quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Cinquenta tons de Cinza

"Fifthy shades of Grey", de Sam Taylor-Johnson (2015) Curioso como a direção do filme coube a Sam Taylor Johnson, que é uma cineasta inglesa tem em seu currículo o filme "O garoto de Liverpool", de onde conheceu seu marido, o ator Aaron Taylor Johnson. Vários DIretores haviam sido convidados, entre eles Joe Wright e Steven Soderbergh, mas declinaram. Baseado no best seller de E. L. James, a trilogia "Cinquenta tons de Cinza " (na verdade, o Grey, traduzido para cinza, é o nome do protagonista, Christian Grey. O título se refere a um contrato entre Grey e Anastasia, uma jovem estudante de literatura por quem ele se apaixona. O Contrato, redigido por Grey, prevê uma relação entre Dominador e Submissa, expressa em vários itens e cláusulas. Descobrimos que Grey, um bilionário solteiro, curte ser Dominador e possui um quarto de Jogos eróticos em seu apartamento. Ele vê em Anastasia a pessoa perfeita para manter uma nova relação: Jovem, bonita, ingênua, curiosa, apaixonada e...virgem! E como a mensagem do filme quer pregar, dinheiro compra tudo, menos a felicidade. Jamie Dornan e Dakota Johnson ( Filha dos atores Don Johnson e Melanie Grifiths) fazem o que podem, mas o que se ouviu ao longo do filme na sessão que assisti eram risadas que para mim, soavam mais como constrangedoras, tal o absurdo da história e da relação entre o casal. Tecnicamente, o filme é muito bonito: fotografia, direção de arte, figurino, trilha sonora, tudo requintadíssimo, dando vida a esse Universo do bilionário sedutor. Mas como levar a sério um filme , cujos livros venderam mais de cem milhões de cópias, onde o tema principal é sexo sadomasoquista, e o que vemos nas cenas são simples palmadinhas que qualquer criança já levou pior de seus pais? Acho que faltou ao critério dos produtores americanos uma visão mais explicitamente erotizada desse universo do machista sedutor, melhor presente em clássicos como "9 semanas e meia de amor"e " Louca paixão", de Paul Verhoeven, realizada em 1973! A conclusão que tiro é que nesses nossos novos tempos, o mundo ficou careta. Quando Lars Von Triers filma "Ninfomaníaca" e mostra uma cena masoquista entre Charlotte Gainsbourg e Jamie Bell é uma grita danada, e o filme acaba sendo banido em vários países. Nenhum produtor sensato quer isso para seu filme, se ele almeja lucro. E assim, faz-se uma versão asséptica e fria sobre uma relação carnal, somente sexo, sem amor. O filme, devo dizer, é um grande tédio, e o desfecho, abrupto, pegou os espectadores se surpresa. Parece tudo uma pegadinha. Aguardemos os próximos dois filmes da trilogia. Nota: 4

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