sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Magal e os Formigas

"Magal e os formigas", de Newton Cannito (2016) Longa de estreia do roteirista Newton Cannito, "Magal e os formigas" lembra bastante a estrutura dramática de "'A procura de Éric". No filme do inglês Ken Loach, um homem classe média baixa, fanático por futebol, passa por vários revezes na vida, até que o jogador Éric Cantona surge fantasticamente para ele, dando sugestões e mensagens de auto-ajuda. Em " Magal e os formigas", João, um aposentado casado com a dona de casa Mary, pai de dois filhos fracassados, tenta ter sorte na vida, até que o cantor Sydney Magal surge para ele como uma entidade. O grande mérito do filme de Cannito é apostar em uma comédia musical popular sem ter um único ator Global no elenco. Ele apostou em atores consagrados de teatro (Norival Rizzo, Imara Reis, Nicolas Trevijano, Riba Carlovich, ZeCarlos Machado, para dar vida a personagens losers, moradores da periferia de São Paulo. O filme traz um tom das comédias italianas dos anos 70, de Dino Risi, que tinham um doce sabor amargo de melancolia, retratando a vida simples de pobres assalariados, que sonham com uma vida melhor. Tudo é bastante ingênuo na narrativa, mas isso não é um defeito. Porém, o público de hoje em dia me parece uma incógnita, se vai apreciar essa comédia agredoce, que faz pensar ao invés de rir. O elenco está ótimo, e claro, Sidney Magal está totalmente acima do bem e do mal. A trilha sonora exagera muitas vezes para extrair humor em cenas onde não há comédia, e alguns recursos de efeito destoam ( aceleração da cena, por ex). Mas ao final, diferente da crítica da Folha de São Paulo, ficou clara a finalidade do filme: divertir e fazer o espectador sonhar com dias melhores em tempos obscuros.

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