quarta-feira, 9 de março de 2011

Rango


" Rango", de Gore Verbisnky (2011)

Deliciosa e divertida animação da Nickelodeon e Paramount Pictures, uma verdadeira festa para cinéfilos mais atentos.
O filme narra a história de um lagarto, que viaja em um carro, dentro de um aquário. Seus donos se mudam para Las Vegas. Porém, durante a viagem na estrada, ao lado do deserto de Mojave, o aquário se solta do porta-malas e cai na estrada, sem que os donos percebam. O Lagarto fica sozinho, e atravessa o deserto, sedento. Até encontrar Bean, uma jovem lagarta que vai em direção a uma cidade isolada, chamada Dirt. Lagarto a acompanha, e descobre que a cidade é uma espécie de cidade típica de faroeste, sem lei. Toda a população está sedenta, e a água é considerada moeda, inclusice sendo guardada dentro do banco. Acidentalmente, lagarto é confundido com um herói, e assume a identidade de Rango. Logo se transforma no xerife local. Porém, a água do banco é roubada, e Rango precisa descobrir o que está acontecendo com o sumiço dela.
O filme possui um roteiro inteligente que brinca com várias referências cinematográficas: além das óbvias citações a todos os faroestes de Sergio Leone ( Era uma vez no Oeste, Por uns dólares a mais, etc), ele ainda cita " Apocalipse now" e "Star Wars" na fantástica cena de ataque aéreo; " "Chinatown", ao tratar do assunto da falta de água e ao representar o vilão como um espectro de John Houston; " Banzé no Oeste", na brincadeira de colocar um forasteiro como xerife local; " Matar ou morrer", no signo do relógio que bate ao meio-dia; e muitos outros. A trilha sonora é toda referencial a Ennio Morricone e seus clássicos feitos para os filmes de Sergio Leone. A fotografia ganhou consultoria de Roger Deakins, mestre que tem realizado todos os últimos filmes dos irmãos Cohen.
O filme não deverá agradar as crianças, uma vez que os diálogos são rebuscados e as citações complexas demais. Inclusive existe uma cena, antológica, onde o Lagarto contempla um diálogo absurdo com o Fantasma do Oeste, uma brincadeira com Clint Eastwood e suas estatuetas ganhas no Oscar. Não sei porquê não chamaram o próprio Clint para dublar as falas do personagem, teria sido maravilhoso. Aliás, as dublagens sçao um caso a parte. Johhny Depp é fabuloso até mesmo em voz. As variações que ele impõe ao personagem Rango são incríveis, eu enxergava o próprio Depp no desenho. Um erro os distribuidores no Brasil terem apostado na versão dublada do desenho. São poucas as cópias legendadas, o que considero um crime. Deixar de ver o filme, sem a voz original de Depp, é um absurdo.
Uma maravilhosa surpresa esse desenho, de alta qualidade técnica, e que espero, tenha um sucesso comercial e crítico merecido.
Incrível a trajetória do Cineasta Gore Verbisnky. Após o sucesso da refilmagem de terror " O Chamado", e da franquia " Piratas do Caribe", ele ataca com muito sucesso na área da animação.
Obs: Um show a parte é o grupo de mariachis corujas...deliciosamente divertido e irônicos, narrando como um coro grego passagens do filme.

Nota: 9

4 comentários:

  1. Hsu outras referências como Cantando na Chuva, logo no início quando o lagarto com uma parte do corpo de uma boneca remete uma das coreografias antológicas desse filme com Donald O'Connor e uma manequim; Wall-E com o beijo do Rango na lagarta estática; Cidade das Sombras com alusão aos mistérios da cidade e o envolvimento do prefeito e claro Piratas do Caribe (No Fim do Mundo), aliás, Rango é o próprio Jack Sparrow cowboy.

    ResponderExcluir
  2. Rango é bárbaro!!!! Uma "colagem" de referências de todos os gêneros e épocas... Divertidérrimo sacar, a cada cena, uma citação visual ou dialogada de filmes marcantes... E Depp se esmera em talento... com uma levada de voz rica em nuances que faz a gente adorar o camaleãozinho!!!!

    ResponderExcluir
  3. Concordo com Kathia e Juju!!!!!! è fenomenal..um show para cinefilos

    ResponderExcluir
  4. Achei a voz do Billy Nighy fazendo o Jake ainda melhor que a do Depp! (por sinal, só a sinuosidade do Jake já vale o filme).
    A cena do bar Star Wars é referenciada ao longo de todo o filme, desde o saloon até o visual da maioria das personagens, pois o exótico desert-look é alien-like.

    ResponderExcluir