quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

A descida de Acla até Floristella

"Acla - La discesa di Aclà a Floristella " de Aurelio Grimaldi (1992)
Ambientado na Italia Siciliana do início do Sex XX, antes da eclosão da 1a Guerra Mundial, esse é um filme chocante. O filme narra a história de Acla, um dos 9 filhos de casal miserável. Quando atingem uma idade de 10 anos, os garotos são enviados para uma mina de enxofre chamada Floristella, para explorar o minério utilizado na fabricação de bombas. Nesse ambiente masculino, os adultos exploram os meninos tanto no trabalho quanto sexualmente. Acla, rebelde, tenta fugir, mas logo é capturado e passa por todos os tipos de brutalidade como castigo, tanto por parte de seu pai, quanto do senhor que o comprou. Aurelio Grimaldi, o diretor, utiliza a linguagem e narrativa dos filmes neo-realistas, comuns na filmografia italiana do pós-guerra, e responsável por obras-primas de Rosselini, Fellini e de Sica. Grimaldi usa todos os elementos dessa escola: não atores, musica melodramádtica, extremo realismo, cenários desoladoras, sem retoques. O filme tem forte teor sexual: hoje em dia ( o filme é de 92), ele provavelmente seria proibido ou mutilado pela censura. Recheado de cenas de nudez infantil, sevícias, e diálogos protagonizados por crianças falando textos de baixo calão, além das cenas mais brutais de violencia doméstica que o cinema já mostrou. As cenas de espancamento são extremamente realistas. Pasolini, estivesse vivo, abraácria com louvor essa pelicula. O mais curioso, é que o diretor já filmou aqui no Brasil, em meados dos anos 2000, uma saga incompleta sobre Anita Garibaldi, com Milena Toscano no elenco. A atuação do menino Francesco Cusimano é digna de nota. Lembra demais o Antonie Doinel de Jean Pierre Leaud em "Os incompeendidos", com sua inqueitaçào e rebeldia. Inclusive, a cena final é claramente uma citaçào ao clássico de Truffaut. Não é um filme para qualquer espectador. Nota: 7

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