quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Gente de bem

"The land of steady habits", de Nicole Holofcener (2018) Adaptação do romance de Ted Thompson, "Gente de bem" foi adaptado pelo próprio e também pela Diretora Nicole Holofcener. O filme é um drama familiar, e tem como protagonista Anders (Ben Mendelsohn), um homem que acabou de completar 60 anos e por conta disso, resolveu pedir divórcio, sair de casa, abandonando mulher e filho. Anders também pediu demissão do trabalho e passa o dia tentando decorar a sua casa, na verdade, uma forma de ocupar o seu tempo ocioso. Carente emocionalmente, ele transa com diversas mulheres, mas não se esquece de sua ex-esposa, que está namorando. O filho de Anders, Preston, tem um péssimo relacionamento com seus pais e com a vida. Anders resolve tentar reatar com a ex e com o filho. Com algumas pitadas mínimas de humor, "Gente de bem' procura fazer um retrato da família americana de classe média suburbana totalmente looser, um tema muito comum ao drama independente americano. Mas aqui acho que faltou carisma aos personagens. Achei todos sem sal, apáticos, não me envolvi com nenhum deles. A gente assiste ao filme, quebra o galho, mas não emociona. "A pequena Miss Sunshine" ou o filme "Amizades improváveis' tratam do mesmo tema de forma absolutamente encantadora.

Limites

"Boundaries", de Shana Feste (2018) Sensível e simpática comédia dramática do gênero Road Movie", o famoso "feel good movie". onde o espectador ri, se emociona e chora um pouquinho no final da sessão. O Road movie é uma espécie de muleta para o roteirista criar situações de reconciliação entre parentes, uma estrutura já bem manjada, mas que particularmente, eu gosto muito. Vera Farmiga, protagonista da franquia "A invocação do mal", interpreta Laura, uma mulher abandonada pelo marido e vice com seu filho problemático, Henry ( Lewis MacDougall, de "Sete minutos depois da meia noite"). Carente, ela recolhe animais na rua e traz para casa. Precisando de dinheiro para pagar uma escola especial para Henry, Laura liga para o seu Pai, Jack (Christopher Plummer), internado em uma asilo para idosos e que acabou de ser expulso de lá porque plantava maconha para revender. Há anos sem se falarem, ele topa dar o dinheiro, com a condição de levar levá-lo até San Francisco. Laura topa, e leva seu filho junto, mas ignora o real motivo de seu pai fazer a viagem. Todo o elenco está bastante carismático: Farmiga, Plummer, o menino, e também o ótimo elenco de apoio, composto dos veteranos Christopher Lloyd e Peter Fonda. O roteiro e a direção de Shane Feste funciona a contento: nada inovador, mas cumpre sua missão de contar uma boa história com emoção.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

A primeira noite do crime

“The first purge”, de Gerard McMurray (2018) Prequel do grande sucesso de 2013, “ A Noite do crime”, com Ethan Hawke, e que depois gerou mais 2 continuações, foi também escrito pelo mesmo Diretor dos outros filmes, James DeMonaco, porém a função da Direção coube a Gerard McMurray. Esse filme veio repleto de postura anti-Trump: diferente dos filmes anteriores, onde os assassinatos podiam ocorrer com qualquer indivíduo, sem distinção de raça, sexo ou classe social, em “ A primeira noite do crime”, o alvo são os negros e os latinos. Os brancos, em sua totalidade, são os vilões da história, incluindo um grupo da Klu Klux Khan. O mais curioso e ousado do roteiro, é que ele é politicamente incorreto: o mocinho do filme é um traficante de drogas. A gente acaba torcendo para que ele e sua gangue de mal encarados e traficantes matem todos os homens brancos que surgem na frente deles, afinal, os caucasianos são muito, muito malvados. O filme fala sobre a decadência do Governo americano: desemprego em massa, muitas dívidas, população violenta, crescimento de imigrantes e da população pobre, basicamente negros e latinos. O governo decide fazer um experimento, restrito apenas à região de State Island, em Nova York, uma área notoriamente pobre: a população, durante 12 horas, poderá matar quem ela quiser, sem sofrer qualquer tipo de punição. Tem gente que é contra e outros não entendem direito, então o governo decide dar 5 mil dólares a cada cidadão que permanecer no local durante essa noite. O filme é até bem dirigido, com boas cenas de ação e efeitos, além de um ótimo elenco de atores negros. Mas para quem é fã da franquia, esse filme vai ser considerado dos mais fracos, justamente porquê ele sai da premissa do filme original, e acabou se transformando mais em uma crítica social do que um filme de terror, que era a base do original. Aqui prevalece as cenas de ação, dos justiceiros à la Bruce Willis e Stallone, que resolvem se armar e sair pipocando tiros para salvar seus entes queridos. Li que agora a franquia vai se transformar em seriado. Vão ter que tirar leite de pedra para sustentar um mote que já está mega batido.

Uma criatura gentil

"Krotkaya", de Sergey Loznitsa (2017) Pegando emprestado o título de uma obra do escritor russo Fiódor Dostoiévski, o filme "Uma criatura gentil" não é adaptação do conto. Concorrendo no Festival de Cannes em 2017, o filme é uma metáfora contra o Governo do Presidente Putin. Eu poderia até dizer que é quase que uma versão russa do clássico "Brazil, o filme", de Terry Gillian. Uma forte crítica ao Governo, à burocracia do estado, às tentativas fracassadas do Herói de poder cumprir a sua missão. Uma mulher ( a protagonista não tem nome, e é creditada como "Uma criatura gentil") mora no interior sozinha, pois seu marido foi acusado de um assassinato e está preso em uma penitenciária na Grande cidade. Pobre, ela manda pelos correios constantemente, uma caixa com roupas e comida para ela. Um dia, ela recebe de volta a última remessa de caixa. Intrigada pela devolução, e sem notícias de seu marido, ela decide juntar dinheiro e ir até a penitenciária. Ao chegar lá, ela é confrontada com uma máfia de todo tipo de gente, que tenta lhe extorquir dinheiro para entrar na prisão, para poder dormir uma noite em uma pensão, que tenta lhe roubar a caixa de provisões do marido. Funcionários burocratas e mal humorados, uma legião de prostitutas que moram na cidade para atender aos visitantes do presídio, cafetões, bandidos, etc. A mulher tenta, em vão, lutar contra todo esse sistema. Com inacreditáveis 150 minutos de duração, o que torna a experiência de assisti-lo um ato praticamente heróico do espectador, e também com um ritmo extremamente lento, "Uma criatura gentil' tem uma performance vigorosa da protagonista e também um ótimo time de atores fazendo os inúmeros personagens secundários. O diretor Sergey Loznitsa se apropria de planos longos para contar a sua história, que tem um ato final alegórico, quase uma encenação do cineasta Emir Kusturica, com os seus excessos e ambiente quase carnavalesco e bufônico. O que mais gostei no filme, foi que em muitas cenas, a narrativa começa com personagens que não fazem parte da história, fazendo algum tipo de comentário social e político, e daí, a câmera vai até a protagonista, mostrando que ela é testemunha desses registros, como se ela fosse o espectador. Um recurso bem interessante.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Luna

"Luna", de Cris Azzi (2018) Após o grande sucesso de crítica de "Ferrugem", de Aly Muritiba, mais um filme nacional expõe o mesmo tema do bullying e do vazamento de vídeo íntimo de uma jovem estudante trazendo consequências trágicas para os envolvidos. Produção mineira, o Cineasta e roteirista Cris Azzi realiza o seu primeiro longa de ficção, após ter realizado documentários e de ter trabalhado em mais de 20 Longas como Assistente de direção, entre eles, dos diretores Karin Ainouz e Sergio Rezende. Luana é uma jovem de classe média baixa, que mora na periferia junto de sua mãe. Ela vai começar um novo ano letivo, e no primeiro dia de aula, ela conhece Emília, uma jovem de família rica. As duas criam forte laço de amizade. Um dia, elas brincam na internet, e se expõem uma para outra, nuas (Luana usa o nick "Luna" na web). Esse vídeo acaba sendo roubado e é espalhado por todos na escola. Minimalista, o filme traz performance naturalista do elenco. Eduarda Fernandes e Ana Clara Ligeiro, Luana e Emília no filme, são estudantes de interpretação que acabaram ganhando os papéis. O filme tem um ritmo lento, e uma cena que correu o risco de parecer tosca ( a cena do delírio de Luana). Mas os temas propostos por Cris no filme acabam superando eventuais deslizes: a sororidade, o emponderamento feminino, o machismo, o bullying, a ausência de um núcleo familiar, o assédio sexual e moral. Na sessão que eu fui, a platéia aplaudiu em êxtase a cena final. O fotógrafo Luis Abramo traz uma bela luz ao filme, melancólica, e sua câmera em alguns momentos faz lembrar "Elefante", de us Van Sant, explorando o ambiente da escola através do personagem, com a câmera colada em seu ombro.

Seu amor ferve a água do banho

"Yu wo wakasuhodo no atsui ai", de Ryôta Nakano (2016) Nossa, chorei cem mil litros assistindo a esse fabuloso drama japonês, indicado pelo Japão para concorrer à uma das vagas dos finalistas ao Oscar de filme estrangeiro em 2018. O filme é representante de um gênero japonês chamado "Hahamono", ou filmes de mães. Assim como "A partida", filme japonês que ganhou o Oscar em 2009, o drama fala sobre morte, desapego, abandono familiar, casa de banhos e redenção. Temas caros ao cinema japonês, que sempre abraçou o melodrama e o sentimentalismo, sem medo de aparentar pieguice. Futaba (Rie Miyazawa) vice com sua filha adolescente Azumi em um bairro classe média de Tokyo. Ela trabalha como vendedora, e possui uma casa de banhos da família, que está desativada desde que seu marido foi embora. Futaba é uma mulher que ajuda a todos, e quer que sua filha saiba lutar com as adversidades da vida, principalmente contra o bullying que ela sofre na escola. Um dia, ao fazer exames, Futaba descobre estar com câncer terminal. Ela decide então que antes de morrer, ela precisa fazer algumas coisas: tornar Azumi uma mulher independente; descobrir o paradeiro de seu ex-marido, para que ele cuide de Azumi; reabrir a casa de banhos; e por último, um segredo que poderá mudar o rumo de sua vida. Lindo, com excelente e delicada direção de Ryota Nakano, o filme atinge níveis de encantamento e melancolia que farão o espectador se debulhar em lágrimas tal a beleza dos diálogos, das imagens e principalmente, do talento de todos os atores envolvidos. É um filme de alma feminina, com protagonistas mulheres cativantes, de várias gerações. O diretor evita a pieguice apresentando um trabalho sutil, e os atores, em pleno estágio de naturalismo. Que beleza as duas atrizes principais, Rie, no papel de Futaba, e Hana Sugisaki, no papel de Azumi. Destaque também para a pequena Aoi Itô, no papel de Ayuki, a outra filha do ex-marido, e Joe Odagiri, no papel de Kazuhiro, o ex-marido, sempre aparentemente apático, mas de uma profunda tristeza interna.

domingo, 16 de setembro de 2018

O confeiteiro

"The cakemaker", de Ofir Raul Graizer (2018) Filme de estréia do roteirista e cineasta israelense Ofir Raul Graizer, foi o filme selecionado para representar Israel como uma das finalistas para o Oscar de filme estrangeiro em 2019. Filmado com extrema delicadeza, esse drama poderoso fala sobre Perda e depressão. Thomas, alemão, e Anat, Judia, estão de luto pela mesma pessoa. Oren era ao mesmo tempo amante de Thomas, e marido de Anat. Durante um ano, Oren ia para Berlin à negócios, e numa das idas até um CAfé, conhece o confeiteiro de lá, Thomas, por quem se apaixona e tornam-se amantes por 1 ano. Um dia, Oren volta para Jerusalém e não retorna mais. Preocupado, Thomas vai procurar saber o que aconteceu e descobre que Oren morreu em um acidente de carro. Desolado e sem sentido para continuar vivendo, Thomas resolve ir até Jersusalém, para descobrir um pouco mais sobre Oren. Ele vai até o café de Anat e se oferece para trabalhar lá de confeiteiro. O cunhado de Anat e outros judeus olham Thomas com preconceito, pelo fato de ele ser alemão e preparar doces na cozinha Kosher do café de Anat. Mas aos poucos, os 2 universos se aproximam, amparados pelo luto e pelo significado do amor, independente de gênero e cultura. A culinária geralmente é utilizada nos filmes para aproximar pessoas que de certa forma, possuem diferenças. Comida=Amor = tolerância. foi assim em "Como água para chocolate", "A festa de Babette", "Chocolate". Todo o filme é bastante bonito, o diretor conduz tudo com bastante elegância. Os 2 atores principais, Kalkhof e Sara Adler, estão sublimes, e nos momentos de silêncio de seus personagens, contundentes. O filme reserva uma surpresa no roteiro no terceiro ato, o que comove ainda mais o espectador.

O predador

"The predator", de Shane Black (2018) Diretor de "Homem de ferro 3" e o ótimo "Dois caras legais", o cineasta Shane Black ficou com a missão de revigorar a franquia "Predador", que além do original, rendeu continuações bem fracas, incluindo um mix muito ruim do "Predador X Aliens". Agora, um Predador Gigante e uns cães predadores invadem uma cidade, em busca de um artefato que está nas mãos de Rory (Jacob Trembley, de novo fazendo um papel de garoto que sofre bullying, depois de "Extraordinário"). Para salvar a vida do filho, o soldado McKena traz a sua tropa de soldados de elite para tentar matar o predador. A eles, se junta a bióloga Bracket. Bom, não há muito o que falar de um filme que faz parte de uma franquia mega hiper repetitiva. Mesma porradaria, mortes, povo do governo sendo escroto, coisas e tal. Achei que o menino Jacob Trembley ficou mal aproveitado. Fico também revoltado com esses roteiristas, que incluem personagens de apoio apenas para servir de escada e serem mortos: o latino, os negros, o marginalizado. Enfim, vale como pipocão, para quem quer tiro, porrada e bomba.

Mondo Rocco

"Mondo Rocco", de Pat Rocco (1970) Pat Rocco é considerado o primeiro Cineasta independente americano a realizar filmes para um público estritamente gay a partir dos anos 60. Nesse documentário "Mondo Rocco", estão reunidos 10 curtas, entre ficção e registros documentais, apresentando uma Los Angeles dos anos 60, ainda lutando pela reconhecimento do Movimento gay, e já tendo um início da revolução sexual que sacudiria a América da época. Considerado um importante documento histórico, o filme apresenta um Cabaret onde Drag queens se apresentam dublando Barbra Streisand, Judy Garland, Mae West; O próprio Pat Rocco conduz um documentário entrevistando gays que participam da Marcha a favor do movimento gay; vemos policias invadindo um bar gay; Pessoas cantando músicas de "Hair" na praça pública; um dançarino totalmente nu fazendo uma apresentação em uma casa de shows; e para os Voyeuristas e fetichistas de plantão, Pat Rocco incluiu pequenos segmentos apresentando os famosos "Beefcakes", que eram modelos musculosos totalmente nus para o deleite dos espectadores, em histórias ingênuas que eram pretexto pros rapazes tirarem as roupas. Desses, o mais instigante e sensual, é o episódio onde um garoto de programa seduz e ensina um jovem hetero desempregado a ser um michê. A curiosidade do título do filme, foi porque Pat Rocco pegou carona nos documentários "exploitation" que ficaram comuns nos anos 60, por conta do grande sucesso de "Mondo Cane". Esse tipo de filme explorava o lado bizarro, cruel e violento da humanidade.

sábado, 15 de setembro de 2018

Buscando...

“Searching...”, de Aneesh Chaganty (2018) Surge um novo Shayamalan no Cinema! Filme foda em todos os sentidos: Roteiro, Direção, montagem, concepção visual, trilha sonora, atuação!! A linguagem do found footage já está mais do que gasta no cinema. Sabendo disso, o roteirista e Cineasta Aneesh Chaganty resolveu fazer diferente: ele pegou a ideia do filme de guerra de Brian de Palma, “Redacted”, que mostra uma guerra inteira exibida nas telas somente em monitores de celular, filmadoras, Skype, etc, sem nunca filmar os atores fora desse ambiente online. O filme inteiro é visto através de telas; monitor de computador em dezenas de sites, câmeras de segurança, celular, etc, tudo em tempo real. E o filme consegue prender a atenção do espectador durante os seus 100 minutos sem nenhum segundo de respiro! Tensão o tempo todo! Um resultou brilhante é impressionante! Após a morte d sua esposa por câncer, David acaba se ausentando da vida de sua filha, Margot. Um dia, ela sai para estudar, mas acaba desaparecendo. De início David acha que ela quiz pregar uma peça nele, mas aos poucos ele começa a se desesperar: procura por conhecidos dela, lugares onde ela possa estar. Inconformado, ele procura a polícia. E aí luta contra o tempo para tentar descobrir o paradeiro dela. O filme o tempo todo exala o suspense de Hitchcock e as pegadinhas de roteiro de Shayamalan. Inteligente, criativo, e sempre surpreendente, o filme ainda lança ao estrelato John Choo, que interpretou Sulu na nova franquia de “ Star Trek”. Um elenco protagonizado por orientais, nessa nova onda de Hollywood que resolveu buscar nos asiáticos o seu novo filão de sucesso, vide o mega sucesso de “ Podres de ricos”.

Mandy

"Mandy", de Panos Cosmatos (2018) O que seria do atual cinema independente e dos seriados de tv, sem a referência dos anos 80, a década mais pop de todas? Filmes cults da época, como "Mad Max", "Hellraiser", "O massacre da serra elétrica", "Demons, os filhos das trevas" servem de base para essa fantasia de horror psicodélico de Panos Cosmatos. Para quem assistiu o seu filme anterior, "Além do arco íris negro", sabe do que estou falando. Ali, ele já experimentava as cores fortes e hiperrealistas, as referências metafísicas e sensoriais de Jodorowsky, David Lynch e Tarkovsky, sempre emerso em uma atmosfera de pesadelo. "Mandy", exibido com louvor e palmas em Sundance e Cannes, não poderia existir, se não fosse a contribuição de Nicholas Cage e do compositor islandês Johan Johannsson, recém falecido em 2018, e que compôs as trilhas primorosas de "Sicario" e 'A chegada", Nicholas Cage, que ultimamente virou meme por conta de tantos filmes ruins que fez em sua carreira, e de suas caras e bocas, aqui exercita todo aquele olhar e sorriso malígno que ele adora fazer. E a gente ama! Ele está perfeito no papel do marido que resolve se vingar, e cada movimento seu é celebrado com êxtase pelo espectador. Johan Johannsson criou uma trilha estranha, repleta de ruídos assustadores e que possibilitam o espectador entrar na atmosfera onírica maldita do filme. A melhor definição para o filme, veio de um crítico americano: "Mandy" parece aquelas capas de Lp das bandas de Heavy Metal dos anos 80 e que criaram vida". Red (Cage) e Mandy ( Andrea Riseborough, ótima) moram em uma cabana isolada na floresta. Eles formam um casal apaixonado: trabalham, e de noite assistem filmes juntos em casa. Ele é lenhador, ela trabalha em uma loja de conveniências. Mandy tem apreço por literatura barata de livros de fantasia e terror, e tem pesadelos constantes. Um dia, ao ir a pé para o trabalho, Mandy cruza com uma van, onde se encontram toda a gangue de Jeremiah, um líder de uma seita chamada "Black skulls" e que conjuram uma gangue de demônios motoqueiros toda noite. Jeremiah resolve sequestrar Mandy e Red, com a finalidade de que Mandy seja uma integrante do grupo. Diante de sua recusa, ele a mata cruelmente. Red consegue se soltar, e agora tudo o que ele quer, é vingança. O roteiro em si, é repleto de clichês, e é o que menos interessa. O que conta aqui no filme, e a atmosfera, a fotografia, a ousadia e criatividade de Panos Cosmatos de fazer o filme que ele quiz, sem concessões. O espectador fica o tempo todo falando para si mesmo : É sério isso"? Muitas cenas antológicas: uma luta diante de uma tv que está exibindo um filme de sexo explícito, uma outra luta de serra elétrica, e definitivamente, a cena de Red entrando em um banheiro, alucinado, tomando uma vodka. Ah, e o que dizer dele cheirando pó? Cult dos cults, um filme para cinéfilos amantes de terror e alucinação, uma pena que seja dificil agradar ao público médio, pelo ritmo lento da primeira parte, mais metafísica e existencialista.

Domingo

“Domingo”, de Fellipe Barbosa e Clara Linhart (2018) Na obra prima de Bunuel, “ O anjo exterminador”, a classe operária abandona a mansão da classe média alta decadente logo no início do filme. Em “ Domingo”, ela abandona no fim. O filme é repleto de referências cinematográficas: “ O pântano”, de Lucrécia Martel, “ Festa de família”, de Thomas Vintemberg e até mesmo “ Casa grande”, do próprio Fellipe Barbosa. Tensão sexual, conflito de classes, decadência moral e econômica, tudo embalado no período político onde O Presidente Lula assume a presidência do Brasil pela primeira vez. O elenco enorme, resulto de rostos conhecidos e outros que são lançamento, inclui dois veteranos que voltam ao cinema: a musa do cinema novo Itala Nandi e Clemente Viscaino, esse representando metaforicamente a direita que teme um esquerdista no governo. Seus diálogos clichês sobre o comunismo que assume o governo reverbera em consequências trágicas. O filme foi exibido em Mostra paralela no Festival de Veneza 2018 com grande sucesso. Para quem ama filmes que falam sobre famílias desajustadas, herdeiros do cinema italiano de Dino Risi e Ettore Scola, vai se divertir com esse retrato louco, sexual e pandemônio bem brasileiro.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Rostos cancelados

"Cancelled faces", de Lior Shamriz (2015) O cineasta israelense Lior Shamriz mora em Berlin e em Los Angeles. Seu cinema fala sobre personagens perdidos na imensidão das grandes metrópoles. Foi assim em "Japan, Japan", rodado em Tela Viv, e agora com "Rostos cancelados", rodado em Seul. Seus protagonistas vivem a solidão. a sensação de estarem perdidos dentro de uma sociedade capitalista e consumista. Em "Rostos cancelados", que foi exibido no Festival de Berlin, acompanhamos Unk, um jovem operário que trabalha em uma fábrica e mora com sua mãe. Seu pai foi embora morar nos Estados Unidos. Seu irmão serve o exército. Unk tem poucos amigos, e é solitário. Gay não assumido, uma noite, ao dirigir na rua, atropela Boaz, que apareceu de repente no seu caminho. Entre os 2 surge uma tensão sexual imediata, e eles vão transar. Unk é pobre.. Boaz é rico. Essa diferença social incomoda Unk, mas ele é apaixonado por Boaz. A paixão torna-se doentia, a ponto de Unk perseguir Boaz por suas andanças pelas noites de Seul, sem rumo. O filme é dividido em 2 segmentos: uma é essa sinopse descrita acima. A outra história, acontece como uma programa de tv: um teatro filmado, onde é apresentada a história da queda de Jerusalém há 2 mil anos atrás. A melhor parte do filme é quando narra a história de amor doentio entre Unk e Boaz. A parte do teatro filmado é entediante e pretensiosa, mas no desfecho, acaba servindo como uma metáfora da relação dos 2 rapazes. Belamente fotografado em preto e branco, me fez lembrar o tempo todo, por conta da estilização, dos filmes de Wong Kar Wai. Me lembrei também de "O martírio de Joana D'arc", de Dryer, por conta dos closes e enquadramentos. Um filme sensual, belo, instigante, e com 2 atores muito interessantes. existe um monólogo da mãe de Unk, durante o café da manhã, que também é excelente

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Alfa

"Alpha", de Albert Hughes (2018) A gente passa o filme todo pensando: Mas esse filme parece "300"..parece "Caninos brancos"..parece "Game of thrones"...enfim, parece tantos outros filmes de ação e aventura. Isso se explica pela filmografia do Cineasta Albert Hughes. No início dos anos 2000, ele filmava junto de seu irmão, e assinavam como "The Hughes Brotehrs". Juntos, fizeram, entre outros, "Do inferno'e "O livro de Eli". Todos os seus filmes são bastante estilizados., e aqui em 'Alfa", essa estilização chega em nível máximo, para o bem e para o mal. A história acontece na Europa, 20 mil anos atrás. Uma pequena comunidade vive de caças antes da chegada do inverno. Para isso, os homens seguem quase uma semana de estrada, para caçar búfalos selvagens. Entre eles, está o chefe da tribo e seu filho, Kade ( Kodi Smit-McPhee, que estreou em 'Deixa ela entrar" e depois fez "A estrada" e "X-men- Apocalipse"). O chefe quer que Kade seja seu sucessor, e para isso, ele precisa ser um macho Alfa ( trocadilho com o título do filme(. Mais sensível, Kade não consegue matar os animais. Até que na caça decisiva, ele é lançado pelo animal para um precipício. Kade é dado como morto, e seu pai vai embora. desolado. Até que inesperadamente, ao ferir um lobo que o ameaçou, Kade o salva. A partir daí, os 2 tornam-se grandes amigos. O filme apresenta ao espectador a origem da relação de amizade entre o Homem e o cão, no caso, um lobo. Quem ama animais, vai se apaixonar pelo filme, principalmente no desfecho, que é absolutamente encantador. Mas o filme, atenção, não é um filme da Disney. O que quero dizer com isso, é que tem cenas de violência que pequeninos podem ficar assustados. Na minha sessão, teve uma criança que perguntou pra mãe: "eles mataram o coelho?" Ponto negativo para a cópia brasileira: a dublagem. Não que a qualidade da dublagem estivesse ruim. O problema foi assistir a um filme que se passa há 20 mil anos atrás, com as pessoas falando um português corretíssimo, e palavras difíceis, como "alcatéia". Deveriam ter mantido o original, com uma língua própria criada para o filme, e botar legendas.

Ardente

"Beoning", de Lee Chang Dong (2018) Drama de suspense sul coreano indicado para uma vaga ao Oscar de filme estrangeiro em 2019. 'Ardente" é uma intrincada trama que remete aos filmes de mistério de Hitchcock: o que estamos vendo, é real ou não? Com um roteiro instigante, que brinca o tempo todo com a essência do Cinema, que é a arte de contar uma mentira. Lee Chang Dong novamente fala sobre serial killers e literatura, assim como em seu filme de 2000, "Poesia", que venceu o Palma de ouro de roteiro. "Ardente" é um filme que mistura gêneros, e o espectador nunca sabe qual será o próximo passo. Jong Su é um rapaz que trabalha para uma loja fazendo entregas. Nascido numa fazenda, ele saiu de sua cidade, logo após seu pai surtar e agredir um funcionário da prefeitura. Ao fazer uma entrega, ele conhece Hae Mi, uma jovem extrovertida mas igualmente solitária, que trabalha como animadora de produtos de uma loja de rua. Ela diz a Jong Su que o conhece desde criança, e mesmo ele não se lembrado, tornam-se amigos e amantes. Hae Mi faz uma viagem até a África e pede para que Jong Su tome conta de seu gato. Ao retornar de viagem, ela vem acompanhada de Ben ( Steven Young, o Glenn de "The walking dead"). Ben é um jovem milionário,e logo os 3 se tornam amigos. Um dia, Hae Mi desaparece, e Jong Su acredita que ben está por trás de seu sumiço. , e resolve investigar. Com um excelente trabalho dos 3 atores, exalando sensualidade e talento, Lee Chang Dong filma tudo com extrema elegância. O filme o tempo todo engana o espectador, que acha que vai para um caminho óbvio. Muita gente poderá por conta disso, ficar puta com o filme. O desfecho, em aberto, propõe muitas discussões e leituras. O filme é bastante longo, quase 2:30, mas quem chegar até o fim, certamente terá visto um filme muito bem acabado, com fotografia exuberante, e com pelo menos 2 cenas antológicas: a dança sensual de Hae Mi no pôr do sol, e a cena dela fazendo uma mímica comendo uma laranja imaginária. No Festival de Cannes 2018, o filme ganhou o Prêmio Fipresci, concedido pela Crítica ao melhor filme do Festival.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Side effected

'Side effected", de Lev Pakman (2013) Excelente curta, vencedor de vários Prêmios e nomeado para importantes Festivais, como Cannes, Palm Spring e San Diego. Em apenas 7 minutos, o filme apresenta uma brilhante conversa entre um Dono de uma empresa farmacêutica e um de seus cientistas. o Dono ouviu comentários acerca do novo remédio produzido pelo farmacêutico,e quer que o rapaz explique os efeitos colaterais, as quais ele tenta rebater todos os comentários contrários. O desfecho do filme é absolutamente avassalador. Com um humor negro afiadíssimo, os diálogos são espertos, e o elenco então, fenomenal. Direção, fotografia, montagem, tudo perfeito. https://vimeo.com/62317984

Dez segundos para vencer

"Dez segundos para vencer", de José Alvarenga Jr (2018) Ambiciosa cinebiografia do pugilista brasileiro Eder Jofre, que vai da década de 50 até os anos 70, começando pela sua infância, sua pós-adolescência e o seu desejo de ser um desenhista até começar a treinar nos ringues e se tornar campeão mundial no ao de 1961, nos Estados Unidos. Depois disso ele se casa com sua esposa Cida, com quem tem filhos, mas a crise conjugal o faz se afastar do boxe. Anos depois, em 1973, ele retorna aos ringues, e novamente, se torna campeão mundial. Mas o filme é mais do que isso: pegando carona na narrativa de "Dois filhos de Francisco', de Breno Silveira, que também é um dos produtores do filme, "Dez segundos para vencer" tem na figura paterna o grande personagem. Através de sua obsessão, de sua perseverança, do desejo de tirar sua família do limbo, da pobreza e de mostrarem ao mundo de que eles são capazes, o filme contrói tudo pelo ponto de vista de Kid Jofre ( Osmar Prado, sensacional). É ele quem carrega o filme, é ele que, com seu método cruel de treinamento, faz o filho se tornar o grande campeão. Mas será que tanto sacrifício valeu a pena? Pelo visto sim. O filme traz a mensagem de que, com muito treinamento, luta, garra e ambição, conseguimos construir a nossa estrada. Mas convenhamos, todos os filmes de lutadores possuem esse mesmo mote. O que se conclui que vencer é uma metáfora de chegar ao topo da pirâmide, sair do anonimato e se tornar alguém visível, de sucesso. O elenco é a grande força do filme. Daniel de Oliveira, Sandra Corveloni ( no papel da mãe), Osmar Prado e Renato Gelli, que faz o tio Silvano, são o destaque. Tanto Osmar quanto Ricardo Gelli ganharam prêmios de interpretação em Gramado 2018, de ator e ator coadjuvante, respectivamente. A direção de arte e a fotografia, de Lula Carvalho, também ajudam a recriar esse universo pobre da família, decadente e ao mesmo tempo onírico.

Sodoma

"Sodom", de Mark Wilshin (2017) "Sodom" é um filme inglês, todo rodado em Berlin, e é praticamente uma refilmagem do filme chileno "Na cama", que já havia rendido outras 2 refilmagens, uma brasileira, "Entre lençóis", e outra italiana, "Um quarto em Roma". Tanto a versão original quanto a brasileira apresentam um casal hetero; a italiana, um casal lésbico, e nessa versão inglesa, é um casal gay. Outra diferença é que aqui, a história acontece em um apartamento, e não em um quarto de Motel. Will está em sua noite de despedida de solteiro. Quando o filme começa, ele está nú, algemado em um poste. Michael surge, e o solta, levando-o para o seu apartamento para vestir o rapaz. Will explica que é jogador de futebol, e que seus amigos o prenderam como pegadinha de despedida de solteiro. ele está prestes a se casar com a sua noiva. Michael é um pianista e se encontra solteiro há anos após seu namorado ir embora, depois de uma relação de mais de 10 anos. Will tem 20 anos, Michael tem 40. Entre eles, nasce uma tensão sexual, que resulta em sexo. Eles passam a noite juntos, conversam. Mas o dia amanhece. E Will precisa tomar uma decisão. Um drama essencialmente teatral, é verborrágico do início ao fim. O que menos gostei no filme, que é entediante, foi a escalação do ator que interpreta Will, o jogador de futebol. Tanto o ator quanto a sua interpretação são muito suaves, e logo no primeiro fotograma, está mais do que evidente de que ele é gay. Faltou masculinidade. Talvez se tivessem invertido os papéis, pois o Ator que interpreta Michael tem mais o phisique de role de Will. Fora isso, faltou para o filme mais sensualidade, tesão. As cenas de sexo são frias. Um filme que poderia ter rendido muito mais, e ter um desfecho mais emocionante.

Eu sou culpado

"Falscher Bekenner ", de Christoph Hochhäusler (2005) Um retrato altamente desolador da juventude na Alemanha. "Eu sou culpado" é um drama bastante depressivo e angustiante. Armin é um adolescente que acabou de se formar na escola. Seus pais o pressionam para que ele procure seu primeiro emprego. Armin, apático e totalmente sme ambição na vida, vai para várias entrevistas, mas não passa em nenhuma, pois não entende a estratégia das perguntas e não tem vivência para poder responde-las. Frustrado, sem amigos, Armin se refugia em banheiros públicos, fantasiando relações sexuais com estranhos. Com atuação visceral do jovem Constantin von Jascheroff, que venceu prêmios de melhor ator em alguns Festivais ( o filme concorreu na Mostra "Um certo olhar" de Cannes) , "Eu sou culpado' mostra da forma mais desoladora possível, a decadência da Europa, em seus valores morais e sociais, o desemprego, a falta de comunicação e a desesperança. Quem busca um filme que leva o protagonista ao fundo do poço, vai adorar esse aqui. De quebra o filme tem excelentes cenas de entrevistas, testes vocacionais e psicológicos.

Com Thelma

"Avec Thelma", de Raphaël Balboni e Ann Sirot (2017) Lindo e emocionante curta belga, dirigido e interpretado com muita sensibilidade. Jean e Vincent formam um casal gay de meia idade. Eles moram juntos e com eles, uma gata. Um dia, o irmão de Jean liga da Islândia, dizendo que o vulcão entrou em erupção e que por conta disso, irá chegar dias depois em casa com a sua esposa. O irmão pede para Jean tomar conta da filha deles, Thelma, de 3 anos de idade. A presença de Thelma ilumina a vida do casal, trazendo uma alegria já há muito perdida na vida deles. Interpretado de forma totalmente naturalista, o filme traz registros da vida em comum do casal com Thelma, onde eles brincam, cantam, dormem totalmente preocupados com ela. Divertido, morri de rir na cena que eles vão para um espetáculo e contratam um baby sitter. Vincent fica preocupado, porquê a primeira coisa que o babá ( um gay) pergunta, é qual a senha do wi fi. Altamente recomendado.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O que te faz ficar viva

"What keeps you alive", de Colin Minihan (2018) Escrito e dirigido por Colin Minihan, esse suspense psicológico canadense tem uma premissa bastante interessante: um filme de suspense protagonizado por um casal de lésbicas, naquela linha de luta pela sobrevivência. Mas o que não funciona nesse filme, que foi exibido em alguns Festivais de Cinema independente? Os 20 minutos finais, que estragam todo o filme. Sabe aquela decisão estúpida, que te faz ficar irritado, vontade de deixar de ver o filme? Pois é. Jules e Jackie resolvem comemorar 1 ano de casadas indo para uma casa no meio de uma floresta isolada, que pertenceu ao pai de Jackie. Quando criança, o pai de Jackie costumava caçar, ensinando a filha a técnica de caça a animais selvagens. Quando uma vizinha reconhece Jackie mas a chama por um outro nome, Jules estranha. Até que durante um passeio, o inesperado acontece: Jackie empurra Jules precipício abaixo. Acreditando que Jules está morta, Jackie liga para a polícia. Mas para sua surrpresa, Jules reaparece, sedenta de vingança. Curioso que em vários aspectos, o filme se assemelha ao recente "Vingança". de Coralie Fargeat. A protagonista do filme, também jogada de um precipício, não morre, e resolve se vingar de seu namorado. A primeira metade do filme é bastante decente. Mas o que levou o roteirista e diretor Colin Minan a irritar a platéia com o seu desfecho ridículo, não dá para entender. As atrizes dão conta do recado, dando um mínimo de credibilidade às personagens, por mais ridículas que sejam os seus atos.

Precauções Diante de uma Prostituta Santa

'Warnung vor einer heiligen Nutte", de Rainer Werner Fassbinder (1971) Sou um grande fã dos filmes de Fassbinder, mas confesso que eu nuca havia ouvido falar dessa produção de 1971. Muita gente compara esse filme a "8 1/2", de Fellini, "Noite americana", de Truffaut, ou "O desprezo", de Godard, pelo simples fato de se ambientar em uma filmagem onde técnicos e atores. Eu incluiria aí mais uma outra referência, mais óbvia para mim, apesar do filme ter vindo depois: "O estado das coisas", de Wim Wenders, de 1982. Ambos os filmes falam sobre a agrura de um produtor de uma equipe de filmagem pela falta de financiamento, que impossibilita a filmagem. Falta material e equipamento, e o Diretor também desapareceu. A equipe e elenco ficam aguardando em compasso de espera no Hotel onde estão hospedados, na Espanha, e que também servirá de cenário pro filme. ( o filme foi rodado em Nápoles, Itália). Quando o Cineasta aparece, o caos continua, pois o equipamento não apareceu. O Cineasta resolve ensaiar as cenas com o elenco, na esperança de que o equipamento apareça. Mesclando metalinguagem ( cenas da filmagem são às vezes confundias com as cenas dos personagens), Fassbinder abusa da linguagem teatral, uma forte característica de sua filmografia. Os atores interpretam de forma totalmente anti-naturalista, como se estivessem chapados, apáticos. Particularmente não curti o filme, achei entediante. Gosto mais dos melodramas de Fassbinder, pós "Lágrimas amargas de Petra Von Kant". O ponto positivo aqui, é a fotografia e trabalho de câmera de Michael Baulhaus, fotógrafo de quase todos os filmes de Fassbinder, e que depois viria a trabalhar com Martin Scorsese em boa parte de seus filmes.

Maçaneta

“Knob”, de Hans Tsai (2018) Divertido curta de animação, dirigido por um especialista em efeitos visuais que já trabalhou em filmes como “Deadpool”. O filme chega a ser escatológico, mas isso faz parte da história, por mais nojento que possa parecer. Um homem está aguardando o seu momento pra uma entrevista de emprego. Ele resolve ir ao banheiro. Um problema: o homem tem toc de limpeza. Um outro homem sai do banheiro, depois de fazer as necessidades, sem lavar o banheiro e sem lavar as mãos. O entrevistado se desespera: não tem papel para limpar as mãos nem sabão, e por isso, ele não consegue pegar na maçaneta, com nojo. Como sair e não perder a entrevista? O filme tem apenas 4 minutos, mas é bem engraçado. Ganhou vários prêmios em festivais de animação. https://youtu.be/Ww22UCUrTIk

O silêncio

“The silent”, de Tony Tikannen (2013) Curta de suspense finlandês exibido em vários Festivais, é uma fábula sobre luto, repleto de atmosfera gótica e muita poesia nas imagens. Me lembrou bastante o clássico “Inverno de sangue em Veneza”, inclusive a menininha usa também um casaco de cor vermelha. Com excelente fotografia e trilha sonora, o filme tem como protagonista uma menina, que acorda de um pesadelo. Ela mora com seus pais em uma casa em frente à um rio. O que ela busca? E porque os pais choram? Bela Direção, e um bom trabalho de atores, que interpretaram sem diálogos. https://youtu.be/lce_DJH4XmE

Speechless

“Speechless”, de Daniel Manzano (2018) Exibido em Festivais de filmes fantásticos, “Speechless” é um curta de suspense que brinca com a figura maligna da Samara, aquela entidade japonesa de cabelos pretos longos cobrindo o rosto e os grunhidos assustadores. Um homem lava suas roupas em uma lavanderia. De repente, ele percebe que não está sozinho. Mais do que suspense, o filme é uma divertida paródia realizada com pouca grana mas muita presença de espírito. Parece bobo, e é, mas como homenagem vale o ingresso. https://youtu.be/qZ5MD2l6rGM

Manequim

“Manequim”, de Derec Nunes (2013) Curta de suspense premiado em festivais de filmes de gênero, é uma ideia simples em cima de alucinação e que tem um final em aberto. Ou também quem sabe, ser visto como uma metáfora que faz uma crítica a pessoas workaholicks que deixam de aproveitar a vida para se dedicar exclusivamente ao trabalho e entram em parafuso. Uma estilista trabalha em seu escritório de madrugada costurando uma roupa para ser entregue. Ela vai vestindo a manequim com partes de roupa que ela vai confeccionando. Cansada, a mulher toma um comprimido. De repente, ela percebe que a manequim parece ter criado vida. Realizado com baixo orçamento, mas com uma ótima técnica, com destaque para a fotografia, repleta de atmosfera, e a edição de som, que inclui ruídos assustadores, como o barulho das bolinhas de plástico estourando. Repleto de clichês do gênero, é um filme que tem um suspense bem light. https://youtu.be/5SM76emW-s8

domingo, 9 de setembro de 2018

Irmão, irmã

"Die Geschwister", de Jan Krüger (2016) Melancólico drama Lgbtqi+ alemão, livremente inspirado no conto dos irmãos Grimm, "Irmãozinho, irmãzinha". Thiés é Gerente de uma corretora de imóveis, e apresenta imóveis para pretendentes. Em umas das apresentações de apartamento, entre os vários interessados, ele se sente atraído por um jovem rapaz, Bruno. Thies é solitário, e durante a sua rotina matinal, fazendo cooper, ele esbarra em Bruno. Logo eles se tornam amantes. Thies descobre que Bruno é refugiado polonês, junto de sua irmã, Sonja. Por serem imigrantes ilegais, não conseguem trabalho nem documentação para alugar um imóvel. Thies, apaixonado, permite que os irmãos fiquem em um imóvel desalojado. O filme é um libelo a favor dos refugiados ( em uma cena, vemos uma pichação "Refugees welcome"), mas ao mesmo tempo, mostra a dura realidade de quem veio para Berlin em busca de um sonho. O filme fala também sobre a dificuldade de se alugar um espaço em Berlin, por questões raciais e morais, e também sobre aceitação da homossexualidade. O trio principal de atores é ótimo, e as cenas de sexo, bem filmadas e sensuais.

Uma história de Joy: Joy e a garça

"A Joy Story: Joy and Heron", de Kyra Buschor e Constantin Paeplow (2018) Maravilhoso curta de animação, encomendada pelo Meg Site chinês DJ.com, para promover Yoy, o cãozinho que é a logo da empresa. Os animadores americanos Kyra Buschor e Constantin Paeplow foram convidados para dirigir essa encantadora história, sem diálogos, sobre Joy e seu dono. Eles seguem para uma pescaria. Súbito, uma garça chega e começa a roubar as minhocas, sem que o dono veja. Joy tenta evitar, mas o dono se irrita com ele. De início, parece aqueles desenhos do Pica Pau sacaneando todo mundo, mas logo se transforma em outra coisa. Impossível não se emocionar, e com certeza, a Disney ou a Pixar já devem estar de olho nessa equipe. Assistam, são apenas 3 minutos. https://www.youtube.com/watch?v=1lo-8UWhVcg

sábado, 8 de setembro de 2018

Triângulo rosa

"Pink triangle", de Ryan Davis (2010) Excelente curta realizado por Alunos da Universidade de cinema da Carolina do Norte, e que impressiona pela sua alta qualidade técnica: direção de arte, fotografia, etc. exibido em inúmeros Festivais LgbtqI+, o filme fala sobre o triângulo rosa, um dos símbolos usados nos campos de concentração nazistas. Indicava quais homens haviam sido capturados por serem homossexuais. Todos os capturados pelos nazistas recebiam algum emblema em suas roupas. No filme, um informante nazista precisa delatar homossexuais para um General alemão. Quando o General lhe apresenta uma foto tirada dentro de um bar clandestino frequentado por gays, o homem observa que no fundo da foto, está seu ex-amante. A narrativa retrocede no tempo e descobrimos qual a relação desse informante com o rapaz da foto. Com um roteiro emocionante, o filme tem a estrutura de um melodrama, sem que isso seja usado em termo pejorativo. é um filme que como disse antes, impressiona por sua qualidade, sendo um filme de realização de curso. Vale muito ser visto. https://www.youtube.com/watch?v=NSOPwefW2Xw

78/52: A cena do chuveiro de Hitchcock

"78/52:Hitchcock's shower scene", de Alexandre O. Philippe (2017) Com o sub-título de "78 planos e 52 cortes que mudaram a História do Cinema", esse documentário é obrigatório para Diretores, Montadores, roteiristas, estudantes de cinema, compositores e cinéfilos. O Documentarista Alexandre O. Philippe analisa passo a passo a realização de uma das cenas mais icônicas da história do cinema, entrevistando Diretores (Peter Bogdanovich, Eli Roth e dezenas de outros), Atores (Jamie Lee Curtis, Elijah Wood, etc), o famoso compositor Danny Elfman, montadores, roteiristas, produtores, críticos de cinema e toda uma sorte de pessoas envolvidas com a Sétima Arte e que falam sobre a genialidade do filme "Psicose" e a sua importância cultural, rompendo com a tradição da velha e ingênua Hollywood. O filme começa com a entrevista da dublê de corpo da atriz Janet Leigh. Marli Renfro, que era coelhinha da Playboy e que foi chamada para uma audição sem nem saber do que se tratava. Ela foi contratada para 3 dias de filmagem, e acabou filmando 7 dias! Outro momento brilhante, e que deixa claro a importância da interpretação de um Cineasta sobre o livro ou roteiro que ele lê, é como que Hitchcock transformou umas pequenas linhas do livro, que não tem absolutamente nenhum impacto em relação à morte da protagonista, e ainda apresenta de cara quem é o assassino. Hitchcock subverteu a escrita e filmou separado a cena do chuveiro, pois queria dar atenção especial para ela, e ainda assim, não apresentou o rosto do assassino. O documentarista filma a cena como descrita no livro, mostrando a cara do assassino, e de fato, a cena virou outra coisa. Hithcock também subverteu o papel do herói e protagonista do filme, ao matar a sua heroína no meio do filme, chocando a todos que o assistiram, sem acreditar. Hith soube manipular sua audiência: contratou uma grande estrela, Janet Leigh, e ninguém poderia sequer imaginar que ela não estaria o filme todo. O filme faz uma tese de que as manifestações estudantis, culturais, etc, influenciaram Hitchcock a fazer um filme em preto e branco, mostrando uma America aterradora, aonde a morte pode acontecer dentro do banheiro da pessoa, pois acreditava-se que o perigo residia lá fora (Comunistas, etc) , mas dentro da casa era tudo dominado. Eu ficaria horas aqui escrevendo sobre esse filme, mas o melhor é assisti-lo várias vezes. É uma verdadeira Aula de Cinema.

Next Gen

"Next gen", de Kevin R. Adam e Joe Ksander (2018) Co-produção CHina e Canadá, "Next Gen" foi oferecido para compra durante o Festival de Cannes em 2018 e a Netflix a comprou por 30 milhões de dólares! O filme é um misto de "Operação Big Hero", "Blade Runner", "Transformers", o episódio de Black Mirror "The entiry story of us", e definitivamente, não é um filme para crianças pequenas. Ele é bastante violento, inclusive um importante personagem simplesmente é desintegrado pelo vilão e morre! Fora isso, o robô protagonista, 7723 ( baseado em quadrinhos na China) faz um verdadeiro massacre de robôs, muito deles fofinhos e "humanizados", com carinhas e tudo o mais. Fora isso, a protagonista, a adolescente Mai, é daquelas meninas arrogantes, irritantes e malas sem alça, que passa o filme todo reclamando de tudo. E a mãe dela, para piora, representa o supra sumo da pessoa viciada em tecnologia e rede social, que não se dá conta da presença da filha e está mais interessada no lançamento dos robôs de última geração. A história gira em torno da amizade entre uma menina, Mai, e um robô, que foi criado secretamente pro um cientista para combater um vilão, Justin Pin, cópia de Steve Jobs, que quer destruir o mundo. O que o filme tem de interessante, é a crítica ao consumismo, mostrando milhares de pessoas querendo comprar o último lançamento em robôs, chamado de Q-Bo 6 ( olha o Iphone aí). A animação em si é bem feita, com traços muitos parecidos com os bonecos da Pixar, mas a grande diferença e o roteiro. Não sei se esse filme teria condições de ser lançado na tela grande, mas na Netflix certamente será um sucesso. O filme não chega a ser de todo mal, dá para assistir, tem lá seus momentos de emoção, e um cãozinho que solta palavrões que rouba as cenas. Na dublagem americana, atores consagrados encabeçam a lista: John Krasisnky ( que protagonizou e dirigiu "Um lugar silencioso". Constance Wu ( que protagoniza o sucesso "Podres de ricos", Michael Pena e Jason Sudeikis.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Aquarium

"Aquarium", de Yonatan Tal (2018) Exibido em vários Festivais Lgbtqi+, esse brilhante e emocionante curta de animação, com apenas 2:35 minutos, consegue a grande façanha de trazer um ponto conflituoso para muitos gays: como assumir uma relação em público? Um jovem casal gay passeia em um aquário, e de repente um deles, pede para uma senhora tirar a foto deles. O namorado fica totalmente constrangido em demonstrar afeto em público, e isso machuca os sentimentos do outro rapaz. Realizado com muita delicadeza, o filme tem traços singelos na animação, mas o roteiro, as vozes dos dubladores e a trilha sonora compensam o baixo investimento financeiro no projeto, que foi desenvolvido por um estudante de animação, Yonatan Tal. Uma pequena jóia que deve ser visto por todos que adoram animação. https://www.youtube.com/watch?v=kfsIcd_aaXI

Destination wedding

"Destination wedding", de Victor Levin (2018) Com o sub-título "O narcisista não pode morrer porquê senão o mundo inteiro iria acabar", essa comédia romântica escrita e dirigida por Victor Levin guarda todas as referências em cima das comédias de Woody Allen. Ele usa a mesma trilha sonora, a mesma tipografia para os créditos e os protagonistas tem aquele tipo de humor ferino, intelectualizado e irritante dos filmes de Allen. O filme foi detonado por parte da crítica americana, mas eu confesso que adorei ver um filme protagonizado por dois ícones dos anos 90, Keanu Reeves e Winona Ryder, fazendo humor e se degladiando como se fossem Spencer Tracy e Katherine Hepburn. E mais: Keanu Reeves convence nesse papel cômico, algo que eu nem sequer imaginava. E mais ainda: ele tem bifes kilométricos, e ditos com bastante espontaneidade, algo impensável para quem achava que ele era um troglodita que só falava pequenas frases. Winona é aquela atriz que todos nós amamos mas que caiu em desgraça após o surto que ela teve com os casos de furto, mas que teve sua carreira resgatada graças ao sucesso do seriado 'Stranger things". A idéia do filme é bastante simples e já batida: duas pessoas que não se conhecem, são solitárias, misantropas e mau humoradas, se esbarram em um aeroporto e descobrem que estão indo para o mesmo casamento, na paradisíaca San Luis Obisco, California. Pior: descobrem que vão dividir o quarto um do lado do outro, e na mesa da cerimônia, a mesma mesa. Vai ter muita gente odiando o filme por achar que Keanu Reeves e Winona Ryder ( que já trabalharam juntos em 'Dracula") não nasceram pra comédia; vai ter gente odiando a verborragia do filme, que de fato, funcionaria bem mais numa peça teatral; e vai ter muita gente odiando o mau humor desses 2 protagonistas, afinal, eles vivem se xingando o filme todo. Mas para mim, esse foi o charme do filme. Concordo que é um filme sem ritmo e com diálogos excessivos, mas de novo, ver esses 2 atores em algo tão inusitado, para mim, valeu a pena. Parabéns aos produtores que tiveram a ousadia de escalar os dois. Para quem não curtir, pelo menos pode apreciar a bela paisagem da locação. Amei a cena da trepada deles na relva, muito engraçada. Para quem não sabe o que significa, "Destination wedding" é quando os noivos escolhem uma cidade diferente da sua para realizar a cerimônia de casamento.

O grande Buda +

"The Great Buddah +", de Huang Hsin-yao (2017) Premiadíssimo filme do cineasta de Taiwan Huang Hsin-yao, que também escreveu o roteiro desse inusitado drama que mistura o humor negro típico dos irmãos Coen, faz uma homenagem à "Janela indiscreta", de Hitchcock e ainda mescla com uma linguagem documental ( o cineasta era documentarista e "O grande Buda +" é seu primeiro longa de ficção). Pickles e Umbigo são 2 amigos que vivem na marginalidade da periferia de uma região pobre de Taiwan. Pickles tem emprego duplo: trabalha como segurança noturno em uma pequena fábrica que produz estátuas de bronze de Buda, e é músico de uma pequena banda. Umbigo é catador de lixo, e toda noite vem visitar Pickles em seu trabalho, trazendo revistas pornôs que ele encontra nas lixeiras. Essas duas figuras solitárias têm sua vida revirada quando uma noite, ao mexer na câmera do carro do patrão de Pickles, encontram, entre cenas do patrão fazendo sexo com garotas mais jovens, um vídeo dele matando uma ex-amante que queria extorquir dinheiro dele. O filme tem cenas em preto e branco e cores. A vida real desgraçada de Pickles e Umbigo é toda em preto e branco, e as cenas das câmeras de vídeo, são em cores. Huang Hsin-yao faz uma crítica social e econômica de Taiwan, ainda cutucando a política e a religião. mostrando corrupção para todo o lado. O mais interessante do filme, é a forma intrusiva como o Cineasta apresenta o filme ao espectador: em vários momentos, ele apresenta em voz off o que iremos ver, explica as cenas e o que mais amei: apresenta personagens que aparecerão apenas uma vez, como figurantes, fazendo uma poética e melancólica descrição dessas figuras tristes. Filmaço para deleite de cinéfilos. O titulo do filme se refere à um curta que Huang dirigiu, e resolveu depois trazer a mesma história para esse sue longa de estréia, incluindo aí o sinal de "+".

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Jackpot

"Jackpot", de Adam Baran (2012) Premiado curta Lgbtqi+, é uma fábula sobre sobre se aceitar como homossexual na adolescência. A trama acontece em 1994, antes da Internet. Jack é um adolescente que tem conflitos por ser gay, mas esconde isso de todo mundo. Trancado em seu quarto, ele se masturba olhando catálogos com fotos de homens. Um colega hetero de Jack liga para ele e comenta que viu em uma lixeira várias revistas gays jogadas fora. Essa é a deixa para que Jack vá correndo ara o local e recolher algumas revistas pornôs. Porém, ao chegar lá, ele é flagrado por 3 jovens homofóbicos que querem bater nele. Súbito, um dos modelos masculinos da revista pornô se materializa para Jack, e faz um discurso para que ele se aceite como é e lute pelos seus ideias. Divertido e bastante simpático, esse pequeno drama sobre amadurecimento e saída do armário tem um criativo roteiro que só poderia acontecer em período antes da Internet. A geração Millenium não fazia idéia do que era poder consumir material pornô antes da Internet. as pessoas tinham que botar a cara à tapa para poder comprar as revistas. Havia a vergonha, a humilhação e constrangimento de ter que compartilhar seus gostos com o vendedor. Hoje em dia, com a Internet, tudo ficou mais fácil. Mas com ceretza, não renderiam histórias divertidas como essa.

Vende-se esta moto

"Vende-se esta moto", de Marcus Faustini (2017) Filme de estréia do escritor, diretor teatral e jornalista Marcus Faustini, "Vende-se esta moto"são 2 filmes em um: tem o filme com inspiração neo-realista italiana, e tem o filme poético, lúdico, algo passeando entre o Fausto, de Goethe, tentando comprar a alma de um pobre infeliz desacreditado pelo amor, e o "Orfeu negro", de Marcel Camus, com o olhar apaixonado por uma periferia infestada pela violência na vida real ( comunidades do Batan e Maré), mas que aqui na ficção só encontramos alegria, amor, sorrisos, solidariedade. Xéu ( João Pedro Zappa) e Lidiane (Mariana Cortines) moram na comunidade do Batan. Eles são jovens, eles são apaixonados um pelo outro. Xéu trabalha em uma lanchonete da comunidade que vende Yakisoba fazendo entregas de quentinhas. Ele ganha pouco, e por conta disso, não tem como sustentar a gravidez de sua namorada. Ela pede para que ele venda a moto, e ele pede ajuda ao seu primo Cadu, que mora na Maré. Mas Cadu, que já namorou Lidiane, ainda sente paixão por ela. E nessa noite, tudo pode mudar na vida desses personagens. O filme fala sobre Amor: Amor físico, do casal Xéu e Lidiane. Amor frustrado, caso do trágico personagem de Cadu. Amor ao cinema, numa participação divertida do crítico de cinema Rodrigo Fonseca. Amor pela poesia e pela literatura, no personagem de Guti Fraga. Amor pela cidade do Rio de Janeiro, verbalizada em poesia pelo personagem misterioso de Silvio Guindane, um punk das ruas. Só que a cidade apontada pelas câmeras do fotógrafo Pedro Paiva, é a do subúrbio, da periferia, a mesma onde a mídia apresenta como território de traficantes e milicianos, mas que aqui no filme, são espaços de lazer e de moradia de moradores honestos, em busca de emprego e de diversão (bailes funks pacíficos, piscinão de RAmos democrática. É um filme realizado com muito pouca grana: fosse nos Estados Unidos, o filme teria recebido o rótulo de "Mumblecore", filmes realizados com quase nada). O produtor Cavi Borges é famoso aqui no Brasil por produzir filmes nessa levada, com pouca grana mas com um selo de qualidade. Mas é exatamente essa simplicidade que seduz o espectador. A trilha sonora envolvente, apaixonante, com um olhar carinhosos sobre os seus personagens. Fiquei especialmente emocionado na sequência onde Xéu busca trabalho no Centro da cidade. Uma via crucis que envolve entrevista para office boy, para vendedor de sapatos femininos e como vendedor de um sebo. Que excelente Ator é o João Zappa: ele convence tanto como um rapaz da classe média alta em "Gabriel e a montanha", como um jovem da comunidade. Ponto alto também para a atriz Mariana Cortines, no papel de Lidiane, de Quitta (Priscila Lima), a amiga bissexual do casal, e de Vinicius de Oliveira, arrasando como o controverso e angustiado Cadu.

Slender Man- Pesadelo sem rosto

"Slender man", de Sylvain White (2018) Terror baseado na lenda de Slender Man, uma figura mitológica criada pela Internet, e que assusta pessoas no mundo inteiro acreditando que ele existe de verdade. No excelente documentário da HBO, "Cuidado com o Slender man", é apresentado o caso de 2 meninas de 12 anos que esfaquearam uma terceira amiga com 19 facadas em uma floresta, e elas, interrogadas depois, disseram que foi o Slender man que pediu para que elas a matassem, para que ele nao matasse os pais delas. Partindo dessa premissa, o filme acontece em uma pequena cidade de Massachussets. 4 amigas, entediadas, resolvem em uma noite acessar na Internet um link que diz que o Slender Man irá aparecer. Em princípio elas não acreditam, mas aos poucos, uma a uma vai desaparecendo. Hallie, uma das última sobreviventes, decide se sacrificar para que Slender man não ataque sua irmã caçula, Lizzie, mas as coisas nao acontecem como o planejado. No Rotten Tomatoes, o filme tem uma das piores cotações entre os críticos: apenas 7% de aprovação. Bobagem, o filme não é nenhuma obra-prima, mas também não é nenhum lixo. Dá para assistir, apesar da premissa boba: qualquer um pode acessar o Slender man, basta clicar num link que está ali, visível para todos. Os efeitos são meia bomba, as performances mais do mesmo, mas ainda assim dá para se assistir , assim como as meninas, em uma tarde entediante. O filme lembra aqueles filmes tipo "Ouija", onde as pessoas invocam uma força sobrenatural e elas vêm pegá-lo. Já vimos isso mil vezes, mas tudo bem, é apenas passatempo.

A freira

“The nun”, de Corin Hardy (2018) Spin Off da franquia "Invocação do mal", que já rendeu a milionária franquia "Anabelle", "A freira"surgiu de uma personagem coadjuvante de "Invocação do mal 2", e que já nesse filme, já assustou todo mundo. James Wan dessa vez resolveu produzir, e escrever o roteiro, e confiou a direção ao jovem Corin Hardy. Muitos críticos saíram falando mal do filme, dizendo ser o mais fraco de toda essa franquia, mas a verdade é que eu gostei e ele tem uma atmosfera surpreendentemente bem feita e assustadora, ajudada por uma fotografia baseada em luz de velas, um interior de um convento super escuro e uma trilha sonora horripilante. O filme começa e termina com o famoso casal de paranormais Ed e Lorraine Warren ( Patrick Wilson e Vera Farmiga), apresentando e fechando a apavorante história de um convento localizado no interior da Romênia, onde uma freira cometeu suicídio em 1952. Um padre e uma noviça ainda sem votos partem para a missão de descobrir o que aconteceu no convento, enviados pelo Vaticano. Padre Burke (Damien Bichir) e Irmã Irene (Taissa Farmiga, irmã de Vera Farmiga) chegam e descobrem que as freiras que ali residem, estão em voto de silêncio e nada podem falar.. Eles são ajudados pelo jovem francês Franchie (Jonas Bloquet) , um cocheiro. O que eles irão descobrir ali, envolve satanismo e invocação do demônio. Como falei antes, a atmosfera do filme é excelente, ajudado por uma parte técnica irrepreensível. O trio principal está ótimo e bastante carismático ( o segredo desses filme sé escalar um Ator premiado para dar credibilidade ao projeto, caso do mexicano Damien Bichir). O filme tem penca de sustos, e para quem gosta de filme de terror, vale super a pena. Mesmo que quando acabe o filme, a gente esqueça tudo o que viu. Passatempo total.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O paciente- O caso Tancredo Neves

"O paciente - O caso Tancredo Neves", de Sergio Rezende (2018) Adaptação cinematográfica do livro de Luis Mir, que se baseou nos laudos médicos que ficaram por anos inacessíveis, é surpreendente para o espectador que for assistir, encontrar não só um filme de fundo político, com as suas terríveis artimanhas de médicos, políticos e jornalistas sanguessugas, como também um terrível filme de suspense médico, provocado por uma sucessão inacreditável de erros médicos que provavelmente, aceleraram e provocaram a morte do Primeiro presidente do Brasil após o fim da ditadura militar. No dia 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves assumiria a presidência do Brasil, tendo José Sarney como seu vice. A tensão era enorme, todo o País estava tenso com medo que houvesse um novo golpe ou que os militares não permitissem que Tancredo assumisse. Porém, há 3 dias da posse, Tancredo começou a sentir dores. Uma junta de médicos de Brasília acreditava se tratar de uma apendicite, e depois de muita insistência, o internaram na véspera da posse e fizeram uma cirurgia. O que acontece a partir daí, é uma sucessão de erros médicos, incluindo uma outra junta médica que viria de são Paulo, que fizeram com que Tancredo sofresse 3 cirurgias, vários exames invasivos, e que veio a falecer exatamente 39 dias após a internação. A população, até então, acreditava em várias teorias: envenenamento, atentado à tiros, e tudo piorava porquê Tancredo não aparecia em público. No dia 21 de abril, foi tirada uma foto totalmente montada para calar a boca de todos e mostrando Tancredo "aparentemente"saudável, ao lado de Risoletta, sua esposa, e seus médicos. Com direção de Sérgio Rezende, o filme emula filmes políticos recentes como "Jackie", de Pablo Larrain, misto de filmagem documental com uma linguagem de câmera nervosa, usando Zoom, aproximando o espectador da tensão existente nesse reality show aterrador. No entanto, a grande força do filme, além do roteiro, é o trabalho do elenco, enorme, formado por um primeiro time de veteranos: Othon Bastos (brilhante) no papel principal, Esther Góes como Risoletta, Paulo Betti como o Médico Henrique Pinotti, Leonardo Medeiros, Otavio Muller, Elcir de Souza, Gustavo Machado, entre outros. Um filme importante, para fazer analogia ao momento político que estamos vivendo.

Charismata

"Charismata", de Andy Collier e Toor Mian (2017) Filme de terror inglês, que mistura uma história de seral killer com rituais satânios, algo meio "Seven", de David Fincher, filme do qual a dupla de roteiristas e diretores Andy Collier e Toor Mian busca referência inclusive visual. Tem a mesma dupla de policias que não se suporta ( claro que um acredita em ritual voodoo e o outro não), tem os crimes hediondos, tem a fotografia saturada...e aquela atmosfera de filme noir, com ritmo lento e atmosfera onírica. Rebecca e Eli formam uma dupla de detetives que procuram o assassino de uma série de crime sonde aparentemente, as vítimas foram sacrificadas em ritual satânico. Rebecca está literalmente passando por um inferno emocional em sua vida:recém divorciada, vive discutindo com o ex-marido a respeito do imóvel; ela sofre mansplanning e misoginia no trabalho; e também é acusada de nepotismo ( seu pai é delegado e a colocou no cargo). Quando Rececca passa a ter visões assustadoras, ela já não sabe s eo que está vendo é real ou não. Terror interessante, com bons atores e um clima de mistério que percorre o filme todo. Os efeitos são ok para um filme independente, o desfecho é que estraga o filme, e provavelmente todo o espectador ficou revoltado e sem ação, pois a reviravolta toda acontece nos dois últimos minutos. O filme chegou a vencer vários prêmios internacionais em Festivais de filmes de terror.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Forces

"Forces", de Dominic Poliquin (2016) Bom curta canadense de temática Lgbtqi+, premiado em diversos festivais, O filme narra a amizade de anos entre 2 homens, que são vizinhos desde criança. Suas casas estão divididas por um rio, e a amizade deles é sempre à distância. Um deles se torna soldado e vai lutar no Afeganistão. O outro, se torna um jogador de futebol americano. Ambos levam uma educação rígida de seus pais desde crianças, ensinando a eles a se portarem como homens brutos. O soldado é hetero, mas sensível. O jogador é gay não assumido e tem um temperamento agressivo. Quando finalmente os dois se encontram frente a frente, surge uma tensão sexual que pode terminar em tragédia. Bem dirigido e com dois atores que exalam sensualidade, o filme tem um tempo muito curto para poder explorar melhor os personagens. Com apenas 8 minutos, tudo parece bastante corrido, e existe uma narração em off. O mais incrível ainda é o orçamento gasto: tem cenas de batalha, cenas de jogo, o que parece ter custado caro para um projeto tão curto. Mas vale ser visto. https://vimeo.com/177113445

Abrindo o armário

“Abrindo o armário”, de Dario Menezes e Luís Abramo (2018) Como diz um dos personagens, “ O armário já está aberto, agora tem que sair dele”. O importante documentário registra depoimento eclético de personalidades do mundo artístico ( performáticos, escritores, cantores, gamers, produtores, jornalistas, etc) que dão um relato sobre quando assumiram a sua homossexualidade e como foi a reação das pessoas próximas em relação a esse “ outing”. Além disso, o filme passa rapidamente pela questão da Aids, da afirmação das varias identidades gays ( um amigo diz que “ são varias as alas das baianas”, o que explica para o grande público que nem todos os gays são iguais), e ainda explora as varias camadas econômicas, sociais, séculos e raciais do homossexual. O tema é extremamente amplo e poderia render uma série, mas é um filme importante para dizer ao mundo que a sociedade mudou bastante mas que em termos de preconceito e homofobia, continua o mesmo. Os depoimentos das trans Linn da quebrada e Jup do Bairro são bastante contundentes e viscerais.

O banquete

"O banquete", de Daniela Thomas (2018) Ao final da projeção, imediatamente 3 filmes me vieram à mente: 2 deles poderiam ter sido referências para a cineasta e roteirista Daniela Thomas, o 3o provavelmente não, pois é um filme mais recente. "O anjo exterminador", de Luís Bunuel, e "Quem tem medo de Virgínia Woff", de Mike Nichols, são duas obras-primas do cinema que possuem elementos dentro desse banquete de amor e fúria proposto por Thomas: as inúmeras tentativas dos convidados quererem sair da janta e não conseguirem; a hiprocrisia da classe média alta; o deboche da aristocracia em relação à política, sexo, cultura; a gastronomia como elemento de redenção e de incentivo ao sexo; personagens alcóolatras (Caco Ciocler X Elisabeth Taylor, alcoolizados o filme todo); o desdém da geração madura contra os jovens, vistos como ignorantes e aproveitadores. O terceiro filme é o recente "A festa", de Sally Potter. Assim como Thomas, é um filme escrito e dirigido por mulheres, e que reúne a nata dos atores de seu País. Drica Moraes, Mariana Lima, Caco Ciocler, Gustavo Machado, Rodrigo Bolzan, Chay Suede, Bruna Linzmeyer e duas excelentes atrizes de São Paulo, Fabiana Gugli e Georgette Fadel. O filme é levemente inspirado na sua essência por um fato real: O jornalista da Folha de São Paulo, Otávio frias Filho, escreveu em 1990 na primeira página do seu Jornal, um editorial criticando o Governo Collor. Foi o estopim para que a lei da censura imperasse no País, e Otávio fosse ameaçado de prisão. Thomas tornou em ficção esse fato e chama o sue Jornalista de Mauro ( Bolzan). ele é casado com Beatriz, uma atriz ( Mariana Lima) e são homenageados pelos seus 10 anos de casamento com um jantar na rica casa do casal Nora (Moraes) e Plínio (Ciocler). No memso jantar são convidados o colunista Lucky (Gustavo Machado) e a crítica de teatro Maria ( Fabiana Gugli). Chay Suede interpreta o garçon da festa, e Bruna Linzmeyer e Georgette Fadel saem prejudicadas do filme, pelo pouco tempo de suas personagens em cena: uma aspirante a atriz e a camareira de Beatriz. No jantar, mentiras, traições e revelações são expostas para todos, em um jogo de alta perversidade e devassidão. Assédio, provocação moral, jogo de classes são elementos que fazem esse jantar se tornar memorável, além da possibilidade de Mauro ser peso a qualquer momento. Como filme, o projeto é um acerto e um risco: todo ambientado na sala de jantar, e algumas vezes na cozinha, o filme não esconde a sua fonte teatral, sendo verborrágico do início ao fim. O elenco, em alto padrão, dá conta do recado. Mas como cinema, o filme procura seduzir o espectador. Aos mais atentos, encontrarão diálogos ferozes, provocando inúmeros risos. Ao espectador que busca um filme dinâmico, poderá ser um desafio. A câmera, claustrofóbica, evita planos gerais, expondo em closes os absurdos proferidos pelos personagens. Uma bela mise en scene, auxiliada pela fotografia de Inti Briones.

Elefante

'Elephant", de Gus Van Sant (2003) Esse é daqueles filmes que faço questão de rever de tempos em tempos. Uma aula de Roteiro, edição, narrativa, Direção, marcação de figuração, marcação de cena, uso da câmera, uso da trilha sonora e silêncio. Vencedor de inúmeros prêmios, entre eles, Melhor Filme e Direção em Cannes 2003 ( feito só conseguido por "Barton Fink", dos irmãos Coen em 1991), o filme é uma livre recriação do tiroteiro em Columbine, acontecido em 1999 e que resultou na morte de 14 estudantes e 1 professor a tiros por 2 alunos que sofriam bullying. Para desvincular do evento em Columbine, Gus Van Sant filmou e Portland, Oregon. é impressionante constatar que todo o elenco do filme é formado por jovens não atores ( apenas os adultos são profissionais). Escalados entre estudantes reais de Portland, todos fizeram um intenso trabalho de atuação naturalista com Gus Van Sant, que queria que todos agissem naturalmente, sem atuar, como na vida real. O mais incrível é ver esses jovens em cena diante de planos sequência tão elaborados, precisos, que mesmo o mais treinado e profissional dos atores teria dificuldade de entender e acertar as marcas. Li que um dos atores, John Robinson, o loirinho do Poster, concorreu com outros 3 mil alunos pelo papel. é um grande prazer também ver que Diane Keaton foi uma das produtoras do longa. Uma pena que Gus Van Sant não conseguiu mais chegar ao nível de excelência de "Elefante".

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Nico, 1988

"Nico, 1988", de Susanna Nicchiarelli (2017) Vencedor de vários prêmios Internacionais, escrito e dirigido pela Cineasta italiana Susanna Nicchiarelli, "Nico, 1988", acompanha os 2 últimos anos de vida da cantora Nico, nascida Christa Päffgen na Alemanha. Para quem for assistir ao filme querendo ver cenas de Nico enquanto fazia parte do grupo Velvet Underground de Andy Warhol e Lou Reed nos anos 60, esqueça. Essa fase é dita muito en passant, com rápidas cenas de documentário. O filme deixa claro que Nico quer esquecer esse passado de glória e glamour, e quer se ater a uma vida independente de cantora, cantando um repertório que lhe agrade, mais do que aos seus fãs. O filme acompanha Nico em turnê, passando por dificuldades financeiras com sua banda, a sua relação com o seu agente, seus músicos e principalmente, com as drogas pesadas e com o seu filho Ari Delon, filho que ela teve com o ator Alain Delon e que assim como sua mãe, se tornou músico e adicto às drogas. Nico se sentia culpada pelas várias tentativas suicidas de seu filho, resultado dp abandono que ele teve quando pequeno, por conta da ausência da mãe que vivia em festas regadas a drogas e bebidas. Nico tem uma performance absolutamente fantástica da excelente atriz dinamarquesa Trine Dyrholm, atriz fetiche de vários cineastas dinamarqueses, como Susanne Bier, Thomas Vintemberg , Erik Poppe. Para quem não se lembra, ela protagonizou "Festa em família", "A comunidade", "Em um mundo melhor" e o filme com Pierce Brosnan, "Amor é tudo o que você precisa". O filme é bastante melancólico e depressivo, assim como era Nico. A própria Trine canta as músicas no filme, terminando com uma linda versão de "Big in Japan", do Alphaville. Fui pesquisar como Nico veio a falecer, fato que o filme esconde, e fiquei mais triste ainda.

Kitty

"Kitty", de Chloë Sevigny (2016) Estréia na direção da atriz Chloë Sevigny, esse premiado curta foi exibido na Semana da crítica no Fetsival de Cannes em 2016, de onde saiu com um prêmio especial para o gatinho que estrela o filme. O roteiro foi adaptado por Chloë Sevigny de um conto do escritor Paul Bowles. Kitty é uma menina de 6 anos, que tenta a todo custo chamar atenção de seus pais e vizinhos, sem sucesso. Totalmente ignorada, ela aos poucos percebe que está se tornando uma gata. os pais não percebem a diferença, nem ninguém, até que um dia ela se transforma totalmente em um felino. Lindamente fotografado, e com uma direção dleicada e bonita que lembra bastante o estilo de Sophia Coppola, o filme aind atem uma trilha sonora que junto da fotografia e da direção de arte, ajudam a dar a atmosfera de conto de fadas. É um filme bastante cruel, mas visto com tanta beleza, tem a sua mensagem diluída.