quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Boneca inflável

"Kūki Ningyō / Air doll", de Hirokazu Koreeda (2009)
Fantasia baseada em mangá de sucesso no Japão. Koreeda, diretor dos excelentes "Ninguém pode saber"e "O que mais desejo", faz aqui um filme diferente em sua filmografia. Saindo do realismo de seus filmes, ele envereda pelo drama fantástico. Nozomi é uma boneca inflável. Seu dono, um homem solitário, a trata como se ela fosse um ser humano. Um dia, Nozomi ganha uma alma e cria vida. Assim como uma criança, Nozomi se entusisma com tudo o que vê pela frente, até se apaixonar pelo atendente de uma vídeo-locadora. Um belo filme, lindamente fotografado e com uma trilha sonora que enfatiza amelancolia da trama. Koreeda trata aqui de vários temas: a solidão na grande cidade, a questão do abuso sexual contra as mulheres ( é notório que a sociedade japonesa é machista) e o amor do cineasta pelo cinema. Em uma cena ambientada na locadora, Koreeda mostra sua cinefilia, ao colocar personagens discutindo sobre filmes famosos. Ele discute também a perda da importância das locadoras, que sofrem com o avanço dos serviços de locadora online e da internet. Donna Bae, atriz sul-coreana, que trabalhou em "Lady vingança", "O hospedeiro" e o recente blockbuster "A viagem", está excelente no papel da boneca. O seu trabalho de corpo, aliado a uma performance muito complexa, dá total credibilidade ao personagem. Li num artigo que um dos motivos dela ter sido escolhida é que nenhuma atriz japonesa topou ficar exposta totalmente nua por boa parte do tempo da projeção. E que corpo lindo ela tem. É um filme muito triste, com personagens solitários, que enfatizam a tristeza de se morar numa grande metrópole, onde impera a falta de comunicação. O ponto negativo do filme é a sua longa duração: não existe história suficiente para preencher as suas 2 horas , daí boa parte é composta de cenas onde vemos a personagem perambulando pelas ruas, e também cenas repetitivas do dono dela interagindo com a boneca. Tivesse pelo menos 30 minutos a menos, teria se tornado um belo filme. Nota: 7

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