domingo, 30 de janeiro de 2011

A Ovelha negra


" La pecora nera", de Ascanio Celestini (2010)

Drama italiano exibido no Festival de Veneza em 2010.
O filme narra a história de ascanio, menino que nasceu nos " loucos anos 60", segundo os personagens dizem várias vezes ao longo da história. Ele é criado pela avó no manicômio. Seu pai e seus 2 irmãos o consideram um louco esquizofrênico, e o abandonam a própria sorte com a avó. Antes de abandoná-lo, Ascanio vive um tempo com eles, mas a convivência é impossível. Ascanio passa toda sua infância e adolescência na convivência com loucos, e tem 2 amigos com quem convive maior parte do tempo. Em uma brincadeira com os amigos, um deles acaba morrendo. Ascanio é acusado da morte do rapaz, e se isola das pessoas. Se torna uma pessoa retraída e não sai dos domínios do hospício. Ele é rejeitado por colegas da escola.
Ascanio cresce, e agora trabalha no mesmo manicômio. Uma de suas funções é acompanhar os internos nas compras de supermercado. Numa dessas idas, ele reeecontra a sua paixão de adolescência, que trabalha como promotora de vendas de uma marca de café. Ele tenta se reaproximar dela, mas a sua obsessão por ela a deixa assustada.
O filme tem um clima sombrio, com toques de melodrama, e um bom elenco. O que é interessante é a narração em off do protagonista. Todo o filme é narrado em 1a pessoa, como se fosse um livro de memórias. Mas o filme se perde lá pela metade, e o desfecho fica insatisfatório. Lembra um pouco " O clube da luta" pela sua reviravolta na trama.
O diretor Ascanio Celestini fez de tudo um pouco nesse filme: dirigiu, escreveu, produziu e atuou. Levou 3 anos elaborando o roteiro, visitando manicômios e fazendo laboratórios com os internos.

Nota: 6

sábado, 29 de janeiro de 2011

O Besouro verde


" The Green hornet", de Michel Gondry (2011)

Comédia de ação dirigida pelo cineasta e artista multi-mídia Michel Gondry, famoso por dirigir clips de Bjork, The White Stripes, Daft Punk, Kylie Minogue e músicos, e os filmes " Brilho eterno de uma mente sem lembranças" e " Rebobine, por favor".
Baseada em quadrinhos da DC Comics, e tendo como base a série de tv dos anos 60 ( co-protagonizada por Bruce Lee), o filme narra a história de Britt Reid, um playboy bon vivant, interpretado pelo comediante Seth Rogen. Seu pai é dono do Jornal Sentinel Daily, o maior de circulação do País. Britt vive sendo repreendido por seu pai, por passar a vida em função de festas e irresponsabilidades. Até que seu pai morre " acidentalmente" e Britt é obrigado a assumir a presidência da empresa. Ele conhece o motorista chinês de seu falecido pai, e descobre que ele é um inventor de gadgets formidáveis, além de exímio lutador de Kung Fu. A cidade está dominada por bandidos, e os dois resolvem criar uma dupla que luta contra o crime, chamada de Besouro Verde.
Dito assim, o filme parece que será ótimo, após os mega-sucessos de " Homem de ferro" e " Batman". Ainda mais que o diretor é Michel Gondry, um artista respeitado que poderia trazer algo inovador para o gênero. O que ninguém jamais poderia esperar, era que o filme se transformasse em algo absolutamente pavoroso.
A começar , o completo erro de escalação do comediante Seth Rogen para protagonizar esse filme. Além de atuar, Rogen co-escreve o roteiro e produz. Em nenhum momento, o personagem confere credibilidade, graças a atuação desastrada de Rogen. Ele bota o personagem a perder. O roteiro só prejudica, pois dá aos personagens uma dimensão estereotipada, misturando errôneamente comédia e ação. Simplesmente não funciona. O espectador não se simpatiza com ninguém, muito menos torce. O Vilão de Cristopher Waltz não mete medo em ninguém, e a brincadeira em cima do nome de seu personagem é constrangedor. Incrível que Waltz, soberbo em " Bastador inglórios", esteja tão caricato e no piloto automático.
Jay Chou, como o motorista, é o melhor em cena. Seu personagem pelo menos tem uma curva dramática, apesar de também parecer muito gratuita essa sua habilidade com engenhocas e afins.
Cameron Diaz não diz ao que veio, e sua personagem é completamente dispensável.
Em nenhum momento a gente acredita no personagem de Besouro verde. Ele é antipático, e pior, como de uma hora para outra ele ganha poderes, ganha habilidades com luta? Muito falso. A trilha sonora também é errônea, muitas músicas brigam com as imagens não conferindo adrenalina.
A cena da briga de Besouro verde e seu motorista pela casa e piscina é péssima. Outra cena pavorosa é a de abertura, com participação especial de James Franco.
Um erro total!

Nota: 2

O Discurso do Rei


" The King`s speech", de Tom Hooper (2010)

Drama baseado em fatos reais, narra a história do Duque de York Berty (Colin Firth) , casado com Liz (Helena Bonhan Carter), uma mulher dedicada ao marido e às filhas. Pai zeloso, Berty tem problemas de nervosismo e gagueira, o que o deixa com baixa auto-estima.
Seu Pai, o rei George V (Derek Jacobi), está doente, e precisa nomear o seu sucessor. O irmão mais velho de Berty, Edward (Guy Pearce) é nomeado o sucessor. Porém, Edward é aventureiro e possui uma vida mundana e dedicada a festas e vôos. Ao seu lado, a amante americana por quem ele é apaixonado. Ela é divorciada 2 vezes, o que seria um escândalo, uma vez que o rei da Inglattera é quem comanda a Igreja no País. Dessa forma, Edward, que não larga mão de seu amor, renuncia ao cargo, e passa a bola para Berty. Às vésperas da 2a Guerra Mundial, e com a crescente ascenção de Hitler, Berty sente a necessidade de ser a voz do comando de sua nação. Sua esposa contrata os serviços de Lionel Logue (Geofrey Rush), homem honesto e humilde que vive com sua mulher e filhos. Lionel é especialista em discursos, cargo que exerceu após a 1a guerra mundial, quando era contratado para fazer os soldados psicologicamente abalados voltarem a conversar. Ator frustrado, Lionel vive fazendo audições, sem sucesso.
Essa relação entre Berty e Lionel é no início tumultuada e tensa, mas após anos e com muita resistência de Berty, Lionel o faz acreditar que ele é a pessoa que mudará o País. Berty ganha confiança e acaba fazendo o seu 1o discurso para a Nação.
O filme, mais do que fazer um registro sobre esse período da década de 30 que antecede a 2a Guerra Mundial, é uma fábula maravilhosa sobre o poder de superação, de acreditar em si próprio, destruindo obstáculos. Fala sobre a amizade que começou tensa, mas que durou toda a vida, entre o Rei George VI " Berty" e Lionel.
A direção do filme é segura, com ótimo trabalho de atuação do trio principal: Colin Firth, Geofrey Rush e Helena Bonhan Carter estão excepcionais. Tecnicamente, o filme é todo impecável: fotografia, trilha sonora, direção de arte, figurinos. Como não poderia deixar de ser, esse filme histórico tem uma narrativa burocrática, lenta. Favorecido por um roteiro magnífico, os personagens demonstram simpatia imediata com o público. A Cena final do discurso é emocionante.
O filme acerta ao conferir doses de humor inglês ao drama. Torna a produção mais cativante e leve. Muitas cenas são antológicas: além do desfecho, temos a cena do primeiro treinamento, a cena que Berty faz oratória toda baseada em " fuck "...
Um filme memorável pela atuação brilhante do elenco.

Nota: 8

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Drama


" Drama", de Matias Lira (2010)

Drama espanhol, que narra a história de 3 estudantes de teatro, que se deixam influenciar pelo método intenso de interpretação que o Professor prega, baseado na escola do dramaturgo Antonin Artaud.
O processo de busca do personagem exige que os alunos busquem a verdade de seus personagens, e para que isso aconteça, eles devem vivenciar as experiências deles.
Assim, cada um dos três vai atrás do lado escuro da vida, se envolvendo com prostituição, michetagem, night clubs de strippers, traficantes e orgias regadas a sexo e drogas.
O grupo ( 2 rapazes e uma jovem) não medem esforços na busca do verdadeiro " eu" que devem interpretar, e acabam misturando o real do fictício, enquanto o professor cada vez exige mais deles.
Filme curioso, mas que no desenrolar da narrativa, me incomodou bastante pela inverossimilhança da trama. Como assim, os 3 amigos caem de cara no que existe de mais sórdido da vida mundana, apenas para agradar ao professor? Os personagens deveriam era ser internados em algums clínica psiquiátrica. O filme é uma irresponsabilidade, ao mostrar os atores como inconsequentes e desmedidos, e o professor como um ser desumano e cruel, que observa o que acontece com os seus alunos e nada faz para impedir, inclusive se envolvendo sexualmente com um deles.
Logo no início, tem uma cena ridícula, com os três amigos no banheiro, todos mijando. como se fosse a coisa mais natural do mundo fazer isso na frente dos outros. E para piorar a trama, ainda existe um trauma do passado em um dos personagens: a mãe dele era atriz, se envolveu com o colega da peça e acabou fugindo com ele, abandonando filho e marido. Heim, quer dizer que os atores também são promíscuos? HUAHUAHUA A classe artística está mais sem moral do que qualquer outra coisa.
De positivo, a interpretação dos atores, que se entregaram aos personagens sem pé nem cabeça, e a fotografia, bela, registrando a vida noturna de forma soturna.

Nota: 5

Lixo Extraordinário


" Waste land" de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley (2010)

Vik Muniz é um artista plástico brasileiro reconhecido mundialmente. De origem humilde, vivendo na periferia de São Paulo, Vik Muniz teve sua vida transformada por um golpe do destino ( em um acidente de trânsito, ele levou um tiro na perna. Com o dinheiro da indenização, ele viajou aos Estados Unidos em busca de um futuro melhor). Lá, ele construiu sua fama, apesar de um começo difícil trabalhando em todo tipo de serviço subalterno.
O documentário " Lixo extraordinário" fala sobre isso: superação. Esse é o mote do projeto. Em 2007, em seu ateliê em Nova York, Vik propõe junto com seu amigo Fabio, do Rio de Janeiro, montar um projeto que consistia em fazer um trabalho social no Lixão de Gramacho. A idéia era pegar um grupo de catadores de lixo e junto com eles, transformar o lixo encontrado em arte.
Vik se preocupa com a saúde dos integrantes da equipe. Chegando no Lixão ( o maior do mundo em extensão), Vik se aproxima de vários catadores de lixo, e forma um grupo com quem ele irá trabalhar por um período de 2 anos. Juntos, catam material reciclável. Vik tira fotos baseadas em quadros famosos e os reproduz, usando os catadores como modelos. Num grande galpão alugado, Vik e Fabio ampliam essas fotos, e junto com os catadores, começam a trabalhar com o material recolhido no lixão e fazer arte com essas fotos. Esses quadros, posteriormente, serão leiloados em Londres e a renda arrecadada reverterá ao grupo de catadores e para a Associaçao dos Catadores.
O que mais impressiona nesse documentário é a qualidade dos entrevistados. O grupo de catadores selecionados por Vik e Fabio são de uma humanidade comovente. Os depoimentos são profundos, apesar da pouca instrução das pessoas ( com exceção de Tião, jovem Presidente da Associação de Catadores, e de Zumbi, que recolhem livros no lixo e os leem.).
De uma forma geral, a maioria vê o trabalho de catador como um trabalho digno: melhor do que matar, roubar, se prostituir. Vik visita as casas extremamente pobres dessas pessoas, conhecemos os familiares. Mais pra frente, a equipe se preocupa com o futuro dessas pessoas, que já estão tão envolvidas com o projeto, que temem que quando termine, suas vidas não sejam as mesmas. No desfecho, nos emocionamos com o desenrolar de cada um dos integrantes. A maioria deseja mudar de vida, descobrem o valor de seus trabalhos e que eles podem mais. Apenas uma senhora, uma cozinheira que serve comida no lixão, resolve voltar para lá, com saudades dos amigos.
Eu fui assistir ao documentário com alguns amigos,e tdos foram unãnimes em gostar do filme, mas com o porém de terem odiado a figura de Muniz. Explico: o argumento é de que Muniz se super-expôs, dá declarações de mega-estrela, tipo: " Porquê Eu Vik Muniz sou o maior artista brasileiro", ou quando ele dá um show de pretensa humildade, " eu não preciso de nada na vida, já tenho de tudo". Sinceramente não vi o filme por esse ângulo, e me orgulha muito esse projeto engajado , que mudou a vida dessas pessoas para melhor, fizeram com que todos melhorassem suas auto-estima. Vik Muniz pode ser arrogante, falso, mas isso não importa. O filme não é sobre isso, não é uma auto-promoção do seu trabalho. Como falei, é um filme que fala sobre superação, e Munir usa sua história pessoal para fazer analogia com outras histórias de vida.
A cena final, com Tião dando depoimento no programa do JÕ, é antológica,
Não é só o lixo de Gramacho que é transformado em algo diferente, as pessoas também passam por um processo de mutação. A fotografia, de Dudu Miranda, é eficiente e bela. O trabalho de câmera também é incrível, revelando ângulos do lixão e do galpão impressionantes em sua dimensão imagética.
A trilha sonora de Moby contribui positivamente para a emoção do filme, sem ser evidente.
O único porém que faço é o fato de Munir e equipe de brasileiros falarem em inglês, me soou pretencioso.
O filme foi indicado para o Oscar de melhor documentário 2011.

Nota: 9

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Enrolados 3D


" Tangled", de Bathan Greno e Byron Howard (2010)

50o desenho produzido pelos Estúdios Disney, " Tangled" é baseado no conto de " Rapunzel".
Como eu não conhecia direito a história dessa princesa, não sei se o desenho é fiel a obra original.
" Enrolados" narra a história de Rapunzel, princesa sequestrada quando bebê por uma bruxa velha, por possuir cabelos com poderes mágicos de rejuvenescimento. Rapunzel é feita prisioneira em cima de uma enorme torre sem escadas, e a bruxa a faz acreditar que ela é a sua mãe. Adverte a menina de que o mundo exterior é perigoso, e que não se pode confiar em ninguém, por isso a mantém presa. Todo ano, no dia de seu aniversário, Rapunzel observa da janela da torre lanternas que sobrevoam os céus, sem saber que na verdade é um ritual que seus pais verdadeiros fazem em homenagem a princesa desaparecida. Flynn Rider, um ladrão que trabalha junto com outra dupla de bandidos, rouba a tiara da princesa. Ao fugir, ele se separa de seus comparsas, e resolve se esconder no alto da torre. Chegando lá, ele é descoberto por Rapunzel, que o nocateia. Ela tenta advertir sua " mãe" sobre o invasor, mas antes que ela o faça, é repreendida por ela de que jamais ela sairá da torre. Rapunzel resolve fazer então um pacto com Flynn: Ela o soltará, em troca dele levá-la para ver o ritual das lanternas no céu, que acontecerá no dia. Pacto cumprido, eles vão parar na cidade. Porém tanto a bruxa quanto os antigos compras de Flynn estão em seu encalço.
" Enrolados" é uma deliciosa comédia romântica, de personagens carismáticos e muita graciosidade. As músicas de Alan Menken, parceiro habitual da Disney, dão um colorido a trama.
O filme tem ótimo ritmo, boas gags e diálogos inteligentes. A técnica do 3d aqui é discreta, se limitando a poucos efeitos. Os animais que acompanham os personagens humanos não poderiam faltar, dando lugar a um camaleão (pascal) e um cavalo ( Maximus), este dono de boa parte das piadas do filme.
O fiilme reserva uma cena de violência no final, algo raro nos desenhos, inclusive mostrando sangue. É pouco, mas um grande passo, em se tratando de desenhos da Disney.
Assisti infelizmente na versão dublada, e me incomodei com a voz de Luciano Hulk.

Nota: 8


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Filho terno: Projeto Frankestein


" Szelíd teremtés - A Frankestein-terv/ Tender Son: Frankestein Project", de Kornél Mundruczó (2010)

Co-produção Hungria/Alemanha e Austria , " Fiho terno.." é um drama que concorreu no Festival de Cannes 2010.
O filme narra a história de Rudi, um adolescente de 17 anos que sai de um reformatório, após anos de prisão. Ele resolve ir até sua casa, em busca do conforto de sua mãe. Mas ela o rejeita. Acidentalmente, Rudi vai parar em um teste de elenco para um filme, que acontece no mesmo prédio aonde sua mãe mora. O diretor solicita apenas amadores para o teste de elenco, em busca de realismo e naturalismo nas interpretações. O teste é sobre a violência psicológica, e o Diretor exige o máximo de veracidade. Rudi resolve fazer o teste, e de personalidade violenta, acaba matando por acidente a sua parceira do teste.
Ele foge, e vai parar no apartamento de uma jovem, que tenta escondê-lo da polícia. Ao mesmo tempo, o diretor descobre a identidade do jovem assassino: é seu filho, que ele teve quando adolescente e perdeu contato após a separação.
" Filho terno.." é um filme de ritmo extremamente lento, e exige muita paciência do espectador que se aventurar nesse drama livremente inspirado no livro de Mary Shelley, " Frankestein".
O elenco é excelente, e o diretor interpreta ele mesmo o personagem do cineasta. Mas a narrativa lenta, os longos planos, o roteiro sem grandes surpresas e a longa duração do filme o tornam extremamente asséptico, sem emoção, frio. A fotografia é um desbunde, retratando o inverno gélido e branco. O filme me cansou, apesar de umas poucas cenas impactantes ( como o acidente de carro no terceiro ato) e de imagens poéticas.

Nota: 6

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Morte e Vida de Charlie


" Charlie St Cloud" , de Buur Steers (2010)

Drama baseado na obra " Death and life of Charlie St Cloud", de Ben Sherwood, é a segunda parceria do Diretor Buur Steers com o astro Zac Afron, ( fizeram juntos a comédia " 17 outra vez").
" A morte e vida de Charlie" é mais um filme que se junta à onda espírita que assolou o ano de 2010, após " Além da vida", " A árvore", " Você vai conhecer o homem de seus sonhos", " Tio Bonnmee" , " Chico Xavier" e " Nosso lar".
A história gira em torno de Charlie, que mora em uma cidade litorânea com seu irmão pequeno Sam e sua mãe ( Kim Basinger, em breve aparição). Charlie tem uma relação quase paterna com Sam. Juntos, ambos vencem uma competição de velejamento. Charlie ensina também o menino a jogar beisebol, e faz uma promessa ao irmão de que todos os dias, no entardecer, deverá dar uma aula para ele, e jamais o abandonar. Sam sente que irá perder seu irmão, pois ele acaba de se formar e vai entrar em uma faculdade longe dali. Charlie resolve levar o seu irmão para uma festa, mas um acidente de carro tira a vida de Sam. Charlie é trazido de volta a vida por um paramédico (Ray Liotta), que diz que Charlie tem uma missão na terra, pois Deus lhe cedeu uma segunda chance. Charlie se sente culpado pela morte do irmão, e abandona todos os seus sonhos, indo trabalhar no cemitério local como zelador, cuidando das lápides dos mortos, inclusive de seu irmão. Porém, Charlie descobre que a sua quase morte lhe deu um dom de falar com os mortos, e todos os dias, ele se encontra com Sam. Na cidade, Charlie é considerado desequilibrado mental, após o acidente. Um dia, Charlie conhece Tess, uma jovem que vai visitar o túmulo do pai. Os dois se tornam próximos, mas Tess precisa velejar e passar 6 meses fora, por isso, ela evita maiores contatos com Charlie. Ao mesmo tempo, Sam sente ciúmes de Tess, e Charlie entra em conflito.
Filme morno com direção burocrática e atuação no piloto automático de todo o elenco, " A morte e vida de Charlie" tem um roteiro tão simplório e previsível, que parece uma Produção da Disney. Tudo é muito casto, leve, e o filme, com um tema tão profundo, se ressente de maior aprofundamento na dimensão psicológica de seus personagens. A história de amor entre Charlie e Tess é muito forçada, e a cena do primeiro encontro deles, no cemitério, é triste. Aliás, a cena de amor entre os dois , que passam a noite brincando de pega-pega no cemitério é muito louca. Fica risivel: quem teria sua primeira noite de amor entre túmulos, na escuridão?
As situações que envolvem a conversa de Charlie com os mortos são muito frágeis, dramaticamente falando: a cena dele com o amigo morto no combate é muito ruim. E Zac Afron é o caso de ator que precisa de uma boa direção para poder dizer ao que veio. Não é porquê ele solta lágrimas em cena que deve ser ovacionado. Falta a verdade do personagem. Mesma coisa deve ser dita sobre Amanda Crew, também muito crua. O menino Charlie Tahan, que interpreta Sam, é quem melhor se sai em cena, mostrando dimensão humana de seu personagem.
A produção almeja atingir um público pós-adolescente, que busca um melodrama com tintas fantasiosas. Mas a dose de realismo fantástico não funciona, faltou encantamento. A trilha sonora, composta de músicas pop românticas, é previsível.
O roteiro lembra muito " O sexto sentido", principalmente no terceiro ato. Aliás, uma cena é quase que referçencia explícita ( quando a personagem Tess caminha com seu cachorro na rua).
O filme não é uma perda de tempo completa, mas apenas o assista se você não tiver nada melhor para fazer numa tarde quente de verão. eu, no caso, fui em busca de ar-condicionado, e passei o filme todo assistindo aborrecidamente.


Nota: 6

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ela, a Chinesa


" She, a chinese", de Guo Xiaolu (2009)

Filme vencedor do Festival de Locarno em 2009, " Ela a chinesa" é uma co-produção globalizada da China, França, Alemanha e Inglaterra.
O filme narra a história de Mei, uma jovem que mora em uma região pobre de um vilarejo chinês. Mei mora com sua mãe, e arruma trabalho em uma sinuca de beira de estrada. De espírito livre, Mei vive causando revoltas em sua mãe, que a chama de preguiçosa e vagabunda. Odiando sua vida, Mei se envolve com um jovem malandro, mas ela não cede aos prazeres do sexo. Até que é estuprada por um caminhoneiro que a convidou a ir ao cinema. Mei resolve se mudar para a cidade grande, e vai trabalhar em um salão de beleza, na verdade, fachada de jovens prostitutas. Mei acaba conhecendo Spikey, um bandido por quem ela se apaixona e engravida. Ele acaba sendo morto em uma transação mal resolvida, e Mei pega o dinheiro guardado por ele, resultado de trabalhos excusos. Foge para Londres, e lá, ela vive como clandestina. Acaba se casando com um velho viúvo, apenas com a finalidade de fixar residência. Mei se cansa dessa relação sem amor, e acaba se relacionando com um indiano, dono de um pequeno restaurante de comida típica. O que Mei não espera, é que novamente, ela se envolverá em uma relação turbulenta.
O filme é um drama intenso, com forte influência dos cinemas de Godard e Lars Von Triers, com referências explícitas. De Godard, o filme rouba os personagens protagonizados por Ana Karina, atriz-fetiche do cineasta francês, através da liberdade e falta de perspectiva de vida. De Lars Von Triers, as cartelas usadas para comentar as cenas intercaladas por fusões narrativas. Um recurso aliás muito interessante, pois os textos são divertidos e sui-generis. Ah, lembremos que Von Triers também ama as personagens sofredoras, o que é o caso de " Ela, a chinesa".
A atuação de Huang Lu é digno de nota, em um papel difícil , que provoca pouca simpatia do espectador. Afinal, devemos aceitar ou recriminar as decisões da jovem?
A fotografia é hiper colorida, com uso forte de neons, linguagem típica dos anos 80.
O filme tem 103 minutos de duração, mas a sua narrativa lenta e contemplativa faz parecer que o filme tenha muito mais tempo. Acaba cansando o espectador. Dá a sensação de estarmos assistindo a 2 filmes distintos, pois a quebra no roteiro é muito brusca: a vida de Mei na China ( a melhor parte), e a vida dela em Inglaterra, mais melodramática.
Confesso que tive uma expectativa maior em relação ao filme, e saí um pouco frustrado.

Nota: 7

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Biutiful


" Biutiful", de Alejandro Gonzalez Inãrritu (2010)

Drama do mexicano Inãrritu, aqui em sua primeira experiência sem trabalho conjunto com seu antigo parceiro e roteirista Guillermo Arriaga, que alçou vôo solo. O filme participou do Festival de Cannes 2010, levando o prêmio merecido de melhor ator para Javier Barden, dividido com Elio Germano, em outro drama familiar, o italiano " La Nostra Vita".
" Biutiful" narra a massacrante história de Uxbal, um homem que luta para sobreviver em uma Barcelona nada turística ( esqueçam a Barcelona solar de " Vicky Cristina Barcelona"). O que vemos aqui é feiura de todos os lados. As pessoas, as cores, o mundo, as situações. Uxbal tem uma ex-esposa bipolar, que não consegue controlar seus acessos de mau-humor e de sexo, e que tem um caso com o cunhado. Os dois filhos pequenos de Uxbal passam o dia sob os cuidados de uma chinesa imigrante, enquanto ele trabalha como atravessador dos camelôs senegaleses, e de chineses que exploram o trabalho escravo de compatriotas da mesma raça. Esse dinheiro sujo chega suado, mas é o que mantém a subsistencia da família que vive em condições sub-humanas.
Para piorar a sua situação, Uxbal descobre ter um câncer de próstata terminal, e não terá mais do que 2 meses de vida. Ele evita de comentar sobre a doença com todo mundo. Uxbal tem poderes mediúnicos de falar com os mortos, e sua relação com seu pai é muito sofrida, uma vez que o pai morreu jovem e ele não consegue tirá-lo de suas lembranças. Ao final da projeção, descobrimos que Inãrritu fez o filme em homenagem a figura de seu pai, daí a importância do personagem na trama.
Apesar de não trabalhar com as tramas paralelas, Inãrritu continua com sua visão pessimista do mundo. Não se pode confiar em ninguém, as pessoas são todas sofredoras e egoístas. Existe um único protagonista na história, no caso, Uxbal (Javier Barden), mas algumas pequenas sub-tramas se desenvolvem ao longo da narrativa ( A relação dos chineses gays, a sua ex-esposa que mantém relações com seu irmão, a mulher senegalesa que sonha em voltar ao seu país, etc).
A fotografia, em tons escuros, ajuda a recriar esse mundo feio, desumano. A trilha sonora é de seu parceiro fiel Gustavo Santaolala. O roteiro é bom, pendendo para o melodrama e as vezes exagerando em alguns momentos ( a história do casal gay parece completamente deslocada da trama central, e mesmo o lance da mediunidade não me soou realista). O grande trunfo do filme é o trabalho do elenco, em especial Barden, a atriz que faz sua esposa e as duas crianças, todos impecáveis e bárbaros em suas interpretações.
O filme é muito longo, 147 minutos, e ao final da projeção, me pareceu ter pelo menos 20 minutos excedentes. A trama demora a acontecer, o prólogo é muito extenso , tudo para apresentar o personagem em suas facetas ( a mediunidade, a relação com sua filha, a relação com seu pai falecido). Apesar de tudo, o filme é forte, e possui algumas boas cenas antológicas, como a da boite.
O ser humano dos filmes de Inãrritu definitivamente não prestam, e os poucos remanescentes da bondade, não resistem. Para quem deseja um filme para passatempo, evite completamente.
Obs: tem uma cena de atropelamento no filme que impresssiona pelo realismo. Maravilhoso!
Nota: 8

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Burlesque


" Burlesque", de Steve Antin (2010)

Drama musical dirigido por Steve Antin, e protagonizado por Cher e Christina Aguilera, dois ícones da canção popular americana. O filme é o veículo perfeito para o talento dessas duas atrizes/cantoras.
" Burlesque" conta a história de Ali (Aguilera), uma jovem em busca de sucesso, que sai de sua cidadezinha, Iowa, em direção a Los Angeles. Chegando lá, ela pena para conseguir uma profissão, e acaba trabalhando como garçonete de uma casa noturna chamada " Burlesque", cuja dona, Tess (Cher), está toda endividada. A casa apresenta show de dançarinas, e Ali sonha em poder se apresentar lá também. Ela fica amiga de Jack, o barman do local, e vai morar na casa dele. Teimosa, Ali tenta provar a Tess que pode dançar e mais, cantar nos shows, contra a vontade de Tess, uma vez que todos os shows são em playback. Até que ela consegue. Mas ganha a inimizade de Nikki, outrora estrela da casa, que não canta e perde espaço para Ali.
O filme é um misto de " Moulin Rouge", "Chicago", " Showgirls", " Cabaret" e " Showbar". A eterna história de Cinderela, da moça honesta e ingênua que tenta seu lugar ao sol.
O roteiro é clichê do início ao fim, não traz nenhuma novidade, tudo extremamente previsível. Um filme feito para quem é fã das duas estrelas, e para quem curte musicais, e está em busca de entretenimento. Tecnicamente o filme é bom, com boa fotografia e bons números musicais.
Aguilera, em seu primeiro papel no cinema, não faz feio, e surpreende. Cher já é macaca velha, e sabe o que faz. O elenco de apoio é chique, com presenças de Stanley Tucci, repetindo pela milésima vez o papel do amigo e conselheiro gay e Peter Galagher.
Um filme delicioso de se ver, mas totalmente descartável.
Nota: 7

Biblioteca Pascal


" Bibliothèque Pascal", de Szabolcs Hadju (2010)

Co-produção húngara/Romena/Francesa e Inglesa, esse filme é resultado de um projeto globalizado.
Concorrendo no Festival de Berlin 2010, o filme saiu de lá sem prêmios, mas ganhou a fama entre cinéfilos como filme cult do festival.
A história gira em torno de Mona, uma jovem mãe solteira. O prólogo do filme mostra Mona em uma sala da Assistência Social, dando o seu depoimento para um funcionário. Ela deseja reaver a guarda de sua filha de volta, e para isso, precisa contar ao homem a sua história pessoal. A partir daí, o filme mergulha em um mundo de fantasia e surrealismo, algo que remete aos filmes de Kusturika. Mona engravidou de um homem acusado de assassinato, e que possui o dom de dividir seus sonhos com outras pessoas. Porém, ele é morto pela polícia, e Mona resolve seguir seu caminho. Ela reencontra o seu pai, que ela não via a anos. Ele a convida a ir com ele até a Alemanha resolver assuntos pendentes. Ela decide ir, e deixa sua filha com a sua tia vidente. Chegando na Alemanha, Mona descobre que seu pai estava enrolado com perigosos traficantes. Ele acaba morto e ela é vendida como escrava. Acaba sendo arrematada por um homem, que mora na Inglaterra. Ele é dono de uma boite chamada " Biblioteca Pascal" na verdade um bordel, onde artistas, poderosos e políticos se encontram em busca de prazeres fetichistas. Cada sala do bordel tem um tema: Sala de Joana D´arc, Sala de Desdêmona, sala de Pinoquio, e por aí vai. Paralelo, a sua filha é mostrada em ferias públicas para ganhar dinheiro: a tia vidente a apresenta como uma atração, pois ela tem o poder de dividir os sonhos com os visitantes, tornando-os reais.
" Biblioteca Pascal" é um curiosíssimo filme, que mistura vários gêneros: drama, fantasia, comédia. Tem muito dos filmes de Kusturika, Terry Gillian, ao mostrar cenas surrealistas com alto teor de fantasia. Os efeitos são muito interessantes, e a fotografia também, muito colorida. A direção de arte mistura elementos de várias épocas, tornando o filme meio anacrônico.
Não é um filme perfeito, mas contém elementos que mantém o interesse do espectador, apesar de seu ritmo um pouco lento. A parte fantasiosa da história poderia ter sido melhor explorada.
O elenco, capitaneado por uma excelente Orsolya Torok-Illyes, é muito bom,
O filme me lembrou bastante o italiano " A desconhecida", de Giuseppe Tornatore, com temática semelhante, porém sem a parte fábula da história.
O desfecho do filme é lindo, em plano-sequência, mostrando o universo do faz de conta de Mona. Aliás, o filme é repleto de travellings laterais, que descortinam cenários e situações. O Diretor explora bastante essa linguagem, o que acho bem interessante. Algo como Greenaway costumava fazer.

Nota: 8




quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Amor e outras drogas


" Love and other drugs", de Edward Zwick (2010)

Comédia dramática dirigida pelo mesmo cineasta de " Tempo de Glória" e " Lendas da paixão", é um filme ousado para os padrões americanos de grande circuito.
Os personagens principais são tipos amorais, em busca de sexo fácil, e o filme tem cenas de nudez protagonizadas por dois astros de Hollywood, no caso Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal, ambos bem à vontade em seus papéis.
O filme é baseado no livro Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman, de Jamie Reidy. Narra a história de Jammie (Gyllenhaal) , um vendedor de uma loja de eletrônicos, que tem como tática de vendas seduzir as suas clientes. Ele é mulherengo, e transa com todas as mulheres que passam por sua frente, tendo elas a seus pés. Até que é demitido do emprego, após seu patrão o encontrar transando com sua namorada.
Seus pais o criticam por sua postura irresponsável, e por ter largado o curso de medicina. Seu irmão resolve indicá-lo como vendedor de uma empresa farmacêutica, a Pfizer, e Jammie consegue aos poucos conquistar uma clientela. Acaba fazendo amizade com um médico, Dr Stan, que o indica para um Congresso. Jammie acaba conhecendo uma das pacientes do Dr Stan, Maggie ( Hatheway), uma artista plástica portadora de mal do Parkinson, ainda em estágio inicial. Maggie não se prende a nenhum homem, quer ser livre. Os dois acabam transando no primeiro encontro. Entre idas e vindas, e pequenos conflitos, os dois acabam se apaixonando. Um dia, Jammie não consegue a ereção, e Maggie lhe indica tomar o Viagra, remédio que acabou de ser lançado pelo fabricante da empresa que Jammie trabalha. . A partir daí, o filme faz apologia do remédio, e o verdadeiro boom que se deu por conta dele. Mas durante um Congresso em Chicago, Maggie assiste uma palestra de Parkinson. Jammie também vai, e ouve do marido de uma mulher portadora da doença de que é melhor ele abandonar a mulher que ama, pois ela ainda está em estágio avançado, e que a tendência é piorar. Jammie fica então abalado, e a relação entra em crise.
" Amor e outras drogas" é um filme que mistura gêneros: percorre da comédia até o drama, e depois romance . Essa mistura não funciona em vários momentos, dando uma ruptura muito grande no desenrolar da história. Inclusive porquê o humor no filme varia da comédia pastelão, juvenil, até um humor mais comedido. (por ex, o personagem do irmão de Jammie é um nerd com problemas de relacionamentos com mulheres. Todas as gags dele são estilo " Porky´s" ).
O filme é longo, arrastado lá pela metade, mas de uma forma geral, é um belo perfil de tipos melancólicos, que moram em grandes metrópoles e se descobrem sem amor próprio. Os dois atores principais defendem com garra os difíceis personagens, e Hatheway tem momentos emocionantes. O filme tem ainda participação muito especial de Jill Clayburg, falecida recentemente, no papel da mãe de Gyllenhaal. Fiquei muito comovido com a curta presença dela em cena, pena que em personagem tão sem destaque.
O filme se passa em 96, e a direção de arte acerta em detalhes. A trilha sonora tem pérolas pops da época. As cenas de sexo são ousadas, e é um relento ver que Hollywood produz filmes para adultos, mesmo que com não totalmente satisfatório.

Nota: 7

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Deixe-me entrar


" Let me in", de Matt Reeves (2010)

Refilmagem americana do cult sueco " Deixa ela entrar", de Thomas Alfredson, vencedor de vários prêmios internacionais.
Graças a Deus, Matt Reeves ( " Cloverfield" ) , o diretor, manteve o mesmo clima autoral do filme original. Não sucumbiu aos encantos dos grandes estúdios, e criou um filme lento, inteligente, tão bom quanto o filme sueco.
Para quem não conhece a história: Owen (Kodi Smit-Macphee / Ator do também excelente " A estrada") é um garoto que mora com sua mãe, em um condomínio isolado, onde os moradores não fazem contato entre si. Triste, sem amigos, Owen sofre ataques de um grupo de garotos de sua turma, que insistem em maltratá-lo. Um dia, novos moradores se mudam no condomínio. Abby ( Chloe Moretz/Atriz do excelente " Kick Ass") e seu " pai" (Richard Jenkins, ator de " Queime depois de ler" e " Comer, rezar, amar") são figuras estranhas, que só surgem durante a noite. Owen fica curioso em relação a essa menina de 12 anos, e passa a escutar os diálogos entre pai e filha através da parede (eles moram do lado). O que ninguém sabe, é que Abby é uma vampira, e seu pai sai á caça de vítimas para saciar sua sede de sangue. Owen e Abby travam uma amizade, ao mesmo tempo que o menino parece ficar assustado com a presença dela.
Essa refilmagem procura ser o mais fiel possível, com pequenas variações: agora temos uma figura de um detetive, e aqui, investem mais em efeitos especiais, porém ser ser muito apelativo. O grande mérito dessa produção é manter o charme do original, a mesma narrativa lenta, e sem se preocupar em agradar ao grande público. Talvez por isso o filme não tenha feito sucesso. O que é uma pena, pois raramente vi refilmagens tão boas.
Os atores estão todos excelentes, com destaque total para a dupla de crianças, realmente incríveis em suas performances.
A fotografia é deslumbrante, recriando o clima de inverno com neve, dessa vez ambientado no Novo México. A trilha sonora também é cativante, criando um clima tenso. Uma cena que me impressionou pela direção e efeitos, é a de um acidente de carro, todo registrado do lado de dentro do veículo, que sai capotando ladeira abaixo.

Nota: 9

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Cúmplices do Silêncio


" Complici del silenzio", de Stefano Incerti (2010)

O filme narra o drama de Maurizio Gallo, jornalista italiano que vai com um amigo fotógrafo para Buenos Aires cobrir a Copa do mundo em 78.
Essa viagem também é o reencontro com seus familiares que ele não conhece, que sairam da Itália para tentar vida nova na Argentina. Chegando na casa, ele conhece tios, primos. Todos o recebem muito bem.
Porém, a Argentina vive um período turbulento na política, quando a ditadura assume o Governo. Tudo é muito discreto, e as pessoas agem como se nada acontecesse. Maurizio traz consigo uma soma em dinheiro, que ele deve entregar a Ana, ex-mulher de um argentino que foi morar na Itália. Em seu encontro com Ana, ele se apaixona perdidamente, sem saber que ela é na verdade, uma guerrilheira filiada a um grupo contra a ditadura militar.
Os dois se envolvem, e Ana tenta dissuadir a idéia de um relacionamento, mas Maurizio não ouve. Até que eles são sequestrados pelos militares e levados para uma base, onde são torturados barbaramente. Maurizio, jornalista conhecido na Itália, tenta provar que não é militante, mas sua paixão por Ana o faz aderir a causa.
O País está todo envolvido com a Copa do Mundo, e a população por um momento, se esquece que vive um governo de terror.
Essa produção italiana filmada na Argentina é um ótimo exemplo de drama político, que junta também ingredientes de um bom melodrama.
A direção é segura, a interpretação dos atores é ótima, apesar dos personagens serem contruídos em cima de estereótipos.
O roteiro cria um forte clima de tensão, e lembra bastante os filmes de Costa Gravas dos anos 80. Alguns pequenos deslizes no roteiro: a resolução, um pouco improvável. O que mais me incomodou foi a reviravolta de um personagem que se mostrou mal o tempo todo, e de repente, resolve ajudar um outro personagem.
A fotografia, a trilha sonora são competentes.
Um filme que merece ser visto, pelo seu forte teor de denúncia contra regimes ditatoriais. O filme me fez lembrar do nacional " Pra frente Brasil", que também usa o mote da Ditadura em período de Copa do Mundo.

Nota: 8

domingo, 16 de janeiro de 2011

F


" F ", de Johannes Roberts (2010)

Suspense inglês, narra a história de Robert, um professor que leciona em um colégio. Atacado por um aluno, ele é convidado pela direção a se ausentar por 11 meses, uma vez que o aluno que o atacou tem pais influentes. Durante esse período, Robert tem a sua vida destruída: se entrega ao alcoolismo, se separa de sua esposa, e sua filha adolescente, que estuda na turma que ele dá aula, o evita.
Passa-se o tempo e Robert retorna ao colégio. Porém, tudo mudou: os funcionários, a direção, ninguém lhe dá credibilidade,e ainda exigem a sua demissão. Durante a aula, Robert castiga sua filha e ela deve passar a noite na escola. Mas essa noite reserva uma grande surpresa: um grupo de adolescentes encapuzados, sem motivação alguma, resolve invadir e matar todas as pessoas presentes. Robert luta pela sua vida e a de sua filha.
O filme não reserva nenhuma novidade, e o que ele tem de interessante é a direção, e sua duração, que é enxuta: 74 minutos. O filme tem uma ótima dinãmica, e a tensão vai num crescendo, apesar de clichês do gênero abundarem na tela. Os personagens são maniqueístas, interpretando arquétipos : a diretora durona, o pai alcóolatra, os policias burros, o segurança mau-caráter. As cenas de violência não são exageradas como em " Jogos mortais", mesmo porquê a opção do diretor ( ou do orçamento) é não mostrar o ato da violência na hora, mas sim depois.
O elenco é irregular, mas a atuação do protagonista David Schofield merece destaque. Não é fácil interpretar uma alcóolatra sem cair em estereótipo, e ele faz com perfeição.
O que realmente não curti é a caracterização dos delinquentes. Eles são encapuzados, e seus rostos nunca são vistos. Mesmo em ambientes iuminados, toda a face é escura, o que tira o tom realista do filme. O roteiro não se interessa em explicar o porquê do ataque. O " f" do título se refere a nota mais baixa dada a um aluno. O desfecho do filme é muito interessante, fechando bem a história, apesar de muia gente ter odiado ( li algumas críticas que não gostaram do final em aberto).

Nota: 7

Norberto apenas tarde


" Norberto apenas tarde/Norbert´s deadline", de Daniel Hendler (2010)

Filme dirigido pelo ator argentino Daniel Hendler, aqui em sua primeira experiência como Diretor, após atuar em quase todos os filmes do Cineasta Daniel Burman (Abraço partido, A lei da família, etc)
O drama, narrado em tons de tragicomédia, conta a história de Norberto, um cidadão pacato, que é demitido da Empresa Aérea no qual trabalhava.
Sem coragem de avisar à esposa e amigos sobre a sua demissão, ele esconde esse fato e aceita trabalhar em uma imobioária de imóveis, como corretor. Porém, a sua introversão o impede de executar a tarefa, e passa um bom tempo sem vender um único apartamento. Norberto vai contando aos poucos para a esposa o desejo de querer trabalhar em uma imobiliária, contra a vontade dela. Ele começa a ficar desesperado, pois está devendo aos amigos, para quem ele pede dinheiro emprestado, e a sua relação com todos fica completamente desgastada. Seu chefe o sugere a procurar um curso de auto-afirmação, e na sua busca, Norberto descobre um grupo de teatro alternativo, que vai montar a peça " A gaivota", de Tchekov. Ele começa a frequentar esse grupo, e se anima com o vigor e jovialidade dos outros alunos, dispostos a se dedicar ao mundo das artes . Norberto vai então levando com carinho e emoção esse universo mágico do teatro, enquanto o seu mundo pessoal vai se desmoronando.
Belo drama, dirigido com competência por Hendler, que tem como maior mérito a construção de um personagem extremamente carismático. Norberto é o tipo do cara que todo mundo adoraria ter como amigo. Boa praça, gentil, tranquilo. A atuação de Fernando Amaral é sensacional e a caracterização do personagem também, sempre vestido com o seu indefectível casaquinho cor de gelo, meio anos 80.
O ritmo se perde lá pro meio da projeção, quando se torna um tanto repetitivo. Mas nada que tire a simpatia do filme, que merece ser visto por se tratar de uma pequena parábola sobre uma pessoa que jamais perde a sua humanidade e que descobre já nos seus quase 40 anos um novo foco de interesse em sua vida, provando que nunca é tarde para começar algo.
Particularmente, sou apaixonado pelo cinema latino, principalmente o Argentino. E Daniel Hendler prova que não é apenas um excelente ator, e começa a trilhar um belo caminho como cineasta.
Nota: 8

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Mágico


" L`illusionniste", de Sylvain Chomet (2010)

Animação francesa, do mesmo realizador de " As bicicletas de Belleville" (2003), um clássico.
Baseado em um roteiro de Jaques Tati, jamais filmado, o filme narra a história de Tatischeff, um ilusionista, que vive na Paris de 1959. O mágico se exibe em um teatro de variedades, e vai perdendo seu espaço para um grupo de rock. Desiludido, ele resolve viajar para Londres. Também sem muito sucesso, acaba conhecendo um bêbado, dono de um pub na Escócia. Tatischeff viaja até lá, e se exibe para um bando de bêbados. Na taverna, ele conhece uma garota, que trabalha lá como faxineira. Ela se encanta tanto com o homem, que resolve largar o emprego e fugir com ele, escondida. Ao se ver sem alternativas, o mágico resolve adotá-la. Vão para Edimburgo. Tatischeff continua em sua peregrinação tortuosa em busca de trabalho, e aceita um emprego numa oficina mecãnica, para poder juntar mais dinheiro e pagar aos caprichos da jovem, que se encanta com os prazeres do consumismo.
" O mágico" é um filme melancólico, e em cada fotograma, homenageia Jacques Tati. A figura de Tatischeffe é toda calcada na figura longelínea e alta do grande cineasta e ator. Inclusive, em uma cena do filme, Tatischeff se refugia em uma sala de cinema, onde está sendo exibido o filme " Meu tio".
Sylvain Chomet traça uma narrativa lenta, dificil de ser acompanhada por crianças, mas que encantará os cinéfilos apaixonados pela obra de Tati. Fiquei imaginando como seria esse filme com ele.
A trama gira em torno de desilusão, perda da inocência, o avanço da tecnologia suplantando artistas populares, que perdem seu espaço para a televisão e ourtos passatempos. ( tema recorrente nos filmes de Tati). O filme homenageia também os artistas mambembes. Em uma cena tristíssima, vemos o desfecho do ventríloquo, do palhaço ( que se torna suicida) e de 3 irmãos acrobatas. Artistas que cresceram sob as palmas do público,e que não conseguiram se adaptar aos novos tempos.
A trilha sonora é uma maravilha, realçando ainda mais a melancolia da animação. O filme é de uma delicadeza de cortar a alma.

Nota: 8


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rubber


" Rubber", de Quentin Depieux (2010)

Filme alçado a categoria de cult, após ter sido exibido com sucesso no Festival de Cannes em 2010.
Produção francesa, mas falada em inglês, e rodada no deserto da Califórnia, " Rubber" tem uma sinopse muito interessante.
Um pneu desperta com vida, subitamente~, no deserto. Aos poucos, aprende a andar sozinho pela estrada, e de repente, começa a matar todo ser vivo que encontra pela frente: insetos, pássaros, ser humanos.
Robert, o pneu, chega até uma cidadezinha, e avista uma jovem, por quem se apaixona.
Com um plot desses, esse filme tinha tudo para ser um filme excepcional, uma pérola para cinéfilos nerds.
Mas..me enganei!
O prólogo do filme é bem interessante: um sherife chega até um ponto do Deserto, sai do carro e começa a falar para a Cãmera. Seus diálogos na verdade, são perguntas ao espectador. Por ex, " porque o E.T. tem cor marrom? Não existe um motivo" e por aí vai, todas as perguntas vem com um complemento" Não tem motivo". Uma espécie de preparação para o espectador mais " mala" que irá perguntar porque o pneu toma vida.
Quando a lente abre, vemos que na verdade, o sherife estava falando para um grupo de turistas, sentados em cadeiras e munidos de binóculos. Os turistas são testemunhas do " filme" que eles e nós, especatdores reais, estaremos prestes a assistir. Eles assistem a todas as evoluções do Pneu, comentando sobre as mortes, as vezes comemorando.
Essa sátira nonsense ganha forças com os personagens completamente absurdos e estereotipados que vão surgindo ao longo da narrativa.
Mas..o que eu não gostei?
Eu tinha a impressão do filme ser trash. Mas não é. Faltou charme de filme tosco, faltou paródia. Os efeitos são excelentes, as mortes idem. Sim, os diálogos são horriveis, as cenas também. Mas não provocam risos, apenas indiferença.
O pior dos pecados, porém, reside na desenvoltura do pneu. pela sinopse, a gente lê que ele sai atropelando geral. Mas não é isso o que acontece. Robert, o pneu, tem poderes telecinéticos. Ou seja, ele se concentra mentalmente sobre o seu alvo, que acaba explodindo. Tipo " Scanners".
Eu teria achado mil vezes mais divertido se o pneu saisse pela estrada atropelando e transformando o povo em massa de pastel, ou saissem voando.
Tecnicamente o filme é bem feito: ótima fotografia, som, edição. Talvez aí residam seus defeitos. O roteiro poderia ter sido mais insano.
Achei um filme aborrecido, sem carisma . Vale apenas pela curiosidade.


Nota: 4

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Desenrola


de Rosane Svartman (2010)

Comédia romântica que aborda o universo adolescente no Rio de Janeiro.
Priscila (Olivia Torres) tem 16 anos, e seus pais são divorciados. Seu pai (Marcelo Novaes)se casou de novo e mora com uma nova esposa (Leticia Spiller), uma mulher prafrentex.
Sua mãe (Claudia Ohana), mais conservadora, viaja por 20 dias e Priscila precisa passar esse tempo sozinha em casa. Pois nesse período, muita coisa acontece em sua vida, que modificará para sempre sua vida.
Priscila é uma jovem " careta", mas que deseja encontrar o garoto ideal para tirar a sua virgindade, uma questão que pesa sobre sua cabeça. Seu garoto ideal é Rafa (Kayke Brito), garanhão da escola e mulherengo. Priscila anda sempre com seu melhor amigo Caco, e é objeto de paixão platônica por parte de Boca (Lucas Salles). Amaral (Vitor Thiré) é o melhor amigo de Boca, e juntos, a dupla arma a maior confusão.
Toda essa galera passa um fim de semana em Buzios, o que acarretará mudanças profundas na vida da garotada.
" Desenrola" é um belo filme de descobertas, e remete bastante aos filmes deliciosos de John Hughes dos anos 80. Alías, o filme presta uma homenagem a essa década, com Direção de arte e figurino meio retrôs, e trilha sonora que contém , entre outros, " Don´t you forget about me", do Simple Minds, ícone da época.
O elenco é recheado de belos talentos juvenis, todos com frescor da juventude, espontâneos e sem aquela forçação de barra televisiva. Ponto para a direção de Rosane Svastman, uma cronista de personagens cariocas, a quem ela trata com extremo carinho em seus filmes.
O filme é um antídoto aos filmes urbanos e violentos que tem surgido nas telas. Nada contra esses filmes, pelo contrário, mas sempre digo que deva haver uma diversificação de produtos para o público nacional.
Um filme gostoso de se ver, um belo passatempo, e que tem um público alvo não apenas os adolescentes, mas todos os que já foram adolescentes.
O porem fica em relação aos efeitos gráficos, que deveriam ter sido melhor explorados, e ser uma linguagem para o filme, como por ex, na cena do banheiro, com Boca lendo a agenda de Priscila.

Nota: 8

domingo, 9 de janeiro de 2011

A viagem do Balão Vermelho


" Le voyage du ballon rouge" , de Hou Hsiao Hsien (2007)

Filme patrocinado pelo Museu D`orsay, em Paris, pelos seus 20 anos de existência, " A viagem do balão vermelho" tem como referência o média-metragem " O balão vermelho", de Albert Lamorisse, um clássico do cinema infantil francês.
O filme narra o drama de Simon (Simon Iteanu) , menino de 7 anos, que vive com sua mãe Suzanne (Juliette Binoche), que trabalha como dubladora de teatro de marionetes. Ela é divorciada, e vive estressada, entre os afazeres domésticos, profissionais e ainda, tendo que lidar com o seu inquilino, que não paga o aluguel a meses. Suzanne resolve contratar Song ( Fang Song), uma babá chinesa que é cineasta, e está em Paris para rodar um curta sobre balões vermelhos.
Simon cria um mundo imaginário, onde um balão vermelho o acompanha pelas ruas de Paris, se tornando o seu único amigo. Simon vive isolado do mundo, tendo como companheiro domiciliar apenas o seu playstation, uma vez que a sua mãe raramente está em casa. A entrada em cena de Song vai transformando aos poucos o modo de Simon enxergar o mundo. Ele usa a filmadora dela, e vai questionando tudo o que vê ao seu redor.
O filme, como não poderia deixar de ser, linda com a fantasia , não só de Simon, mas dos outros personagens. Song quer ser cineasta e acredita em um mundo perfeito. Suzanne deseja a harmonia para a sua vida.
Hou Hsiao Hsien tem como um dos temas no seu filme, mostrar o contraste entre o mundo ocidental e o oriental. Enquanto os franceses são barulhentos, estressados, os orientais ( Song e um mestre de marionetes) são sábios, tranquilos, e enxergam virtudes na vida.
A delicadeza da narrativa é outro ponto forte na obra. Hou Hsiao Hsien faz parte da geração de cineastas Taiwaneses que fundaram a " Nova onda", filmes com forte teor realista.
Aqui, ele conta a sua história de forma extremamente lenta, as vezes tediosa. Seus planos são longos, a maioria em plano sequência. A camera de Hsien registra momentos de absoluto cotidiano. Momentos soltos, fragmentados.
A fotografia é linda, e a trilha sonora, tendo como base o piano, é sofisticada.
O roteiro brinca com o universo do cinema, através do personagem de Song, e também através de videos amadores que pertenciam ao pai de Suzenne.
Um filme de cinéfilos, que jamais entrou em circuito comercial , sendo exibido apenas em mostras e festivais.
O elenco está ótimo, e interessante notar que Hsiao Hsien usa o nome verdadeiro dos atores para chamar os seus personagens. O filme é quase que um registro documental da vida de tipos em Paris.

Nota: 7

Não me abandone jamais


" Never let me go " , de Mark Romanek (2010)

Drama de realismo fantástico baseado no livro de Kazuo Ishiguro, mesmo autor de " Vestígios do dia", transposto para as telas por James Ivory.
A história gira em torno da amizade de três amigos, em épocas distintas.
Em 1978, ainda crianças, na faixa dos 10 anos de idade, os 3 amigos se encontram em um internato, chamado Hailshan. Nesse lugar, as crianças ficam confinadas em um universo onde permanecem 14 horas dedicadas aos estudos e a arte. sem muito contato com os adultos, as crianças fazem parte de um mundo idealizado. Elas não podem sair da fronteira da escola, pois histórias foram contadas sobre fugitivos que foram encontrados mortos. Um dia uma professora nova chega ao local, e começa a estranhar tudo o que ela encontra. Até que ela descobre a terrível realidade: as crianças são clones, gerados para doar seus órgaos quando atingirem a fase adulta.
Essa revelação é feita para as crianças, e os 3 amigos mudam seu ponto de vista sobre tudo o que está ao seu redor, passando a questionar a razão da existência deles.
O tempo passa, e estamos em 84. Já pós adolescentes, os amigos são transferidos para uma colônia habitada pelos clones. Lá eles tomam conhecimento de que casais apaixonados tem sua vida útil estendida. Isso provoca nas duas amigas, Ruth e Kathy (Keira Knightley e Carey Mulligan) atritos, tendo Tommy (Andrew Garfield, o Eduardo de " A rede social" ) como motivo dos conflitos.
Já adultos, em 96, os três aguardam tensos a perspectiva sem futuro da doação dos órgãos, o que provocará a morte iminente deles.
Essa fábula sobre a vida e a morte, é belamente conduzida por Romanek, diretor de " Retratos de uma obsessão", com Robin Willians. Tem uma excelente fotografia, belíssima trilha sonora e uma narrativa lenta, que conduz o espectador ao universo idílico e assustador desses personagens.
A questão do poder sobre a vida e a morte de seres humanos me lembra bastante os andróides de " Blade Runner" , que passam por crises existenciais muito próximas aos desses clones. O filme discute o poder de alguns de decidirem quando uma pessoa deve deixar de viver,uma fábula mórbida sobre o poder fascista de governantes que controlam a vida de outros seres vivos, ditos " sem almas".
Andrew Garfield, Keira Knightley e Carey Mulligan estão ótimos, em performances contidas e envolventes. A veterna Charlotte Rampling faz uma participação como a diretora de Hailshan. O triste destino de seus personagens provoca uma tristeza e melancolia, captadas com muita sensibilidade por Romanek.
Na verdade, eu só aceitei esse filme após entendê-lo como uma fábula. Caso contrário, muitas questões poderiam ser elaboradas para dar veracidade a história.

Nota: 8

sábado, 8 de janeiro de 2011

Bravura Indômita


" True Grit", de Joel e Ethan Cohen (2010)

Remake do filme homônimo de 1969, dirigido por Henry Hathaway e protagonizado por John Wayne, que ganhou o Oscar de atuação pelo papel do oficial beberrão " Rooster" Cogburn.
Os irmãos Cohen resolveram trazer o Velho Oeste de volta ao cinema americano, após esse gênero ter permanecido ausente por algum tempo no circuito.
Jeff Bridges incorpora o personagem do oficial meio bronco e polêmico, por ter a fama de matar os seus prisioneiros. O filme conta a história de Mattie Ross, uma menina de 14 anos que resolve se vingar do assassinato de seu pai, morto a sangue-frio por Tom Chaney (Josh Brolin). Ela resolve contratar os serviços de " Rooster", que a princípio não aceita, mas com a insistência da menina teimosa, acaba cedendo. Ela quer que " Rooster" mate o bandido. Paralelo, um pistoleiro texano, Labouef (Matt Damon), também procura o paradeiro do bandido, mas com a intenção de capturá-lo vivo, por um crime cometido na região do Texas. "Rooster" não permite que a menina o acompanhe, mas ela acaba arrumando um jeito de ir junto, pois pretende testemunhar a execução do serviço.
No caminho, o trio segue por um acampamento indígena, e conflitos surgem entre os três, até o iminente encontro com Tom Chaney e sua gangue.
É inegável a homenagem que os irmãos Cohen pregam ao cinema de John Ford, principalmente "Rastros de ódio". Planos gerais, mostrando toda a geografia da região. Cenas noturnas em volta da fogueira. A menina valente ( papel de Natalie Wood em " Rastros de ódio). A longa peregrinação pelo deserto.
A fotografia do mestre Roger Deakins (responsável tb por " Onde os fraocs não tem vez") é algo de espetacular: Cenas de neve, em torno da fogueira, sombreadas pelo contra-luz, são várias as luzes inesquecíveis que Deakins trabalha ao longo da narrativa.
A trilha sonora, evocando os épicos de Ennio Morricone, maravilhosa. A direção precisa, apesar de ser um filme de ritmo muito lento e as vezes cansativo.
O elenco brilha, sem exceção: Hailee Steinfeld, de 14 anos, em sua estréia cinematográfica, mostra que é uma das grandes apostas do cinema. Ela está bárbara com sua personagem difícil , a da menina teimosa e persistente. Jeff Bridges representa o papel do oficial beberrão, uma tarefa fácil, após o seu papel que lhe valeu o Oscar, do cantor Bêbado em " Coração louco". Gostei bastante, apesar de as vezes achar que ele está overacting.
Matt Damon interpreta um pistoleiro introvertido, e está quase irreconhecivel em sua caracterização. O time se completa com Josh Brolin, que só aparece lá pelo terço final, cumprindo com louvor o seu vilão.
É bom ninguém assistir ao filme com muita expectativa, pois podem se frustrar na esperança de assistir a mais uma obra-prima dos irmãos Cohen. É um filme correto, nostálgico, de muita competência técnica e boas interpretações. Ah, e não tem tanta violência gráfica como nos filmes anteriores dos cineastas. É um filme mais família, e não por acaso, o filme foi produzido por Steven Spielberg, que deve ter pedido pros manos segurarem a onda..hehee

Nota: 8

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Além da Vida


" Hereafter", de Clint Eastwood (2010)

Drama dividido em 3 histórias paralelas, que tem como tema em comum a vida depois da morte.
Na 1a história, Marie Lelay (Cecile de France, de " Alta tensão" e " Um lugar na platéia") é uma jornalista de férias na Tailândia. Ela está com seu namorado, o diretor de um programa de sucesso que ela trabalha como apresentadora. Famosa, ela descansa num hotel. Ao acordar, ela resolve passear na cidade. Porém, um Tsunami violento toma conta do local, e Marie se acidenta, sendo inclusive dada por instantes como morta. Nesse momento de quase morta, Marie mergulha em um mundo paralelo, e acredita ter visões de espíritos. Ao acordar do acidente, o mundo de marie não é mais o mesmo. Ao retornar para Paris, ela percebe que a percepção das coisas ao seu redor mudaram, e ela resolve escrever um livro sobre a sua experiência, indo contra as opiniões de seu editor e de seu namorado, que a consideram mentalmente insana. Aliás, a cena do Tsunami, logo no início do filme, é um dos pontos altos do filme. Extremamente bem filmada e realizada, cria um impacto muito forte, que permanece na mente do espectador por um bom tempo.
A 2a história é a dos irmãos gêmeos Marcus e Jason, em Londres. De personalidades distintas (Marcus é introvertido, e Jason é o inverso), moram com a mãe, viciada em heroína. Ela está para perder a guarda das crianças para a assitência social, quando um acidente mata um dos meninos. Marcus se encontra sem rumo, pois a vida toda ele viveu sobe o comando de Jason.
A 3a história é a de George (Matt Damon, em seu 2o trabalho com Eastwood, após " Invictus") dá vida a um vidente que abandona o seu dom, por considerar uma maldição para a sua vida. Por conta disso, ele se afasta das pessoas, e é uma pessoa solitária. Seu irmao tenta fazê-lo retornar a atividade de ler o futuro das pessoas, para ganhar dinheiro, mas George não concorda.
Interessante Clint Eastwood realizar um filme com a morte como tema, e ter uma mensagem otimista sobre uma vida após a morte. Até dá para entender melhor, uma vez que Steven Spileberg é o produtor exceutivo. Acredito que a idade (Eastwood completou 80 anos) foi fundamental para ele trabalhar com esse tema, porém é discutível a forma como é tratada no filme. A trama é forçada, da forma que os 3 personagens vão se interagir no desfecho ( algo chupado dos filmes de Inarritu). É longo, perde o ritmo muitas vezes ao longo da narrativa (ficamos com a impressão de ter várias " barrigas"). O desfecho é óbvio, e se torna melodramático. Apesar disso, reserva uma emocionante cena com o menino, com ótima atuação, na cena que o vidente lê as mensagens de seu irmão.
Trabalhar com o tema da vida após a morte sempre é algo que causa polêmica. E não é diferente aqui em " Além da vida". O que torna o filme memorável é a atuação dos atores, a excelência dos efeitos especiais e a delicadeza com que Eastwood trata do assunto, mesmo que a gente não dê muita credibilidade.
Vale ressaltar também a quantidade de merchandising inserido no filme: Google, Virgin, Blackberry, Youtube e várais redes de hotéis.

Nota: 8

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

127 Horas


" 127 hours", de Danny Boyle (2010)

Filme baseado no livro " Between a rock and a hard place", de Aron Ralston.
Ralston é um montanhista americano, e em 2003, ele foi fazer atividades nas montanhas de Utah. Após longa caminhada, envolvendo inclusive uma amizade fugaz com 2 montanhistas, Ralston se acidentou, caindo em uma fenda do canyon. Ao cair, uma pedra enorme se prende ao seu braço direito, o que o impede de se movimentar. Ralston , em princípio não acreditando em seu infortúnio, vai caindo na real e mantém a calma, apesar de momentos de desespero. De sangue frio, Ralston vai alternando momento de humor e de alucinações, devidamente registradas em uma filmadora que ele trazia consigo. Sua reserva de água e comida se esgota, e Ralston, em momentos de desespero, se apega a lembranças familiares, amizades e namorada, com quem rompeu recentemente. Ralston não tinha o hábito de avisar as pessoas próximas o seu paradeiro.
Em ato de completa valentia e desejo de viver, Ralston pega o seu canivete e corta o seu braço, conseguindo assim se livrar da pedra. Passou no Canyon 127 horas, daí o título do filme.
Impossível falar do filme e não comentar a atuação magistral de James Franco, que se entregou de corpo e alma ao personagem. É comovente a sua interpretação, alternando humores e desespero. A cena da amputação é de uma aflição enorme, (inclusive quando da exibição do filme no Festival em Toronto de 2010, muitos espectadores desmaiaram). Lembra muito cenas de qualquer filme de " Jogos mortais", mas sendo em contexto realista, é ainda mais chocante.
A direção de Danny Boyle não priva o espectador de ver a famosa cena, causando repulsa e nervosismo em quem assistir.
A edição é dinâmica, excelente. A fotografia e o trabalho de camera também beiram a perfeição. Existem planos que provavelmente foram misturados a computação gráfica (por ex, quando a camera sai do grito de Ralston, vai subindo pelo canyon até ganhar a magnitude da região, em plano aéreo.
A trilha sonora é fantástica, dando o tom certo para a narrativa.
Boyle trabalhou praticamente com a mesma equipe de seu vitorioso " Quem quer ser um milionário".
Na fotografia, Anthony Dod Mantle. No roteiro, a colaboração de Simon Beaufoy.
Na trilha sonora, o oscarizado A. R. Rahman.
Um filme poderoso, forte, tocante, que mostra a vontade de viver de um ser humano, que não se deixou levar pelo destino trágico.

Nota: 9

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O Vencedor


" The fighter", de David O`Russel (2010)

Drama dirigido por David O´Russel, mesmo diretor de " 3 Coroas" e " Huckabees", baseado na história real de " Irish" Mickey Ward (Mark Walhberg),e a sua relação com sua família e principalmente seu meio-irmão, Dicky Ecklund (Christian Bale).
Mickey ganhou o título mundial de peso leve e se aposentou em 2003.
O filme se passa na década de 80, e mostra a relação entre Mickey , sua mãe (Melissa Leo) e seu meio-irmão. De família pobre, Mickey é divorciado e pai de uma filha adolescente. Ele procura ganhar a vida como lutador, inspirado em seu irmão mais velho, que foi um lutador famoso e venceu uma luta importante. Porém, a fama trouxe também o mundo do crime e drogas para Dicky, que acaba se tornando viciado em crack.
Dicky é o treinador de Mickey, e entre um treino e outro, se afunda nas drogas e nas más companhias. A mãe dos dois gerencia a carreira de Mickey, mas a sua postura arrogante e egoísta é um obstáculo para o sucesso do filho. Mickey conhece uma garçonete em um bar, Charlene (Amy Adams), e a relação dois dois provoca atritos entre a mãe e o irmão de Mickey, uma vez que ela o faz enxergar o quanto os dois estragam a sua vida e a sua profissão.
Mickey se vê dividido, e entra em crise, ao mesmo tempo que procura agradar a todos.
" O Vencedor", mais do que um filme de boxe, é um filme sobre a amizade entre esses dois irmãos, e a luta de ambos para sobreviver em um mundo cruel e competitivo, que leva uma pessoa do sucesso á bancarrota num piscar de olhos.
O ponto forte desse filme é sem dúvida alguma a atuação brilhante do elenco, a começar pro Christian Bale, que mais uma vez, emagreceu para compôr o seu personagem. Aliás, ele foi a terceira escolha para o papel, atrás de Brad Pitt e Matt Damon, que não puderam por problemas de agenda. Mas vendo o filme, fica impossível pensar em outro ator que não Christian Bale, assustador no seu papel. Me surpreendeu a sua entrega ao personagem, é algo monstruoso. Até chorei na cena final, de tão cativante que é o seu Dicky. Fica impossível fazer qualquer crítica a personalidade do seu personagem. É uma figura extremamente humana, sujeita a falhas.
Melissa Leo e Amy Adams, estão também formidáveis, e aqui Amy Adams explora um universo até então desconhecido de seu público, em um personagem realista e crú.
Mark Walhberg, produtor do filme, levou anos para poder levantar esse projeto, e deve estar muito orgulhoso. A sua performance também é elogiável, apesar de ofuscado pelo brilho dos coadjuvantes. O elenco de apoio também está ótimo, com destaque para a caracterização das 6 irmãs de Mickey e Dicky.
Curioso é ver o nome do cineasta Darren Aronofsky como Produtor executivo do filme.
O Título do filme, " O Vencedor", tem mais a ver com a vitória de seus protagonistas na batalha da vida, do que na luta, propriamente dita.
Excelente trabalho de cãmera, fotografia e trilha sonora.
Um filme obrigatório para quem gosta de filme de personagens. Emocionante é a palavra que descreve esse filme. Eu particularmente não gosto de boxe, mas incrível como esse esporte trouxe tantas obras-primas para o cinema: Touro indomável, A menina de ouro...e filme bons como O campeão e Rocky, um lutador.

Nota: 9

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Route Irish


" Route Irish", de ken Loach (2010)

Exibido no Festival de Cannes 2010, " Route Irish" despertou opiniões bem distintas entre os críticos. Uns alegaram que Loach se vendeu ao cinema comercial, outos que Loach repete sempre o mesa tema de forte teor político.
O filme narra o drama de Fergus (Mark Womack), ex-integrante das Forças especiais que foi deportado do Iraque, e que mora em Londres. Ele fazia parte de uma grande Indústria belicista que fornece armas para a Guerra do Iraque. Seu melhor amigo, Frank, morre em uma emboscada na Route Irish, estrada de 12 km de extensão, que liga a Zona Verde ao Aeroporto de Bagdá, considerada a estrada mais perigosa do mundo. Fergus se sente culpado pela morte de Frank, uma vez que foi ele quem o forçou a se inscrever como combatente na Guerra, para ganhar dinheiro. A viúva e a família de Frank viram as costas para Fergus, o responsabilizando pela morte dele. Porém, Fergus resolve investigar a morte do amigo, e aos poucos, vai descobrindo que a emboscada na verdade pode ter sido planejada pelos poderosos da indústria. Fergus recebe uma encomenda de Frank, enviada antes dele morrer, contendo um celular. Nesse celular existe um vídeo com uma gravação de um massacre provocado por soldados ingleses contra civis iraquianos. Frank ameaçou delatar seus colegas de pelotão, e Fergus acredita que esse tenha sido o motivo do assassinato do amigo. Fergus conta com a ajuda da viúva e resolve atacar os poderosos da Indústria. Existe uma sub-trama que envolve Fergus e a viúva, e descobrimos que havia entre os dois uma relação mal resolvida.
O filme tem um roteiro excelente, intricado. Dessa vez, Loach prega um filme de ação, diferente de seus outros filmes, mais intimistas, com forte dose de suspense. O desfecho é sensacional, e o filme reserva uma cena de tortura realmente chocante, filmado de forma bem realista. Para conseguir informações, Fergus se utiliza de um tratamento de tortura usada por soldados, que consiste em amarrar a vítima numa maca, colocar um pano em seu rosto e jogar água constantemente por sobre o nariz, o que impede a vítima de respirar.
A fotografia , em tons escuros , traz um clima melancólico ao filme, constrastando com as cores quentes do Iraque. A trilha sonora é envolvente.
O elenco, encabeçado por Mark Womack, traz atuações muito fortes, provando a excelência da direção de atores de Loach.
Loach é conhecido por deixar os atores improvisarem seus diálogos, ele sugere umas frases e os próprios atores as controem. Esse despojamento é a receita da naturalidade das atuações.

Nota: 9

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Os bebês


" Bébés/Babies" , de Thomas Balmès (2010)

Sofisticado e delicioso documentário dirigido pelo francês Thomas Balmès, que durante 1 ano, acompanhou o nascimento e o desenvolvimento dessas crianças no seu habitat.
São 4 países, 4 culturas completamente distintas. Temos os gêmeos da Namíbia, o menino da Mongólia, a menina japonesa (Tokyo) e a menina americana (São Francisco).
O filme mostra como a cultura e o meio ambiente podem desenvolver personalidades diferentes nas crianças e na sua forma de ver o mundo.
Na Namíbia, numa tribo africana, a mãe cria seus gêmeos de forma mais solta. Eles ficam livres para descobrir a vida, mexem na terra, não tem contato algum com a tecnologia. Se socializam com outras crianças, e criam sua independência mais cedo.
Na Mongólia, o bebê disputa seu espaço numa casa no campo com seu irmão mais velho, que morre de ciúmes da atenção dada ao novo morador. O irmão mais velho prega muitas peças para sacanear o bebê, que acaba sendo se dando bem nas situações. Tem uma cena antológica, do bebê numa bacia tomando banho, e chega uma cabra , que bebe água da bacia.
Em São Francisco, os pais da bebê a envolvem com todo o carinho possível, não se desgrudando dela em nenhum momento. A mãe lê livros, a menina é rodeada de cultura.
Em Tokyo, a bebê também é observada o tempo todo pelis pais. Curioso notar que na sociedade japonesa, os pais fazem curso para poder ampliar os seus horizontes no que diz respeito a lidar com outro ser humano, como se o dia a dia estressante da cidade fizessem os moradores se tornarem tipos autômatos. A tecnologia também se faz presente, através de brinquedos e computador.
O filme é fragmentado, e não segue uma linha narrativa. Como observadores, e curiosos, ficamos encantados com esse filme mágico. Muito interessante notar que, independente da cultura, as reações, os gestos dos bebês são idênticos. O filme parece querer dizer " como seria maravilhoso se todos os seres humanos pudessem ser como esses bebês, sem ódio, sem violência, sem preconceitos, sem diferenças sociais".
É curioso notar como os animais são fundamentais para as crianças. Em todas as histórias, os bichanos estão presentes, se misturando ao cotidiano delas.
O filme é belisssimo, com fotografia deslumbrante, trilha sonora sublime, e acompanhamos com muito prazer e alegria as situações do cotidiano. Me lembrou bastante "MARCHA DOS PINGUINS", pelo sensibilidade que é realizado esse documentário.
São 79 minutos de puro deleite e graciosidade. Fico imaginando o tempo e a paciência que os câmeras tiveram para poder captar cenas tão maravilhosas e únicas.
Atenção: esse filme não é recomendado para quem não gosta de fofuras e bebês.

Nota: 9

domingo, 2 de janeiro de 2011

Cela 211


" Celda 211", de Daniel Monzón (2009)

Drama baseado em livro homônimo, é uma co-produção França/Espanha, e venceu 8 prêmios Goya em 2009, entre eles o de melhor filme, competindo com " Abraços partidos " de Almodovar e "Agora" de Almenabar.
A história gira em torno de Juan (Alberto Ammann), um jovem carcereiro, que resolve visitar a prisão aonde ele irá trabalhar no dia seguinte. Juan deixa sua amada esposa grávida de 6 meses em casa, e mesmo contra a vontade dela, ele visita a prisão apenas para conhecer suas instalações.
Para o seu azar, ele se machuca durante a visita. Fica inconsciente. Seus colegas carcereiros o deixam na cela 211, e nesse momento, explode um motim, na área mais barra-pesada da prisão, comandada por prisioneiros de alta periculosidade. Os carcereiros o abandonam a própria sorte, e ao acordar, Juan percebe que está em maus lençóis. Esperto, percebe que para sobreviver ali dentro, tem que se passar por um preso. Se livra de todas as evidências que possam provar que ele é um funcionário. O líder do motim, Malamadre (Luis Tosar) em princípio desconfiado, faz de Juan seu companheiro de motim, o que provoca ciúmes em Apache (Carlos Bardem, irmão de Juan Bardém). Cria-se um forte laço de amizade entre Juan e Malamadre. Os diretores do presídio percebem que Juan se faz passar por preso, e tentam a todo custo livrar ele e outros reféns, sem que os presos percebam. Paralelo, temos a história de Elena, esposa de Juan, que vai até a prisão para saber notícias do marido.
Contar mais detalhes da trama seria entregar as reviravoltas de roteiro. O que esse drama carcerário propõe, é mostrar traços de lealdade e amizade entre personagens tão distintos como Juan e Malamadre, que se sensibiliza com o drama da esposa grávida do novo companheiro.
O filme quer também fazer uma denúncia contra o sistema carcerário e a corrupção na esfera do Governo. Diferente de " Um sonho de liberdade", " Cela 211" quer fazer um registro da crueldade que existe nos dois pólos da prisão: os que estão dentro, e os que estão fora. A traição pode vir de qualquer lado.
Um excelente trabalho de cãmera, edição dinâmica e som rítmico. Poderia ser uma produção de Hollywood, o que aliás acontecerá, já que os direitos de refilmagem já foram adquiridos. Resta saber se os americanos irão preservar o triste desfecho da história.
Um ponto alto do filme é a performance dos 2 atores principais, envolventes em sua estranha e humana amizade, trabalhando a difícil construção dos personagens, que varia conforma a dança.
O filme , apesar de dramático, é ação pura: já começa na adrenalina desde o seu começo.
Está na lista dos 10 mais de 2010 do crítico Roger Ebert

Nota: 8

O Pai das minhas filhas



" Le pére de mes enfants/Father of my children", de Mia Hansen Love (2010)

Drama baseado em história real, teve como inspiração a vida do produtor de cinema francês Humbert Balsan. Balsan produziu mais de 70 filmes, entre eles, filme de Claire Denis, James Ivory, Elia Suleiman ( o ótimo "Internevnção divina") e por último, co-produziu " Mandarlay", de Lars Von Triers. Balsan acreditava em filmes de arte, e lançava cineastas, tinha verdadeira paixão pelo cinema de autor. Porém, se afundou em dívidas, e acabou se matando em seu escritório, por enforcamento, em 2005.
" O pai de minhas filhas" prega essa homenagem a Balsan. Aqui, o personagem é vivido por Gregoire Canvel, produtor bem -sucedido, produziu mais de 5o filmes. Ele lança cineastas, acredita em fazer filmes por pura paixão pelo cinema, apesar dele mesmo não ter tempo de ver filmes. O filme começa com Gregoire dividido entre várias produções, entre elas um filme coreano, e um filme de um diretor sueco, no qual ele aposta todas as suas fichas, Stig Janson ( um alter-ego de Lars Von Triers). Esse filme , " Saturno" está saindo do orçamento, endividando cada vez mais Canvel. Mas crente no sucesso do filme, ele bota lenha na fogueira, pegando mais empréstimos em bancos . Stig é um diretor genioso, e arruma muitas confusões nas filmagens. Canvel é workaholic, e vive dividido entre o trabalho, que ele dedica 24 horas por dia ( não larga o celular: o prólogo do filme já mostra Canvel em sua vida cotidiana) e a vida pessoal. Canvel é pai de 3 filhas, e possui uma esposa amorosa, mas que reclama da falta de atenção da parte dele.
Todo fim de semana, a família passa féria snuma casa do campo, a 2 horas de Paris.
Porém, a situação financeira da produtora de canvel, a Moon filmes, vai se afundando cada vez mais, até parecer não ter mais saida. Canvel é otimista, e vai empurrando os problemas com a barriga. Quando a situação sai do controle, ele se suicida.
Aí estamos na metade do filme. A partir daí, dá-se inicio a peregrinação da esposa dele, Sylvia, em manter a produtora e os ideais do marido em dia. Sylvia se esforça, cumprindo o papel de produtora, sem jamais ter sido. Ao mesmo tempo, a filha adolescente, Clemente, reclama que sua mãe está indo pro mesmo lado que seu falecido pai.
" O pai de minhas filhas" é um drama poderoso, e me comoveu bastante. Claro, ter o universo dos bastidores do cinema para mim foi delicioso, me vi em várias situações semelhantes. Para o espectador mais leigo dessa vida infernal, parece que tudo é meio que uma jogatina. E é isso mesmo. As vezes se acerta, as vezes não. É um desespero total.
O elenco é o ponto forte desse filme: Louis-Do de Lencquesaing, no papel de Gregoire, é um ator excepcional. A sua composição da fragilidade do personagem, aliado a fachada de homem feliz e vitorioso, me comoveu bastante. E eu nunca havia ouvido falar desse ator. Chiara Caselli , que faz Sylvia, também mostra seu talento. E esse é o grande lance do filme, seu elenco é composto de nomes pouco conhecidos so cinema francês, o que me conferiu credibilidade.
A fotografia é linda, a trilha sonora também. Os créditos iniciais são maravilhosos, dando a idéia de que veremos um filme alegre. No desfecho, emblemático, a canção que sera, sera" é tocada, deixando em aberto a vida dessa família que caminha sem rumo na vida.
O filme tem um ritmo lento, que pode asssustar espectadores mais impacientes. E a inteligência do roteiro, que evita melodrama, focando no aspecto quase documental da vida da família após a morte do patriarca.
O crítico Roger Ebert o colocou na lista dos 10 filmes estrangeiros mais importantes de 2010.

Nota: 9

A vida acima de tudo


" Life above all", de Oliver Schmitz (2010)

Considerado pelo crítico Roger Ebert entre os 10 melhores filmes estrangeiros de 2010, " A vida acima de tudo" é uma emocionante viagem épica através da história da pequena Chanda.
Baseado em um livro, " Chandas secret"`, o filme narra a história de um vilarejo na África do Sul, devastado pela epidemia da AIDS. Os moradores vivem em um clima de tensão, e qualquer suspeita da doença em algum morador, cria uma verdadeira caça as bruxas.
O filme começa com a morte de uma bebê recém nascida, irmã de Chanda, nossa heroína. Chanda é ótima filha, excelente aluna na escola. O pai bêbado, acusa a esposa de matar a filha com leite envenenado. Os vizinhos suspeitam de aids, mas todos ficam em suspense. Até que um dia, a mãe de Chanda também cai doente. A vizinha Sra Tafa, sempre prestativa, sugere a Lillian, mãe de Chanda, a se exilar, abandonando sua família, e procurar ajuda em sua cidade Natal. Porém, a própria mãe de Lillian a rejeita, acusando-a de promíscua. Chanda desconfia desse exílio da mãe, e vai em busca dela, passando por uma peregrinação tortuosa. A sua melhor amiga, Esther, também uma menina, está contaminada, e Chanda se afasta dela, por preconceito. Esther se prostitui para poder sobreviver.
O filme é um belíssimo libelo contra o preconceito,e afirma que, mesmo hoje em dia, a AIDS é vista como morte certa em regiões da àfrica, por conta de falta de informação ou até mesmo por visão maligna da doença.
A sra Tafa tenta de tudo: feitiçaria, rezas. Somente no fim, Chanda a convence de levar sua mãe para um médico.
Poucas vezes me emocionei tanto em um filme. O elenco, poderoso, tem nas interpretações de Khomotso Manyaka como Chanda, e Keaobaka Makanyane, como Esther, duas das atuações mais vibrantes e comoventes que já vi recentemente. O elenco adulto também está ótimo.
A fotografia é outro trunfo do filme: estilosa, variando entre o quente e o frio, com composiçãoes de enquadramento absolutamente belas. A trilha sonora é divina, evocando melodias da região.
O filme tem muitas cenas antológicas: a dança de Chanda com moradores da região em uma festa; o surgimento de seu pai moribundo após estar totalmente destruído pela bebida; a cena de Esther se prostituindo na rodoviária. e a comovente cena do reencontro de Chanda com sua mãe abandonadda.
Uma obra-prima que deve ser visto por todos, emocionando todos os corações duros de preconceito.

Nota: 10

sábado, 1 de janeiro de 2011

Prata esquecida


"Forgotten silver", de Peter Jackson e Costa Bostes (1995)

Esse falso documentário é uma pequena jóia do cinema, que eu confesso, jamais havia ouvido falar. Recentemente é que tomei conhecimento, através de um bate-papo entre amigos cinéfilos. Um buraco negro na minha vida de cinéfilo.
" Prata esquecida" é um Mockmentary, ou seja, um falso documentário todo projetado para dar a impressão ao espectador de que estamos vendo algo real.
O filme é apresentado pelo próprio Peter Jackson, que afirma ter descoberto latas esquecidas de filmes 35 mm num velho depósito na casa de uma senhora, chamada Hannah Mackenzie. Ela foi casada com Colin Mackenzie, que Jackson, assustado, descobre ser o autor dos filmes esquecidos.
Jackson manda então restaurar os filmes,e aos poucos, somos apresentados a vida de Colin Mackenzie, um grande revolucionário do cinema Neo-Zelandês, que morreu na obscuridade.
Colin era filho de agricultor, mas sempre teve interesse por mecãnica. Até que ele inventa uma cãmera capaz de registrar imagens em movimento.
Colin foi pioneiro em muitas tecnologias do cienma, mas por infortúnio, ou ele ia preso, ou ele devia uma fortuna, o que impossibilitava dele ficar famoso. Criou o registro sonoro direto em 1908 ( o filme tinha atores chineses, e quando exibido para o público, foi um fracasso, pois ninguém entendia nada da lingua. Colin não tinha ainda idéia de legendas); criou o negativo colorido em 1911, através de plantas exóticas colhidas em uma ilha. Mas foi preso, pois nesse material colorido filmado, havia imagem de uma india desnuda. Ele foi preso por atentado ao pudor.
Colin foi responsavel também por fazer um registro documental de um primeiro vôo de protótipo de avião, antes mesmo dos irmãos Wright, mas esse material nunca foi exibido. E por aí vai: inventou a pegadinha; inventou o travelling, concebeu o close-up; foi pioneiro na elaboração do primeiro longa-metragem neo-zelandês, uma versão de " Salomé". Só que o filme teve muitos percalços, sendo filmado por anos a fio, parando sempre por motivos financeiros. Peter Jackson , através de uma expedição, descobre o paradeiro das latas do filme , e ainda descobre a cidade cenográfica erguida para as filmagens.
O filme é muito divertido, e o mais hilário, é levado a sério. Inclusive, vários diretores, atores e produtores do main stream são entrevistados, para dar veracidade a história, entre eles o ator Sam Neil e o produtor Harvey Fienstein, da Miramax.
Jackson filmou todas as cenas creditadas a Mackenzie, e pelo visto, esse filme de 52 minutos deu muito, mas muito trabalho. Não foi apenas uma brincadeira de galera de cinema, e sim, um filme sério que no final das contas, homenageia o cinema neo-zelândes.
Imperdível para amantes do cinema.

Nota: 8