terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Tarika

"Stadoto", de Milko Lazarov (2024) Indicado pela Bulgaria para uma vaga ao Oscar de filme internacional 2026, "Tarika" é um drama com elementos de realismo fantástico com um pano de fundo de xenofobia contra imigrantes que entram an Eorupa. Em uma pequena aldeia rural na fronteira entre Bulgária a Grécia, moram em uma cabana isolada Ali (Zachary Baharov), um fazendeiro viúvo de meia idade, a sua sogra idosa e a filha dele, Tarika (Vesela Valcheva), de 14 anos. As mulheres da linhagem de sua esposa nasceram com uma anomalia: vértebra em forma de borboleta, uma doença óssea que a mãe e a avó de Tarika tiveram. Cabe a Ali decidir se sua filha se submeterá à cirurgia para evitar a metamorfose completa, antes que ela experimente qualquer mudança significativa em seu corpo. A avó de Tarika ainda carrega as cicatrizes de sua própria intervenção médica. Supersticiosos, a população evita contatos com a família de Ali. Ela é culpada pelas secas e por acidentes ou mortes inexplicáveis. Quando TArika alimenta uma imigrante e sua bebê, o prefeito da cidade testemunha e lidera um movimento contra Tarika. Interessante perceber que visualmente, o cineasta Milko Lazarov faz analogia com "Frankestein", o que é diferente e monstruoso e deve ser eliminado. O filme tem cenas lindamente marcadas e fotografadas, como a da feira da cidade, com costumes locais. Um filme metafórico, com ótimos atores e um visual incrível.

Chilling Visions: 5 Senses of Fear

"Chilling Visions: 5 Senses of Fear", de Eric England, Nick Everhart, Jesse Holland, Miko Hughes, ndy Mitton e Emily Hagins (2013) Antologia de terror dividida em 5 histórias, cada uma dirigida por um cineasta diferente. O ponto de partida para o filme são os cinco sentidos humanos. Cada história se apropria de um sentido e cria o terror em cima do tema. Olfato- Um jovem loser, Seth Kyle (Corey Rutledge), recebe inesperadamente a visita de uma mulher vendedora na sua casa, a Srta. Margaret (Hilary Greer), que lhe oferece uma colônia que promete mudar sua vida. Ela diz para passar apena sum pouco. Seth experimenta no seu trabalho em um escritório e percebe que as mulheres o olham diferente e os homens o invejam. Seth cada vez passa uma quantidade maior de colônia, e sua pele vai se desfazendo Visão - O oftamologista Dr. Tom (Ted Yudain), durante os exames, extrai as memórias dos olhos de seus pacientes, que se transforma em líquido. Ele pinga o líquido em seus olhos e consegue enxergar o que o pcaiente viu nos últimos momentos antes de vir para a clínica. Quando ele passa o líquido de uma paciente, ele a vê sendo ameaçada pelo namorado violento. O médico cria uma armadilha para o namorado e injeta líquidos no olho do rapaz, que o deixa atordoado Tato - Um menino deficiente visual, Henry (Caleb Barwick), viaja com seus pais em uma estrada deserta. Quando sofrem acidente, Henry caminha pela floresta isolada para pedir ajuda, até que chega em uma casa abandonada onde um homem foi torturado. AO sair da casa, Henry percebe que existe um serial killer na região ( que vem a ser o namorado violento do ep anterior) Paladar- Aaron Whitworth (Doug Roland) é um jovem presunçoso que vai fazer uma entrevista de emprego em uma corporação estranha. ele é entrevistado por uma empresária sedutora, Sra. Sharp (Symba Smith). Quando Aaron recusa o emprego, a mulher se revela ser uma canibal Audição- Andy (Lance Kramer) e Jesse (Joe Varca) são contratados pela mesma empresa do ep anterior e têm a missão de encontrar uma música que faz com quem a escute inteira, morra. Os eps que mais gostei foram o 2 e o 3, criativos e macabros. O último é o mais fraco, e curiosamente, todo filmado em found footage. A referência dele me lembrou "Halloween 3".

The mastermind

"The mastermind", de Kelly Reichardt (2025) Concorrendo no Festival de Cannes 2025, "The mastermind" é escrito e dirigido pela cineasta americana Kelly Reichardt, diretora autoral dos premiados "Wendy e Lucy", "First cow", "Night moves". Eu não sou muito fã de seu estilo de cinema, extremamente lentos e minimalistas. "The mastermind", mesmo sendo bastante arrastado, me seduziu pelo excelente trabalho do ator Josh O'connor e pela trama inusitada, que termina de uma forma totalmente inesperada e ousada. A trilha sonora, quase onipresente, carrega no tom jazzístico. A fotografia de Christopher Blauvelt, que também fotografou "First cow", traz uma iluminação pastel, enevoada, com uma total indetificação com os filmes indies dos anos 70, época em que o filme se passa. Na cidade de Framingham, Massachussetes, James Blaine (O'connor" é um carpinteiro desempregado, casado com a secretária Terri (Alana Haim) e pais de dois meninos adolescentes. Seu pai é o Juiz da cidade, Bill ((Bill Camp) e repreende James constantemente por estar desempregado. A mãe dele, Sarah (Hope Davis) se apieda do filho e empresta um dinheiro para ele, que alega ser para um investimento. Na verdade, James decide contratar 3 amigos para juntos, roubarem 4 quadros valiosos em um Museu. O roubo dá certo, mas o que ocorre atrás do roubo, e com o detsino dos quadros, se torna uma sucessão de erros para James e para todos, em uma mistura de fracasso, ganância e frustração. No meio disso tudo, movimentos de repressão contra a Guerra do Vietnã. O filme entrou em diversas listas de críticos que o colocaram entre os melhores filmes do ano. Kelly Reichardt se inspirou nos filmes de assalto do francês Jean Pierre Melville e também nos filmes de Robert Bresson, pegando o conceito de "ator modelo" para o personagem de James. Kelly subverte as expectativas em relação a um filme de assalto, sem cenas de ação. totalmente anti-climático. Existem uma sinserções divertidas de humor, como na cena do assalto, quando surge uma criança que testemunha o assalto.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Our girls

"Voor de meisjes", de Mike van Diem (2025) Excelente drama holandês, escrito e dirigido pelo cineasta Mike van Diem, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1997 por "Caráter". "Our girls" lembra muito o drama ácido e angustiante de Ruben Östlund, diretor de "The square" e "O triângulo das tristezas", com personagens desfilando todo o rancor guardado por anos. O filme é co-produzido por Holanda, Bélgica e Áustria e venceu o prêmio de melhor direção no Festival de Varsóvia. O filme é adaptado do romance de Lykele Muus. Dois casais de amigos de meia idade, Anouk (Thekla Reuten) e Danny (Fedja Van Huêt) e Gwen (Noortje Herlaar) e Erik (Valentijn Dhaenens) têm uma tradição há 10 anos de frequentar uma casa na smontanhas que compraram juntos. As filhas dos casais, Madelon (Rosa van Leeuwen) e Elise (Frédérique van Baarsen), agora na faixa dos 16 anos, também passam as férias juntas na mesma casa. Tanto os casais quanto as filhas possuem personalidades bastante distintas, mas é claro que as mães são a parte ativa e determinante ds relaiconamentos. Quando as filhas sofrem um acidente durante um passeio de quadriciclo, elas são encaminhadas ao hospital. Elise fica em coma e seu estado é considerado irreversível: o cérebro sofreu danos. Madelon aparentemente está bem. O estado das filhas altera a relação entre os casais, que piora quando Madelon subitamente necessita de um transplante de coração, e a única doadora possível é Elise. Mas os pais delas não querem desistir da filha, enquanto Anouk faz de tudo para que o outro casal faça a doação para salvara. sua filha. Todos os 4 atores são formidáveis, e fiquei imaginando uma peça de teatro com esse texto. O roteiro pemrite diversas viradas na trama, com segredos guardados e revelados. É um filme que mexe muito com a questão ética sobre a decisão da vida de um ser humano, e mais do que isso, o quanto a vingança, cobiça e rancor podem alterar o destino de uma pessoa. As locações rodadas nos alpes austríacos são acachapantes e trazem uma sensação de solidão e melancolia terríveis.

Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Buscas da Flecha Azul

"Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Buscas da Flecha Azul", de Alê Camargo e Jordan Nugem (2025) Após o grande sucesso da trilogia "Tainá" em live action, no ano de 2018 surgiu pela Nickelodeon a série animada da carismática indiazinha que luta para preservar a Amazônia. com a voz de Juliana Nacsimento, a série conta com os amigos animais Catu, o macaco (Caio Guarnieri), Pepe, o urubu Rei (Yuri Chesman) e Suri, a porca espinha (Laura Chasseraux). Na versão de longa metragem intitulada "Tainá e os Guardiões da Amazônia: Em Buscas da Flecha Azul", Tainá recebe ensinamentos da Mestra Aí, a bicho preguiça com voz de Fafá de Belém e uma vibe Mestre Yoda. Ela logo decsobre que a Floresta está sendo ameaçada com a chegada de um fazendeiro inescrupulosom Jaime Bifão (Reginaldo Primo), que quer desmatar e incendiar a floresta para ali construir uma mansão para ele e sua filha Nina (Nina Medeiros). No caminho, Tainá fica amiga de Catu, Pepe e Suri e juntos, lutam para combater o fazendeiro e seus equipamentos do Mal. Voltado para a criançada, o filme tem diálogos que trazem discursos ambientalistas para que as crianças desde cedo aprendam a defender fauna e flora. É um filme com músicas divertidas e personagens cheios de charme e graciosidade. Mas os animais que mais amei, são as piranhas, que passam o filme todo gritando "Piranha!", lembrando a personagem da Bá, de "Pé na cova".

Athlete

"Athlete: Ore ga kare ni oboreta hibi", de Takamasa Ôe (2019) O cineasta Takamasa Ôe foi um dos roteiristas do prmeiado "Drive my car", de Ryûsuke Hamaguchi. Em 'Athlete", ele narra um drama romântico queer, repleto de densidade dramática, traumas e culpas. Kohei (Joe Nakamura) é um ex-nadador competititov, que agora dá aula para crianças em um clube. Introspectivo e de poucas palavras, ao chegar em casa ele descobre que sua esposa vai se divorciar dele e levar a filha adolescente junto. Desnorteado, Kohei se embebeda e vai parar nas ruas alcoolizado, quando é amparado pelo jovem Yuta (Yohdi Kondo), que o leva para se recompor em um bar gay nas proximidades. Assustado com o ambiente, ele logo se sente acolhido pelo dono e frequentadores do local. Ao acordar, ele percebe que está na casa de Yuta. Kohei fica assustado, acreditando que ele e Yuta fizeram s3x0, mas Yuta diz que nada aconteceu. os dois logo se tornam amigos, e mais para frente, amantes. Yuta diz que quer ser um diretor de filmes de animação e por enquanto, para se manter, faz apresentações eróticas em web cam. "Athlete" é um bom filme, que se sustenta muito pela performance dos dois atores principais. Mas a trama se dissolve em muitos sub-plots que enfraquecem o filme e tiram a força do casal. As cenas de s3x0 são bem encenadas, mas pudicas, quando vai esquentar, a edição corta. Um filme melancólico sobre gays solitários em uma grande metrópole.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Marcas de uma paixão

"Siesta", de Mary Lambert (1987) Eu me lembro que quando assisti a esse filme na época do lançamento, eu não tinha entendido muito da trama, bastante confusa e complexa. David Lynch ainda não era um cineasta tão conhecido para mim, e revendo hoje, certamente para mim "Marcas de uma paixão" faria um fã de Lynch se orgulhar. O filme é adaprado do romance de Patrice Chaplin, adaptado para o cinema por Patricia Louisianna Knop. O filme é dirigido por Mary Lambert, em sua estréia no cinema. Ela já era uma famosa e premiada diretora de vidoe clipes de famosos, entre eles, os de Madonna "Borderline", "Like a prayer", "La isla bonita" e "Like a virgin", além de Janet Jackson, Eurythmics, Simply red, entre outros. 2 anos depois, ela dirigiria o cult de terror "Cemitério maldito". Uma referência direta ao filme é o cult B "Carnival of souls". Não dá para falar muito sobre o filme, pois está em um limite para spoilers e esse é o plot twist da narrativa. A sinopse oficial do filme, que não entrega spoilers: Claire (Ellen Barkin), uma jovem americana, acorda em estado de choque num aeroporto, em Madrid, sem se lembrar de nada do que aconteceu recentemente. À medida que tenta juntar as peças do seu quebra-cabeça, suspeita que possa estar envolvida num assassinato. Flashbacks revelam que ela se envolveu em atividades de risco, como pular de uma rede de segurança para um organizador de eventos chamado Del (Martin Sheen) e ter uma relação com Agostini (Gabriel Byrne), um piloto, namorado de Maria (Isabela Rosellini). Caminhando por Madrid, Claire conhece Nancy (Jode Foster) e Kit (Julian Sands), que a ajudam a tentar desvendar o mistério da perda de memória de Claire. Revendo o filme, fico pensando no quanto Mary Lambert foi corajosa em fazer um filme absolutamente nada comercial ou popular. Beirando o surreal e o experimental, com uma montagem não linear, é incrível que um elenco de peso tenha se juntado ao projeto. Gabriel Byrne e Elen Barkin se casaram após as filmagens ( as cenas de s3x0 entre os dois é bem intensa e já dá para sentir uma química ali).

Vítimas de uma paixão

"Sea of love", de Harold Becker (1989) Após o grande fracasso do filme "Revolução", Al Pacino se ausentou por 4 anos das telas, retornando com o thriller "Vítimas de uma paixão". Escrito por Ricardh Price, adaptado do seu romance de 1978, 'Ladies man", o filme certamente deve ter sido uma das inspirações para o thriller "Instinto selvagem", com Sharon Stone, de 1992. Ambos os filmes retratam mulheres independentes, em busca de seus desejos s3xu41s em uma metrópole como Nova York. O título do filme, 'Sea of love", vem da clássica canção de 1959, de Phil Philips. Ela é tocada nas cenas de crimes praticada por uma serial killer. A curiosidade da trama é que a personagem de Ellen Barkin, Helen, a maior suspeita, somente surge na trama aos 43 minutos. O detetive de homicídios de Nova York, Frank Keller (Pacino) foi abandonado pela esposa e se tornou um alcólatra. Ele é designado para investigar homicídios contra homens encontrados na cama, nús e com uma bala na cabeça. Na vitrola dos apartamentos, o disco de "Sea of love" tocava constantemente na hora do crime. Sherman (John Goodman). é convocado para ser seu parceiro. Para tentar descobrir a assassina, Frank anuncia em colunas de relacionamentos e marca encontros em um bara, para tentar identificar qual das mulheres poderia ser a serial killer. Curiosamente, Al Pacino interpretou em "Parceiros da noite", o polêmico filme de Willian Friedkin, de 1981, um policial que se disfarça para tentar encontrar um serial killer que está matando os gaus de Nova York. Na época, o filme foi um grande sucesso. A trama é boa, os personagens são ótimos, John Goodman está senscaional e Ellen Barkin dá dubiedade à sua femme fatale. O maior erro para mim foi ter escalado Michael Rooker para um dos personagens, uma escalação óbvia. A cena final acontece em ruas movimentadas de Nova York, e me surpreende como na época, se podia filmar com grandes estrelas nas ruas da grande metrópole.

Darkman - Vingança sem rosto

"Darkman", de Sam Raimi (1990) Dirigido entre "Uma noite alucinante 2"(1987) e "Uma noite alucinante 3 "(1992), "Darkman- Vingança sem rosto", de 1990, é um dos grandes clássicos cults de Sam Raimi, que co-escreveu o filme. Misturando filmes de super heróis com a estética Noir de filmes policiais e o terror escatológico da franquia "Evil dead", 'Darkman" traz como protagonistas, dois grandes astros: Liam Neeson e Frances Macdormand, que aqui s erevla ser uma ótima heroína de filmes de ação e aventura. O filme não fez muito sucesso, mas garantiu duas continuações, sem Raimin nem Leeson e indo direto para o mercado de dvds. Robert Durant (Larry Drake) é o líder de uma organização criminosa que quer desocupar toda uma área da cidade com o objetivo de permitir que o magnata Louis Strack Jr. (Colin Friels) construa um grande empreendimento, e Durant em troca ficaria com o controle do crime organizado. Mas no caminho de ambos está o laboratório de Peyton Westlake (Liam Neeson), um cientista que tenta criar uma pele artificial. Ele namora a advogada Julie Hastings (Frances McDormand), que está em posse de documentos que incriminam os criminosos. Robert manda os capangas destruírem o laboratório e matarem a todos. Peyton é queimado e dado como morto. Mas após sofrer uma cirurgia, Peyton se recupera e se usa como cobaia da pele artificial, que dura exatos 99 minutos, antes de se desmanchar. Com um roteiro repleto de ação e romance, o filme satisfaz o público por uma mistura eficiente de muitos gêneros. Neeson e Macdromand estão muito carismáticos e o público torce por eles. Larry Drake, como o grande vilão cartunesco Robert, rouba o filme, com um excesso de maldades geniais. Os efeitos de maquiagem do filme são muito bons, considerando que não foi usado nenhum efeito de pós produção, e sim, tudo prático no make.

Através das sombras

"The shadow strays", de Timo Tjahjanto (2024) Escrito e dirigido por Timo Tjahjanto, um dos cineastas da Indonésia mais celebrados do cinema de terror e de ação no país. O seu nome é tão forte dentro do gênero, que ele foi chamado para dirigir "Anônimo 2", lançado em 2025 ( e que infelizmente, é inferior ao filme original, de Ilya Naishuller, 2021). "Através das sombras" mistura "John Wick" e "Gloria", com Gena Rowlands: a protagonista, chamada de 13 (Aurora Ribero), é uma assassina que trabalha para uma organização secreta chamada de 'Shadows". Ela recebe missões de sua tutora, Umbra (Hana Malasan(, também assassina. Quando uma dessas missões falha ( 13 mata por acidente uma vítima), Umbra recomenda que 13 fique um tempo afastada, para se recuperar mentalmente. 13 vai morar em um prédio, onde uma de suas vizinhas é uma mulher, Mirasti (Jesyca Marlein), que mora com o filho de 13 anos, Monji (Ali Fikry). Mirasti trabalha como prostituta para o violento cafetão Haga (Agra Piliang), um associado dono de boate Ariel (Andri Mashadi) e seu pai, o político corrupto Soemitro (Arswendy Bening Swara). 13 encontra Mirasti morta e Monji sequestrado e decide ir atrás do menino. O prólogo do filme, uma sequência de ação genial de 15 minutos com muita ação e violência gráfica, infelizmente não encontra nenhum outro momento simular nos quase 150 longuíssimos minutos do filme. Com um problema sério de ritmo, de excesso de personagens e muita vebrorragia, o filme ainda assim tem uns 3 momentos de ação que valem assistir. A pancadaria, quando acontece, é excessiva, bem ao gosto dos filmes asiáticos. O filme propõe uma franquia, que nunca chegou a acontecer. E a protagonista 13 é ótima, defendida pela ótima Aurora Ribero. Ela apanha muito mais que Ana de AR=rmas como a assassina Bailarina.

Shamo - The ultimate fighter

"Gwan gai", de Soi Cheang (2007) Adaptação de um mangá lançado em 1998, escrita por Izo Hashimoto e ilustrada por Akio Tanaka. apresenta o protagonista Ryo Narushima (Shawn Yue), um estudante universitário talentoso que vai para a prisão, após assassinar seus pais. Sua irmã, Natsumi (Weiying Pei), que é testemunha do crime, fica mentalmente perturbada e com traumas. Ela acaba se tornando prostituta. Na prisão, Ryo é estuprado por outros presos e decide se suicidar, mas é salvo por um outro preso: um instrutor de caratê, Kenji Kurokawa (Francis Ng), preso por tentar assassinar o primeiro ministro. Kenji ensina Ryo a arte do karatê. Ao sair da prisão, Ryo se torna michê e depois, decide paricipar como lutador em campeonatos, ao mesmo tempo que vai atrás de sua irmã. Um filme curioso, "Shamo" tem boas cenas de luta, violência gráfica e bons atores. Shaw Yue, como o protegonista Ro, tem carisma e boa presença em cena, e sua aracterização depois que se torna um lutador me fez lembrar de "Ichi, the killer", de Takashi Miike. A edição é confusa, assim como o roteiro, que traz elipses mal explicadas. Talvez tenham tentado condensar toda a s;erie de mangá em um filme e muita coisa ficou suprimida. O plot twist final é surpreendente.

E Deus criou a Mulher

"Et Dieu... créa la femme", de Roger Vadin (1954) Brigitte Bardot faleceu no dia 28 de dezembro de 2025. Toda a mídia, ao noticiar seu falecimento, citou 'E Deus criou a mulher", dirigido pelo seu então marido Roger Vadim, que estreava na direção de longa metragem. Bardot tinha na época 22 anos, e por conta do enorme sucesso de bilheteria do filme, imediatamente se tornou um símbolo sexual do cinema francês, posto que permanaceu até o seu afastamento das telas. 9 anos depois de 'E deus criou a mulher", Bardot trabalharia com Godard em sua obra-prima "O desprezo". Vadim dirigiu um remake bastante criticado com a atriz Rebecca de Mornay em 1988. Filmado em Saint Tropez, com um belíssimo cinemascope registrando as locações da costa francesa com muito brilho, o filme é criitcado pelo seu teor misógino, sexista, objetificador, racista e moralista. Juliette (Bardot) é uma jovem de 17 anos, órfã e adotada por pais adotivos. Ela trabalha como atendente em uma loja de revistas e jornais. Juliette é provocativa, rebelde, independente e dona de si e de seus desejos. Mal falada poe todos na cidade, a mãe adotiva quer de qualquer jeito colocar Juliette de volta no orfanato. Desejada por 3 homens: Eric, um rico empresário, Antonie, que deseja apenas o corpo de Juliette e Michel (Jean-Louis Trintignant), irmão mais jovem de Antoine. Após fugir de casa, Juliette é abordada pro Michel, que faz um convite para se casar, que ela aceita. Mas o espírito livre de Juliette será um grande desafio para uma mulher casada e dona do lar. Brigite Bardot é luminosa em cena, e todos os olhares são para ela, sua presença em cena e o quanto a câmera a ama. O ritmo do filme é arrastado e o roteiro bem previsível. Mas a liberdade s3xu4l da protagonista, dona de seu corpo e de seus desejos, provocou grande celeuma na época, sendo proibido em diversos países e exibido com cortes. Jean Louis Trintingnat está ótimo no papel do marido ciumento, ainda bem jovem e com um rosto bem bonito. A cena de Juliette, depois da lua de mel, vestindo um roupão e invadindo o almoço da família é hilária e genial.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Uma noite alucinante 3

"Army of darkness", de Sam Raimi (1992) Continuação direta do filme de 1987, "Uma noite alucinante 2", que acaba com Ash sendo transportado para a Idade média, no ano 1300 DC. Ele é preso pelos soldados, e logo, incorparado para tentar salvar a cidade do ataque de demônios. Ao mesmo tempo, ele precisa encontrar uma forma de voltar à sua época. Se a parte 2 do filme, de 1987, já tinha um tom totalmente diferente do filme original de 1981, essa parte 3 muda totalmente o conceito: mais aventura e menos terror, o filme é uma homenagem de Sam Raimi ao famoso efeitista Ray Harryhausen, que criou os famosos bonecos de stop motion para os clássicos "Jasão e os argonautas", 'Simbá" e 'Fúria de Titãs". Boa parte dos demônios aqui são criaturas realizadas em stop motion, dando ao filme um tom nostálgico de aventura. A curiosidade é que a personagem da namorada Linda, que aparece em flashback, novamente foi susbtituída: Bridget Fonda entra no lugar de Denise Bixler, que foi Linda na parte 2. Brice Campbell para mim é o Nicholas Cage de sam Raimi: exagerado, se doverte bastante nas caricaturas e caras e bocas do personagem icônico Ash.

Uma noite alucinante 2

"Evil dead 2", de Sam Raimi (1987) Seis anos depois do cultuado 'Evil dead"(Chamado de "Uma noite alucinante" no Brasil), Sam Raimi laça "Uma noite alucinante 2". O filme só pode ser produzido pela ajuda de Stephen King, que é grande fã do original e pediu ao produtor italiano Dino de Laurentis ajudar a financiar o filme. Ao contrário do que o título sugere, o filme não é uma continuação, e sim, um remake do filme de 1981. Raimi manteve o mesmo protagonista, Bruce Campbell, no papel de Ash. Ele e sua namorada Linda (Denise Bixler, que substitui a atriz Betsy Baker do original) chegam em uma cabana isolada no meio de uma floresta. Eles encontram no sótão o Livro dos Mortos, Necrominon, e um gravador com depoimento de um professor de arquelogia, Professor Knowby (John Peaks). Quandio o professor cita um trecho do livro, Linda é possuída por um demônio. Ash precis alutar contra ela, e quando amanhece, ele percebe que os demônios sumiram. Impossibilitado de ir embora, pela queda da ponte, ele precisa encontrar uma forma d eir embora antes de anoitecer novamente. Outros personagens surjem na cabana: a filha do arqueólogo, Annie (Sarah Berry), e seu colega Ed (Richard Domeier), que estavam à procura do Prof. Knowby, e um outro casal, Jake (Dan Hicks) e Bobby Joe (Kassie Wesley). Diferente do tom do original, Raimi investe em um humor escrachado. Os efeitos continuam toscos e divertidos. Tudo no filme é exagerado: as interpretações caricatas, os efeitos, o sangue jorrado e o ritmo totalmente frenético. O desfecho dá ganho à uma continuação, que surgiu em 1992.

Truth and treason

"Truth and treason", de Matt Whitaker (2025) Co-escrito e dirigido por Matt Whitaker, "Truth and treason" é co- produzido por Lituania e Estados Unidos. O filme é distribuído pela Angel pictures, produtora especializada em produções cristãs de grande sucesso, como "O som da liberdade" e "A visão". Curiosamente, "Truth and treason"não tem uma narrativa focada ns religião,a pesar de estar presente na história de alguns personagens. O filme é uma cinebiografia do jovem escritor alemão Helmuth Günther Guddat Hübener, que, aos 17 anos de idade, foi executado por decapitação por sua oposição ao regime nazista. Ele foi a pessoa mais jovem da resistência alemã ao nazismo a ser condenado à morte pelo Tribunal Popular de Sondergericht e executado. No dia de sua sentença, Helmuth disse as sguintes frases ao juiz alemão: "Não sou culpado de crime algum. Morrerei inocente. Mas a sua hora chegará. O juiz será julgado e averdade prevalecerá". Ambientado na Segunda Guerra Mundial no ano de 1941, em Hamburgo, o filme começa apresentando a amizade entre 4 rapazes: Helmuth Hübener (Ewan Horrocks), Karl-Heinz Schnibbe (Ferdinand McKay), Rudi Wobbe (Daf Thomas) e Salomon Schwarz (Nye Occomore), esse útlimo, judeu. Helmuth serviu na Juventude Hitlerista e conseguiu um estágio na prefeitura. Seus pais eram nacional-socialistas fervorosos. Quando o irmão de hElmouth volta da guerra, ele traz uma rádio, e ali, Helmuth, clandestinamente, ouve um olhar diferente sobre a Guerra e sobre Hitler. Solomon, seu amigo judeu-mórmon, também começa a ser alvo de perseguição. Trabalhando na prefeitura, Helmuth tem acesso a livros proibidos e começa a imprimir panfletos antinazistas em papel vermelho, que ele então enfia nas caixas de correio dos vizinhos. Em pouco tempo, ele até recruta seus amigos Karl-Henze e Rudi para ajudá-lo. Seus atos subversivos logo chamam a atenção do investigador da Gestapo, Erwin Mussener (Rupert Evans), que fica obcecado em descobrir suas identidades. O filme é um bom drama que traz uma história de luta e resistência. Os atores são bons e a ambientação de época é muito boa. O que lamento é uma história tão fortemente focada na Alemanha e personagens alemães, ser protagonizada por atores ingleses, falando em inglês.

Adeus, June

"Goodbye, June", de Joe Anders (2025) Estréia da atriz Kate Winslet na direção, que traz também seu filho Joe Anders, de 23 anos e filho com o cineasta Sam Mendes, no roteiro. O filme é uma produção inglesa que tem como seu maior trunfo, um elenco de peso, reunindo as estrelas Helen Mirren (June, a mãe), Timothy Spall (Bernie, o pai), Toni Colette (Helen, filha), Julia (Kate Winslet, filha), Molly (Andrea Roseborough, filha) e Jonnhy Flynn (Connor, filho). A história é um drama familiar que acontece às vésperas do Natal e apresenta um casal de idosos e seus 4 filhos, todos repletos de rusgas mal resolvidas, a típica família defsuncional. mas quando June, que estaava fazendo quimioterapia contra seu câncer, tem um mal estar, ela é levada ao hospital e recebe, sem que ela saiba, um disgnóstico de que irá falecer antes do dia de Natal. Os irmãos se reencontram no hospital (Helen mora na Alemanha e pega um avião). Molly é a filha ansiosa e hiperativa, que sempre se sentiu inferior em relação à Julia, que ela acredita ser a preferida dos pais. Julia é a workhaholick e bem sucedida da família. Connor mora com os pais e não se encaixou na vida ainda. Helen é neio hipponga e terapeuta holística. O pai, Bernie, está mentalmente enfraquecido, e sem forças para lidar com tantas questões familiares. O filme começa bem, com bom ritmo, apresentando bem os personagens, trazendo um divertido humor inglês e deixando claro quem é quem e suas particularidades. Mas quando June adoece e vai para o hospital, o filme se enclausura ali e fica com um ritmo bem arrastado. Existem vários sub-plots, incluindo um romance de Connor com um enfermeiro, o que enfraquece a narrativa. Eu costumo gostar desse tipo de filme por sempre cahar que vou me emocionar e chorar bastante. Mas nada disso aconteceu. Fiquei o tempo todo bastante entediado.

Raptus

"Raptus", de Bennet De Brabandere (2025) A onda dos filmes de ficção científica onde pessoas solitárias comprarm robôs Ai perfeitos já nos trouxe "Subservience" , "M3gan", "Acompanhante perfeita", além do clássico episódio de "Black mirror", "Be right back". "Raptus", escrito e dirigido por Bennet De Brabandere, é um filme canadense de produção indie que subverte os filmes acima ao traezr um robô Ai na forma do ator Nolan Gerard Funk, que também é modelo da Versacce e é um homem bonito de rosto e corpo, ou seja, o auge da perfeição para um autômato. Sarah Evans (Ksenia Solo) é uma mulher que mora sozinha em uma confortável casa. Quando ela sai para a sua corrida matinal, ela é 3stupr4d1 por um estranho. Um ano depois do trauma, ela já não sai mais de casa, que agora está toda automatiada. Ela faz sucessivas sessões de terapia com sua terapeuta de forma online, a Dra. Peterson (Christina Cox). Vendo que Sarah não está evoluindo, a terapeuta lhe recomenda que compre um acompanheiro com inteligência artificial, cujas configurações de personalidade ela pode controlar, para confrontar um homem de frente. Embora um pouco relutante, Sarah encomenda e recebe Raptus, que foi projetado para atender aos seus desejos e aprender o que ela quer. Quem entrega Raptus em sua casa é o técnico Murry (Zion Forrest Lee), que conhece Sarah desde o ensino médio. Sarah permite que Raptus faça as atividades domésticas, mas logo se sente atraída pela sua aparência. Para a experiência com agresividade, Sarah procura aumentar o nível de violência do controle de Raptus, mas ele está bloqueado, e para isso, ela chama Murry novamente. Assim como em "Ex-machina", o filme possui poucos personagens e confinado em praticamente um único ambiente. É um filme B que mesmo previsível, tem seu charme e foco de intersse na química entre os atores e no sex appel de Nolan Gerard Funk, uma presença magnética que fisga o espectador. O 3o ato traz cenas insusitadas que certamente trará tensão, mas também, deve tirar umas boas risadas do espectador, nos detalhes "intimos" do órgão genital de Raptus.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O sol nunca mais

"Sunce nikad vise", de David Jovanovic (2024) Representante da Sérvia ao Oscar de filme internacional 2026, "O sol nunca mais" é um drama de realismo fantástico co-escrita e dirigida pelo cineasta sérvio David Jovanovic. O filme tem inspiração na infância do diretor, nascido em uma vila mineira na Bósnia. O filme foi rodado na vila de Krivelj, no leste da Sérvia, onde existem minas próximas aos assentamentos. Em uma dessas casas decandentes, mora a família de Vid (Dušan Jović). Ada (Nataša Marković) é sua esposa e ambos são pais do pqueno Dule (Rastko Racić), um menino de 10 anos que venera o pai como a um super herói. A vila, localizada perto de uma mina, está trazendo poluição à região. Seus vizinhos estão vendendo suas casas e terrenos e vão embora do local. Uma empresa quer construir ali um empreendimento, mas Vlad se recusa a sair do local, ao contrário de sua esposa, que quer ir embora. O filme quase todo é observado pelo ponto de vista de Dule, que imagina Deus e tem conversas com ele. O filme tem uma premissa interessante, e trata de temas importantes, como a ganância empresarial e a luta entre grandes corprorações com moradores indefesos. Não gostei da introdução do realismo fantástico no filme. Talvez o cineasta quizesse aproximar o filme à uma narrativa de Dušan Makavejev "Montenegro, pérolas ou porcos"), mas não funcionou para mim.

A grande inundação

"Daehongsu", de Byung-woo Kim (2025) Escrito e dirigido por Byung-woo Kim, "A grande inundação" é um filme catástrofe sul coreano....só que não. O plot twist do filme deixou muita gente irritada e se sentindo enganada. O filme começa com An-na (Kim Da-mi), uma pesquisadora de inteligência artificial que trabalha para o governo. Ela está dormindo em casa e é acordada por seu filho pequeno, Ja-in (Kwon Eun-seong), de 6 anos, que avida que a cidade está inundando. Um asteróide atingiu a Terra e fez as geleiras da Antártida derreterem, o que provocou a inundação mundial. An-na pega seu filho e procura levá0-lo até o ultimo andar do prédio, com a ajuda de um agente do governo, Hee-jo (Park Hae-soo). Para isso, eles precisam passar por vários obstáculos: a própria inundação, ladrões assassinos, explosões, além de lidar com as mortes de idosos que não têm como fugir. Até aí tudo bem, já vimos esse filme mil vezes...até que... SPOILERS Tudo se revela ser uma experiência em IA, onde An-na faz parte de um projeto de clones para voltar a repopular o planeta Terra, que foi devastado. A experiência que An-na está fazendo é de gerar emoções nos clones. Em um loop temporal, An-na fracassa muitas vezes na tentativa de salvar seu filho de acordo com as experiências humanas que ela vive no momento, e sempre que ela falha, recomeça tudo novamente. O filme funciona, muito pelo trabalho do elenco principal e pelos efeitos, se bem que alguns estavam escancaradamente ruins, mas como teoricamente tudo é simulação, a gente perdôa.

Soy Frankelda

'Soy Frankelda", de Arturo Ambriz, Roy Ambriz e Mireya Mendoza (2025) O primeiro longa-metragem em stop-motion feito 100% no México, "Soy Frankelda" concorreu no prestigiado Festival de animação Annecy. Mesclando aventura, ação, musical, romance e drama, a história traz temas importantes para a garotada: o empoderamento feminino, através da personagem Francisca, uma aspirante a escritora, mas abafada em seu talento e nome pelo machismo do Século XIX, 1866, quando as mulheres não eram levadas sério na escrita. Me lembrei do clássico 'A história sem fim": "Soy Frankelda" acontece em 2 universos: o mundo real, Real del Monte, México, em 1866, e o mundo da imaginação, Topus Terrentus, onde as criaturas ali sobrevivem por conta dos medos e pesadelos do ser humano. Após a morte de sua mãe, que a inspirava a escrever, Francisca é criada pela avó, uma mulher conservadora e que a proibe de escrever, dizendo que não é para mulheres. O Reino de está ameaçado de extinção, pois os seres humanos estão perdendo o medo de fantasmas. O príncipe Herneval faz contato com Francisca, que o ajuda a escrever histórias de terror. Mas quando o vilão da Topus Terrentus, Procustes, decsobre quem é Francisca, ele engana o príncipe, pedindo que Procustes seja anunciado como o autor dos contos. Apagar a criação feminica na literatura, dando a autoria para homens, é um tema constante no cinema. Mas fiquei intrigado que tema tão importante seja levado ao universo infantil. É uma ótima oportunidade de provocar discussão com a garotada sobre a voz feminina. OS números musicais são bem fofos e até longos. O que não gostei, é a lognga duração do filme, de quase 2 horas, arrastando o ritmo, e a caracterização dos personagens de Topus terrentus, pouco carismáticos.

O vírus do medo

"El virus de la por", de Ventura Pons (2015) Adaptação da premiada peça teatral escrita em 2011 pelo espanhol Josep Maria Miró, "O princípio de Arquimedes", que já foi adaptada como peça teatral no Brasil com muito sucesso, e também virou filme com Daniel de Oliveira, "Aos teus olhos". Outro tema é o da fake news, e o quanto uma informação falsa pode prejudicar a vida das pessoas. O filme lida com um tema bastante polêmico: o suposto caso de pedofilia de um professor de natação, Jordi (Rubén de Eguía) com uma criança, um aluno de natação. Anna (Roser Batalla), a diretora do clube de natação, pede explicações a Jordi: os pais estão preocupados porque, para tranquilizar uma criança que estava com medo, Jordi a abraçou e beijou. Héctor (Albert Ausellé), o outro salva-vidas da piscina, amigo de Jordi, passa a ter dúvidas sobre o comportamento doe Jordi e tem dificuldade de defendê-lo. Enquanto isso, os pais se unem e se juntam para linchar Jordi e quebrar o estabelecimento. Com excelentes atuações de todo o elenco, "O vírus do medo" é bem desenvolvido pelo diretor Ventura Pons, por acontecer em apenas uma única locação, o clube de natação, com ambientes distintos. O roteiro, para quem não conhece o texto, vai em um crescendo de tensão, deixando o espectador em dúvida sobre as reaias intenções de Jordi. O ator Rubén de Eguía fica totalmente nú em cena, para deleite de quem gosta de nudez em cena.

As sete máscaras da morte

"Theatre of Blood", de Douglas Hickox (1973) Clássico filme de terror protagonizado pelo ícone inglês Vincent Price. Com um roteiro brilhante escrito por Anthony Greville-Bell, Stanley Mann e John Kohn, o filme recebeu uma direção sofisticada e macabra de Douglas Hickox. Vincent Proce é Edward Kendal Sheridan Lionheart, outrora um premiado e prestigiado ator Shakesperiano, mas atualmente, em decadência, recebe críticas frias e destruidoras. Ao perder a premiação de melhor ator de teatro para um novato, Edward decide se suicidar, se jogando no Rio Tâmisa. Mas ele acaba sendo salvo por sem tetos que habitavam à beira do rio, e asism, junto de sua filha Edwina (Diana Riggs), ele se vinga de cada crítico, imitando cenas de morte retiradas de textos de Shakespeare. As mortes em "Julio César", "Romeu e Julieta", 'Ricardo III", "O mercador de Veneza", "Henrique VI", entre outros, são apresentadas de forma criativa e sádica. A cena da decapitação é um primor de atuação, decupagem e direção. É um filme que deveria ser resgatado pelas gerações mais novs, pela sua engenhosidade, seu roteiro inteligente e uma trilha sonora requintada, que desenha cada cena com maestreia. Vincent Price, declamando monólogos de Shakespeare após cada assassinato, é antológico.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Anaconda

"Anaconda", de Tom Gormican (2025) Quando foi lançada a campanha de "Anaconda", anunciando o remake, muitas pessoas toceram o nariz pela escalação do elenco, que incuía Jack Black e Paul Rudd. Muita gente torceu o nariz e acharam um absurdo transformar um cult B de terror em um pastiche de humor. Mas no Brasil, quando foi anunciado o nome de Selton Mello no elenco, o ânimo se acirrou, com os fãs curiosos em ver o ator brasileiro em uma produção Blockbuster de Hollywood. De fato, uma das melhores coisas desse filme é a participação de Selton, naquele registro de deboche irônico tão peculiar ao seu tipo. O filme é uma grande zoeira e deve ser visto mais como uma crítica ao embate do cinema mainstream e do cinema independente, feito com paixão ( o cinema blockbuster, de remakes, é auto parodiado e realizado por uma equipe e elenco que trabaham no automático). Atençao: existem cenas pós créditos, incluindo uma com um personagem que até então se achava estar morto. Doug (Jack Black) é um diretor de filmes de casamento. Seu sonho sempre foi dirigir filmes, mas a vida o levou a essa rotina entediada. No dia do seu aniversário, ele reencontra Griff (Paul Rudd), um ator fracassado, Claire (Thandiwe Newton), expatriz e agora dvogada, e Kenny (Steve Zhen), cinegrafista das produções de Doug. Nesse encontro de vidas desiludidas, Griff tem a idéia de refilmarem em uma produção indie "Anaconda", filme favorito dos amigos. eles fazem um empréstimo e rumam até a Amazônia. Eles contratam Santiago (Selton Mello), um criador de cobra, que será usada no filme. Uma mulher misteriosa, Ana (Daniela Melchior), pega carona com eles. Ela na veradde está sendo procurada por um homem, João (Rui Ricardo Diaz) e sua gangue. Eles não imaginariam que uma Anaconda real está no caminho deles. O filme vale como uma homenagem ao original - SPOILER- 2 atores do original aparecem no filme. Quando o filme acabou, fiquei com uma vontade enorme de rever o original de 1997. Esse remake me deixou frustrado, não entrei muito na brincadeira dele.

Anaconda

'Anaconda", de Luis Llosa (1997) Depois de assistir ao remake de "Anaconda" de 2025, de onde saí bastante frustrado, decidi rever o "Anaconda" original de 1997. O asuetro crítico americano Roger Ebert, surpreendentemente, deu 3,5 estrelas de um total de 4, deixando claro que se divertiu bastante com o filme de terror B. E de fato, o filme agrada bastante, mesmo ficando com uma aura de filme trash, mas talvez por isso mesmo, tenha se tornado um grande cult, e rendido continuações fracas, nanheuma chegando ao nínel dessa produção com as mega estrelas Jennifer Lopez, Ice Cube, Eric Stoltz, Owen Wilson, uma ponta de Dani Trejo e a vilania espetacular de John Voight, em um papel caricato mas repleto de maldades. O filme se tornou um grande sucesso de bilheteria. Jennifer Lopez se mostrou uma excelente heroína de filmes de ação, com carisma suficiente para segurar o filme, junto de um divertido Ice Cube. formando uma dupla apaixonante. Terri Flores (Jennifer Lopez) é uma documentarista que lidera uma expedição pelo Amazonas, em busca de uma tribo, os Shrishama. O cinegrafista Danny (Cube), o apresentador Warren (Jonathan Hyde), o cinetista e namorado de Terri, Dr. Steven Cale (Stoltz), a produtora Denise (Kari Wuhrer) e o técnico de som Gary (Owen Wilson) fazem parte da equipe, além do barqueiro Mateo (Vincent Castellano). Durante uma tempestade, eles encontram naufragado o caçador paraguaio Paul Serone (John Voight). Ele diz estar à caça de uma Anaconda, cobra gigante de 12 metros. Paul logo revela suas reais intenções e domina toda a equipe, ordenando que mudem o rumo para ir à caça da Anaconda, colocando todos em risco de vida. O filme diverte e tem ótimos jump scares. Dois momentos se tornaram antológicos: O ponto de vista da boca da cobra e uma vítima entrando por ela, e a Anaconda nadando pelo rio, com uma outra vítima em relevo na sua barriga.

As aventuras de Tintin

"The Adventures of Tintin", de Steven Spielberg (2011) Eu quando assisti a "As aventuras de Tintin" quando foi lançado, em 2011, baseado nos quadrinhos de Hergé, estava com muita expectativa. Imagina unir Steven Spielberg como diretor, Peter Jackson como produtor, com trilha sonora de John Willians e um super elenco de atores dando voz e captura de corpos encabeçados por Jamie Bell, Andy Serkis, Daniel Craig, Simon Pegg, Toby Jones, Nick Frost, ou seja, o top do elenco inglês. O filme ainda foi lançado em 3D nos cinema, para acentuar a emoção de todas as incríveis cenas de ação realizadas no supra sumo da tecnologia da época. Mas eu saí do cinema bastante frustrado. Não havia sido seduzido pelo filme, e achei tudo bem aborrecido. Passados tantos anos, decide dar uma segunda chance ao filme e o revejo agora no final de 2025. Em termos de tecnologia, ainda que bastante vanguarda, as emoções dos rostos dos personagens mantêm uma expressão engessada, e que se realizado hoje, certamente teria um efeito muito melhor. Continuo achando a história meio sem criatividade, mas o que me segurou bastante a atenção, e que na época me passou despercebido, são as cenas de ação. Muito bem decupadase com transições entre palnos muito bem calculadas . O filme também reserva muitos planos com reflexos , como em bolha de água, espelhos e texturas. Mas nada supera a impressionante sequência de perseguição nas ruas de Marrocos, em um fabuloso plano-sequência magistral, que aind ahoje deixa todo mundo de queixo caído. É um primor de realização e de desenho, com as ruas de Marrocos, sua geografia, as soluções criadas para fazer transição entre personagens e cenários sem ter que cortar o plano, que é finalizado com uma piada visual genial, com o dono de um Hotek alterando as estrelas de 2 para 3. O jovem repórter TinTin e seu cachorro Milu passeiam por uma feira de rua na Bélgica e decide comprar uma réplica de um navio naufragado, "o "Unicórnio". Um homem chega atrasado e quer comprar a réplica de Tintin, que se recusa a vender. Ele é Sakharine (Daniel Craig). Logo Tintin se vê envolvido em uma compelxa trama que envolve tesouros escondidos e assasinatos, e acaba conhecendo o Capitão HAddock (Serkis), que o ajuda a solucionar as arestas soltas do caso. O filme termina com um gancho para uma continuação, que até hoje, nunca foi sequer cogitada.

Feeding boys, Ayaya

"Feeding boys, Ayaya", de Zi'en Cui (2003) Polêmica produção chinesa que apresenta a vida d egarotos de programa nas ruas de Beijin, o filme, dirigido pelo professor de cinema e ativista queer Zi'en Cui foi filmado sem autorização, sendo considerada uma produção clandestina. Rodado com uma câmera Dv, o filme tem imagens e áudio tecnicamente amadoras, mas esse era o conceito do diretor, que queria um docudrama da vida real. Na primeira cena, um jovem pretende trabalhar como um garoto de programa e conversa com um cafetão, que lhe diz 3 regras para ser um bom michê: As 3 regras que o cafetao diz a um jovem que quer ser miche 1) Ter uma ereção que deve durar uns 40 minutos 2) Não ter medo de dôr 3) Ter habilidades orais no "deep throat" O filme é dividido em diveras histórias protagonizadas por personagens distintos. A montagem é caótica, misturando tempo e muitas cenas são cortadas abruptamente, editadas junto de imagens documentais. Dois jovens irmãos que têm pensamentos diferentes sobre a vida se separam: Xiao Bo decide se tornar um garoto de programa. Dabin, seu irmão conservador e cristão, faz pregações na rua, com a bíblia na mão, alertando aos garotos de programa para não venderem seus corpos, enquanto tenta localizar seu irmão. Antes de morrer por uma doença, Dabin pede que sua jovem namorada, Nai Nai, continua a sua pregação e continue procurando pro Xiao Bo para tirá-lo do caminho da prostituição. Em outra história, um michê leva seus clientes para a casa de seus pais conservadores, e abusa d aboa vontade deles, como uma provocação. O filme em si não é bom, mas ainda asism, tem elementos documentais que mostram a vida dos garotos de programa que são interessantes, ainda mais se tratando de um governo conservador como o da China.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Five Nights at Freddy's 2

"Five Nights at Freddy's 2", de Emma Tammi (2025) Dois anos depois do grande sucesso de bilheteria de "Five nights at Freddy's", lançado em 2023, a inevitável continuação surge no final de 2025, dirigido pela mesma cineasta Emma Tammi. O filme é bseado no famoso game lançado em 2014, que tem uma premissa simples: um vigia norturno deve passar 5 dias e noites trancafiado em uma das instalações da pizzaria "Freddy Fazbear's Pizza", que tem lojas espalhadas pelo país. Animatronics possuídos pelos espíritos de crianças assassinadas possuem os corpos dos animatronics para se vingar dos adultos. Os mesmos protagonistas do primeiro filme retornam: Mike (Josh Hutcherson), a policial Vanessa (Elizabeth Lail), que se decsobre no primeiro filme ser filha do serila killer Willian (Matthew Lillard) e a irmã de 11 anos de Mike, Abby (Piper Rubio). Eles precisam lidar com uma nova leva de animatronics de uma outra loja de Freddy que foi invadida por influencers. Dois dos influencers foram mortos, e uma delas teve seu corpo possuído pela animatronic Marionete. Juntos, os animatronics decidem sair d aloja e matar os adultos em uma Feira de animatronics que está acontecendo na cidade. O filme é tão fraco quanto o primeiro. Ritmo arrasatdo, personagens sem carisma e o pior: não tem cenas de violência, todas veladas pela censura e poder ganhar um público mais jovem. O melhor do filme contonuam sendo os Animatronics, produzidos pela empresa de Jim Henson creature shop. O filme tem cena pós cr;editos e um áudio pós créditos, anunciando a parte 3, que obviamente, terá as suas futuras continuaçoes, já que a franquia mostrou-se um verdadeiro sucesso de bilheteria.

Marty Supreme

"Marty Supreme", de Josh Safdie (2025) Os irmãos Safdie, Josh e Benny, dirigiram 2 filmes juntos, recebendo críticas elogiosas e prêmios: "Bom comportamento" e "Jóias raras", arrancando performances viscerais de Robert Pattinson e Adam Sandler, respectivamente. em 2025, ambos os irmãos seguiram carreira solo na direção, mas coincidentemente, tanto "The smashing machine", de Benny, e "Marty Supreme", de Josh, têm muitos elementos em comum. Ambos são baseados em personagens reais do mundo do esporte que na época, eram desvalorizados ( o MMA nos anos 90 e o tênis de mesa nos anos 50). Nos dois filmes, cameponatos decisivos acontecem em Tokyo. Ambos possuem um relacionamento tenso e desfuncional com suas respectivas parceiras. E também, o fato de ganharem o campeonato, não os fez ficarem ricos nem famosos na época em que viveram. Marty Mauser (Timothée Chalamet) é o nome ficional para o esportista real Marty Reisman. O filme começa em 1952, em Nova Yorl. Marty trabalha como vendedor em uma loja de sapatos pertencente a um comerciante judeu. Marty se envolve com uma vizinha chamada Rachel (Odessa A'zion), que é casada com Ira (Emory Cohen). A grande ambição de Marty é participar de um campeonato de tênis de mesa. Malandro, ele engana, seduz uma estrela de cinema, Kay Stone (Gwyneth Paltrow), rouba, faz tudo quanto é serviço sujo para poder se bancar durante o campeonato, que acontece em diversos países, culminando no Japão. O filme tem uma trilha sonora anacônica repleta de grandes hits dos anos 80: O filme começa com "Forever Young", de Alphaville, na cena em que ele transa com Rachel ( os créditos inciais são em animação, mostrando os espermatozóides alcançando o óvulo). O desfecho é ao som de 'Everybody wants to rule the world", de Tears for fears". O elenco é repleto de participações especiais, incluindo o cineasta Abel Ferrara e a atriz Sandra Bernhard. A fotogafia é do mestre Darius Khondji. Tanto a fotografia, montagem, direção de arte são primorosos. Muitos críticos compararam o filme imediatamente a "Jóias brutas", no ritmo e linguagem rápido com muitos movimentos de câmera e cortes dinâmicos. O filme é de Chalamet, com a câmera o acompanhando o tempo todo. Tem momentos divertodos 9 a cena da banheira é hilária e angustiante ao memso tempo). Odessa A'zion) como Rachel também está incrível, imprimindo toda a paixão louca por um malandro.

Opus

"Opus", de Mark Anthony Green (2025) Terror psicológico lançado pela A24, "Opus" é escrito e dirigido por Mark Anthony Green. Concorreu em Sundnace e em Sitges. Para ficar mais fácil entender a proposta do filme, é uma mistura de "Midsommar" com "As sete máscaras da morte", com Vincent Price. 5 jornalistas influentes da área musical são convidados para passarem um final de semana em um retiro no meio do deserto, para um exclusivo recital de Alfred Moretti (John Malkovich), um mega astro pop que sumiu por anos, e agora, quer apresnetar novas músicas para o grupo. Os convidados são: Stan (Murray Bartlett), editor de uma rveista sobre música, e que decid elevar a sua jovem jornalista iniciante Ariel (Ayo Edebiri); a apresentadora de televisão Clara Armstrong (Juliette Lewis), a paparazzi Bianca Tyson (Melissa Chambers), a influenciadora Emily Katz (Stephanie Suganami) e Bill Lotto (Mark Sivertsen), jornalista. Ao chegarem lá, eles são recebidos por uma comunidade de membros de um culto vestidos de azul, chamados Levelistas, que veneram o processo artístico de Moretti. É óbvio quais são a sintenções de Moretti com o grupo, e quem viu o filme de Vincent Price, sabe o que acontecerá com cada um deles. Era para o filme ser mais divertido, mas ficou em um lugar bizarro e cult próprio dos filmes da A24. Algumas coisas funcionaram para mim, outras não. Talvez a maior surpresa para mim foi rever Juliette Lewis, que há muito tempo não surgia em um filme. Pena que seu papel seja tão irrisório para algu;em de seu talento. Malkovich traz o que já se espera, as esquisitices de sempre. No final, uma crítica ao sistema e uma ode às redes sociais e viralização.

Me busco lejos

"Me busco lejos", de Diego Lublinsky (2022) Documentário escrito e dirigido pelo argentino Diego Lublinsky onde ele retrata a história de sua cunhada, a jovem brasileira Graziele, nascida na Ilha de Itacuruçá, sul do Estado do Rio de Janeiro. A ilha é formada quase toda por moradores evangélicos. Graziele morava com seus pais. Quando sua mãe faleceu, ela foi morar com suas avós e sua irmã maior. No aniversário de 18 anos, Graziele convidou suas amigas lésbicas. Quando seu pai surgiu do nada, ficou sabendo da orientação sexual de Graziele e decidiu abandoná-la. No ano de 2017, com a crescente onda de extrema direita e a possibilidade de Bolsonaro ganhar a eleição presidencial, Graziele pela primeira vez tem medo de morar no Brasil. As campanhas homofóbicas pregadas nos discursos de Bolsanaro foram o estopim. Ela decide aceitar o convite de sua irmã, casada com Diego, e ir morar com eles em Buenos Aires. Diego faz um paralelo da história de Graziele com a sua própria história. Viajando para o Rio de Janeiro para surfar, ele conhece sua futura esposa. Diego tem um problema de saúde que o atormenta: uma dor em um nervo na coluna, e já fez diversos tratamentos. Graziele é convidada por um período de 9 meses para ficar na casa de Diego. No entanto, não sai de casa há dois meses, mal fala e não está estudando nem trabalhando. A situação começa a ficar tensa na casa de seus anfitriões, e ela terá que tomar uma decisão. O filme é um interessante estudo de personagens, que tiveram as suas vidas alteradas em rumo por questões políticas e preconceito de gênero. O avô de Graziele é pastor e ela já se sentia incomodada. A sua permanência em Buenos Aires a sufoca e ela fica dividida entre dois países que a deixam em conflito por motivos distintos.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Adolfo

"Adolfo", de Sofía Auza (2023) Vencedor do Festival de Berlim na mostra gerações em 2023, dedicado a projetos com temas voltaos para a juventude, 'Adolfo" me fez lembrar de "Onquietos", de Gus Van Sant. Nesse filme de 2011, Mia Wasikowska e Henry Hooper são dois jovens desajustados e depressivos que se conectam com as suas tristezas, com um filme em tom tragicômico. "Adolfo" é uma co-produção México e Estados unidos, e anunciado como uma comédia romântica. Eu não sorri uma vez sequer: pelo contrário, é um filme triste, de uma melancolia absurda. Ambientado em uma única noite, a sua estrutura faz lembrar de "Antes do amanhecer", de Richard Linklater, onde duas pessoas se conhecem por um acaso e passam a noite toda conversando e se conhecendo, e ao amanhecer, suas vidas serão transformadas, mesmo que não se vejam mais. Escrito e dirigido por Sofia Auza, em seu filme de estréia, "Adolfo" é o nome de um cacto em um vaso, que pertenceu ao pai de Hugo (Juan Daniel García Treviño). O pai faleceu e Hugo, de terno, está indo para o funeral dele. Antes de morrer, o pai pediu que Hugo arrumasse um novo lar para o cacto. Mas Hudo perde o último ônibus na noite, e agora, terá que esperar até o amanhecer. No mesmo ponto, ele conhece Momo (Rocío de la Mañana), uma jovem recém-saída da reabilitação, sempre de óculos escuros, que sente um profundo medo de voltar a usar drogas ou ceder aos impulsos suicidas que lhe deixaram uma cicatriz horrível no antebraço esquerdo. Ela está vestida como a aviadora Amelia Erhart e carregando um skate com asas. Ela está indo para uma festa de aniversário à fantasia. Momo o convida para ir à festa e os dois passam a noite conversando e falando sobre as suas tristezas e tragédias. O filme poderia ser facilmente transformada em uma peça teatral, por conta dos poucos personagens e estrutura simples de cenários. Os dois jovens atores estão bem e são carismáticos. A trilha sonora de Gus Reyes e Andrés Sánchez comove e traz uma tinta de sensibilidade e beleza ao filme, que retrata muito bem os dilmes da juventude.

Cadet

"Kadet", de Adilkhan Yerzhanov (2024) Representante do Cazaquistão à uma vaga ao Oscar de filme internacional 2026, "Cadet" é escrito e dirigido por Adilkhan Yerzhanov. O filme concorreu no Festival de Cannes. O filme se apropria do g6enero d eterror sobrenatural para falar sobre transfobia e sobre o legado trágico de um país que viver o horror do regime comunista soviético, responsável por muitas mortes. Alina (Anna Starchenko) é uma professora de história. Ela se muda para uma região remota do Cazaquistão, Karatas, com seu filho adolescente Serik (Serik Sharipov). Ela vai dar aula para uma rígida escola de cadetes, comandada por um coronel ríspido (Aleksey Shemes). Serik tem dificuldade de se adaptar à escola militar: ele tem cabelos compridos, e é constantemente abusado fisicamente e moralmente pelos outros rapazes. Existe uma maldição no local que diz que a cada 14 anos, um cadete da escola mata dois colegas, sua mãe e a si mesmo. Quando um estudante é encontrado assassinado no banheiro da escola, o inspetor da polícia militar Birzhan Rakhymzhanov (Ratmir Yusupzharov) chega para interrogar a todos, e Serik acaba sendo considerado um suspeito. O filme tem uma atmosfera muito boa, e em diversos momentos, lembra a claustrofobia de "O iluminado", por conta de seu interior claustrofóbico, e o exterior com nevasca. É um filme de ritmo lento, mas sempre surpreendente, e que leva a um desfecho trágico e cruel. Os atores principais estão ótimos.

Hunting season

"Hunting season", de RaJa Collins (2025) Com roteiro de Adam Hampton e direção de Raja Collins, "Hunting season" é um thriller de ação indie protagonizado por Mel Gibson, voltando a fazer os tipos durões que costumava fazer há décadas atrás. A filha de Sylvester Stalone, Scarlet Rose Stallone, faz um papel menor como Lizzie, uma garota envolvida com um policial corrupto de uma cidade do interior da Georgia. Sofia Hublitz interpreta Tag, a filha órfã de Bowdrie (Gibson). e moram sozinhos em uma cabana no meio de uma floresta. Para proteger a filha de um mundo violento, Bowdrie a ensina a atirar. Um dia, Tag, retornando da caça, encontra uma jovem ferida na beira do rio e chama seu pai. Eles a trazem até a casa deles. A jovem é January (Shelley Hennig), amiga de Lizzie e que também foi torturada por testemunhar o assassinato de Lizzie. Os bandidos, liderados por Alejandro (Jordi Molla)., decsobrem que January está viva e vão à caça dela. Curiosamente, "Hunting season" investe bastante em drama. Tag é uma jovem melancólica e solitária, e a chegada de January a deixa feliz por ter com quem comversar. A ação de verdade só começa já no final do longa, depois de mais de 1 hora de filme. Mel Gibson sempre funcionou bem para ssse tipo de filme, ainda mais quando ele precisa defender a sua cria. Um filme correto, com bons ators, um pouco lento no ritmo mas que no final, satisfaz.

Avatar: Fogo e cinzas

"Avatar: Fire and ash", de James Cameron (2025) Três anos depois de "O caminho da água", James Cameron retorna com "Fogo e cinzas", continuando a história exatamente de onde parou: no lamento da família Sully pela morte de Neteyam (Jamie Flatters) no filme anterior. Morando na civilização aquática de Metkayina, Jake Sully (Sam Worthington), sua esposa Neytiri (Zoe Saldaña) e os filhos Kiri (Sigourney Weaver), Lo’ak (Britain Dalton), Tuk (Trinity Jo-Li Bliss) e o filho bastardo Spider (Jack Champion), filho do Coronel Quaritch (Stephen Lang), agora transformado em Nav'i após a morte física do coronel. Jake culpa Lo'ak pela morte de Neteyam, e Neytiri prega ódio ao povo do céu. Jake decide fazer uma viagem em família até as Montanhas Aleluia, onde pretender deixar Spider com os cientistas. No caminho, são atacados pelo povo das cinzas: Nav's rejeitado pela entidade Eywa, e que habitam uma região árida de Pandora. O povo é comandado pela perigosa Varang (Oona Chaplin), que deseja a morte de todos os Nav's. A família de Jake, atacada, acaba se separando. Ao memso tempo, os militares do povo do céu planeja atacar o acasalamento dos Tulkuns, as baleias inteligentes de Pandora e retirar delas a substância para seu armamento. Quaritch também surge, querendo prender Jake e resgatar seu filho Spider. Com quase 200 minutos de duração, "Fogo e cinzas" é composto por intermináveis batalhas e cenas de ação muito bem executadas e encenadas no que a tecnologia tem de melhor. os novos personagens adicionados, em especial, Varang, rivaliza em maldade com Quartich e forma com ele um casal inesperado. Mas o filme é da garotada, os filhos de Jake: Kiri ganha um protagonismo maravilhoso, revelando ser a escolhida por Eywa, a Mãe Natureza ( o grande tema de James Cameron, a destruição ambiental). Spider também tem um crescimento na história, incluindo uma dramática cena onde Jake e NEytiri precisam decidir entre matar ou não o rapaz. É um cinema espetáculo que impressiona, e que poucos cineastas conseguem proporicionar esse prazer ao espectador.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Tudo o que restou de você

"Allly baqi mink", de Cherien Dabis (2025) Uma cena angustiante resume esse filme que representa a Jordânia no shortlist do Oscar de filme internacional 2026: uma cena que me remeteu à antológica cena do ônibus em "Incêndios". Um pai e seu filho pequeno, paletsinos, caminham na rua, voltando do hospital, onde deixaram remédio para o avô da criança. É hora de recolher, e eles são abordados por soldados israelenses. os soldados humilham o pai e o obrigam a dizer frases degradantes. A criança a partir desse momento, passa a odiar o pai e o considera um fraco. Escrito, dirigido e protagonizado pela cineasta Cherien DAbis, americana de ascedência jordaniana, "Tudo o que restou de você" é um drama ambicioso: cobre 3 gerações de uma família. Começa em 1948, ano em que foi criado o estado de Israel, e também o ano que que Jaffa, cidade palestina, é tomada por israelenses. Shariff é dono de uma casa com plantação de laranjas, e onde cria seus filhos, incluindo o tímido Salim. Quando solddaos de Israel chegam na cidade, tomam as propriedades dos cidadãos. Shaiff permanece na cidade, enquanto sua família foge. Ele é obrigado a faezr serviços pesados para os israelenses, e perde a sua casa. Em 1978, Salim (Saleh Bakri), agora professor na cidade pertencente à Israel, é casado com Hanan (Cherien Dabis) e tem entre seus filhos, Noor, uma criança rebelde. É dele a cena citada acima, um primor de direção e atuação. Em 1988, no ano da Intifada ( rebelião civil contra a ocupação israelense), Noor leva um tiro na cabeça. Seu estado é dado como morte cerebral, e seus pais precisa decidir se querem doar os órgãos para um cidadão israelense.

18

"18", de Vasilis Douvlis (2021) Melhor filme no Festival Thelassonik, "18" é um denso drama grego, escrito e dirigido por Vasilis Douvlis, e retrata a juventude neo nazista em Atenas. O filme se passa antes da pandemia da covid, já com indícios da doença pelo mundo. O filme faz referências a "Taxi driver", com um dos jovens nazistas se olhando no espelho e falando as famosas frases de Robert de Niro, 'Are you talking to me?". e também ao primoroso "Outra história americana", com Edward Norton. Em meio à crise econômica do país, jovens neo nazistas que estudam na mesma sala de high school, liderados por Ilias (Nikos Zeginoglou), ameaçam negros, gays e imigrantes pelas ruas da capital. Eles destroem patrimônio público e assediam garotas. Stelios (Anastasis Laoulakos) decide sair do grupo, mas não consegue, pois Ilias sempre o ameaça. Michaelis é um jovem que namora secretamente ao imigrante africano Antonio, e se tornam alvo de Ilias e sua gangue. Com performances excelentes do elenco, "18" apresenta como a juventude é facilmente cooptada por fake news e o ódio homofóbico, racista e xenofóbico, acusando os estrangeiros de propagarem o vírus e de roubarem seus empregos. Um filme pesado, angustiante, que representa o caminho que o mundo segue com as ascenção da extrema direita.

domingo, 21 de dezembro de 2025

O homem do Rio

"L'homme de Rio", de Philippe de Broca (1964) Um filme que influenciou Steven Spielberg em "Caçadores da arca perdida", Luc Besson em "O quinto elemento" e Hayao Miyazaki em "Porco Rosso", e parcialmente filmado no Rio de Janeiro? Pois esse filme existe, foi rodado no Brasil no Rio de Janeiro, Brasília e Manaus em 1963 e escrito pelos franceses Jean-Paul Rappeneau, Ariane Mnouchkine, Daniel Boulanger, concorrendo inclusive ao Oscar de melhor roteiro do ano! Os protagonistas são os mega astros franceses Jean Paul Belmondo e Françoise Dorleac (irmã de Catherine Deneuve) e direção do cultuado Philipe de Broca. Para os brasileiros, assistir ao filme é uma verdadeira relíquia e registro histórico, com imagens do Rio de Janeiro que eu não havia visto em nenhum outro filme ou documentário. O elenco brasileiro inclui o diretor italiano casado com Tonia Carrero, Adolfo Celi, e Uniracy de Oliveira, que faz o menino engraxate Winston, uma verdadeira preciosidade de carisma. O filme é bizarro, com cenas divertidas repletas de ação nonsense, e segundo o diretor, inspirada nas tirinhas de As aventuras de Tintin, de Hergé. A trilha sonora é de George Delerue, que compôs diversos filmes de Jacques Demy. A cena final revela ainda a estrada da Transamazônia, oportuna em uma e'poca pré Ai-5. Adrien (Jean-Paul Belmondo) é um soldado que chega em Paris e tem 8 dias de folga. Ele vai rever sua namorada, Agnes (Françoise Dorléac), filha de um famoso arqueólogo que foi assassinado há anos atrás, quando fazia uma expedição na Amzônia, com seu amigo arqueólogo Norbert Catalan (Jean Servais). Quando uma estatueta é roubada do museu, Agnes é sequestrada e levada até o Rio de Janeiro: existem 2 outras esttauetas iguais que, quando unidas em uma caverna na Amazônia, irá conferir poder ao seu dono. Os sequestradores acreditam que Agnes sabe a localização das 2 outras estatuetas. Adrien vai atrás de sua amada para salvá-la dos bandidos. O filme é uma delçiia, divertido do início ao fim, uma aventura escapista repleta de charme e um tipo de aventura à moda antiga.

Traffic

"Reostat", de Teodora Mihai (2024) Com roteiro escrito por Cristian Mungiu, cineasta de “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, "Traffic" recebeu o Grande prêmio no Festival Internacional de Cinema de Varsóvia. Co-produzido por Romência, Bélgica e Holanda, o filme é dirigido pela cineasta belga romena Teodora Mihai. O filme é inspirado no caso real de um roubo cometido por um grupo de romenos na Kunsthal Rotterdam, em outubro de 2012. O filme se passa na Holanda. O jovem casal Ginel (Ionut Niculae) e Natalia (Anamaria Vartolomei) decide sair de sua cidade natal, uma área rural e pobre na Romênia, para a Holanda e trabalhar em empregos de terceiro escalão. Ginel trabalha no cemitério separando o lixo jogado pelo público. Natalia trabalha em uma estufa de flores. Natalia deixou sua filha pequena com a mãe de Gonel, a idosa Ita (Rareș Andrici). Quando o chefe de Natalia oferece um job para ela como garçonete em uma festa particular, ela aceita mas é asseadida por um convidado. Ela se irrita, pela falta de apoio do chefe e se demite. Natalia revê o romeno Iță (Rareș Andrici), amigo de infância, que vive de pequenos roubos e propõe que Ginel e Natalia a participarem de um assalto em uma exposição de arte e roubar quadros valiosos, avaliados em 20 milhões de dólares. Eu não gostei do final, até porque a solução encontrada é um crime contra o patrimônio da humanidade. Mas esse desfecho em formato de parábola faz sentido pelo olhar humanista do roteirita e da diretora. Pessoas boas são pessoas boas e ponto final.