quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Who killed teddy bear

"Who killed teddy bear", de Joseph Cates (1965). Fetiche, masturbação, voyeurismo, lesbianismo, pedofilia, taras, homossexualismo, maniaco sexual....tudo isso e muito mais, reunidos nesse verdadeiro clássico do cinema independente americano de 1965!!!!! A censura deve ter cochilado quando esse filme foi exibido, e somente agora tomei conhecimento dessa obra-prima. Escrito e protagonizado pelo ator Sal Mineo, um jovem ator que bombou em Hollywood com "Juventude transviada" e que logo depois se assumiu gay. Sal interpreta Lawrence, um jovem que trabalha em um night club, e que tem tara por Norah, barwoman do local. Ele liga para ela anonimamente falando sacanagens e se masturbando. A tia dela, lésbica, dona do night club, tambem tem segundas intenções com Norah. Lawrence quando criança foi seduzido sexualmente e desenvolveu um trauma, se tornando maniaco sexual. Um detetive entra no caso, especializado em crimes sexuais. Toda noite, ele escuta em casa fitas gravadas com assédios sexuais, e sua filha pequena escuta essas gravações. Muita loucura para um mesmo filme? Você ainda não vou nada. É um filme de enquadramentos estranhos, preto e branco estéticamente sujo, locações degradantes ( Nova York da época era barra-pesada. Sex-shops, etc) e um eterno look de bizarrice e estranhamento. Um filme super mega obscuro, que merece ser visto. Virei cultuador. Várias cenas antológicas e extremamente sensuais, como as danças safadas no night club, a cena da piscina, a cena da academia, e a corrida em plano-sequencia na Times Square. Sem contar com a cena do crédito inicial: um casal transando, desfocados, enquanto a criança observa, e logo depois, essa criança sofre um acidente e morre. Genial. Nota: 10

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Um sequestro

"Kaprigen/A hijacking", de Tobias Lindholm (2012) O cinema as vezes cria umas coincidências que ninguém sabe explicar o porquê que acontece. "Capitão Philips", filme americano com Tom Hanks, é um drama baseado em história real sobre um navio de carga sequestrado em 2009 por piratas somalianos, e a negociação do valor do sequestro, enquanto os tripulantes sofrem violência fisica e mental. "Um sequestro", dirigido pelo cineasta e roteirista Tobias Lindholm ( Roteirista de "A caça", de Thomas Vintemberg") , é um drama dinamarquês baseado em história real sobre um navio de carga sequestrado em 2007 por piratas somalianos, e a negociação do valor do sequestro, enquanto os tripulantes sofrem violência fisica e mental. Dito assim, a gente diria aé que seria um remake americano, né? A diferença é que no filme americano, o embate é feito entre o personagem do Capitão e o Pirata-chefe somaliano. Aqui, o embate é entre o pirata-chefe e o negociador da empresa, e tendo um cozinheiro dinamarquês como ponto de conflito emocional. Os atores são ótimos, e o mais curioso, para dar mais veracidade, o cineasta contratou negociadores de verdade para interpretarem os papéis, e dar mais veracidade ao filme. Como não poderia deixar de ser, o filme não previlegia a ação, como no filme de Paul Greengrass, e sim, o drama interno. Tem um ritmo muito lento, uma narrativa extremamente documental, e o filme não cria tensão. Tem uma bela fotografia e boa trilha, e segura o interesse até o final, mesmo que a narrativa canse pela falta de suspense na trama. Nota: 7

domingo, 27 de outubro de 2013

Tudo o que importa é o passado

"Uskyld/All that matters is the past", de Sara Johnsen (2012) Impressionante drama norueguês, escrito e dirigido por Sarah Jonsen, que mostra aqui um apuro perfeito de direção e de conduçao das cenas e atores. Tudo com extremo esmero visual e técnico, aproximando o filme da obra de Terrence Malick, mais precisamente "A árvore da vida". A narração em off, a música épica e divina, a fotografia luminosa e usando grandes angulares. E por final, a dimensão bíblica da história, uma junção das parábolas de Adão e Eva, Caim e Abel e da criação da humanidade. O filme narra a história de amor de Janne, uma norueguesa, por 2 irmãos suecos, Willian e Ruud, ambos apaixonados por ela, por mais de 30 anos. A experiência traumática dos ciúmes dos irmãos trará consequências trágicas ao desenrolar da história. O filme possui 2 cenas antológicas: a do parto, onde vemos em detalhe um recém-nascido saindo da vagina, e uma cena de acidente de carro, muito, muito foda e assustadora. O título original se chama "Uskyld", que qer dizer "Inocência" em norueguês. Assim agem todos os personagens do filme, mesmo usando da violência e do ato impensado para conduzir suas ações, é tudo em nome do amor. É um filme muito bonito de se assistir, também doloroso, e depressivo. Closes em insetos, animais, vida selvagem, nessa fábula sobre o retorno do homem às suas origens, à natureza, numa tentativa desesperada de recomeçar como Adão e Eva, sozinhos, esperançosos sem comunicação. Um filme que prova a vitalidade e excelência do cinema norueguês, sempre pulsante e original.Nota: 9

sábado, 26 de outubro de 2013

Os 5 sentidos do medo

"Chilling visions: Five senses of fear", de Eric England, Nick Everhart, Emily Hagins e outros (2013) Filme de terror composto de 5 curtas, cada um representando um sentido humano. Em "Cheiro", um homem tenta reconquistar sua esposa. Um dia, uma vendedora de perfumes surge e lhe oferece um perfume que faz com que as pessoas caiam aos seus pés. Em " Visão", um oftamologista usa uma máquina em seus pacientes e rouba suas memórias. Ele usa a memória de um assassino em um rapaz que espanca a namorada e o paciente se transforma em um assassino. Em "Tato", uma família sofre um acidente de carro próximo a uma floresta deserta. O menino, cego, vai procurar ajuda, mas acaba parando em um esconderijo de um serial killer. Em "Paladar", um rapaz vai procurar emprego em uma empresa poderosa, mas a headhunter usa métodos escusos para convencer os profissionais a aceitarem sua proposta de trabalho. No ultimo, "Audição", 2 jovens tentam impedir que uma música se espalhe via web: quem a ouve, se suicida. O filme é curioso, mas o terror passa longe. Os filmes são mais pro suspense light, alguns até cômicos, como no episódio "Cheiro", carregado de humor negro. O filme lembra as bizarrices e realismo fantástico do seriado "Além da imaginação", onde várias histórias curtas serviam para contar parábolas moralistas sobre a sordidez humana. A curiosidade é que cada cineasta aqui tinha uma bíblia a seguir: todos escreveram os roteiros, filmaram em 4 dias e tinham um mesmo orçamento, para não desigualar em qualidade e produção. O melhor dos epísódios é "Tato", do menino cego, um primor de construção de suspense e com ótima atuação do menino. Nota: 6

Bambi

"Bambi", de Sébastien Lifshitz (2013) Em 58 preciosos e enxutos minutos, esse excelente documentário, vencedor do prêmio Teddy Bear de melhor filme em Berlin 2013, nos apresenta um fascinante retrato de uma pessoa extraordinária. Nascido no final dos anos 30 na Argélia, Jean-Pierre sempre teve uma relação conturbada com sua mãe. Mais precisamente, porquê insistia em deixar o cabelo crescer e usar os vestidos da irmã mais velha. Jean sempre soube que havia nascido num corpo errado. Um dia, adolescente, resolve sair de casa e ir buscar trabalho em Paris. Encontra o "Le Carrousel", famoso Cabaret onde travestis se apresentavam em shows elegantes e luxuosos. Aos poucos, Jean-Pierre vai se transformando em Marie Pierre. Nos anos 50, os hormônios eram novidade, e Marie tomava escondida, mesmo sabendo que poderia ser presa pela polícia e mal-vista pelos drags, que eram homens que se vestiam de mulher e que se recusavam a tomar hormônios. Sua mãe resolve fazer as pazes e vai morar com ela ( uma parte muito emocionante do filme). A relação de Marie com sua mãe é algo tão belo, me lembrou filmes de Almodovar. Marie faz sucesso, se apaixona por um jovem, vão morar juntos e faz enfim, a cirurgia de mudança de sexo, mesmo contra a vontade de seu namorado. Tem uma frase que Marie diz que é : "Preciso saber se o que for retirado de mim irá mudar minha vida, ou o que for colocado em mim irá mudar minha vida". Depois, se separa e vai viver com Ute, uma mulher alta e loira, indo assim contra os seus principios de se envolver com uma mulher. Temendo a velhice e a decadência fisica, Marie larga o show e resolve aos 29 anos se formar em Sorbonne, e desde então, leciona na Universidade, e ainda hoje, casada com Ute. Essa biografia daria um excelente filme e com certeza daria prêmios ao ator que o interpretasse. O filme retrata tudo isso com um incrível material de arquivo, mostrando Marie jovem, cantando, se apresentando, além de mostrar uma Parus deslumbrante nos anos 50. Tem também deliciosos números musicais com travestis da época. É um filme muito sensível, filmado de forma apaixonada e elegante, sem jamais perder a pose e o glamour, que é o que todos os travestis desejavam. Uma aula de documentário e de cinema, e mais, de uma vida com muito amor. Nota: 10

Partes íntimas

"Intimnye mesta/Intimate parts", de Alexey Chupov e Natasha Merkulova (2013) Comédia erótica de humor negro, essa produção russa foi escrita e dirigida pela dupla Alexey Chupov e Natasha Merkulova. O filme faz uma radiografia cruel da sociedade russa, através de pequenas histórias de personagens que de uma forma ou de outra possuem problemas sexuais. Quase todos consultam o mesmo terapeuta sexual, que por sua vez, também tem o seu fetiche. Entre os personagens, tem um fotógrafo que faz fotos de genitais e abre uma exposição com essas fotos; tem a esposa que quer ter filho, mas o marido recusa e ela aborta todos os filhos, até o marido descobrir que é gay; tem o marido frígido em casa mas que na rua busca mulheres feias e gordas; tem a censora do governo que repreende sexualmente a mídia, mas que em casa se masturba com um vibrador e que imagina todos os seus companheiros de trabalho nús. Divertido, bizarro, grotesco, sensual, vale-tudo nessa epopéia urbana e melancólica, uma fábula depressiva sobre a falta de comunicação e tendo o sexo como válvula de escape para as fobias e medos. A direção é cool, a fotografia é de estética publicitária e o filme corre solto e rápido: 80 minutos. Uma bela e curiosa iguaria russa, um País contraditório, que quer mostrar que é sexualmente livre mas que repreende a homossexualidade. Nota: 8

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

À procura do paraíso perdido: Viver nú

"À la recherche du paradis perdu: vivre nu", de Robert Salis (1993). Documentário sobre o nudismo e as comunidades de naturismo existentes na França e Alemanha. Através de depoimentos de assíduos frequentadores de todas as idades, e também de imagens de arquivos contando o histórico do nú, o filme desmistifica o ato de tirar a roupa em público. Ousado, provavelmente algum censor o acusaria de incitar a pedofilia, uma vez que todos os integrantes do filme , crianças, adolescentes, adultos, idosos, aparecem totalmente nus, em closes de seus genitais. O que me parece mais curioso é que ninguém procura esconder sua nudez ao ver a câmera, pelo contrário, estão totalmente despojados e descontraídos. Até mesmo um cadeirante dá um depoimento. Mais divertido ainda é ver que existe todo um comércio voltado para a comunidade naturista: bares, academias de ginástica, até mesmo um município inteiro dedicado aos peladões. O diretor procura sempre revelar a beleza da nudez de forma elegante, estética, sem ser grotesco nem vulgar. Tudo é muito belo. As pessoas, as locações, a fotografia. Se o filme excita? O que posso dizer é que tem tanta gente bonita nesse filme, com perfil de modelos de primeiro mundo, que prefiro dizer que sim, o corpo humano é muito "bonito". Voyeurs, esse é o filme definitivo para todos vocês. Nota: 7

O conselheiro do crime

"The counselour", de Ridley Scott (2013) Crime e castigo. Essa é a mensagem do filme. Uma realidade nua e crua, onde a lei que impera é a do poder do dinheiro. Não existem conexões sentimentais. não existe escapatória. Uma vez dentro, jamais conseguirá escapar. Como um bom filme de James Bond, "O conselheiro do crime" percorre elegantemente vários países: Armsterdã, Londres, Estados Unidos. Coube ao México o lado negro do mundo: sujo, feio, mega-violento, e onde decapitações acontecem na mesma proporção de tomar um cafezinho num bar da esquina. O roteiro de Cormac McCarthy ( de "Onde os fracos não tem vez") constrói brilhantemente os personagens. O filme começa lento, com ótimas tiradas de humor, e surpreendentemente, vai ganhando contornos de um trhiller psicólogico, onde não existe fuga. O personagem de Michael Fassbender lembra bastante o de Josh Brolin em "Onde os fracos nao tem vez". Não dá pra confiar em ninguém. O filme narra a história de um advogado, a quem todos chamam de "Counselor", que é apaixonado por sua esposa, Laura (Penelope Cruz). Através de conexão com 2 traficantes metidos a bon-vivants, Reiner (Javier Barden) e Wrestley (Brad Pitt), o advogado se envolve com o tráfico, com a intenção de ganhar dinheiro facil. Para fechar esse grupo, tem Malkina (Cameron Diaz), uma femme fatale namorada de Reiner. Mas o roubo de um carregamento de drogas faz todo o sonho do advogado ir por água abaixo, e a partir dái, ele é procurado pelo cartel. Tenso e violento, esse filme ganha contornos de hiper-realismo através da violencia e da cor saturada escura do fotógrafo Dariusz Wolski, que fez a luz de "Piratas do Caribe", "Prometheus", "Alice"e outros filmes de Tim Burton. A trilha sonora eclética e saturada de hip-hops também dá um clima urbano e decadente ao filme. Ridley Scott dirige como ninguém, e algumas cenas são antológicas: a de Cameron Diaz transando com uma Ferrari, e Brad Pitt nas ruas de Londres. Aliás, impossível falar do filme sem comentar o brilhantismo de todas as mega-estrelas no filme. estão todos ótimo. Isso é o que se espera de astros de Hollywood, surpreender os espectadores. Fassbender está foda, e Cameron Diaz revive seus grandes momentos de glória ( a cena da confissão é sensacional). Só não dou nota 10 porquê o filme tem umas sobrinhas, uma sub-tramas desnecessárias e que alongam demais o filme ( por ex, a mãe presidiária). Nota: 8

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Pornopung - Crack, back and sack

"Pornopung" , de Johan Kaos (2013) Esse filme norueguês consegue um feito que "Porky's" e "American Pie", famosas comédias erotizadas americanas sobre a juventude que quer fazer sexo a qualquer custo, não ousaram investir: ele aposta no sexo explícito. E mais: alem da costumeira idiotização de toda uma geração de jovens, que somente pensam em transar, o filme aposta no drama. O filme é tão ousado, que além de cenas de sexo oral, closes em pênis e saco escrotal sendo depilados, ele usa um elenco jovem e de bons atores atuando em um filme que oscila entre o comercial e o filme de arte europeu. Estranho? Pode ser. Mas não deixa de ser curioso. Tecnicamente o filme é ótimo: fotografia, trilha sonora, as locações magistrais de Oslo e uma boa edição, que só peca por ter deixado o filme com uns 15 minutos alem do que deveria ter. O filme narra a história de Christian, jovem de uma cidade pequena da Noruega, que resolve ir até Oslo para estudar. Porém, ele aluga m quarto em um apartamento habitado por 2 rapazes que só pensam em sexo 24 horas por dia. Os 2 jovens resolvem que irão ensinar Christian, que não leva nenhum jeito pra paquera, a usar truques da ate da sedução. Mas Christian acaba se envolvendo com uma jovem que o fará repensar a sua vida de conquistador. É um filme interessante, às vezes estúpido demais, mas que manteve meu interesse durante toda a projeção. Para passar o tempo, sem grandes elocubrações. O filme é beseado em um livro best seller, com o nome de "Pornopung" e lancado em 2003. O autor quiz mostrar a decadência de toda uma geração, mais especificamente os anos 90, para ele, uma década perdida. Nota: 7

Os belos dias

"Les beaux jours", de Marion Vernoux (2013) Caroline (Fanny Ardant) é uma mulher bonita, casada, classe média alta, 2 filhas crescidas e com 3 netos. Mas ela chegou aos 60 anos. Inconformada com a idade, e se sentindo totalmente deslocada das atividades de pessoas de terceira idade, ela conhece um jovem professor de informática, Philipe, que trabalha em uma espécie de ONG de idosos, e como uma adolescente, se apaixona por ele. Os dois mantém uma relação baseada em sexo e quando Caroline parece apostar nesse amor, botando quase tudo a perder, ela percebe o que está colocando em jogo. Belo drama dirigido pela cineasta Marion Vernoux, acostumada a fazer comédias românticas, tem na atuação de Fanny Ardant o seu grande trunfo. Ela totalmente entregue e fotogenicamente intensa e linda, provando que a idade realmente só lhe fez bem ( ela está com 64 anos). A fotografia e a trilha sonora compõe com muita elegância a narrativa do filme, que no entanto, peca pelo seu roteiro óbvio e nada surpreendente. A mensagem final chega a ser careta, mas tudo bem, quem irá lutar contra o Amor verdadeiro, pleno, que sofre, mas reluz no fim do túnel? A narrativa é lenta, o erotismo é praticamente nulo. O que importa é ver uma grande Diva do Cinema em um momento de total encantamento, e brindando o público com uma linda performance. Nota: 7

domingo, 20 de outubro de 2013

Parada em pleno curso

"Halt auf freier Strecke/Stopped on track", de Andreas Dresen (2011) Filme alemão que venceu o prêmio de melhor filme na Mostra "Un certain regard" em Cannes 2011. O filme, em registro quase documental, acompanha a descoberta de um tumor cerebral na vida de Frank, um jovem metalúrgico, casado e pai de 2 filhos. O m;edico diz que ele tem meses de vida e a partir ai, acompanhamos o seu martírio dia a dia. A dificuldade dos filhos em entender a possibilidade da morte do pai, a instabilidade emocional da esposa e o medo da morte que deixa Frank totalmente desestruturado. O filme é dirigido com competência e usa uma narrativa fria para que o espectador sinta o impacto na transformação da vida de um homem de 44 anos que entende que precisa viver o dia a dia. A perda da memória, a fraqueza física, a dificuldade de mover seu corpo, de comer, de escovar os dentes...é um filme muito sofrido, mas que ajuda a fazer a gente pensar que a morte enfim, poderia ter um tom menos macabro se tivesse um outro nome. Entender a aproximação do fim de uma etapa da nossa existência, entender como lidar com a perda do ente querido...em determinado momento, o filho diz ao pai moribundo: "Pai, posso ficar com seu Iphone?". Assim é "Stopped on a track". Nota altíssima para a atuação de Steffi Kühnert e Milen Kushel, no papel de esposa e marido. Emocionante de vibrantes. Nota: 8

Tanta água

"Tanta agua", de Ana Guevara e Leticia Jorge (2013) Filme uruguaio de bastante sucesso entre Festivais mundo afora, narra a história de Alberto, pai divorciado, que passa uma semana com seus 2 filhos adolescentes em um resort de águas termais em Salto, próximo de Montevideu. O que ele não esperava é que um temporal caísse em todos os dias de estadia, forçando um convívio de pai e filhos que chega a um nível do insuportável e tédio. Eles serão obrigados a se entenderem ( ou não) e tentar passar os dias da melhor forma possível. O filme tem um ritmo bastante lento e seu argumento é bem simples. Na primeira parte ( e mais divertida), acompanhamos o processo de entendimento entre o pai glutão e seus filhos, a adolescente entediada Lucia e o menino Federico. O olhar terno e divertido das cineastas nessa relação familiar me fez dar boas risadas. Coisas simples , provando que o minimalismo funciona bastante como catalizador de gargalhadas. Porém, na segunda parte, o filme investe em sub-tramas desnecessárias e que alongam o filme ( o filme tem uns 20 minutos sobrando). A amante do pai, o suposto namoradinho e primeiro amor de Lucia...são historinhas que aborrecem e criativamente, são meros clichês. A força do filme está na trilha sonora, bacanérrima, e na atuação dos 3 atores, todos ótimos. Aliás, devem ter gasto uma nota no efeito-chuva, que permeia o filme quase todo. Nota: 7

Instinto materno

"Pozitia copilului/Child's pose", de Calin Peter Netzer (2013) Filme romeno que ganhou o Urso de Ouro em Berlin 2013 de melhor filme, é um devastador retrato da sociedade romena pós-ditadura de Ceaucescu. Esse filme tem como tema central a corrupção, em todos os niveis, e que poderia ter sido realizado aqui no Brasil. Como todos sabem, tudo é questão de ter um bom roteiro. E aqui, além de um roteiro absurdo delineado com diálogos inteligentes e contundentes, ainda somos premiados com interpretações avassaladoras de todo o elenco. Eu fico me perguntando como é que em um País, onde a pouco tempo um governo ditatorial dizimou a cultura e a ate, consegue ser um ninho de tantos artistas? Vide os filmes romenos recentes, que brilham e ganham premios mundo afora. O filme narra a história de Cornelia ( a extraordinaria Luminita Gheorghiu), uma mãe da alta sociedade romena que tem uma péssima relação com seu filho de 32 anos. Um dia, ele é preso por ter atropelado uma criança, e Cornelia mexe todos os seus pauzinhos para salvar a honra do filho. Como uma leoa defendendo sua cria, a personagem de Cornelia não mede esforços para nada. Ela luta, grita, chora, ataca, vocifera. Várias cenas antológicas de interpretação ( Cornelia com nora, Cornelia com a mãe do garoto morto, Cornelia com os policiais, Cornelia com o motorista chantagista) são a prova de que um bom cinema precisa ser feto com roteiro e atores que se encaixam perfeitamente nos personagens. Filmado em estilo câmera na mão, com aquela linguagem documental tipico dos filmes independentes, "Child's pose" só peca pelo ritmo lento. Mas merece muito ser visto por quem busca um filme que faz pensar e que honra a classe artistica por conta de atores fenomenais. Nota: 8

sábado, 19 de outubro de 2013

Serra pelada

"Serra pelada", de Heitor Dhalia (2013) Cobiça, traição, casamento, prostitutas, forró, desilusão, paixão, violência..todos esses ingredientes, que fazem parte do roteiro do filme, já existiam, em suas devidas proporções, na comédia "Os Trapalhões na Serra Pelada", filme de 1982, filmado em loco na própria Serra pelada. Alias, muitos dos planos gerais foram cedidos do filme do Renato Aragão, uma vez que a produção de Heitor Dhalia sofreu um redimensionamento em seu orçamento que o impediu de filmar na locação real de Serra Pelada. No final do filme, tenho que confessar que o que me chamou mais atenção foi a trilha sonora de Antonio Pinto, que revisitou inclusive Gretchen, em uma releitura deliciosa, e pinçou clássicos do brega dos anos 80. O filme narra a história de Joaquim (Julio Andrade) e Juliano (Juliano Cazarré), 2 amigos de infância que durante a crise financeira, resolvem abandonar família e São Paulo e seguir com o sonho de enriquecer na Serra Pelada. Porém, Juliano se transforma com a fortuna, ao passo que Joaquim tenta manter a sua dignidade, mas numa erra de mocinhos e bandidos, tudo pode acontecer. Obviamente que o forte do filme está no elenco, com destaque para Wagner Moura em papel caricato mas divertidíssimo, e para a caracterização (maquiagem e figurino). O roteiro não encontra novidades, e confesso, nos primeiros 10 minutos já entendi o filme inteiro. Aliás, a narração em OFF , óbvia associação a "Cidade de Deus", é redundante. É cinemão de qualidade, para quem busca um entretenimento acima da média. O que já é um enorme feito, visto que muitos filmes recentes têm frustrado bastante as expectativas.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Revolução

"Revolução", de Gael Garcia Bernal, Amat Escalante, Carlos Reygadas, Rodrigo Garcia, Diego Luna e outros (2011). Longa dividido em 10 curtas, é um projeto comemorativo dos 100 anos da Revolução Mexicana. Entre os diretores estão grandes cineastas do Cinema Mexicano, como Amat Escalante (Heli), Carlos Reygadas (Post Tenebra Lux) e os atores Gael Garcia Bernal e Diego Luna. A proposta era criar filmes que tivessem a revolução como tema, mas deixando em aberto temas como desigualdade social, o patriotismo mexicano, crises familiares, desemprego, infância desassistida. Como toda compilação de curtas, o resultado é desigual, mas os meus preferidos são do Amat Escalante , sobre 2 crianças que salvam um homem de uma forca, Mariana Chenillo, sobre uma caixa de loja de departamentos que resolve processar a empresa aonde trabalha e da Patricia Riggen, sobre uma jovem que resolve cumprir um pedido do avô antes de falecer, de enterrar seu corpo no México, e não em Los Angeles, aonde morava até então. É um projeto curioso, de boas intenções, mas que talvez com 2 curtas a menos poderia ter ficado mais interessante. Tecnicamente todos os filmes são excelentes. Nota: 7

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

12 AXX Filmy shorts

"12 AXX filmy shorts"(2005) Vários cineastas. Coletâneas de 12 curtas eróticos que participaram do Festival de filmes da Lituânia de 2005. A curiosidade aqui foi assistir a filmes da Lituânia, País que confesso, jamais assisti um filme sequer. Os curtas são bem ingênuos, as atuações extremamente caricatas. Parecem filmes da pornochanchada nacional dos anos 70, no sentido da picardia ingênua. Tecnicamente é ok, mas é difícil acompanhar as histórias com interesse. Roteiros bastante sofríveis. De erótico mesmo, o filme não tem quase nada, mesmo porquê, o tesão aqui passou longe. Talvez o episódio chamado "Mr Dick", sobre o pênis de um homem garanhão que resolve ganhar liberdade, seja o mais divertido, talvez até pela sua caricatura exagerada e pela história bizarra. Depender desses curtas, o Cinema da Lituânia estará em maus lençois. Nota: 4

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Soldado Romeu

"Private Romeo", de Alan Brown (2011) "Soldado Romeu", de Alan Brown. Adaptação cinematográfica da peça "Shakespeare's R&J", encenada com sucesso aqui no Brasil por João Fonseca e com performances de Pablo Sanábio, Felipe Lima, Panda Do Carnaval e João Gabriel. Lançada em 2011, foi distribuida em esquema de produção independente e com pouca visibilidade. O elenco inteiro, de 8 atores, ganhou um prêmio conjunto de interpretação no Festival Outfest de Los Angeles em 2011. O filme narra a história de um grupo de cadetes de uma Escola Militar em Mackinley, que durante um período de recesso de 4 dias, resolve encenar a peça "Romeu e Julieta", de Shakespeare. O personagem de Julieta é interpretado por um dos cadetes, e a ficção e realidade se misturam quando os 2 cadetes que interpretam os 2 protagonistas se apaixonam perdidamente. O filme tem uma bela encenação e é conduzido com muita garra pelo elenco composto de jovens bonitos e dispostos a mostrar que não tem frescura em cenas de erotismo e sensualidade. No entanto, a forte carga teatral do texto não impede que o filme tenha um ritmo lento e entediante, mesmo com o esforço do diretor de trazer modernidade à história, através de uso de vídeos de youtube e cenas musicadas. No teatro o que funciona muito bem nos palcos, na tela fica-se a sensação de estar vendo um hibrido de cinema/teatro mal aproveitado. Tudo sôa extremente fake e sem sentido. Afinal, o que querem esses cadetes? Porquê levar o texto de Shakespeare 24 horas na vida deles e não apenas na sala de aula? Não tivessem usado os diálogos com peso dramático e formal, quem sabe, tornaria mais interessante pro espectador. Como está, fica só a curiosidade de conhecer o texto teatral, para quem não teve a chance de ver no teatro. Nota: 6

domingo, 13 de outubro de 2013

Canibal ferox

"Cannibal ferox", de Umberto Lenzi (1981) Clássico dos anos 80, que veio na leva do mega-sucesso "Canibal Holocausto", filme precursor do gênero "found footage" film e de cenas de crueldade com animais de verdade. A história é singela: um grupo de 3 antropólogos chega na Amazonia Colombiana, e durante uma expedição na floresta, se deparam com uma dupla de traficantes de drogas que escravizavam os índios canibais de uma tribo. Esses índios conseguem escapar e se vingam de seus detratores. Aqui, mais do que nunca, são muitas as cenas com animais de verdade sendo mortos: jacarés, tartarugas, fora animais lançados a predadores para serem devorados. É muito brutal. Tem também as cenas de morte, e uma que é antológica: um dos traficantes é preso numa espécie e mesa, os índios cortam seu cucuruco e comem seu miolo. Recentemente o cineasta Eli Roth homenageou essa leva de filmes de canibais com o seu filme "The green inferno", fazendo homenagem a cenas desse "Cannibal ferox" e "Canibal Holocausto". Se você se diverte com cenas tipo um indio cortando um pênis e devorando em seguida, vai se deliciar com esse filme. Trilha sonora tosca, com sintetizadores e coro gregoriano. Trashzão da melhor qualidade, incluindo nudez e muita loucura. Nota: 6

Terra firme

"Terraferma", de Emanuele Crialese (2011) Diretor dos excelentes "Nosso mundo" e "Respiro", o cineasta italiano Emanuele Crialese novamente traz as telas do cinema o seu olha sobre a crise mundial, o desemprego, a imigração ilegal, os conflitos familiares, a população pesqueira, tudo embalado pelo seu preciosismo visual, através de locações magistrais. Aqui, ele filmou na Ilha de Lampedusa, que fica no Mediterrâneo, mas que, além do caráter turistico e pesqueiro, sofre com a chegada de imigrantes ilegais, que desembarcam pelo mar. Recentemente ( out de 2013) tivemos um acontecimento real, onde mais de 300 africanos morreram afogados ao tentarem chegar à essa mesma ilha do filme. O filme narra a história de Filippo ( o jovem Filippo Pucillo, que também atuou em "Respiro") , de família de pescadores. Seu pai morreu no mar, e ele mora com sua mãe e avô. Seu irmão mais velho é dono de um kioske turistico. Sua mãe decide alugar a casa onde moram para turistas, uma vez que a pesca já não é mais rentável. Ao mesmo tempo, a chegada de imigrantes ilegais, sendo que uma grávida se refugia na casa de Filippo, deflagra crise na família e na comunidade. Esse belo drama tem como ponto forte a sua fotografia, belíssima. A atuação dos atores também é motivo de muito interesse, misturando atores com pessoas reais. No entanto, o excesso de pieguismo da história causa uma sensação de estarmos vendo um melodrama, mas as boas intenções do diretor valem essa escapulida pelo sensacionalismo. É um filme de cunho social, que faz uma denúncia grave e expõe uma ferida que a m;idia cansa de comentar. A Europa precisa encontrar uma forma menos violenta de apaziguar a vinda de imigrantes por todas as suas fronteiras. A cena noturna, onde Filippo impede a subida de imigrantes em seu barco, e no dia seguinte, os corpos chegando na praia, é antológica. O filme ganhou o Premio do Juri em Veneza 2011 Nota: 8

Salvo, uma história de amor e máfia

"Salvo", de Fabio Grassadonia e Antonio Piazza (2013) . Magistral estréia em longa da dupla de cineastas italianos, que debutaram no cinema com o belo curta "Rita". O curioso é que eles pegaram emprestado a personagem e a sua condição de cega e a trouxeram a "Salvo". O filme narra a história de Salvo Mancuso, assassino profissional, que ao matar um homem em uma casa, descobre que a irmã dele, a quem ele também deveria matar, é cega. Ela no entanto, volta a enxergar com o trauma de descobrir que o irmão foi morto. Sem explicação, ele a leva até um local deserto, e cuida dela, apesar de Rita odiá-lo. Os mafiosos estão no encalço dela, e Salvo fará de tudo para protegê-la. É impossível imaginar que os cineastas não tenham se influenciado por "Drive" e pela atuação de Ryan Gosling. O ator Saleh Bakri ( de "A banda"e "A fonte das mulheres") é uma versão escarrada de Ryan Gosling na atuação: silencioso, metódico, observador e muito violento. O filme tem poucos diálogos e vai num ritmo bem lento. Bakri e Sara Serraiocco, no papel de Rita, estão excelentes. Os primeiros 20 minutos do filme são uma aula de construção de clima e atmosfera, Cinema puro. O filme tem uma pegada bem próxima ao faroeste, na figura do homem misterioso e no visual de planos gerais que vez ou outra surgem na tela, principalmente no bloco final, onde há o acerto de contas. O filme fez um puta sucesso na Mostra Semana dos realizadores de Cannes 2013. Imperdível. Nota: 9

sábado, 12 de outubro de 2013

O passado

"Le passé", de Asghar Farhadi (2013) O cineasta iraniano Farhadi ficou mundialmente conhecido por conta de seu filme iraniano "A separação", um dos filmes mais premiados de todos os tempos ( ganhou Leão de Ouro em Veneza, Globo de Ouro e Oscar melhor filme estrangeiro). Agora, com esse "O passado", Farhadi quer repetir o feito. Filmado na França, ele foi exibido em Cannes, onde levou o prêmio de melhor atriz para Beatrice Bejo ( de "O artista"). Para não arriscar demais, Farhadi repete o mesmo tema de uma separação e um casal discutindo relação, tendo os filhos como testemunhas sem ação, sem poder fazer nada elo simples fato de serem crianças e não poderem tomar atitudes de adultos. Beatrice interpreta Marie, uma mulher que busca o ex-marido Ahmad no aeroporto. Ele a 4 anos atrás desertou mulher e filhos e resolveu voltar pra sua terra natal. Agora, ele volta à França para assinar documentação do divórcio. O que ele não, esperava, era se envolver com questões familiares e pessoais de sua ex-esposa: ela está com um caso com Samir, homem cuja esposa tentou se suicidar após descobrir o caso dele com Marie e acabou entrando em coma. Como se vê, o filme é uma lavação de roupa suja só: ex-conjuges discutindo, ex-esposa discutindo com atual namorado, pai com filhos, filhos com mãe, é uma confusão só. Não bastasse isso, o filme ainda é lento, longo (130 intermináveis minutos) e vamos confessar, chega uma hora que tanta discussão enche o saco. O que vale realçar aqui é o excelente trabalho do elenco. Farhadi pode se gabar de poder extrair o máximo de seus atores, além de premia-los quase em todos os mais importantes festivais mundo afora. Um puta diretor de atores, sem exageros, apesar do caráter histriônico do personagem de Berenice. As crianças são ótimas, criveis, sem criancice nem chatice tati-bitati. É um filme honesto, no final das contas. Nota: 7

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Contos da noite

"les contes de la nuit", de Michel Ocelot (2011) Animação francesa, dirigida por Michel Ocelt, representou a França no Festiva; de Berlin 2011.Concebido pelo mesmo realizador de "Kirikou", outra animação de enorme sucesso, aqui Ocelot faz uma homenagem ao Cinema e aos Contadores de histórias. Composto por 6 pequenas histórias fantásticas, "Contos da noite" é costurado pela história de um velho técnico de cinema e um casal de jovens, que contam as histórias dentro de uma antiga sala de cinema. Uma vez desenvolvida a história, o casal se transforma magicamente nos personagens de cada episódio. Visualmente belíssimo, os traços do desenho é todo desenvolvido em cima do teatro de sombras chinês. Definitivamente não é um filme para crianças, apesar de suas histórias serem bem simples. Todas giram em torno do amor verdadeiro, que salva vidas, e da questão da honra. É um filme que prima pelas virtudes do homem. Uma pena que ele tenha um conceito de filme de arte, o que dificulta a compreensão pelas crianças. Um entretenimento de qualidade, diferente, para quem curte fantasia e misticismo. Nota: 8

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

7 caixas paraguaias

"7 cajas", de Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori (2012) Que sensacional esse filme paraguaio!!!! Com inspiração em "Corra Lola corra" e " Onde os fracos não tem vez", é uma comédia de ação, recheado de humor negro e aquela mistura gostosa que somente o cinema latino consegue fazer. Atores desconhecidos, trilha sonora com músicas populares, diálogos endiabrados e um roteiro surreal que lembra um vaudeville maluco, esquizofrênico. O filme se passa em 2005. Victor é um jovem que trabalha num mercado enorme ao ar livre em Assunção. Seu sonho é ser ator de tv e poder comprar um celular com filmadora. Ele aceita transportar 7 caixas misteriosas em troca de 100 dólares. O que ele não imagina é que o conteúdo das caixas é misterioso, e fará meio mercado ir atrás dele: polícia, bandidos e todo tipo de gente. Eu desconhecia totalmente o cinema paraguaio, e de repente, surge essa pérola, que fez sucesso no mundo inteiro e se tornou um cult imediato. Não tenho dúvidas que em breve teremos uma refilmagem. Cinema de qualidade, feito com paixão e claro, um ótimo roteiro. Essa é a chave de tudo. Direção excelente, atuações vibrantes e críveis. Diversão do primeiro ao último minuto. Nota: 9

Amantes eternos

"Only lovers left alive", de Jim Jarmusch (2013) Dirigido e escrito por Jarmusch, essa história de vampiros tem um parentesco enorme com o clássico cult "Fome de viver", de Tony Scott. Narrando a história de amor entre um casal de vampiros, ( Tilda Swinton e Tom Hiddleston, o Loki de "Os vingadores"), o filme discursa sobre imortalidade e existencialismo. Os vampiros no filme são entediados, depressivos, descrentes na humanidade. Denominados singelamente de Adam e Eve, eles transitam no universo musical roqueiro entre Detroit e Tanger (Marrocos). Mia Wasikowska interpreta Ava, a irmã inconsequente de Eve, que chega para desestabilizar o conceito dos novos tempos: sangue deve ser consumido não de seres humanos vivos, mas de sangue de laboratório. Mas Ava chupa sangue de uma pessoa e cria uma crise entre todos. A fotografia e locações são belíssimos, a trilha sonora bem no clima anos 80 e 90 voltada pro rock, saudosista. Fiquei vidrado no filme, mas confesso, o ritmo extremamente lento me cansou bastante. Mas valeu , Jarmusch se inova e cria algo novo em sua carreira. Nota: 7

Blue Jasmine

"Blue Jasmine", de Woody Allen (2013) Que estranho Poder tem Woody Allen! Qualquer ator que estrela um filme seu, acaba pegando seus cacoetes e parece ter nascido para o personagem. Cate Blanchett e Sally Hawkins, 2 atrizes inglesas, personificam 2 tipos do Mestre do cinema americano, de tal forma brilhantes, que a gente não consegue imaginar outras atrizes interpretando. Jasmine (Blanchett) é uma ex-socialite que perdeu toda a sua fortuna, quando seu marido (Alec Baldwin) é preso pelo FBI acusado de falcatrua. Sem ter aonde morar, ela vai de NY até San Francisco morar com sua irmã Ginger (Sally Hawkins), uma empacotadora de supermercados que jamais experimentou os prazeres da vida futil. Apesar de falida, Jasmine não quer perder a pose, e precisa reavaliar a sua vida. Falar de Woody Allen é sempre a mesma coisa: atores magistrais, roteiro impecável, trilha sonora, direção de arte, figurino, fotografia, tudo ótimo. O roteiro, que vai e volta no tempo, tem uma ótima reviravolta na história, provando que, assim como em "Ponto final-Match Point", é o acaso quem transforma tudo e dá um rumo em nossas vidas. Nota: 10

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Heli

"Heli", de Amat Escalante (2013) Grande vencedor do Prêmio de Melhor Direção em Cannes 2013, esse retrato cru da violência mexicana escandalizou muita gente. Mas curiosamente, vejo muita semelhança desse filme com "Kinatay", filme de Brillante Mendoza que também ganhou Melhor Direção em Cannes no ano de 2009. Ambos mostram cenas de tortura realista, extremamente fortes. Ambos falam sobre personagens amorais e que devem ser punidos. Pelo que se vê, o juri gosta de um sadismo. Numa cidade do México, uma menina de 12 anos que mora com seu irmão, sua cunhada, sua sobrinha pequena e seu pai, se apaixona por um jovem cadete. O casal planeja fugir e casar. Para isso, o cadete rouba dois pacotes de cocaína da própria polícia. Pego com a mão na massa, o cadete e a família da menina são torturados barbaramente. Em ritmo extremamente lento, mas mostrando uma vida grotesca e paupérrima, escalante estiliza a violência através de planos fixos e longos, com visual estonteante. Algumas cenas chegam a ser divertidas de tão bizarras: o cadete fazendo exercícios usando a menina como peso. a detetive que oferece seus seios nus para Heli mamar dentro de um carro. Mundo cão para chocar o público, "Heli" só não é melhor porquê a história desanda lá pelo meio, perdendo seu foco. Mesmo assim, é um filme que merece ser visto pela sua desumanização, pela forma cruel e fria de mostrar a realidade. Aviso: cenas de violência com animais no filme. Nota: 7

Canibais

"The Green Inferno", de Eli Roth (2013) Eli Roth resolveu dar uma de Tarantino e pegou os famosos filmes italianos de canibais dos anos 80 e fez a sua homenagem. Obviamente, que sua inspiração maior foi o clássico "Canibal Holocausto", de Ruggero Deodato, a quem ele dedica o filme. A trama é bem simples: um grupo de ativistas segue dos Estados Unidos até a Floresta Amazônica peruana, com a finalidade de parar o desmatamento , que está dizimando uma tribo de indios primitivos. Na volta para casa, o avi!ao sofre um acidente e os passageiros caem justamente numa região infestada de indios canibais, os mesmos que eles estavam defendendo. Daí em diante, é luta pela sobrevivência. Eli Roth e seus atores se divertem nessa verdadeira carnificina, onde corpos humanos são mutilados, olhos arrancados e devorados, peles humanas degustadas. Roth não tem o minimo pudor de mostrar cenas grotescas de decapitações. Talvez pela sua extrema violência, o filme tenha tido dificuldade de encontrar um distribuidor nos Estados Unidos. Roth ainda ousa nos detalhes: dá detalhe num pênis ( um personagem vai mijar, bota o pau pra fora e uma tarântula segue em direção para morder). Entre um e outro momento de violência, Roth dá uma chance pro humor negro: a personagem que caga no cativeiro, mortes esdruxulas, atuações péssimas ( jamais saberemos se os atores são ruins ou se Roth quem pediu), diálogos toscos. Fará cm certeza a alegria dos fãs do gênero. Nem bom nem ruim, apenas um filme assistível. A maquiagem é duvidosa, alguns personagens idens ( a sacerdotisa) Nota: 6

Burma/All that I am

"Burma", de Carlos Puga (2013) Escrito e dirigido por Carlos Purga, um dos diretores da série de tv "True life". Filme de baixo orçamento que conquistou um prêmio especial para o conjunto de seu elenco no Festival de South of Southwest. O filme narra a história de Christian, um roteirista desempregado e que está se preparando para uma festa anual onde se reúne com seus irmãos, Win e Susan. Porém, do nada, seu pai retorna, depois de ter sumido por 9 anos, no dia da véspera da morte de sua mãe. O pai passou o tempo todo em Burma (Mianmar), país do Oriente. Christian e os outros irmãos rechaçam o pai, sem saber o verdadeiro motivo de sua fuga. "Burma", também chamado de "O homem que sou", é um filme que discute relação familiar. Lavação de roupa do início ao fim. Revelações, intrigas. Para quem gosta de drama familiar, é uma ótima pedida. Os atores são bons, os diálogos afiados. Fico imaginando como seria esse roteiro com atores famosos no elenco, teria tido uma projeção mil vezes maior. Nota: 7

Fruitvale station - A última parada

"Fruitvale Station", de Ryan Coogler (2013) Baseado na história real de Oscar Grant III, esse filme foi dirigido pelo jovem cineasta Ryan Coogler, um ex-segurança e ex-detento de reformatório juvenil. Essa aproximação do cineasta com um mundo violento, arbitrário e corrupto trouxe veracidade e energia pras cenas, dando o seu ponto de vista para esse universo dos policiais despreparados e que agem com violência impensada. No dia 31 de dezembro de 2008, o jovem negro Oscar Grant III, desempregado, casado e pai de uma filha de 4 aos, acorda e resolve que tudo irá mudar em sua vida. Ele passa o dia fazendo boas ações, revendo e repensando seu ponto de vista em relação a sua família, amigos, inimigos e futuro. O filme acompanha essas ;ultimas horas de Oscar, que acabou tendo um destino trágico na manhã do dia 1 de janeiro, numa estação de trem em Oakland, california, chamada Fruitvale Station. Essa espécie de Jean Charles americano foi premiado em Cannes na Mostra "Um Certo olhar", com o prêmio de melhor 1o filme, e levou o prêmio máximo em Sundance 2013. Evitando ao máximo o melodrama barato e sentimentalismo, o cineasta, que também escreveu o roteiro, cria um relato quase documental da rotina de Oscar, em momentos lights, ternos e tensos desse dia de véspera de ano novo. De ritmo lento, mas fluido, com poesia e ternura, ele compõe uma biografia apaixonante desse personagem igual a qualquer outra história de abuso, de estupidez. Michael B Jordan, que protagonizou a aventura "Chronicle", faz um excelente trabalho aqui, junto da Oscarizada Octavia Spencer, que co-produziu junto de Forrest Whitaker. Nota: 8

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O verão da minha vida

"The way way back", de Nat Faxon e Jim Rash (2013) Dirigido e escrito pelos mesmos roteiristas de "Os descendentes", essa deliciosa e adorável comédia é o novo "Vantagens de ser invisivel". Os dilemas da adolescência, entre discussões familiares, amizades, descobertas do amor e frustrações, vêem embaladas com excelente trilha sonora e um super-mega elenco que faz a alegria de qualquer diretor. Aliás, os próprios cineastas se escalaram em 2 papéis sensacionais e hilários: Nat Faxon interpreta Roddy, o funcionário falastrão e malandro do parque aquático,e Jim Rash interpreta Lewis, o tipo bizarro que trabalha num quiosque no mesmo parque. O filme narra a história de Duncan, um menino de 14 anos que passa as férias de verão com sua mãe (Toni Colette) e padrasto (Steve Carrel) numa cidade litorânea. Tímido e se dando muito mal com o padrasto, Duncan acaba indo trabalhar num parque aquático, onde faz amizade com um funcionário, Owen (Sam Rockwell), um tipo alegre e divertido que muda a vida de Duncan. O roteiro é sensacional, com ótimas tiradas e cenas lindas, alem de uma antológica: a cena do street dance. Todos os personagens são construidos com muito carinho, a melancolia rola solta na história, e tem aquele final apoteótico que todo mundo adora: um belo acerto de contas. Fiquei bastante emocionando vendo esse filme. Sam Rockwell me surpreendeu em sua veia cômica, Maya Rudolph é sempre aquele pessoa maravilhosa, Toni Colette está brilhante, Allison Janney está magnífica como a vizinha maluca e Steve Carrel manda bem fazendo o tipo filho da puta. As grandes surpresas são os meninos Lian James, no papel principal, e River Alexander, hilário como o garoto caolho. Um filme para guardar no coração. Nota: 9

Abuso de vulnerável

"Abus de faiblesse", de Catherine Breillat (2013) Filme autobiográfico da cineasta e romancista erótica Catherine Breillat, mais conhecida por "Romance", "A última amante" e outros filmes que tem o sexo como componente principal. Isabelle Huppert interpreta Maud, alter-ego de Breillat, que sofreu um derrame em 2010, paralizando seu lado esquerdo. Durante o seu período de recuperação, Maud vê na tv uma entrevista com um vigarista que ela acredita ser o homem ideal para protagonizar seu próximo filme. Porém, Vilko ( o homem da tv) logo mostra sua verdadeira faceta: um malandro que só está a fim de tirar dinheiro de Maud, que, fragilizada, lhe entrega tudo o que ele pede. Ótima atuação de Huppert e de Kool Shen, um rapper francês aqui fazendo seu primeiro papel. O roteiro irrita por conta da submissão da personagem ( odeio filmes onde rolam submissão, tipo "O desespero de Veronika Voss") e pelo ritmo lento. Lá pelo meio, o filme fica totalmente repetitivo em suas ações. Uma enxugada na edição e mais atitude por parte da personagem fariam o filme ser bem melhor do que ele é. Fica sendo apenas um deleite para fàs de Huppert, mas sem qualquer pingo de criatividade. Bom saber que Catherine Breillat se recuperou fisicamente. Agora, só falta melhorar o seu repertório. Aliás, deve ter sido muito dificil dela se expor tanto assim num projeto para o grande público. Valeu a coragem. Nota: 6

Sacro Gra

"Sacro Gra", de Gianfranco Rosi (2013) Vencedor do Leão de Ouro em Veneza 2013, com o prêmio de melhor filme ( Pela 1a vez um documentário ganha o prêmio máximo). O filme tem como ponto de partida o GRA (Grande Raccordo Anulare), o grande anel rodoviário que circunda Roma. Durante 2 anos, o diretor Rosi entrevistou pessoas que moram nos arredores da estrada, e levou mais de 8 meses editando. Entre pequenos momentos de cada personagem, o filme procura trazer humor e emoção nas vidas solitárias e bizarras de seus personagens atípicos. Entre eles, duas travestis que moram em um trailer, um príncipe que aluga sua mansão para festas e filmagens, imigrantes que moram num cabeção de porco, paramédicos de uma ambulância, um especialista em palmeiras e tantos outros. O grande trunfo desse filme é a fotografia. De resto, é uma chatice sem dó nem piedade, que me faz pensar a cada segundo o que levou o Juri de Veneza a premiar esse filme. Quanta pretensão, quanta idéia vazia. O filme investe em personagens, mas diferente de Eduardo Coutinho, não tenta invadir a vida dessa pessoa, o espectador não compartilha de sua história. É tudo muito breve, aleatório, sem costura. Se pelo menos o cineasta levasse o filme para um pensamento mais experimental, na linha de um "Koyanisqatsi", teria sido muito mais interessante. Do jeito que está, é um remédio fulminante para provocar sono e tédio. Nota: 3

Versos de um crime

"Kill your darlings", de John Krokidas (2013) Filme de estréia do curta-metragista John Krokidas, narra um crime acontecido no ano de 1944 em Nova York e que junta 3 dos maiores poetas beat nicks da história: Jack Kerouak, Allen Ginsberg e Willian Burroughs. Todas essas histórias se cruzam com a história de Lucien Carr, poeta por quem Ginsberg se apaixonou e que mudará o rumo da vida de todos. Tecnicamente impecável ( fotografia, edição, direção de ate, trilha sonora com trilha pop e atual) e com um mega-elenco, que vai de Daniel Radcliffe a Elisabeth Olsen, passando por Michael C Hall (Dexter), Dane Dehaan (excelente como Lucien), Ben Foster, Jennifer Jason Leigh e outros. Não é filme para fãs de Daniel Radcliffe da época de "Harry Potter". Maduro, o jovem ator protagoniza uma bela cena de sexo gay, e esse é um dos grandes trunfos do filme: a edição paralela. Na cena do assassinato, várias vidas se entrecruzam. Belisíssima cena. Ritmo lento, mas sempre atraente, com muito mais despojamento e entrega do que o filme de Walter Salles, 'On the road". Para quem curte um entretenimento adulto e que faz pensar, essa é uma boa pedida. Nota: 7

The dirties

"The dirties", de Matthew Johnson (2013) O que dizer de um filme, onde o melhor dele está nos créditos finais? Filme de cinéfilo, no caso Matthew Johnson, um jovem canadense que dirigiu, escreveu, produziu e protagonizou esse filme sob bullying na Universidade, e que culmina em tragédia. Obviamente inspirado em "Elephant", a obra-prima de Gus Van Sant ( de onde ele pega emprestado até a camiseta amarela com o boi estilizado) , o filme narra a história de Matthew e Owen ) nomes reais dos atores), que dirigem um filme escolar sobre bullying. O que era para ser uma brincadeira acaba se tornando real, quando Matthew resolve avançar o limite da ficção e realidade. Essa síndrome de quero ser 'Elephant" faz muito mal ao filme, que acaba ficando com criatividade zero. Tudo ali já foi visto, e muito melhor. Pior, a reviravolta na história demora a acontecer, e quando acontece, acaba. Tudo bem, pode-se dizer que a idéia de Matthew não tenha sido mostrar um massacre de estudantes, e sim, como tudo isso se desenvolve na cabeça dele até atingir esse ponto de psicopatia. Mas só que o filme segue tedioso demais. Enfim, como disse, os créditos finais, que é uma brincadeira com o design e cenas de filmes famosos, é a parte mais bacana do filme. O cineasta Kevin Smith considera esse um dos filmes mais importantes do ano e resolveu distribui-lo nos EUA. Bom, ele deve ter achado Matthew uma criação dele, nesse quesito "self made man". O titulo do filme se refere ao "The dirties", um grupo de alunos machões que adora bater na garotada nerd. Nota: 5

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Um estranho no lago

"L'inconnu du lac", de Alain Guiraudie (2013) Que prazer que dá em assistir a um filme que ousa, que quer fazer arte unindo erotismo e cinema de transgressão. Em um lago frequentado por homossexuais em busca de sexo fácil, Franck conhece Michel. O tesão por ele é imediato, mas não é fácil se aproximar de Michel. Uma noite, Franck o vê matando o seu parceiro afogado no lago. Mesmo assim, ele insiste em se aproximar dele, sem temer ser a próxima vítima. Mais polêmico do que as cenas de sexo explícito, que inclui sexo oral e close em pau gozando, é essa visão suicida e perversa dos gays. Fui com um amigo que odiou o filme por esse suposto olhar "negativo" da comunidade gay, comumente visto nos filmes como fetichistas, ninfomaníacos e perversos. A fotografia do filme é um deslumbre, principalmente na escolha de se fazer cena completamente escura nas noturnas, provocando uma atmosfera de suspense absurda. O brilho do sol refletido na superfície da água do lago também remete a um Paraíso dantesco, onde uma hora pode-se gozar, na outra morrer. Guiraudie ganhou o prêmio de DIreção em Cannes 2013 na Mostra um Certo Olhar. Aliás, um prêmio merecidíssimo. Guiraudie usa a rotina ( o plano do carro chegando é o mesmo durante o filme todo) marcando o tédio da vida dessas pessoas solitárias e infelizes. Os atores se entregam a filme, passando quase que o filme inteiro nús, despojados, sem qualquer constrangimento. Quanto as cenas explicitas, acredito terem usado dublês para os atores principais. A narrativa do filme vai de um ritmo lento até chegar ao nível do insuportavelmente tenso no seu desfecho. Um brilhante exercicio de transformação de gênero de filme. A figura do detetive remete ao seu filme anterior, "O rei da fuga", debochando um pouco da figura policial. Além do humor do detetive, tem-se o humor do frequentador que sempre quer fazer parte das orgias, se sucesso. As cenas de trepadas são muito bonitas e bem armadas. Nota: 8

Halley

"Halley", de Sebastian Hofmann. Qual o propósito desse filme? Até agora fiquei na dúvida. Fazer um filme de arte sobre um morto-vivo que perambula entre os vivos e vai se decompondo ao longo do filme, parecia ser um argumento bem curioso. Mas faltou investir mais na fantasia. A gente não entende de onde vem Bento, porquê ele se encontra nesse estado de decomposição. Só consegui ver como uma metáfora sobre a solidão humana. Fosse um filme que tivesse esse tema , seria muito mais interessante. A cena de Bento e Luly, sua paixão, no apartamento dela, é muito linda e tocante. Eu queria ter visto um filme sobre a História de Bento, mas como uma pessoa normal, não um morto. Obviamente que o filme remete direto a "A mosca", de Cronemberg, pela maquiagem grotesca e desagradável de decomposição do corpo. O filme tem um ritmo extremamente lento, e confesso, me provocou sono o tempo todo da projeção. Fica a curiosidade e o prazer de ver um epílogo belíssimo , nas águas geladas da Antartida. O nome "Halley" é por conta da explicação que Luly dá a Bento em seu apartamento, dizendo da importância do cometa Halley em sua vida quando criança. Nota: 5

Nós somos as melhores

"Vi är bäst!", de Lukas Moodysson (2013) Deliciosa e simpática comédia de costumes, ambientada na Suécia de 1982. Bobo e Klara são duas amigas inseparáveis, uma com 12 e a outra com 13 anos. Fãs do movimento punk, elas são mal-vistas pelas colegas de turma e por todos com que cruzam. Ambas resolvem montar uma banda de punk, e a elas se junta uma terceira menina, Hedvig, de família cristã. Amores, ciúmes , família e amizade são postos à prova pelas meninas que teimam em ser felizes e seguirem sue caminho. Uma espécie de "Pusst riot" pre'-adolescente, essas personagens cativantes e muito bem interpretadas por um trio de novatas sensacionais fazem o espectador viajar no tempo: figurino, cabelos, direção de arte, tudo remete aos deliciosos tempos dos anos 80, onde a cafonice imperava. Antes da AIDS, era tudo mais colorido e alegre. Uma pena que o filme seja tão longo, merecia ter sido podado em meia hora, pois não resiste aos 102 minutos, não existe história para tudo isso. Moodysson faz aqui um filme leve em comparação aos barra-pesadas "Para sempre Lylia", e "Corações em conflito". Nota: 6

Houston

"Houston", de Bastian Günther (2013) Filme alemão sobre um Headhunter alemão, Clemens, que é alcoolatra e não consegue se envolver emocionalmente com mulher e filho. Um dia, a empresa onde ele trabalha o manda numa missão até Houston, Texas, para entrar em contato com o CEO poderoso de uma industria de petróleo. Chegando lá, ele conhece um supervisor de hotéis, Robert, solitário como ele. O que Clemens não imaginava era que sua via iria piorar mais do que quando estava na Alemanha. Drama bem dirigido, com belos planos e linda fotografia. O ator Ulrich Tukur está excelente no papel de Clemens, uma espécie de "After hours" de Scorcese, onde tudo dá errado. O filme tem uns toques de humor negro e cria um suspense light. Nas mãos dos irmãos Coen essa história seria um clássico. No início ele é tedioso, mas quando o filme está em terras americanas, tudo se transforma. Trilha sonora a cargo de Michael Rother, muito bacana. Nota: 7

domingo, 6 de outubro de 2013

A grande Beleza

"La grande bellezza", de Paolo Sorrentino (2013) Caralho, a tempos eu não via um filme tão bonito! Que fotografia extraordinária de Luca Bigazzi, italiano responsável por quase todos os filmes de Sorrentino. Claramente uma homenagem aos filmes de Fellini, principalmente "Amarcord", "Roma", "8 1/2" e "La dolce vitta", o filme acompanha as divagações de Jep, jornalista de 65 anos que entrevistou celebridades e que v&e a Roma atual como um lugar decadente e sem futuro. Através de varias histórias e personagens que vão cruzando o filme, vemos toda a beleza estonteante dos cartões postais de Roma, que escondem as festas orgiásticas regadas a drogas, bebidas e sexo. O filme também critica a Igreja, na figura excepcional da personagem de Irmã Maria ( atuação poderosa de Giulia Mersi, que empresta sua fisionomia centenária pro papel da Freira Santa), a indústria da cirurgia plástica ( numa cena muito louca de aplicação de botox) e o culto as personalidades ( Fanny Ardant, em ponta amigável). Rodado quase todo na noite, o filme é um gigantesco painel de uma sociedade à beira da falência física e moral. As mulheres do filme, quase todas botocadas, emprestam seus rostos para os personagens Fellinianos. A trilha sonora, recheada de músicas pop, canções populares e dance music, é um primor, embalando cenas antológicas de festas ( a festa de abertura é uma -obra-prima de realização). O uso constante de steadicam e de grua, fazendo as imagens estarem sempre em constante movimento, remete bastante à narrativa de "A árvore da vida", de Terence Malick. Ton Servillo reencarna o personagem de Marcello Mastroiani de "A dolce Vitta" e nos apresenta o que Roma tem de pior e de melhor. Uma pequena obra-prima, memorável e sensorialmente inebriante. Uma experiência radical de surrealismo e de fantasia ( vide a cena da girafa, e a dos flamingos). É um filme divertidissimo, ri quase que o tempo todo da projeção. Um roteiro audacioso e mordaz.Nota: 9

Paraíso

"Paraiso", de Mariana Chenillo (2013). Esse filme pode levar com louvor o titulo de "Filme-gracinha" do ano de 2013. Com o perdão da palavra, o filme é uma fofura só. Divertido, melancólico, o filme narra a história do casal de obesos Alfredo e Carmen, Alfredo trabalha em um banco, e é promovido. Logo, os dois se mudam de sua cidade para a capital do México. Carmen larga seu emprego e vira uma dona de casa. Porém, envergonhada de sua condição de obesa, ela se inscreve nos Vigilantes do peso. No inicio, incentivada pelo grupo, ela traz Alfredo, que aceita fazer dieta a contra-gosto. O que Carmen não poderá imaginar é que Alfredo tomasse gosto pela dieta, e acaba emagrecendo, ao contrário dela, que só engorda. Isso colocará o casamento em crise. Dirigido pela mexicana Mariana Chenillo, que realizou o ótimo "Cinco dias sem Nora", esse filme conquista de cara o espectador pelo drama de Carmen, brilhantemente interpretada por Daniela Rincón. Meiga, alegre, carismática, ela interpreta com garra a sua personagem frustrada. Alfredo Rincón entrega seu corpo para uma equipe de maquiadores, que fazem uma verdadeira transformação física nele. É impressionante. O filme proporciona momentos de muita gargalhada, mas também de dramaticidade. Afinal, não dá pra ficar rindo da desgraça alheia. A obesidade é uma doença mundial, e a cinessta trata o tema com muita propriedade e carinho. Trilha sonora impecável, recheada de canções pop. Merecia uma refilmagem nacional. Nota: 9

O mordomo da Casa Branca

"The butler", de Lee Daniels (2013) Biografia Eugene Alle, no filme chamado de Cecil Gaines, um mordomo negro que serviu a Casa Branca durante mais de 30 anos, servindo mais de 8 presidentes americanos, até ser recebido com honra por Barack Obama. O filme discute o papel do negro na sociedade, o preconceito racial vigente principalmente no Sul dos Estados Unidos durante os anos 50 e 60 , a ascenção do movimento negro e a entrada do negro na política americana. Lee Daniels é um cineasta negro e gay, que sofreu preconceito e resolveu externar essa amargura em seus filmes. "Preciosa", seu filme mais famoso, já levantava essa bandeira. Aqui, emoldurado por um mega elenco, que vai de Forrest Whitaker ( excelente), Oprah Winfrey ( que faz a esposa Gloria), Lenny Kravitz, Terence Howard, Robin Willians, John Cusack, Vanessa Redgrave, Cuba Gooding Jr, James Mardsen, Allan Rickman, Liev Schreiber, entre outros) , o filme busca no melodrama sua base dramática. Sim, chorei, sim, me emocionei, sim, achei um tédio. Tédio porque o filme é super burocrático, careta, didático. A gente sabe tudo o que vai acontecer. Parece aquele filme das empregadas, "Histórias cruzadas", só que sem um roteiro mais interessante. A caracterização dos Panteras negras ficou super caricato. Em compensação, o trabalho de maquiagem de Forrest Whitaker está sensacional. O filme faz uma Campanha descarada pro Governo Barack Obama. Coisa feia. Nota: 6

Como não perder essa mulher

"Don Jon", de Joseph Gordon Levitt (2013) Comédia românrica dirigida pelo ator Joseph Gordon-Levitt, mais conhecido por ser o Robin de "Batman, o cavalheiro das trevas" e pela comédia "500 dias com ela". Aliás, foi desse último que Gordon com certeza chupou várias referências. Uma leitura pop e moderninha de um Don Juan dos novos tempos, Jon (o próprio Gordon Levitt). Ele é um garanhão incansável, que sai nas baladas com seus 2 melhores amigos em busca de caça. Mas ele não se satisfaz com a mulherada e se masturba vendo videos pornôs, segundo ele, diferente da trepada real por ser fantasioso e onde tudo acaba bem. Um dia, porém, ele dá de cara com Barbara (Scarlet Johanson), uma patricinha toda certinha que faz mudar o seu ponto de vista sobre relacionamentos. O filme é bem conduzido por Levitt, e tem ótima atuação do mesmo, de Scarlett e especialmente de Glenne Headley, no papel da mãe de Jon. Headley está hilária e antológica. O filme começa bem, tem boas sacadas, mas logo cansa. O filme se estica, a idéia se gasta e rola uma barriga no meio do filme. Pior que isso, é ter Julianne Moore num papel bobo e sem graça. Amo Juliane, mas não acho que tenha sido um papel para ela. Deve ter feito por amizade. Foi exibido com sucesso em Sundance 2013. Nota: 6

Plush

"Plush", de Catherine Hardwicke (2013) . Essa obsessão da cineasta Hardwicke por triângulos amorosos e filmes de pós-adolescentes agora invade o gênero do suspense musical. Hardwicke dirigiu o ótimo "Aos treze", mas depois perdeu a mão, dirigindo desde "Crepúsculo"até outros menos famosos. Emily Browning interpreta Hayley, uma roqueira que canta na banda Plush, junto de seu irmão Jack. Levemente inspirado na banda "The white stripes", em termos de visual e sonoridade, a banda tem muitos fãs, alguns deles totalmente desequilibrados. Seu irmão morre de overdose após Hayley se casa, o que sugere solidão pelo rompimento afetivo que tinha com ela. Um novo guitarrista surge na banda, e Hayley acaba se envolvendo com ele, sem imaginar que essa relação poderá trazer um destino trágico. Emily Browning precisa mudar de agente urgentemente, ultimamente ela só tem feito filmes mega-bombas. Junto dela, outras promessas de galãs, Cam Gigandet e Xavier Samuel , também precisam partir para outro agente. Todos estão péssimos, em personagens ridículos e mal construidos, sob a batuta de uma cineasta que rege a mão seguindo a cartilha do clichê, sem qualquer tipo de criatividade. A gente já sabe tudo o que vai acontecer, o prólogo inicial é ridículo ( um suposto video sendo filmado), sem contar os créditos iniciais, da pior qualidade. Ai, já ia me esquecendo também da cena final, podre! Aliás, tudo ruim! Nem sensualidade tem, nas cenas de sexo. Nota: 1

sábado, 5 de outubro de 2013

O lobo atrás da porta

De Fernando Coimbra (2013) Livremente inspirado no caso de Neyde Maria Lopes, conhecida como "A fera da Penha", uma mulher que se tornou amante de um homem e quando descobriu que era casado e que ele não lhe dava mais atenção, resolveu sequestrar a filha dele e matá-la com um tiro na nuca e incendiá-la. Assim é esse filme de estréia do curta-metragista e que tem em Leandra Leal o seu grande ponto de interesse. Ela está milimetricamente impecável, arrazadora, construindo em cada cena um dilúvio de emoções que vão da alegria, ao tesão, ao medo, ao ódio, ao desespero e angústia. É um personagem complexo, que está no limite de ser um clichê da mulher traída, nos moldes de "Atração fatal". O filme tem uma construção de filme de suspense, auxiliado pela excelente trilha sonora e fotografia de Lula Carvalho. O elenco está correto, e é grata surpresa ver Karine Telles, do ótimo "Riscado", em papel pequeno mas maravilhoso. Outra que está excelente é Thalita Carauta, no papel de uma suburbana maluca que cruza o caminho de Rosa (Leandra Leal). Os longos planos estáticos funcionam em sua grande maioria das vezes, principalmente na cena do gira-gira e do mirante. Esses planos aliás ajudam bastante na performance dos atores, que podem gastar toda sua emoção em uma única vez, sem cortes. O filme no entanto, tem problemas de ritmo, e isso nem é culpa dos planos longos e sua narrativa. Pode ser que a estrutura de roteiro, cheio de flashbacks, tenha provocado essa lentidão no ritmo. No entanto, a performance de Leandra Leal, como ja disse, segura o filme todo, e na polêmica cena final, ela encontra o seu auge.

O lado sombrio

"Dark touch", de Marina de Van (2013) Suspense irlandês, que tem como tema a violência doméstica. O filme tem muitas semelhanças com "Carrie" e "A fúria", ambos de Brian de Palma, ao usar o poder de telecinese como forma de se proteger do bullying sofrido pelo personagem. Nyahm é uma menina que sobreviveu a um massacre onde sua família morreu tragicamente. Mais tarde, descobrimos que ela sofria abusos sexuais dos pais. Adotada por uma nova família, Nyahm vez ou outra tem lembranças da violência sofrida, e assim, todos que cruzam o sue caminho correm risco de morrer. Crianças vingativas sempre foi um prato delicioso para o Cinema. Vide "Chamas da vingança", "Filhos do mal", e o recente "Brincadeiras de criança". Aqui, a violência é bem explícita, vemos facas, tesouras vidros e outros elementos cortantes sendo injetados nas pessoas, assim como em "Carrie". O filme poderia ter sido bem mais interessante se não fosse tão óbvio no retrato das crianças. Elas agem como se fossem pequenos demônios.Tivessem uma apresentação mais realista, seria mais crivel. Afinal, o filme investe bem na dramaturgia, mas faltou personagens mais estruturados, eles são bem clichês. Fica a curiosidade de ver um filem irlandês n gênero terror, até bem feito para quem quase nunca invistou em efeitos especiais. Nota: 5

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Bola 8

"8 pallo/8 ball", de Aku Louhimies (2012) Filme finlandês baseado no romance escrito por Marko Kivi, é uma história policial que tem como pano de fundo drogas e sexo. Pike, uma jovem namorada de um traficante barra-pesada, engravida e vai presa. Lalli foge. Meses depois, Oike é solta, e procura reconstruir sua vida com sua filha de 8 meses. Tudo é difícil por conta do desemprego e da sua ficha criminal suja. Mas difícil mesmo será quando Lilli retorna e tenta fazer Pike se viciar de novo. O filme é um retrato cruel da Europa dizimada pela falta de trabalho, drogas entre a juventude e a falta de perspectiva de toda uma geração, que não enxerga um futuro. O filme tem como trunfo os ótimos atores, principalmente Jessica Grabowsky, excelente no papel título. Um filme duro, cruel, realista e com ótima fotografia. O roteiro é interessante, apesar de achar que a sub-trama paralela do policial e seu drama familiar e profissional esteja sobrando. Nota: 7

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Tatuagem

de Hilton Lacerda (2013) São quatro os motivos que fazem o filme "Tatuagem" ser absolutamente imperdível: O elenco ( Irandhir Santos, Jesuita Barbosa, Rodrigo Garcia) , a direção (Hilton Lacerda) , a trilha sonora ( Dj Dolores) e o fato do projeto ser um filme adulto que um é dos projetos mais criativos dos últimos anos produzidos aqui no Brasil. Em 1978, em Recife, um grupo de teatro mambembe incomoda a Censura por encenar números musicais e teatro que têm como tema o desbunde, a ousadia,a sexualidade e a crítica social e política à Ditadura vigente na época. Para contar essa história, o roteirista e diretor Hilton Lacerda se faz valer do melhor elenco já reunido num filme brasileiro desde "Era uma vez eu, Veronica", onde todos estão, sem exceção, incriveis. Não à toa, ambos os filmes são pemambucanos, provando que nessa Terra o que se planta, colhe. A DIreção de arte de Renata Belo Pinheiro, genial, e a fotografia de Ivo Lopes Araujo, que mistura texturas, cores, experimentalismos. Fiquei muito impressionado com a ousadia e a qualidade desse filme, que tem o sexo como ponto chave. Bom ver atores que interpretam totalmente entregues aos personagens, sem frescura. Os 3 atores citados merecem receber todos os prêmios existentes em festivas nacionais. Quanto ao roteiro, que tem temas tão distintos como bullying, repressão sexual, Ditadura, Censura, liberdade de expressão, libertinagem, etc etc etc, acaba ficando longo, ao querer contar tantas historias . A sub-trama, por ex, do soldado enrustido está sobrando. O filme acaba ficando com uma barriga lá pro meio. Mas no geral, é super bem-recomendado, mas atenção, para pessoas de mente aberta, pois o que mais existe no filme são cenas de homossexualismo explícito. Muita viadagem nordestina, embalados por uma trilha sonora genial e por uma cena antológica: a cena do musical "tem cú˜. É inacreditável. Traços de Fassbinder, de Visconti em 'Os Deuses malditos", de marginalidade, de sujeira, de loucura necessária. Fora a Caretice! Nota: 9

Cosimo e Nicole

"Cosimo e Nicole", de Francesco Amato (2012) Cosimo ( o galã italiano Riccardo Scamarcio) é um jovem italiano. Em Geneva, no ano de 2011, durante a Convenção do G8 ( Reunião dos 8 paises mais ricos do mundo), ele conhece Nicole (Clara Ponsot), uma francesa. Durante uma manifestação, ela apanha e sai ferida. Ele a acolhe, e claro, ambos se apaixonam. Eles vivem um tórrido amor. Cosimo trabalha em uma empreiteira e durante uma obra, sob sua responsabilidade, um imigrante clandestino africano cai. Cosimo acha que ele morreu e o abandona. Porém, descobre-se que o imigrante não morreu, e a partir daí tudo mudará na vida do casal. Um filme que fala sobre imigração, manifestação contra paises poderosos, clandestinidade, amor entre jovens de paises distintos, desemprego e tudo que é referente a temas sociais , geralmente se transforma numa xaropada recheada de clichês. E infelizmente, é isso o que acontece nesse filme dirigido pelo italiano Francesco Amato. Com uma fotografia estilizada cheia de filtros, o filme vai em ritmo lento, com algumas cenas sensuais enquadradas de forma a não mostrar muito dos atores ( que chatice). O filme tem 100 minutos, mas parece interminável. A direção é correta sem grandes arroubos, o elenco está ok sem grandes trunfos e a cena final é pavorosa, recheada e caricatura da cultura africana. Nota: 5

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Ain't them bodies saints

"Ain't them body saint", de David Lowery (2013) Drama ambientado no Texas no in;icio dos anos 70, conta a história de amor entre um casal de foras-da-lei. Ruth (Rooney Mara) e Bob ( Casey Affleck) são jovens, intempestivos. Ela , grávida, sonha com uma vida melhor, e ele quer agradá-la de qualquer jeito. Durante uma perseguição policial, o parceiro de Bob morre e ela fere com um tiro o xerife, Patrick (Ben Foster). Ele vai preso, acusado de ter ferido o xerife, e ela é solta. Ela dá à luz. Anos se passam, Bob consegue fugir da prisão e cruza o Texas para poder encontrar a mulher que ama e conhecer sua filha. O que ele não esperava é que Ruth se envolve emocionalmente com o xerife. O filme foi exibido no Festival de Sundance em 2013, e saiu com o prêmio de Melhor fotografia para dramas americanos. Esse prêmio técnico é o grande trunfo do filme. A imagem é estonteante, comandada pelo fotografo Bradford Young. A narrativa do filme é bastante fria, apesar do tom sempre romanceado e estiloso. O ritmo é lento e grandiloquente, como nos filmes de Terrence Malick, e a trama lembra um pouco "Bonne e Clyde" e o recente "O lugar onde tudo termina", cm Bradley Cooper e Ryan Gosling. Uma trama onde os protagonistas são bandidos e por quem o espectador deve torcer pela consumação do amor e um happy end. Os 3 atores estão bem, e garantem um bom filme. Mas que acabam engolidos pela técnica, que deixou o filme frio e sem emoção. Nota: 7

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Paraíso: Esperança

"Paradies: Hoffnung", de Ulrich Seidl (2013) Último filme da trilogia elaborada pelo cineasta austríaco Ulrich Seidl, que começou com "Paraíso: Amor", e se seguiu com "Paraíso: Fé". "Esperança" foi exibido no Festival de Berlin em 2013, e é o menos corrosivo dos 3 filmes. Talvez por ter menores no elenco, Ulrich segurou o freio nas cenas de sexo explícito e violência. Aqui, acompanhamos a história da menina de 13 anos Melannie, que é levada pela tia ( a personagem cristã de "Paraiso : Fé") para um acampamento de férias destinado a menores obesos. Melannie vai passar um tempo no lugar, enquanto sua mãe tira férias no Kenya ( A personagem de "Paraíso: Amor"). Nesse acampamento, os jovens obesos sofrem constrangimento e tortura psicológica, sendo privados da liberdade, uma espécie de metáfora de um Campo de concentração. Os professores são carrascos, inclusive um deles parece querer usar métodos de Fatima Toledo para poder doutrinar os jovens. Melannie acaba se apaixonando pelo médico do local, um cinquentão que fica dando corda para ela, mas quem, pelo código de ética, é proibido de se envolver com menores/pacientes. Mesmo tentando evitar de usar menores em cenas de sexo, Ulrich procura instigar a sexualidade da personagem, em cenas de tensão sexual ( como a bizarra cena do médico lambendo a menina num matagal, ela bêbada), ou na cena da brincadeira "Verdade ou consequência". O que eu mais gostava nos 2 primeiros filmes da trilogia era a sensação de fim de mundo, de pessoas sanguessugas que dizimavam qualquer possibilidade da protagonista poder se levantar e seguir seu rumo com dignidade. Ou seja, muita depressão na tela. Aqui, fica-se um eterno estado de humor negro, aliado a diálogos ingênuos sobre sexualidade e anarquia. Mas vale pelo talento das jovens atrizes, despojadas e espontâneas nas cenas. A fotografia estonteante continua a cargo de uma dupla americana e alemã. Adoro a narrativa de Ulrich, que se utiliza de planos longos e estáticos, contemplativos, para contar sua história. Nota: 7