sexta-feira, 24 de maio de 2019

4 dias

"4 days", de Adolfo Alix Jr (2018) Romance LGBTQ+ Filipino, escrito e dirigido por Adolfo Alix Jr.. Mark é um estudante que acaba de entrar para a faculdade. Ao entrar no seu alojamento, ele encontra o seu roommate, Derek, namorando com uma garota. Os 2 se tornam amigos. Mark é gay, e começa a surgir entre os 2 um flerte que desconcerta Derek, que é hetero. Durante 4 dias, eles precisarão enfrentar os seus medos e diferenças. O filme tinha tudo para dar certo: 2 atores fotogênicos e carismáticos, uma história singela mas eficaz. Mas a edição do filme simplesmente arruinou tudo. Planos desnecessariamente longos, dando a impressão de ter sido exibido um primeiro corte do filme. Sem ritmo, com planos aéreos pavorosos, o filme acaba afastando o espectador. O excesso de melodrama no ato final também prejudica o drama, tornando o desfecho inverossímil pelo abrupto da resolução.

Hellboy

"Hellboy", de Neil Marshall (2019) O Cineasta inglês Neil Marshall é responsável por 2 clássicos do terror na sua fase inglesa: "Dog soldiers" e "O abismo do medo". Depois realizou alguns filmes nos Estados Unidos e agora vem com o reboot de "Hellboy", anteriormente filmado por Guillermo del Toro em 2004 e 2008. Baseado nos quadrinhos de Mike Mignola , o filme tem um roteiro confuso e repleto de sub-tramas, mas o que mais me chamou a atenção foi a extrema violência do filme, o que o torna absolutamente proibido para menores. São muitas cenas de decapitações, gigantes devorando humanos e um dos momentos mais bizarros, um demônio dividindo uma pessoa em duas, rasgando pelas pernas. O filme mistura a Lenda do Rei Arthur com nazistas, uma Bruxa sangrenta ( Milla Jojovich) que tem o corpo dividido em 6 pedaços e que tem um assistente em forma de javali que tem a missão de resgatar essas partes e uni-las, fazendo a Bruxa ressuscitar. No meio disso tudo, tem Hellboy, um agente cooptado por seu pai adotivo, Professor Broom (Ian McShane, o Gerente de "John Wick"), e interpretado por David Harbour, o detetive Jim de "Stranger things". Não achei o filme ruim como muita gente comentou. Para quem busca um filme de super heróis sem concessões à cenas de mortes, explodindo nas telas com bastante violência gráfica e deixando claro ser um filme de adultos e sem a presença da Disney, esse filme é um prato cheio. O filme não tem medo de assustar ou desagradar o público. Neil Marshall fez um filme brutal, mesmo que recheado de humor negro em alguns momentos. O elenco de apoio é bem escalado com atores famosos, entre eles, Sasha Lane, de "American Honey", e ,Daniel Dae Kim da série "Hawai- 5-0". Os efeitos beiram o trash, mas tem tudo a ver com a proposta B do filme.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

A piscina

"The Pool", de Ping Lumpraploeng (2018) Você tem idéia do que é um Diretor realizar um filme baseado em 2 linhas de roteiro, e o filme ficar do caralho? O filme é um primor de direção, decupagem, fotografia e atuação, dentro do gênero suspense e ação. Um contra-regra de uma filmagem tem a missão de limpar uma piscina localizada em um lugar ermo após o término das gravações. Ele acaba dormindo na piscina e quando acorda, a água escoou e ele ficou preso dentro da piscina de 6 metros de altura, sem poder fugir, junto de um enorme crocodilo. O roteiro, angustiante e aflitivo a cada segundo, é repleto de situações absurdas, de encontros e desencontros. Para piorar, o personagem é diabético e precisa de insulina. Seu cachorro está preso na corrente e não pode pedir ajuda. Sua namorada vai tentar ajudá-lo mas sofre acidente e também fica presa na piscina. e o crocodilo está faminto. Tudo isso embalado por um su-plot de melodrama. Se você não se importar com as maluquices do roteiro, assista ao filme, é divertido e te deixará com raiva o tempo todo. A Tailândia tem se especializado em filmes de ação e terror muito bons, ponto positivo para a filmografia deles. O filme for premiado em diversos festivais.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O professor

"The professor", de Wayne Roberts (2018) Escrito e dirigido por Wayne Roberts, "O professor" é um drama independente americano, um retorno de Jonnhy Depp aos dramas realistas e saindo da seara de filmes fantasiosos, universo onde Jonnhy Depp domina em filmes como "Piratas do Caribe", "Animais fantásticos"e todos os filmes que fez com Tom Burton. Com uma performance comovente de Depp, ele interpreta Richard, um professor de literatura de uma renomada Universidade e que descobre ter um cancer terminal e caso não faça tratamento, terá apenas 6 meses de vida. Abalado, Richard decide não contar para sua esposa e sua filha. A esposa confidencia estar tendo um caso, e a filha, que é lésbica. Richard decide dar um novo rumo em sua vida e chutar sua vida careta e aproveitar seus últimos meses com muita rebeldia: transando com quem ele quer, fumando maconha e principalmente. dar lições de moral para os seus alunos sobre ambições na vida, aproveitar cada instante e a mortalidade de todo mundo. O tema da doença terminal é recorrente em muitos filmes no mundo todo. O cineasta francês François Ozon lançou o belo "O empo que resta" sobre um fotógrafo jovem de moda, vivido por Melvin Papaud, que descobre estar próximo da morte. Na maioria dos filme,s o protagonista chuta tudo pro alto e liga o foda-se, aproveitando a vida da melhor forma possível e sem se privar de mais nada. No roteiro de Wayne Roberts, as feministas podem ficar putas, pois muitas das personagens femininas servem de escada sexual para o professor realizar seus desejos. Fora isso, o roteiro não revitaliza o tema e traz todos os clichês possíveis sobre redenção. Ou seja, o motivo principal de se assistir ao filme é mesmo o talento de Jonnhy Depp. Mesmo com aquele eterno ar de alcoolizado, ele emociona em alguns monólogos.

Brightburn - Filho das trevas

"Brightburn", de David Yarovesky (2019) E se o Superman fosse um Super Herói do mal? Partindo dessa brilhante premissa, o Cineasta James Gunn, diretor da franquia "Guardiões das Galáxias", produz esse filme de terror e ação que é um misto de "Superman" com "A profecia". O casal Tori (Elizabeth Banks) e Kyle são fazendeiros no Kansas. O casal sonha em ter um filho, mas a esposa é infértil. Um dia, cai um meteoro no terreno do casal e dentro se encontra um bebê, que eles batizam de Brandon (Jackson A. Dunn, na fase adolescente). Quando o rapaz atinge a adolescência, começa a sentir estranhas vibrações, e aos poucos ele descobre que o seu chamado é para o Mal. Com um roteiro inventivo, adaptado da história de Superman criança, o filme provoca bons sustos e tem cenas de gore que vai fazer muita gente fechar os olhos. Imaginem que um dos poderes do menino é olhos de raio laser, e a possibilidade desse laser para matar pessoas. O filme não é para crianças, é assustador e tem cenas de extrema violência. É um ótimo passatempo, um excelente filme de gênero. Algumas cenas são bastante arrepiantes: a do acidente com o tio, e a da mãe da colega da escola. O menino Jackson A. Dunn lembra bastante o registro do menino de "A profecia", e o ator está muito bem em seu papel bastante complexo.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Tonio

"Tonio", de Paula van der Oest. Adaptação do livro best seller de um dos escritores mais famosos da Holanda, A.F. Th. van der Heijden, e que narra a morte de seu filho único, Tonio, e o processo de luto pelo qual ele e sua esposa, Mirjam, tiveram que enfrentar. O filme foi indicado pela Holanda para representar o País para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro, mas não foi selecionado. Foi um grande sucesso de bilheteria em seu País. No dia 23 de maio de 2010, em Armsterdam, Tonio, de 21 anos, janta com seus pais. No jantar ele diz aos pais que pensa em mudar de fotografia para uma outra profissão artística. O pai reclama a falta de ambição do filho. Na despedida, o filho segue de bicicleta e os pais de táxi. No dia seguinte, recebem a informação de que o filho morreu atropelado. A partir daí, o filme alterna momentos de luto aterrorizante do casal, com flashbacks mostrando a gravidez, Tonio criança, adolescente e todos os momentos felizes da familia. Recentemente, a França lançou o comovente "Amanda", um filme que também falava sobre luto. Os dois filmes primam pela sutileza de tratar um tema tão espinhoso, da perda do ente querido. A diretora Paula van der Oest evita os exageros comuns a esse tipo de drama, mas mesmo assim, é impossível não chorar várias vezes ao longo do filme. O talento primoroso dos 3 atores principais leva o filme a um nível alto de produção, mesmo que ele se estique em tempo de duração mais do que deveria.

domingo, 19 de maio de 2019

Brazil Cranival

"Brazil Carnival", de Antonio da Silva (2016) Antonio da Silva é um premiado e famoso Cineasta português radicado em Londres. Autor de diversos curtas experimentais e explícitos, fala sobre o Universo Lgbtq+ apresentando entrevistas, exposições de corpos, sexo explícito, tudo embalado com uma bela fotografia, trilha sonora sofisticada e influência das artes plástica,s faculdade na qual se formou. Em "Brazil Carnival", Antonio explora o olhar estrangeiro sobre a Festa brasileira, especialmente no Rio de Janeiro. Homens dão depoimentos sobre a festa, sobre a sexualidade e erotismo que o evento provoca nas pessoas, a importância da liberação sexual. Com imagens reais dos blocos nas ruas, com detalhes de homens mijando e em situações fetichistas, Antonio exibe todo o voyeurismo que os seus filmes propõem ao espectador. Homens sensuais, de idades e corpos distintos, se apresentam sem nenhum pudor para a lente: sambam nús, fazem sexo, e no desfecho, vários homens falam sobre uma orgia proposta dentro de um bloco e que acabou no apartamento de um deles. Produtor de exportação, o estrangeiro que assistir ao filme, vai achar que aqui o Carnaval é só sexo e sacanagem desenfreada. Pedida obrigatória para fetichistas e voyeurs.

O invisível

"The unseen", de Geoff Redknap (2016) Premiado drama de horror canadense, escrito e dirigido por Geoff Redknap, famoso maquiador de efeitos especiais de vários blockbusters, agora estreando em longas. Bob é um operário na faixa dos 40 anos, que abandonou sua carreira de jogador de hóquei há anos atrás, quando também saiu de casa e nunca mais voltou. Ele recebe uma ligação de sua ex, Darlene, para que reveja a filha deles, a adolescente Eva, que tem estado em depressão. Bob retorna, tenta se reconectar com a filha, até que ela desaparece. Bob tenta descobrir o paradeiro dela, ao mesmo tempo que precisa lidar com uma doença que o faz literalmente, desaparecer. O filme se apropria do tema do Homem invisível, sendo que aqui, ele não é fruto de nenhum experimento científico. A questão da invisibilidade pode ser vista como uma metáfora de pessoas anônimas com problemas pessoais e profissionais e que literalmente não existem para a sociedade. Esse tema da invisibilidade tem sido bastante usado para esse tipo de metáfora. Os efeitos são ótimos, e chegam a assustar tal p seu realismo, repleto de sangue. Os atores estão ótimos, em especial Aden Young no papel de Bob, e Julia Sarah Stone no papel de Eva. Pena que esse filme fique no meio do caminho para agradar fãs de terror ou de drama, sem atingir um público certo para melhor apreciá-lo.

Noite mágica

"Notti magiche", de Paolo Virzi (2018) Realizador dos conhecidos dramas "A primeira coisa bela" e "O capital humano", o cineasta e roteirista italiano Paolo Virzi faz o seu "Cinema Paradiso", revisitando em formato autobiográfico o Cinema italiano de 1990, o mesmo ano em que a Itália perdeu a Copa do Mundo para a Argentina. Na noite do fatídico jogo no qual Maradona selou o destino da Itália na Copa, o famoso produtor de cinema Saponaro (Giancarlo Giannini) sofre um acidente de carro e morre no rio. Em seu bolo, é encontrada uma foto onde vemos uma famosa atriz e 3 aspirantes a roteiristas. Todos são suspeitos da morte do produtor, que estava decadente e devendo a todos. Em Flashback, conhecemos os 3 jovens roteiristas: Antonino, um cinéfilo intelectual; Luciano, um conquistador de mulheres e esquerdista, e Eugenia, uma viciada em drogas, depressiva e que se sente culpada por ser filha de um político rico. Giusy é uma alpinista, que encosta em Saponaro para se tornar Atriz. Ela acusa os 3 roteiristas de terem matado o amante. Os jovens se conhecem porquê são finalistas de um Concurso de roteiro, de onde Antonino sai vitorioso e com um cheque de 25 milhões de liras, cobiçado por Saponaro para convencer Fellini a trabalhar em um filme dele. Tecnicamente, o filme é muito bem feito: direção de arte, figurino, fotografia. O roteiro procura homenagear os grandes Mestres do cinema da época, que já estavam em um período de crise criativa: Fellini, Antonioni, Mario Monicelli, Ettore Scola. Mastroianni e Roberto Benigni também são homenageados. Os cineastas e produtores da velha guarda são apresentados como pessoas que impedem que nova geração de diretores, roteiristas façam sucesso, se aproveitando deles. O cinema italiano desse período estava totalmente em fase de obscuridade. Paolo Virzi retrata de forma cruel e nostálgica o seu próprio percurso como roteirista e cineasta, quando chegou em Roma em busca de um espaço para crescer dentro da indústria. O filme tem muita influência do cinema de Paolo Sorrentino, principalmente nas cenas de festas. Infelizmente, o roteiro apresenta personagens demais, diluindo a força dos protagonistas. As mulheres são vistas como iscas sexuais e perturbadas mentalmente, o que deve provocar ira das feministas. Longo e sem vigor, o filme não encanta. Fica o desejo de fazer uma ode ao Cinema italiano. Mas faltou a Paixão..

Purl

"Purl", de Kristen Lester (2019) Curta de animação produzido pela Pixar, escrito e dirigido pela animadora Kristen Lester. O filme é uma crítica ao ambiente sexista e machista de uma Empresa Corporativa, dominada por homens. Um dia, Purl, uma novelo de lã, começa a trabalhar lá. Única representante feminina, Purl sofre Mansplanning e indiferença dos colegas o tempo todo. Sentindo-se frustrada ela decide se tornar um deles. Com uma mensagem simples e direta, o filme com certeza irá provocar pensamentos educativos no público infantil. Minha única questão é porque os homens são retratados como seres humanos e a única personagem feminina é um novelo de lã, e não uma mulher representada. Tudo bem que a Diretora quiz trazer uma personificação de um objeto inanimado para mostrar a total indiferença dos homens, mas eu de verdade preferia que fosse uma mulher.

sábado, 18 de maio de 2019

Morte instantânea

"Polaroid", de Lars Klevberg (2018) Em 2015, o cineasta dinamarquês Lars Klevberg escreveu e dirigiu um curta de terror, chamado "Polaroid". O filme fez um sucesso estrondoso, que 2 anos depois, foi adaptado para um longa-metragem, produzido por Harvey Weistein. Com as acusações de assédio sexual contra Harvey, o filme foi devidamente engavetado. A Netflix chegou a negociar, mas desistiu logo depois. A verdade é que o curta, de apenas 15 minutos, consegue ser muito melhor e mais eficiente do que esse longa, que se assemelha a "Premonição". O filme começa exatamente como o curta: 2 amigas comentam sobre uma polaroid vintage dos anos 70, e quando uma das amigas tira foto de si mesma, acaba sendo morta por uma entidade. Na passagem de tempo, a polaroid vai parar nas mãos da tímida estudante Bird. Ela ganha a polaroid e acaba tirando foto de um grupo de amigos. Um a um vai morrendo de forma aterrorizante, e Bird descobre o poder da câmera e resolve descobrir o segredo por trás dela, para evitar a morte dos amigos e de si mesma. O filme tem 3 problemas: as cenas de ataque acontecem em um escuro profundo, pois a entidade só surge quando não há luz; as mortes não são vistas e não há sangue; e as mortes acontecem sem nenhum tipo de criatividade, além da obviedade dos amigos irem se separando e parando em ambientes escuros, perguntando o clássico"Tem alguém, aí?" O filme tem aqueles sustos óbvios, e sinceramente, quem quiser ver um belo terror, assista ao filme original.

A grande Dama do Cinema

“El Cuento de las Comadrejas”, de Juan José Campanella (2019) Dirigido e escrito pelo cineasta argentino mais famoso internacionalmente, “A grande Dama do Cinema” é uma mistura insana de “Crepúsculo dos Deuses”, “Arsênico e alfazema” e “A família Adams 2”. Com um registro que vai do drama, comédia, humor negro e melodrama, o filme tem como ponto alto a performance de atores veteranos brilhando em papéis complexos e que beiram o caricato, mas jamais perdendo o carisma. Mara Mordaz (Graciela Borges, de “O pântano”) é uma atriz decadente e que te o seu auge há 40 anos atrás, quando ganhou uma estatueta tipo Oscar. Mas um acidente de carro que tornou o seu marido Pedro paraplégico, a fez abandonar a carreira. O casal mora em uma mansão abandonada no meio do nada, distante de Buenos Aires. Juntos,moram o Cineasta Norberto (Oscar Martinez, de “O cidadão ilustre” é o roteirista Martin. Todos os quatro costumavam trabalhar juntos, mas agora a vida é só tristeza e nostalgia. Um dia, um jovem casal surge, Bárbara e Francisco pedindo pra usar o telefone. O casal reconhece Mara e dizem ser fãs. Ambos sugerem a Mara retomar a carreira e ela se anima. Como sempre muito bem dirigido e com ótima performance, o filme diverte e emociona, naquele tema que todos amam que é falar do ostracismo de artistas que dedicaram suas vidas à Arte e que já idosos, não encontram mais espaço no mercado de trabalho. Uma feroz crítica à falta de memória cultural da população, principalmente os jovens, o filme só se prejudica em seu ato final, quando investe em uma trama inverossímil e forcada. Mesmo assim, vale assistir pelo talento do elenco que está excelente.

John Wick 3- Parabellum

"John Wick 3- Parabellum", de Chad Stahelski (2019) Uma das franquias de ação mais fodas e divertidas começou em 2014, quando o Dublê de ação Chad Stahelski resolveu dirigir o filme "John Wick- de volta ao jogo". O filme foi um sucesso imediato, unindo tudo o que a galera espera de um filme do gênero: herói praticamente calado, muita porradaria bem coreografada e muito sangue em cenas bem orquestradas. Quase um non sense de ação, com influências de desenhos animados, John Wick logo retornou em 2017, e agora, na parte 3, mais voraz do que nunca: continuando exatamente d eonde terminou a parte 2, com o anúncio de que a cabeça de John Wick estava a prêmio, praticamente todos os assassinos seguem em seu encalço. Para fugir, ele conta com a ajuda de personagens dúbios, como Baba Yoga ( Lawrence Fishburne), Sofia ( Haley Berry), entre outros já conhecidos, como O Gerente e O Porteiro do Hotel Continental. O filme se resume numa única linha em termos de roteiro, mas a porrada come solta em 130 minutos ininterruptos mega bem editados e filmados. Preparem-se para a parte 4.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Respire

"Breathe", de Toby Meakins (2013) Premiado curta de terror inglês de apenas 5 minutos, é um eficiente exercício de suspense e com um plot twist no final. Um rapaz, Jamie, traz um conhecido, Tyler, para um galpão abandonado. Jamie diz que ali reside uma fantasma, mas que somente pode ser vista caso ambos prendam a respiração. Tyler começa incrédulo, mas aos poucos vai prendendo a respiração e confirma a existência do fantasma de uma bela mulher. É um filme simples, que consiste na surpresa do desfecho. Mas é bem executado , com boa direção, bons atores e uma ótima idéia.

Lavanda

"Lavander", de Matthew Puccini (2019) Que beleza esse Premiado curta LGBTQ+, que concorreu nos prestigiados Sundance e SXSW Film Festival em 2019. O filme trata do polêmico tema do poliamor entre um casal gay na faixa dos 40 anos e um rapaz de 20. Arthur e Lucas formam um casal apaixonado. De repente, Andy surge na vida deles, e juntos decidem formar uma relação a três. Andy se torna totalmente apadrinhado e amado no jogo de amor, até que um dia, ele descobre que será "substituído" pelo bebê adotivo que o casal tanto aguardava. O diretor e roteirista Matthew Puccini trata de um tema muito complexo de forma sutil, sem escândalos. Lindamente fotografado e filmado, e com ótimas performances, o filme tem poucos diálogos e muitas trocas de olhares, dando chance dos atores interpretarem através de expressões. Uma bela aula de cinema, especial, mágica.

Papercut

"Papercut", de Damian Overton (2018) Que obra prima esse curta escrito e dirigido por Damian Overton!!! Vencedor de mais de 40 prêmios internacionais, o filme é um grande show case de roteiro e diálogos e de performance dos 3 atores. A trilha sonora delicada também amplia os sentidos, dando um tom emocional bastante comovente ao projeto. Gabriel (Kieton Beilby) e Kane (Josh Kieser) estão dentro de um Uber, a caminho de uma importante Premiação de Cinema. Ambos estão concorrendo para a mesma categoria de Ator. O motorista David (Donnie Baxter) os conduz ao evento. Por conta da presença do motorista, os dois rapazes falam em códigos quando vão comentar sobre a relação que ambos mantiveram como namorados. Para a mídia e vida social, ambos são enrustidos, se passando por heteros. Mas Gabriel diz a Kane que depois dessa noite, ele assumirá sua vida de hetero, irá se casar e ter filho, pois ele vê na premiação, caso ganhe, seu início da escalada para o sucesso. Kane no entanto, não tem a mesma ambição de Gabriel, e fica frustrado por Gabriel querer terminar a relação. O filme discute a vida no armário, os podres do mundo artística que obriga os atores a viverem uma vida de mentiras. Com direção brilhante , diálogos ácidos, performance monstruosa dos atores e muita delicadeza e sofisticação na técnica, o filme seduz o espectador, mesmo sendo verborrágico em seus 12 minutos de duração.

Limites

"Boundaries", de Rhys Marc Jones (2018) Premiado curta LGBTQ+, tem como protagonistas dois jovens atores negros. Com um roteiro preciso e atuações naturalistas, a direção e roteiro de Rhys Marc Jones investe nos olhares, no tempo cinematográfico e na sutileza para contar uma história sobre um relacionamento tóxico. Jared, inconformado com o fim do seu relacionamento com Manny, tem comportamento auto-destrutivo. Se corta com gilete e se torna depressivo. Um dia, ele resolve tomar uma ação: recuperar o amor de Manny. Jared forja um acidente, batendo a sua cabeça na pia do banheiro. Ao chegar na casa de Manny ele alega ter sido assaltado e que bateram nele. Manny o recebe, cuida dele e Jared acaba forçando um beijo, seguido de um olhar apaixonado de Manny. Mas quando, ao tirar as calças de Jared, Manny vê o celular que ele havia alegado ter sido roubado, tudo muda de figura. O filme tem exatos 8 minutos, e tudo o que ele precisa está dentro desse tempo. Sem barriga, com poucos diálogos e momentos de ousadia dos atores (nú frontal) e sensibilidade do diretor em narrar essa história sobre psicopatia.

Reforma

"Reforma", de Fábio Leal (2018) Absolutamente apaixonado, encantado, deslumbrado e acachapado com a maravilha que é esse curta mega premiado em Brasília, Mix Brasil e outros Festivais importantes. Fábio Leal é um realizador pernambucano que eu já virei fã desde o seu primoroso "O porteiro do dia". Em "Reforma", o próprio Fábio Leal interpreta o protagonista Francisco. Ele passa o filme todo conversando com uma amiga, Flavia, sobre a reforma do apartamento dela e o quanto ela está desgostosa de todo o processo da obra. Paralelamente, Francisco tem aventuras amorosas com outros homens, mas se ressente de que eles não o procuram mais. Francisco confidencia para Flavia de que ele está insatisfeito com seu corpo, que se acha gordo, e que por isso os amantes desaparecem. Flavia pede para que ele faça dieta, academia, mas Francisco confirma de que ele ama comer e odeia academia. Belamente filmado, cheio de sacanagem que só Fabio Leal sabe filmar muito bem, com cenas beirando o explícito, "Reforma"faz uma analogia entre a obra de um apartamento e a "Reforma"que Francisco deseja para o seu corpo. Com um trabalho formidável de ator do próprio Fábio, que ganhou o prêmio de interpretação em Brasília, o filme é uma crítica feroz à gordofobia e o bullying provocado. As cenas de sexo são muito bem filmadas, e a cena final, com Francisco comendo doce na cama, na clássica cena do protagonista comendo sorvete sem parar e assistindo uma comédia romântica é brilhante, nitidamente sacaneando esse clichê e se divertindo horrores, cantando "i say a little prayer" na icônica cena de "O casamento do meu melhor amigo". Obrigatóro!

quinta-feira, 16 de maio de 2019

O guarda florestal

"The ranger", de Jenn Wexler (2018) Filme de terror que homenageia os slashers dos anos 80, trazendo todos aqueles clichês de grupo de jovens rebeldes que seguem até uma floresta distante da cidade e que acabam sendo caçados um por um por um serial killer. Cinco amigos punks fogem de uma boite após uma batida policial em busca de drogas. Ao ferirem gravemente um policial, o grupo segue até uma floresta para passar um tempo na cabana do avô de Chelsea. Mas eles são interceptados por um guarda florestal, que os adverte: caso invadam a floresta sem autorização, serão punidos. Claro que o jovens desobedece ao chamado e acabam sendo mortos um por um. O roteiro co-escrito pela diretora Jenn Wexler, em seu longa de estréia, não traz nenhuma novidade. O maior problema do filme é fato de nenhum personagem ser merecedor de pena do espectador: os punks não são nada carismáticos, e a gente nem sofre pela morte de nenhum deles. São apresentados como arruaceiros e perigosos. Existe um casal gay, formado por um negro e um branco, mas isso não traz nenhum carisma para a platéia. Jeremy Holm, no papel do assassino, é o melhor do elenco, trazendo um personagem ensandecido e violento. O primeiro ato, que dura uns 40 minutos, não possui uma morte sequer. Demora bastante pro filme acontecer.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Obsessão

"Greta", de Neil Jordan (2019) Suspense dirigido e co-escrito por Neil Jordan, cineasta irlandês famoso pelos filmes "Dançando com um estranho", "Traídos pelo desejo", "Mona Lisa" e "Entrevista com o Vampiro". São tantos os filmes com o nome de "Obsessão" que a gente até se confunde. O título original, "Greta", diz respeito ao personagem de Isabelle Huppert, uma viúva solitária em busca de amizade. Um dia, Frances ( Chloë Grace Moretz), uma garçonete, encontra uma bolsa feminina dentro de um vagão de metrô. Frances divide seu apartamento com a amiga Erika (Maika Monroe, de "A corrente do mal"), que sugere que Frances deixe a bolsa para la. Mas Frances tem bom coração, e resolve procurar a dona. Logo, Frances e Greta tornam-se grandes amigas. Mas Frances descobre que as intenções de Greta são outras, e decide abandoná-la. Inconformada, Greta começa a slatkear Frances. Com um roteiro totalmente implausível, "Obsessão" vale ser visto como um suspense protagonizado por duas grandes atrizes, Isabelle Huppert e Chole Moretz. A vilã de Huppert é deliciosamente Kitsch, e parece uma Jason Voorhes de saias: ela é onipresente. Alguns momentos de suspense são bem risíveis, quando Erika é perseguida nas ruas: gente, porquê ela não pede ajuda para as pessoas? Mas pensando bem, isso faz do filme uma diversão escapista e debochada, como se quisesse parodiar todos aqueles filmes de babás, inquilinos, etc, enfim, pessoas estranhas que querem se aproximar de outros de qualquer forma. Stephen Rea faz uma participação de um personagem preguiçoso e mal escrito, e que somente está no filme por ser um ator fetiche de Neil Jordan.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Consequências

"Posledice", de Darko Stante (2018) Premiado drama LGBTQ+ da Eslovênia, "Consequências" teve o argumento e roteiro escrito pelo próprio cineasta, na época que ele trabalhava em Casa de detenção para menores infratores. O filme narra o drama de Andrej, um rapaz de 18 anos que vai preso em uma casa de detenção após espancar uma jovem em uma festa, que o humilhou dizendo que ele não conseguia transar com ela. De início, Andrej tem dificuldades de se adaptar ao local, mas logo ele se torna protegido de Zele, o bad boy que comanda tudo no local. Andrej integra o grupo de Zele e nos finais de semana, eles saem da casa de detenção e praticam assaltos, roubam drogas. Andrej sente uma atração por Zele, que acaba se aproveitando da situação. Com ótimas performances de todo o elenco, o filme é prejudicado por um ritmo muito lento, mesmo em cenas de ação o filme é arrastado. De qualquer forma, é uma rara oportunidade de se assistir um filme da Eslovênia ainda mais, de gênero.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Marylin

"Marylin", de Martín Rodríguez Redondo (2018) Drama LGBTQ+ argentino, baseado em trágica história real. Na área rural da Argentina, mora uma família de classe média baixa: O casal Carlos, Olga ( Catalina Saavedra, do excelente filme chileno "A criada"), Carlito e Marcos. Marcos é um adolescente que descobre a sua homossexualidade. Ele se veste de mulher escondido de sua família. Quando seu pai morre, a mãe e os irmãos, homofóbicos, maltratam Marcos. Durante uma festa de Carnaval, Marcos se veste de mulher e acaba sendo estuprado por um grupo de rapazes da cidade, que o chamam de "Marylin". Marcos conhece Frederico por aplicativo e acabam namorando, mas a família de Marcos é contra o relacionamento. Exibido em importantes Festivais mundo afora, entre eles, o de Berlin e San Sebastian, "Marylin" tem como ponto alto o ótimo trabalho de todo o elenco. A direção de Martin Rodriguez é boa, mas o ritmo extremamente lento da produção pode prejudicar a sua visibilidade, tornando-o restrito a círculo de cinéfilos. Um filme visceral, com um desfecho forte e inesperado.

domingo, 12 de maio de 2019

A menina e o leão

"Mia et le lion blanc", de Gilles de Maistre (2018) O Documentarista francês Gilles de Maistre, estreando aqui em ficção, fez o seu "Boyhood", famoso filme de Richard Linklater, onde o elenco filmou durante anos e em tempo real presenciamos o crescimento dos jovens atores. Aqui, durante 3 anos, Gilles filmou a produção na Africa do Sul, para que as crianças Daniah De Villiers (Mia) e Ryan Mac Lennan (Mick) crescessem junto do leão branco Charlie, que de filhote, vira um leão enorme. O roteiro teve argumento de Prune de Maistre , esposa do cineasta. Ela tomou conhecimento de que fazendas no País africano criavam leões para serem abatidos por caçadores quando adultos, para posarem para fotos. O filme começa com Mia aos 10 anos de idade, irritada por ter que se mudar com sua família ( Mick e seus pais- a mãe é a atriz Melanie Laurent) para uma fazenda de criação de leões na África do Sul. Ela passa seu dia na internet com amigos de Londres, até que seu pai traz para casa o pequeno Charlie, um leãozinho branco. Mia se afeiçoa ao animalzinho e faz dele seu melhor amigo. 3 anos depois, Charlie está enorme, e os pais de Mia acreditam que ele ficou perigoso para ficar com a filha. O pai decide vendê-lo a um caçador, mas quando Mia descobre resolve fugir com ele, para levá-lo a um santuário secreto de leões. Muitos críticos reclamaram do filme, falando da falta de cuidados com a edição, atuação e roteiro. O filme não é perfeito, tem um roteiro bastante óbvio, mas é bastante evidente a sua função como filme família: trazer a mensagem de preservação dos animais e da natureza para as novas gerações. Vale assistir pelas belas paisagens, pela qualidade da produção. Guardada as devidas proporções, o filme lembra o sul coreano "Oukja", da menininha que quer salvar a vida do Porco gigante e que passeia com ele pelo shopping da cidade ( aqui tem a mesma cena). O filme foi o maior sucesso de bilheteria francês ao redor do mundo em 2018.

sábado, 11 de maio de 2019

Nosso tempo

"Nuestro tiempo", de Carlos Reygadas (2018) O cineasta Carlos Reygadas é do tipo de realizador que as pessoas amam ou odeiam. Na sua filmografia, constam filmes polêmicos como "Batalha do céu", "Luz silenciosa" e "Post tenebra Lux", vencedor do prêmio de melhor direção em Cannes e que levou vaias homéricas. "Nosso tempo", que concorreu em Veneza 2018 e levou o prêmio de melhor filme estrangeiro na Mostra de São Paulo do mesmo ano. tem muito em comum com os filmes citados. Todos falam sobre os problemas de um relacionamento de um casal, e que procuram solucionar através de amantes. Todos possuem quase 3 horas de duração. Carlos Reygadas é adepto do tempo cinematográfico, um aficcionado por Tarkovsky. Seus planos são longos, seu olhar naturalista apresenta as situações com um olhar documental, sem pressa, e os personagens percorrem a tela em registros de pouca dramaticidade. "Nosso tempo"exige bastante do espectador, e enfrentar suas 3 horas de duração são um grande desafio. A fotografia, deslumbrante e arrebatadora, registrando com muita sensibilidade e dando um caráter épico às terras que circundam a enorme fazenda de touros dos protagonistas, é do mexicano Diego Garcia, o mesmo realizador de "Boi Neon", de Gabriel Mascaro ( O Poster é idêntico para os 2 filmes). O filme conta a história de um casal: Juan e Ester ( o próprio cineasta Calos Reygadas e sua esposa, Natalia López. Os filhos do casal também são dos próprios). Juan é poeta e cuida dos touros da fazenda. Ester administra a Fazenda. Para manter o casamento em crise, ambos se permitem ter relações extra-conjugais. Tudo vai bem até que Juan começa a sentir ciúmes excessivos de Phil, o domador de touros americano, que está tendo um relacionamento além da conta com Ester. O filme começa com um belíssimo prólogo protagonizado por crianças e adolescentes, que brincam no lago repleto de lama da fazenda. É impressionante também um lindo plano aéreo, com a câmera acoplada a um avião, que circunda a cidade do Mexico. A direção de Reygadas, como sempre, impressiona pelo tom épico que ele dá para as cenas, algo que o aproxima de Terrence Malick e seu uso das lentes grandes angulares. O filme é muito lento, e para poder apreciar a longa duração, é preciso estar bem descansado e pronto para testemunhar uma história de ciúme regado a amor e ódio, mas em tom bastante documental.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Aleluia

"Hallelujah", de Matthew Richardson (2019) Premiado curta LGBTQ+ dirigido por um dos integrantes do prestigiado Grupo circense Cirque du Soleil, Matthew Richardson, que roteirizou, concebeu a coreografia e dirigiu esse belo filme musical, onde a dança e a performance de 2 bailarinos gays servem para fazer uma crítica à sociedade homofóbica e à religião, que faz vista grossa à violência da sociedade contra o grupo Lgbtq+. O filme é todo ambientado dentro de uma Igreja, onde o casal dança uma bela performance tendo como testemunha a estátua de Cristo. Bela direção, excelente coreografia e trabalho dos bailarinos, editados com imagens de violência nas ruas.

Pokemon- Detetive Pikachu

"Pokemon- Detective Pikachu", Rob Letterman (2019) Diretor dos infanto-juvenis "O espanta tubarões", "Goosebump", "A viagem de Gulliver" e "Monstros Vs Aliens", Rob Letterman teve a missão de realizar a versão carne e osso de Pikachu e o Universo Pokemon, tendo Atores contracenando com os bichinhos fofos. Criado em 1995, a franquia para o cinema "Pokemon" já rendeu mais de 2 dezenas de filmes, além de uma animação de grande sucesso para a tv. Pikachu é o grande herói de toda a criação Pokemon. Em uma cidade chamada Ryme, o Detetive Harry é dado como morto após um acidente provocado por uma fuga desesperada. Sem saber exatamente a causa do acidente, o filho de Harry, Tim, um rapaz de 21 anos e que durante toda a sua vida se sentiu abandonado pelo pai, por ter escolhido a profissão em prol da família, resolve ir até a cidade para poder acompanhar os preparativos do funeral. Mas ao visitar o apartamento de seu pai, Tim descobre que Pikachu está ali escondido. Pikachu era o Pokemon de seu pai, e juntos, descobrem que existe um grande plano malévolo que quer transformar todos os pokemons em seres violentos. Precisam saber quem é o responsável pelo pano diabólico, antes que a cidade toda seja condenada. Fazendo homenagem a diversos filmes clássicos, entre eles, "Blade Runner"e "Alien, o 8o passageiro", "Pokemon- Detetive Pikachu" é uma diversão que certamente agradará ao seu público alvo. Para os adultos, uma grande surpresa: o filme é ótimo, com muita ação, ritmo frenético, excelente efeitos especiais e pokemons divertidos para alegrar a todos. Ryan Reynolds dubla o Pikachu em uma grande caracterização, e comprovado que é um dos grandes comediantes americanos da atualidade.

Varda por Agnès

“Varda pour Agnes”, de Agnès Varda e Didier Rouget (2019) Lançado no Festival de Berlim em 2019 pela própria, que viria a falecer um mês depois de câncer, aos 90 anos de idade, “Varda por Agnès” é originalmente um documentário realizado em duas partes para a tv, e condensada em formato filme para ser exibido nos cinemas. O filme poderia ser considerado um complemente de seu filme “ As praias de Agnès”, que assim como esse, fala de seus filmes, memória, relação com seu Marido Jacques Demy, seu período morando em Los Angeles, as suas instalações artísticas e sua outra grande paixão, a fotografia. Desde seu primeiro filme, o curta “La pointe courte”, considerado o precursor do movimento Nouvelle Vague, até seus grandes clássicos “ Cleo de 5 as 7” ou “ As duas faces da felicidade”, Agnès sempre instigou seu público com uma linguagem inovadora que unia ficção e documentário, recortados por uma montagem revolucionária. O filme é em formato Master Class: Agnès sentada na cadeira de Diretora em um palco de teatro, de frente para uma plateia lotada de jovens curiosos e aficcionados. Em determinado momento, ela pergunta para a plateia quem assistiu a “ Cleo de 5 as 7”: vemos uns poucos braços levantados. Talvez seja por esse pouco interesse da juventude por filmes antigos e clássicos que faz com que Agnès constantemente faça filmes sobre a memória. Uma tristeza ver que as gerações, não só no Brasil,mas no mundo inteiro, tem um descaso enorme com a sua história cultural.

A Merda! Uma Ópera!

"A Shot! - An Opera", de Kevin Rios (2018) Hilário e bizarro curta LGBTQ+, vencedor de vários prêmios em Festivais. Frankie é um videomaker e sempre foi Ativo nas suas relações sexuais. Um dia, ao defecar, ele sente prazer ao soltar a maior fezes de sua vida. Frankie decide então que quer ser passivo, algo que ele sempre evitou por sentir dor. Ele pega seu celular e contacta o primeiro ativo de sua lista de contatos, o cubano Miguel. Durante a espera, Frankie vai ficando tenso, até que a campainha toca. Com apenas 7 minutos, o roteiro do cubano radicado nos Estados Unidos Kevin Rios dá conta de contar a sua piada, de forma divertida e concisa, sem nunca perder o timing. Os 2 atores são engraçados e o filme ainda reserva um momento non sense, quando aparece a "merda" em animação de massinha, dando conselhos a Frankie. O filme é dividido em 4 capítulos, como Árias de uma Ópera.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Adulto

"Adult", de Jamierson Pierce (2016) Dirigido pelo australiano Jamieson Pierce, que também assina o roteiro, 'Adulto" é um tour de force da atriz Victoria Haralabidou, que protagoniza essa história sobre uma mãe latina conservadora que ao descobrir que seu filho trabalha como ator pornô em filmes gays, se desespera e o expulsa de casa. O filho é encontrado morto com overdose de heroína e a mãe se sente culpada. ela resolve ir até a locadora de Vhs e alugar o filme erótico que seu filme trabalha. Ambientado nos anos 90, no auge das produções eróticas para o público gay, "Adulto" lembra bastante "Hardocore- no submundo do sexo", de Paul Schrader, que mostrava o desespero de um pai interpretado por George C. Scott ao descobrir que sua filha foi sequestrada e obrigada a trabalhar em filmes pornôs. A diferença que aqui é tudo no universo do drama, enquanto que no filme de Schrader o diretor investe no filme policial. Victoria faz uma excelente performance como a mãe, e o filme pornô filmado como se fosse um pornô de época é muito bem realizado.

Menino peixe

"Ninõ pez", de Jeissy Trompiz (2018) Premiado curta Lgbtq+ cubano, produzido pela Escola Internacional de Cinema de Cuba. Primeiro filme dirigido pelo Ator e assistente de direção cubano Jeissy Trompiz, "Menino peixe" apresenta 2 rapazes: Hugo e Ernesto. O primeiro é gay, o outro é hetero. Ambos se encontram no poço chamado Menino peixe e lá transam de forma violenta e excitante. Quando voltam para a cidade, Ernesto volta à sua condição de homofóbico e maltrata Hugo. Hugo decide se vingar de Ernesto, e o alvo é o cachorro do rapaz. Confesso que estava gostando do filme até antes da cena final, que considero totalmente desnecessária e passando uma péssima imagem para os gays: assassinos de animais e vingativos. Bem dirigido, com bons atores e aquela atmosfera de filme barato e independente, mas nem por isso de baixa qualidade.

Inocentes

"Inocentes", de Douglas Soares (2017) Premiado curta LGBTQ+ experimental, escrito e dirigido por Douglas Soares. O filme é um ensaio poético sobre a obra de Alair Gomes, famoso fotógrafo carioca que durante anos, fotografou de sua janela em Ipanema os rapazes na praia se exercitando, mergulhando, pegando sol. Essas icônicas fotos homoeróticas, flagradas de anônimos, são reproduzidas com modelos em situações eróticas e sensuais, belamente registradas em preto e branco. O filme é proibido para menores: existem cenas de sexo explícito na parte final. Belo, sedutor, erótico, é um filme para espectadores voyeurs, que admiram e veneram o corpo masculino.

Mademoiselle Paradis

"Mademoiselle Paradis", de Barbara Albert (2018) Cinebiografia baseada na história real de Maria Theresia Paradis, uma pianista da Viena de 1777, contemporânea de Mozart. Aos 3 anos de idade, Maria ficou cega. Seus pais tentaram todos os tipos de tratamento para que ela conseguisse recuperar sua visão. Paralelo, Maria adquire excelente habilidade como pianista. Quando o médico Franz Anton Mesmer entra na vida de Maria, ele vai aos poucos recuperando a visão de Maria, utilizando uma técnica chamada de Mesmerismo. No entanto, à medida que Maria vai recuperando sua visão, suas habilidades vão perdendo força, a ponto de seus pais desejarem que ela volte a ficar cega novamente. Tecnicamente, o filme é todo excelente: fotografia, figurino, maquiagem, direção de arte. A diretora Barbara Albert traz o olhar feminino para a sociedade machista e misógina da época, onde mulheres praticamente não têm vez diante da expectativa que se espera delas: recatadas, do lar e submissas. A opção em fazer um filme quase claustrofóbico, rodado quase todo em interiores e em planos fechados, provoca uma sensação ao mesmo tempo privilegiando o ótimo trabalho de todo o elenco, em especial o de Maria Dragus no papel principal, como também torna entediante acompanhar a narrativa. O ritmo é bastante lento. Vale assistir ao filme para apreciar a performance extraordinária da atriz, que alterna a personagem cega e a que começa a enxergar. O filme ganhou diversos prêmios internacionais.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Horror na praia psicodélica

"Psycho beach party", de Robert Lee King (2000) O título do filme deixa claro as homenagens que o roteirista e diretor Robert Lee King faz a dois clássicos do Cinema: "Psicose" e "A praia dos amores. Esse último é um Must da Sessão da tarde, o expoente máximo dos filmes de surf, protagonizado por Annete Funiccelo e Frankie Avalon. O filme tem um tom de pastiche e caricatura, e por isso mesmo, não deve agradar a todos os espectadores. Tudo é exagerado: performances direção de arte, figurino, maquiagem , trilha sonora e fotografia. Para quem não tiver essas referências dos filmes de surf dos anos 60, vai achar tudo uma grande loucura estilizada e sem função dramática alguma. Nos anos 60, em Malibu, um serial killer age matando todas as pessoas que possuem alguma deficiência física. As suspeitas recaem em vários moradores da região, entre eles, Chicklet, uma jovem tímida e problemática que sonha em se tornar uma grande surfista. O problema é que ela tem várias personalidades. Com personagens Lgbtq+ , peruas californianas e muito surfista sem camisa, o filme diverte para quem busca um passatempo totalmente sem compromissos e sem pé nem cabeça. Para quem estiver disposto, vai descobrir uma pequena pérola nessa obra de Robert Lee King.

Me dê sua mão

"Donne-moi la main", de Pascal-Alex Vincent (2008) Escrito e dirigido por Pascal-Alex Vincent, "Me dê sua mão" é um drama LGBTQ+ francês, rodado em locações na França e Espanha. O filme começa com um prólogo em animação, mostrando Antoine e Quentin, irmãos gêmeos, fugindo da loja aonde trabalham com o pai deles. Eles seguem a pé até a Espanha, sem dinheiro, como mochileiros, para o funeral da mãe deles, que eles nunca conheceram. No trajeto, Antoine se envolve com várias mulheres. Mas quando Quentin vai trabalhar em uma fazenda para poder ganhar dinheiro, ele se relaciona com um jovem funcionário. Quando Antoine testemunha seu irmão fazendo sexo com outro homem, ele passa a sentir forte repulsa pelo irmão, a ponto de vendê-lo a um estranho dentro de um bar. O filme fala sobre uma relação de amor e ódio entre os dois irmãos gêmeos, mas em um nível de paixão platônica e incestuosa. Cada um deles sente ciúmes do outro, e as brincadeiras entre irmãos dão lugar a brigas e discussões. Infelizmente, o filme tem um roteiro extremamente vazio e minimalista, privilegiando um naturalismo que mais parece um registro documental. Muito pouco acontece o filme em termos de dramaturgia. Fica apenas um vazio, e muito provável, o diretor quiz apresentar um existencialismo de uma geração sem perspectiva de futuro. Faltou ritmo, faltou história.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Quem está assistindo Oliver?

"Who's watching Oliver?", de Richie Moore (2017) Premiado filme de terror com toques de humor negro, é uma Co-produção Estados Unidos e Tailândia. Filmado na Tailândia, o filme foi escrito pelo ator Russell Geoffrey Banks, que protagoniza o filme, e também é o filme de estréia do Câmera e fotógrafo Richie Moore. "Quem está assistindo Oliver?" faz parte daquele grupo de filmes insanos e doentios que a gente dificilmente indica a alguém para assistir. Misógino, ultra-violento, o filme apresenta Oliver, um jovem perturbado mentalmente, que se conecta com sua mãe via Webcam toda noite. Ela o obriga a ir nas ruas em busca de mulheres trazendo-as para casa. Ele estupra e assassina as mulheres na frente da webcam, sob orientação de sua mãe, que sente prazer nas mortes. Ela inclusive pede para seu filho se masturbar para ela na webcam. Um dia, Oliver conhece uma mulher, Sophia, por quem se apaixona. Impossível não lembrar de Norman Bates e "Psicose" ao assistir a esse filme. As mortes nem são chocantes, mas as cenas onde tortura e estupra as mulheres são aterrorizantes. O filme exagera na caraterização de Oliver e sua mãe, ao nível de caricaturas grotescas. Fica difícil de entender porquê tantas mulheres caem na lábia de Oliver, que de cara é apresentado como mentalmente perturbado. Não curti muito o filme, talvez porquê ele mesmo não se leve a sério. A cena pós-crédito é ridícula.

Como ir daqui para lá

"How to Get from Here to There", de Kevin James Thornton (2019) Existem Cineastas que abraçam o Cinema independente apenas para satisfazer seus egos. Kevin James Thornton produziu, escreveu e dirigiu e protagonizou "Como ir daqui para lá". O filme é um drama LGBTQ+ que mistura fantasia e ficção científica. Qual o público alvo desse filme? Não sei dizer ao certo. Hermético para o público em geral, pouco atraente para o público Lgbtq+, sem ritmo e com um roteiro confuso. O filme apresenta Kevin, um homem que retorna para a casa aonde nasceu, após a morte de sua mãe. Ao vasculhar a casa, ele reencontra uma máquina do tempo que ele construiu quando criança. Ao entrar na nave de brinquedo, o homem faz uma viagem emocional e experimental para o futuro, onde conhece um rapaz e com quem tem um relacionamento. O filme quer falar sobre homofobia reprimida da infância, mas o experimentalismo do Diretor impede que o espectador se conecte ao drama do protagonista. Tudo sôa bastante blasé. A trilha sonora é o que há de melhor, com um rock indie melódico embalando a história.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Cemitério maldito

"Pet Sematary", de Kevin Kölsch e Dennis Widmyer (2019) Refilmagem do clássico de terror de Mary Lambert (1989), ambos baseados em livro de Stephen King. Agora, os cineastas Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, que juntos dirigiram "Hollidays", uma antologia de curtas de terror, convidam os veteranos Jason Clark e John Lihtgow para protagonizarem esse terror que conta a história da família composta por Louis (Clarke), sua esposa Rachel e os filhos Ellie e Gage. Eles acabam de se mudar para o interior, para que os pais possam se dedicar mais à educação dos filhos. Ellie acaba sofrendo um acidente e morre atropelada. Desesperado, Louis ouve seu vizinho. Jud (Lithgow) que o apresenta a um cemitério abandonado, amaldiçoado pelos índios e que tem o poder de trazer à vida os mortos. O filme é tão bom quanto o original. Repleto de Jump scares, daqueles de fazer pular na cadeira ( o que seria dos filmes de terror sem os gatos?), o filme possui um bom time de atores, com a ótima surpresa da menina Jeté Laurence, no complexo papel de Ellie. Para quem busca um bom filme de terror, 'Cemitério maldito" é uma boa pedida.

domingo, 5 de maio de 2019

Bad boy Bubby

"Bad boy Bubby", de Rolf de Heer (1993) Um dos mais polêmicos e controversos que você já terá visto na sua vida, esse cult obscuro australiano foi lançado em 1993 e proibido em vários países, tendo ganho inúmeros prêmios em festivais internacionais, entre eles, o Fipresci no Festival de Veneza. O filme lembra a obra-prima de Werner Herzog, "O enigma de Kaspar Hauser": Bubby, um homem de 35 anos, é confinado em um bunker pela sua mãe por 35 anos. ela alega ao filho que o ar do lado de fora está contaminado e que, sem a máscara, as pessoas morrem. Ela o impede de sair, e Bubby não faz idéia do que existe do lado de fora. A mãe o maltrata. ele maltrata seu gato. Toda noite, ela faz sexo com ele. Um dia, quando seu pai retorna, Bubby questiona porque ele não morreu, se estava sem máscara. Revoltado, Bubby mata seus pais enquanto dormiam. Bubby resolve sair: ele se depara com um mundo diferente do que sua mãe dizia. ele sofre bullying, e acaba sendo preso. Na cela, ele é estuprado. Ao sair, ele se envolve com mulheres gordas e seios grandes, pois remetem à sua mãe. Bubby acaba sendo adotado por uma banda de rock e se torna o vocalista. Dito assim, parece que o filme é clássico narrativo. Mas não: o filme alia uma linguagem experimental e um roteiro bastante complexo. Para intensificar a linguagem distinta que tanto almejou, o diretor e roteirista Rolf de Heer contratou 32 fotógrafos diferentes, para que cada um fotografasse uma cena e desse um olhar totalmente particular sobre a cena. Não é um filme fácil de se assistir: logo no primeiro ato, mostrando Bunny, sua mãe e seu pai, o filme já provoca imensa repulsa, pelas cenas grotescas e violentas. Para quem conseguir assistir até o final, certamente terá visto um filme estranho, único. Se é bom ou não, isso é outro assunto.

Terra à deriva

"Liu lang di qiu", de Frant Gwo (2019) Uma das maiores super produções realizadas na China, e também uma de suas maiores bilheterias de todos os tempos, "terra à deriva" é quase que uma refilmagem de "Armageddon", com elementos de "2001, uma odisséia no espaço". No futuro, o planeta Terra está congelando: o sistema solar está minguando. Cientistas resolvem conectar propulsores ao planeta e fazê-lo se dirigir a outro sistema solar, em uma empreitada que irá durar 2500 anos. Para sobreviverem, os habitantes da Terra habitam os subterrâneos. No entanto, durante o trajeto, os cientistas descobrem que a Terra está para se colidir com Júpiter. Uma força tarefa é designada para evitar que a explosão iminente da Terra aconteça. Assim como "Armageddon", esse chinês "Terra à deriva"alia ficção científica, efeitos especiais, muita explosão, acidentes climáticos e o mais importante para esse tipo de filme, traz um elemento humanista e melodramático: um pai que está no espaço, e seu filho que está na terra. Ambos procuram salvar o planeta, mas a distância e a mágoa do filho por se sentir abandonado pelo pai fala mais alto. Realmente, é de se tirar o chapéu a alta qualidade técnica e dos efeitos desse filme. Compete com os maiores blockbusters americanos em termos de qualidade técnica e grandiloquência. Pena que o filme necessite mais de 2 horas para contar um fiapo de história, que ainda oferece como vilão, um computador central que resolve subverter a nave espacial. Para quem gosta de filmes de ação e aventura, vai curtir bastante esse filme, mas a vontade de dar um fastforward vai ser imensa.

sábado, 4 de maio de 2019

O pacto

"El pacto", de David Victori (2018) A atriz espanhola Belén Rueda se tornou a grande Diva do Cinema de suspense espanhol. Já estrelou "O orfanato", "O solhos de Julia", "Noites de tormenta", "O corpo", entre outros. Agora, com "O pacto", ela traz mais uma incrível performance para uma ótima história de fantasia psicológica. Monica (Rueda) é uma defensora pública. Separada do ex-marido, o policial Alex, e mãe da adolescente Clara, diabética que precisa constantemente de atenção médica. Quando Clara é sequestrada e fica sem tomar insulina, os pais dela se desesperam. Logo ela é encontrada entre a vida e a morte e entra em coma. Para salvar sua vida, Monica recorre a um homem misterioso que diz ser capaz de salvá-la, contanto que depois, ela mate pessoas para pagar a dívida de ter salvo a vida da garota. Dirigido e escrito pelo estreante David Victori, o filme prende a atenção do espectador do início ao fim, mesmo que sua trama seja fantasiosa demais. É uma espécie de "vender a alma ao Diabo". O filme, como em todos essas tramas de suspense espanhol, reserva um plot twist. Vale assistir, é muito bom.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Remington e a maldição dos Zumbis gays

"Zombadings 1: Patayin sa Shokot si Remington", de Jade Castro (2011) Inacreditável Comédia trash de terror LGBTQI+ das Filipinas, "Remington e a Maldição dos zumbis gays" é tão amador, tão canhestro e ao mesmo tempo, tão ousado, que diverte bastante. Para fãs de filmes de terror quanto pior melhor,e sse filme é imperdível. Em uma cidade próxima da capital Manilha, mora o menino Remington e sua mãe, uma policial. Remington é homofóbico, e quando vê um gay, o ofende. Um dos ofendidos é uma Mago travesti, que roga uma maldição em Remington: quando ele completar 21 anos, se tornará gay. No dia em que completa 21 anos, Remington passa a se comportar de forma afeminada. Logo, ele entende que a maldição está começando a fazer efeito. Ele pede ajuda para seu melhor amigo, Jigs, por quem acaba se apaixonando, e para Hannah, a menina que o então hetero Remington estava apaixonado. O trio vai em busca do mago travesti para ver de que forma podem reverter a maldição, antes que seja tarde demais. No entanto, um serial killer que assassina a comunidade Lgbtqi+ da região, também persegue Remington. E para piorar, os mortos pelo homofóbico voltam à vida, dessa vez como zumbis, e resolvem matar quem estiver na frente. Assistir ao filme é uma diversão sem fim, se bem que o diretor deveria ter tirado uns 20 minutos, com um roteiro desses, não há filme que se sustente por mais de 80 minutos. As cenas são muito mal filmadas, a maquiagem é um lixo, e a trilha sonora, pavorosa. Mas esse conjunto é que faz o charme do filme, aliado às performances totalmente estereotipada e caricata de todos os atores. O filme conseguiu ganhar diversos prêmios em Festivais, provando que o público se diverte de verdade quando o assunto é homenagear os filmes trash.

Extremamente Perverso, Escandalosamente Cruel e Vil

"Extremely Wicked, Shockingly Evil, and Vile ", de Joe Berlinger (2019) Quando foi exibido no Festival de Sundance em 2019, o filme sobre o famoso serial killer Ted Bundy provocou um celeuma enorme, afinal, todo mundo adora ver filmes que apresentam cenas de assassinato. Tinha crítico chamando o filme de o "Novo Psicopata americano", filme cult protagonizado por Christian Bale. Mas assistindo agora, ficou uma frustração imensa: o filme é todo pelo ponto de vista de sua namorada na época, Elizabeth Kendall, e em seu livro de memórias. De 1969 a 1975, Ted assassinou 30 mulheres na região de King County. Por ser branco, bonito e bem apessoado, ele conquistava as mulheres e também, mesmo quando era apontado como suspeito, todos os liberavam, pois não acreditavam que aquela pessoa fosse capaz de cometer crimes. E também, o filme não tem uma única cena de crime. Aliás, tem uma muito rápida, lá pro final, mas muito simples. Em 1969, Ted e Elisabeth se conheceram em um bar. Elisabeth era mãe solteira, e Ted acabou indo morar com as duas. Excelente pessoa, se formando em advocacia e acima de qualquer suspeita, Ted conquistava a todos. Somente anos depois, Elisabeth passou a suspeitar de Ted, e o denunciou para a polícia, mesmo sem ter certeza da culpa dele. O filme se passa no ano em que Ted foi preso. Lá se vão muitas e muitas cenas de tribunal, filmadas de forma burocrática. O cineasta Joe Berlinger já havia lançado pela Netflix uma série documental sobre Ted Bundy, em 6 episódios. Uma pena que o filme não tenha surtido o mesmo impacto. Mas isso não é culpa do elenco all Star: Zac Efron está ótimo, e também é um dos produtores do filme. Ele está cada vez mais querendo se associar a projetos que lhe dêem visibilidade como Ator visceral. Além dele, Lily James, John Malkovich, Jom Parsons e Haley Joel Osment completam um time de ótimos atores que cumprem com dignidade os seus personagens. Mas faltou um bom roteiro, que se apropriasse dessa história tão foda, e o tornasse arrepiante e arrebatador. Ted foi executado em 24 de janeiro de 1989. O filme termina com imagens reais do próprio, e com cartela dando nome a todos as vítimas dele.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Clandestinos

"Clandestinos", de Antonio Hens (2007) Drama LGBTQ+ espanhol, vencedor de 2 prêmios Internacionais. 3 jovens fogem de uma instituição prisional para menores de idade. Xabi, Joel e Driss tentam viver uma vida de clandestinidade em Madri. Joel e Driss se envolvem com garotas e querem aproveitar tudo de bom que a vida oferece. Xabi, de origem árabe, resolve procurar um antigo amante, um terrorista com idade de ser seu pai. Juntos, eles planejam um atentado em nome do Exército Basco. Mas Xabi acaba se envolvendo com um policial mais velho, e fica dividido entre o ato terrorista ou a lei. Dirigido com bastante amadorismo, "Clandestinos" traz um tema relevante, o da falta de assistencialismo do Governo para uma geração abandonada, sem estudos ou perspectivas de trabalho, e que encontra no mundo do crime o seu modo de vida. Os atores são medianos, e as cenas de ação são mal coreografadas.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Carmen e Lola

"Carmen y Lola", de Arantxa Echevarría (2018) O Drama LGBTQ+ espanhol "Carmen e Lola" se assemelha a outro drama lésbico exibido no mesmo ano e no mesmo Festival aonde os 2 filmes participaram, o Festival de Cannes em 2018. Ambos falam sobre o primeiro amor lésbico entre adolescentes. Uma delas é de espírito livre, a outra é mais careta. No filme espanhol, elas são ciganas e os pais são ultra conservadores. . Em "Rafiki", filme do kenya, as duas mulheres vivem sob a forte rédea de seus pais. Ambos os filmes foram dirigidos por mulheres, são sensíveis e tratam do tema da homofobia de forma contundente e violenta. "Carmen e Lola" recebeu diversos prêmios em Festivais Internacionais. Como roteiro, não traz novidades para quem está acostumado a filmes de temática Lgbtq+. O que o difere dos outros, é o fato desse amor acontecer dentro de comunidades ciganas, ou seja, as culturas milenares onde as filhas têm casamento arranjado pelos pais. O elenco é a grande força do filme. As duas atrizes principais entregam atuações comoventes, mas para mim, a atriz que interpreta a mãe de Lola é quem merece todos as atenções. A cena final é vigorosa e arrebatadora.

Mãe

"Madre", de Rodrigo Sorogoyen (2017) Excelente curta espanhol, que concorreu ao Oscar da categoria em 2017, rodado quase todo em um único plano sequência de 14 minutos. Dirigido pelo cineasta que realizou o incrível suspense de serial killer "Que Deus nos perdôe", Sorogoyen torna o espectador testemunha da aflição de uma mãe e uma avó em tempo real. Chegando em casa, as duas mulheres conversam sobre amenidades. O celular toca. É filho de 6 anos, que diz estar sozinho em uma praia deserta. Aos poucos, a mãe vai se desesperando, quando descobre que o ex-marido desapareceu na praia e que um estranho se aproxima do seu filho. Ela liga para a polícia para tentar rastrear a ligação, mas a polícia não dá a mínima. O filho não sabe dizer em que praia estão, ou País. Com um formidável uso de steadicam e performances vibrantes das duas atrizes, "Mãe" é um filme desesperador para quem é pai ou mão de uma criança pequena. Dinâmico, aflitivo, e ótima direção firme e precisa de Sorogoyen.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Jt Leroy

"Jeremiah Terminator LeRoy ", de Justin Kelly (2018) Cinebiografia do escritor Jt Leroy, que durante 6 anos fez muito sucesso no mercado literário mundial e no showbizz do meio artístico do Cinema. Em 2005, Jt Leroy foi desmascarado e a sua persona, conhecido pela androginia Genderfluid, na verdade, escondia uma jovem atriz, Savannah Knoop (Kirsten Stewart). Savannah é meia -irmã de Geoff (Jim Sturgess), e foi morar com ele em San Francisco. ele era casado com Laura (Laura Dern), uma escritora fracassada. Laura tem a idéia de criar um personagem chamado Jt Leroy, e fazer Savannah incorporar ele na vida real: desde então, Savannah/Jt Leroy ficou conhecido como um autor tímido, andrógino, que havia sido obrigado a se prostituir quando criança e após sofrer abusos, resolveu virar escritor. Seus livros se tornaram best seller e ele logo se envolveu com celebridades, sendo chamado para festas e eventos. Jt e Laura conhecem Eva (pseudônimo da atriz e cineasta Asia Argento (Dianne Kruger), que comprou os direitos de um de seus livros, "Maldito coração", e o filmou. O filme tem ume elenco All Star: além dos atores citados, o filme inclui Courtney Love, viúva de Kurt Cobain. Com uma história tão incrível, é uma pena que o filme tenha sido conduzido de forma tão burocrática por Justin Kelly, realizador de "Eu sou Michael" e "King Cobra", ambos filmes de temática Lgbtq+. O que segura o filme, de verdade, sã as ótimas performances de Kirsten Stewart e de Laura Dern, formando uma dupla carismática e poderosa.

A vingança de Jennifer: Deja Vu

"I Spit in your grave: Deja vu", de Meir Zarchi (2018) Se existe um sub-gênero que o público mais adora dentro do universo do filme de terror, é o da Vingança. se for com protagonistas femininas, sedentas por morte, melhor ainda. Em 1978, o roteirista e cineasta Meir Zarchi, de origem israelense, lançou no mercado um dos filmes mais polêmicos de todos os tempos, ainda hoje proibido em vários países: "A vingança de Jennifer", que ganhou refilmagem nos anos 2000. Na história singela, uma escritora resolve alugar uma cabana afastada da cidade ara poder escrever um livro. Ela é violentada por 4 homens e deixada à morte. Ela consegue se salvar, se recupera e mata cada um dos homens com requintes de crueldade. Agora, exatamente 40 anos depois, esnobando as refilmagens, o roteirista e cineasta Meir Zarchi recupera seu filme original e desenvolve uma história que se passa 40 anos depois. Camille Keaton, a protagonista do filme original, agora é uma escritora famosa. Ela tem uma filha, Christy, uma modelo famosa. Ao saírem de um almoço, elas são sequestradas por uma família liderada pela viúva de um dos homens mortos por Jennifer. Elsa quer se vingar da morte de seu marido e matar mãe e filha. Não existe ser humano nesse mundo que possa explicar o porquê desse filme ter exatamente 148 minutos de duração!!!!!!!!! Vai bater o record de filme de terror mais longo da história do cinema, essa é a única razão plausível. Tudo no filme é ruim: roteiro, atuações caricatas e pavorosas, direção, efeitos, absolutamente tudo. Uma pena a atriz original ter sido apresentada de forma tão grotesca em filme tão péssimo.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Tudo o que nos separa

"Tout nous sépare", de Thierry Klifa (2017) Co-escrito e dirigido por Thierry Klifa, "Tudo o que nos separa" é um drama criminal, estrelado por duas grandes estrelas: Catherine Deneuve e Diane Kruger. Mas por incrível que pareça, ambas não são o suficiente para fazer esse filme ser acima da média. O roteiro é frágil, repleto de elementos óbvios apenas para tornar a personagem de Catherine Deneuve uma grande heroína. Nada de mal com isso, mesmo porquê, ver uma cena onde Deneuve empunha uma espingarda para ameaçar 3 traficantes é daquelas cenas para se comemorar. Mas os diálogos são fracos e a direção de Thierry Klifa não consegue trazer tensão para os momentos que necessitam de adrenalina. O filme acaba sendo veículo para os muito fãs de Deneuve ou mesmo de Diane Kruger, que ainda interpreta uma paralítica após sofrer um acidente de carro, e por isso, se torna uma mulher de baixa auto-estima e destrutiva, se envolvendo com traficantes perigosos. Um deles a ameaça caso ela não consiga 35 mil euros para que ele possa pagar uma dívida. A filha recorre à sua mãe, interpretada por Deneuve. Adoraria que o filme fosse semelhante ao clássico "Gloria", de John Cassavettes, mas passou longe.

Vidas duplas

"Non fiction", de Olivier Assayas (2018) O Cineasta francês Olivier Assayas, famoso pelos filmes "Clean", "Acima das nuvens", "Carlos" e o polêmico "Personal shopper" , escreveu o roteiro de "Vidas duplas", sua primeira investida na comédia. Só que comédia, diga-se de passagem, mesclada à drama e romance. A sua trama lembra a comédia americana de Peter Bogdanovich", "Um amor em cada esquina", onde casais se traem com pessoas próximas. Infelizmente, no filme de Assayas, a comédia passou longe, e o que fica, é um filme longo e entediante, sustentado pelo talento de Juliette Binoche, Guillaume Canet e Vincent Macaigne. Alain (Canet) é um editor de livros, casado com a atriz Selena (Binoche). Selena pede para Alain publicar o novo livro do autor decadente Leonard (MAcaigne), mas Alain recusa. Selena e Leonard são amantes. Alain tem como amante uma nova editora contratada para informatizar a editora, através de e-books e áudio livros, processo que Alain é contra, preferindo livros a tablets. No filme, os personagens discutem tecnologia, redes sociais, novas formas de relacionamento, carreira, frustração pessoal e profissional. Houve um tempo onde o Cinema francês era associado ao tédio por conta de filmes verborrágicos com diálogos intermináveis. Dependendo do seu estado de espírito quando for assistir a "Vidas duplas', pode ser que essa sensação monotonia se confirme. Vale pelo elenco e por uma piada já no final: um dos personagens diz que irá contratar a atriz Juliette Binoche para narrar um áudio livro, e perguntam para Selena a opinião dela. Se o filme tivesse investido mais na metalinguagem e na comédia maluca, teria sido muito mais divertido. O filme concorreu ao Leão de Ouro em Veneza em 2018.

domingo, 28 de abril de 2019

Styx

"Styx", de Wolfgang Fischer (2018) Vencedor de mais de 30 Prêmios Internacionais, "Styx" comoveu os jurados por conta de seu forte tema humanista. O drama tem um plot bastante simples: uma médica alemã, Rike (Susanne Wolff, excelente) reside e trabalha em Gibraltar. Quando entra de férias, ela prepara uma viagem de barco, sozinha, até a Ilha de Ascenção, localizada próxima do equador e a preferida de Darwin nas suas pesquisas científicas. No trajeto, Rike enfrenta uma tempestade, mas consegue administrar a intempérie. Ao se aproximar do Cabo Verde, ela avista uma embarcação de imigrantes africanos que estão à deriva Ao avisar a guarda costeira, eles pedem para que ela os abandone e v;a embora. Um dos imigrantes, a criança Kingsley, pula no mar e é salvo por Rike. ele pede para que ela salve os imigrantes, e Rike entra em grande conflito moral. Com um mote interessante, misturando filme de aventura com drama, o cineasta austríaco Wolfgang Fischer realiza um drama comovente, mas estranhamente, monótono. A primeira parte, com Rike no mar enfrentando os perigos da natureza, nos leva a crer que veremos mais um filme de sobrevivência. A entrada dos imigrantes provoca uma reviravolta na história, mas não consegui me conectar emocionalmente. Melhor assistir ao filme como uma parábola altruísta, sobre pessoas boas que querem fazer o bem. Dessa forma, fica mais fácil de assimilar o filme. Grande destaque ao trabalho da atriz Susanne Wolff e à equipe técnica, que deve ter ralado um bocado para realizar o filme. O desfecho lembra muito "Capitão Philips, e provavelmente, foi uma grande referência.