segunda-feira, 10 de abril de 2017

A Família Dionti

"A família Dionti", de Alan Minas (2015) Escrito e dirigido por Alan Minas, estreando em longas, esse romance juvenil com tintas fabulescas passeia pelo universo do realismo fantástico, como se Gabriel Garcia Marques tivesse aportado na cidade mineira de Muriaé. eu chamei esse filme de "Michel Gondry mineirim" ao final da projeção, pois foi exatamente essa a sensação que tive. Corajoso, ainda mais em se tratando de um filme onde os efeitos visuais são importantíssimos ( e dentro de uma produção de baixo orçamento), " A família Dionti" pode sensibilizar espectadores nostálgicos, que buscam a sua infância perdida nos filmes. Se vai fazer sucesso junto do publico infantil, isso é uma grande questão. Assim como o Frances "O pequeno Nicolau", o filme fala melhor aos adultos, que cresceram assistindo a filmes de Mazzaropi, Os trapalhões, ao clássico "A dança dos bonecos" de Helvecio Ratton e as aventuras do Menino Maluquinho. Com muita imaginação, mas sem que os personagens se utilizem de tecnologia, o filme faz acreditar que basta sonhar que seremos mais felizes, podendo fazer o lado negro da vida menos triste. A família Dionti ( de ontem, e daí vem o caráter nostálgico da trama, apesar do filme se passar nos dias de hoje) é formado por pai e 2 filhos. Um de 15, e outro de 13 anos. A mãe, dizem, se "evaporou". Um dia, uma menina surge na escola: ela é filha de uma família de circo. A presença dela faz o menino de 13 anos se apaixonar, e portanto, vai literalmente " se derretendo". A direção de Alan Minas aposta na simplicidade, mesmo nos efeitos, para deixar tudo com um tom de infância, sem grande epopéia tecnológica. O ritmo do filme é lento, e os planos bem longos, comprometendo a dinâmica, o que pode afastar a criançada e tornando o filme com um olhar mais autoral. O filme teria ganho bem mais se tivesse apostado mais no lúdico e no fantástico desde o inicio, o que demora a acontecer na trama. Mas alguns momentos são de verdade bem poéticos e bonitos, como por ex, a menina narrando os personagens bizarros de sua família circense. Ao final do filme, fiquei pensando: cade o circo que nunca aparece? Prefiro pensar que era tudo imaginação. O filme ganhou o Premio de melhor filme do juri popular no Festival de Brasilia em 2015.

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