quarta-feira, 29 de março de 2017

Era o Hotel Cambridge

"Era o Hotel Cambridge", de Eliana Caffé (2016) Uma cena em determinado momento do filme entrega o coração Cinefilo da cineasta Eliana Caffé: 2 personagens transam, em enquadramentos estilizados que fazem referencia ao clássico de Agnes Varda, "As duas faces da felicidade". Eliana Caffé faz de seu "Era o Hotel Cambridge", uma costura narrativa que o cinema iraniano e os documentários de Eduardo Coutinho fazem tão bem: mesclar ficção e documentário, atores e não atores de forma harmônica, a ponto de você se perguntar quem é ator ali no meio. Jurei a mim mesmo que a personagem da líder dos sem moradia, Carmen Silva, era atriz, e quando fui pesquisar, fiquei chocado ao descobrir que ela é real e interpreta a si mesma. Algum produtor de elenco precisa escalar essa maravilha de artista para algum trabalho, ela é simplesmente uma força da natureza. José Dumont e Suely Franco se misturam a não atores e personagens da vida real e vivem moradores da ocupação do prédio do antigo hotel de luxo Cambridge. Ameaçados de despejo em 15 dias, ele se organizam a fim de impedir a expulsão. Com direção pulsante de Eliana Caffé e uma equipe formada por profissionais e estudantes, o filme seduz pela sua mistura explosiva de conteúdo, forma e resultado que mexe com todo mundo. Um microcosmo da sociedade em que vivemos, desse Brasil mesclado de nativos, estrangeiros e refugiados que lutam pelo mesmo Ideal. Um filme polêmico, que polariza discussões intermináveis sobre luta de classes e direitos humanos, seja de forma legal ou não. Obrigatório.

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