segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A ovelha negra

"Hrútar ", de Grímur Hákonarson (2015) Escrito e dirigido pelo cineasta islandês Grímur Hákonarson, "A ovelha negra" venceu o prêmio principal na Mostra "Un certain regard" no Festival de Cannes 2015. Quando o filme começa, parece que vamos ver uma versão em carne e osso de "Shaun, o carneiro", ou de "Babe , o porquinho atrapalhado". Isso porquê de cara somos apresentados a uma quermesse na zona rural da Islândia, onde o grande atrativo é um Concurso para escolha da melhor ovelha. Nesse mar de monotonia e marasmo, vivem os moradores do local: fazendeiros que criam rebanhos de ovelhas nas regiões montanhosas. entre eles, os irmãos Gummi e Kiddi, já na terceira idade, que não se falam a mais de 40 anos, mas moram um do lado do outro. Cada um tem seu rebanho. Kiddi vence o concurso, e invejoso, Gummi investiga e espalha o boato de que o rebanho do irmão está contaminado com a doença Scrapie, uma espécie de vaca louca. No entanto, a veterinária confirma o surto, e manda matarem todos os rebanhos da região. Emocionados, os irmãs relutam em matar seus animais, a quem eles tanto estimam. Li numa matéria que na Islândia existem mais ovelhas do que seres humanos, numa proporção de 800 mil por 300 mil. e mais: elas têm status de quase animais domésticos, como cães, por isso no filme elas são tão bem tratadas e cada uma possui um nome. O filme tem uma estranheza típica de filmes islandeses: uma mistura de drama e comédia de humor negro, baseada em situações patéticas. A direção de atores é sensacional, o elenco principal está ótimo. A fotografia valoriza as estações do ano, e no inverno, intensifica a crueldade do frio local. O filme tem um ritmo extremamente lento, mas para quem puder acompanhar até o final, irá presenciar um desfecho totalmente fabulesco, uma parábola sobre irmãos muito bonita.

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