domingo, 11 de dezembro de 2016

"Esse mundo é meu", de Sergio Ricardo (1964) Primeiro filme dirigido pelo músico Sergio Ricardo, foi lançado no dia 1o de abril de 1964, exatamente no dia do golpe militar no Brasil, e por conta disso, ficou muito tempo no esquecimento. O filme, com fotografia e câmera de Dib Luft ( irmão de Sergio Ricardo) é uma obra-prima, não somente como denúncia social e um registro importante do Rio de Janeiro na época, como pelo trabalho extraordinário da câmera de Dib Luft. O filme, em preto e branco, acompanha 2 histórias paralelas de moradores do Morro da Catacumba ( favela carioca que pegou fogo em um incêndio criminoso): Toninho ( Antonio Pitanga, na época com 24 anos), é um engraxate e sonha em juntar dinheiro e comprar uma bicicleta para poder namorar com Luzia, o seu amor platônico. E temos Pedro ( Sergio Ricardo), um operário que namora uma jovem grávida, mas que, por péssimas condições trabalhistas e sem receber aumento, testemunha a sua namorada fazer um aborto, pois ela não quer que o filho passe fome e sofra humilhação em vida. Com imagens pouco conhecidas do Rio de Janeiro da época, o filme traz referências estéticas do neo-realismo italiano e da Nouvelle Vague. A câmera na mão, a história de marginalizados, filmagem em locação e uma trilha sonora de arrebatar. A cena de Pitanga com ZIraldo é hilária, e acaba sutilmente fazendo uma critica ao poder da Igreja católica. O filme tem um olhar sobre os desfavorecidos no Brasil, e com esse olhar humanista, procura levantar a bandeira da igualdade social. Um filme repleto de cenas antológicas, entre elas, a do personagem de Toninho andando de bicicleta no final.

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