domingo, 7 de fevereiro de 2016

O presente

"The gift", de Louise Hogarth (2003) Polêmico documentário da americana Louise Hogarth, o tema do filme fala sobre as festas barebacking. Para quem desconhece o termo, no linguajar gay significa festas onde o sexo rola sem proteção, ou seja, sem camisinha. Pior do que isso, e mais inacreditável: acompanhamos depoimentos de "bug chasers" e de "Gift givers". Heim, mas o que querem dizer esses termos? "Bug chaser" é o soronegatico que deseja, por algum motivo, ser contaminado deliberadamente com o vírus HIV. ele quer e necessita ser um HIV soropositivo. "Gift giver" é o soropisitivo que nas festas barebacking, contamina os soronegativos. ele é o objeto de desejo dos "bug chasers". Aí quem estiver lendo essa minha resenha vai perguntar: mas porquê diabos alguém sadio e com sã consciência vai querer se contaminar? Essa foi a minha pergunta, e o meu motivo de assistir a esse filme. Lançado em 2003 e exibido em primeira mão no Festival de Berlin, o filme foi atacado pela platéia gay presente no local, que achou um absurdo a visão do filme. Para os gays, a platéia teria um olhar totalmente preconceituoso e desconfortável para a comunidade homossexual, vista como doentes sexuais e depravados. O fio condutor do filme são depoimentos de 2 "bug chasers", um médico que escreveu um livro sobre "soronegativos" e um conselho de 4 gays de meia idade soropositivos. Os depoimentos ais contundentes obviamente são os dos "bug chasers". Kenboy e Doug Hitzel são jovens na faixa dos 20 anos. Kenboy diz que passou toda a juventude temeroso de ser contaminado pelo vírus e que ficava deprimido com essa possibilidade. Para terminar de uma vez por todas com o temor, ele resolveu se contaminar. Hoje, ele promove festas barebacking e as difunde no mundo todo. Doug Hitzel passou boa parte da vida tentando arrumar u namoro, sem sucesso. Ele mora em São Francisco. Convencido de que a comunidade gay soropositiva é cool e faz sucesso, ele resolveu fazer parte dela: se deixou contaminar em uma festa barebacking. A partir daí, ele passou a ser convidado para as festas e se sentir mais popular. Hoje em dia, ele se arrepende amargamente do seu ato insano. O documentário termina com o seu depoimento aos prantos, sob uma música triste, quase como se estivesse enterrando o rapaz. Assistir a esse filme não é uma tarefa fácil. Ele nos faz pensar sobre a loucura pelo qual passa o ser humano, que se torna irracional à medida que vai tomando connsciência e seu isolamento no mundo. O filme visita alguma smansões aonde são promovidas as festas, inclsuive uma delas, aonde vai rolar uma festa de aniversário para Kenboy. O ponto alto da festa? Kenboy será servido como iguaria para um gang bang, aonde mais de 100 soropositivos irão transar com ele sem camisinha. Para os gays de meia idade, as campanhas contra o HIV não fazem nenhum efeito, visto que pelas estatísticas da época. a cada hora 2 adolescentes são contaminados nos Estados Unidos. eles culpam a campanha da mídia, que coloca modelos musculosos e lindos como portadores do HIV, o que seduz a juventude a querer se contaminar. Para as pessoas sensíveis, recomenda-se jamais assistir a esse filme. Vão achar que o fim dos tempos já está iniciado.

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