domingo, 8 de abril de 2018

O quarto de Leo

"El cuarto de Leo", de Enrique Buchichio (2009) Premiado drama uruguaio, co-produção com Argentina, e que tem como tema a saída da armário e a difícil aceitação de sua homossexualidade. Leo (Martin Rodriguez, ator argentino em bela performance) namora Andrea. Mas a relação não está bem, e Andrea termina o namoro. Leo vai procurar um psicólogo, mas ele sabe o que passa em sua alma e coração: ele se descobre gay. Leo passa as noites em chats gays e acaba conhecendo Felipe, por quem se apaixona. Mas ao reencontrar Caro, uma amiga de escola, Leo passa a encarar a vida de outra forma. Belamente interpretado, o filme começa muito bem, mas com a entrada de Caro, parece que estamos vendo um outro filme. A história do despertar sexual de Leo já daria um belo filme, mas com Caro, o tema diverge para a depressão. Delicado, dirigido com muita sensibilidade, e fotografia do craque Pedro Luque, fotógrafo uruguaio que anda fazendo carreira em Hollywood. Pena que o roteiro enverede por outro caminho. O desfecho deixou muita gente chateada.

Arábia

"Arábia", de João Dumans e Affonso Uchoa (2017) Escrito e dirigido pelos mineiros João Dumans é Affonso Uchoa, "Arábia" é um dos mais contundentes filmes sobre a solidão e sobre a luta do brasileiro pobre e anónimo para sobreviver no interior do Brasil. André é um adolescente que mora com seu irmão caçula em uma cidade próxima `a Ouro Preto. Seus pais viajaram `a trabalho e quase nunca aparecem. Eles moram próximos `a uma fábrica de alumínio, que espalha poluição nos arredores. Um dia, um funcionário da fábrica, Cristiano, se acidenta, e a tia de Andréa, que é enfermeira, pede para que ele vá na casa de Cristiano buscar roupas. André encontra um caderno com escritos e a partir daí, passamos a acompanhar a vida d[pregressa de Cristiano, e a sua luta para sobreviver: preso por consumir droga, quando solto, ele viaja pela estrada, em busca de trabalho. O filme, quase todo narrado em off por Cristiano, tem uma dimensão sobre a solidão que chega a incomodar e a machucar a alma. O ator Aristides de Sousa, que interpreta Cristiano, é um ex-presidiário de verdade. A sua presença na tela é magnética, e sua voz, invade nossos corações. O filme fala sobre luta, desilusão, esperança. Com um trabalho de Direção brilhante, com momentos de pura poesia, o filme provavelmente terá pouco impacto no espectador comum: o ritmo é bastante lento, e os planos são bem longos. Linda trilha sonora, nesse filme que venceu inúmeros prêmios no Festival de Brasília 2017 (Filme, Ator (Aristides), edição e trilha sonora.

Com amor, Simon

"Love, Simon", de Greg Berlanti (2018) Adaptação de um livro de título curiosíssimo, "Simon and the homo sapiens agenda", é um filme antenado com os novos tempos, a nova geração de jovens gays que saem do armário sem sofrerem o bullying que era comum há até pouco tempo, muito por conta das antigas gerações que abriram as portas para o novo "outing". E com certeza, o Cinema, a música pop e a literatura foram fundamentais para que isso acontecesse: O filme "Cabaret", Beyoncé, David Bowie e tantos outros ícones pop que pululam nas telas desse delicioso e divertido filme. Simon (O carismático Nick Robinson, de "Tudo e todas as coisas"), tem 18 anos e conta os dias para a sua formatura no colégio. Ele tem uma família exemplar: pais liberais (Jennifer Garner e Josh Duhamel) e uma irmã caçula de mente aberta. Seus amigos na escola o adoram. Mas Simon tem um segredo: ele é gay, e tem medo de se assumir. Até que um dia, um anónimo posta no blog do colégio sobre suas ânsias de ser gay e não poder se assumir. Simon se espelha nele e troca correspondência anônima com ele. Com um roteiro repleto de clichês do gênero adolescente em conflito ( Referencias a "Glee", "500 dias com ela", etc) , o filme cativa pelo olhar totalmente otimista sobre um tema que sempre foi tabu na rotina das pessoas. Aqui, quase todos são abertos ao outing, e por isso mesmo, o filme sofreu muito preconceito por conta de grupos de gays que acharam que o filme é muito "Disney" demais, sem discutir de forma realista a descoberta da homossexualidade. Uma bobagem, e no cinema, repleto de adolescentes, todos amaram o filme e a discussão que ele propõe. Katherine Langford, que protagonizou a série "13 reasons why", faz a melhor amiga de Simon, Leah. E curioso, o filme tem uma proposta semelhante a esse famoso seriado da Netflix: Afinal, quem é o anónimo "Blue"? Até o último minuto ficamos sem saber, e é isso que o filme faz bem, em manter nossa curiosidade.

sábado, 7 de abril de 2018

Eu consigo falar

"I can speak", de Kim Hyun Seok (2017) Uma das maiores bilheterias do cinema sul coreano de 2017, a comédia dramática "Eu consigo falar" é baseada na história da ativista sul coreana Lee Yong-soo. Ela foi uma das sobreviventes das chamadas "Mulheres do conforto", escrevas sexuais exploradas pelos japoneses durante a 2a guerra mundial. Ok-boon (Na Mun-hee, excelente e comovente) é uma idosa que vive anotando todo tipo de penalidade nas ruas para posteriormente reclamar no distrito da prefeitura. Ali, todos a temem. Um dia, ela conhece o novo funcionário Park Min Jae, um jovem que estudou nos Estados Unidos mas se sente culpado porque sua mãe morreu quando ele estudava lá fora. Por conta disso, ele se torna uma pessoas fria e sem emoção. A relação dos 2, que começa desgastada, vai se tornando afetiva, até que a idosa pede para que o jovem a ensine a falar inglês. O filme é muito longo e parece vários filmes em um só. Sao muitas histórias contadas, e que acabam se prejudicando, apesar da excelência do elenco. O filme começa como uma comédia de costumes, quase pastelão, e depois, se torna em um drama extremamente trágico. O humor nunca mais retorna. Fica-se a impressão de estarmos vendo um outro filme, que fala sobre suicídio, venda de crianças, pedofilia, mal de alzheimer, vítimas da guerra, irmãos que se separam, e tudo o mais que for possível para extrair lágrimas do espectador. O filme vale pelo elenco e por trazer ` tona o tema das "Mulheres do conforto", que visto hoje em dia, em tempos de abuso sexual, parece bastante oportuno. Mas a embalagem para se vender esse filme veio errada. Ou certa, quem sabe, afinal, o filme arrebentou nas bilheterias.

You Were Never Really Here

"You Were Never Really Here", de Linney Ramsey (2018) Extraordinário trhiller, uma mescla fabulosa de "Drive", "Taxi driver" e "Hardcore: o mundo do sexo", 3 grandes obras-primas do cinema. Linney Ramsey, realizadora do tenso "Precisamos falar sobre Kevin", adaptou o livro de Jonathan Ames e escreveu o roteiro. Com direção primorosa e atuação brilhante de Joaquim Phoenix, o filme arrebatou em Cannes os Prêmios de Melhor ator e roteiro. Joaquin Phoenix é Joe, um ex-combatente da Guerra do Golfo e que se encontra cheio de paranóias e visões traumáticas da guerra. ele mora com sua mãe que também é doente mental. Joe trabalha como um detetive em busca de garotas raptadas/traficadas, e usa de métodos brutais para fazer o resgate. Um dia, ele recebe uma encomenda: resgatar a filha perdida de um Senador. Com um roteiro realmente foda, que homenageia todos os filmes citados, "You Were Never Really Here" é maravilhoso em todos os níveis. Cenas muito bem orquestradas, fotografia estilizada, atores maravilhoso e uma cena antológica: Joe ao lado de um agente moribundo, prestes a morrer, cantando o clássico "Never been to me", de Charlene. Absolutamente imperdível.

Marcha elétrica

"Kapgang", de Niels Arden Oplev (2017) Lindo drama dinamarquês, sobre a descoberta da sexualidade de Martin, um menino de 14 anos no início dos anos 70, quando a liberdade sexual explodia no mundo. Na época, os filmes pornos começaram a surgir no País, e essa influencia gerou repercussão na vida das crianças e adolescentes. Martin, ao sair da escola, descobriu que sua mae acabou de falecer. seu pai, inconsolável, se joga nos braços da cabeleireira da cidade. O irmão mais velho de Martin entra em um processo de depressão. Em luto, Martin ainda sofre por conta de sua sexualidade: ele é apaixonado pelo seu melhor amigo, Kim. Mas para não levantar suspeitas, namora Kristine. O filme é praticamente uma versão Lgbts do cult "Minha vida de cachorro". A perda da mãe, a descoberta da sexualidade, tudo está ali presente. Na trilha sonora, toca no prólogo "love hurts", jea para dar o tom do filme. Bem dirigido, com ótimas atuações do elenco, principalmente de Villads Bøye, no difícil papel principal. O filme apresenta uma das mais lindas cenas de amor entre 2 meninos que já assisti.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Um lugar silencioso

"A quiet place", de John Krasisnki (2018) O Ator e Cineasta John Krasisnki era daquelas figuras do meio independente americano que se sobressaiu muito por conta de seu excelente personagem no seriado de sucesso "The office", e pro ter se casado com a grande estrela Emily Blunt. eu sou totalmente apaixonado por uma comédia romântica dirigida por Sam Mendes, chamada "Distante nós vamos", que infelizmente pouca gente viu. John está carismático, sensível, divertido, o tipo de amigo que queremos pra vida. Com esse background no humor, ninguém poderia imaginar que Krasisnki fosse realizar um dos melhores filmes de terror recente, dono de um domínio cinematográfico impecável, mesmo que chupando referencias de "Alien", "Jurassic park" e O iluminado". Mas nada disso importa, pois os cinéfilos amam ver uma referencia. O filme é sensacional! O roteiro é bem simples: o mundo foi dizimado por criaturas que devoram tudo que produza som. A família Abbot consiste em pais e 3 filhos, que precisam aprender a sobreviver no silencio, sem fazer som. Mas Evelyn está grávida, e o parto iminente poderá acarretar consequências desastrosas. Com muitas cenas antológicas e um trabalho impecável de edição e mixagem de som, o filme assusta pela ausência de ruídos, que quando surgem, provocam o terror mais absurdo possível. Krasiski foi na escola de Spielberg e resolveu mostrar o monstro aos poucos, apenas sugerindo a sua presença. Os atores estão formidáveis: Krasisnki, Emily Blunt, que protagoniza uma cena de forte impacto e as 2 crianças: a menina Millicent Simmonds (Surda de verdade, e protagonista de "Sem fôlego", de Todd Haynes, onde interpreta uma surda), e Noah Jupe, o menino fofo de "Extraordinário" e "Suburbicon". O filme lembra o recente "Ao cair da noite", com Joel Edgerton, só que aqui, o filme investe bastante nas cenas de acao, enquanto o outro ficou mais na atmosfera. Imperdível!

A montanha dos canibais

"La montagna del dio cannibale ", de Sergio Martino (1978) Um verdadeiro clássico do Cinema exploitation italiano dos anos 70, que já rendeu obras-primas do gênero como "Canibal Holocausto" e "Canibal Ferox". Só que aqui, além da violência gore e das cenas reais de mortes de animais, acrescenta-se a nudez total de Ursula Andress, a primeira Bond girl do Cinema, e cenas explícitas de sexo, incluindo uma masturbação e uma cena bizarra onde um canibal trepa com um porco gigante. Obviamente, esse não é um filme para qualquer um. Cinéfilos que curtem um Filme trash repleto de cenas mal feitas e muita tosquice, irão vibrar aqui. Ainda mais quando o filme é uma espécie de Indiana Jones dos pobres. Dois irmãos, Susan (Andress) e Arthur, seguem para Londres para tentar descobrir o paradeiro do marido de Susan, um explorador que desapareceu em Nova Guiné. O governo se recusa a ajudar, com o argumento que o marido de Susan explorou terras inóspitas. Os 2 resolvem seguir sozinhos, acompanhados de um explorador que deseja reencontrar seu pai que desapareceu há anos. Eles acabam chegando em uma Ilha onde uma tribo canibal está doida para devorá-los. Cult até a última medula, com Ursula Andress em cenas inacreditáveis ( or ex, ela enrolada em uma gigantesca sucuri real, ou sendo lambuzada por duas canibais safadas). Tem até um canibal anão! eu me diverti bastante, e quem aprecia esse gênero, não deve perder de forma alguma!

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Eu amo vocês dois

"I love you both", de Doug Archibald (2016) O Ator, roteirista, Cineasta e produtor americano Doug Archibald claramente queria ser o Xavier Dolan americano. Junto de sua irmã Kristiin Archibald, eles escreveram a história de 2 irmãos gêmeos que são unha e carne, que se apaixonam pelo mesmo rapaz, Andy, que é bissexual. essa mesma história foi contada no ótimo "Amores imaginários", de Dolan. As mesmas cores, fortes, a estilização, o olhar rebelde sobre o mundo que os rodeia. Donny (Doug Archibald) é um jovem músico, que sonha em fazer turnês, mas o máximo que consegue para sobreviver é dar aulas de piano para crianças. Sua irmã, Krystal (Kristin), trabalha em uma empresa de softwares e está triste pelo fim do namoro com Scott. Quando Andy entra em suas vidas os irmãos passam a competir por algo pela primeira vez na vida. O filme é até simpático, mas o Diretor Doug não tem mão para a comédia, e o Ator não tem talento para segurar o protagonismo de um filme. Falta-lhe carisma. Com um outro ator, o filme poderia ter tido mais possibilidades. eles inclusive escalaram a própria mãe para interpretar a...mãe deles no filme! Faltou mais ritmo e mais delicadeza no filme. Talvez pela falta de experiência e pelo olho grande de Doug em querer fazer de tudo. No próximo provavelmente ele virá com mais firmeza. Essa é a maldição do jovem ator que quer ser auto-dependente e fazer de tudo no seu projeto. Mas precisa ter dscernimento que no primeiro trabalho, é melhor focar em apenas uma função, para não se atropelar.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Parting glances: Olhares de despedida

"Parting glances", de Bill Sherwood (1986) Cult do Cinema independente americano Lgbts, "Olhares de despedida" é considerado o 1o filme a tratar do tema da Aids, em pleno auge do surgimento do vírus. Rodado em 1984, o filme foi lançado em 186, 3 anos antes de "Meu querido companheiro", considerado o grande filme sobre portadores de Hiv e suas consequências. O cineasta e roteirista Bill Sherwood viria a falecer da doença em 1990. O filme é um retrato dramático e `as vezes humorado de jovens cidadoas nova iorquinos: gays, bissexuais, simpatizantes. O casal gay Michael e Robert moram juntos e aparentemente felizes. No entanto, Michael foi transferido para passar 2 anos na Africa. O filme acompanha 2 dias na vida do casal, e as suas relações com amigos e com Nick, ex-namorado de Robert. Nick (interpretado por um jovem Steve Buscemi), é soropositivo, e acredita que irá morrer em breve. Robert ainda sente carinho por ele, o que provoca ciúmes em Michael. O filme tem um roteiro simples, que privilegia pequenos fatos na vida das pessoas. Rodado de forma totalmente independente, o que significa falhas técnicas na fotografia e edição, o filme ganhou um prêmio especial no Festival de Sundance. Para quem curte um cinema naturalista como o de John Cassavettes, vai curtir bastante esse filme, que se dá ao direito de brincar com o lúdico e a magia e algumas cenas principalmente, as de devaneios de Nick. Um grande documento histórico de uma época, é um filme importante, mesmo que não seja brilhante em sua execução. Trilha sonora ao som de Jimmy Sommerville, na época, do duo "Bronski Beat".

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Game over, man!

"Game over, man!", de Kyle Newacheck (2018) Comédia de ação muito tosca, que parodia "Duro de matar". O roteiro, os 3 protagonistas, longe de serem engraçados, a falta de ritmo, as piadas chulas ( um exemplo: cortar o pau de alguém e depois esse mesmo pau ser usado como arma 1 hora depois)...o pior, é que um filme desses deveria ser voltado para o público adolescente, mas a extrema violência das cenas (mesmo que em tom de humor negro) e os closes em penis o tornam proibitivo. 3 amigos trabalham como camareiros em um Hotel de luxo, aonde acontecerá uma convenção na noite. O homenageado é um bilionário metido `a besta. Os amigos conseguem chegar no ricaço e lhe pedem uma ajuda financeira para que eles lancem um video game. Mas um grupo terrorista invade o hotel para sequestrar o homem, e resta aos 3 amigos salvarem a todos os reféns. Incrível como a Netflix tem realizado filmes com tão baixa qualidade. Esse aqui só serve para quem quer assistir algo bem ruim, por total falta de opção.

domingo, 1 de abril de 2018

A fabulosa história do Cinema gay

"Fabulous! The Story of Queer Cinema", de Lisa Ades e Lesli Klainberg (2006) Documentário sobre o Cinema de temática Lgbts nos Estados Unidos, desde sua aparição no início do século XX até o ano de 2006, quando surgiu o grande sucesso "O segredo de Brokeback Mountain". O filme, de 80 minutos, faz um resumo sobre a "saída do armário" dos filmes voltados para o público gay. O primeiro filme retratado é "Fireworks", de Kenneth Anger, de 1947, lançado numa época onde o Código de censura nos Estados Unidos estava em plena atividade, proibindo filmes de temática homossexual. Os filmes geralmente eram experimentais. Nos anos 60 vieram os filmes lésbicos voltados para o público masculino, depois Hollywood tentou lançar filmes para o público gay, como "Fazendo amor". mas a comunidade esnobou o filme, pois os atores principais eram heteros. O filme é excelente como base para entender como o cinema independente dos anos 90 foi fundamental para o surgimento do que se chamou de "New queer cinema", através dos filmes de Todd Haynes, Gus Van Sant, Angela Robinson, etc. O filme traz ótimos depoimentos de cineastas, atores, roteiristas, sobre como eles ajudaram a impulsionar os filmes. Fala também da dificuldade de mercado, do preconceito da comunidade com atores heteros que interpretam gays, o estereótipo. Na reta final, essa mesma turma reclama dos atores heteros que querem interpretar gays porque geralmente ganham prêmios, quando nos anos 70 e 80 eles recusavam interpretar , achando que iria queimar o filme deles. https://www.youtube.com/watch?v=beo4I6DmuuY

Jogador no 01

"Ready player one", de Steven Spielberg (2018) Baseado no livro de Ernest Cline, que também escreveu o roteiro, "Jogador No 01" é um Spielberg que a gente sempre amou assistir desde crianças. Aventura escapista, repleta de ótimos efeitos especiais, personagens carismáticos e como todo bom filme, a gente torce bastante por eles. Não li o livro, e fico curioso se todas as referencias de múcia pop dos anos 70 e 80 ( A-Ha, Tears for Fears, Van Halen, New Order, Bee Gees, etc) e de filmes (Boneco assassino, O Iluminado, "Os fantasmas se divertem, Jurassic Park, King Kong, etc) estão na escrita, ou se foram ideia de Spielberg. A sequencia que homenageia "O iluminado", particularmente, é uma obra-prima de realização. Que idéia extraordinária!!! O elenco todo está maravilhoso: Tye Sheridan, Mark Rylance, Olivia Cooke, Ben Mendelsohn, Lena Waithe, Simon Pegg, etc, não tem um Ator desperdiçado! Pipoca da melhor qualidade, com ritmo frenético do início ao fim, uma festa para cinéfilos. Efeitos de alta qualidade. Para a galera que redescobriu o vintage dos anos 70 e 80 através do seriado "Stranger things", o filme será uma festa! A mensagem do filme é de certa forma bastante ingênua, mas o filme entretém tanto que a gente nem liga pra xaropada final.

Uma dobra no tempo

'A wrinkle in time", de Ava Duverney (2018) A cineasta Ava Duverney, abraçada pelos críticos mundo afora por conta do documentário "13th" e do drama "Selma", sobre a marcha de Martin Luther King, agora experimenta o gosto do fracasso. Sua fantasia, "A dobra do tempo", baseada no livro de Madeleine L'Engle, é um grande equívoco. Atores de calibre como Chris Pine e Reese Winterspoon, estão aquém de suas possibilidades. Reese ainda se esconde atrás de uma pavorosa caracterização, mesma coisa Oprah Winfrey e Mindy Kaling. Os figurinos, penteados e maquiagem das 3 senhoras da Luz, são das cosias mais pavorosas que vi em muito tempo. O da Oprah, ganha fácil a pior de todos os tempos, incluindo a horrorosa peruca loira. E mais: Porque Oprah precisa ser um Ser gigante? Megalomania? A história lembra bastante "A história sem fim", adicionando elementos de física quântica e viagem ao tempo. Meg é uma menina que mora com sua mãe e seu irmão caçula. Seu pai, um cientista (Chris Pine), desapareceu há 4 anos sem deixar vestígios. Na escola, os irmãos sofrem bullying, pois os outros alunos acham que o pai fugiu com uma amante. Um dia, 3 mulheres misteriosas convidam Meg e seu irmão para uma viagem para uma outra dimensão, com a chance de poder encontrar o paradeiro do pai de Meg. O roteiro e os diálogos do filme são muito fracos e repletos de frases de efeito e construtivas. Não entendo porque o pai e o peguete de Meg são brancos. Também não entendo porque Oprah usa peruca loira. Ava, militante ferrenha do movimento de consciência negra, não poderia ter deixado isso passar em branco. O filme não emociona, e pior, fica um híbrido sem liga de um drama realista sobre uma família desestruturada pela ausência do pai, e uma fantasia que nunca provoca qualquer tipo de encantamento. A Disney deveria ter lançado esse filme direto em dvd ou em streaming. Ou quem sabe, ter vendido pra Netflix, que ultimamente tem investido em compras de filmes fadados ao fracasso.

sábado, 31 de março de 2018

Nunca estará sozinho

"Nunca vas a estar solo", de Alex Anwandter (2016) Filme chileno premiado com o Teddy no Festival de Berlin ( destinado a filmes com temática Lgbts). O cineasta Alex Anwandter estréia no cinema escrevendo, dirigindo, produzindo e compondo a trilha sonora. Famoso como cantor de eletropop, ele comanda uma história sobre homofobia, baseado no caso real do jovem Daniel Zamudio, assassinado por um grupo de neo-nazistas em Santiago, no ano de 2012. Pablo mora com seu pai, Juan (Sergio Hernández, de "Gloria"). Juan trabalha como gerente de uma fábrica de manequins e deseja abrir seu próprio negócio. Pablo trabalha de noite como drag queen em boites. Pablo namora Felix, um garoto que faz parte de um grupo neo-nazistas. Um dia, Pablo é atacado na rua, e ao pedir ajuda para Felix, esse lhe desfere um golpe violento, temendo que seus amigos descubram que ele tem caso com Pablo. Pablo entra em coma, e Juan se endivida para pagar os custos do hospital e das cirurgias. Ele procura por justiça, mas a dura realidade o impedirá de alcançar seus objetivos. Denso e dramático, esse filme é uma porrada. O filme não faz concessões. A cena do ataque é bem violenta e angustiante. Sergio Hernandez está excelente, em sua via crucis por justiça. Não esperem um "Desejo de matar". O filme incomoda por conta da fragilidade da justiça, que nada faz para sair do lugar, e apresenta o cidadão inerte, de mãos atadas. As cenas de sexo são ousadas e frias. Andrew Bargsted, no papel de Pablo, também está ótimo. A primeira metade do filme é com ele, e a 2a , acompanhamos o seu pai. Filme não recomendado para pessoas sensíveis.

C'est l'amour

"C'est l'amour", de Paul Vecchiali (2015) O Cineasta francês Robert Bresson fez escola com o seu método anti-naturalista. O seu conceito de Ator-modelo até hoje é influencia para cineastas como Aki Kaurismaki, Eugene Green e Paul Vecchiali. Em "C'est l'amour", Vecchiali, que também escreveu o roteiro e atua no filme, quer falar sobre o amor. Mas um amor sofrido, daqueles que fazem a pessoa querer se matar pela impossibilidade de poder amar. Só que esse melodrama é visto em atuações frias, sem emoção, como mandava a cartilha de Bresson. Para espectadores que não conhecem esse método, com certeza estranharão o filme. Odile e Jean são casados. No entanto, ela desconfia de que ele a trai. Com um sentimento de vingança, ela o trai com um ator gay, Daniel, em conflito com sua profissão e que mora com um homem mais velho, que ele conheceu em um ambiente de pegação. Odile e Daniel não poderiam imaginar que dessa relação, surgisse uma historia de amor auto-destrutiva. O filme começa e termina com a mesma cena, Daniel indo embora. Paul Vecchiali quer narrar para o espectador uma história inusitada, com conceito narrativo muito exótico. Por exemplo, vemos a mesma cena sendo vista 2 vezes seguida, sendo que da 1a vez, a câmera está no marido, e na 2a vez, vemos a esposa. O filme provavelmente será apreciado somente por cinéfilos, e mesmo assim, com ressalvas.

sexta-feira, 30 de março de 2018

O autor

"El autor", de Manuel Martín Cuenca (2017) Ganhador de vários prêmios internacionais, entre eles, Melhor ator (Javier Gutierrez) e atriz coadjuvante (Adelia Calvo), "O autor" é um excelente drama espanhol, com doses de humor negro. Sua trama, diabólica, é muito bem armada, com reviravolta surpreendente no fim. Alvaro (Javier Gutiérrez, brilhante) é o típico looser: trabalha como contador, sua esposa lança um livro, faz sucesso e depois o trai. Seu sonho é se tornar também um escritor de sucesso. Para isso, ele frequenta um curso de roteiro e seu professor Antonio de la Torre, maravilhoso) , o sugere para que observe a vida de estranhos e se inspire neles. Alvaro se muda para um prédio e passa a manipular a vida de alguns moradores, para escrever um romance em cima de suas vidas. O filme tem uma premissa muito semelhante a "The following", de Christopher Nolan, mas o desenvolvimento aqui vai por caminho diferente. E' um drama muito bem dirigido, e fosse em outros tempos, poderia perfeitamente ser um filme de Hitchcock.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Marica tú

"Marica tú", de Ismael Núñez (2017) Adaptação cinematográfica de uma Grapich novel espanhola de grande sucesso, "Marica tú" é um relato autobiográfico do escritor dos quadrinhos, Julián Almazán. Aos 30 anos, Julián, gay assumido, se mostra deprimido com o fim do relacionamento de 4 anos com Carlos. Para sanar a solidão, ele recorre ao Grindr, aplicativo de pegação. No entanto, entre muitas trepadas, a presença de Carlos mostra-se cada vez mais forte. "Maricatú" lembra esteticamente os primeiros filmes de Almodovar. Divertido, inconsequente, com personagens carismáticos, o filme apresenta de forma realista a rotina de jovens gays na sociedade de Madri. Ao som de muita música eletrônica, baladas, referencia ao universo Pop, os personagens procuram encontrar um sentido para as suas vidas, escondidas através da falsa ilusão de que o sexo é a resposta para todos os problemas. Apresentando um universo hedonista, o filme foi realizado com muito pouco dinheiro. O elenco é bastante eficiente, e as cenas de sexo, apesar de não explicitas, são bem calientes. O título se refere `a uma paródia que uma dupla de humoristas fez com o mega sucesso pop grego "Dragostin din tei", que no Brasil, teve a versão de Latino, "Festa do ape".

quarta-feira, 28 de março de 2018

Algo muito natural

"A very natural thing", de Christopher Larkin (1974) Um verdadeiro cult do Cinema independente Lgbts americano, realizado em 1973, o filme provocou bastante polemica na época do seu lançamento e ainda hoje, é um filme escandaloso, por fazer um retrato nu e cru da vida sexual dos gays em Nova York. Um importante documento histórico sobre a vida cultural e sexual americana do início dos anos 70, o filme foi todo realizado em locações e filmado em points famosos da cidade. Antes da Aids, o apetite sexual era descomunal: saunas gays, pegação em praças, ruas, etc. O filme foi todo filmado como um documentário, inclusive com depoimentos de gays dando seu parecer sobre a homossexualidade e liberdade sexual. Em determinado momento, aparece um letreiro de um cinema, onde está passando o clássico "Um homem, uma mulher", de Claude Lelouch. Com certeza, foi uma referencia proposital, pois em "Algo muito natural", acompanhamos a rotina da vida de um casal: David e Mark. David, um ex-monge, agora professor, conhece Mark em uma balada. Após a primeira noite, eles se apaixonam e decidem morar juntos. Porém, Mark tem vício em sexo e não quer se ater a uma relação monogâmica, ao contrário de David. Com muitas cenas de sexo, nudez frontal e orgias ( realmente chocantes), o filme pretende ser um romance, e até hoje, é considerado o primeiro filme que discutiu abertamente um relacionamento gay de forma realista.

Esse não é um filme de Cowboys

"Ce n'est pas un film de cow-boys", de Benjamin Parent (2012) Super premiado curta francês, de temática Lgbts, que ganhou entre eles, Melhor curta em Cannes em 2012. Em um colégio, 2 rapazes e 2 meninas conversam, cada um em seu banheiro, sobre o filme que assistiram em casa na véspera: "O segredo de Brokeback mountain". Durante a conversa, eles falam sobre homofobia, descoberta da sexualidade, saída do armário, amizade e claro, cinema. Com ótimos diálogos e excelente atuação dos 4 atores, entre eles, o conhecido ator Finnegan Oldfield. Uma prova de que é possível fazer um filme barato apenas com um bom roteiro e diálogos primorosos.

Arritmia

"Arritmyia", de Boris Khlebnikov (2017) Vencedor de vários prêmios internacionais, esse belo drama russo lembra bastante o Cinema dos Irmãos Dardenne. Com temática humanista, câmera colada nos personagens que lutam para sobreviver na difícil rotina de uma grande metrópole, e um olhar documental sobre tudo e todos, o filme tem como tema uma história de amor, pessoal e profissional. O jovem casal Katya e Oleg trabalham no mesmo hospital. Classe média, ela é cirurgia, ele um paramédico de ambulatório. Oleg vive reclamando das condições médicas e de equipamento do hospital aonde trabalha. Envolvido com o seu trabalho, ele faz de tudo para atender aos seus pacientes, apesar de não tem autoridade para atuar como um médico. Oleg e Katya dividem um pequeno apartamento. Katya se incomoda com Oleg, pois ele se envolve demais com a dura realidade de seus pacientes e ela pede que ele se envolva menos. isso afeta a relação do casal, até que Katya pede para se separar. Oleg fica dividido entre o amor `a profissão ou a Katya. Com ótima performance do casal principal de atores, o filme faz um registro cru e frio do dia a dia em casa e no trabalho. Os pacientes registrados , de classe média baixa, tem todas as características de um descaso social por parte do governo: falta de assistência social, remédios, atendimento precário, engarrafamentos que atrasam as ambulâncias que poderiam salvar vidas. E' um filme contundente, de ritmo lento, com uma olhar naturalista sobre essas pessoas que lutam por dignidade.

terça-feira, 27 de março de 2018

Estávamos aqui

"We were here", de David Weissman e Bill Weber (2011) Premiado documentário sobre a epidemia da Aids em San Francisco, através de depoimentos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas desde o surgimento do vírus em 1981. O filme começa mostrando as maravilhas de San Francisco nos anos 70, e a grande migração de pessoas que foram morar lá, em busca de uma vida mais livre. A fama da Rua Castro, as flores, o movimento hippie, o surgimento das grandes comunidades gays, até o assassinato do ativista gay Harvey Milk. O filme apresenta as saunas como as grandes propagadoras do vírus, por conta da grande atividade sexual que acontecia lá dentro. Como filme, o documentário é bastante didático, mas o que faz valer a pena assistir é o grande acervo de fotos e imagens de época, em sua grande maioria chocante, mostrando pacientes com sarcomas de karposi, debilitados, moribundos. Um filme angustiante e revelador.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Os 3 porquinhos - Parte 2

"The 3 L'il Pigs 2", de Jean-François Pouliot (2016) Continuação de uma comédia canadense de grande sucesso, lançada em 2007. Quase 10 anos depois, acompanhamos as peripécias de 3 irmãos: Remy, o bem sucedido financeiramente da família, mas que descobre a sua homossexualidade. Mathieu, que não consegue mais ter relações com sua esposa, mas durante um acidente, se sente atraído pela sua enfermeira sessentona. E Christian, o mais sedutor dos 3, que mantém relações com Dominique, esposa de Remy. Essa continuação aposta bastante no romantismo, e no vaudeville, através de várias situações de traição entre todos os casais. Com um elenco carismático e um roteiro repleto de clichês, o filme é ousado nas cenas de sexo, lembrando as comédias maliciosas do Cineasta italiano Dino Risi, porém com nudez.

domingo, 25 de março de 2018

Roxanne Roxanne

"Roxanne Roxanne", de Michael Larnell (2017) Escrito e dirigido por Michael Larnell, "Roxanne Roxanne" é a cinebiografia da rapper Roxanne Shanté, interpretada ferozmente por Chanté Adams, que ganhou um Premio especial em Sundance por sua performance matadora. Além dela, brilham Nia Long, no papel de sua mãe alcoólatra Peggy, e Mahershala Ali (ganhador do Oscar por "Moonlight"), no papel do marido abusivo de Shanté. Ambientado nos anos 80, quando Shanté tinha 14 anos e começou a fazer seus registros de rapper, quando a voz feminina ainda era novidade no gênero. Nascida no Queens, Shanté acompanhou desde criança a pobreza e abuso masculino dentro de casa. O filme lembra "Preciosa" e "Patty cake", este último fotografado pelo mesmo fotógrafo Federico Cesca. O filme investe mais no drama de Shanté e de sua mãe, mostrando o abuso da violência domestica, assim como na biografia de "Tina Turner". Para quem for assistir ao filme esperando ver um musical, vai se decepcionar. O filme apresenta pouca música e muito drama. Vale pelo trabalho brilhante dos atores.

O último terno

"El último traje", de Pablo Solarz (2017) Comovente melodrama argentino, escrito e dirigido por Pablo Solarz, roteirista da comédia de sucesso "Um namorado para a minha mulher". Com pitadas de humor, o filme tem como protagonista Abraham Bursztein (formidável), um idoso de 88 anos, que fugiu da Polônia durante a 2a guerra e se refugiou em Buenos Aires. Ranzinza e com péssimo relacionamento com suas filhas e netos, que vendem sua casa e querem colocá-lo em um asilo, Abraham foge para a Europa, com uma missão: reencontrar Piotrek, um amigo de adolescência a quem ele prometeu retornar. Um road movie típico, com os tradicionais personagens que cruzam o caminho de Abraham para ajudá-lo em sua empreitada, o filme vai retornando em flashbacks para contar o que ocorreu na adolescência de Abraham na Policia da 2a Guerra mundial. Com um excelente elenco de apoio, o filme exagera no melodrama, mas quem gosta de sentimentalismo, vai adorar. Bela direção, lindas locações. fotografia melancólica e um desfecho de arrancar lágrimas.

Maria Madalena

“Maria Magdalena”, de Garth Davis (2018) Curioso que quando “A última tentação de Cristo foi lançado”, houve uma celeuma que quase destruiu a carreira de Martin Scorsese. Em “Maria Madalena”, as polêmicas acerca da versão revisionista do Cineasta Garth Davis “do insosso “Lion”, passaram despercebidas. Maria Madalena é praticamente uma das primeiras feministas da história do mundo; ela está presente na Santa Ceia, e não fosse Pedro, a quem ela acusa de ter desvirtuado as mensagens de Jesus, talvez o catolicismo fosse diferente. Passei a vida toda vendo versões de filmes onde Maria Madalena era uma prostituta, e aqui, isso se quer é mencionado. Explico: houve uma revisão da Igreja Católica em relação à figura de Madalena, difamado por séculos pelo Papa Gregório Magnus no Século VI. Dois pontos negativos no filme: o ritmo é arrastado demais, quase soporífico. E a escalação de Joaquim Phoenix. Ninguém duvida de seu talento, brilhante em “O mestre”. Mas ele já tem idade superior aos 33 anos de Cristo, e a todo momento Phoenix parece que vai fazer alguma Metodologia para caras e bocas. Rooney Mara opta por um registro minimalista, e os outros atores tem poucos momentos em cena, como os talentosos Chiwatel Eijifor, como Pedro, e Tahar Rahin, como Judas totalmente sorridente. As maiores contribuições estão na fotografia soberba de Greig Fraser, de “Rogue one” e “ Lion”, e na trilha sonora.

Proud Mary - A profissional

"Proud Mary", de Babak Najafi (2018) Produzido e estrelado por Taraji P. Henson, que concorreu ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante por "Estrelas além do tempo", "Proud Mary" é praticamente um remake de "Gloria", clássico de John Cassavettes, e "O profissional", filme que lançou Natalie Portman. Taraji P. Henson interpreta Mary, uma assassina profissional adotada pelo Big Boss Benny (Danny Glover), um poderoso mafioso. Ao executar uma missão, matando um devedor, ela torna órfao um menino e desde então Mary se sente culpada. Um ano depois, esse menino, Danny (Jahi Di'Allo Winston, em ótima atuação), é adotado por um mafioso rival. Mary acaba adotando o menino, sem contar que foi ela quem matou o seu pai. Uma homenagem aos filmes Black exploitation dos anos 70, com um elenco majoritariamente negro, trilha funk e visual vintage, o filme cumpre sua função de entretenimento, e para quem foi fã de filmes como "Shaft" ou cults estrelados por Pam Grier, musa dos filmes do gênero (homenageada por Tarantino em "Jackie Brown"), existirá muitas razoes para curtir. Taraji P. Henson está carismática e posa de Diva o tempo todo, sempre fazendo caras e bocas divertidas. E claro, com os cabelos sempre penteados, mesmo em cenas de pancadaria. O curioso é a ficha técnica: O Diretor Babak Najafi é iraniano, criado na Suécia, e lá, ele dirigiu o belo "Sebbe", um drama sobre uma difícil relação entre mãe e filho, vencedor de vários premios internacionais.

sábado, 24 de março de 2018

"I kill giants", de Anders Walter (2017) Baseado na Graphic novel de Joe Kelly, publicada em 2008, "Eu mato gigantes" não é, como faz acreditar o Poster e o trailer, um filme de ação e aventura com monstros gigantes. E' um drama bastante triste, naquela linha de botar o protagonista no mundo de magia para fugir de sua realidade, assim como em "Sete minutos depois da meia noite", "Almas gêmeas", "Labirinto do Fauno" e "Ponte para Terabítia". Na verdade, o filme ´´praticamente um remake de "Sete minutos depois da meia noite", e quem gostou desse filme, vai adorar "Eu mato gigantes". Barbara (Madison Wolfe, ótima) é uma menina que sofre bullying na escola e vive com sua irmã mais velha (Imogen Poots) e um irmão alienado em games. Ela avisa a todos que um Monstro gigante está vindo para destruir tudo, e para isso, ela planta armadilhas para ele. Ninguém acredita nela: a psicóloga da escola (Zoe Saldana) e uma nova aluna, Sophia, tentam ajudá-la. Mas Barbara cada vez mais se rebela ao ponto de todos acharem que o monstro está vindo de verdade. Lindo, com boas atuações, o filme é um melodrama fabulesco, na linha de "Big Fish", de Tom Burton, com um tom mais soturno. Tudo funciona a contento, apesar do roteiro caminhar para tramas paralelas que dispersam a atenção do espectador para um desfecho que traz uma grande revelação.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Sobrenatural" A última chave

"Insidious: The last key", de Adam Robitel (2017) 4o filme da franquia criada pelos australianos James Wan e Leigh Whannell, criadores também da franquia "Jogos mortais". O filme coloca como protagonista a personagem Elise (Lin Shaye, ótima), vista nos outros filmes em papel de coadjuvante, como a parapsicóloga que resolve casos de paranormalidade, junto de seus fiéis assistentes atrapalhados e nerds Specs (o roteirista Leigh Whannell) e Tucker. O filme começa com o flashback de Elise quando criança nos anos 50. Ela constantemente sofre bullying e violência doméstica de seu pai, pois ele não acredita que ela tenha um dom. Sua mãe acaba sendo morta por um espirito. Nos dias de hoje, Elise é chamada para um caso exatamente na casa aonde ele morou quando criança, e esse retorno trará de volta o espirito demoníaco que a persegue desde então. Com ótimos efeitos e boa coleção de sustos, bebendo na fonte de quase todos os filmes de casa mal assombrada, o filme diverte e cria uma atmosfera de suspense bem eficiente, com personagens bastante carismáticos. Patrick Wilson, que nos primeiros filmes da franquia interpretava um pai de família que chamava Elise, curiosamente inverteu o papel na franquia "Invocação do mal", também de James Wan, fazendo papel de um paranormal chamado para resolver casos.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Espaço negativo

"Negative space", de Ru Kuwahata e Max Porter (2017) Concorrente ao Oscar de melhor curta de animação em 2018 esse emocionante curta francês tem como tema a difícil relação entre pai e filho. O filme começa com o filho, jea adulto, fazendo suas malas para viajar. Ele se lembra de seu pai, que foi ausente a vida toda, pois constantemente viajava `a trabalho. Ele era sisudo e e introspectivo. A sua relação com seu filho se baseou nas malas que o filho fazia pro seu pai para ele viajar. Com apenas 5 minutos, o filme cativa com uma história triste e bastante dolorosa. A animação é simples, mas bastante criativa.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Holy Fuck

"Holy Fuck", de Chris Chalklen (2017) Premiado curta inglês, repleto de ironia e humor negro, nos moldes do grupo Monty Phyton. Parodiando a famosa cena do exorcismo do terror "O exorcista", acompanhamos um Padre exorcista que chega até uma casa. Lea ele é recebido por um mulher, que o encaminha até o quarto aonde seu marido está possuído pelo demônio. O filme brinca com o tom e o conceito da cena: existe uma intenção sexual no exorcismo, e é tudo visto como se fosse uma sedução entre uma prostituta e um cliente. As falas tem duplo sentido. Os atores estão hilários, e mesmo realizado com baixo orçamento, a criatividade do Diretor e do roteiro são suficientes para entreter o espectador.

Alexia

"Alexia", de Andrés Borghi (2013) Excelente curta de terror argentino, escrito e dirigido por Andrés Borghi, e claramente inspirado no cult japonês "Pulse". Em 9 minutos, Andrés Borghi conta a história de Franco, que está deprimido no dia do aniversário de sua ex-namorada, que se suicidou. Ele está sozinho em casa vendo a página de Facebook dela, e ao deletá-la, coisas estranhas passam a acontecer. Sem firulas, repleto de atmosfera, o filme diverte, mesmo que trabalhe em cima dos clichês do gênero. O filme venceu dezenas de prêmios internacionais. https://vimeo.com/116106651

terça-feira, 20 de março de 2018

Apenas amigos

"Gewoon Vrienden", de Ellen Smit (2017) Lindo drama romântico adolescente, sobre a saída do armário de Joris (Josha Stradowski), um jovem rebelde de classe média alta. Órfão de pai, ele vive `as turras com sua mãe, uma viciada em cirurgia plástica. E' com sua moderna avó que ele se dá bem. Um dia, ao visitar sua avó, ele conhece Yad ( Majd Mardo), um rapaz que está fazendo serviços domésticos para ela. Os 2 se apaixonam, mas estão em conflito com por conta das relaçoes com suas respectivas mães. O cineasta holandês Ellen Smit filma com muita delicadeza e elegância essa história de amor. O roteiro em si não traz muitas novidades ao tema, mas o carisma de todo o elenco, mais as lindas locações na Holanda e Amsterdã seduzem o espectador em momentos divertidos e românticos.

domingo, 18 de março de 2018

O monstro de Martfüi

"A martfüi rém ", de Árpád Sopsits (2016) Baseado na aterrorizante história real de um serial killer que estrangula, estupra e mata mulheres na pequena cidade de Martful, na Hungria, no período de 1957 a 1964. O filme tem muito da atmosfera de terror de "O silencio dos inocentes". Um inocente é acusado de ter assassinado uma mulher em 1957. 7 anos depois, outros crimes acontecem. A policia local abafa o caso, pois teme sofrer represálias por terem prendido o homem errado. O filme segue em 3 narrativas: a do inocente sofrendo bullying na prisão; a do assassino real; e a dos detetives, em busca do criminoso. Longo, o filme poderia ter 30 minutos a menos, e teria se tornado um pequeno clássico do gênero serial killer. Eu não o recomendo para pessoas sensíveis, pois o filme tem cenas chocantes de assassinato, estupro e necrofilia, incluindo a de uma menina menor de idade. Boa direção, bons atores e um final eletrizante e depressivo. O filme ganhou vários prêmios em Festivais internacionais.

A cordilheira

"La cordillera", de Santiago Mitre (2017) Diretor do polemico "Paulina", o Cineasta argentino Santiago Mitre novamente provoca em seu thriller político "A cordilheira", exibido em Competição no Festival de Cannes, na Mostra "Un certain regard". Trabalhando com Ricardo Darin, na pele do presidente argentino Hernán Blanco, e escalando sua parceira de vida e de trabalho Dolores Fonzi (protagonista de "Paulina", e aqui, interpretando a filha de Darin), o filme mescla trama política com suspense, ao gosto de "Quando fala o coração", de Hithcock, que lida com o tema da hipnose para relembrar traumas de infância. O filme discorre em duas narrativas distintas: Uma convenção de presidentes da America latina, localizada em um distante Hotel na Cordilheira do Chile, para discutir a criação de uma Multinacional do petróleo, que vai contra os interesses dos Estados Unidos. E a trama pessoal, que envolve a mentalmente perturbada Marina (Fonzi), que é levada para a convenção por seu pai, para que ela se afaste de seu ex-marido, que pelo visto tem segredos do passado do presidente argentino para revelar a todos. O filme vai numa narrativa que lembra muito o cinema de Costa Gavras e de Hitchcock. Com excelente diálogos e um elenco primoroso, o filme peca apenas pela narrativa lenta no primeiro ato. Um belo filme para se discutir ética profissional, e interesses que vão acima de qualquer tipo de caráter.

sábado, 17 de março de 2018

Putta

"Putta", de Lílian de Alcântara (2016) Documentário de conclusão do Curso de Audiovisual da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), o filme companha depoimentos de 3 prostitutas: a dona de um Bordel, Pantera; a travesti Diva Santos e a trans Xayenne Prado. Todas as 3 são moradoras de Foz do Iguaçu. Elas relatam dramas de abuso sexual, estupros, bullying, e a força que encontraram para poder sobreviver da prostituição. Elas não tem o menor pudor ou constrangimento em atuar na profissão. Bem resolvidas, lutam para continuar na pista. Pantera, por ex, hoje em dia e avó, e com o dinheiro do bordel que ela sustenta filhos e netos. O filme começa com um pequeno relato sobre a origem etimológica da palavra "putta", e depois, sobre o período fértil da prostituição na região por conta da construção da Usina de Itaipu, e a consequente migração para a região de serra Pelada e a decadência do local. Didático e sem grandes arroubos de criatividade, o filme se apoia totalmente nos depoimentos e no carisma das mulheres, principalmente de Diva, que é divertida na sua luta, mesmo em momentos de tragédia, ela encontra forcas para se levantar.

Ana, meu amor

"Ana, mon amour", de Cãlin Peter Netzer (2017) Dirigido e co-escrito pelo Cineasta romeno Cãlin Peter Netzer, realizador do excelente "Instinto materno", vencedor do Urso de Ouro em Berlin 2013. O filme acompanha durante 7 anos a relação de um jovem casal, estudantes que se conheceram na faculdade e que se apresentam discutindo fllosofia. Ana (Diana Cavaliotti) e Toma (Mircea Postelnicu) se apaixonam de imediato. Mas o espectador também entende de cara que Ana tem problemas de ataques de pânico, e vai cada vez mais se tornando uma mulher depressiva e dependente de Toma. O filme lembra bastante "Uma mulher sob influencia", de John Cassavettes, que retrata a vida de um casal e a deterioração mental da esposa, que sofre de depressão. O filme discute o relacionamento sob a ótica tanto da religião quanto da psicanálise, Os 2 personagens fazem terapias e pedem aconselhamento de um padre. O filme tem uma narrativa complexa, que apresenta 3 tempos: passado, presente e futuro. Com um trabalho formidável do casal principal, que remete a um naturalismo, não é um filme fácil de ser apreciado. Longo ( mais de 2 horas), depressivo e com uma cena de sexo explicito, é recomendado apenas para cinéfilos famintos por filme de arte.

sexta-feira, 16 de março de 2018

Eu não sou uma bruxa

"I'm not a witch", de Rungano Nyoni (2017) Escrito e dirigido pela Cineasta Rungano Nyoni, nascida em Zambia e criada na Inglaterra, "Eu não sou uma bruxa" venceu inúmeros prêmios internacionais. Rungano Nyoni pesquisou a tradição das feiticeiras em seu país. As mulheres acusadas de feitiçaria, são confinadas em um espaço, administrado pelo Governo, e aberto `a visitação de turistas, que tiram fotos. Elas ficam amarradas por uma fita branca, e segundo a lenda, se elas cortarem a fita para fugir, elas viram cabras. Shula, uma menina de 8 anos, é acusada por moradores de seu vilarejo de ser uma feiticeira. ela é levada ao campo, mas acaba sendo a favorita de um integrante do governo, que se aproveita dela para ganhar dinheiro, vendendo falsos dons místicos de Shula. em uma cena ao mesmo tempo divertida e contundente, em um programa de tv, ai vivo, o Homem vende ovos batizados por Shula. Dirigido com maestria por Rungano Nyoni, que teve seu filme exibido na Mostra "Camera D'or" em Cannes 2017, "Eu não sou uma bruxa" alia denúncia contra a sociedade machista e opressora na Zambia. As imagens das mulheres confinadas, amarradas e postas `a humilhação pública são chocantes. AO memo tempo, o filme trabalha com um humor irônico, defendido com maestria pelos atores que interpretam uma feiticeira casada e seu marido, o homem do governo. A pequena , no papel de Shula, está formidável com a sua inocência e olhar assustado. A presença onipresente da cultura estrangeira, através das músicas pop americanas, e referencias `a cantoras famosas, como Beyoncé, Rihanna, Niki Minnaj, ideal de beleza das mulheres negras em Zambia. A cena da cabeleireira colocando perucas nas feiticeiras é hilária e constrangedora pela situação inusitada. O filme é dos mais exóticos que assisti recentemente. Excelente fotografia e enquadramentos.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Tomb Raider: A origem

"Tomb Raider", de Roar Uthaug (2018) O cineasta norueguês, responsável pelos sucessos "Cold prey" e "A onda", ficou com a difícil missão de resgatar a protagonista do video game Lara Croft, já levado `as telas por Angelina Jolie. Protagonizado pela ótima atriz sueca Alicia Vikander, o filme, como qualquer adaptação de games para o Cinema, tem no seu roteiro o ponto mais fraco. evidentemente baseado em "Caçadores da arca perdida", o filme recupera o tom de filmes de ação e aventura escapista: a heroína leva saraivada de tiros e não é atingida; ela consegue escapar de uma queda na cachoeira de forma espetacular; ela leva porrada, facada, etc, e nunca se abala. Para quem quer se divertir em um pipoca sem pensar, esse filme pode divertir. Mas quem for ficar questionando tudo o tempo todo melhor ficar bem longe da sala de cinema. Por ex: como é que determinando personagem conseguiu sobreviver...enfim, deixa para lá. O filme antecipa os eventos do filme com Angelina Jolie: mostra Lara trabalhando de entregadora de comida, se sustentando de forma miserável em Londres. Ela é filha de um milionário misto de arqueólogo, que desapareceu. Se recusando a aceitara fortuna da família, ela acaba indo em uma pista para descobrir o paradeiro do pai, que talvez esteja em uma ilha misteriosa no Japão. Confesso que me diverti, mas o filme não se propõe a nada além disso.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Asa quebrada

"Ala rota", de Rodrigo Brevis Marqués (2018) Belo curta do cineasta chileno Rodrigo Brevis Marqués, que também escreveu o roteiro. O filme, de temática Lgbts, fala sobre homofobia. Em um dia de rotina do adolescente Gonzalo, gay assumido, ele se diverte com sua família, seus amigos, e se prepara para uma festa. Lá, ele bebe, usa drogas, discute com um ex-namorado. Até que encontra um rapaz desconhecido em sua casa. Seduzido pelo charme do rapaz, Gonzalo o beija. Mas não esperava que esse beijo poderia lhe trazer sérias consequências. Simples mas muito honesto na sua proposta, bem realizado, com atuações naturalistas, o filme impacta pelo seu desfecho. O filme discute a homofobia a partir dos personagens que não se aceitam, e vivem sob uma fachada moralista e violenta. Bela descoberta do Cinema gay chileno.

terça-feira, 13 de março de 2018

Aniquilação

"Annihilation", de Alex Garland (2018) Adaptado do livro de Jeff VanderMeer pelo próprio Cineasta Alex Garland, realizador da ficção cientifica "Ex-machina". em ambos os filmes, Alex Garland trabalha com o tema das cópias. Uma bióloga, Lena (Natalie Portman), está em luto pelo sumiço do seu marido, Kane (Oscar Isaac). Um ano depois, ele retorna misteriosamente. Logo, ele fica doente, e é levado para uma quarentena. Lena tenta descobrir o que aconteceu com Kane, e se depara com a psicóloga Ventress (Jennifer Jason Leigh). ela quer organizar uma expedição formada por mulheres, para entrar em uma zona chamada de "O brilho": vários voluntários entraram ali e nunca mais retornaram. O único que voltou foi Kane. Ao entrarem na zona, as mulheres descobrem um mundo mutante onde todos os seres se transmutam. Ficção científica cabeça, o filme chegou a ser lançado nos Eua e Canadá, mas acabou sendo distribuído mundialmente pela Netflix. Um mix de "Ghost busters", "A história sem fim", "Stalker", " Solaris", "A chegada" e tantas ficções que trabalham com o tema do metafísico e da descoberta de algum Ser Superior (Deus?), o filme deixa muitas pontas em aberto, e no desfecho, provavelmente, muita gente irá ficar irritada. Não fiquei fa do filme. Tem cenas interessantes, mas a mistura entre um filme filosófico e um filme que quer ser de ação, o deixou como o tema do filme: um Ser mutante, perdido nas suas intenções.

segunda-feira, 12 de março de 2018

A história oficial

"La historia oficial", de Luis Puenzo (1985) Vencedor do Oscar de Melhor filme estrangeiro em 1985, e da Palma de Ouro em Cannes de melhor atriz para Norma Aleandro, essa obra-prima argentina foi baseada no livro "No país do faz de conta". Rodado logo depois da queda do regime militar na Argentina, o filme narra o drama de Alicia (Aleandro), uma professora de história de classe média. Alienada de todo o contexto político que aconteceu nos porões da ditadura, Alícia é confrontada por seus alunos de esquerda. Casada com Roberto (Héctor Alterio), e pais adotivos da pequena Gaby. Quando sua amiga Ana (Chunchuna Villafañe) retorna do asilo político, Alicia passa a desconfiar que Gaby seja filha de pais assassinados pela ditadura. Com um roteiro brilhante, e atuações estupendas de todo o elenco, esse filme comoveu o mundo inteiro, com uma história forte e intensa. A Igreja católica ficou irritada com o filme, pois em uma famosa cena onde Alicia vai a um confessionário, fica claro que o Padre é omisso em relação aos crimes da ditadura. O filme é muito importante historicamente, e também, excelente oportunidade para ser visto e debatido. Muitas cenas antológicas, envolvendo verdadeiros monólogos de atores em estado de graça.

domingo, 11 de março de 2018

Outra história do mundo

"Otra historia del mundo", de Guillermo Casanova (2017) Co-produção Brasil/Uruguai, "Outra história do mundo" foi indicado pelo Uruguai `a uma vaga ao Oscar e ao Goya em 2018, mas não chegou `as finais. O filme é uma sátira política, muito comum na filmografia da America latina dos anos 70 e 80, descrevendo em forma de metáfora, uma crítica ao Governo local, repleto de corrupção, governantes déspotas e uma população pressionada pela falta de liberdade. Na fictícia cidade de Mosquito, vivem os amigos boêmios Milo (Roberto Suárez) e Esnal (César Troncoso). Quando o Coronel (Néstor Guzzini, de "Gigante"), se muda com sua família para c idade, ele impõe regras que afetam a vida da população, entre elas, que somente podem beber até as 22 horas. Os amigos resolvem pregar uma peca no Coronel, mas ele se vinga e prende Milo. Esnal e as filhas de Milo o procuram desesperadamente, pelos porões da ditadura, mas não o encontram. Esnal resolve voltar a lecionar na faculdade e ensinar aos jovens, através da fantasia, a se engajarem. Belamente fotografado pelo brasileiro Gustavo Hadba, o filme tem um primeiro ato e um desfecho brilhantes, mas seu miolo fica cansativo, por conta de uma edição um pouco arrastada. Mesmo assim, é um belo filme, muito bem dirigido e interpretado, que merece ser visto e discutido.

Desejo de matar

"Death wish", de Eli Roth (2018) Refilmagem do clássico cult de 1974, com Charles Bronson, essa nova versão tem Bruce Willis e como Diretor, o sanguinolento Eli Roth, de "O albergue". Chicago vive uma verdadeira onde de crimes. Paul Kersey (Willis) é um cirurgião ( na versão de Bronson, ele era arquiteto), casado com Lucy (Elisabeth Shue), pais da adolescente Jordan (Camila Morrone). Uma típica família feliz, até o dia que as duas sao assaltadas em casa por uma quadrilha e ficam entre a vida e a morte no hospital. Decidido a se vingar dos criminosos, Paul acaba ganhando a alcunha de "Anjo da Morte". O mote é o mesmo de qualquer filme de super herói, principalmente de "Spider man". A diferença é que aqui, a violência é explicita. Eli Roth não economizou no grafismo das mortes. Sao cabeças explodindo, e como Paul é cirurgião, imaginem o que ele faz com um bisturi. Eli Roth emula todo a atmosfera soturna e violenta do filme de Charles Bronson. E' um dos filmes mais politicamente incorretos que vi nos últimos anos: os criminosos são latinos, negros e orientais; as armas são vendidas como doces em lojas ( uma crítica de Roth feroz `a política de armamento americano); uma crítica ao universo da internet, que ensina a manusear armas, fabricar bombas, etc; e por último, o mote de que bandido bom é bandido morto. Paul não tem qualquer tipo de remorso. O filme é tenso, com cenas chocantes, mas que fará a platéia torcer pelos atos insanos do nosso herói. Em tempos de corrupção, todos serão `a favor de Paul. O filme tem uma bela participação de Vincente D'onofrio, como o irmão de Paul.

sábado, 10 de março de 2018

O jovem Torless

"Der junge Torless", de Volker Schlöndorff (1966) Adaptação do livro do austríaco Robert Musil, escrito em 1906, que relata as suas experiências em um colégio interno masculino. Lançado em 1966, o filme venceu o Premio Fipresci no Festival de Cannes, e é considerado um dos baluartes do Movimento do novo Cinema alemão, que lançou cineastas importantes como Fassbinder, Margareth Von Trotta, Win Wenders, entre outros. Ambientado em um colégio para homens na Austria pré Primeira Guerra Mundial, o filme acompanha Torless, um garoto classe média alta, e o seu relacionamento com professores e colegas de classe. Através de seu ponto de vista, ficamos sabendo que um de seus colegas, Bazini, foi pego em flagrante por 2 estudantes, roubado o dinheiro de um deles. Ao invés de denunciá-lo ao Diretor da escola, os 2 estudantes resolvem prender Bazini e torturá-lo no porão, sob o olhar atónito de Torless. O que ele não poderia imaginar, é que durante a sessão de tortura e estupro, ele pudesse sentir desejos pela violência infligida ao colega. Extremamente ousado para a sua época, tanto o livro quanto o filme chocaram pelo seu conteúdo homoerótico e violento, com uma tese muito semelhante ao que a ensaísta Hannah Arendt havia pregado em vários de seus livros, "A banalidade do mal". Uma metáfora precoce ( já que o livro foi escrito em 1906) sobre o surgimento da Alemanha nazista, justificando os atos de Hitler em prol de um País melhor, livre de assassinos, bandidos e homossexuais. Belas atuações do elenco jovem, boa parte não ator, com uma direção seca e narrativa fria conduzida com maestria por Volker Schlöndorff.

sexta-feira, 9 de março de 2018

I want your love

"I want your love", de Travis Mathews (2010) Escrito e dirigido pelo cineasta independente americano Travis Mathews, "I want your love" é um curta de conteúdo Lgbts e explícito. 2 amigos gays discutem sobre a possibilidade deles transarem pela 1a vez. Entre brincadeiras e discussão sobre quem fará o papel do ativo e do passivo, eles acabam transando apaixonadamente. Com atuação espontânea e ousada dos atores Jesse Metzger e Brenden Gregory, que fazem sexo real, é um filme despojado e que discute a amizade colorida de forma divertida, sexy e realista. Belo filme para se assistir com aquela pessoa que você está querendo um algo mais.

quinta-feira, 8 de março de 2018

A Garota Sem Mãos

"La jeune fille sans mains ", de Sébastien Laudenbach (2016) Belíssima animação francesa, vencedora de inúmeros prêmios internacionais, o filme é baseado em um conto dos irmãos Grimm. Um casal pobre de moleiros luta para sobreviver. Um dia, o homem se depara com um demônio, que propõe que ele troque um rio de ouro por uma macieira que o moleiro possui em seu pomar. Sem pensar duas vezes, o moleiro aceita a troca. Porém, ele não imaginou que a sua filha estivesse na macieira, e ela acaba sendo dada como troca. Como a menina se recusa a ir, o demônio pede para que o pai corte as suas mãos. Com traços totalmente minimalistas, o que mais me chamou a atenção nesse filme é o nível de crueldade existente na história. A jovem sofre bastante, e na sua trajetória ela sempre vai cada vez mais sendo ameaçada por quem a rodeia. Violento, definitivamente não é um filme para crianças. Experimental e com cores vibrantes que lembram um pouco o desenho japonês "O conto da princesa Kaguya", é um filme para ser visto pela sua ousadia, e que merece também ter seus temas discutidos. A dublagem do elenco francês, aliado `a linda trilha sonora, elevam esse filme a um nível de altíssima qualidade.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Operação Red Sparrow

"Red Sparrow", de Francis Lawrence (2018) Diretor de vários filmes de aao famosos, como "Eu sou a lenda", "Constantine" e "Jogos vorazes", Francis Lawrence repete sua parceria com Jennifer Lawrence, nessa adaptação do best seller de espionagem "Red Sparrow". O filme evoca aqueles filmes que remetiam `a Guerra Fria, na eterna luta entre Russia e Estados Unidos. Lembra muito também os recentes"Atômica", com Charlize Theron, e "Kingsman", sem o humor do filme inglês. Jennifer Lawrence interpreta Dominika, uma bailarina russa do Bolshoi. ela cuida de sua mãe enferma. Após um acidente durante uma apresentação, e impossibilitada de continuar dançando, Dominika encontra dificuldades financeiras. Seu tio Ivan (Matthias Schoenaerts), que trabalha para a espionagem Russa, propõe a ela que entre para a rede de espionagem Red Sparrow: jovens que seduzem seus alvos e se tornam máquinas assassinas. Sua missão: seduzir o agente da Cia Nash ( Joel Edgerton) e descobrir quem é o espião russo que está passando informações para os Eua. Com um elenco primoroso , que inclui Charlotte Rampling Jeremy Irons e Mary-Louise Parker, o filme tem várias polemicas: cenas de nudez frontal de Jennifer e de um rapaz; mulheres que usam seus corpos como armas de sedução; trazer `a tona o tema de que os russos são os vilões; e uma sequencia inteira coordenada por Charlotte Rampling, aplicando em seus alunos a teoria prática de que para seduzir os alvos, vale tudo: o corpo não pertence `a pessoa, mas ao Estado. Vale ser estuprado. O filme é longo, quase 2:20 horas. Mas confesso que me diverti. Tem cenas tensas, violentas Jennifer está ótima. Mas é um filme ousado, adulto. As cenas de ação são bem feitas, mas como eu disse, ele lida com um tema que com certeza incomodará `a muita gente. Nos tempos onde a mulher quer mandar em seu corpo e nas suas ações, talvez os "Red Sparrows" estejam fora de moda.

terça-feira, 6 de março de 2018

O desaparecimento de Sidney Hall

"The vanishing of Sidney Hall", de Shawn Christensen (2017) O jovem ator Logan Lerman tem seguido um caminho curioso na sua trajetória cinematográfica. Protagonista da franquia blockbuster "Percy Jackson", ultimamente ele tem investido em dramas autorais. "Indignação", e agora, "O desaparecimento de Sidney Hall", são filme onde Logan tenta provar a todos que ele pode ser um ator sério. ele já havia feito muito sucesso com o cult "As vantagens de ser invisível". Em "Sidney Hall", Logan também é produtor. O filme foi selecionado para Sundance em 2017. mas a grande dificuldade do filme, é conseguir segurar a atenção do espectador durante as quase duas horas de duração. O filme é narrado em 3 épocas distintas, na vida de Sidney Hall (Logan Lerman). Quando ele é um aluno do colégio, com ambição de ser um escritor e apaixonado pela vizinha que mora na frente de sua casa, Melody (Elle Fanning); jea adulto, como um escritor de sucesso e casado com Melody; e aos 30 anos, como um sem teto, vagando pelas estradas. Um detetive tenta buscar o paradeiro de Sidney, que desapareceu sem deixar vestígios. Assim, o filme vai sendo apresentado nas 3 narrativas, muito provavelmente para trazer ao espectador informações que culminem num desfecho elucidativo em relação ao destino de alguns personagens. E' difícil não pensar em J.D. Sallinger. Muito desse filme deve ao autor do clássico O apanhador do campo de centeio". Mas esse vai e vem temporal provoca tédio e muita confusão. Não é um filme fácil de acompanhar. "Manchester by the sea" tinha uma estrutura também desconstruída, mas o roteiro era brilhante. O elenco tem muitas participações de atores talentosos, mas infelizmente, a frieza narrativa deixa o espectador anestesiado.

segunda-feira, 5 de março de 2018

O Segredo de Marrowbone

"Marrowbone", de Sergio G. Sánchez (2017) Longa de estréia do roteirista espanhol Sergio G. Sánchez, mais famoso por ter escrito 2 grandes sucessos de J.A. Bayona, "O orfanato" e "O impossível". "O segredo de Marrowbone" lembra bastante 3 cults de terror: "Split", de Shayamalan, "O mensageiro do diabo" e "Todas as noites `as nove", de Jack Clayton. No ano de 1969, 4 irmãos se mudam com a mãe enferma deles para uma casa aonde a mãe morou há décadas atrás. Quando ela morre, os irmãos fazem um pacto: manter a morte dela em segredo para as outras pessoas, e que eles devem permanecer todos juntos. Mas o segredo surge: o pai deles, de quem eles estavam fugindo, surge para reaver um dinheiro que a mãe deles levou com ela. O elenco jovem do filme é formado por grandes talentos: George MacKay, de "Capitão Fantástico"; Charlie Heaton, de "Stranger things", Mia Goth, de "Ninfomaníaca", e Anya Taylor-Joy, de "Split" e "A bruxa". Bem dirigido, o filme peca pelo roteiro `as vezes confuso, atirando para todos os lados: ele quer apostar no drama, no romance e no terror. Deveria ter investido mais no suspense, aproveitando a deixa da casa mal assombrada. O filme tem problemas de ritmo, mas dá para assistir numa boa, apesar do desfecho meio bizarro.