quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O primeiro que disse


" Mine vaganti/Loose cannons", de Ferzan Ozpetek (2010)

Comédia dramática, dirigida por um italiano descendente de turco.
A história gira em torno de Tommaso , jovem que decide voltar a Lecce, cidade de sua familia, para avisar a eles que é gay. Porem, no jantar, momento escolhido por ele para fazer o anúncio, perante toda a família, o seu irmão mais velho Antonio faz a revelação antes dele, dizendo que também é gay. Isso causa nessa conservadora família um rebuliço tão grande, que o pai tem um enfarto. Antes do enfarto, o pai revoltado, expulsa o filho de casa, renegando-o completamente. Assustado, Tommaso segura a onda, temendo pela saúde do pai. Tommaso é obrigado então a tomar conta da empresa da família, uma fábrica de massas. Comenta então com seu namorado, que mora em Roma, que os planos deles em conjunto deverão ter que aguardar, até a recuperação do pai.
Assim, Tommaso toma dianteira na fábrica, a contra-gosto, uma vez que seu sonho profissional é de ser escritor. Ele conhece Alba, a filha do sócio da empresa, que acaba virando sua confidente. Morando com a sua família , ele vai se inteirando da maluquice reinante. O espectador descobre que cada integrante da família possui um segredo, principalmente a avó. Em flashbacks, vemos o conflito dela, apaixonada pelo cunhado, mas obrigada a casar-se com o marido. Ela é a voz da razão, a única que sabia da homossexualidade dos netos. A sua generosidade e compreensão porém, não são suficientes para redimir o conservadorismo reinante.
As passagens mais engraçadas do filme se dão quando 4 amigos dele ( um deles é seu namorado) , todos gays, resolvem passar um dia na cada da família. Porém, precisam acobertar o fato de que são gays,e isso provoca piadas maravilhosas. Claro, tudo bem caricatural, mas mesmo assim, engraçadissimas.
Apesar do tom de comédia que reina no filme, o drama tambem se faz presente, através do dilema moral de Tommaso, sua relação com Alba, a quem se afeiçoa, e a história da avó. A parte cômica fica com os outros familiares, os amigos gays e a amante do pai.
A trilha sonora é recheada de canções italianas cultuadas pelo público gay, e tem uma piada envolvendo uma música da Barbra Streisand que é dos momentos mais engraçados do filme.
Vale como diversão, com uma pitada de entretenimento inteligente, e pelo elenco divertido, levemente inspirado em tipos Almodovarianos. Mas com a diferença de serem italianos, e aí, é confusão na certa. A cena final é bem comovente, com a junção de personagens atuais e do flashback.

Nota: 7

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