domingo, 1 de janeiro de 2017

Vidas secas

"Vidas secas", de Nelson Pereira dos Santos (1963) Vencedor de um prêmio especial em Cannes 1964, "Vidas secas"é a adaptação do livro de Graciliano Ramos. O filme narra a tragédia do homem do sertão, em sua luta diária por um pedaço de terra produtivo, dignidade, água e trabalho. Fabiano, Sinhá Vitoria, os 2 filhos pequenos, Baleia ( a cadela) e um papagaio começam o filme andando por um sertão sme fim, na esperança de encontrar um lugar para se assentarem. Com fome, acabam matando o papagaio para comer. No caminho, encontram uma fazenda abandonada. Com a chegada da chuva, o dono da fazenda volta com seu gado e Fabiano ;he pede um emprego como vaqueiro. Sinhá Vitoria tem um sonho: juntar dinheiro para comprar um colchão de couro e poder dormir que nem gente. A cadela Baleia é a grande personagem do filme. Ela testemunha tudo, quieta no seu canto, observando a tragédia que vai se abatendo na família que a adotou. "Vidas secas" é considerado um dos filmes chaves do movimento do Cinema Novo. Com uma ousada fotografia estourada de Luiz Carlos Barreto, toda em preto e branco e sem uso de filtros, o filme também chama atenção por sua trilha sonora dramática. Nelson Pereira filma a tudo com um olhar documental. Não tem pressa, e sua câmera fica ali, como voyeur masoquista, dando closes no sofrimento da família. Átila Iório e Maria Ribeiro, como Fabiano e Sinhá Vitória, estão esplendidos. é um filme que nos deixa triste, ainda mais considerando que 503 anos depois, tudo continua igual no sertão nordestino, muitas famílias sofrendo sem água e sem assistência, desempregados, com crianças sem estudo. A cena final, com o destino de Baleia, é das mais cruéis da história do cinema, de deixar qualquer um arrasado. Clássico obrigatório, foi o único filme brasileiro a ser indicado pelo British Film Institute como uma das 360 obras fundamentais em uma cinemateca.

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