segunda-feira, 30 de março de 2015

Coração mudo

"Stille hjerte", de Billie August (2014) Puta que o pariu, que filme triste. Billie August, diretor dinamarquês de filmes memoráveis como "Pelle, o conquistador" e "A casa dos espíritos", traz um drama que tem como tema a eutanásia. Enquanto assistia ao filme, ficava cada vez mais impossível não o associar ao universo Bergmaniano e ao filme "Amor", de Michael Haneke. Ingmar Bergman sempre gostou de reunir a família e durante o evento, mostrar os podres de todo mundo. Assim, em "Coração mudo", acompanhamos um final de semana de uma família que se reúne na casa dos pais, que moram em uma ilha afastada na Dinamarca. As irmãs Heidi e a caçula Sonne, chegam acompanhadas de respectivos marido e filho e namorado. Lisbeth, uma antiga amiga da mãe delas, também vem ao encontro. O motivo: Esther ( Githa Norby) é portadora de uma esclerose degenerativa, que vai consumindo os seus movimentos e inclusive a respiração. Seu marido, Poul, um médico, concorda, junto das filhas, em fornecer remédios que acabem com a vida dela. Esther deseja passar seus últimos dias na presença de todos que ela ama. Sonne, mesmo tendo aceitado esse pacto de silêncio ( uma vez que a eutanásia é proibida) , tenta demover a sua mãe dessa idéia. O elenco e a performance de todos os atores do filme assombram: que atuações!! Densos, emocionados. Bergman ficaria muito feliz em ver esse filme. É um filme sombrio, mas mesmo com tanto sentimento depressivo, não chega a botar o espectador no lugar devastador que "Amor" trouxe. É mais luminoso, comovente, o desfecho até com um pezinho sutil no melodrama. Mas nada que diminua a intensidade emotiva que ele proporciona. A atriz Githa Nordy, que interpreta Esther venceu o Prêmio de melhor atriz em San Sebastian 2014. Muito merecido. No elenco, nomes comuns aos filmes de Lars Von Triers, como Paprika Steen e Jens Albinus, ambos de "Os idiotas". Billie August volta a reencontrar o seu público com esse filme. Nota: 8

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