quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Força maior

"Force majeure", de Ruben Östlund (2014) Finalista na briga pelo Globo de Ouro de Filme estrangeiro de 2015, e vencedor do Prêmio do Grande Juri da Mostra "Um certo olhar" do Festival de Cannes 2014, "Força maior" é uma parábola brutal sobre o declínio do núcleo familiar. Ruben Östlund é o mesmo diretor do sensacional "Involuntário", um drama em episódios que apresenta o que o ser humano tem de pior. Aqui, ele revê o tema do Ser humano egoísta, covarde, mentiroso, através da história de família sueca em férias nos Alpes. Tomas e Ebba, pai de 2 filhos, são uma família feliz. Amorosos, eles brincam e se amam o tempo todo. Porém, em uma manhã, uma avalanche surge inesperadamente durante o café da manhã na sacada. Os turistas fogem, inclusive Tomas, deixando mulher e filhos para trás. Finda a avalanche, ninguém se feriu, mas a relação da família jamais será a mesma. Ainda mais porquê Ebba fará todo tipo de bullying para constranger seu marido, perante todos no hotel. A Fotografia de Fredrik Wenzel é impressionante, valorizando o branco da neve e o durado das instalações do hotel. O branco realça a frieza com que a família vai se construindo. A cena da avalanche é antológica e um trunfo de direção e de efeitos: realizada em um único plano, fixo, sem corte, durando cerca de 5 minutos. Desde "Involuntário" eu já ficava de olho nesse cineasta, dono de uma narrativa e enquadramentos incomuns: valorizando planos fixos, mas com muita força dramática em cena. Seu olhar distanciado, frio sobre os seus personagens, raramente aproximando a câmera próximo deles. Seus atores são um trunfo, todos sabendo trabalhar em planos longos a pausa, a respiração, o momento certo de agir, de escutar. Inclusive as crianças. O roteiro do próprio cineasta é um primor. Os diálogos são afiadíssimos, sem desperdiçar uma palavra sequer. Tudo no seu tempo, no seu ritmo. Um filme imperdível, para cinéfilos que valorizam obras autorais com a frieza dos filmes de Michael Haneke ( inclusive um dos atores foi ator da refilmagem de "Funny games", Brady Corbet), O curioso é que esse filme foi vendido como comédia dramática. Existe uma cena sim, de fino humor mesclado a tragédia, que é quando Ebba, durante um jantar relata para um casal o ato covarde do marido. O outro homem tenta salvar a todo custo a honra de Tomas, mas sem sucesso. Cena valorizada pelo trabalho excepcional dos 4 atores. Nota: 9

O homem que elas amavam demais

"L'homme Qu'on Aimait Trop", de Andre Techiné (2014)

Cidade maravilhosa

"Wonderful town", de Aditya Assarat (2007) Filme de estréia do cineasta tailandês Aditya Assarat, ganhou várips prêmios mundo afora. Conterrâneo do famoso Apichatpong Weerasethakul, Assarat realizou um filme que tem como tema a difícil aceitação da felicidade. Em 2004, um Tsunami devastou a costa da Tailândia, matando milhares de pessoas. Três anos depois, Ton, um jovem arquiteto que vem de Bangkok, vem até a cidade de Takua Pa para ajudar a construir um Hotel resort na beira do mar. A cidade foi devastada pelo tsunami, e está aos poucos sendo reconstruida. Porém, seus moradores continuam com um enorme luto devido a morte de parentes e amigos. Entre eles, Na, dona de um hotel próximo às montanhas, onde Ton irá se hospedar. Os pais de Na morreram no Tsunami, e ela passa seus dias lavando, limpando e varrendo o hotel. Na é discreta e não aceita as investidas de Ton. Mas aos poucos, ela cede. A população, e principalmente o irmão de Na, não aceitam esse amor e começam a provocar o invasor Ton. Um drama que trabalha com a metáfora do Tsunami interno, onde o desamor e a falta de esperança assumiu a alma de cada sobrevivente. As pessoas não se deixam amar, e pior, não aceitam que outras pessoas sejam felizes. O diretor Assarat cria um fabuloso mundo cinematográfico, composto por planos de belíssima fotografia e força visual e dramática. A fotografia de Umpornpol Yugala é deslumbrante, reforçando o cinza das paisagens e das pessoas. Os atores principais trabalham olhares e poucas falas, uma característica do novo cinema asiático. é um filme brutal, que procura iludir o espectador com uma chama de filme romântico, mas que logo se transforma em algo maior. A cena final é bela de tão violenta. Uma aula de direção, impressionante para um diretor estreante. Trilha sonora discreta, ao som de guitarras dedilhadas. O filme ainda brinca com os clichês do romance, provocando o espectador com um clip romântico embalado por uma música brega. Uma descoberta feliz de um cineasta que deve ser apreciado. Nota: 8

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Estrada para lugar nenhum

"Nowhere", de Gregg Araki (1997) O cineasta independente americano Gregg Araki, filho de pais japoneses , é um representante do "Queer Cinema independente americano". Seus filmes, de baixo orçamento, sempre giram em torno da sexualidade dos adolescentes, drogas, bissexualidade, alienígenas, pedofilia, psicopatas. Tudo misturado num mesmo liquidificador. Desde um de seus primeiros filmes, "The living end", ele vem chamando a atenção dos críticos e da mídia. Seus filmes são sempre muito estilizados, muitas cores berrantes, trilha sonora pop rock, atores bonitos que nem sempre são atores, histórias bizarras sem pé nem cabeça, a anarquia geral. Em 93, ele resolveu conceber uma trilogia do 'Apocalipse adolescente", que começou com "Totalmente fudidos", depois "A geração maldita"e terminou com esse "Estrada para lugar nenhum". Logo depois, ele veio com filmes mais maduros, mas mantendo as mesmas temáticas. A sua obra-prima, até então, se chama "Mistérios da carne". Em "Estrada para lugar nenhum", a história se passa em uma noite. Vemos um pout porri de personagens: jovens traficantes, alienigenas, jovens em conflito com sua sexualidade, serial killer, viciados, garotas safadas, as virgens, tem de tudo nessa visão quase Larry Clark ( autor de "Kids") de ser, só não usa o sexo explícito do seu colega . Greeg Araki aposta na sensualidade, no erotismo de filmes B. Tem de tudo no filme, até mesmo pessoas sendo abduzidas por um ET. Mas para quem curte ver gente bonita, o filme tem uma verdadeiro celeiro. Aliás, aqui surgiram Ryan Philipe, Christina Applegate, Heather Graham. Famosos também fazem suas participações: Chiara Mastroiani, Beverly D'angelo, Uma pena que o protagonista James Duvall seja tão canastrão. Tivesse a sorte de Joseph Gordon Levitt em :"Mistérios da carne", estaria aí bombando em Hollywood. O filme é de 97, tem aquela trilha eletrônica da época, e sim, ficou datado. Mas mesmo assim, é um retrato fiel de uma geração, um registro histórico de jovens antes do Whatsapp, Facebook, celulares. Como sobreviviam? Nota: 7

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A boa mentira

"A good lie', de Philippe Falardeau (2014) Dirigido pelo cineasta canadense Philippe Falardeau, que realizou em 2011 o indicado ao Oscar " O que traz boas novas", "A boa mentira" é baseada numa trágica e edificante história real. Em 1986, no Sudão, uma guerra civil dizimou boa parte da população. Entre os sobreviventes, muitas crianças e jovens, que tentaram fazer uma longa caminhada até o Campo de refugiados no Quênia, a milhares de distância a pé. Entre os sobreviventes, está a familia de Mamere: são cinco irmãos no total. durante a caminhada, Theo, o irmão mais velho, para salvar a vida de todos, se entrega para os guerrilheiros. Os anos se passam e no ano de 2000 a família de Mamere consegue visto para trabalhar nos EUA, mais precisamente em Kansas. Chegando lá, eles são recebidos por Carrie ( Reese Whiterspoon), uma assistente social que os ajuda a arrumar emprego. Porém a irmã deles é obrigada a se separar e vai para Boston. Os irmãos tentam a todo custo trazer a irmã para vir morar com eles. E Carrie vai perdendo aos poucos o seu mau humor e vai ajudando os irmãos na empreitada. Filme bem açucarado, perfeito para um sessão da tarde, essa fábula edificante se baseia na história dos irmãos chamados de "Os últimos órfãos do Sudão". No entanto, 2 filmes vinham o tempo todo na minha cabeça : "O clube da felicidade e da sorte" e "A cor púrpura". Do primeiro, vem a questão da separação de uma família por causa da guerra, e posterior imigração para os Eua. Do segundo, a separação dos irmãos e a esperança de que eles se reencontrem no final. O mais louco nesse filme, é que toda o material de divulgação de imprensa tem Reese Whiterspoon como protagonista, e ela é secundária! Os protagonistas são os excelentes atores sudaneses, tantos as crianças quanto os adultos, dando show de espontaneidade e carga dramática pros americanos. Com economia de gestuais, e usando os olhares, os sudaneses carregam dentro de si o conflito armado que deixou marcas perpétuas neles. Por isso tanta intensidade na interpretação. O filme tem um prólogo enorme, que conta a trajetória dos irmãos enquanto crianças. A trilha sonora é composta de sons regionais e é bem discreta. A violência do filme também é amenizada para não afugentar os espectadores. Não é melhor que seu filme anterior, "O que traz boas novas", mas o cineasta Philippe Falardeau continua querendo mostrar com seus filmes, que o mundo, mesmo tão diferente, é apenas um só. Nota: "

Exôdo - Deuses e Reis

'Exodus- Gods and kings", de Ridley Scott (2014) Essa adaptação da história do profeta Moisés está sendo duramente criticada por vários críticos, historiadores e espectadores religiosos, justamente por mudar o contexto histórico das passagens descritas no Antigo Testamento. Não vou relatar aqui que mudanças são essas para não estragar a surpresa de quem ainda não viu. Mas visto pelo âmbito do cinema comercial, e mais, como filme dramático de ação, assim como era a versão de 1956 de Cecil B. de Mille com Charlton Heston, o filme funciona e bem. Obviamente que aqui o grande atrativo, além de Christian Bale no papel principal, são os eftiso especiais, acrescidos do efeito 3D. Confesso que eu esperava mais dos efeitos, e em vários momentos até os achei toscos. Inclusive na cena final, do fechamento do Mar Vermelho, fiquei com a impressão de que a versão de 56 era mais emocionante e crível. Outro lance muito doido foi colocar Deus em forma de uma criança. O menino até é bom Ator, mas parecia uma imagem de Deus querendo brincar de ser Deus. As 7 pragas do Egito ficaram com sabor de Filme B, meio trash. Inclusive a maquiagem. Mas me diverti, mesmo achando o filme longo. Christian Bale vale a aposta. Mais divertido é ver Sigourney Weaver praticamente fazendo figuração no filme. Amiga de Diretor tem essas vantagens, né? Ganhar uma fortuna filmando pouco. No final, Ridley dedica o filme ao irmão falecido, Tony Scott. Nota: 7

domingo, 28 de dezembro de 2014

I origins

"I origins", de Mike Cahill (2014) Ciência X Religião. Esse é o tema esse intrigante drama de ficção científica, que ainda tem tempo para discorrer sobre o Amor de forma poética. O título "I origins" é uma forma de se dizer "Eye origins", ou seja, os olhos como origem de toda a criação. O filme parte da premissa que nao existem 2 íris iguais no mundo. Michael Pitt, ator de "Os sonhadores", interpreta Ian, um cientista molecular que tenta provar ser capaz de criar mutantes em laboratórios. O acaso da vida bota em sua trilha Sofi, uma linda jovem de olhos intrigantes. Eles se amam, até que um acidente, que tem origem de um ciúme de Sofi contra Karen, assistente de Ian, custa a vida de Sofi. 7 anos se passam, e Ian está casado com Karen e com um filho. Mas a imagem de Sofi nunca saiu de sua mente. Sentindo-se culpado por sua morte. Ian descobre que seu filho tem os mesmos olhos de um homem que morreu na data que seu filho nasceu, e ambos possuem a mesma íris. Ian e Karen, intrigados, mas céticos religiosamente, fazem mais pesquisas para ver se existem coincidências de outras íris pelo mundo. Até que descobrem que na Índia uma menina de 7 anos tem a mesma íris de Sofi. Ian acaba indo para a Índia, para provar a si mesmo que ele não deve ceder aos chamados do espiritismo e da religião e manter-se cético, se baseando na ciência. Belo drama romântico, calcado na ficção científica, e emoldurada por uma excelente trilha sonora, que embala o tom de fábula do filme e levando o espectador a uma outra dimensão. A fotografia de enaltece o tom mágico da narrativa. Michael Pitt, que andava um pouco sumido, ressurge em grande estilo e com um belíssimo e instigante personagem. A bela atriz espanhola Astrid Bergès-Frisbey, no papel de Sofi, já havia mostrado sua sensualidade e talento no drama "O Sexo dos anjos", um romance bissexual. A curiosidade aqui é terem escalado Brit Marling, que já havia protagonizado outra ficção científica de baixo orçamento mas de roteiro igualmente criativo e elaborado: "O outro planeta". E Steven Young, o Glenn de "The walking dead", em uma pequena participação aqui. É um filme que vale ser visto, mesmo o espectador comum tendo que quebrar um pouco a cabeça para desvendar os mistérios que a película provoca. O desfecho, tenho que admitir, é muito bonito e emocionante. Nota: 8

Foxcatcher- Uma história que chocou o mundo

"Foxcatcher", de Bennett Miller (2014) Em "Capote", o cineasta Bennet Miller reinventou Philiph Seymour Hoffman com uma atuação magistral que o tirou do universo dos filmes independentes e o trouxe para o mainstream, através do Oscar que o ator ganhou pelo filme. Agora em "Foxcatcher", Miller pega 3 atores do cinemão de Hollywood e os reinventa totalmente, fazendo papéis que com certeza transformarão suas carreiras. Passeando livremente entre filmes de drama e comédia, atuando bem nos dois gêneros, Steve Carrel, Channing Tatum e Mark Ruffalo brilham em casa segundo do filme. Baseado na historia real do assassinato de Dave Schultz, ocorrido em 96. O herdeiro multimilionário John du Pont (Steve Carrel), de temperamento bipolar, resolve bancar um time de lutadores de luta greco-romana para que eles sejam os próximos vencedores das Olímpiadas de Seul, em 88. Entre os integrantes do time, estão os irmãos Schultz: Mark ( Tatum) e Dave (Ruffalo). Obsessivo e paranóico, Du Pont não aceita derrotas nem confrontos. criado por uma mãe super possessiva e dominadora (Vanessa Redgrave), Du Pont vai a cada derrota do time criando um temperamento mais violento e esquizofrênico, o que resulta no assassinato a sangue frio de Dave. O nome do filme, "Foxcatcher", se refere à Fazenda onde Du Pont construiu um centro de treinamento de primeiro mundo e onde ele abrigava os atletas. Era o nome também que ele deu à sua delegação, 'Foxcatcher team". A direção de Miller segue os passos de "Capote": lenta, construindo aos poucos o brilhante arco dramático dos 3 personagens. O filme é longo, quase 135 minutos, e essa lentidão na narrativa pode provocar tédio nos espectadores. Mas quem se aventurar a enfrentar o flme todo irá acompanhar uma Direção incrível, que acabou ganhando a Palma de Ouro de Direção em Cannes 2014. São belas cenas de treinamento, lutas e principalmente, atuação dos atores. A composição fisica e de maquiagem de Carrel é que pode estranhar. Assim como Nicole Kidman e seu nariz em "Aa horas", também fica impossível não prestar atenção nas narinas de Carrel. Mas a sua composição está diferente de tudo o que ele já fez. Curioso, fui procurar saber em entrevistas de onde veio a idéia de escalar o comediante para um papel tão complexo e brutal. Li que o agente de Carrel propôs o nome, e que o Diretor aceitou prontamente, inclusive sem chamar Carrel para fazer um teste. Miller quis escalar alguém que não fosse óbvio, assim como o personagem Du Pont. Que fosse carismático, encantador, e que se revelasse aos poucos. Afinal, a sua figura deveria representar um pai para o personagem de Mark. E além disso, Carrel tem uma cena emblemática onde ele faz um embate com Vanessa Redgrave. E vamos combinar, não é qualquer ator que teria culhão para segurar a grande estrela do cinema inglês. O filme me lembrou bastante o longa "O vencedor", que fala do amor e conflito de dois irmãos lutadores, interpretados por Mark Walhberg e Chrstian Bale. Tatum está num mesmo nível de Bale, inclusive com uma cena muito forte onde ele desabafa seu ódio se estapeando e quebrando a cabeça no espelho. Uma pena que todas as indicações a prêmios estejam indo para Carrel e para Ruffalo. Nota: 8

sábado, 27 de dezembro de 2014

O crítico

"El crítico", de Hernán Guerschuny (2013) Deliciosa comédia romântica argentina, primeiro filme do crítico de cinema Hernán Guerschuny, a 20 anos escrevendo para a revista "Haciendo filmes". O filme é uma grande brincadeira, hesitosa infelizmente, que quer se divertir às custas dos clichês referentes à figura do Crítico de Cinema. Como em qualquer estereótipo, o Crítico aqui é visto como um ranzinza, mau humorado, e que odeia comédias românticas. A 20 anos o personagem de Victor Tellez(Rafael Spregelburd), prestigioso crítico de um jornal, não faz uma crítica no jornal que mereça 5 poltronas ( o bonequinho ou estrela). O filme narra a historia de Victor, que enrta e sai de cabines com seus colegas críticos. Nas sessões, eles comem, dormem, falam mal. E após as sessões, vão a um café e continuam a falar mal, comer, xingar. Quando vai procura um apartamento, Victor esbarra com Sofia (Dolores Fonzi) , a típica heroína dos filmes que ele abomina. Entre os dois começa uma linda história recheada de todos os estereótipos que Victor abomina: câmera lenta, música chiclete, chuva, fogos de artificio. O problema do filme, que tem momentos genuinamente divertidos, é que ele tem medo de se assumir como comedia romântica. ele fica no meio do caminho. O filme tem problemas de ritmo, cenas frouxas, acontecimentos meio aleatórios, e pior, ótimos personagens mal aproveitados: o trio de críticos são hilários ( um deles é a cara do Michael Moore) e a personagem da sobrinha também poderia ter rendido muito mais. A cena do diálogo de Victor com um dos críticos, e ele falando que ele sempre foi um nerd, é genial. Obviamente, o filme terá muita força entre os cinéfilos. Entre os críticos, talvez não, porquê são mostrados de forma ridícula na película, sempre ranzinzas e detonando geral. O Ator Rafael Spregelburd fez uma participação no filme "O homem ao lado", e talvez isso explique a brincadeira metalinguístico no filme, quando um homem esburaca do nada sua parede. Dá vontade de ver uma refilmagem mais divertida do filme. Nota: 7

O caso das irmãs assassinas

"Les blessures assassines", de Jean Pierre Denis (2000) Aviso logo: Atrizes que estiverem buscado um puta papel dramático para montar em uma peça teatral, que comprem os direitos desse filme. As atrizes Sylvie Testud e Julie-Marie Parmentier fazem aqui duas performances extraordinárias e muito fortes. Elas interpretam as irmãs Papin, que em 1933 mataram em Le Mans, na França, a patroa delas e a filha da patroa. Elas trabalhavam como domésticas e j;a vinham acumulando em outras residências bullying dos patrões. O caso foi muito chocante: as 2 irmãs eram amantes, e sofreram maus tratos por parte da mãe, que as obrigava a trabalhar e ficava com o dinheiro delas. Fora isso, os patrões as maltratavam, não davam os direitos delas como empregadas. Christine ( Testud), a irmã mais velha, já mostrava sinais de desequilíbrio mental e reagia sempre de forma violenta. (Lea) Julie MArie) era mais doce, mas facilmente controlada pela irmã mais velha. Na primeira cena de incesto entre as irmãs, Christine diz a seguinte frase: "Isso não é pecado, meu amor. Sermos putas seria pior." O filme é dirigido de forma seca e fria, quase como documental, por parte do cineasta Jean Pierre Denis. Ele ganhou vários prêmios mundo afora, e as duas atrizes ganharam melhor atriz no Festival Mar del Plata. A cena final lembra muito a frieza de Michael Haneke. Não é para espectadores sensíveis, é um filme muito porrada. E excelente para as atrizes, que bombaram depois do filme. Nota: 8

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Horas finais

"These final hours", de Zak Hilditch (2013) O ano de 2013 foi pródigo em produzir filmes sobre o fim do mundo. Tivemos "Melancolia", "Procura-se um amigo para o fim do mundo" e entre outros, esse bom filme australiano, "Horas finais". Apesar do baixo orçamento, o filme não faz feio. Ele vai mais pelo lado dramático do que pelos efeitos especiais. A trama narra as últimas 12 horas na Terra antes do grande colapso que acabará com o planeta. Muitas pessoas aproveitam para curtir a vida se drogando, promovendo festas, enquanto boa parte se suicida e sai matando geral. James é um rapaz que abandona sua amante para ir em busca da namorada que está em uma rave onde o pessoal vai para se drogar e esquecer que o mundo irá acabar. No caminho, James salva uma menina, Rose, de ser estuprada. Ela diz que quer encontrar o pai, e James resolve mudar seu rumo e levá-la até o lugar onde possivelmente o pai está. O filme venceu alguns prêmios em festivais, e em algumas listas foi considerado um dos melhores filmes do ano de 2013. Exageros à parte, uma vez que o filme não tem nada de excepcional, vale como um bom passatempo. O desfecho é bem melancólico. A trilha sonora é focada na música eletrônica. Ótimo trabalho de Nathan Phillips e Angourie Rice, nos papéis de James e Rose. Um filme muito triste. Nota: 7

Mesmo se nada der certo

"Begin again", de John Carney (2014) Em 2006, o cineasta irlandês escreveu e dirigiu "Apenas uma vez". O filme de baixo orçamento acabou virando um grande sucesso, e até virou musical na Broadway. Não satisfeito, Carney escreveu e dirigiu mais um filme sobre o universo dos músicos independentes. E dessa vez, se cercou de atores famosos e mais, filmou tudo em Nova York. Mais espertamente, ainda mais do que a franquia "Cities of love", Carney descobriu uma forma brilhante de divulgar a cidade de NY: o filme fala sobre uma cantora e um produtor musical falido que gravam cada faixa do disco em um ponto turístico da cidade. Assim, a cidade quase inteira surge nas telas de forma romantizada, poética, linda, deliciosa. é um romance coberto de músicas muito fofas, daquelas que a gente quer comprar logo o cd e ficar escutando o dia todo. Quem canta as faixas: Keira Knightley, de voz impressionante , e Adam Levine, vocalista da banda "Maroon 5", aqui interpretando o papel do namorado cantor de Keira. O filme, quase um remake de "Apenas uma vez", é uma graça do início ao fim: conta a história de Dan (Mark Rufallo), um produtor musical falido. Ele é pai de uma jovem, Violet ( Hailee Steinfeld, de "Bravura indômita") e ex-marido de Miriam (Catherine Keener, a musa dos independentes). Paralelo, temos a história de Gretta (Keira Knightley), uma jovem inglesa namorada de Dave ( Adam Levine), famoso cantor pop. Mas os caminhos de Dan e Gretta se cruzam, quando ele resolve lançar um disco independente de Gretta. Delicada Direção, trilha sonora sensacional, tudo funciona às mil maravilhas nesse filme que é um clássico dos românticos. Lindo demais. Um elenco mega cult, que inclui o produtor musical Mos Def e o cantor Cello Green. Para ver com o coração apertado e livre para sonhar. Ainda dá tempo de ir em busca de seu mundo, assim é a mensagem do filme. Motivação, sempre. Nota: 8

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Extraterrestre

"Extraterrestrial", de Colin Minihan (2014) Colin Minihan e Stuart Ortiz, mais conhecidos como "The Vicious Brothers", são uma dupla que dirige e escrevem seus filmes. Seus filmes anteriores, "Fenômenos paranormais 1 e 2", já tinham o tema dos extraterrestres. Agora, eles voltam com esse divertido "Extraterrestre", a resposta a todos os filmes de UFO já lançados. Nessa salada que foi realizada, eles misturam de tudo um pouco: "Evil dead", "A cabana da floresta", 'Contatos imediatos", "AI", A guerra dos mundos", Independence day" , "ET" e muito mais. e isso em um filme B! A história é a mesma de sempre: grupo de amigos vai passar final de semana em uma cabana em uma floresta. Bebedeiras e putarias depois, eles descobrem que a área está sendo invadida por um disco voador. E pior: os Ets não vieram em paz. Eles querem abduzir os terráqueos e extrair a sabedoria deles. Mesclando suspense, comédia, ficção científica, o filme é um sessão da tarde cheio de sangue e tripas que irá divertir a galera nerd de plantão. Efeitos acima da média dos Filmes baixo orçamento, história repleta de clichês e um desfecho inusitado, que lembra até mesmo "A noite dos mortos vivos", de George Romero. Alguém se habilita? Nota: 6

Cantinflas- A magia do Cinema

"Cantiflas", de Sebastian del Amo (2014) Cinebiografia do comediante mexicano Mario Moreno, mais conhecido como Cantinflas. Charles Chaplin o considerou o maior comediante de todos os tempos. Assim como Chaplin, que criou o alter-ego Carlitos, Mario Moreno começou a fazer sucesso assim que concebeu Cantinflas, apelido dado quando durante um espetáculo, um espectador bêbado cismou que Mario Moreno estava bêbado e perguntou "Em qual cantina inflas". Mario Moreno nasceu em 1911, e tentou de tudo para sobreviver: boxe, assistente de palco, etc. Casou-se com Valentina, uma imigrante russa e nos anos 30 começou a fazer filmes. Mas somente em 1940 surgiu Cantinflas. O seu auge se deu quando ele ganhou o Globo de Ouro de melhor ator pelo filme "A volta ao mundo em 80 dias", em 56, derrotando Marlon Brando e Yul Brynner. Durante sua trajetória, Mario Moreno sofreu muito, descobriu-se impotente e trouxe a tristeza para a sua esposa, que desejava muito ter filhos. Milionário, o casamento entrou em crise, mas superou os momentos difíceis. Ele ficou muito famoso pela sua improvisação, o que lhe trouxe rusgas com Cineastas que o impunham a decorar o texto exatamente como estavam escritos no roteiro. O cineasta Sebastian del Amo já havia realizado em 2012 uma outra cinebiografia cinematográfica: "O Fantástico Mundo de Juan Orol ", sobre o cineasta de filmes B mexicano, comparado a Ed Wood. Com um orçamento muito maior, ele realizou "Cantinflas", que foi indicado pelo Mexico para disputar o Oscar de filme estrangeiro em 2015, mas não ficou entre os finalistas. Sebastian del Amo começou sua carreira como fotógrafo, e isso explica o apuro técnico do filme. Com uma belíssima fotografia, ele explora o melodrama com tintas coloridésimas, quase em technicolor antigo. Sendo um filme mexicano, ele não podia ter deixado por menos o excesso de drama, o que prejudica a narrativa. Aliás, o filme tem problemas de ritmo, muitas cenas correm friamente. Os pontos altos da película são obviamente a questão técnica: fotografia, direção de arte, figurino, maquiagem, e o ator espanhol Óscar Jaenada, no papel principal.Aliás, ter sido escolhido um ator espanhol para protagonizar um mito mexicano provocou uma fúria enorme entre os mexicanos. Fúria essa somente acalmada quando comprovaram que ele estava excelente no papel, praticamente sendo o próprio. O trabalho de maquiagem foi perfeito. Uma pena que o filme se preocupe mais com a embalagem do que com o conteúdo. Aliás, criar duas histórias paralelas ( uma, a trajetória de Cantinflas. Outra, a trajetória de Mike Todd, produtor da Broadway que resolveu produzir seu primeiro filme, a super-produção "A volta ao mundo em 80 dias", e por isso mesmo, desacreditado por toda a classe cinematográfica. A história de Todd, que ocupa muito tempo do filme, dilui a força do homenageado do filme. Um erro de roteiro, que prejudica o projeto como um todo. Nota: 6

A entrevista

"The interview", de Seth Rogen e Evan Goldverg (2014) Assim como Ben Stiller, é impressionante o apuro técnico de Seth Rogen ao conduzir um filme. Depois da comédia apocalíptica "É o fim", Rogen investe em uma história mais absurda ainda: uma trama para assassinar o Ditador norte coreano Kim Jong-un. Apenas em um País livre e com direito de expressão como os Estados Unidos é possível escrever um roteiro aonde você use um personagem real e deturpe a sua trajetória. Foi assim com Tarantino em "Bastardos inglórios" e a sua reinvenção sobre Hitler. Porém, mais sério e mais caótico, por não dizer mais polêmico, Rogen fala sobre uma personalidade que está viva e em pleno exercicio do Poder. "A entrevista" foi em 2014 o filme mais discutido em toda a mídia. e isso não pelas suas qualidades, e sim, pela ameaça que sofreu de Hackers que disseram que iriam provocar atos terroristas caso o filme fosse exibido em circuito. A Sony resolveu não lançar e até o presidente Obama rechaçou a Sony por ter se deixado levar elas ameaças. Buchichos à parte, o que interessa saber é: o filme vale a pena? Sim, o filme é muito engraçado. Yem várias cenas antológicas, tem muita escatologia ( juntar James Franco e Seth Rogen no mesmo filme só pode dar nisso) e muita, muita bizarrice. Com piadas politicamente incorretas, os roteiristas literalmente ligaram o foda-se. E aí fica a pergunta: até onde isso é nocivo? Até onde as pessoas aceitarão as loucuras impostas ao Ditador norte coreano e à população de lá? Afinal, tudo e todos são ridicularizados: o exército, a mídia, a cultura, o governo, a educação, o povo. Quando Sacha Baron Cohen resolveu fazer o seu "O Ditador", e;e ficcionalizou tudo, mesmo que o espectador tivesse referência de algum país do Oriente médio. Sendo real, tudo fica muito estranho, ainda mais que sabemos que obviamente não houve consentimento de uma das partes. Como comédia, o filme diverte e muito. Em alguns momentos perde o ritmo, ( sou um defensor de que comédia não pode ter mais que 90 minutos), mas o carisma de Franco e Rogen , para quem gosta e curte, é inegável. Aliás, James Franco é um cara que admiro muito: ele é excelente com drama, excelente na comédia, e investe tempo e dinheiro em projetos autorais, em filmes super independentes e ousados. O elenco que interpreta a parte norte coreana é impagável. Randall Park, como o Ditador, e Diana Bang, como sua fiel braço direito, estão hilários. A cena da entrevista que toca "Fireworks" da Kate Perry é sensacional. O filme, assim como "Trovão tropical", de Ben Stiller, alterna momentos de humor escrachado com cenas de alta violência, puro humor negro. Outra cena impegável é a de Seth Rogen tentando esconder uma cápsula gigante antes que a guarda norte coreana o flagre na floresta. "A entrevista" não é filme para qualquer espectador. Se você não tiver uma mente aberta, se você não curtir histórias tão loucas que soam como surreais, fuja, mas fuja muito. Nota: 7

Bramadero

"Bramadero", de Julian Hernandez (2007) Bramadero em espanhol se refere ao local para onde os animais selvagens são encaminhados para cruzarem quando estão no cio e eventualmente, dependendo do seu grau de violência, mortos. Nesse curta premiado do cineasta mexicano Julien Hernandez, autor do filme experimental "Raivoso sol, raivoso céu", acompanhamos a trajetória de 2 homens. Jonas e Hassen se encontram furtivamente no alto de um prédio em construção. Um é gay, o outro não se assume. Após investidas de um e recusas do outro, eles acabam se amando. Mas esse amor proibido traz consequências trágicas. Belamente fotografado, com planos esteticamente delirantes, Hernandez novamente traz o seu conceito de filmes sem diálogos, apenas no olhar de seus personagens. O corpo masculino é peça fundamental em seus filmes, e é através desse corpo, do sexo, do suor, da virilidade, que ele expressa sua mensagem. Recheado de cenas de sexo explícito, o filme transgride e provoca. Coragem do cineasta e dos atores que se entregam por inteiro em um projeto instigante e destinado a um público muito restrito. Nota: 7

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Orgulho e esperança

"Pride", de Matthew Warchus (2014) Baseado em fascinante história real, essa deliciosa comédia dramática inglesa tem tudo o que a gente ama: excelente roteiro, ótima direção, extraordinários atores veteranos e novatos ingleses, estupenda trilha sonora que reúne os maiores hits pops ingleses dos nos 80 e a cafonice dos cabelos da época. É uma diversão só. Emociona, faz rir e chorar. Em 1984, a União dos mineiros resolve fazer greve. Margaret Tatcher os provoca e não aceita fazer acordo. Paralelo, um grupo de jovens gays, liderados por Mark Ashton resolve apoiar a causa dos mineiros, pois dentro da concepção dele, eles devem ajudar a uma classe que é mais desvalorizada que a dos gays. Esse grupo de gays e lésbicas se auto-denominou "Gays e lésbicas apoiam os mineiros". Eles acabam indo até uma pequena comunidade de mineiros, e lá, após sofrerem bullying de parte da população, que teme associar a classe dos mineradores ao que eles chamam de perversão gay, ganham apoio de parte dela. O filme reúne todos os clichês que se possa imaginar em se tratando de um tema gay: saídas de armário, advento da Aids, preconceito, baladas, família preconceituosa. A trilha sonora reúne hits de "The Smiths", "Frankie goes to Hollywood", 'Culture club", 'Soft Cell" e outros. é uma delícia enorme de se assistir, além de criar paixão entre os nostálgicos que se identificarão o tempo todo com a trajetória histórica e cultural dos anos 80. O elenco é um imenso sonho de qualquer Diretor: Imelda Staunton, Bill Nighy. Paddy Considine e alguns atores jovens brilhantes: Ben Schnetzer e George MacKay, nos papéis de Mark e Joe. Jessica Gunning , no papel da gordinha Sian, está antológica. O filme tem uns 15 minutos a mais, o que no meu entender, provocou uma gordurinha lá no meio da projeção. Mas é no geral bastante emocionante e contundente O Desfecho, dizendo o que aconteceu com cada um, é de chorar. O diretor Matthew Warchus está planejando uma versão musical do filme para a Broadway. O filme venceu o Prêmio 'Queer Palm" na Quinzena dos realizadores em Cannes 2014. Nota: 9

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

O quarto azul

"Le chambre bleue", de Mathieu Almaric (2014) Quarto filme dirigido pelo ator francês Mathieu Amalric ( cujo anterior, "Turneé" ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes) , foi exibido em 2014 na Mostra "Un certain regard". Adaptado da obra de 1964 do escritor belga George Simenon, a trama policialesca gira em torno do romance entre os amantes Julien (Almaric) e Delphine. Ele casado e pai de uma menina de 6 anos. Ela, casada com um farmacêutico. Ambos se encontram por acaso e passam a se encontrar em um quarto azul de um hotel. Porém, a polícia chega até Julien, e ele é acusado de um crime que ele alega não ter cometido. A imprensa e críticos comparam o filme a ume versão noir de "Atração fatal". De fato, o filme resgata a tradição francesa em filme snoir, principalmente os de Truffaut, "A noiva estava de preto"e "A sereia de Mississipi". Mas o filme de Almaric evita o óbvio e investe na atmosfera, no erotismo, na excelente fotografia de Christophe Beaucarne ( "Adore", "Mr nobody") e na trilha envolvente, trazendo ecos do noir clássico e dos filmes melodramáticos de Douglas Sirk, a cargo de Grégoire Hetzel. O filme é curto, 74 minutos, e delicioso de se assistir. É uma homenagem feliz aos filmes sobre mulheres fatais que tanto amamos. Elenco todo excelente. A parte do tribunal ficou um pouco entediante, mas para quem curte, irá se esbaldar. Nota: 7

A pelada

"A pelada", de Damien Chemin (2013) Primeira Co-produção Brasil com Bruxelas, essa comédia popularesca foi toda rodada em Aracaju, cidade aonde o cineasta belga Damien Chemin morou por 7 anos. Misturando equipes brasileiras com belga, Chemin fez uma visão da picardia e malícia brasileira, típica das pornochanchadas dos anos 70, porém bem soft, com direito a nudez parcial. Usando boa parte dos atores de Aracaju em seu filme, Chemin convidou Tuca Andrada para dar dignidade ao projeto. O filme pode ser avaliado de 2 formas: da forma mais óbvia, fazendo uma crítica séria. Ou fazendo observações positivas sobre a produção. Prefiro me ater ao segundo formato, pois na minha avaliação, esse filme, do jeito que foi feito, e com o orçamento despejado, não deveria passar pelo crivo de uma crítica oficial. O roteiro , ingênuo, não ajuda nem um pouco. Logo, os pontos positivos: a interação entre 2 países tão díspares culturalmente, juntando esforços para fazer o espectador rir. Imagino a equipe belga se divertindo no SET de filmagem, deve ter sido uma festa diária. Produzir um filme fora do eixo Rio/são Paulo/Pernambuco e ser visto fora de Aracaju também é um grande feito. Confesso que nunca havia ouvido falar desse filme. Descobri do nada, assim, vasculhando a internet. E graças a ela, e não à distribuição no Brasil ( que faz com que centenas de filmes nacionais permaneçam nas prateleiras), tive acesso a ele. No mais, é isso e apenas isso. Ah, o roteiro? Um casal classe média baixa tenta apimentar a relação, e se utiliza de brinquedos eróticos e de relação a três. Como se vê, bem original.

Os gêmeos esqueleto

"The skeleton twins", de Craig Johnson (2014) Exibido em Sundance, "The skeleton twins" fez um grande sucesso. Essa comédia dramática independente é dirigida por , que em 2009 realizou o filme do movimento mumblecore ( baixíssimo orçamento) "True adolescentes". Agora com um orçamento maior, mas ainda assim independente, ele roteiriza e dá vida a uma das melhores comédias dramáticas dos últimos anos. Curiosamente, seu filme lembra bastante o independente "Antes que eu desapareça", de Shawn Christensen. Ambos os filmes falam sobre relações conflituosas entre casal de irmãos que durante anos não se vêem, e que, por conta da tentativa de suicidio do irmão, se reencontram e aproveitam para lavar a roupa suja. Em "The skeleton twins", Maggie ( Kristen Wiig) e Milo (Paul Hader) se reencontram após ambos tentarem o suicídio no mesmo dia. O pai de ambos se suicidou quando eles eram crianças. Milo é gay, e tem problemas com seu amante, que não assume a homossexualidade. Maggie é casada com Lance ( Luke Wilson) e é infeliz. Nesse reencontro, a tentativa da busca da felicidade. O mais curioso do filme, para mim, é ter escalado Luke Wilson. Seu irmão, Owen Wilson, tentou suicídio em 2007 da mesma forma que o personagem de Milo: cortando os pulsos. Fico com a impressão de que ele aceitou o papel para exorcisar esse fantasma. Eu amo filmes que falam sobre geração perdida, sem rumo, que perdeu o bonde. Pessoas frustradas e desesperançadas. Kristen Wiig é uma ótima roteirista e comediante,e recentemente ela tem apostado em papéis que caminham pelo drama. E tem se mostrado excelente em tudo o que faz. Paul Hader, oriundo do "Saturday night live", é um gênio do humor. Sem apelar para estereótipos de atuação gay, ele brilha e tem vários momentos antológicos: a cena onde ele canta a musica dos anos 80 "Nothing gonna stop us now" com Krsten Wiig é uma pequena obra-prima. Dosando muito bem drama e comédia, e bem conduzidos pela ótima direção de Craig Johnson, o filme seduz o espectador pelo lado realista e humano das relações familiares. LIndo, poético, emocionante e divertido. Bela fotografia e trilha sonora. Super recomendado. Nota: 8

O Hobbit: A batalha dos cinco exércitos

"The Hobbit: The Battle of the Five Armies", de Peter Jackson (2014) Emocionante desfecho para a saga de "O Hobbit", prólogo para a trilogia de "O Senhor dos anéis". Mais do que nunca, Peter Jackson entendeu que o seriado "The game of thrones" deve muito a ele, e o homenageia com a frase "The winter is coming". Na verdade, esse filme me lembra muito a estrutura do final de "O Senhor dos anéis: o retorno do Rei", onde a batalha final com vários exércitos definem a paz ou não entre o mundo de Terra Média. Tudo já foi dito sobre o filme, então serei breve. Me emocionei bastante, as cenas de batalha são muito foda, Jackson repete aquele amor quase homossexual entre Bilbo e Thorin, semelhante a de Sam e Frodo. Chorei muito, pois o filme reserva destino triste para vários personagens. E a gente que passou quase 14 anos acompanhando a saga toda, impossível não cair em prantos. Peter Jackson reserva vários momentos genuinamente emocionantes: logo no início, pai e filho atacando Smaug. depois, as batalhas, com suas vitórias e perdas. E se o desfecho parece brega, garanto que nenhum fã se incomodará. E Iam Holm em participação mais do que mágica. A destacar, como sempre, o excelente trabalho de todo o elenco. Impossível imaginar essa série sem Ian Mackellen. Trilha sonora inebriante de Howard Shore. Foram 3 horas de muito escapismo e diversão. Cinema também é puro entretenimento. Nota: 8

As 13 mais belas canções para testes de elenco de Andy Warhol

"13 of the most beautiful songs for Andy Warhol's screen tests", de James Benning(2011) Durante os anos de 1964 a 1966, Andy Warhol filmou mais de 500 portraits de amigos, celebridades, pessoas anônimas, prostitutos e putas, enfim, pessoas que ele considerava com potencial de terem o "Star quality". Filmados em 16 mm e variando a velocidade, eram todos silenciosos e variavam de 2 a 4 minutos. As pessoas simplesmente posavam para a sua câmera e faziam o que bem entendiam. Entre eles, nessa compilação de 13 "screen tests", temos Dennis Hopper, Lou Reed, Nico e Paul America. Tudo devidamente registrado em sua produtora , a "Factory". Andy Warhol ficou famoso por fazer filmes onde o que menos importava era o controle do tempo. Sempre deixava a câmera rolando, e quase nada praticamente acontecia de frente às câmeras. Qaando fazia algum filme de ficção, deixava os diálogos improvisados entre os "atores" rolarem soltos. Nesses 13 registros belamente fotografados, vemos por minutos cada uma das pessoas se deixando mostrar em sua pureza, libidinagem, sedução e olhar profundo e belo. São todos muito bonitos. Em 2008, o Museu de Andy Warhol fez uma compilação desses 13 registros e convidou a dupla Dean e Britta para comporem músicas em cima de cada um dos registros. O resultado foi um belíssimo trabalho que lembra bastante o clip clássico do New Order, "round and round". Planos inteiros, sem cortes, de pessoas seduzindo a câmera. Um filme delicioso que pode ser visto ou simplesmente ouvido. Cult ao extremo. Nota: 7

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

'71

"'71", de Yann Demange (2014) Brilhante exercício de Direção e de condução de cena, "'71" é um filme de drama. Ou melhor, um filme de guerra. Ou melhor, um filme de terror psicológico. Em 1971, um soldado britânico, Gary (Jack O'Connell, impecável), durante um evento onde seu grupamento se envolve com manifestação de populares e manifestantes do IRA na Irlanda do Norte, se separa deles e acaba sendo deixado para trás. A partir daí, ele procura se esconder e fugir da fúria dos irlandeses, que querem matá-lo a todo custo. Baseado na cidade de Belfast, ele encontra apoio de alguns moradores que por sua vez, sofrem represálias dos colegas do IRA. Um filme complexo na sua questão humanitária, uma vez que vemos os dois lados de uma moeda: o conflito entre Reino Unido e Irlanda do Norte nos anos 70. Através do personagem Gary ( na proposta, semelhante ao personagem do filme de Agnieska Holland, "Filhos da guerra". onde um jovem judeu se fazia passar por alemão) , testemunhamos os horrores e a tensão absurda sofrida por parte da população que não tinha nada a ver com o conflito. Tudo no filme é de altíssima qualidade: a fotografia muito foda de Tat Radcliffe, acentuando as cores e a escuridão noturna, uma vez que o filme se passa durante uma noite. a trilha sonora sufocante a apavorante de David Holmes. O elenco inteiro está absurdamente incrível, e isso inclui a figuração, super participante. Um filme que merece ser visto por todos que se interessam por uma parte sangrenta da história inglesa, pelos que se interessam por um excelente filme bem narrado e para os que apreciam performances irretocáveis. Nota: 10

sábado, 20 de dezembro de 2014

E agora? Lembra-me

"What now? Remember", de Joaquim Pinto (2013) O Cineasta português Joaquim Pinto durante 1 ano de sua vida documentou o seu tratamento com uma droga inédita e clandestina contra o vírus do HIV. Premiado em Locarno e no Fetsival de Pernambuco, esse filme experimental relata o drama de um homem que vive à sombra da morte iminente por um período de mais de 20 anos, quando descobriu ser portador do vírus. Amigos morreram, e ele ficando para trás, sentindo medo, tristeza, acalentado apenas pelo seu companheiro Nuno, seus 4 cachorros, seu sítio e seus filmes. Esse documentário é uma mistura de sensações: poesia, experimentação, abstração, registro do tratamento, cenas de filmes do próprio Joaquim e de outros filmes portugueses, cenas de sexo de Joaquim com Nuno, Closes vários em insetos...tem de tudo nesse filme ensaio. O mais bonito e contundente é ouvir a voz off em tom etéreo de Joaquim, percorrendo o filme todo. A voz de um homem que sabe de sua mortalidade, encurtada talvez por uma doença que ele mesmo procura descobrir mais sobre ela. Viver com algo por tanto tempo e sem saber o que é exatamente, esse é o desafio. Mais: testemunhamos os efeitos colaterais (fraqueza, desmaios, depressão, etc) provocados por essa droga experimental. O filme convida o espectador ao mesmo tempo, uma visita ao Paraíso e ao Inferno. Para quem se aventurar a testemunhar esse relato, pede-se apenas paciência para as quase 3 horas de filme. Exagero? Sim, mas em se tratando de um filme que fala sobre a vida e o tempo, talvez seja por aí mesmo. Nota: 7

Sono de inverno

"Kis uykusu/Winter sleep", de Nuri Bilge Ceylan (2014) O que faz alguém assistir a um drama intimista de 196 minutos de duração? O grande Vencedor da Palma de Ouro de melhor filme e do Prêmio Fipresci em Cannes 2014, "Winter sleep" é uma saga exitencial de um homem solitário que dura isso mesmo, 3:16 horas! Esse tour de force para o espectador só é possível por conta de 4 elementos: 1- O roteiro, excepcional, composto de diálogos ácidos e poderosos que retratam a sordidez do ser humano. 2 - A performance de todo o elenco, impressionante em seu naturalismo e melancolia, olhares profundos que marcam a solidão e a tristeza de cada um dos personagens do filme 3- A fotografia irrepreensível de Gökhan Tiryaki, responsável por todos os filmes de Nuri Bilgen, e que verbaliza em imagens o frio de Anatolia, profundo em sua brancura 4- A direção precisa e metódica de Nuri Bilge Ceylan, Cineasta turco celebrado no mundo inteiro, realizador dos excelentes "Os 3 macacos"e "Era uma vez em Anatólia". O mais incrivel, é a sensacão que tive de estar assistindo a um filme de Bergman. Quem sabe uma releitura de "Cenas de um casamento"épico de muitas horas, que relata a frieza de uma relação sem amor. O filme narra a história de Aydin, um homem de meia idade que é dono de um hotel nas montanhas de Capadócia, Anatólia. Ex-ator, ele escreve uma coluna para um jornal local, e tem a ambição de escrever um livro sobre o teatro turco. Ele mora com sua irmã divorciada e amarga pela vida, e com sua jovem esposa Nahil, com quem já não divide mais amor nem palavras. Aydin herdou terras nas redondezas, e aluga a scasas para o proletariado local. Culto e rico, ele constrange quem o cerca com palavras e gestos que marcam a sua superioridade. Mas a solidão se torna cada vez mais brutal, à medida que o inverno vai chegando ao local. Seco e frio, o filme de Nuri Bilgen trabalha como sempre, com o tempo que teima em passar. Seus planos longos, os diálogos que tomam conta de cenas às vezes com mais de 20 minutos sem pausa, são sinal de um Autor que sabe lidar com as palavras. No entanto, é impossível dizer que o filme não seja cansativo. Será que tantas histórias paralelas se tornam necessárias? O filme poderia ter 1 hora a menos? A maioria dos cinéfilos e criticos dizem que não sentiram o tempo passar...será verdade mesmo? Eu tenho que dizer que foi bem puxado. Mas de uma forma geral, acabada a sessão, tenho que admitir que é um filme poderoso na sua dramaturgia e pela força do elenco. Filmes assim, que discutem amor, vida, morte, existencialismo, me fazem a cabeça. ë o tal do pessimismo tão comum ao cinema de Bergman, aqui devidamente representado. Nota: 8

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Jauja

"Jauja", de Lisandro Alonso (2014) Vencedor do Prêmio FIPRESCI na Mostra "Un certain regard" em Cannes 2014, "Jauja" é um exercicio hermético e experimental de difícil acesso ao público. Uma pergunta aos Cinéfilos: é possível unir o formalismo estético e surrealista de Jodorowsky, Carlos Reygadas ( e seu "Post Tenebras Lux") e Tarkovsky em um único filme? Viggo Mortensen, ousado, produz, protagoniza e compõe a trilha desse filme intransponível, uma saga interiorizada de um homem enlouquecido em busca de sua filha. Uma espécie de faroeste experimental na linha de "Rastros de odio", o filme narra a história de um Capitão dinamarquês, Gunnar (Mortensen), que segue com sua bela filha Ingeborg, de 15 anos, até a região de Jauja, nos pampas argentinos do Sec XIX. Nessa região da Patagônia, reza a lenda que existe uma espécie de El Dorado, ouro o suficiente para deixar as pessoas ricas. Mas diz-se que ninguém jamais conseguiu atravessar incólume o local. Gunnar proteje sua filha dos olhos de soldados e de inimigos presos, até que numa noite, ela resolve fugir com um jovem prisioneiro. Gunnar sai em seu encalço, atravessando a região mística. O filme trabalha com a questão do tempo e do espaço. O seu formato, 4:3, lembra uma foto de Instagram um pouco ais ampla nas laterais. Essa estranheza é acompanhada de forte formalismo estético: o filme não tem movimento de câmera, muito menos decupagem dentro de uma mesma cena. EM sua maioria planos abertos, que intensificam o verdadeiro protagonista do filme, a Patagônia, as pessoas ficam pequenas e quase não merecem closes. Quem assistiu a "Post Tenebra Lux", filme conceitual de Carlos Reygadas, talvez aceite o desfecho bizarro desse "Jauja". Caso contrário, muita gente irá sair irritada do filme. Mortensen está ótimo, com a loucura do personagem revelada em doses minimalistas. Porém, o filme em sua rigorosidade e com sua lentidão e planos extremamente longos, me causou extremo cansaço. Vale indicar? Para quem ficar impressionado com a beleza da fotografia e da região, com certeza. Se for apenas para assistir a um filme clássico narrativo, esqueça. Esse filme não é para você. Nota: 6

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O abutre

"Nightcrawler", de Dan Gilroy (2014) Drama oportuno nos dias atuais, narra a história de Louis Bloom, um homem desempregado desesperado por um emprego. Uma noite, ao presenciar um acidente, Louis resolve gravar imagens de eventos violentos e vender para uma inescrupulosa diretora de jornalismo de noticiários estilo "Mundo cão". Porém, a ambição de Louis não tem limites, inclusive, mudando cenas do crime e manipulando as situações. Ótimo roteiro e bela estréia na direção do roteirista Dan Gilroy, que traz em seu filme um pouco do clima do cult "Drive". O elenco, encabeçado pelo ator e produtor Jake Gyllenhaal, que está excelente, uma Rene Russo e um Bill Paxton diabólicos. Pelo filme, nesse mundo só existem pessoas filhas da puta, e os atores traduzem essa sensação muito bem, sem serem óbvios em suas construções de personagens. O espectador nunca sabe direito o que vai acontecer, e do meio pro fim, o suspense vai em um crescendo. Achei o filme com uma barriga de uns 20 minutos a mais. Mas mesmo assim, vale a pena ser visto, é um filme onde não existem heróis, e sim, pessoas querendo sobreviver em uma metrópole onde vale alei do mais forte. A mensagem, dura e cruel, é retratada sem piedade pelo diretor. Nota: 8

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A teoria de tudo

"The theory of everything", James Marsch (2014) Litros e litros de lágrimas foram derramados assistindo ao filme. Diretor do premiado documentário "Homem equilibrista", James Marcsh emociona ate a medula nessa cinebiografia do cientista e cosmólogo Stephen Hawking, que aos 21 anos de idade, nos anos 60, foi condenado a 2 anos de vida assim que teve seu parecer médico, e que no entanto está vivo até hoje, aos 72 anos de idade, palestrando e dando aula em Cambridge. Diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica, doença que paralisa os músculos, Hawkings praticamente é imóvel. Não fala, se comunicando através de um aparelho que reproduz sua voz. O filme é baseado no livro de sua ex-esposa. Jane Wilde, "Viajando ao infinito: minha vida com Stephen". Ambos se conheceram ainda adolescentes em Cambridge, nos anos 60, antes da doença de Hawking. Assim que descoberta, Jane lutou bravamente para se manter fiel ao seu lado, mesmo mediante afastamento de Stephen, que se sentia culpado por não poder prover uma vida melhor para ela. O filme mostra então as diferenças religiosas ( ela católica, Ele ateu), as dificuldades de Jane de enfrentar a vida em conjunto com Hawkings, que vai piorando a medida que o tempo passa, e a relação deles com os 3 filhos e um homem que surge na vida de Jane e por quem ela se apaixona. Tecnicamente o filme é um primor: Fotografa extraordinária de Benoît Delhomme, trilha sonora do islandês Jóhann Jóhannsson, uma obra-prima comovente responsável por muitas das minhas lágrimas, a Direção de arte e figurinos. O elenco, como todo filme inglês, é impecável. Eddie Redmayne, de "7 noites com Marylin" está brilhante, lembrando em sua caraterização o personagem de Daniel Day Lewis em "Meu pé esquerdo". Felicity Jones também arrasa com a sua Jane Wilde, e o luxuoso elenco de apoio só engrandece o filme: David Thewlis, Emily Watson, Charlie Cox. Autor de "Uma breve história do temo", que vendeu mais de 10 milhões de exemplares, Hawkings é apresentado no filme como um homem real, mas que luta pela sua vida com garras e dentes. O roteiro é acadêmico, mas a mistura de romance com filme didático sobre física, cosmologia, etc, é boa, sendo que particularmente acho um saco a parte intelectual do filme. Quanto à parte melodramática, focada em sua vida pessoal, é muito bonita e densa. Nota: 8

REC 4 - Apocalypse

""REC 4- Apocalipses", de Jaume Balagueró (2014) A franquia da série de filmes de terror "REC" é uma das mais anárquicas em relação a desenvolvimento de história. O 1o , "REC", data de 2007. Um pequeno clássico do gênero, ele surgiu no auge dos filmes de "found footage", no caso, filmes sempre mostrados através do ponto de vista de uma câmera subjetiva ( A repórter Angela vai com seu cameraman ao interior de um prédio e descobre que ele está infestado de zumbis famintos)., Em "REC 2", a gente descobre que na verdade os zumbis são consequência da possessão demoníaca de sua hospedeira, e aí incluem até um Padre na parada. "REC 3"não tem nada a ver com Angela e o prédio, e se passa paralelo em um casamento, onde todos passam a virar comida de zumbis famintos. Já esse último da série, "APocalypse", recupera Angela e uma sobrevivente do casamento e os coloca dentro de um navio de experimento científico. Sim, essa idéia já vimos em "Alien 3", em "Resident evil" e outros milhares de filmes. Vale a pena ver? Bom, para quem curte um terror barato e vê mesmo qualquer coisa, pode até ser divertido. Porquê aqui realmente não tem nada de novo. Vale talvez pra nós do Brasil vermos que os espanhóis estão anos luz à frente em relação a efeitos especiais e maquiagem. Para quem é fã xiita da série, vai ficar revoltado porquê aqui não existe mais a linguagem da câmera subjetiva. Foi totalmente abolida. A atriz Manuela Velasco é a Ripley da série, e aqui empunha faca, moedor de carne, machadinha e tudo o que tem direito pra mostrar que ela estava na profissão errada. O que seria dos filmes de terror sem esses cientistas malucos com cara de mal? Nota: 5

domingo, 14 de dezembro de 2014

Corações de ferro

"Fury", de David Ayer (2014) O Sargento Wardaddy de Brad Pitt revisita o Capitão Miller de Tom Hanks em "O resgate do soldado Ryan". A semelhança dos 2 personagens é tanta, que me fez pensar que o Cineasta e roteirista David Ayer deva ter visto o filme de Spielberg umas 50 vezes para pegar todas aquelas cenas de patriotismo, heroísmo, emoção e sentimento de perda pela vida de cada companheiro que morre. Não que isso seja ruim, até porquê "Corações de ferro"tem o seu apelo. Mas de surpreendente mesmo, o filme pouco oferece, uma vez que vem tudo mastigado, a gente já sabe tudo o que vai acontecer. Menos o desfecho totalmente inverossímel, mas tudo bem, a história precisa chegar a um fim e o roteirista teve que ceder aos apelos do "Deus ex-machina", que acredita na bondade do ser humano mesmo em situações de selvageria que a guerra oferece. O filme narra o confronto entre soldados aliados já no final da 2a guerra, ano 1945. Eles invadiram a Alemanha mas precisam derrotar as frentes alemães que ainda resistem nas cidades do interior. Entre os v;arios fronts, encontra-se o Sargento Wardaddy( Brad Pitt). Ele e seu grupo de soldados ( Michael Pena, que já trabalhou com o diretor em "Marcados para morrer", Shia Labeouf e Jon Bernthal, o Shane de "The walking dead") lutam bravamente dentro do tanque que eles apelidaram "Fury". Um soldado novo e covarde, Norman ( Logan Lerman) integra o grupo. Logo, Norman descobre que os horrores da guerra são mais violentos do que ele possa imaginar. Ótima direção para um filme longo, cheio de clichês mas com excelência técnica: fotografia, efeitos, trilha sonora. O elenco está todo excelente, Brad Pitt segurando com afinco o seu tipo heróico e mesmo assim, tem momentos que me lembrei dele em "Bastardos inglórios", de Tarantino. As cenas de tiros e de explosão lembram o confronto de "Soldado Ryan", com cabeças e corpos explodindo e sendo dilacerados. Para quem curte um filme de guerra com embalagem patriótica americana, esse é um bom pedido. Nota: 7

Marcas da vida

"Sunlight Jr", de Laurie Collyer (2013) A cineasta independente Laurie Collyer realiza filmes onde ela trabalha com 2 temas em comum: a maternidade e a busca de um sonho. Foi assim em "Sherrybaby" e em "Nuyorican Dream". Seu olhar condescendente sobre os marginalizados passeia entre o drama e o melodrama, quase sempre com um registro documental. Em "Marcas da vida"( Sunlight Jr, no original, que é o nome da loja onde a personagem de Naomi Watts trabalha), Laurie narra a história de Richie ( Matt Dillon) e Melissa ( Naomi Watts), um casal que mora em uma casa pobre no subúrbio da Florida. Ele é paraplégico e está desempregado, ela trabalha como caixa na loja "Sunlight Jr". Um ex-namorado de Melissa, Justin ( Norman Reedus, o Darryl de "The walking dead") a atormenta com suas aparições na loja onde ela trabalha. Um dia, ela perde o emprego, eles perdem a casa e precisam achar um local para ficar. Para piorar a situação, ela se descobre grávida. Esse mundo cão teria sido melhor apreciado se tivesse sido realizado com atores desconhecidos e com caras mais realistas. Esse desejo desesperado de ser um filme mexicano colocando como protagonistas 3 super atores de Hollywood não comove o espectador, pelo menos não a mim. Em uma história tão dramática assim, juro, preferia ver atores mexicanos dando murro em ponta de faca na Cidade do México. Na beleza natural da Flórida, com 3 atores sex symbols, fica uma tarefa difícil de entrar na história. Mesmo assim, o filme tem qualidades: a fotografia, a trilha sonora e a edição. O roteiro, indicado como finalista no Festival de Tribeca 2013, foi o que mais me pegou: escrito pela cineasta, ele exagera no sofrimento do casal, parece aqueles melodramas dos anos 40 e 50 de Douglas Sirk. Norman Reedus precisa achar um bom projeto de cinema que o projete para fora das telas de tv. Nota: 6

sábado, 13 de dezembro de 2014

Ventos de agosto

"Ventos de agosto", de Gabriel Mascaro (2014) Filme de estréia do Documentarista e curta-metragista pernambucano Gabriel Mascaro, o filme é uma parábola sobre vida e morte, juventude e velhice, motivação e passividade. Em um vilarejo de pescadores em Alagoas, vive uma comunidade que sobrevive de coleta de cocos e da pesca. Porém, um temporal surge no litoral nordestino, afetando a vida dos moradores do lugar. Entre eles, vive um casal de namorados: Shirley e Jelson. Ela quase um homem diante de sua força bruta e da vontade de querer fazer tudo sozinha. Ele, passivo diante da possessividade e agressividade do pai, que vive acusando o filho de não fazer nada direito. Um técnico de som (Gabriel Mascaro) que avalia o temporal surge na região para medir o vento. Surge também do nada o corpo de um homem naufragado, morto a dias. Jelson resolve cuidar do corpo desconhecido, mesmo tendo sue pai reclamando para ele se desfazer do corpo. O grande acerto do filme foi ter realizado o projeto com 777 enxutos minutos. Mais do que isso, seria encheção de linguiça. O filme está no tempo certo de contar ao que veio. Outros acertos: a belíssima locação, a fotografia extraordinária do proprio Gabriel Mascaro e o trabalho dos atores: apenas Dandara de Morais, no papel de Shirley, é profissional. Os outros todos são moradores da região. Sendo um filme pernambucano, o sexo está 100 por cento presente em cena: totalmente despojados e expostos em nú frontal, o casal protagonista exala sensualidade mesmo não sendo dois padrões de beleza. Um grande acerto, adornado com imagens poéticas e cinematográficas que mostram um Brasil maravilhoso porém pobre. A trilha sonora, eclética, vai de punk rock e Tracy Chapman, passando por canções populares brasileiras. Nota: 8

Um novo começo

"Happy Christmas", de Joe Swamberg (2014) O cineasta e ator independente americano Joe Swamberg é conhecido na roda de cinéfilos por ser um dos fundadores do movimento "Mumblecore". São filmes de baixíssimo orçamento, geralmente realizados com amigos e com parentes para poder viabilizar a empreitada. Swamberg escrevem dirige e produz os seus filmes. No entanto, desde seu penúltimo filme, "Um brinde à amizade", que Swamberg tem investido em convidar atores mais famosos para chamar a atenção da mídia e do grande público. No filme, Anna Hendrick e Olivia Wilde, duas estrelas da nova geração de atrizes de Hollywood, toparam a empreitada indie e fizeram o filme sem o luxo e conforto costumeiro de uma grande produção. Anna Hendrick gostou tanto da experiência que repetiu a dose agora em "Um novo começo" ( Happy Christmas). O filme entrou na lista da Revista The New Yorker entre as 20 melhores produções de 2014. Tanta pompa elevou a amoral de Joe Swamberg. Aqui, ele coloca sua filha Jude Swamberg e outros parentes para interpretarem alguns personagens. No elenco, além de Anna, escalou Lena Dunhan, famosa por escrever e atuar na série de sucesso "Girls". O orçamento do filme está estimado em 70 mil dólares, dando a entender que todo mundo deve ter trabalhado de graça no filme. A história gira em torno de uma família: O casal Jeff e Kelly, pais de Jude. ele é cineasta, ela virou dona de casa após ter tido o bebê, mas era escritora. A irmã de Jeff, Jenny (Hendrick), resolve vir morar com seu irmão. Mas a sua presença trará confusão, uma vez que ela é irresponsável e gosta de beber. No entanto, ela reacende a paixão de Kelly por escrever. Esse filme não é tão bom quanto "Um brinde à amizade". Talvez porquê a história aqui se desenvolva de forma entediante, sem ritmo. Swamberg adora um falatório em seus filmes, e aqui não é diferente. O que vale é ver como ele consegue realizar um filem tão barato com uma boa qualidade técnica, e com ótimos atores convidados. Nota: 6

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Antes que eu desapareça

"Before I desappear", de Shawn Christensen (2014) Longa-metragem baseado no premiado curta de Shawn Christensen, "Curfew", vencedor entre eles do Oscar de melhor curta de 2012. O filme é um delicioso painel da solidão em uma grande metrópole, no caso, New York. Drama, comédia, melancolia, tudo se mistura na história de Richie, um faxineiro de um night club comandando por Bill ( Ron Pearlman, repetindo o seu tipo em 'Drive"). Richie, desiludido por conta de um amor, resolve se suicidar naquela noite. Mas o chamado de sua irmã, com quem não fala a anos, o impede de concluir a sua morte. Ela implora para que ele tome conta de sua filha Sophia, uma menina de 11 anos. Richie vai até a escola e descobre que a menina é uma super dotada e de temperamento forte, diferente dele, que tem baixa auto-estima e um fraco. A relação dois dois vai permeando essa noite, embalado por situações bizarras, bem ao estilo de "After hours", de Martin Scorsese. Aliás, a referência a "After hours" é explícita: até morte tem. Vários tipos estranhos e inesperados vão surgindo, dando um tom surrealista a essa fábula de humor negro. O Cineasta Shawn Christensen também protagoniza, produz, edita e comanda esse filme independente vencedor de vários prêmios. O filme também competiu em uma Mostra paralela em Veneza. mostrando a competência e criatividade desse jovem diretor. O filme poderia ter uns 15 minutos a menos, dando mais dinamismo ao projeto. A fotografia é bonita, os atores estão ótimos ( a menina Fatima Ptacek é um achado) e Pearlman sempre é um barato de se ver. Para quem ama um filme moderno e cheio de personagens notívagos e loucos, o filme é uma ótima pedida. Bela trilha sonora. Nota: 7

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Acima das nuvens

"Clouds of Sils Maria", de Olivier Assayas (2014) O cineasta francês Olivier Assayas, após o seu épico "Carlos", sobre o terrorista Chacal, com mais de 5 horas de duração volta ao drama intimista sob perspectiva feminina. Entre seus filmes com protagonistas femininas que fizeram sucesso, estão "Clean"e "Irma Vep", ambos estrelados pela sua ex-esposa Maggie Cheung, Em "Acima das nuvens", que foi exibido na Competição Oficial de Cannes 2014, Olivier mostra o lado depressivo e solitário de uma grande estrela de cinema e teatro, Maria Enders ( Juliette Binoche). A grande estrela segue até as Montanhas de Sils Maria, nos Alpes suíços, aonde ela acompanhar uma homenagem ao dramaturgo e diretor Wilhelm Melchio, que foi seu grande apoiador em sua carreira. Chegando lá, sempre acompanhada de sua fiel assistente Valentina (Kristen Stewart) , ela descobre que Wilhelm Melchio se suicidou. Ela é convidada por um Diretor para voltar aos palcos na peça que a consagrou, "Maloja snake". Só que dessa vez , no papel de Helena, a mulher mais velha. No papel de Sigrid, o papel cabe a Jo-Ann Ellis (Chloë Grace Moretz), uma alusão a Lindsey Lohan e seus tantos escândalos. Incomodada, Maria se sente pressionada pela idade e pela fama da jovem atriz. No meio dessa carga emotiva que pesa em suas costas, Valentina pede demissão. Delicado e triste drama sobre a vaidade da classe artística, em especial, as Atrizes, que se sentem enfraquecidas pela chegada da idade e da concorrência com atrizes mais jovens, que chama a atenção da mídia. O filme também discute a fina e tensa relação entre patrão e empregado, no caso,a Atriz e sua Assistente pessoal, retratado de forma contundente nas belas atuações de Binoche e Stewart, esta última surpreendendo para que costumava criticar sua performance até então dita monocórdica. O filme aliás me lembrou bastante a obra -prima de Fassbinder, "As lágrimas amargas de Petra Von Kant". Completando o trio de atuações femininas, temos a jovem e talentosa Chloë Grace Moretz, aqui personificando o tipo de Ator que busca o estrelato a qualquer preço, sem saber lidar com o sucesso. A personagem de Maria Anders é um poço de tristeza e solidão, rodeada pela sombra da velhice e da morte e do iminente ostracismo. Conseguirá ela lutar contra tudo isso? Olivier Assayas filme tudo com muita elegância, classe, auxiliada por uma trilha sonora composta de música clássica, uma fotografia deslumbrante e locações inebriantes. A beleza está em sua volta e no seu interior, assim é a mensagem do filme. Nota: 7

As férias do Pequeno Nicolau

"Les vacances du Petit Nicolas", de Laurent Tirard (2014) 4 anos depois da pequena obra-prima "O pequeno Nicolau", do mesmo Diretor Laurent Turard e baseado nos quadrinhos de René Goscinny, chega "As férias do Pequeno Nicolau". A minha expectativa era enorme, visto que fiquei perdidamente apaixonado pelo primeiro filme. Infelizmente, esse 2o filme mostra-se um festival de desacertos, a começar pelo roteiro. Calcado em todos e imagináveis clichês de férias familiares, onde tudo dá errado, o filme ainda se dá ao luxo de falar do mais temido de todos os clichês da infância: o primeiro amor. Nicolas e seus pais decidem viajar para as praias durante as férias escolares. Chegando lá, ele faz logo amizade com outros meninos: de novo, cada menino representa uma personalidade: o inteligente, o comilão, o nerd, o chorão e por aí vai. Porém, ele conhece Isabelle, uma linda menina por quem se apaixona, provocando ciúmes nos outros meninos. Paralelo, seus pais entram em crise: o pai se apaixona por uma alemã sedutora, e a mãe é convidada a estrelar um filme. O filme faz várias referências a filmes: "O iluminado", "Et", "007" e a cena com Ursula Andress saindo do mar, entre outros. Por sorte, o filme mantém a excelência da fotografia, Direção de arte e figurinos, parece que estamos vendo um filme de animação. Para a criançada, o filme pode soar sem ritmo, pois tem mais de 100 minutos. Diferente do primeiro, esse aqui tem uma pegada mais infantil, enquanto o anterior, era mais para adultos nostálgicos. Nota: 6

Homens, mulheres e filhos

"Men, women and children", de Jason Reitman (2014) Delicioso drama que envolve várias ramas, naquele estilo intrigante típico de Robert Altman, que todos chamavam de "Filme painel". Jason Reitman adora discutir relações familiares entre pais, filhos e parentes. Foi assim com "Juno", : Amor sem escalas" e "Jovens adultos". Seus personagens parecem sofrer da Síndrome de Peter Pan: são adultos que não cresceram, continuam agindo como adolescentes. Mas em "Homens, mulheres e filhos", o foco principal está na incomunicabilidade. Os personagens, mesmo estando um do lado do outro, preferem se comunicar através das máquinas: ipad, celular, computador. Todo mundo é carente, essa é a conclusão do filme. Mesmo casados, mesmo namorando, ninguém está feliz. Através de pelo menos 4 famílias, Reitman faz uma radiografia cruel de pessoas em busca de um amor, se utliizando de whatsapp, sites de pornografia e de encontros casuais para sexo sem compromissos. Até mesmo a prostituta é carente. Nesse mundo frio e sem amor, o espectador se sente incomodado e se pergunta: "mas será que não estão exagerando?". Infelizmente, não. Em uma das cenas, numa escola, através de um plano geral vemos todas as pessoas andando de um lado pro outro olhando para seus celulares, sem nem ao menos olhar para a cara do colega. esta é a mensagem do filme. A direção de Reitman é muito boa, mas o roteiro longo e o excesso de personagens pesam o filme. No início a gente fica super ligado, mas ao longo do filme vai se cansando. Mas o filme reserva 2 grandes trunfos: a trilha sonora, excelente, recheada de pérolas do soul, e o elenco. Mesclando atores veteranos com uma galera nova ( o elenco dos sonhos de "Malhação"), o filme exala beleza e frescor. Aos espectadores que se sentiram incomodados com o moralismo de "Requiem para um sonho", provavelmente irão se irritar com a mensagem do filme, que inclui uma cena de tentativa de suicídio ( o maior dos clichês da carência afetiva do novo milênio). Mesmo com esse momento melodrama mexicano, o filme merece ser visto pela sua inteligência e crueza. Nota: 8

domingo, 7 de dezembro de 2014

O predestinado

"Predestination", de Michael Spierig , Peter Spierig (2014) Ficção científica dos irmãos australianos Michael Spierig e Peter Spierig, uma espécie de correlato dos americanos irmãos Warchowsky. Também apreciadores de filmes de ficção científica, Diferente dos americanos, os filmes dos australianos nunca entraram em circuito comercial aqui no Brasil. Seu filme anterior, a ficção com vampiros cibernéticos "2019- A era da extinção", foi pouco visto. AO mesmo tempo, o ator americano Ethan Hawke é uma espécie de fetiche deles, pois também protagoniza o "2019". A trama é das mais intrincadas, e porque não dizer a mais confusa das ficções científicas que vi recentemente, superando em muito o já complexo "Incoerência". Baseado no curta "All you zombies", de Robert Heinlein, publicado em 1959, a história, se é que se consegue resumir, acompanha duas histórias: a de Jane e a de John. John (Ethan Hawke) é um agente temporal que viaja no tempo para resolver casos de terrorismo. Trabalhando em uma espécie de "Agência de viajantes do tempo", John é recrutado para uma última missão: caçar o terrorista "Fizzle bomber", que em 1975 matou 11 mil pessoas em Nova York. Durante uma luta, Bomber agride John, que fica desfigurado. John faz cirurgia e muda seu rosto. Afastado do trabalho,John acaba virando dono de um bar nos anos 70. Um dia, um homem misterioso surge ( Sarah Snook) surge e resolve contar sua história para John, Ele diz que nasceu em 1945 como Jane, e os médicos descobriram que Jane é hermafrodita. Após situações bizarras, Jane acaba fazendo cirurgia para virar homem. A relação entre essa pessoa, agora um homem, e John, vai revelar o quanto os dois tem em comum, e como essa coincidência pode ajudá-los a capturar o terrorista. Mais do que isso, é quase impossível avançar na história sem acabar sendo um spoiler. O que posso dizer é que o trabalho de Sarah Snook é impecável, interpretando 2 papéis, um masculino e um feminino, de forma brilhante e ousada. Um excelente trabalho de maquiagem. Ethan Hawke está correto, e seu lado ator funciona mais com o despojamento de Richard Linklater. Apesar de ficção científica, o filme economiza nos efeitos, e quase tudo vira quase um grande drama existencialista de amor e solidão. Se vale a pena ver? Sim, se você se dispuser a revelar a trama quebrando a cabeça e sem piscar, caso contrário, se enrolará na história e talvez tenha que começar tudo de novo. Ninguém pode reclamar da falta de ousadia dos roteiristas. Aqui, os irmãos Michael Spierig e Peter Spierig exageraram na dose da criatividade. Nota: 7

sábado, 6 de dezembro de 2014

Eu sou curiosa; azul

""Jag är nyfiken - en film i blått", de Vilgot Sjöman (1968)

Eu sou curiosa: amarelo

", de Vilgot Sjöman (1967) Em 1967, cineasta sueco Vilgot Sjöman lançou um filme dividido em 2 partes: "Eu sou curiosa: amarelo" e "Eu sou curiosa: azul". A versão amarela do filme provocou um verdadeiro escândalo na época, e foi proibido em vários países. Instigado pelo movimento da "Novelle vague" francesa, principalmente os filmes de Goard, Sjöman idealizou o seu projeto em cima de "jump cuts" e quebras de narrativa. Mesclando documentário, metalinguagem e ficção, ele ainda acrescentou forte carga erótica em seus filmes. Nudez e sexo em profusao, contrariando o romantismo dos franceses. Pode-se ate dizer que seu filme é atual e moderno inclusive para os padrões de hoje. Colocar a protagonista beijando o pênis do ator não é para qualquer um, muito menos ficarem em nú frontal boa parte do filme. Mais: a isso tudo, o cineasta ainda acrescentou uma entrevista com Martin Luther King, com quem ele esteve durante sua estadia em Estocolmo na época. O filme narra a historia de Lena, uma jovem estudante de teatro que se envolve com o diretor de um projeto que ele está realizando, mesclando entrevistas reais sobre as condições sociais na Suécia com uma parte ficcional do envolvimento dela com um personagem. Porém, o filme mistura a ficção com o documental e com a metalinguagem, e daí, o espectador se vê diante de um intrincado discurso sobre a narrativa cinematográfica. Os elogios vão todos para o casal principal, que se mostra totalmente despojado e sem qualquer tipo de vaidade: a atriz tem peitos caídos e barriga, e não está nem ai. É um cinema cru, sem firulas, que quer mostrar a realidade de forma fria e sem emoção. A fotografia em preto e branco e alguns planos estudados e estilosos merecem também a atenção do espectador mais cinéfilo. Nota: 7

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Bela juventude

"Hermosa juventud", de Jaime Rosales (2014) O cinema independente espanhol tem acompanhado a onda temática do Cinema europeu: seus filmes, em sua grande maioria, tem falado sobre desemprego e falta de esperança na população jovem. O cineasta Jaime Rosales, um velho babitueé de Cannes, tem pela 2a vez um filme concorrendo na mostra "Um certo olhar". Pessimista até não poder mais, seu filme "Bela juventude" pode ser facilmente confundido com qualquer um dos filmes dos irmãos belgas Dardenne. Naturalista, com planos longos e muita câmera na mão, além de um olhar documental sobre o se foco, no caso, o jovem casal Natalia e Carlos. Com idade por volta de 20 anos, os namorados lutam por um lugar ao sol. Ela engravida, a mãe dela reclama com ela, e o namorado, um peão de obra, mal consegue se sustentar. Ambos tentam inclusive entrar no mercado de filmes pornôs para faturar algum. Boa direção, roteiro que trabalha com temas já batidos, por isso sem novidades. Os atores são bons e despojados, sem se preocupar com vaidade nas cenas de nudez. Uma narrativa fria e sêca, sem concessões a melodramas. Nota: 7