quinta-feira, 10 de novembro de 2016

O nascimento de uma nação

"The birth of a nation", de Nate Parker (2016) Vencedor de 2 prêmios em Sundance 2016 ( Melhor filme e Grande prêmio do Juri), "O nascimento de uma nação" certamente se beneficiou da polêmica envolvendo a premiação do Oscar desse ano, quando um movimento de artistas negros se rebelou contra a política "branca" da academia, que não indiciou atores negros para as categorias. Nate Parker, um ator até então desconhecido, resolveu levar a história de Nat Turner às telas: em 1830, na Virginia, Sul dos Estados Unidos, Nat Turner, escravo e pastor fervoroso, criou uma rebelião onde ele juntou outros escravos para lutarem contra os seus senhores brancos, provocando verdadeira chacina que durou 48 horas, até terem sido mortos pelo exército. Nat foi enforcado e o seu corpo esquartejado, para que não se tornasse um mártir. O resultado da rebelião foi a morte de centenas de escravos como retaliação. O filme é considerado o mais controverso do ano, e isso é verdade. Acompanhar uma história literalmente sobre uma vingança, no estilo olho por olho, dente por dente, provoca uma estranha sensação de que as coisas só se resolvem através da violência extrema. Infelizmente, essa é a realidade que paira por vários conflitos existentes mundo afora nos dias de hoje. Uma pena que as palavras já não funcionem mais. O filme, estréia de Nate Parker na direção ( que além de tudo, protagoniza, escreveu o roteiro e produziu) tem uma boa direção de atores, e algumas escolhas estéticas podem soar estranhas ( o milho que sangra, o anjo negro que surge). Mas é inegável a sua força. É um filme que exala potência. Uma pena que a triste história real da acusação de Nate Parker e seu co-roteirista, de terem estuprado uma colega de faculdade que posteriormente se suicidou, tenha acontecido e ofuscado o filme. Um crime deplorável, e que acaba se misturando com uma das passagens do filme, quando a esposa de Nate é estuprada. Péssima ironia do destino.

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