sábado, 18 de fevereiro de 2017

Vida, animada

"Life, animated", de Roger Ross Williams (2016) Assistir a esse documentário indicado ao Oscar da categoria é de cortar o coração. Curiosamente, ele me lembrou bastante de outro documentário premiado, também indicado ao Oscar ( só que em 2016) , e igualmente laureado em Sundance:"A família Lobo". Em ambos os filmes, as historias giram em torno de jovens autistas que cresceram vendo filmes e se projetando nas cenas e nos personagens para criarem o seu próprio Universo. Owen Suskind é um rapaz de 23 anos. Aos 3 anos, ele foi diagnosticado como autista. Isso foi em 1993. Seu pai, Ron, é um jornalista do Wall Street Journal. Sua mãe Cornelia, dona de casa. O casal tinha um filho 3 mais velho, Walter. Todos eles tentaram trazer Owen de volta para o mundo, mas foi impossível. Cada vez mais, Owen se afastava deles e se fechava em sue próprio mundo. Até que um dia, os pais perceberam que Owen poderia se comunicar através dos diálogos e dos personagens da Disney. A partir dai, toda a terapia de Owen veio através dos desenhos da Disney. O desafio agora, já crescido, é fazer com que Owen adquira independência ( uma grande preocupação dos pais é deles morrerem e Owen ficar dependente). Pior ainda, é a situação de Walter: em um comovente depoimento, ele sabe que um dia, terea que cuidar sozinho dos pais idosos e de Owen, e quando seus pais partirem, será somente ele para cuidar do irmão. O cineasta Roger Ross Williams produziu o filme. Ele é um dos raros cineastas negros no gênero documentário, e provavelmente um dos poucos a serem indicados ao Oscar sem usar como tema a questão racial. Para quem odeia o Universo da Disney, provavelmente abominará esse filme, achando um absurdo imperialista e defendendo a lavagem cerebral que os filmes fazem nas crianças. Outros, como eu, que cresceram vendo essas animações, e alem de tudo, que somos cinéfilos, verão um grande valor no filme. Não só a emoção óbvia do tema, como na elevação e na superação que os personagens dessa bela história promovem ao espectador. O filme é repleto de cenas das animações da Disney, o que fará a alegria de todos os fãs. Sugiro aos atores assistirem ao filme e observarem o trabalho de corpo e voz dos personagens autistas, é um laboratório extraordinário. O filme ganhou em Sundance o Premio de Melhor direção em documentário.

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