segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
O fantasma da ópera
"O fantasma da ópera", de Julio Bressane e Rodrigo Lima (2025)
O espectador desavisado, ao ver o título do curta experimental de Julio Bressane, co-dirigido por Rodrigo Lima, poderá penas que o filme se trata de uma livre adaptação do clássico "O Fantasma da Ópera", escrito por Gaston Leroux 1909 e adaptado em inúmeras adaptações para o cinema e também no mega sucesso da Broadway que permaneceu por 35 anos em cartaz. O filme de Bressane, cineasta conhecido no Brasil e no mundo pelos seus filmes que deram origem ao movimento do cinema marginal que gerou clássicos como "Matou a família e foi ao cinema" e "O anjo nasceu"tem como origem o seu próximo projeto, o longa “Pitico”, em que conta a história de uma pequena cidade de interior a partir de documentos reunidos pelo historiador de província Hermes Aires Azevedo, protagonizado por Paulo Betti. "O fantasma da ópera" é uma coletânea de imagens de bastidores dessa filmagem, apresentando Bressane em seu processo criativo de direção de atores, de decupagem de planos, de conversas com sua equipe técnica, de descoberta, de revelação do trabalho de profissionais, fazendo um filme independente dentro de um orçamento possível. O contraste de Bressane, às vésperas de 80 anos de idade, com uma equipe formada por jovens, traz um significado belo e poético sobre a experiência e sabedoria de um dos maiores pensadores de cinema e da arte no país, estimulando a geração nova do audiovisual a refletir e se provocar criativamente. O próprio Bressane diz que seu filme não é um making of no sentido padrão do que conhecemos como curiosidade de bastidores. É um filme sobre processos, mas com uma narrativa livre, sem querer ser coerente e didático, mas com um olhar poético e repleto de símbolos.
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