segunda-feira, 27 de março de 2017

A cabana

"The shack", de Stuart Hazeldine (2017) Há exatos 10 anos, em 2007, o livro " A cabana" foi lançado nos Estados Unidos, e logo, na época , vendeu 10 milhões de exemplares. Escrito por William P. Young, aqui no Brasil vendeu 4 milhões de copias. A adaptação para o cinema se tornaria algo óbvio. Claramente um produto Cristão, o filme acredita nas mensagens que prega, e tem como temas o perdão, a culpa, a depressão e a falta de amor. Se você é um espectador repleto de preconceitos com filmes religiosos e apenas quer ver por causa da Octavia Spencer e Sam Worthington, melhor se poupar e não ver para não se irritar. A cada minuto, algum personagem declama uma frase de sabedoria ou mensagem de fé. Agora, se você, assim como o personagem Mack Philips, se permitir assistir ao filme sem julgamento, sem preconceito, pode ser que você goste. E Bastante. Inegável o desejo dos produtores: fazer a plateia chorar e se emocionar. Toda hora uma reviravolta na trama, com musica alta melodramática, nos faz lembrar de que os personagens vão conseguir dar a volta por cima. O intento é um só: se liberte de suas amarras e permita Deus e suas palavras invadirem sua alma e seu coração, perdoando a quem nos machucou. Dito assim, parece ser um filme doutrinário. Mas ele evita, de verdade. Ele faz o espectador decidir sobre as suas ações e a do personagem, sempre dando pelo menos 2 caminhos a seguir. Claro que tanto sucesso na dramaturgia só foi possível por conta do elenco escolhido: Sam Worthington e Octavia Spencer estão maravilhosos. Difícil pensar em outra atriz para interpretar Deus com tanto deboche, amor e respeito. Sam prova aqui seu talento, no caminho perigoso do melodrama, mas se sai super bem. A fotografia e a trilha sonora funcionam bastante, além dos efeitos especiais, parte fundamental para que o público aceite o filme. Alice Braga faz uma participação bem interessante, no papel da "Sabedoria", com bastante força e abraçando seu personagem com garra. O filme esta antenado com a época: Jesus é um ator árabe, o Sabor da vida, uma japonesa, Deus uma mulher negra e `as vezes, um Indio, e Alice Braga, a sabedoria. Negros, latinos, árabes , indígenas e orientais devidamente representado na tela, e as religiões unidas em um só coro: Deus é amor! Cafona? E' sim. Mas também, muito bonito. Deixe seu preconceito em casa e vá assistir a um filme bem realizado. E com um propósito bem definido.

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