sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Contracorrente

"Contracorrente", de Max Gaggino (2013) Rodado com recursos próprios de 20 mil reais, "Contracorrente" foi dirigido pelo cineasta italiano radicado no Brasil ( mais precisamente, na Bahia) Max Gaggino, em 2013. Max ganhou um Kikito em 2015 pelo curta "Haram", que ele filmou com 5 mil reais. Adepto do cinema independente e barato, feito com amor, Gaggino realiza nesse seu longa algo que seria próximo de um filme que poderia ser intitulado "How to be a Baiano?", uma sátira ao "How to be a Carioca", espécie de manual de como se adaptar aos costumes de Salvador. Marco é um jovem italiano que mora em Genova, na Italia. De classe media baixa, ele mora com sua família e trabalha como lavador de louças em um restaurante, Cansado de tanta reclamação em sua casa e de sua namorada, Marco resolve abandonar tudo e vir pro Brasil, mais precisamente, Salvador ( ele ouviu de um casal de turistas de Salvador que ali é o lugar da felicidade). Chegando em Salvador, ele é enganado por um taxista, assaltado por pivetes negros e enrolado por tudo quanto é gente, até conhecer um jovem negro malandro, Neca (Leandro Rocha), que lhe ajuda, arrumando um lugar para ele ficar (pagando, claro). Marco começa a dar aulas de italiano e se apaixona por uma de suas alunas, Mariana (Laíse leal). O filme é bem simplório: realizado por voluntários que participaram das filmagens em Salvador e Genova, a parte técnica ( fotografia principalmente) deixa a desejar. Os enquadramentos também muitas vezes não ajudam ( excesso de contra-plonge na cena de Marco com o atendente de uma lanchonete acabam tornando monótona a relação dele com o dono da barraca). A trilha sonora parece ter saído de um filme nacional dos anos 80 que se passa na praia de Ipanema. O roteiro, co-escrito por Gaggino, é simples, repleto de clichês sobre o dia a dia de um turista estrangeiro que vai morar em algum litoral paradisíaco brasileiro. O que torna o filme simpático, é o carisma ingênuo do ator protagonista, Francesco Morotti, e a presença de atores baianos cheios de alegria, como é o caso de Leandro, Laise e a atriz que interpreta a mãe de Neca. Cheguei a rir varias vezes pelo total descompromisso do filme, com diálogos repletos de brasilidade e de situações ingénuas ( as piadas de que baiano é tudo preguiçoso, por ex, quando Marcos pede algo para um atendente de lanchonete e ele responde que não tem nada). Por fim, valeu a iniciativa do Cineasta de bancar com dinheiro próprio um filme que vale mais pela experiência de exercitar a linguagem do cinema, e as suas varias possibilidades inclusive de distribuição.

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