quinta-feira, 26 de março de 2015

Ponte aérea

"Ponte aérea", de Julia Rezende (2014) Em 2011, o cinema argentino lançou um romance que rapidamente se tornou um cult de toda uma geração: "Medianeras - Buenos AIres da era do amor virtual", de Gustavo Taretto. No filme, acompanhamos a trajetória de duas almas solitárias de uma grande metrópole, sufocados por enormes prédios que os rodeiam. Jovens, bonitos, bem-sucedidos. Porém, incompreensivelmente solitários e melancólicos. Em "Ponte aérea", temos um casal: Amanda (Letícia Colin, uma Deusa européia) e Bruno ( Caio Blat). Ela, paulista e morando na capital de S!ao Paulo. Ele, carioca e morando na capital do Rio de Janeiro. O que diferencia as cidades? As cores, a energia, a arquitetura. Como em "Manhattan", a câmera aburdamente bem enquadrada de Dante Belluti registra os prédios e construções das duas metrópoles. São esses prédios belos e de épocas distintas por onde passeiam nossos anti-heróis. Entra, sai, entra, sai. São escadarias, apartamentos duplex, salão de dança, mega escritórios, casa de vila, galeria de arte até mesmo um Hospital High tech. No meio de tanto cimento, temos um refresco de um Simba Safari cercado de animais. Mas o que tudo isso tem a ver com o filme? Talvez porquê os corações desses 2 apaixonados também seja de pedra. Separados pela distância, aproximados pela carência afetiva, Amanda e Bruno se amam, sofrem emocionalmente juntos. Espertamente, o roteiro foge das mazelas do estigma de terceiro mundo do Brasil e lida com pessoa independentes, bem estruturadas, que circulam por ambientes que exalam cultura e bom papo. O filme procura fugir dos estereótipos de SP x RJ: você não ficar ouvindo o tempo todo "Meu", nem "mermão". O que ouvimos são diálogos exasperados de uma geração que cresceu na era virtual, e que na falta de palavras ou mesmo de um incentivo, se comunicam através de Facebook, Instagram ou Whatsapp. O que diferencia "Medianeras" de "Ponte aérea'? No filme argentino, os personagens nunca se cruzam. Em "Ponte aérea", elas vivem se esbarrando. O filme de Julia Rezende é Pop, é moderno, é jovem, tem uma trilha esperta de Berna Ceppa, Fotografia do meu querido Dante Belluti que está em seu auge criativo e uma Direção com sabor delicioso de melancia gelado no verão de 45 graus: exalando frescor em cada poro. Uma falha imperdoável: Não ter uma cena ambientada no Rio de Janeiro, com Amanda sendo forçada a comer uma pizza calabreza carioca cheia de queijo e se conformar: "É verdade, calabresa com queijo é muito mais gostoso". Julia, prepara a parte 2 do filme com essa cena, por favor. Salve a tradição dos cariocas!

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