domingo, 18 de janeiro de 2026
O som da queda
"In die Sonne schauen", de Mascha Schilinski (2025)
Indicado pela Alemanha para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2026, "O som da queda" venceu o grande prêmio do juri no Festival de Cannes 2026. O filme é escrito e dirigido pela cineasta Mascha Schilinski, após a sua estréia com o denso e provocativo 'dark blue girl", de 2017. "O som da queda" me fez lembrar como estrutura de "Aqui", de Robert Zemeckis. Mas a semelhança fica apenas no fato de toda a história acontecer em uma mesma fazenda rural no nordeste da Alemanha, pelo ponto de vista dela acompanhando diversas gerações e famílias que a habitam. "O som da queda" a presenta 4 histórias intercaladas, todas protagonizadas por jovens mulheres, e que posuem a morte como eixo central. Suicídio, abuso s3xu4l, esterilização forçada de criadas são situações pelos quais as mulheres passam. Em 1910, a pequena Alma vive com sua família. Seu irmão mais velho, Frank, tem a sua perna amputada pelos pais para que ele não seja convocado para a guerra. Alma tem o mesmo nome de sua irmã, que morreu antes dela. Em 1940, a adolescente Érika tem desejos s3xu4ais despertados pelo seu tio Frank, agora na meia idade. Temendo a chegada de soldados, as mulheres têm um destino trágico no rio que cerca a fazenda. Nos anos 80, com a Alemanha dividida, Angelika trabalha com outros jovens na fazenda agora comunitária. Ela é abusada pelo tio, ao memso tempo que tem atração pelo seu primo. Nos dias atuais, as irmãs Lenka (Laeni Geiseler), uma adolescente, e a pequena Nelly (Zoë Baier) passam as férias na fazenda, com outras famílias. Quando Lenka se sente atraída por outra garota, Nelly se sente rejeitada e abandonada.
Com 150 minutos, "O som da queda" é um filme complexo e quase experimental. A fotografia reproduz em alguns momentos uma imagem esmaecida, em formato 4:3, enquanto a edição de som trabalha com sons estranhos. O filme tem cenas belíssimas, muito erotismo e momentos angustiantes: a menina que se suicida quando passa um trator é horrivel.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário