sábado, 5 de janeiro de 2013

Himizu

de Sion Sono (2011)
Concorrente em Veneza 2011, o filme saiu com o prêmio Marcello Mastroiani concedido a jovens atores, no caso, os atores Shôta Sometani e Fumi Nikaidô, que interpretam os protagonistas Sumida e Keiko, O filme narra a tragédia do pós-tsunami no Japão, em março de 2011. Na região de Fukushima, onde se passa a história, os sobreviventes, desolados pela catástrofe que destruiu sonhos, tentam se reerguer. Sumida é um jovem de 14 anos que mora com sua mãe na beira do lago. Eles tem uma pequena empresa de aluguel de barcos. O pai, que abandonou o lar, sempre retorna, pedindo dinheiro e espancando Sumida, desejando que ele morra para poder receber o seguro. Ao mesmo tempo, temos a história de Keiko, colega de turma de Sumida, por quem nutre paixão platônica. Ela e outros refugiados procuram levantar o astral de Sumida, mas ele se recusa aceitar a ajuda. Sumida é a metáfora do Japão. Uma nação orgulhosa, que tenta se reerguer por conta própria. O filme caminha pelo drama, passeando pela tragédia e violencia urbana. Sono, diretor do excelente "Mesa de jantar de Noriko" e do cult "O pacto", abusa em seus filmes da violência e do bizarro. Aqui, ele caminha mais pelo drama realista, mas sem largar mão da crise emcoional dos seus personagens, que em momentos de catarse, demonstram um lado animalesco que eels próprios desconhecem. O filme é baseado em um mangá, porém como foi escrito anterior ao Tsunami, foi todo readaptado pelo próprio diretor, que filmou nas locações reais, devastadas pela força da natureza. Como em quase todos os filmes japoneses, a gente estranha que as vezes a narrativa descamba para o patetico, pastelão, e os atores exageram na performance. Mas isso é um dado cultural. A grande força do filme é a atuação dos atores. É um filme difícil, cruel. A cena do jovem matando um personagem, em plano-sequência, é antológica. Infelizmente o filme é longo e perde o ritmo, são quase 2:15 hrs. O diretor abusa também na trilha sonora do "Adagio for strings", de Samuel Barber, e de "Requiem", de Mozart, para dar a melancolia necessária as suas cenas. "Himizu" é uma espécie de toupeira. Nota: 7

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