terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Pillion

"Pillion", de Harry Lighton (2025) Melhor roteiro na Mostra Un certain regard no Festival de Cannes 2025, "Pillion" é escrito e dirigido pelo cineasta inglês Haryy Lighton. Co-produção entre Reino Unido e Irlanda, o titulo do filme se refere ao assento traseiro de uma motocicleta, e que na metáfora, corresponderia à pessoa submissa, a que senta na garupa. Tem quem compare o filme à franquia "50 tons de cinza": em ambos os filmes, existe uma iniciação s3xual para o universo do bondage, com os papéis definidos de dominador e do submisso. Enquanto no filme de Dakota Johnson o fetiche é embalado com estética publicitária, em "Pillion" existe uma humanidade realista,crua, incluindo cenas de s3x0 explicito, com evidente uso de prótese peniana do ator Alexander Skasgard. O filme é adaptado do romance "Box Hill", escrito em 2020 por Adam Mars-Jones. No livro, a trama acontece nos anos 70, e no filme, adaptada para os dias atuais. O filme começa e termina com uma comemoração natalina, afastada pelo período de 1 ano. Nesse periodo, acontece o relacionamento entre o tímido Colin (Harry Melling, o Duda Dursley de "Harry Potter"), e Ray (Alexander Skarsgård). Colin trabalha como manobrista em uma garagem e mora com seus pais. Ele faz parte de um coro natalino e se apresenta em um bar. Ali, ele conhece Ray, um motoqueiro que integra o Gay Bikers Motorcycle Club ( o elenco dos motoqueiros é composto pelo motoqueiros reais). Vestidos com couro, eles são adeptos de BDSM e em s3x0 grupal. Ray e Colin passam a se relacionar, mas através de um código imposto por Ray: são regras cruciais para que o casal dê certo. Sem beijo, sem dormir na mesma cama, sem folga, sem demonstração de carinho. Ray é o dominador, Colin deve ser o submisso. Tudo funciona bem até que Colin comenta com Ray que gostaria de quebrar as regras, está emocionalmente envolvido e desejando um relacionamento mais padrão. Ray começa a sentir os efeitos de Colin e seu jeito apaixonante de ser e entra em conflito. O filme fala sobre a construção e descontrução de paradigmas impostos por nichos da sociedade. Uma cena antológica, com Ray e Colin praticando wresling (luta livre), é sexy e divertida. O filme só poderia dar certo com total entrega dos atores, e isso acontece: Alexander e Harry se entregam por inteiro, e se dedicam aos personagens com paixão e verdade. A trilha sonora, composta de músicas pop conhecidas ( I think we are alone now, de Tiffany), com uma trilha de sintetizadores, é excelente. Um crítico comentou e é verdade: o filme deve como referência ao clássico de Kenneth Anger, 'Scorpio rising", um curta queer de 1963, que mostra motoqueiros gays se relacionando.

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