terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O apedrejamento de Soraya M


" The stoning of Soraya M", de Cyrus Nowrasteh (2008)


Baseado em livro de Freidoune Sahebjam , e adaptado pelo próprio diretor, esse drama não poupa esforços em deixar o espectador tenso.

Uma espécie de " A paixão de Cristo" revisitado, muito por conta de suas cenas extremamente sádicas de apredrejamento ao final da projeção, o longa conta com a participação de Jim Caviezel, obviamente escalado por ter interpretado Jesus no filme citado. Dessa vez, Caviezel está do lado oposto, observando o que levou pessoas de uma comunidade do Irã a cometer ato tão cruel. Ele é um jornalista que vai parar em uma região do Irã, e lá, é aborddao por uma senhora, que pede para ele escutar fitas onde estão gravados depoimentos sobre um caso recente de punição de morte.

Uma mulher é injustamente acusada de adultério, e por conta disso, ela é sentenciada à morte por apedrejamento. ( Sim, o filme lembra demais o caso de Sakineh, que movimentou a opinião pública em 2010 no mundo inteiro). Seu marido e um mulá da vila a acusam, muito por conta da cultura machista de seu país, e também porque outros interesses se escondem por trás da tramóia. Os ensinamentos do Corão são deturpados por essas pessoas, e a comunidade em peso os apoiam.

Inclusive os filhos de Soraya contribuem para que ela seja apedrejada, a ignorando completamente como mãe. A partir daí, o que vemos é um calvário sem fim, culminando na cena do apedrejamento, que verdade seja disso, é bem realizada, mas impossível de ser vista. Ficamos com uma dor tremenda no coração. A cena é por demais cruel, e não pouca detalhes de violência.

Decididamente, não é um filme para todos os gostos. Tem que ter sangue frio para suportar meia hora de apedrejamento (parece até que o filme foi dirigido por Mel Gibson, que adora requintes de sadismo em seus filmes.). O Diretor se utiliza até de câmera lenta, para extender ainda mais tanta barbárie.

O filme é maniqueísta, os maus são muito maus, o que fica até parecendo forçação de barra. De positivo, a interpretação da atriz principal, Mozhan Marnò , que traz dignidade à sua personagem.

O filme faz um alerta sobre a situação no Irã, correspondente ao papel da mulher na sociedade, e sua chance quase nula de defesa. Mas o Diertor poderia ter nos poupado de tanto sofrimento.


Nota: 6

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