segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O mar mais silencioso daquele verão

"Ano natsu, ichiban shizukana umi", de Takeshi Kitano (1991) Bela fábula dirigida e escrita por Takeshi Kitano, famoso mundialmente pelos seus violentos filmes sobre a Máfia. Aqui, ironicamente, ele faz um filme totalmente diferente: lúdico, lírico, poético e metafórico. Esse filme é uma beleza de se ver, parece um filme mudo dirigido por Kitano, com uma trilha sonora extraordinária composta pelo Mestre Joe Hisaishi, que compôs quase todas as trilhas para Hayao Myasaki. O filme se passa em uma cidade litorânea, famosa por sua praia repleta de surfistas durante o verão. Shigeru é um jovem coletor de lixo. Ele é surdo mudo, e vive sua vida de rotina, ao lado da namorada também surda muda Takako. Shigeru é pobre e tem paixão pela praia e fetiche pelo surf. Um dia, no meio do lixo, ele encontra uma prancha quebrada. Shigeru leva para casa e a conserta. A partir desse momento, ele faz do surf um ideal para dar sentido à sua vida, ignorando totalmente o amor de Takako, que o segue para todos os lugares. Com uma direção extremamente sensível de Kitano ( quem diria que um dos cineastas mas violentos do mundo, seria capaz de realizar algo tão belo), o filme prima pelo seu silêncio. Quase não tem diálogos. As cenas são quase sempre contemplativas, assim como a calmaria do mar. O desfecho, em aberto, permite interpretar como sendo uma metáfora sobre as realizações dos nossos sonhos. Belo trabalho dos atores, alternando momentos de doçura e fragilidade. A cena do ônibus, com Takako em pé e Shigeru correndo nas ruas, é um primor. O filme venceu inúmeros prêmios no Japão.

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