domingo, 6 de outubro de 2013

A grande Beleza

"La grande bellezza", de Paolo Sorrentino (2013) Caralho, a tempos eu não via um filme tão bonito! Que fotografia extraordinária de Luca Bigazzi, italiano responsável por quase todos os filmes de Sorrentino. Claramente uma homenagem aos filmes de Fellini, principalmente "Amarcord", "Roma", "8 1/2" e "La dolce vitta", o filme acompanha as divagações de Jep, jornalista de 65 anos que entrevistou celebridades e que v&e a Roma atual como um lugar decadente e sem futuro. Através de varias histórias e personagens que vão cruzando o filme, vemos toda a beleza estonteante dos cartões postais de Roma, que escondem as festas orgiásticas regadas a drogas, bebidas e sexo. O filme também critica a Igreja, na figura excepcional da personagem de Irmã Maria ( atuação poderosa de Giulia Mersi, que empresta sua fisionomia centenária pro papel da Freira Santa), a indústria da cirurgia plástica ( numa cena muito louca de aplicação de botox) e o culto as personalidades ( Fanny Ardant, em ponta amigável). Rodado quase todo na noite, o filme é um gigantesco painel de uma sociedade à beira da falência física e moral. As mulheres do filme, quase todas botocadas, emprestam seus rostos para os personagens Fellinianos. A trilha sonora, recheada de músicas pop, canções populares e dance music, é um primor, embalando cenas antológicas de festas ( a festa de abertura é uma -obra-prima de realização). O uso constante de steadicam e de grua, fazendo as imagens estarem sempre em constante movimento, remete bastante à narrativa de "A árvore da vida", de Terence Malick. Ton Servillo reencarna o personagem de Marcello Mastroiani de "A dolce Vitta" e nos apresenta o que Roma tem de pior e de melhor. Uma pequena obra-prima, memorável e sensorialmente inebriante. Uma experiência radical de surrealismo e de fantasia ( vide a cena da girafa, e a dos flamingos). É um filme divertidissimo, ri quase que o tempo todo da projeção. Um roteiro audacioso e mordaz.Nota: 9

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