sexta-feira, 25 de março de 2011

A garota da capa vermelha


" Red hiding hood", de Catherine Hardewick (2011)

Livremente adaptado no conto " Chapeuzinho Vermelho", de Charles Perrault, " A garota da capa vermelha" é uma tentativa de se fazer filmes para adolescentes com toques de ação, erotismo, romance e suspense baseados em clássicos de histórias infantis.
Em um vilarejo medieval, animais são sacrificados a cada luz cheia para um lobo que ronda a região. No vilarejo, mora Valerie (Amanda Seyfried) , uma adolescente que é desejada por dois homens, Peter e Henry. Peter é órfão, e desde criança é amigo de Valerie, e ambos nutrem uma paixão não desenvolvida. A tempos planejam uma fuga do local. Porém, os pais de Valerie arranjam para ela um casamento por interesse, com o rico Henry. Ao mesmo tempo, a irmã mais velha de Valerie é morta pelo lobo, que pela primeira vez ataca um ser humano. Revoltados, a população manda chamar ao local o caçador de lobisomens, Padre Solomon (Gary Oldman), que usa de métodos obscuros para obter o que quer. O Lobisomem surge para Valerie, e ela conversa com ele, para sua surpresa. Logo, os moradores acusam Valerie de ser uma bruxa, e a condenam para ser sacrificada ao lobo.
A diretora Catherine Hardewick, que realizou " Crepúsculo", procura aqui repetir a mesma fórmula que consagrou o seu blockbuster anterior. Usa os mesmos recursos: o triângulo amoroso, jovens sedutores e belos, clima etéreo e mágico, olhares furtivos e apaixonantes, trilha sonora moderna e a base de rock, e uma protagonista dividida entre o amor de dois homens. O elenco de apoio, excelente, é mal aproveitado: Julie Christie está irreconhecível como a avó: aparenta estar pouco a vontade nesse universo fabulesco, e parece que fez plástica, de tão esticado que está o seu rosto. Virginia Madsen, de " Sideways", também está apática. Uma pena, pois ela é uma atriz de ótimos recursos, e inclusive já trabalhou no terror cult " Candyman". Lukas Haas, eternamente lembrado como o garoto de " A testemunha", tem um personagem que é pouco desenvolvido. Gary Oldman infelizmente, retorna aqui às suas performances caricatas. Sempre que ele intepreta um tipo vilanesco, ele exagera na composição, tendendo ao overacting.
Algumas cenas são bem risíveis: por ex, quando Valerie descobre que pode falar com o Lobo. As atuações dos dois galãs são muito fracas. De interessante apenas, a tentativa de modernizar o conto e a bela fotografia. Mas para tal, é melhor ficar com o cult de Neil Jordan, " A companhia dos lobos", muito mais ousado e sim, uma perfeita alegoria sobre despertar da sexualidade na adolescência.

Nota: 6

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