quinta-feira, 9 de março de 2017

SIlêncio

"Silence”, de Martin Scorsese (2016) Projeto de mais de 3 décadas de Scorsese, “Silêncio” é baseado em livro homônimo do escritor japonês católico Shuzako Endo. Não é a obra-prima de Scorsese, considerando que ele tem em seu currículo “Taxi driver” e ”O touro indomável”. Mas é um filme de muitas qualidades. No Sex XVII, 2 padres católicos portugueses, Rodrigues (Andrew Garfield) e Garupe (Adam Driver), são enviados em uma missão para o Japão para saber o paradeiro do Padre Ferreira (Liam Neeson), dado como desaparecido e aparentemente renegado a sua fé cristã e se juntado aos japoneses budistas. Chegando no Japão, os 2 padres encontram em um vilarejo isolado um grupo de japoneses convertidos para o cristianismo. Porém, esse mesmo grupo, é ameaçado pelo Inquisidor do Governo japonês, que quer que eles renunciem `a fé cristã, pisando em cima de uma imagem de um santo. Os que se negam são enviados para um martírio onde o caminho é a morte. Os 2 padres passam então a sofrer na pele os desígnios da fé cristã: pedem para o grupo renunciar a Deus para se manterem vivos? Apaixonado pelo tema do conflito entre a religiosidade e o caminho a seguir, Scorsese retoma a angústia de “A ultima tentação de Cristo”, quando o próprio Cristo se questiona sobre os seus atos durante a sua crucificação. O filme, longo, tem quase 3 horas de duração. Tecnicamente extraordinário, com a fotografia dramática de Rodrigo Prieto, indicada ao Oscar, o filme tem no trabalho dos atores o seu elemento mais poderoso. O trio Garfield/Driver e Neeson está intenso, além da estranhíssima presença do ator japonês Ossey Igata, no papel do inquisidor, dando vida a um personagem quase andrógino. Foi impossível não me lembrar de “Apocalipse now” e de “A missão” enquanto assistia ao filme. “Silêncio” é um filme duro, sofrido, violento, mas de extrema beleza. Vale conferir.

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