de ambos acreditarem que eles são namorados. Mas os olhos de Sasha estão voltados para o seu professor de piano, Berger, que vai se transferir para trabalhar no Vietnã. Com essa notícia da partida do professor, Sasha se desespera e perde chão, saindo do armário com Jiao que também se desespera. O filme, bem dirigido e com ótimas performances, é uma mistura de gêneros: drama, comédia, romance. O final, principalmente, tende mais para o drama. O filme, sem trazer novidades pro universo dos filmes Lgbtqi+, trata de temas como homofobia e aceitação de forma honesta e sem apelações melodramáticas. O protagonista do filme, o jovem ator Sasa Kekez, tem bastante carisma e defende bem o complexo personagem.

Frozen 2

“Frozen 2”, de Chris Buck e Jennifer Lee (2019) Seis anos e um Musical de grande sucesso na Broadway depois, a continuação da animação de maior bilheteria da história retorna, e contrariando os críticos e público, eu gostei mais desse do que do anterior. Achei mais vibrante, com mais emoção, aventura, história e personagens melhor desenvolvidos. As músicas são grudentas e funcionam bastante para a dramaturgia, mas claro, nenhuma tem o potencial de “Let it go”, talvez “Into the unkown”, cantada por Indina Menzel, intérprete de Elsa. A história me lembrou a mensagem e visual do clássico ‘A história sem fim”. Elsa e sua irmã Ana precisam seguir até uma Floresta amaldiçoada para poder libertar a cidade de Arendelle da feitiçaria imposta pelos erros dos antepassados delas. Juntos de Kristoff, o boneco de neve Olaf e da rena Sven, eles se envolvem em muitas aventuras e novamente Ana procura manter Elsa ao seu lado para não perde-la novamente. Os números musicais de “Into the unkown” e de “Show yourself”cantados por indira são espetaculares, um nível de CGI impressionante. Já o número de Kristoff, a romântica “Lost in the woods” é divertida e fofa, remetendo às canções bregas dos anos 80. Os novos personagens que surgem são ótimos, e Olaf como sempre rende as melhores piadas. A cena dele narrado o filme anterior em menos de 1 minuto é antológica. O filme reserva uma mensagem ambientalista muito bacana, que com certeza vai provocar uma faísca na garotada que vai assistir. Um filme conectado aos novos tempos de feminismo, Greta Thumberg e terrorismo ecológico, como incêndios criminosos e degelo.

Creep

“Creep”, de  Patrick Brice (2014) Realizado com baixíssimo orçamento, “Creep” é um suspense psicológico lançado no prestigiado Festival de cinema independente SFSW. O sucesso da franquia foi tão grande e inesperada, que já se encontra no terceiro filme. Os amigos  Patrick Brice, que aqui estréia na direção, e o ator Mark Duplass desenvolveram a roteiro do filme em cima de 3 referências: os filmes ‘Atração fatal”, de Adrian Lyne e o francês “Aconteceu perto de sua casa”, sobre uma equipe de filmagem que acompanha as atividades de um serial killer. O site “Craiglist” foi fundamental para conseguir histórias e entrevistas. Segundo uma pesquisa, muitos serial killers anunciam no Craiglist procurando vítimas em potencial. Os diálogos do filme foram totalmente improvisados ao longo das filmagens. O filme consiste apenas de personagens: Patrick interpreta Aaron, um videomaker que necessita urgente de dinheiro. Ao fazer buscar online na Craiglist, ele vê o anúncio de Josef, um homem que sofre de câncer terminal e quer contratar um câmera pelo período de 8 horas para gravar depoimentos de Josef para seu filho que ainda irá nascer. Aaron vai de carro até as montanhas e lá começa a entrevistar Josef. Aaron passa a desconfiar das reais intenções de Josef, que ao longo do processo, vão mostrando características estranhas e bizarras, como vestir uma máscara de lobo e desaparecer do nada. O filme merece toda a atenção pela ótima qualidade técnica, considerando ser um produto de baixo orçamento e dentro da linguagem do “found footage”. Os dois atores estão bem, e é raro um filme de terror apenas com elenco masculino. O que me irritou foi o desfecho estúpido, tanto quanto decisões de roteiro quanto de personagem. O filme vale muito pela dedicação dos atores em promover um filme barato e que impressionasse a crítica e público. Fizeram um excelente trabalho, melhor que muito filme blockbuster de terror que não assusta ninguém.

Bodas de papel

“Bodas de papel”, de  André Sturm (2008) Vencedor de 3 prêmios no Festival Cine PE em 2008 (melhor filme do voto popular, melhor atriz coadjuvante para Cleide Yáconis e Melhor edição de som), “Bodas de papel” é o 2o filme dirigido por André Sturm, 7 anos depois de sua estréia com “Sonhos tropicais”. André Sturm é, além de Cineasta, produtor e distribuidor de filmes, dono da Pandora filmes e também das salas de cinema Belas Artes em São Paulo. Sturm também já foi secretário de cultura em SP, e é inegável a sua paixão pelo cinema. Depois do drama histórico de “Sonhos tropicais”, Sturm volta a sua câmera para uma história de amor. Serendipity é o mote do filme: é quando algo acontece por acaso e muda a sua vida para algo surpreendente. Assim é a história de amor de Nina (Helena Ranaldi) e Miguel (Darío Grandinetti, ator espanhol e mais conhecido por ter co-estrelado ‘Fale com ela”, de Almodovar). A história acontece em Candeias, interior de são Paulo. Anos atás, a cidade ia ser inundada por uma hidrelétrica que seria construída ali. Toda a população foi desalojada e teve que abandonar o local. Com a desativação da usina, aos poucos, o que era uma cidade fantasma volta a a receber seus antigos moradores. Nina, artista plástica. retorna para cuidar de uma casa que ela ganhou de herança e aonde ela quer construir um hotel. Miguel é um argentino que se mudou para são Paulo capital para trabalhar como arquiteto. Com a escassez de trabalho, ele aceita o convite de Cecilia (Cleide Yáconis) para fazer um projeto de arquitetura em sua casa. Em uma noite de tempestade, Nina e Miguel se conhecem e se apaixonam. Mas uma virada do destino irá alterar de vez o destino do casal, na semana das bodas de papel ( quando completam 1 ano de relacionamento). O grande trunfo do filme é o seu elenco. Além de Rinaldi, que estréia em cinema, e de Dario, o elenco tem pesos pesados como Walmor Chagas, Cleide Yáconis, Seegio Mamberti, Antonio Petrin. Imara Reis e Angela Dippe. O roteiro, co-escrito por Sturm, lida com o tema da memória e da perda, tanto física, quanto espiritual. É um filme correto, que é prejudicado pela câmera na mão, injustificada para essa narrativa tão clássica do filme, e pela edição. A bela trilha sonora de Alexandre Guerra pontua o filme.

Zumbilândia: Ataque duplo

'Zumbiland- double tap", de Ruben Fleischer (2019) Em 2009, foi lançado 'Zumbilândia" nos cinemas e o filme obteve bastante sucesso. O filme chegou em uma hora em que o tema dos zumbis estava começando a virar uma moda, culminando com a estréia da série 'The walking dead", que é talvez o projeto definitivo sobre os mortos-vivos. Mas 10 anos se passaram, e os zumbis já não estão tão atraentes assim. Houve uma overdose de filmes sobre zumbis e lançar uma continuação tanto tempo depois, é algo que não dá para se explicar. Talvez tenha sido o apelo de Emma Stone, que ganhou um Oscar por "La la land", ou talvez para explorar Abigail Breslin, que virou uma mulher. Jesse Eisemberg e Woody Harrelson continuam fazendo os mesmos tipos de filme e sempre funcionam em seus personagens. Luke Wilson, Zoey Dutch e Rosario Dawson são coadjuvantes que ajudam a dar um brilho ao filme. Mas sinceramente, o roteiro é o mesmo do mesmo. O que diferencia esse filme do anterior é que os zumbis agora estão mais poderosos e evoluídos, mais difíceis de matar ( se bem que a cena final bota essa teoria por terra). Fora isso, o filme tem como cenários 2 ícones americanos: A Casa Branca, e Graceland, a mansão de Elvis Presley. Os atores continuam divertidos, mas é a mesma correria contra os zumbis. O que realmente vale o filme inteiro, é a aparição de Bill Murray nos créditos finais, em uma cena que remete ao DIA ZERO, o dia do apocalipse zumbi. Bill Murray está na sessão de imprensa do lançamento do filme "Garfield 3"e de repente os jornalistas começam a virar zumbis. A cena é impagável e vale o filme todo.

Kape Barako

"Kape Barako", de Monti Parungao (2011) Sucesso cult nas Filipinas, "Kape Barako"é uma comédia LGBTQI+ com uma das premissas mais esdrúxulas que já vi em um filme: Rico (Johnron Tañada) é dono de uma cafeteria chamada "Kape Barako", no estilo do Starbucks. Ele tem dois funcionários e também, somente 2 clientes: Um cliente vem todo dia tomar café só para ficar paquerando Rico. A outra cliente é uma mulher que vem tomar água d abica e usar a internet. Rico está no prejuízo e vai ter que entregar a loja em 2 semanas. Um de sesu funcionários adora se masturbar no banheiro. Sem que ninguém saiba, ele deixa seu sêmen dentro de uma xícara. O outro funcionário, sem saber, usa a mesma xícara e prepara um café Latte para um cliente: depois disso, esse ingrediente especial faz um enorme sucesso e a loja começa a lotar. E mais: com o sucesso do café latte, Rico contrata gogo boys para serem atendentes. mesmo assim, o dinheiro ganho não cobre o prejuízo, e o cliente gay propõe`aRico que se ele fizer sexo com ele, ele paga o que falta. O filme é repleto de putaria e sacanagem e é justificativa para mostrar os rapazes pelados em nu frontal. O elenco de apoio é formado por strippers reais. O filme é tão escroto, tão sme noção, que chega a ser engraçado pela doideira que é o roteiro e a execução.

A dama enjaulada

“Lady in a cage”, de  Walter Grauman (1964) Clássico Filme B de 1964, foi bastante criticado na época pela sua violência excessiva e pela mensagem de falta de solidariedade. O filme é um suspense psicológico que explora ao máximo o sadismo de um grupo de bandidos que invadem a mansão de uma viúva rica, Cornelia (Olivia de Havilland), que está debilitada e sem poder andar e ainda, presa a um elevador doméstico. O roteirista partiu da premissa real que aconteceu nos Estados Unidos durante um blackout: dois bandidos invadiram uma casa, estupraram e assassinaram a dona do local. Em cima dessa história e de tantas outras que acontecem quando acaba a energia e as pessoas ficam presas no elevador, o roteirista resolveu colocar no texto outros temas, mesmo que sutis, que explodiam nos Estados Unidos da época: a guerra fria, o racismo, latinos vistos como bandidos, o homossexualismo visto como doença e crime ( o personagem do filho de Cornelia diz que irá se suicidar), a prostituição e a falta de compaixão do ser humano. O filme ficou famoso também por ser o primeiro trabalho de James Caan, aqui interpretando o líder dos bandidos, e resgatar Olivia de Havilland, estrela de Hollywood dos anos 30 e 40 mas no ostracismo nos anos 60. Todo rodado em preto e branco, O filme já chama atenção logo no início, por conta dos incríveis desenhos dos créditos iniciais, que copiam o estilo de Saul Bass, de “Um corpo que cai”. Outra referência a Hitchcock que o diretor Qalter Grauman traz é de Psicose: na cena inicial, a câmera se aproxima da janela da casa e a invade, apresentando o personagem do filo. “A dama enjaulada” é um filme angustiante, e por mais inverossímil que seja as cenas onde Cornelia busca ajuda e absolutamente ninguém nota sua presença, é um filme que traz um tom de parábola para falar sobre a maldade do ser humano. Pela metáfora colocada, “os animais estão soltos e os seres humanos, enjaulados”.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O grande golpe

“The killing”, de Stanley Kubrick (1956) Adaptado do livro “Clean break”, de Lionel White, “O grande golpe” foi lançado em 1956 e considerado uma das grandes obras-primas do mestre, tendo inclusive se tornado referência como narrativa para os filmes de Tarantino, “Cães de aluguel” e “Pulp fiction”, por conta de sua estrutura não linear de roteiro. Kubrick se associou ao produtor James Harris e juntos fundaram a produtora Harris/Kubrick. “O grande golpe” foi a primeira produção da dupla. Lançado comercialmente, o filme, adquirido pela United Artists, foi um grande fracasso, apesar de ter sido bastante elogiado pela crítica. E foi por causa do filme que Kirk Douglas convidou Kubrick para dirigir seu projeto ‘Glória feita de sangue”, e logo depois, ‘Spartacus”. Jonnhy Clay é um bandido libertado da prisão após 5 anos de encarceramento. Ele resolve convocar um grupo de colegas para assaltar o Jockey clube no dia di grande prêmio, um feito jamais alcançado por qualquer um. Com o dinheiro, Jonnhy pretende se aposentar dos assaltos e seguir para Boston com sua namorada, Fey. As coisas saem do controle quando a namorada de um dos integrantes do grupo, Sherry, entrega o esquema para o seu amante, Val, combinando dele e seus capangas assaltarem o grupo após o roubo. O filme é considerado um dos grandes clássicos do cinema noir, contendo toda a sua linguagem de gênero: narração em off, femme fatale, fotografia em preto e branco, uma trama policial, um protagonista que é um anti-herói. A cena final é uma das mais primorosas da história do cinema, localizada na pista do aeroporto, em uma conclusão moralista mas ao mesmo tempo, fatalista. Direção requintada de Kubrick, auxiliado por um ótimo elenco que esbanja charme e carisma. Atualmente, o filme faz parte da Critterion Collection, dedicada às grandes obras da sétima arte.

A família completa

“Kazoku konpurîto ”, de Koichi Imaizumi (2010) Esse é provavelmente um dos filmes mais bizarros que já assisti na minha vida cinéfila. “A família completa” é uma mistura insana de Nelson Rodrigues com o filme “Teorema”, de Pasolini. Para quem lembra de “Teorema”, um homem misterioso entra na casa de uma família burguesa e seduz a todos, homens e mulheres, fazendo sexo com todos. Agora, junte a essa história, uma trama repleta de cenas de sexo explícito, ficção científica, incesto e um vírus? Koichi ( o próprio diretor e roteirista Koichi Imaizumi) é pai de Shusako, um homem de 30 anos, casado e pai de 3 filhos. Todos moram na mesma casa, com exceção de um dos filhos, que se casou e está de viagem para o Hawaii. Koichi é um biólogo e foi infectado com um vírus que faz com que ele faça sexo com seu filho Shusako e seus 3 netos homens. Quando a esposa de Shusako descobre, ela resolve ir embora. Um dos netos de Koichi além de transar com o avô, faz pegação em aplicativos de celular. O filme é uma loucura e é difícil descrever as cenas . Só posso dizer que envolvem cenas de sexo explícito real, nada simulado, Ainda tem um sub-plot da falecida esposa de Koichi que usa uma máscara com o nariz em formato de vibrador que enfia o nariz no próprio marido e o faz pagar boquete no artefato, que goza!!!!! Olhando de fora, parece que o diretor se escalou no papel principal para poder fazer sexo com o seu elenco de jovens atores. É difícil não pensar nisso. “A família completa” é um filme muito radical e só dá para indicar para espectador com mente aberta, curiosos em assistir a um filme que fale do tabu do incesto só que retratado com cenas de sexo explícito.

Donbass

“Donbass”, de Sergey Loznitsa (2018) O cineasta ucraniano Sergey Loznitsa é habituée do Festival de Cannes. Seus filmes são recebidos pela crítica e pelo público sempre de forma controversa. Há quem ame, há quem odeie. “Minha felicidade”, de 2010, e “A criatura gentil”, de 2017, são exemplos de filmes que apresentam o sofrimento do protagonista em torno de uma Ucrânia devastada por guerras e conflitos, e ainda sob a herança do comunismo da União Soviética. Com “Donbass”, Sergey Loznitsa recebeu o prêmio de melhor diretor em Cannes 2018 na Mostra paralela Um certo olhar. O filme foi indicado também para representar a Ucrânia para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro, mas não chegou entre os 5 finalistas. A estrutura narrativa de “Donbass” é uma hoemangem à “O fantasma da liberdade”, de Luís Bunuel. Sergey quis copiar a dinâmica de sketches, onde cada história segue independente da outra, cada uma com seu protagonista. O filme apresenta 13 sketches, algumas em longos planos-sequência. O episódio que abre o filme continua na cena final, mostrando populares contratados para falarem para o canal de tv sobre as manifestações políticas. Assim como Bunuel, Sergey também trabalha com o nonsense e o surreal, mas aqui ele explora a tragédia e a exploração humana através de cenas violentas e brutais. Donbass é uma região ao leste da Ucrânia onde se deu a Guerra separatista entre a Ucrânia e Russia, iniciada em 2014. O governo da Ucrânia se dividiu entre separatistas e os que eram a favor da união com a Russia. São histórias que giram em torno de corrupção, traições, atentados, o medo da população diante de um conflito onde quem sai perdendo é o povo, morto em violentos confrontos. Em uma das histórias, um soldado separatista é preso e colocado à disposição dos populares na rua poderem linchá-lo. É um episodio brutal, filmado em estilo documental. Provavelmente usaram bastante trabalho de pós-produção, pois a cena é filmada em plano-sequência e o soldado vai levando socos e vai ficando repleto de feridas e espirrando sangue. Sergey tem uma capacidade impressionante em seus filmes, de saber marcar elenco e enorme quantidade de figuração em cena. São verdadeiros tableaus, longos, onde o aglomeramento de pessoas vai aumentando, mas você não vê ninguém fora do tom ou da cena. Sois exemplos são as cenas do linchamento e a brilhante cena final.

A vida na boa

“The beach bum”, de Harmony Korine (2019) Harmony Korine é um roteirista e cineasta independente Americano, famoso nas rodinhas cults dos cinemas autorais. Ele ficou famoso no mundo todo ao escrever o roteiro do polêmico “Kids”, de Larry Clark, em 1995. Em 1997 lançou seu primeiro longa, o premiado ‘Gummo”. Desde então, divide seu trabalho entre dirigir vídeo-clips de artistas famosos, como Rihanna e Sonith Youth, e outros filmes autorais. Seu maior sucesso veio com “Spring breakers”, de 2012, mostrando um grupo de garotas da Flórida roubando , usando drogas e se metendo com traficante e armas. O filme ganhou o mundo por ter no seu elenco Selena Gomes e Vanessa Hugens, até então, fazendo apenas papéis de mocinhas e aqui totalmente Girl power e despirocadas. “A vida na boa” tem como protagonista Matthew McConaughey. Ele interpreta Moondog, um poeta cultuado no meio intelectual americano, mas que largou a escrita após se casar com a milionária Minnie (Isla Fisher). Eles têm uma filha, Heather, prestes a se casar. Moondog se acomodou em ficar na aba de Minnie e viaja constantemente para Florida Keys, famoso reduto de drogados e hippies. Ele fuma maconha, cheira cocaína, transa com várias mulheres. Minnie também tem um amante, o rapper Lingerie (Snoopy Dog dog). Ao retornar para casa para o casamento da filha, Moondog acaba se envolvendo em um acidente trágico, que irá transformar a sua vida. Ou não. Eu sou um grande fã dos filmes de Harmony Korine, e especialmente “Gummo” e Spring breakers”. Korine novamente trabalha com o fotógrafo francês Benoir Debie, que vem a ser fotógrafo de vários filmes de Gaspar Noé, entre eles, “Enter the void”, “Clímax” e “Love”. Benoir Debie intensifica o sol de Miami e as noites com seus neons, tornando tudo bastante estilizado e com uma atmosfera decadente. O elenco de apoio conta com a ajuda luxuosa de Jonah Hill, Zac Efron e Martin Lawrence. O filme entrou em algumas listas de melhores filmes de 2019. Com todos esses elogios, fica difícil dizer que eu curti o filme. Tudo o que Korine faz está ali. Mas acredito que o que me afastou do filme foi o personagem de Moondog, protagonizado com bastante garra e vigor por Mathew, um personagem bastante complexo e difícil pela sua caricatura extrema. Não gostei de sua personalidade, me irritou profundamente o jeito totalmente lousy de ser, destruindo as vidas de outras pessoas ao seu redor, enchendo o saco de todo mundo, ser mega mulherengo e desrespeitar sua própria família. Talvez eu precise rever o filme para poder enxergar um carisma ali dentro de Moondog, mas por enquanto, é só irritação por ele. O filme é anunciado como sendo uma comédia, mas não vi motivos para risos no filme, para mim é mais um drama. Li que Korine se baseou em histórias e personagens colhidos durante sua estada em Florida Keys. Se for como é apresentando no filme, definitivamente é um lugar que não estará no meu roteiro de viagens futuro.

domingo, 29 de dezembro de 2019

Cão militar

“Military dog”, de Ping-Wen Wang (2019) A cineasta de Taiwan Ping-Wen Wang faz parte da lista da Variety dos 100 novos diretores a serem observados de 2019. Em seus filmes, ela lida com a temática queer mostrando o submundo dos desejos ocultos. Em “Cão militar”, que ela escreveu e dirigiu, Ping-Wen Wang lida com o universo da submissão e do Bondage. O filme é para um público voyeur e fetichista, que curte bizarrices eróticas. Lee Jun-zhong é um novo cadete na base militar. Adepto da submissão, Lee mantém contato via celular com seu Mestre, DT, que tem fascínio em tratar os cadetes como cachorros humanos. Lee acredita que está preparado para ser dominado, mas DT tem dúvidas. Para provar que ele está pronto ser dominado, DT pede para que Lee grave um vídeo totalmente nú, se arrastando no chão como cachorro, levante as pernas e urine na parede. Lee obedece e tenta gravar o vídeo, mas em todo lugar que ele vai, aparece alguém. Lee se desespera, pois tem 10 minutos cravados para cumprir a sua missão com seu Mestre. Ping adaptou o roteiro de um conto online escrito por  Mu-Cong Xia. O filme é bastante sensual e erótico, e curioso que o próprio espectador se coloca no lugar de DT, torcendo para que ele mande o vídeo com a imagem do cadete mijando na parede. O filme tem uma fotografia e uma atmosfera de decadência, bem típica daqueles filmes obscuros dos anos 70.

Perdido

"Lost", de Anthony Koh (2017) Drama LGBTQI+ de Taiwan, mostrando como a juventude de hoje reage em relação à Aids. Em vários países, por conta da diminuição das campanhas do Governo em torno da prevenção da Aids, muitos jovens têm transado sem camisinha. O filme é um alerta para a geração que cresceu sob a demanda dos coquetéis que vendem a idéia de que a Aids não oferece mais perigo. Kevin é um jovem que sai de sua cidade do interior para a capital de Taiwan. Ele costuma fazer pegação usando o aplicativo GRINDR. Ele marca um encontro com George em seu apartamento. Durante a transa, George, que faz o ativo, pede para transarem sem camisinha. Kevin não reluta. Dias depois, Kevin passa a sentir febre. Imediatamente ele vai fazer exame de HIV, que dá negativo. Mas sinais surgem em seu corpo, e Kevin insiste que tenha sido contaminado pelo HIV. Ele liga para George, que não responde suas mensagens. Kevin se desespera. O filme tem uma ótima performance de Cheng Yueh no papel difícil de Kevin, em cenas que exigem constante mudanças de emoção. Apesar do tom pessimista e alarmista do filme, é um alerta para que os jovens transem com camisinha.

Minha irmã de Paris

“Ni une ni deux”, de Anne Giafferi (2019) Simpática comédia dramática, escrita e dirigida pela cineasta francesa Anne Giafferi, “Minha irmã de Paris” tem um enredo que poderia ser adaptado para qualquer País: fala sobre a indústria do cinema, sobre o estrelismo das atrizes, do envelhecimento das mesmas e do grande conflito artístico e profissional que atinge quase todos os atores: afinal, o ator deve seguir seu instinto ou se sujeitar a fazer filmes no qual ele não se sente confortável? Julie (Mathilde Seigner, em papel duplo, bastante versátil) é uma atriz famosa pelo mau humor e por tartar toda a equipe com desrespeito. Julie está para completar 45 anos de idade e já não tem a mesma fama de antes. Além de acreditar que perde seu público por conta da idade, o seu agente lhe diz que ela precisa sair da seara dos filmes autorais e investir nos filmes comerciais, no caso , comédias, para fazer sucesso e ser reconhecida pelo grande público. Julie se recusa, mas diante da insistência do seu agente, ela aceita entrar no lugar de uma atriz que se acidentou em uma comédia prestes a ser rodada. Só que Julie sucumbe à tentação do botox e o procedimento dá errado. Como ela precisa estar no set no dia seguinte, ela acaba convidando Laurette, uma fã que trabalha de cabeleireira em salão próprio em uma província próxima de Paris. Ambas se conheceram no mesmo dia durante uma sessão de pré-estréia de um filme fracassado de Julie. Julie acredita que elas são apenas parecidas, mas Laurette sabe de um segredo que pode mudar a vida das duas. Acontece que Laurette é simpática com todos e adora comédia, e acaba fazendo grande sucesso durante as filmagens, contrariando o desejo de Julie que quer retornar logo ao set. Uma deliciosa comédia de erros, o filme investe também no drama, através da história de mulheres solitárias e que lutam por seu futuro profissional e pelas suas famílias. Mas o grande tema do filme, abordado de forma exemplar, é a discussão em torno da coerência profissional; até que ponto o artista precisa se envolver em um projeto se ele não se enxerga naquele trabalho. O filme vale por esse tema e pelo ótimo trabalho das atrizes, principalmente Mathilde Seigner. Eu nunca havia visto seu rosto em outros filmes e fui pesquisar. Descubro que ela é irmã de Emannuele Seigner, casada com Polansky. Ficar de olho em seus próximos trabalhos pois ela tem um belo trabalho a apresentar, mostrando uma versatilidade entre drama e comédia.

Macho

"Macho", de Antonio Serrano (2016) Comédia mexicana de grande sucesso, "Macho" infelizmente vai ficar conhecida pelo crime bárbaro que aconteceu com seu co-astro, Renato Lopez: 2 dias após o lançamento do filme nos cinemas mexicanos, o ator foi assassinado, junto de seu agente, por um cartel de traficantes em uma região rural próxima à capital. Eles estavam indo encontrar um suposto produtor que queria contratar Renato para uma campanha local. Não se sabe o motivo do crime. Muito triste, pois, pelo seu belo e divertido trabalho aqui na comédia, era possível perceber que Renato tinha uma grande carreira pela frente. "Macho" é uma comédia que lida com a questão da aceitação da homossexualidade e de como as pessoas se apropriam do termo LGBTQI+ para ganhar dinheiro no mundo fashion. Evaristo Jimenez ( Mario Rodarte, um grande astro mexicano) é o estilista de alta costura mais famoso e celebrado de sue país. Famoso pelo seu temperamento arrogante e por praticar bullying em suas modelos e sua equipe, Mario esconde um grande segredo, que somente sua assistente pessoal, Gigi, conhece: Evaristo é hetero e por debaixo dos panos, transa com suas clientes e modelos. Mais: se faz passar por gay para ganhar o apoio das entidades e comunidade LGBTQI+. Quando uma equipe documental grava sem querer uma transa de Evaristo com uma cliente, rapidamente Gigi propõe que Evaristo arrange um namorado para abafar possíveis fofocas. A isca é Sandro (Renato Lopez), o estagiário da Maison. O problema é que Sandro se apaixona de verdade por Evaristo, sem saber que na verdade, tudo faz parte de uma armação. Aos olhos do politicamente correto, o filme é todo um erro: apropriação da cultura LGBTQI+ para poder ganhar dinheiro, homem que transa com todas as mulheres possíveis e muita homofobia. Fosse há uns anos atrás, o filme teria sido um sucesso. Uma possível refilmagem do longa teria que modernizar muito o foco que a sociedade cobra em relação ao universo queer e feminino, mas mesmo assim, é possível ver qualidades no filme: os atores estão ótimos e são bastante carismáticos. A produção é bem caprichada: direção de arte, figurinos, fotografia. Eu confesso que gargalhei bastante em alguns momentos, em outros fiquei irritado com o caminho do roteirista. Um filme polêmico sem dúvida, mas que merece ser visto justamente para poder ser reavaliado e discutido sobre os novos caminhos do entretenimento em relação às minorias retratadas nas telas do cinema.

sábado, 28 de dezembro de 2019

A canção de Orfeu"

"Orpheu's song", de Tor Iben (2019) Drama independente LGBTQI+ alemão, "A canção de Orfeu" é uma história bem simples, protagonizada por dois jovens belos atores, Philipe (Sascha Weingarten) e Enis (Julien Lickert). Philipe e Enis são melhores amigos. Eles passam parte do dia malhando na academia e cuidando do corpo. Enis namora a modelo Kristina. Philipe procura emprego e é bastante narcisista. Um dia, Philipe recebe a notícia de que ganhou uma passagem com acompanhante para a Grécia. Sem pestanejar, ele convida Enis para um final de semana juntos. Chegando lá, eles bebem em bares, paqueram garotas. No da seguinte, fazem um passeio pela Ilha, a pé, e acabam se perdendo. De repente, encontram um jovem, que se auto-nomeia Hercules. Hercules os leva para uma caverna para passar a noite e lhes oferece frutas para comer. AO comerem as frutas, os dois amigos passam ater devaneios eróticos. No dia seguinte, Hercules sumiu. Ao seguirem caminho, encontram a praia. Os amigos se olham e acabam transando, apaixonados. Ao acordar, Enis está diferente. Se sente envergonhado e resolve voltar para a Grécia. Philipe fica desolado. "A canção de Orfeu", como diz o título, apresenta no seu segundo ato uma parte lúdica, fabular, fazendo o filme dar uma guinada por um caminho bastante incomum e estranho. É a deixa para o filme se tornar mais experimental e menos careta. A cena de sexo de Philipe e Enis na praia é muito bem filmada e os atores se entregaram à paixão. É uma ótima cena de homoerotismo. Pena que o filme como um todo seja bastante fraco, com atores de apoio fracos ( os atores que interpretam Hercules e Kristina são muito fracos). O filme custou baratíssimo, é uma produção bastante amadora e com um elenco pequeno.

Irmã

"Sister", de Siqi Song (2019) Contundente e excepcional curta de animação chinês, finalista entre os curtas da categoria no Oscar 2020. O animador Siqi Song ganhou diversos prêmios em importantes Festivais internacionais, incluindo a competição em Sundance. O narrador ( o próprio diretor Siqi Song) volta ao tempo, mais precisamente 1990. Ele narra os vários anos de convivência com a sua irmã irritante, 4 anos mais jovem do que ele. SPOILER ABAIXO: Nos minutos finais, descobrimos que na verdade, nunca houve irmã nenhuma. O narrador parte da suposição de que como seria a sua vida caso ele tivesse uma irmã. Quando sua mãe descobriu estar grávida, ficou triste, porquê teve que abortar a sua futura irmã. Isso porquê na China, foi implantado o regime do filho único , que vingou de 1980 2015. O filme é uma crítica à essa política, e o diretor dedica o seu filme à todos os irmãos que os seus conterrâneos poderiam ter tido. A técnica usada no filme é de stop motion, filmada em preto e branco e com bonecos feitos de feltro. Imperdível.

Vilões

"Villains", de Dan Berk e Robert Olsen (2019) Exibido no prestigiado Festival de cinema independente SXSW, "Vilões" faz parte do sub-gênero chamado "Home invasion", de onde saíram grandes sucessos como o recente "O homem nas trevas". O filme tem um elenco pequeno, encabeçado pelos excelentes Bill Skaasgard ( O palhaço Pennywise em "It") e Maika Monroe (do cult "A corrente do mal"). Eles são o casal Mickey e Jules, que sonham em seguir até a Flórida. Só que para se capitalizarem, eles assaltam um posto de gasolina. Após o assalto, eles pegam estrada, mas o combustível acaba, O local é deserto, e eles acabam encontrando uma casa no meio do nada. Ao revirarem a casa, encontram um porão. Ao descerem, descobrem que ali se encontra uma menina acorrentada. Eles tentam libertar a menina, mas o casal dono da casa surge e tomam conta da situação. Mickey e Jules descobrem que a mulher é psicótica e que enlouqueceu depois que descobriu que não poda ter filhos. O marido dela não vai deixar que ninguém saia da casa. O filme não traz nenhuma novidade, mas tem boa direção e os 4 atores principais estão ótimos. Bill e Maika formam um casal bastante carismático, e conseguem dar uma guinada no caráter dos personagens. Bons momentos de tensão e também de humor negro.

Aqueles que ficaram

“Akik maradtak”, de Barnabás Tóth (2019) Finalista entre os 10 selecionados para o Oscar de filme estrangeiro de 2020, o poderoso e contundente drama húngaro ‘Aqueles que ficaram” é uma adaptação do livro de , Zsuzsa F. Várkonyi, “Aqueles que ficaram”. Assim como em “A escolha de Sofia”, o filme é um retrato dos sobreviventes do Holocausto, e já começa anos depois do final da 2a guerra mundial, na Hungria. Sofrendo com a escassez de comida e a chegada inevitável do regime comunista, a Hungria é composta por sobreviventes da 2a guerra. Quem teve condições já fugiu do País para uma vida melhor em outro lugar. O médico ginecologista Körner Aladár ( em performance irrepreensíve; de Károly Hajduk) é um homem discreto na faixa dos 40 anos. Ele cuida das mulheres que sobreviveram aos horrores da guerra e que perderam seus maridos. Entre suas pacientes, está Klara (Abigél Szõke, excelente), uma adolescente de 16 anos trazidas por sua guardiã, a tia Olgi. Klara acredita que seus pais ainda estão vivos. De imediato, Klara e Korner sentem uma conexão de duas almas perdidas e que necessitam urgentemente de carinho e compreensão. Sem condições de manter Klara sozinha, olgi aceita dividir os dias de Klara com Korner. No entanto, as pessoas na escola e no prédio de Korner passam a suspeitar que existe algo além de uma simples amizade entre os dois, a ponto de Korner receber ameaças do partido comunista. A direção de Barnabás Tóth é bastante inteligente. No incío, eu ficava bastante incomodado com as cenas noturnas serem tão escuras, quase impossíveis de serem vistas. Mas aí entendi que é proposital: em primeiro lugar, para dar realismo à escassez de energia elétrica. E depois, para deixar ao espectador imaginar o que acontece no quarto entre os dois personagens. É um desejo quase obsceno de querer enxergar coisas que de repente nem existem. A trilha sonora de László Pirisi é digna de aplausos: melancólica sem ser exagerada e elevando as cenas dramáticas a um nível de perfeição. Um filme triste, sobre personagens que perderam tudo e que estão a um passo de perderem suas vidas. A cena de Klara folheando o álbum de Korner é um primor de realização. O filme não pode e não deve ser visto como uma possível adaptação húngara ao livro de Nobukov, "Lolita". Não deve ser avaliado por esse olhar tão simplista. É um filme complexo e polêmico, mas apaixonante.