quinta-feira, 23 de março de 2017

Tschick

“Tschick”, de Fatih Akin (2016) Todo cineasta famoso tem direito a fazer um filme “coming of age” em algum momento de sua carreira. Fatih Akin, o cineasta alemão ( na verdade, turco) mais famoso atualmente, começou a sua carreira realizando dramas pesados e premiadíssimos sobre conflitos culturais e sociais de turcos que moram na Alemanha (Contra a parede, Do outro lado). Depois, foi suavizando seus temas e adentrando o universo das comédias com contexto social (Soul Kitchen) e documentários musicais, até abraçar, definitivamente, o cinema comercial, com esse “Tschcik”, baseado em livro juvenil. Com uma pegada totalmente pop e cheio de referencias a vários filmes sobre o mesma tema ( adolescente nerd e deslocado apaixonado pela garota mais bonita e sebosa da escola, fica amigo de outro aluno que chega, que também é diferente, porém mais livre, rebelde e esperto do que ele. A convivência com ele fará com que ele mude o seu comportamento no final do filme.) Ok, ok, você já viu esse filme mil vezes, e eu também. A diferença, é que o tal do amigo rebelde aqui, é um russo oriental, que se diz cigano judeu, tem cara de chinês, é totalmente despirocado e é um figuraça totalmente apaixonante. Ele é a principal razão para se assistir a esse filme. A Outra, é a deliciosa e eclética trilha sonora, que vai de Genius of love (Tom Tom Club) a Richard Clayderman. A atriz que faz a mãe alcoólatra e a jovem atriz que faz a sem teto que quer ir para Praga também são formidáveis. Nesse road movie, tem espaço para vários tipos estranhos que surgem no caminho ( até mesmo uma família estilo “ Capitão Fantástico”). Fatih Akin resolveu fazer aqui um filme intermediário entre seus grandes e densos filmes. Bom saber que cineastas consagrados tem horas que só querem saber de se divertir. E nós também. Confesso que rolou uma lágrima no final.

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