segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Presságios de um crime

"Solace", de Afonso Poyart. Depois do sucesso com o filme "Dois coelhos", o cineasta Afonso Poyart foi convidado a dirigir um longa americano. Ele teve em suas mãos 70 roteiros disponíveis para escolher um. E é curioso que tenha escolhido um trhiller psicológico ( depois dessa informação sobre a quantidade de roteiros propostos para um Diretor, fico imaginando a qualidade dos mesmos). "Solace", no original, foi concebido para ser uma sequência de "Seven", de David Fincher. Porém Fincher não autorizou e o roteiro seguiu outro caminho. Anthony Hopkins assumiu além do protagonista, o papel de produtor executivo. O mais bizarro é que ele agora faz um personagem que é o oposto de Hannibal Lecter, seu vilão mais famoso de "O silêncio dos inocentes". Agora, o personagem dele, John, é um médico que possui o dom de ler pensamentos e prever futuro e até mesmo, ao encontrar em alguém vivo ou morto, saber o que se passou com ela. John por um bom tempo trabalhou para o Fbi, ajudando seu colega Joe (Jeffrey Dean Morgan). Após o falecimento de sua filha por conta de leucemia, John resolve abandonar tudo. Porém, por conta de recentes assassinatos creditados a um serial Killer ( Colin Farrel), Joe vai atrás de John para que ele o ajude a descobrir o paradeiro do assassino. A agente Katherine ( Abbie Cornish), é descrente dos poderes de John, e acha que o Agente Joe deveria seguir o procedimento normal de investigação. Porém, para a surpresa do próprio John, ele descobre que o assassino também tem o dom de ler mentes e prever o futuro e sabe da existência um do outro. O gênero suspense parece atrair cineastas brasileiros para o mercado americano: vide Walter Salles com "Água negra" e Heitor Dhalia com "12 horas". Se ambas as produções não tiveram sucesso, a produção de Afonso Poyart ainda é uma incógnita: segue inédito no mercado de vários países, mesmo tendo sido filmado em 2013. O roteiro me soou muito deja vu, ainda mais que eu assisti ao seriado "Hannibal" e a premissa é a mesma: Will Graham é um agente do Fbi que ajuda o Agente Jack através de seus poderes psiquicos. Ele vai ao local do crime e ao encostar na vítima, ele descobre como a pessoa foi assassinada, fazendo um flashback do ocorrido antes do crime. Em "Presságios de um crime" acontece igual: vemos muitas cenas de flashbacks, estilizados, e claro, em câmera lenta. Poyart realiza aqui um filme com a mesma cartilha de "Dois coelhos"; muita estilização e estética publicitária. Como parceiro, ele convocou o fotógrafo Brendan Galvin, que trabalhou em quase todos s filmes do Cineasta indiano Tarsem Singh , famoso pelo visual dos seus filmes, que aliás, se aproxima bastante do cinema de Poyart. A linguagem do flashback em jump cuts me remeteu também ao filme dos anos 80 de Ken Russel, "Viagens alucinantes". Agora, o que realmente me intriga, é que o filme se passa em Atlanta e não sei porquê, houve uma Segunda unidade filmando em São Paulo e na edição enxertaram stock shots da capital paulista como se fizesse parte de Atlanta.

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