segunda-feira, 24 de julho de 2017

O filme da minha vida

"O filme da minha vida", de Selton Mello (2017) Adaptação do livro do escritor chileno Antonio Skármeta ( que faz uma participação no filme como um dos clientes do bordel da cidade de Fronteira), "O filme da minha vida" é um filme de um realizador cinéfilo. Além dos óbvios Fellini e Ettore Scola ("Amarcord", " A família"), bases chave para o tom de melancolia familiar e muita anarquia, pode-se ver desde Terrence Malick ( narração em off em cima de imagens poéticas), Nicholas Ray("Juventude transviada", e a comparação entre o personagem de Jonnhy Massaro e James Dean) , Ingmar Bergman ("Morangos silvestres" e a reminiscência da memória familiar), Sergio Leone ("Era uma vez na América" na representação dos meninos virgens), Pasolini ("Pocilga" e as divagações sobre a relação homem e porcos) , Godard, Agnes Varda e toda uma leva de cineastas românticos da Nouvelle Vague francesa. O filme é de uma beleza incomum, graças `a fotografia do mestre Walter Carvalho, mais uma vez, pincelando com tintas espantosas esse universo de lembranças. A história, ambientada dos anos 50 a 60, acompanha Tony ( Jonnhy Massaro na fase adulta), um jovem professor de francês, que vive com a sua mãe, Sofia (Ondina Clais, uma maravilha de atriz) no sitio. Ela é telefonista, e ambos aguardam pro anos o retorno do pai de Tony, Nicolas Vilanova (Vincent Cassel), que sumiu sem deixar vestígios. Enquanto isso, Tony vive aventuras amorosas com Luna (Bruna Lizmeyer) e com uma prostituta do bordel, além de ser motivo de chacota de seus alunos na escola. Filmado em locações deslumbrantes, é um filme que certamente irá fazer o espectador romântico se apaixonar, pois essa é a matéria prima da historia, o amor. As cenas na sala de cinema sao lindas e claro, presente para qualquer cinéfilo. Em seu terceiro longa, Selton Mello ( que vive o personagem Paco), mostra mais uma vez talento para a direção, com atores em momentos mágicos e nos enquadramentos e planos estudados com maestria. A trilha sonora é um show `a parte, com clássicos da época, entre elas, "Coração de papel", de Sergio Reis, e "Comme d'ahabitude", de Claude Francois.

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