sábado, 17 de dezembro de 2016

Graduação

"Bacalaureat", de Cristian Mungiu (2016) Vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2016 de melhor diretor, dividido com Olivier Assayas por "Personal shopper", "Graduação" é um filme brilhante com interpretações muito intensas do elenco, principalmente do protagonista, Adrien Titiene, no papel do pai, o que lhe valeu o prêmio de melhor ator em Chicago. O tema do filme lembra bastante outro filme romeno, "Instinto materno": até onde um pai protege seu filho e toma rédeas da vida dele? Christian Mungiu é um cineasta premiadíssimo, já tendo ganho outros prêmios em Cannes com seus filmes anteriores: "4 meses, 3 semanas e 2 dias"ganhou melhor Filme e prêmio Fipresci, e "Além das montanhas" venceu atriz e roteiro. Romeo é médico, e considerado por todos um profissional honesto. Ele mora com sua esposa, com quem não mantém mais relacionamentos, e tem como amante a diretora da escola onde sua filha Eliza estuda. Eliza está prestes a se mudar para a Inglaterra e estudar lá, mas na véspera do exame, ela sofre uma tentativa de estupro e fica emocionalmente abalada. O seu exame acaba sendo um fracasso, e o pai entra em um perigoso esquema de corrupção para poder garantir a vaga da filha. Com um roteiro inteligente e diálogos fortes, Mungiu dirige com precisão os seus atores. Os planos, como em todo trabalho de Mungiu, são longos, valorizando o trabalho do elenco, em cenas quase sem cortes. Mungiu liga a sua câmera e temos a impressão de estar vendo um documentário, tal a precisão com que os atores vivem seus personagens. O filme vai encaminhando para um filme tenso, que lembra bastante os seus outros filmes. Mungiu contrói essa narrativa de observação, e quando nos damos conta, ele nos envolve em sua história. O filme é longo e poderia ter uns 20 minutos a menos, talvez o sub-plot do estranho que joga pedras em suas janelas pudesse ter sido retirado. Uma aula de cinema.

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