segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Suíte francesa

"Suíte française", de Saul Dibb (2015) Para apreciadores de novelão sobre amores impossíveis durante a 2a Guerra mundial, como eu, irão ficar felizes com esse filme. Mas atenção, quem tiver hojeriza a histórias repletas de reviravoltas, traições e amores fugazes, passem longe do filme. ele é açucarado, feito para se apaixonar mesmo pelo casal central, e o espectador tem que estar indiferente a inverossimilhanças da história. Por ex, o coração bondoso do Tenente alemão Bruno von Falk (Matthias Schoenaerts), você não terá visto em nenhum outro filme retratando oficiais nazistas. Não há quem resista aos encantos dele diante da beleza e sensibilidade de Lucile Angellier (Michelle Williams). O filme é baseado no livro homônimo, escrito pela judia ucraniana Irène Némirovsky em 1942, antes dela ser presa e levada para Auschwitz, onde acabou falecendo. Somente em 2002 os manuscritos foram encontrados e lançados. O filme se passa na França, em 1940. Soldados franceses retornam para casa, derrotados, enquanto tropas alemães invadem a França. Na cidade de Bussy, vilarejo rural, Lucille mora em uma mansão com sua sogra, Madame Angellier ( Kristin Scott Thomas). Severa, o filho dela foi dado como prisioneiro de guerra em campo inimigo. Ela trata Lucille a ferro, e faz dela sua empregada, cobrando aluguel de suas terras. Quando chega a tropa comandada pelo Tenente Bruno, imediatamente rola um clima entre eles. O que os une também é a paixão pelo piano. O elenco, repleto de famosos, inclui Sam Riley, no papel do fazendeiro revolucionário Benoit. Todos os personagens passam por transformações, e mesmo em tom de novela das seis, o filme tem seus méritos. Sensivel, bela trilha sonora co-escrita por Alexandre Desplat e fotografia do espanhol Eduard Grau, o filme é daquele tipo de narrativa onde a gente torce sempre pelos mocinhos, e ond eos vilões, de tão maus, passam a ser carismáticos. Como resistir ao encanto e talento de Kristin Scott Thomas? O desfecho é sensacional, e de tão mirabolante, chega a ser divertido. Mas a gente curte, assim como curte "Casablanca" e seus excessos. Os detratores falam mal do fato do filme ser falado em inglês. Bom, em tempos de globalização, isso nem incomoda mais. Sessão da tarde premium.

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