terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Uma vida nova em folha
"Yeo-haeng-ja", de Lee Jong Eon e Ounie Lecomte (2009)
Devastador emocionalmente, "Uma vida nova em folha" é o filme de estréia da cineasta e roteirista sulcorena/francesa Ounie Lecomte. O filme é um relato autobiográfico da cineasta, que, aos 9 anos de idade, foi abandonada pelo seu pai, que a colocou em um orfanato católico e desapareceu para sempre. O filme me fez lembrar de um drama que eu amo, "Regras da vida", de Lasse Hallstrom. Concorrendo no Festival de Cannes na mostra Golden camera e vencedor no Festival de Berlim de um prêmio especial, "Uma vida nova em folha" é uma co-produção entre Coréia do Sul e França. Historicamente, a Coreia do Sul enviou mais de 140 mil crianças para o exterior entre 1955 e 1999. Muitas dessas crianças foram abandonadas pelos pais. O filme é ambientado em 1975. Jin-hee (Kim Sae-ron), 9 anos, mora com seu pai (Sul Kyung-gu). Em um determinado dia, ele sai com ela para comprar roupas, comer doces. Como ele está para se casar novamente, ele decide abandonar Jin-Hee em um orfanato católico. Jin-Hee não entende porque seu pai a deixou ali, e fica esperançosa de que um dia, ele irá retornar. Ela se recusa a fazer amizades com outras meninas, fica em silêncio e na presença de possíveis pais adotivos, se mantém arredia. Uma outra menina, Sookhee, mais velha que Jin-Hee, é o oposto dela: toda sorridente, ela sabe que se passar mais tempo, ela estará velha e ninguém irá querer adotá-la.
A pequena atriz Kim Sae-ron é um assombro. Ela carrega o filme inteiro nas costas, com o seu silêncio, seu olhar, sua tristeza que comove e deixa o público angustiado. É um filme minimalista, filmado com sensibilidade e poesia pela cineasta Ounie Lecomte.
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