sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Grandes olhos

"Big eyes", de Tim Burton (2014) Acertaram todos os críticos que falaram que Tim Burton trouxe a "Big eyes" a mesma homenagem tocante e melancólica que ele já havia realizado em "Ed Wood". Que filme sublime. Tim Burton sabe o que faz, e mesmo em seus filmes mais fracos, ele deixa sua marca autoral. Aqui, ele está novamente acompanhado de Danny Elfman, seu companheiro de trilhas sonoras, aqui compondo músicas encantadoras e que trazem muito da beleza do filme. Outro trunfo gigantesco: o fotógrafo francês Bruno Delbonnel, com quem já havia trabalhado em 'Dark shadows". Ele foi o responsável, entre outros, por "Amelie Poulain" e "Inside Lewis Davis". A direção de arte, figurino, maquiagem, tudo de nível altíssimo, ressaltando os Estados Unidos dos anos 60, principalmente San Francisco e Hawaii, magicamente transformados em locações de época. No Elenco, Amy Adams e Christoph Waltz estão extraordinários: carismáticos, melancólicos, humanos, mesmo na vilanice de Keane, conseguimos enxergar um homem comum que quiz sonhar em algo maior para sua vida. É um absurdo tremendo esse filme não ter sido indicado nas categorias do Oscar 2015. Nota zero pra Academia. O filme narra a incrível história real da pintora Margareth Keane. Em seu 1o casamento, Margareth foge com sua filha até San Francisco para começar vida nova. Ela tenta de tudo, até se dedicar à pintura, sua paixão. Em uma feira ao ar livre, onde ela expõe, ela conhece Michael Keane (Waltz), um pintor que se apaixona por ela. Ambicioso e egocêntrico, Keane enxerga na obra de Margareth sua chance de ser famoso: ele impõe um pacto para ela: ela faz as obras, e ele, com sua fama de vendedor de sucesso e de ser uma figura encantadora, assina os quadros. O resultado; os quadros são um tremendo sucesso com o público, apesar da execração da crítica especializada. Margareth sofre com o anonimato, e durante anos, ela se mantém quieta. Um cena no filme é emocionante, mas para quem tem a informação: na cena do parque ( foto em anexo), a idosa atrás de Amy é a verdadeira Margareth. Fiquei encantado com tudo no filme. É um filme muito bonito de se ver, de verdade. E o roteiro provoca uma raiva tão grande contra o personagem de Waltz, como nas boas novelas antigas. A mocinha sofre, sofre...e afinal, não é isso o que o grande público deseja no cinema? Uma nota especial para Waltz: ele personifica aquele figura tipicamente de filmes de Tim Burton: excêntrico, ansioso, falador. Podiamos todos imaginar Jonnhy Depp no papel, mas aqui Waltz incorpora bem o tipo. Está a um passo da caricatura, mas na cena do tribunal a sua performance é simplesmente brilhante e divertida. Quem for ao cinema em busca do tom fabulesco e sinistro de Tim Burton, vai se espantar e com certeza se deliciar com esse universo mais aterrador ainda: o ser humano. Nota: 9

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