domingo, 29 de janeiro de 2017

As duas faces da felicidade

"Le bonheur", de Agnes Varda (1965) Vencedor do prêmio especial do juri em Berlin 1965, "As duas faces da felicidade" foi realizado 3 anos depois da obra-prima de Agnes Varda, "Cleo de 5 `as 7", seu filme mais famoso. Em "As duas faces da felicidade", Agnes filmou em Eastmancolor, conferindo ao seu filme cores vibrantes que contrastam com a trágica história de amor que testemunhamos. Francois é casado com Therese, e o casal tem 2 filhos pequenos. Ela é costureira, ele marceneiro. Felizes, eles vivem entre o passeio no bosque nos finais de semana e os afazeres domésticos. Um dia, Francois conhece Emilie e se apaixonam. Dividido entre duas mulheres que ele ama, Francois decide contar para Therese a existência de Emilie, sem imaginar a tragédia que ira se abater na vida deles. Agnes Varda, esposa de Jacques Demy ( Diretor francês odiado pela critica francesa que o consideravam como um diretor menor por fazer musicais) é também poeta, pintora e artista plástica. Todo esse cuidado formal e estético é visível em " As duas faces da felicidade". Esteticamente, o filme e belíssimo: fotografia, enquadramentos, cada plano do filme parece uma pintura. Os atores, todos bonitos, as locações. Parece até que Agnes Varda quer apresentar um universo da Disney, porém com um olhar totalmente mais dramático sobre a vida de quem mora nesse mundo do faz de conta. O fato maus curioso do filme, é a familia retratada no filme, ser uma família real. Jean-Claude Drouot e Claire Douot, no papel de Francois e Tehere, são casados de verdade, alem das duas crianças serem também seus filhos. Talvez na época tenha sido chocante ver um homem casado dividindo a cena com uma outra atriz, ambos nus em cenas de sexo. Fora isso, Agnes ama filmar corpos nus, ela tem um olhar muito estilizado sobre tudo. A trilha sonora, basicamente regada a Mozart, ajuda a dar essa atmosfera de conto de fadas. É um filme de temática ousada, que mesmo para os padrões morais de hoje, pode soar estranho e violento ao olhos do espectador comum.

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