sexta-feira, 20 de março de 2015

118 dias

"118 dias", de Jon Stewart (2014) Gael Garcia Bernal parece ser o Ator ideal para dar vida a personagens reais às voltas com Eleições presidenciais fraudulentas. No chileno "No", de Pablo Larrain, ele deu vida ao publicitário Renée Saavedra, que com ajuda da mídia e da campanha presidencial, conseguiu derrubar a Ditadura de Augusto Pinochet em 88. Agora em "118 dias"( tradução pobre e infeliz para "Rosewater" ), Bernal interpreta o jornalista Maziar Bahari. Iraniano-canadense, Bahari teve pai e irmã mortos na prisão pelo Governo Iraniano. Em 2009, ele morava em Londres, casado com sua esposa grávida e trabalhando como jornalista pra "Newsweek". Bahari foi incumbido de ir até o Teerã cobrir as eleições presidenciais, entre o candidato do Governo e o da oposição. Testemunhando as fraudes eleitorais, Bahari acaba gravando cenas de violência policial contra a população. Paralelo a isso, antes ele havia dado uma entrevista para um jornalista do programa cômico "The daily show", supostamente brincando como se fosse um espião dos Estados Unidos no Irã. Esses 2 incidentes foram o suficiente para que o Governo prendesse Bahari e o acusasse de espionar a favor dos americanos. Bahari ficou preso na "Eden prison" por 4 meses, 118 dias. nesse período, ele foi brutalmente espancado. O título "Rosewater"se dá porquê ele era interrogado por um policial que o obrigava a usar venda nos olhos durante a entrevista. Bahari o reconhecia pelo cheiro, pois ele cheirava a água de rosas. Diz-se que noas Mesquitas, durante as rezas jogam água de rosas nos fiéis, e os que mais cheiram, são os mais radicalmente fiéis. A direção de Bahari é excelente e criativa, se utilizando de efeitos para narrar memórias, presente e passado. Porém, o roteiro, escrito por Jon Stewart e o próprio Bahari, peca ao utilizar o recurso do personagem, durante seu cárcere, conversar com seu pai e sua irmã mortos. É um recurso clichê e enfraquece a narrativa. Gael Garcia Bernal me pareceu estranho, por mais talentosa que tenha sido sua performance. Saber que um ator mexicano interpreta um iraniano, contracenando com atores iranianos de verdade, me deixou meio confuso. E o fato do filme ser americano, e ter gente falando na maioria das cenas em inglês, também me fez "sair" do filme várias vezes. Mas pela sua força social e política, o filme merece cr;edito. Principalmente, pelo talento extraordinário da Atriz iraniana Shohreh Aghdashloo, que interpreta a mãe de Bahari. Que Atriz foda! Forte, soberana, cheia de presença de cena. Ela rouba todas as cenas que aparece. Bela trilha de Howard Shore. Obs: Gael interpreta uma cena antológica: sua dança ao som de "Leonard Cohen" na prisão. Brilhante. Nota: 7

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