sábado, 6 de fevereiro de 2016

Garotas-O filme

"Garotas- O filme", de Alex Medeiros (2015) Talvez para diferenciar do filme francês dirigido por Céline Sciamma, "Garotas", o filme nacional dirigido e escrito por Alex Medeiros ganhou o complemento de "O filme". Tal decisão artística talvez tenha provocado uma expectativa maior em relação ao filme, que na verdade, é pouco ambicioso em termos de roteiro. De baixo orçamento, o que é nítido, o flme se apoia na estilização para poder camuflar problemas de orçamento. Muita luz, planos fechados, câmera na mão nervosa, edição frenética e granulação, claramente inspirados no filme de Harmony Korine, "Spring breakers". Assim como no excelente filme de Korine, as meninas são avançadas, modernas, falam muito palavrão, desbocadas e dominam os homens no quesito sexo. Elas sabem o que elas querem, e não é pouco. Em pleno Séx XXI, elas querem dizer que são elas, as mulheres, que dizem o que elas querem fazer. O filme se passa em 2 épocas: o reveillon do ano anterior, e o tempo presente, 1 ano depois. Beth, Milena e Carina (Giovana Echeverria, Barbara França e Jeyce Valente, respectivamente), amigas inseparáveis, fazem muita merda e só quere saber de sexo, drogas e música eletrônica. Um ano se passa, e Beth volta de Nova York mais séria. as amigas estranham, mas resolvem aprontar uma festa surpresa na casa de Beth, para desconforto dela. Até o final do filme, saberemos o porquê dessa mudança de comportamento. O cartaz do filme não me pareceu vender o filme certo para o seu público, majoritariamente adolescente. se eu não soubesse nada do filme, acharia que estaria vendo um filme sobre jovens prostitutas. E o filme não tem nada disso. ele vai na linha dos filmes juvenis americanos, que é o da loucura adolescente, promovendo inclusive a famigerada festa na casa de uma delas e torcendo para que os pais não cheguem naquela noite. Nesse cenário de destruição, acompanhamos o drama das amigas, cada uma com um problema a resolver: baixa auto-estima, narcisismo e excesso de sexualidade. Uma pena que para poder trazer humor ao filme, alguns personagens se tornem caricatos e só servem para fazer piadas sobre sexo. Parece que estamos vendo 2 filmes diferentes, ainda mais porquê o desfecho vai fundo no drama. O destaque vai para o trabalho das meninas, que fazem o que podem, com diálogos onde 70% elas falam palavrão. Será que a adolescência está assim tão liberal como no filme?

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