sexta-feira, 27 de março de 2015

Flores para Ane

"Loreak/Flowers", de Jon Garaño e Jose Mari Goenaga (2014) Drama intimista espanhol que une três histórias que se entrecruzam. Três mulheres que são interligadas pelo luto que fazem por um homem. Premiado em vários festivais mundo afora, é o primeiro filme em falado em basco a competir pelo Goya de melhor filme. Ane (Nagore Aranburu) é casada e trabalha em uma empreiteira. Ela mora com seu marido, mas vivem uma relação sem amor e sem diálogos. Um dia, ela recebe flores. E essas flores chegam todos os dias, na mesma hora, sem um cartão do remetente. O Marido desconfia, mas Ane se alegra com as flores, que elevam a sua auto-estima. Tere (Itziar Aizpuru) é a esposa de Benat. Ele trabalha na mesma empreiteira de Ane. Benat cultiva flores. Tere trabalha como cobradora de um pedágio. Eles também não são felizes no casamento. Lourdes (Itziar Ituño) é a mãe de Benat. Ela insiste que o casal tenha filhos, mas Tere não quer. Benat sofre um acidente de carro e morre. Essas três mulheres, cada uma de uma forma, recebem a notícia e reagem de forma diferente. O corpo de Benat é doado a uma faculdade de medicina e somente será devolvido cinco anos depois. Durante 5 anos, acompanhamos o desenrolar dessas 3 vidas, entre sofrimento, luto e esquecimento. O elenco todo está excelente nesse filme. De ritmo lento, contemplativo, ele faz uma análise do comportamento das pessoas quando alguém desaparece de sua vida, e como essa memória se reflete no passar dos anos. É um filme muito melancólico. Bem dirigido pela dupla de cineastas, que também escreveram o roteiro, possui uma maravilhosa fotografia de Javier Agirre e uma trilha sonora triste de Pascal Gaigne. Não é um filme para qualquer espectador. Ele não tem pressa de contar a sua história. OS diretores querem que percebamos as sutilezas das interpretações dessas 3 belas personagens. Cada uma dela terá direito a momentos de felicidade, de choro, de tristeza, de depressão, de um quase suicídio. E como devem reagir ara poder lutar ou se entregar à tristeza. Um belo filme. Um poema sobre a falta de amor e de comunicação. Nota: 8

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