domingo, 20 de novembro de 2016

O ato

"Un lever de rideau", de François Ozon (2006) Curta dirigido por Ozon em 2006, é baseado em uma peça de único ato, de Henry de Montherlant. Com 30 minutos de duração, o curta é protagonizado por Louis Garrel, o ator galã francês mais badalado da última década. Com ele estão Mathieu Amalric, um ótimo ator e diretor francês, no papel de seu melhor amigo Pierre, e Vahina Giocante, no papel de sua namorada Rosette. A premissa do filme é bem simples: Bruno ( Garrel) está em um quarto com seu amigo Pierre. Bruno discorre sobre a falta de pontualidade de Rosette. Em seis meses de relacionamento, ela sempre atrasou pelo menos 45 minutos, o que totalizou 36 horas, tempo o suficiente para Vitor Hugo escrever 6 poemas clássicos. Revoltado, Bruno decide dar um ultimato à Rosette; se ela não chegar em 2 minutos, ele terminará a relação. "O ato" é um ode ao egocentrismo do jovem homem moderno, mais preocupado consigo mesmo e sua aparência. Bruno representa esse homem, que entende que é melhor sacrificar um relacionamento que o deixa feliz, em nome de sua satisfação pessoal. Ele não pode perdoar as falhas dos outros, e os outros que assumam os erros dele. François Ozon é um dos grandes cineastas franceses em atividade, e seus filmes fizeram muito sucesso mundo afora, como "Dentro de casa", "Amor em cinco atos", "8 mulheres". Ele sempre filma de forma elegante e sofisticada, e aqui não é diferente. Mesmo os personagens discutindo em cena, ele mantém sempre uma atuação discreta nas performances de seus atores. A trilha sonora, com um suave piano, reforça essa sensação. No final das contas, um filme de baixo orçamento, com 3 atores em cena em uma única locação: um apartamento. Verborrágico e com diálogos que flertam com poesia e filosofia, vale para fãs de Ozon.

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